Nossa Música
21 O Recomeço
Notas iniciais
As duas dormiam calmamente, uma nos braços da outra. Emma acordou com a pouca claridade que os raios de sol já emanavam sobre os corpos de ambas. A loira não lembrara o momento que pegou no sono, muito menos qual das duas havia cedido primeiro ao cansaço, fora isso, ainda estava tudo muito nítido.
Olhou para a morena que ainda estava abraçada em sua cintura, com a cabeça encostada em seu ombro. O braço de Emma ainda a envolvia. Sentiu uma dormência no músculo, o incomodo se tornava reconfortante ao vê-la tão serena, calma e confortável.
As lembranças da noite anterior vieram à tona. A saudade uma da outra, a troca de olhares, de carinho, de palavras. As palavras. Elas foram um dos principais motivos para aquele sentimento ser tão forte. Ambas sabiam dizer exatamente o que sentiam, sabiam se expressar, se decifrar, tudo exatamente no momento certo.
A loira teve a oportunidade de conhecer Joseph, um garoto tão incrível, inteligente, era uma Regina na versão infantil-masculina. Sim, aquilo era um lindo sonho, um sonho bom demais para ser verdade, mas era real, elas novamente estavam juntas, finalmente poderiam construir uma família.
Apertou mais a morena contra seu corpo, afastou vagarosamente os fios negros de cabelo que caíram sobre seu rosto e tornou a acariciar suas bochechas. Regina aos poucos abriu os olhos. Percebeu que a loira a observava há algum tempo e sorriu.
— Bom dia, dorminhoca – Emma falara enquanto pousava um beijo em seu rosto.
— Meu dia já começou maravilhoso – retrucou – Um bom dia pra você também – aproximou os lábios vermelhos aos rosados da outra e a beijou. Um beijo não tão longo, não tão curto, envolvendo apenas seus lábios e o encaixe perfeito.
— Precisamos ir – interrompeu.
— Mas já? – perguntou erguendo as sobrancelhas.
— Daqui a pouco começa meu turno – disse – preciso de um banho e de um café da manhã reforçado.
— Tudo bem – por fim a morena concordara.
Emma recolheu as roupas que estavam espalhas ao redor do local onde estavam, entregou as da morena e vestiu as suas. Riu quando Regina se levantara, as roupas estavam amassadas e o cabelo bagunçado, era uma imagem épica vindo da garota que sempre fora muito responsável, formal e muitas vezes “certinha” demais.
— O que foi? – perguntou franzindo o cenho.
— Nada – respondeu e em troca recebeu um olhar de reprovação da outra – É que você fica uma graça despenteada – aproximou-se, passou vagarosamente os dedos no cabelo da namorada, arrumando-o – Pronto, agora que está mais linda do que nunca, podemos ir? Estou morrendo de fome...
— Vamos – falou rindo do jeito manhoso de Emma.
Antes de saírem, Regina deu uma última olhada para a paisagem da cidade, olhou para o jardim e o local onde dormiram. Queria poder guardar cada detalhe dali, cada lembrança, como se por um descuido sua mente apagasse tudo o que acontecera na noite anterior.
— Não se preocupa – a loira segurou sua mão – voltaremos muitas vezes aqui. Ainda precisamos mostrar esse lugar ao Joseph – sorriu.
A morena apenas assentiu retribuindo o sorriso. Segurou firme em sua mão e desceram as escadas em direção ao apartamento. Tomaram cuidado para não serem vistas.
Quando adentraram o apartamento da loira, Regina foi de encontro ao seu celular que havia treze chamadas não atendidas e quatro mensagens não lidas, todas de sua amiga. A morena se repreendeu por não ter avisado que estava na casa de Emma, principalmente por ter dormido lá. Addison merecia saber pelo simples fato em comum: Joseph. Poderia ter acontecido qualquer coisa nessa noite. O garoto poderia ter caído, se machucado, ter parado no hospital, poderia ter chorado por saudade da mãe. “Regina, deixa de ser louca! Joseph não é o tipo de criança que faz escândalo”, falava para si mesma.
Enquanto Emma se dirigiu ao banheiro para tomar banho e se arrumar, a morena retornou a ligação da amiga, pedindo aos deuses para que não tenha acontecido nenhuma loucura, muito menos que Addison surtasse no telefone.
— ONDE É QUE VOCÊ SE METEU? – atendeu sem arrodeios.
— Eu sei, eu sei, eu deveria ter avisado, desculpa...
— Onde você está? – perguntou.
— Eu to no apartamento da Emma – respondeu olhando para o banheiro onde a loira se encontrava.
— Já imaginava – continuou – por isso não insisti nas ligações.
— Treze ligações perdidas e olha que você não insistiu – riu.
— Se eu não fizesse ideia de onde você estaria, pode ter certeza que teria umas oitenta e seis ligações e umas trinta mensagens. Regina você tem filho, sabia?
— Eu sei Addison, eu não me esqueci dele por um minuto, é só que...
— Você não imaginava que passaria a noite aí, acertei? – interrompeu.
— Sim, eu nem fazia ideia do que iria acontecer – flashs da noite anterior pairaram em seus pensamentos em questões de segundos fazendo-a sorri – Onde está ele?
— Ele está aqui pertinho de mim, escutando eu dá uma bronca na mãe desgrenhada que ele tem – Regina pôde ouvir o risinho do filho no outro lado da linha e riu juntamente com ele.
— Não fala assim de mim perto dele – repreendeu.
— Depois que deu uma de desaparecida, era o mínimo que eu poderia te chamar. Sem contar que você realmente deve está desgrenhada, depois de uma noite com – olhou para Joseph que a encarava com curiosidade – com tantos pacientes para se tratar...
A morena riu da amiga que tentava contornar a situação.
— A noite com meus pacientes foi inesquecível – falou com um sorriso bobo no rosto.
— Imaginei – disse com certa malícia na voz.
— Pensei que você estava no trabalho.
— Eu dei um jeito de trocar meu plantão – pausou e deu uma olhada para a criança que agora prestava atenção no desenho animado da TV – Precisava passar um tempo com Joseph, ultimamente mal paramos em casa, ele passa mais tempo com Elsa do que conosco, isso me deixa pensativa e com certo medo.
— Nós já falamos sobre isso, Addie – falava com calma – Joseph é uma criança inteligente, sempre conversamos com ele, tenho certeza que ele entende nossa ausência.
— Espero que sim – dizia com receio na voz.
Emma acabara de sair do banheiro com uma toalha ao redor do corpo nu, um coque alto prendendo seu cabelo e algumas gotas de água ainda presentes no seu corpo. A morena mordeu o canto do lábio inferior com aquela visão.
— Eu só vou me vestir e preparo o café, okay? – sorriu com o olhar que Regina lhe lançara e adentrou o quarto – Mais uma coisa – abriu novamente a porta do quarto mostrando apenas seu rosto e um pouco do corpo – Infelizmente eu não sou o café da manhã.
— Mas poderia ser – Regina arqueou a sobrancelha como se estivesse provocando-a.
Emma ri e volta sua atenção ao guarda-roupa.
— Alô, alô, alôôÔÔô – falava Addison – Legal Jo, sua mãe me deixou no vácuo, to me sentindo no ensino médio estudando Vácuo e Gravidade...
— Não seja dramática, Addie – voltou à ligação.
— Era ela?
— Sim – sorriu – era ela.
— Que horas você volta?
— Não vou demorar muito, Emma ainda vai precisa ir pro trabalho, vamos apenas comer alguma coisa...
— “Comer alguma coisa” – a ruiva repete a última frase – só espero que não seja vocês mesmas, porque pode demorar.
— Addison! – repreende a amiga.
— Desculpa, não consegui controlar – riu – Ah, quase esqueci. Ontem sua amiga ligou aqui pro residencial e pediu pra falar com você, só que você não estava e eu disse que te avisaria.
— Amiga? A única amiga que eu tenho aqui é você, pelo menos amiga de verdade – falou – Qual o nome dela?
— Ruby – respondeu – Eu também achei estranho...
— Ruby?! – interrompeu – O que ela disse?
— Só pediu pra que eu te avisasse, porque queria falar com você.
— O que será que ela quer? – perguntava em um tom quase inaudível, mais para ela do que para Addison.
— Eu não faço ideia, sem contar que eu nem sabia que você tinha uma amiga com esse nome – falou.
— Addie, já te falei dela, é minha amiga de Storybrooke.
— Ah, é verdade – falou relembrando – Então, vá “comer” alguma coisa, que quando você chegar nós conversamos melhor.
— Okay – falou rindo com a ênfase que a amiga deu e desligou em seguida.
Emma já havia passado para a cozinha, a morena sentiu o cheiro de comida, andou ate o local onde a loira tava e ficou observando-a cozinhar. Emma vestia uma calça jeans, sua blusa social branca estava por dentro da mesma, sinto de couro preto preenchendo devidamente o espaço entre a calça e a blusa, botas, uma maquiagem leve e o cabelo agora solto, ondulado e cacheado nas pontas como sempre. Regina riu ao ver Emma erguer uma tampa da panela, tornando-a um escudo para que o óleo não pingasse na sua roupa, muito menos a queimasse.
— Emma – se aproxima – deixa que eu faço.
— Nem pense nisso, senhorita Mills – fala séria – Você está na minha casa, querendo ou não você é visita... Ainda – completa.
— Tudo bem – ergue as mãos como se rendesse – Enquanto isso, se não for incômodo, eu vou pôr a mesa, não estou a fim de te ver batalhando com o bacon – Emma assentiu rindo.
Enquanto terminava de torrá-los, a loira falava onde ficavam os pratos e talheres que rapidamente Regina colocou-os sobre a mesa. Dessa vez procurou pelas frutas, cereais, leite sem a ajuda da loira.
— Você fez o café? – perguntou à loira que acabara de pôr o bacon na mesa.
— Ainda não, também preciso preparar as torradas – responde.
— Emma, deixa eu te ajudar – pede.
— Regina, não!
— Você vai se atrasar – fala apontando pro relógio da parede. A loira revira os olhos percebendo que era verdade — Isso é um sim?
— Sim – falou – É engraçado como tudo o que eu planejo não dá certo – fala quase em um sussurro.
Olha para a loira que vazia um biquinho de chateação. Para a morena, era engraçado e ao mesmo tempo fofo ver o quanto a Emma adolescente tinha em comum com a Emma adulta. Algumas mudanças foram feitas como em qualquer outra pessoa, o amadurecimento, por mais que a loira jamais havia tomado decisões infantis ou agido com infantilidade. Mas aquele bico, a testa franzida, o jeito de se vestir, os canais que assistia, as séries, filmes, livros, as músicas, manias, o seu jeito de ser, a forma de agir, o seu ponto de vista, tudo ali fazia parte da Emma Swan de anos atrás.
Regina não deixou passar despercebida a última frase da loira. Anda em direção a Emma e aos poucos a encosta contra o balcão. Olha para a blusa branca da mulher que estava com os dois primeiros botões abertos, a morena leva suas mãos abrindo o terceiro e quarto. Volta seu olhar para Emma que no lugar o bico de chateação, agora se encontrava com a boca entreaberta e um olhar curioso. Regina pousa um beijo demorado pouco acima do decote da loira, imediatamente faz com que sua pele arrepie. A morena roça seus lábios ate chegar próximo ao ouvido da outra.
— Você ainda não entendeu – sussurrou para Emma.
— O que não entendi? – falava com dificuldade sentindo a boca da morena de encontro com sua pele.
Regina tira a blusa da loira de dentro da calça comprida, fazendo com que o espaço possa ser invadido. Coloca suas mãos por dentro da blusa e a aperta mais contra si. Podia sentir sua pele quentinha, que correspondia cada toque da morena. Passou suas mãos pelo seu abdômen, levou ate seus seios apertando-os sobre o sutiã e desceu suas unhas vagarosamente na curva perfeita de suas costas, fazendo com que Emma arfasse.
— Você não entende – morde o lóbulo da orelha da outra sensualmente – que as coisas planejadas – desce seus lábios depositando um beijo molhado em seu pescoço – raramente dão certo – volta sua boca para a da loira e morde seu lábio inferior.
— Desse jeito é você que vai me atrasar – fala após a morena soltar seu lábio.
Regina desce suas mãos pelas costas de Emma e aperta sua bunda firmemente.
— Você tem razão – e solta a loira.
— Qual é, Regina?! – fala Emma incrédula.
A morena ri da forma que havia deixado a loira, por ter atiçado e voltado atrás.
— Você precisa ir pro trabalho e eu preciso ir pra casa – responde com um sorriso cínico – É melhor comermos e deixar isso pra outra hora.
Emma reclama por alguns instantes, mas logo volta a atenção pra comida. Regina faz o café e Emma as torradas. O café da manhã segue mais que bem, tratam de assuntos aleatórios, falam do trabalho, de Joseph, dos restaurantes que Emma pretendia levar a morena, dos “bandidos a solta” e Regina, por sua vez, contou histórias dos seus pacientes. Trocando sempre gentilezas, carinhos, sorrisos e beijos.
Antes de sair, a loira arruma novamente a roupa, repreendendo Regina pelo que fizera, a morena apenas ri em resposta. Emma leva Regina para casa e em seguida segue para o trabalho.
♫♫♫
— Meu amor – fala a morena quando abre a porta de sua casa e encontra seu filho assistindo TV. O mesmo sai em disparada e a abraça.
— Você demorou tanto no trabalho – falara enquanto cruzava os braços. Regina sorri com seu gesto.
— Mas o importante é que estou aqui, certo?
— Certo – assente descruzando os braços. Regina beija o topo da sua cabeça.
— Cadê a titia? – pergunta.
— Acho que na cozinha – responde.
— Vou falar com ela, tomar um banho e volto pra brincar com você, okay?
— Okay! – responde sorrindo.
Regina sai andando pelo hall da casa de encontro a amiga. Quando adentra o cômodo, escuta Addison falando ao telefone.
— Ela acabou de chegar – fala olhando para a morena. Entrega o telefone a ela – É a Ruby, ela ligou nesse instante.
Regina assente e recebe o aparelho da amiga.
— Alô? – fala com receio.
— Regina, sei que há tempos não nos falamos direito, mas eu não te incomodaria se não fosse algo importante.
— Falar com você nunca foi um incômodo, Ruby – respondeu calmamente – O que está havendo?
— Sua mãe – responde – Ela não está bem, ela – pausou – ela tentou se matar e tudo o que ela falou ate agora foi seu nome. Ela fica te chamando o tempo todo.
— Não, por favor, não me peça pra ir...
— Querendo ou não ela é sua mãe, ela precisa de você – espera uma resposta que ate então não vem – Faça a diferença e não aja como ela.
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