Nossa Música

5 Ainda há esperança


Notas iniciais
Boa leitura :D

Depois de alguns dias Emma logo se entrosou com os alunos de sua sala, fez amizade inclusive com Ruby, Aurora e Mulan, mas não abandonava Regina, sempre ficou ao seu lado na sala de aula e na maioria dos intervalos.

Estava na hora da merenda, Regina sentou-se sozinha na mesa do refeitório, que agora observava a loira conversando com suas novas amigas que a morena conhecia muito bem, uma raiva estremeceu seu corpo.

Ruby havia contado que elas eram amigas de Regina, mas se distanciaram por algum motivo que não quis citar, Emma percebera que elas não queriam lhe dizer, não forçou. "Talvez seja o mesmo motivo pelo qual ninguém se aproximava de Regina", pensou. A única pessoa que ainda procurava a morena era Killian, fora ele, só a loira.

Emma virou-se e viu que Regina olhara para ela, fitou a morena nos olhos que logo foram desviados de sua direção. As amigas conversavam com a loira, mas no momento só seu corpo permanecera na mesa, já seus pensamentos estavam em outro lugar, para outra coisa, para outra pessoa, aquela mesma pessoa que a pouco a observava, aquela com o olhar cheio de tristeza, de desprezo consigo mesma. Já teria feito cerca de um mês que conhecera Regina, fez perguntas, tentou descobrir algo sobre a morena, mas ela não facilitava, normalmente era como falar sozinha, raras eram as vezes que respondia as perguntas pessoais.

— Emma? — falou Mulan balançando a mão em frente aos olhos da garota — Terra chamando, cambio.

Emma foi puxada dos seus pensamentos para a realidade. Piscou algumas vezes e voltou os olhos para as meninas.

— Graças a Deus, pensei que tinha morrido de olhos abertos, já ia te levar pra enfermaria — brincou Ruby.

Ambas as garotas riram.

— Vou falar com Regina — falou a loira se levantando — volto logo.

Emma foi andando em direção a garota mais linda da escola. Regina fingiu não ver a loira se aproximando.

— Hey! — falou se sentando na sua frente.

— Pensei que ia ficar com suas amigas — falou sem poder conter a raiva.

— Você também é minha amiga, Regina — continuou — elas são tanto quanto eu, só não vejo o motivo de você ter parado de...

— Isso não é da sua conta, Swan — falou com um tom arrogante.

Emma olhou para ela com um olhar desprezível, parecia que já estava guardando aquilo por muito tempo.

— To cansada desse seu jeito amargo de falar, de maltratar as pessoas, de me maltratar — cuspiu as palavras.

— Se está achando ruim, então saia, o caminho está livre — fez um gesto com a mão, como se dissesse "Sinta-se a vontade" — você tem a escola inteira pra ficar com suas novas amigas.

— Você está certa — a loira se levantou e saiu deixando a morena sozinha.

Foi ao encontro das meninas que estavam em uma mesa no fim do refeitório.

Quando chegou a outra mesa, sentou-se novamente ao lado de Ruby que ria sem parar, não sabia sobre o que era ou do que se tratava o assunto, mas não se importava, o que chamou sua atenção agora foi que Regina se levantara da mesa, porém Killian se aproximou da morena dando um beijo nada romântico, ele estava de olhos abertos durante o ato, mais parecia que ele queria mandar um recado a todos os meninos que ali se encontrava, como se dissesse "Ela ainda me pertence, seus idiotas". Finalizou o beijo com um abraço e direcionou seu olhar para os amigos que se encontravam próximo do casal.

— Me pegou de surpresa — falou a morena.

— Essa era a intenção — falou olhando para os seus lindos olhos castanhos — tava morrendo de saudade dos seus beijos — beijou o rosto da garota — vem, vou te levar ate sua sala — falou segurando-a pela mão e desaparecendo nos corredores.

Emma estava em choque com aquela cena, não só ela, mas todas as meninas de sua mesa ficaram perplexas com a atitude do garoto.

— Ele ta querendo ferrar ela, só pode... — indagou Ruby.

— Se Zelena tivesse visto isso, seria expulsão na certa — continuou Aurora.

— Vai contra as regras — falou Mulan incrédula.

— Acho melhor irmos para sala, o sinal já tocou — concluiu Emma meio cabisbaixa.

Ambas saíram em direção à sala.

Regina viu a loira entrando, já esperava que ela saísse do seu lado para sentar-se junto com as garotas, mas só o que fez foi se acomodar no seu canto.

— Pensei que você estava... — a morena fora interrompida.

— Com raiva? Chateada? Sim, eu estou, mas não sou como você Regina, não gosto de machucar as pessoas, não quero machucar você. Sinto que isso é a ultima coisa que você precisasse nesse momento — concluiu olhando-a, mas como sempre, evitava o encontro dos seus olhos com o da loira.

Regina manteve o silêncio.

♫♫♫

Já era hora de ir embora. Emma não fez questão de falar com a morena, na verdade, tava mais focada em sua bexiga que estava a ponto de explodir.

Seguiu caminho para o banheiro. Entrou em um dos boxes, terminou o que tinha de fazer e foi em direção a porta, naquele momento ouviu uma voz familiar bem próxima dali, uma voz masculina, era Killian. Ele estava conversando com seus amigos, Emma não ousou simplesmente sair, o garoto a odiava desde o primeiro momento em que se viram, deve ter aumentado mais ainda sua raiva pelo fato de a loira e a morena agora serem amigas. Esperaria as vozes desaparecerem para sair.

— Não vai demorar muito tempo para que isso aconteça — falou Killian.

— Você acha mesmo? — perguntou outra voz, com certeza um amigo do garoto.

— Ah, mano, ela está na minha mão — continuou — eu cumpro com os nossos desafios, vocês sabem muito bem disso. Vocês viram hoje, eu já estava quase desistindo dela, mas aí me lembrei do dinheiro que vou ganhar de vocês, seus otários — seu riso espantou Emma, a menina se arrepiara dos pés a cabeça — eu esperei por um bom tempo para ter um momento a sós com ela, ainda não consegui. O engraçado é que seu padrasto teve e eu não, olha que injustiça! — brincou friamente o garoto.

— Killian, você é do mal — ouviu-se risadas.

— Vocês que apostaram que eu não conseguiria ficar com a filha da prefeita, e vejam só, já estou quase na cama com Regina — zombou — tratem de trazer logo o meu dinheiro.

Continuaram falando, mas as vozes se distanciaram e Emma ficou sozinha no meio daquela confusão em sua cabeça. "Então é por isso que ele estava com Regina? Por causa de uma aposta medíocre? Como ele pode fazer isso com ela? Regina era filha da prefeita? Por que nunca havia lhe contado?" era muita informação e muitas perguntas para serem esclarecidas. Durante todos aqueles dias as garotas nunca tinham mencionado o nome da prefeita, sempre pensou que Ruby e Regina fossem primas, por morarem na mesma casa, ou algo do tipo. A única coisa que Emma pôde fazer naquele momento foi se retirar e ir embora.

Chegando em casa se deparou com sua mãe na cozinha e seu pai que estava em seu horário de almoço, certamente resolveu dar um pulinho em casa para se deliciar com a comida da esposa.

— Oi querida — falou Snow — vá tomar um banho e desça pra almoçar.

— Não estou com fome, mamãe — falou subindo as escadas em direção ao seu quarto.

A mulher notara algo de estranho na garota, como se não tivesse tido um bom dia. Quando terminou de aprontar o almoço, deixou David comendo e subiu para ver como sua filha estava.

— Emma? — falou a mulher batendo na porta do quarto da garota.

— Pode entrar — avisou — a porta está aberta.

Abriu a porta. Emma estava deitada na cama com o antebraço por cima de sua testa, não havia tomado banho, pois ainda se encontrara com a mesma roupa que tinha ido para a escola, encarava o teto como se fosse lhe dar respostas e explicações para tudo aquilo que acontecera naquela manhã. Snow se direcionou ate sua cama e sentou-se ao seu lado.

— O que houve? — perguntou com uma voz calma enquanto passava a mão no cabelo loiro da garota.

Emma tinha sua mãe como uma amiga, uma confidente, contava tudo o que se passava com si própria para a mulher. Por mais que tivesse passado um tempo com os avôs, nunca perdeu o contato com os pais, inclusive com sua mãe. Elas conversavam sobre tudo, ia da menstruação ao sexo, mas desde que chegara em Storybrooke não haviam tido uma conversa proveitosa, uma conversa pessoal, Emma estava atolada de atividades para fazer, e cheia de conteúdos para estudar, sua mãe também, já chegou ao ponto de precisar ligar para o marido e pedir sua ajuda pra levar os trabalhos e provas pra serem corrigidos em casa. Parecia que aquela conversa seria a primeira desde então.

— Na verdade está acontecendo — suspirou a garota.

— Quer me contar? Talvez eu possa te ajudar — esperou alguns segundos ate a garota pegar fôlego e começar a falar.

— Eu acho que Killian está se aproveitando de Regina.

— Como assim? — perguntou sua mãe.

— Hoje quando o sinal tocou para irmos embora, fui ate o banheiro e quando estava saindo percebi ele conversando com os amigos — pausou — falou que ela estava em suas mãos, que ele cumpria os desafios que os amigos faziam, que era injustiça seu padrasto ter tido um momento a sós com ela e ele não, disse que ela era filha da prefeita. Esse tempo todo eu pensei que Regina fosse da família de Ruby, pra falar a verdade, eu não entendi nada do que eles estavam conversando — falou indignada.

— Emma — suspirou, o olhar brilhante da mulher — entristeceu — aconteceu algo muito ruim com Regina nessas férias, algo que irá marcá-la para o resto de sua vida.

A loira agora estava sentada próxima a sua mãe.

— Nas férias? Eu ainda não havia chegado — concluiu.

— Não, ainda estava com sua avó — continuou — certamente se estivesse passado o verão aqui saberia do que se tratava o assunto, a cidade é pequena, os boatos correm soltos por aí.

— Mãe, sem mais delongas, por favor — pediu a menina apreensiva.

— Cora, a mãe de Regina precisou viajar por três dias para resolver uns assuntos da prefeitura deixando-a na mansão com seu padrasto — desviou o olhar de sua filha para encarar o chão — em um desses dias o homem se aproveitou dela.

— Você ta dizendo que ela foi estuprada? — perguntou perplexa.

— Sim, ela foi estuprada, violentada, maltratada e humilhada. Ninguém sabe ao certo o que ele realmente fez, ela não se abriu com ninguém desde então.

Emma não sabia o que falar, como reagir, estava pasma com a notícia.

— Ele... Ele está preso? — perguntou.

— Não, ele está morto. — pausou — As evidencias mostraram que ele havia passado uma faca nos lábios de Regina, certamente por ela ter reagido com gritos, os mesmos gritos que Granny ouvira quando passou em frente ao local, chamou Graham, que logo apareceu para ver o que estava acontecendo, quando eles entraram se depararam com o corpo de Gold em cima de uma poça de sangue, Regina estava encolhida no canto da cozinha com as mãos ensanguentadas e com a faca próxima de si. Ela havia se defendido. Quando estava no hospital implorou para ficar com Granny, não queria voltar naquela casa novamente, não depois de tudo que aconteceu, Cora não tinha um bom relacionamento com Regina, maltratava muito a garota.

— Meu Deus! — exclamou Emma ainda em choque com tudo o que acabara de ouvir, deitou novamente pondo suas mãos sobre o rosto — Agora está tudo explicado.

— Bom, só espero que tenha muito cuidado quando vê-la novamente, não despeje isso nela, se possível nem toque no assunto — concluiu.

Emma assentiu. A mãe beijou o rosto da loira, se levantou em direção a porta deixando a garota a sós com seus pensamentos.

♫♫♫

Durante o restante do dia, a loira focou nas suas atividades pendentes para o dia seguinte, mas a noite não conseguiu ignorar tudo o que havia descoberto naquele dia, era muita informação, precisava de um tempo para processar tudo aquilo.

Quando conseguiu pegar no sono era em torno das três da manhã. Sonhou com a cena que sua mãe descrevera, a garota abaixada no canto da parede com as mãos ensanguentadas, porém, em vez da garota ser Regina era Emma, acordou com sua mãe lhe chamando.

— Emma, acorde — chamou — você estava gritando.

A menina estava atordoada, não conseguia juntar bem as palavras. Sua testa pingava de suor.

— Você está queimando! — falou Snow tocando em seus braços e em sua testa. Saiu do quarto e em alguns minutos voltou com remédios para a garota.

A loira voltou a dormir. Quando acordou novamente sentiu estar atrasada, o sol já estava mais quente do que deveria estar pelas manhãs. Deu um pulo da cama quando viu que o relógio marcava nove horas em ponto, o pulo quase a fez desmaiar, ainda estava fraca e com febre. Achou um bilhete ao lado do relógio que ficava em seu criado-mudo.

"Não se preocupe querida, eu sei que está cansada, sei que não conseguiu dormir bem, mas aproveite, justifiquei sua falta."

A loira deu um meio sorriso, deitou-se na cama e voltou a dormir.

Quando acordou novamente já era de tarde, sua mãe não estava em casa, era um daqueles dias em que a mulher teria que ficar os dois turnos na escola.

Ela ficou parada olhando para o teto sobre seu corpo, parecia estar em transe.

"Regina, o que você deve está fazendo agora? Espero que aquele idiota não tenha se aproximado de você, muito menos tocado seu corpo, ou beijado sua boca. E que boca meu Deus! Eu preciso fazer alguma coisa, mas não sei o quê. Não sei se conto a ela, não, não posso, Snow pediu pra não jogar isso sobre ela, na verdade se possível nem tocar no assunto. Talvez eu deva falar para Ruby e as meninas, quem sabe elas possam me dizer o que devo fazer... Droga! Preciso agir, preciso abrir os olhos de Regina, preciso ajudá-la, eu sei que ela não quer isso, mas eu preciso!", pensou.

Logo em seguida se levantou, trocou de roupa, colocou sua jaqueta vermelha e saiu em direção a rua.

Chegou em frente da pensão, sabia que o quarto da morena ficava com vista para a rua, olhou para as três janelas que ficavam com aquela vista, também sabia que por trás de uma delas estava Regina.

Entrou. Chamou por Granny e Ruby, mas ninguém apareceu, se lembrou que deveriam estar na lanchonete. Subiu as escadas e encontrou as três portas que davam acesso aos três quartos com visão para a rua, resolveu tentar na sorte. Bateu na primeira porta, esperou um pouco, mas ninguém abriu. Tentou na segunda porta, bateu, mas ninguém saiu, quando ia bater novamente a porta se abriu com a visão mais linda que a loira teve até então. Regina estava com uma calça de moletom cinza, uma camiseta preta que mostrava um pouco da sua barriga, estava com seus óculos pretos de aro quadrado que usava para leitura, a morena estava com uma expressão surpresa no rosto.

— Emma — falou — o que faz aqui?

— Eu posso entrar? — perguntou a loira.

A morena abriu caminho dando passagem a loira e fechou novamente a porta. Seu quarto estaria muito bem arrumado se não fosse todos aqueles livros espalhados pela cama.

— O que você quer? — perguntou recolhendo os livros e empilhando-os sobre o criado-mudo.

— Eu quero conversar com você — falou a loira seriamente.

— Se for sobre o que você disse ontem, não se preocupe, eu te desculpo — a morena se antecipou.

— Não, não é sobre isso. Mesmo que fosse eu não pediria desculpa por ter falado a verdade — percebeu um olhar de raiva crescendo em Regina pelo que acabara de falar — eu escutei uma conversa de Killian com seus amigos.

— Então quer dizer que agora você escuta a conversa dos outros? — perguntou ironizando.

— Regina, você precisa saber o que ele está fazendo — continuou a loira — e larga esse seu jeito irônico e amargo porque não cola mais.

— Desembucha logo, Swan — falou a morena.

Emma contou tudo o que ouvira o garoto falar para os amigos. Esperou por alguns segundos para que Regina processasse aquilo, mas a garota não se mexia, apenas encarava o chão, parecia que era única coisa que sabia fazer.

— Você está bem? — perguntou a loira se aproximando e pondo sua mão direita no ombro da morena.

— Não me toca! — falou em um tom alto se esquivando da mão da loira — Você tem inveja de mim, Swan. Vem aqui pra jogar na minha cara que Killian está comigo por uma aposta? Já não basta ter roubado minhas amigas, agora você quer roubar meu namorado também? Você combinou com elas, foi isso?

— Regina, pelo amor de Deus, você acha mesmo que eu faria isso com você? — perguntou a loira incrédula com o que acabara de ouvir.

— Você não só tem coragem, como está fazendo nesse exato momento! — exclamou com a voz alta.

— Acredite em mim! — implorou a loira.

— É sua palavra contra a do meu namorado — falou.

— Um namorado que não gosta de você, ponha isso na sua cabeça. Ele quer te levar pra cama Regina, eu não vou deixar aquele idiota fazer isso!

— Ele foi o único que me procurou depois de tudo, o único que ficou do meu lado.

— Do que você está falando? — a loira perguntou já sabendo a resposta.

— Isso não te interessa, Swan — respondeu desviando o olhar.

— Não precisa dizer, eu sei exatamente do que está falando. Eu sei de tudo Regina, sei sobre o que aconteceu com você nas férias — acabou tocando na ferida da morena, era a ultima coisa que deveria ter dito a ela.

— Saia daqui! — exclamou.

A loira continuou sem se mexer de onde estava.

Of Monsters And Men — King And Lionheart ♪♫♪

— Ele não foi o único que estava ao seu lado, ele foi o único que você deu espaço pra se chegar, Granny, Ruby, Aurora, Mulan, minha mãe, meu pai, todos dessa cidade está do seu lado, inclusive eu. Sempre estive do seu lado, mesmo sem saber do que se tratava, mas você não me dá oportunidade de demonstrar, não deu oportunidade a ninguém! Você se fechou no seu mundinho hipócrita, com medo de bater de frente com os problemas, criou uma fronteira extremamente perigosa pra quem ousar ultrapassar.

— Saia daqui, eu já pedi!

— Eu não vou sair, Regina. Não ate você entender o que estou fazendo aqui.

— Você veio foder com o resto de esperança que ainda havia dentro de mim, isso eu já entendi — seus olhos se encheram de lágrimas — Agora saia!

A morena foi em direção a loira, puxando-a pelo braço, tentando levá-la para fora do quarto, gritou para Emma se retirar, mas nada fazia efeito.

— Emma, eu te odeio! — gritou.

A loira inverteu os empurrões que levara e colocou a morena contra a porta do seu quarto, Regina não parava de xingá-la e Emma não conseguia fazê-la silenciar, a não ser se saísse do cômodo, mas isso ela não faria.

— Você nunca me olha nos olhos, sempre desvia o olhar quando direciono o meu a você — falou a loira pondo as mãos no rosto da morena — pode me xingar, mas olhe nos meus olhos — pediu.

— Eu não posso olhar para você, Emma — falou encarando-a pela primeira vez.

— Por quê? — perguntou.

A morena não respondeu. Então a loira continuou.

— Eu não vim aqui foder com o resto de esperança que existe dentro de você, porque seria minha mentira dizer que ainda existe alguma aí — falou pondo a mão sobre o coração da morena — eu sou sua esperança.

Ficaram se entreolhando por algum tempo. Emma ficou com a mão esquerda sobre o rosto da garota e foi deslizando a mão direita vagarosamente pelas costas ate a cintura, se aproximou mais da morena ate sentir sua respiração. Foi aproximando aos poucos sua boca da outra, beijou suavemente sua cicatriz, olhou em seus olhos e desceu os lábios finos ate encontrar os lábios carnudos de Regina.

Emma a beijou com toda ternura, com toda a calma e com muito cuidado, como se por um descuido a quebrasse, sentiu o gosto de maçã nos lábios da garota. Foram os segundos mais longos, os mais bem aproveitados para elas. Não queria que aquilo acabasse, mas o choro baixinho de Regina interrompeu o contato. Emma secou suas lágrimas.

— Está tudo bem agora — falou a envolvendo em um abraço forte, um abraço acolhedor, quase impossível de se soltar — eu vou ser seu anjo, vou te cobrir com minhas asas — prometeu.

Regina voltou seus lábios de encontro com os da loira, fazendo com que ambas saíssem da realidade e viajassem em pensamentos positivos, pensamentos que nada mais eram do que esperança.

Notas finais
E aí? Gostaram?