Nossa Música

9 A triste farsa


Notas iniciais
Desculpa pela demora, essa semana foi bem puxada por causa das provas e tal, mas agora to de férias o/ e certeza vamos ter no mínimo uns dois capítulos por semana :P Queria agradecer a super recomendação que a Paula Luize deu à fic, e também ao comentário, eu fiquei feliz PACAS, quero dedicar esse cap exclusivamente pra você, eu coloquei a música Silhouettes em sua homenagem e também achei que se encaixou bem com o momento ♥

Emma estava preocupada. Já era sexta e Regina ainda não havia aparecido na escola, estava perdendo as revisões, era o que a loira mais estranhava, a morena nunca as perderia, a não ser se fosse por algum motivo importante.

Logo se perdeu em pensamentos, pensamentos no qual não vinha nada de bom. Pensava no que Cora poderia ter feito a ela, ou se estava fazendo. Não podia aguentar mais um dia sem ter notícias sua, queria dizer que não importava o que acontecesse dali em diante ela sempre estaria com a morena, o que os outros achavam, falavam, se aceitavam ou não, se todos virariam as costas para elas, nada daquilo importava, a única coisa que Emma se preocupava era em saber como Regina estava.

Os pensamentos logo foram interrompidos pelo toque que avisara o início do intervalo. Emma pegou seu lanche e foi de encontro à mesa onde sempre as meninas ficavam. Sentou-se ao lado de Ruby ficando de frente para Aurora e Mulan.

— Eu estou preocupada – Emma confessou.

— Com o que? – perguntou Mulan.

— Com Regina – continuou – faz dois dias que ela falta, está perdendo as revisões.

— Você não está sabendo? – perguntou Ruby.

— De que? – a loira perguntou.

— Ela voltou pra casa – respondeu Ruby.

— Que casa? Da prefeita? – perguntou agora assustada.

— Sim, dela mesma – concluiu – ela deixou um recado pra minha avó agradecendo por tudo, disse que conversou com Cora e que tudo estava se ajeitando.

— Impossível – sussurrou Emma incrédula.

— Realmente, impossível mesmo – falou Aurora.

— Eu ate fiquei com um pé atrás no começo, mas depois que vi que era a letra de Regina no papel, fiquei mais tranquila. Espero que realmente esteja tudo bem, que ela tenha superado tudo que aconteceu – Ruby baixou o olhar e encolheu os ombros – quero minha amiga de volta, e isso foi o máximo que eu consegui ate agora um “acho que tudo está se resolvendo”, eu quero acreditar nisso, quero muito.

As amigas mantiveram o silêncio. Emma colocou seu braço esquerdo em volta de Ruby em um gesto solidário, um meio abraço.

— Sim, tudo vai se resolver – falou tentando demonstrar confiança, mas o aperto no coração não deixava, pois se tudo voltasse a ser como antes, ela não faria parte do futuro de Regina.

♫♫♫

Cora não havia deixado Regina ir à escola nos dois dias que se seguiram, seu rosto ainda estava marcado, não queria correr o risco de que os alunos perguntassem o que acontecera. A primeira pessoa que todos desconfiariam era ela, a prefeita, pois havia levado sua filha de volta pra casa um pouco antes disso acontecer.

Regina não a questionou, na verdade ate achou melhor, precisava de um tempo para formular todas as coisas que fora obrigada a falar para Emma, tinha que manter o pulso firme, teria que evitar o contato visual entre elas novamente, teria que se segurar para não abraçá-la, não beijá-la, não tocá-la. Isso seria difícil, muito difícil, mas era pro seu próprio bem.

O fim de semana foi como os outros passados. Estava focada nos livros, estava descontando os dias que faltara, além de ajudar a tirar a loira por alguns momentos de sua cabeça.

Estava se alimentando apenas com água e com a torta de maçã que Granny havia mandado, a morena não conseguia comer ali, não naquela casa, muito menos naquela cozinha. Sua mãe não se preocupava, pois a maior parte do tempo estava na prefeitura e no restante vinha para casa e se trancafiava no seu escritório ate ficar cansada, ir para o quarto e dormir.

♫♫♫

— Acorde Regina – chamou Cora balançando o ombro da garota – já é segunda, se arrume.

A morena abriu os olhos como se tivesse levado um susto, sua mãe nunca a chamara para acordar, deixava que o despertador fizesse isso. Regina nunca soube o que era acordar com um bom dia, com um beijo materno, mal sabia o que era ter uma mãe, o mais próximo que teve disso foram os meses que passou com Granny.

— Já estou indo – falou se levantando da cama.

A mulher saiu do quarto deixando a garota se arrumar devidamente. Havia algo estranho, Cora não era daquilo, normalmente acordava um pouco mais tarde que ela, o tom que usara para chamar sua filha era de ansiedade, como se tivesse esperando pra que algo acontecesse.

Em torno de meia hora Regina já estava pronta. Desceu as escadas e se deparou com alguém que não esperava jamais entrar ali, pelo menos não ate alguns dias atrás. Não, não era Emma. Era um garoto, um garoto no qual Regina não fazia mais questão de ver, muito menos de dirigir a palavra.

— O que ele faz aqui? – a morena perguntou friamente.

— Ora, Regina, não me diga que esqueceu do nosso combinado – perguntou Cora ironizando.

— Pensei que estaria valendo a partir de quando eu chegasse ao colégio – respondeu.

— Pra que esperar? Olhe só esse rostinho de quem estava morrendo de saudade da sua namorada – se aproximou do garoto e segurou seu queixo – pobrezinho, ainda bem que estão reatando hoje, eu não aguentaria vê-lo assim novamente.

Regina observava aquele teatro calada.

— Eu liguei pra ele ontem à noite, sabia que corria o risco de você não voltar com ele, então eu quis me certificar pessoalmente – concluiu a prefeita.

— Acho melhor nós irmos – interrompeu Killian – só temos alguns minutos pra chegar à escola.

— Não se preocupe, vou deixá-los lá – falou a mulher.

Ambos saíram pela porta da frente da mansão e adentraram no carro, em questão de 3 minutos já estavam na entrada do colégio. Cora fitou sua filha pelo retrovisor.

— Lembre-se do que conversamos, querida. Seja uma menina obediente – desviou seu olhar para a portaria – olha só quem está ali – sorriu – o show vai começar.

Regina tirou a atenção de Cora e viu a loira que falava com os amigos. Sim, isso seria muito mais difícil do que imaginava.

Saiu do carro de mãos dadas com Killian. Os olhares se voltaram a eles, inclusive os de Emma. Regina fingia que nada estava acontecendo, agiu normalmente como se nunca tivesse terminado com o garoto, em nenhum momento olhou para a loira, queria evitar o máximo de contato com ela. O sinal soou. Eles se dirigiram a nova sala da morena sem trocar uma só palavra, sentaram um na frente do outro. Killian a cutucou no ombro e ela se virou.

— Regina, não é querendo ser bonzinho, mas acho que não há necessidade de te beijar, acho que andar juntos por aí já é o bastante pra Swan pensar que voltamos – falava cochichando em seu ouvido – não vou te obrigar a nada, não se preocupe.

— Obrigada – ela agradeceu.

Alguns minutos depois a professora entrou na sala e distribuiu as provas dando início as bimestrais.

♫♫♫

— Já estou indo – se levantou da carteira olhando pro garoto, em seguida deu um beijo em seu rosto chamando a atenção de todos, inclusive de quem estava concentrado na prova.

— Ok, qualquer coisa passo na sua casa mais tarde – concluiu.

A garota assentiu e saiu da sala.

— Regina! – a voz chamou sua atenção, era a mesma voz que tanto queria calar com seus beijos, a voz que podia quebrar o joguinho de sua mãe e fazer com que se entregasse completamente.

A morena se virou e se deparou com aqueles olhos que fazia seu corpo se derreter e estremecer, que fazia perder sua órbita, seu chão, seu tudo.

— Swan – falou em um tom frio, tentando manter a postura que agora era obrigada a ter.

— O que foi aquilo lá fora? – questionou a loira.

— Do que está falando? – a outra perguntou.

— De você, de Killian, de vocês juntos – respondeu – o que foi aquilo?

— Ah, sobre isso – deu um sorriso forçado – bem, eu queria mesmo falar com você – continuou – eu estava errada sobre nós.

— Sobre nós? O que Cora falou pra você? O que ela fez? Me diz a verdade! – suplicou, já estava ficando nervosa.

— Nós conversamos sim – respondeu – ela está me ajudando a voltar a ser como antes, e o antes não inclui você, Swan – falou friamente.

Of Monsters And Men — Silhouettes ♪♫♪

Emma estava incrédula, Regina voltou a ser aquela pessoa cruel, fria, sem coração como sua mãe, como a diretora, como alguém que ela desconhecia há algum tempo.

— Eu não acredito em nada do que está me falando — concluiu.

— O que você quer que eu fale? Que eu fiquei com você só por impulso? Porque eu não tinha mais ninguém a quem recorrer naquele momento... – fora interrompida.

— Você sabe que não estava sozinha, você ficou comigo porque quis e não por “impulso” – falou.

— Verdade, não fiquei com você por isso, foi mais por querer experimentar coisa nova, por curiosidade. Eu nunca havia ficado com uma garota antes, eu vi que como você era nova na cidade, não conhecia ninguém, eu poderia me aproveitar um pouquinho disso, mas me arrependo, não queria que tivesse criado tantas expectativas sobre nós, isso é meio ridículo de se pensar — falou com arrogância cada palavra que saia de sua boca – eu e Killian nos acertamos, conversamos e ele me disse que no começo não passou de uma aposta, mas em seguida ele se apaixonou por mim. Se tiver dúvidas em relação ao que eu sinto por ele basta ver que eu não estou mais na mesma sala, fui transferida para outra.

— Você não mudou de sala por ele, Zelena propôs isso as nossas mães – retrucou.

— Sim, é verdade, mas ela apenas disse que teríamos que nos separar, mas fui eu quem escolheu ficar na sala dele, eu escolhi ter ele na minha companhia e não você – respondeu.

Emma parou por um instante, seus olhos brilhavam de lágrimas, seu rosto estava molhado, sua vontade era de voltar ao passado e evitar cada toque, cada beijo, cada palavra de acolhimento trocado entre elas, cada gesto de carinho, mudaria tudo para que não se magoasse tanto assim no futuro, mas era tarde, já havia feito, agora tinha que enfrentar as consequências dali em diante.

— Swan, “nós” nunca deveria ter acontecido, isso foi um erro.

— Regina, “nós” foi a única coisa que eu tive certeza desde que eu cheguei aqui, na verdade foi a única coisa que eu mais tive certeza na vida. A primeira vez que te tive em meus braços eu sabia que não acabaria assim, não da noite pro dia como está acontecendo agora, eu sei que não vou te esquecer tão cedo e que acontecerá o mesmo com você, sei que hoje, amanhã, e não sei mais por quantos dias, meses ou anos vou pensar em você antes de dormir, com uma tristeza no peito por ter te perdido, mas nunca vou esquecer nossos momentos bons.

A morena estava se segurando para não cair nos braços da loira e dizer que era mentira, que tudo não passava de uma farsa, que tudo o que acabara de dizer era culpa de Cora, que foi obrigada a fazer isso pela sua proteção, sua vontade era de segurar a mão de Emma e correr pelos corredores ate encontrar todos da escola, todos da cidade e beijá-la no meio de todas aquelas pessoas, mostrar que a amava e que não tinha nada nem ninguém que pudesse mudar aquilo. Mas não falou, não fez, apenas se manteve firme.

— Swan, a sua idéia sobre “nós” estava errada, eu sinto muito, sei que te iludi, mas isso é tudo pra mim, acabou, basta – foi a única coisa que conseguiu formular naquele momento.

Distanciou-se deixando a loira presa em dúvidas, presa com todas as palavras amargas ditas por ela. Nunca havia visto Emma chorar, foi como se mil silhuetas dançassem em seu peito, como se o esmagasse, mas era pro seu bem, esperava que logo a loira achasse alguém para preencher seu lugar e fazê-la feliz como merecia.

Mas estava errada. Ninguém conseguiria fazer isso a não ser ela mesma, porque o amor é algo insubstituível, e quando encontramos a pessoa certa e acabamos perdendo, não tem palavras, gestos, pessoas que irão aparecer na nossa vida que poderá preencher devidamente aquele vazio, que possa fechar a ferida ali exposta. Sim, podemos amar outras pessoas, mas não da mesma forma, não do mesmo jeito que as duas se amavam.

Notas finais
Comentem, deixem suas críticas, digam se gostaram ou não, me mostrem o que devo mudar, me deem dicas pra desenvolver a história. O capítulo foi curtinho porque to guardando meus dedos pro próximo, que em falar nisso acho que vocês vão morrer hehehe