Nossa Música

10 Acontecimentos


Notas iniciais
Eu sei que merecia ta amarrada em um tronco sendo chicoteada ate a morte, mas dessa vez não foi minha culpa a demora, eu fiquei sem net por dias e por isso não postei antes. Sei também que isso não é desculpa pois existe lan house, mas por aqui só tem uma lá na pqp e eu não tava afim de sair de casa, porque eu sou um hobbit e tenho tudo que preciso aqui na minha toca. Eu fiz um capitulo muuuuito grande por isso só to postando uma parte, mas não se preocupem que amanhã ou daqui a pouco mesmo eu posto o restante :P

Regina tomou o máximo de distância possível de Emma, não queria que a loira fosse atrás dela, a morena não conseguiria resistir mais uma vez.

Andou pelos corredores da escola sem rumo, às vezes cambaleava, parecia que aquilo não passava de uma ilusão, que a qualquer momento acordaria daquele pesadelo e voltaria para os braços da luz que deu formas ao seu caminho, para sua loira, para sua Emma.

Boa parte dos alunos já havia terminado a prova e ido embora.

Entrou no banheiro e andou ate a pia mais próxima, encarou o espelho que estava a sua frente, observou a vermelhidão que corroia seus olhos castanhos que estava a ponto de transbordar.

— Não, eu não vou chorar aqui – falou em um sussurro encarando a sua imagem refletida.

Ligou a torneira, molhou suas mãos e passou no rosto, repetiu esse movimento duas vezes ate ouvir a porta de um dos box se abrir “droga”, pensou. Pegou o papel toalha que estava próximo de si e tornou a enxugar o rosto.

— Você está bem? – perguntou Ruby se aproximando.

— Sim – falou jogando o papel fora.

— Tem certeza? – insistiu.

— Eu já falei que sim – respondeu com arrogância.

Silenciaram por alguns instantes.

— Sabe – suspirou – você não ganha nada me tratando desse jeito – encarou a outra com um olhar triste.

A morena não respondeu, apenas pegou sua mochila e já ia saindo quando Ruby a segurou pelo braço.

— Eu estou com saudade de você, Regina. Das nossas saídas escondidas com o pessoal, da praia, das brincadeiras, de você falando mal da Anna só porque ela roubou o Stevie de mim – sorriu – de você sentada ao meu lado na sala, das nossas noites de pijama que deveria se chamar “noite de confissões”, saudade de tudo – soltou o braço da outra – eu só queria saber quando você vai voltar pra mim, pra nossa mesa no fim do refeitório, pras nossas vidas – baixou o olhar para o chão.

— Talvez eu não volte – falou em um tom calmo.

— Por que Regina? Por que você está fazendo isso consigo mesma? – perguntou a morena com mexas vermelhas.

— Não é por mim – passou a mão delicadamente no cabelo da outra – é por medo de perder tudo de um jeito pior.

— Eu não entendo...

— Você não pode entender, Ruby – pausou – no começo me distanciei porque eu precisava de um tempo pra tudo o que estava acontecendo, mas nesses últimos dias eu vi que era o melhor a fazer, para o bem de todos. Sempre soube que minha mãe nunca gostou da nossa amizade, você também sabia disso, o que eu temia e que ainda temo é ela me obrigar a fazer o mesmo que está fazendo com Emma – falou o nome da garota quase em um sussurro.

— O que ela está te obrigando a fazer? – perguntou.

— Acho melhor esquecermos isso.

— É por isso que você estava chorando, não é?

A morena não respondeu.

— Regina, sua mãe nunca faria algo comigo, eu sou neta da única pessoa que a faz pensar nas consequências de seus atos, sou neta da única pessoa que ela gosta nessa cidade.

— Cora é capaz de qualquer coisa, independente de quem seja.

— Eu não me importo. A única coisa que me preocupo no momento é com você, porque eu te tenho como uma irmã, você está sofrendo, eu vejo isso nos seus olhos, sei que precisa de alguém pra desabafar, pra está junto de você, eu me candidato a isso – levantou a mão direita – prefiro me arriscar a perder minha melhor amiga.

Regina se aproximou de Ruby e a abraçou.

— Eu também estava morrendo de saudade – confessou.

— Vamos pra minha casa – propôs – Granny vai ficar muito feliz em te ver, a gente aproveita e conversa. Se quiser pode ficar pro almoço.

— Ruby, eu acho melhor não...

— Por favor, por favor – fez uma carinha de cachorro pidão.

— Tudo bem – a morena concordou.

Ruby segurou a mão de Regina e andaram de encontro à saída da escola.

♫♫♫

Adentraram a pensão.

— Vó? – chamou.

Não houve resposta.

— Ela deve está na lanchonete – falou fechando a porta atrás de si – na hora do almoço ela aparecerá. Vem comigo – chamou.

Subiram ao quarto de Ruby. Regina pegou o lobinho de pelúcia que deu de presente a amiga no seu aniversário de oito anos.

— Você ainda tem – falou com um tom de surpresa.

— Foi o presente que eu mais me identifiquei na minha infância, não tem como eu me desfazer dele.

— Saudade do tempo em que fingíamos ser personagens de contos de fadas, eu era a Rainha Má e você a Chapeuzinho Vermelho – ambas sorriram.

Regina o colocou de volta na cama e sentou-se.

— Já pode me falar o que está havendo – Ruby sentou do lado da amiga e segurou suas mãos.

— São tantas coisas...

— Emma tem algo a ver com isso? – perguntou.

— É tudo sobre ela – desviou o olhar da amiga como se pudesse evitar que ela não percebesse o estado que se encontrava – eu tenho medo do que você pode pensar de mim depois do que eu vou te falar.

— Eu sou sua amiga, to aqui pra te ajudar, te aconselhar e nunca te julgar, pode ter certeza disso.

Regina assentiu.

— Eu a amo – falou.

— Quem? Emma? Eu também gosto muito dela, é uma ótima amiga.

— Não desse jeito, é mais que isso.

Ruby ficou pensativa por um instante, mas logo se lembrou da aproximação que as duas tiveram naqueles últimos meses, nas risadas que davam quando estavam juntas, do dia que Emma sentou ao seu lado na sala de aula como se tivesse com raiva de Regina, ela sentiu que a loira estava triste nesse dia, se lembrou do comentário que Mulan e Aurora deram sobre a vez que saíram juntas com Emma e a garota simplesmente saiu correndo de perto delas, elas observaram Regina com Killian e que por um segundo pareceu que a loira ficou em choque com a cena que viu “agora tudo se encaixa”, pensou.

— Vocês estão apaixonadas – falou meio boquiaberta.

— Sim – a garota assentiu.

— Cora descobriu? – perguntou.

— Sim – respondeu.

— Como foi isso? Ou melhor, quando vocês ficaram? Onde foi? – perguntou com curiosidade.

— Calma – sorriu – vou te contar tudo. A história é meio grande.

— Não tem problema, nós temos o restinho da manhã e a tarde toda pra conversar.

— Você não vai ajudar Granny? – perguntou.

— Não, dias de prova ela não quer mais que eu ajude-a, quer que eu me saia bem. Ela fez isso pra que eu não usasse mais a justificativa “a lanchonete tira muito do meu tempo, é por isso que estou mal em algumas matérias”.

— Então acho melhor você estudar.

— Para de arrodeios e conta logo! – pediu.

— Tudo bem – concordou.

Regina contou tudo à amiga, falou sobre a primeira impressão que teve de Emma, da discussão da loira com Killian, do primeiro beijo, da aposta que o garoto fizera com os amigos, dele agarrando-a contra sua vontade, dela indo atrás de Emma para se justificar, do beijo que quase provocou a expulsão de ambas, mas que teve um prejuízo ainda maior. Contou sobre o que falou pra loira há pouco tempo atrás, sobre o que sentiu ao ter jogado aquelas palavras na garota, no quanto lamentava, mas que era o melhor.

— Não, não é o melhor a ser feito – Ruby fala quando a outra termina de contar.

— Eu não quero que Emma se arrisque.

— Mas eu sei que ela se arriscaria por você.

— Isso é uma loucura, Ruby.

— Não, não é. Loucura é você jogar sua felicidade no lixo pelo medo.

Regina silenciou, seu olhar estava triste novamente, tudo o que havia contado à amiga agora vinha em flashes na sua memória.

— O meu quarto ainda está vago? – perguntou.

— Você está pensando em voltar?

— Nunca pensei em sair – suspirou – eu posso vê-lo?

— Claro – assentiu – você quer que eu te acompanhe?

— Sim – respondeu.

As garotas se levantaram, a morena de cabelos curtos teve um pouco de dificuldade.

— Está tudo bem, Regina?

— Sim – mentiu.

— Você está pálida.

— Há dias que não consigo comer direito – confessou.

— Você pode comer o que quiser aqui, quer que eu pegue uma maçã? – perguntou.

— Não, está tudo bem. To um pouco tonta, mas logo vai passar.

— Tem certeza?

— Sim – abriu um meio sorriso pra amiga – agora me leve ao quarto.

Ruby assentiu e andaram ate o cômodo que já havia amparado Regina.

— Você pode pegar pra mim um copo com água?

— Claro – respondeu – espera um pouco.

Enquanto a outra fora na cozinha Regina tirou dois comprimidos da caixinha de remédio que havia pegado do escritório da mãe, lorax era o que estava deixando-a em pé, era o que a acalmava, o que a fazia dormir, sua mãe nem notara que o remédio havia desaparecido, ela tinha mais dele em seu estoque de antidepressivos.

— Aqui – falou Ruby entregando o copo com água.

— Obrigada – pegou o copo colocou os comprimidos na boca e os engoliu.

— Que comprimidos são esses? – perguntou.

— São calmantes – respondeu.

— Você é louca, Regina? – perguntou incrédula – Isso deve ser a primeira coisa que chega ao seu estômago hoje.

— É a única coisa que faz eu me sentir um pouco melhor – concluiu.

— Não faz mais isso, por favor – pediu.

— Não posso te prometer algo que talvez eu não cumpra.

— Só tente.

A outra assentiu.

— Ruby, você pode me esperar aqui fora? – perguntou.

— Sem problemas – respondeu.

Regina entrou no quarto. Tava tudo exatamente como havia deixado. Passou seus olhos pelo cômodo, por alguns segundos obteve todas as lembranças que lhe levaram ate ali. Sentou na cama encarando a porta, se viu sendo abraçada acolhedoramente por Emma, viu a loira beijando seu lábio recém cortado e logo em seguida encaixando sua boca na da morena, pegou o travesseiro do lado oposto da cama e o levou ao nariz como se pudesse sentir o cheirinho de canela ainda ali “chega, isso só vai me fazer piorar”, pensou. Levantou-se com cuidado, estava fraca, Ruby tinha razão, os comprimidos foram as primeiras coisas que haviam chegado ao seu estômago naquela manhã.

— Ruby – conseguiu chamar antes de despencar no chão.

A garota ouviu o sussurro que saiu do quarto e abriu imediatamente a porta, se deparou com Regina deitada próxima a porta.

— Droga, Regina – se dirigiu rapidamente ate a garota.

Ouviu a porta principal abrir, correu para ver quem era.

— Eu trouxe o almoço – falou a senhora.

— Regina está aqui comigo – falou nervosa – ela passou mal, acabou de desmaiar.

— O que?! – falou espantada.

— A gente tem que levá-la ao médico!

— Vou ligar pra ambulância – disse Granny.

— Não! – exclamou – Chamará muita atenção, ligue pro Graham.

— Mas Cora vai ficar sabendo.

— Ela descobrirá de um jeito ou de outro.

Granny assentiu, pegou o telefone e discou o número. Em questão de 5 minutos o xerife já havia chegado, levou a garota para o carro junto com a neta e a avó, dirigiu ate o hospital e a morena logo foi atendida pelo Dr. Whale. Ruby contou sobre os medicamentos que a viu tomando e sobre ela ter ressaltado que havia dias que não comia direito, depois desse pequeno depoimento elas foram embora, Cora chegaria a qualquer momento e não queriam ser acusadas pelo que acontecera à Regina.

Pouco tempo depois a prefeita chegou. Antes de qualquer coisa ser dita pela mulher o doutor interveio.

— Ela desmaiou.

— Já sabe o que causou isso? – perguntou.

— Bom, ela está anêmica, parece que há dias não se alimenta direito. Ruby nos contou que a viu tomando calmantes – respondeu.

— Deve ser os calmantes que desapareceram da minha gaveta, eu estava tentando me lembrar onde os havia deixado – confessou.

— Ruby só nos disse que a viu tomando dois comprimidos, não nos disse qual era o remédio, sabia apenas que eram calmantes.

— Lorax – falou Cora.

Dr. Whale ficou em silêncio por alguns segundos.

— Esse remédio é bastante forte, se ela tivesse aumentado um comprimido a mais poderia ter ocasionado um grande problema, teria que fazer uma desintoxicação.

— Mas isso não me importa, ate porque não aconteceu – falou sem se mostrar preocupada – então me diga quanto tempo ela vai ter que ficar enfurnada aqui.

— Já dei um remédio que está revertendo o efeito dos calmantes, logo ela acordará. Devemos nos preocupar com sua alimentação, ela está necessitando de nutrientes, deve passar pelo menos um ou dois dias aqui levando soro, não posso forçá-la a comer, ate porque seu organismo se desacostumou, ela provocaria toda a comida que seria ingerida. Eu vou lhe passar uma dieta que ela deverá seguir de hoje em diante.

— Quanto tempo eu ficarei nessa penitencia? – perguntou.

— Essa penitencia não é sua Cora, é de Regina – respondeu.

— Você sabe que eu tenho coisas mais importantes do que ficar monitorando o que minha filha come ou deixa de comer.

— Então sugiro que Rosa fique encarregada disso – falou se referindo a empregada que trabalhava há anos na casa da prefeita, desde quando Regina era uma criança de colo.

— Certo – falou.

♫♫♫

Cora havia levado uma papelada da prefeitura que tinha que assinar, acabou pegando no sono enquanto lia a respeito, acordou com os gritos da filha.

— Não, Emma, não! É tudo mentira! Fique comigo! – falou.

Cora ficou paralisada ao ver a filha em desespero, não conseguiu fazer nada, apenas observava a garota suada agarrada na coberta e se contorcendo, como se aquilo fosse a prova concreta que o que a filha sentia pela loira era real, demorou em acreditar no sentimento entre as duas, “isso é coisa da adolescência, só curiosidade”, pensava tentando se confortar.

A enfermeira rapidamente entrou.

— Acorde – falou calmamente tentando acordar a garota.

— Por favor! – gritou mais uma vez.

— Ei – a enfermeira passou a mão vagarosamente na testa suada da garota – acorde, está tudo bem.

Regina acordou atordoada, olhou a sua volta e não reconheceu o lugar por alguns segundos.

— Eu sou sua enfermeira – a mulher pegou em sua mão.

— O que aconteceu? – perguntou.

— Você passou mal, mas agora está tudo bem – sorriu – vou pegar sua comida, certo?

A morena assentiu ainda ofegante. A mulher saiu dando espaço para que a prefeita aparecesse atrás dela, estava sentada na poltrona com uma pasta cheia de papéis em suas pernas.

— Você estava chamando por ela – falou Cora.

— Desculpa – foi tudo o que a filha conseguiu dizer no momento.

— Você ficou sem comer, pegou meus calmantes – pausou – você quase destruiu sua vida, Regina. Tem certeza que vale apena passar por tudo isso por causa dela?

— Mãe, eu juro que eu não queria que nada disso tivesse acontecido.

— Eu sei que não – concordou. Por um instante a garota pensara que a mãe havia mudado, que agora se importava com ela, com o que estava sentindo, pensou que talvez tivesse caído a ficha para Cora do mal que estava fazendo à filha – mas eu sei quem vai gostar de saber disso – falou seria. Colocou a papelada de volta na pasta, pegou sua bolsa e saiu do quarto.

♫♫♫

Cora estava com o carro estacionado em frente ao colégio no momento do primeiro toque após começar as provas, era em torno de nove horas da manhã. Viu as amigas da filha, Killian, mas demorou um pouco para ver quem tanto ansiava.

— Ali está ela – falou para si mesma.

Desceu do carro, bateu a porta com força e saiu em disparada à portaria.

— Você – falou puxando o braço da loira, fazendo com que se virasse para sua frente – deve está muito feliz, não é? – a encarou.

— Do que você está falando? – perguntou.

— Do que eu estou falando? – repetiu – To falando de você quase ter matado Regina.

— O que aconteceu com ela? – Emma perguntou preocupada.

— Não se faça de imbecil! – gritou chamando atenção dos alunos que estavam próximos das duas – Com certeza essa daí deve ter te contado – falou se referindo a Ruby.

— O que aconteceu, Ruby? – perguntou.

— Eu não comentei com ninguém, não se preocupe – a morena disse à prefeita.

— Eu me preocupo sim, porque nunca confiei em você – falou.

— Do que estão falando? Por Deus, me contem! – insistiu a loira.

— Acho melhor você ir embora, Emma – falou Ruby.

— Ela só vai embora depois de ouvir tudo o que eu tenho a dizer – retrucou.

Naquele momento todos os olhares já estavam voltados para elas.

— Cora, por favor, aqui não é o lugar... – Ruby fora interrompida.

— Quem decide isso sou eu! – gritou – Saia daqui, você não tem nada no que se meter!

— Eu...

— Saia! – gritou novamente.

A morena com cabelos longos deu um passo para trás e saiu rapidamente entre todas aquelas pessoas que estavam amontoadas.

— Você deveria começar a tratar as pessoas bem – falou Emma.

— E você deveria começar a pensar nos seus atos – retrucou.

— Não sou eu que vim criar um barraco em frente à escola, na frente de todos.

— Quero que sinta a mesma coisa que senti quando fui chamada por Zelena, quero que sinta vergonha. Vergonha por ter levado minha filha pra um caminho errado, vergonha de ser quem você é! Eu duvido que contasse à todos o que fez.

— Não duvide de mim.

— Eu duvido de tudo e de todos que eu sei que não são capazes de enfrentar as consequências – falou a mulher.

— Foi você que pediu – falou encarando-a – vocês querem saber o que houve? Querem saber a verdade? – perguntou às pessoas que estavam ali. Não se importava com a resposta, iria dizer de qualquer forma – A verdade é que eu beijei Regina Mills, e que estou apaixonada por ela – algumas pessoas se entreolharam pasmas com a notícia, outras tentaram fechar a boca sem sucesso, as únicas que não demonstraram tanta surpresa foram Mulan e Aurora – eu me envergonharia se eu fosse como você, Cora. Uma mulher que usa a autoridade para pisar nas pessoas, uma mulher que assusta toda a cidade, você acha que é respeito, mas não é. Isso se chama medo, eles temem você, temem o que pode fazer – falava sem ponderar uma só palavra – quando eu tiver um filho, a única coisa que vou me preocupar é com o que ele está sentindo, se está bem, se está feliz, se está triste, se eu posso ajudar, mas nunca o julgarei pela sua escolha, jamais! Acho que se você tem a felicidade na sua frente deve agarrá-la – fechou os punhos – independendo se a opinião dos outros será boa ou ruim, o importante é você – apontou para as pessoas – o importante é o que está sentindo – colocou a mão sobre o peito – o resto são apenas partículas de átomos, existe, mas não há necessidade de ver.

Alguém que estava afastado puxou as palmas, logo todos aplaudiram a loira, gritaram por seu nome. Dois garotos se beijaram (que ate onde Emma sabia eram melhores amigos), ao lado deles duas garotas trocaram selinhos, casais héteros se agarraram. Mulan encarou Aurora.

— Acho que esse é o momento – falou.

Aurora assentiu e abraçou a amiga que logo em seguida a beijou. “Isso sim foi uma surpresa”, pensou Emma. Voltou seu olhar à prefeita.

— E agora? Ta satisfeita? – atiçou.

— Sua imbecil! – Cora partiu para cima da loira, mas alguém havia lhe segurado.

— O que pensa que vai fazer? – perguntou uma voz familiar.

— Vou dar a lição que você não deu à sua filha – virou-se para encarar a professora.

— Acho que de lição já basta a que ela te deu – falou.

As duas mulheres estavam se fuzilando com os olhos.

— O que está havendo aqui? – perguntou o diretor se aproximando.

Todos se calaram. Era raro ver o homem na escola, principalmente se manifestar daquele jeito.

— Não se preocupe, Neal – interveio Snow – acho que já terminamos aqui.

— Só termina quando eu disser que terminou! – retrucou a prefeita.

— Desculpe Cora, mas aqui é minha escola e quem dita as regras sou eu.

— Não, querido. Quem dita as regras nessa escola é sua esposa – falou com desdém na voz.

— Não se preocupe. A partir do próximo bimestre eu retornarei as ativas.

— Duvido muito que Zelena aceite isso – sorriu sinicamente.

— O máximo que ela pode fazer é se lamentar – continuou – eu acho ate que vou voltar a dar aula – provocou.

Cora revirou os olhos e já ia saindo, mas deu meia volta e encarou a mãe e a filha.

— Ah, só mais uma coisa – falou – quero que fiquem sabendo que não são bem-vindas nessa cidade.

— Eu não tenho medo de você – disse a loira.

— Sei que não, mas cuidado com as palavras, querida. Talvez em um futuro bem próximo eu lhe proporcione essa sensação – sorriu e saiu abrindo caminho entre os alunos.

— Tudo bem, pessoal. Acabou o show – falou o diretor em voz alta – vou ter que pedir para irem pra casa, os pais de vocês devem está preocupados.

Aos poucos os alunos foram embora, inclusive a professora e a loira.

♫♫♫

— Emma, quando terminar de almoçar quero falar com você – disse Snow.

A garota assentiu e fez exatamente o que a mãe pediu. Quando terminou de comer se dirigiu à sala onde sua mãe se encontrava com seu pai.

— Eu gosto disso – a loira sorriu – reunião com a família perfeita.

O pai deu um meio sorriso, Snow se manteve séria.

— Sente-se – pediu sua mãe.

— O que houve? – perguntou já preocupada.

A mulher respirou fundo antes de começar a falar.

— Emma, eu contei ao seu pai o que houve hoje na saída da escola. Conversamos a respeito e concluímos que pra sua segurança é melhor você voltar para seus avôs e terminar o ano letivo lá.

— O que?! – assustou-se com o que a mãe acabara de falar.

— Querida – falou David – Cora não é flor que se cheire. Você corre perigo aqui nessa cidade, principalmente sabendo que ela é a prefeita.

— Vocês estão com medo do que possa acontecer? – perguntou – Eu não me importo com o que ela pode aprontar, eu não me importo com nada do que ela faça.

— Mas nós sim, Emma – continuou a mulher – nos importamos e muito com você e com sua segurança. Não podemos nos arriscar. Como você mesma disse, todos a temem, mas há um motivo nisso tudo, quem se opõe a ela e seus caprichos são severamente punidos.

— Ela não é muito diferente de Zelena – falou David – a única diferença é que Zelena é apenas uma coordenadora, já a Cora é a "chefona" da cidade. A maioria dos moradores são apenas fantoches em suas mãos, fazem o que ela quer para que não se prejudiquem.

— Mas vocês não podem simplesmente me mandar embora – fungou – as pessoas mais importantes da minha vida mora nessa cidade – fora interrompida pelo toque do telefone.

— Eu atendo – falou o homem saindo em direção ao som que pairava no ar.

— Você está falando de Regina, não é? – perguntou Snow.

— Regina – a loira deu um sorriso triste ao pronunciar o nome da garota – acho que já está claro que tudo não passou de uma ilusão.

— Eu não acredito que estou ouvindo isso logo de você, a pessoa que mais me influenciou a ter coragem e esperança acima de tudo. Vai desistir, é isso?

— Não é desistir, é aceitar.

— Quer aceitar uma mentira?

— Como sabe que é mentira?

— Eu não sei, eu sinto – pausou – o mínimo que deveria fazer era procurar ela e esclarecer tudo – sugeriu sua mãe.

— Ela já fez isso por mim.

David andava de volta ao sofá.

— Quem era? – perguntou a mulher.

— Era Ruby – respondeu – ela queria falar com Emma, mas falei que ligaria de volta assim que pudesse.

A garota balançou a cabeça positivamente.

— Tenho medo de perder isso – confessou.

— Perder o que? – o pai perguntou.

— Meus amigos e acima de tudo vocês – respondeu envolvendo os pais em um abraço – não quero ficar longe novamente, eu não aquentaria – confessou.

— Meu amor – Snow passou a mão carinhosamente no cabelo da filha – nós iremos com você se quiser. Acho que já ficou mais que claro que não somos bem-vindos aqui – continuou – seu pai pode achar um novo emprego, eu posso começar a ensinar novas escolas, não será difícil de encontrar, dentro de um ano conseguimos nos estabelecer devidamente.

— Vocês fariam isso por mim? – perguntou.

— Claro que sim – respondeu David dando um beijo na testa da filha – faremos isso por nós, reconstruiremos uma nova vida juntos.

♫♫♫

— Alô? – falou a loira.

— Oi, Emma. Desculpe ter te incomodado, parecia que estava ocupada – falou Ruby.

— Eu tava conversando com meus pais – continuou – aconteceu alguma coisa?

— Eu que pergunto. Aconteceu alguma coisa depois que saí no meio daquela confusão? – perguntou.

— Resumindo: ela disse que eu e minha mãe não éramos bem-vindas na cidade, eu disse que não tinha medo e ela me ameaçou dizendo pra eu começar a me preocupar.

— Droga – falou.

— O que foi?

— Agora você tem que ter mais cuidado do que nunca com ela – respondeu.

— Do que você sabe? – perguntou.

Emma ouviu um barulho no outro lado da linha.

— Vou ter que desligar – falou a amiga.

— Primeiro me diga o que houve com Regina, estou preocupada.

— Tudo que posso dizer é que a partir das oito horas a empregada vai embora e ela fica sozinha em casa ate às dez horas, é o horário que Cora chega.

— Por que você ta me dizendo isso? – perguntou sem obter resposta.

Ruby já havia desligado.

Notas finais
Me julguem.