Nossa Música
13 A despedida
Notas iniciais
Regina estava assustada, surpresa e acima de tudo estava sem armas para contra atacar, sem respostas bem formuladas, mal conseguia pensar. Durante os dias que Cora tinha ficado em casa nem ao menos lembrou-se de procurar a tal peça de roupa, a única coisa que ocupava sua mente era Emma.
A morena lutava para se manter em pé, suas pernas fraquejavam e sabia que se falasse qualquer coisa que fosse, sua mãe desconfiaria. Respirou fundo antes de qualquer "a" que saísse de sua boca. Ela não podia mentir, sabia que Cora sempre fora muito esperta, muito observadora, qualquer gesto, qualquer tropeço nas palavras poderiam lhe acarretar sérias consequências, porém, precisava arriscar-se da mesma forma que Emma se arriscou por ela naquela noite, isso era o mínimo que podia fazer.
— ME RESPONDA! — a mulher exigiu.
Regina segurou a jaqueta que a prefeita havia jogado contra seu corpo. Acariciou levemente com as pontas dos polegares o forro da roupa e tornou a olhar a mulher.
— Ela... Ela me deu — respondeu calmamente.
— E por que ela seria tão burra ao ponto de te dar isso? Já que você a deixou para ficar com Killian — cada palavra era precedida com desconfiança e mantendo a alteração na voz.
— Porque ela vai embora — falou encarando a mulher. Cora ficou com um semblante de surpresa pelo que a filha acabara de dizer — queria que eu me lembrasse dela — mentiu — apesar de tudo que eu falei, ela não me esqueceu. Achou que o melhor a fazer fosse ir embora pra tentar concertar tudo o que eu quebrei, tudo o que você me forçou a fazer.
— Essa não é uma má notícia — formou um sorriso de vitória em seus lábios — na verdade essa foi a melhor notícia que eu recebi desde o começo do ano. Você também deveria está feliz, querida.
— Eu quero o melhor pra ela, quero sua segurança e sei que enquanto você estiver comandando essa cidade ela não terá isso.
— Graças a Deus minha filha é inteligente o suficiente pra pensar assim — sorriu cinicamente. Encarou Regina por alguns instantes, cerrou seus olhos como se com aquele gesto conseguisse captar algo, como se conseguisse descobrir a verdade por trás daquelas palavras. Viu que sua filha não agiu como a maioria das vezes em que mentia, ela retribuiu o olhar, coisa que jamais faria se estivesse mentindo, ela simplesmente iria desviar o contato dos olhos — não se preocupe, querida. Essa foi a decisão mais concreta que você já teve.
— Não vai querer saber pra onde eu fui?
— Depois dessa notícia maravilhosa que você me deu, acho que não preciso me preocupar com isso — andou em direção à saída do quarto, deixando a garota sozinha no cômodo.
♫♫♫
Uma semana se passara desde a praia. Cora havia tomado o celular da morena quando fora chamada por Zelena, Regina não se arriscava em ligar do telefone de sua casa, sabia que sua mãe sempre olhava as chamadas feitas e recebidas. No momento Ruby estava sendo sua salvação, a mensageira entre ambas as garotas.
Regina estava no jardim de sua casa ajudando Rosa a terminar seus afazeres quando viu a amiga de mexas vermelhas aproximando-se.
— Milagre você ter saído do quarto, pensei que tinha virado vampiro e estava evitando a luz do dia — brincou.
— Milagres acontecem — sorriu.
— Então, eu só vim entregar um recado que a senhorita loira Swan mandou.
— Pode dizer...
— Dizer não, você terá que ler — tirou um papel do bolso traseiro de seu short e entregou à morena — tenho que ir, preciso voltar pra lanchonete, lá está meio lotado e minha avó mandou eu ser breve — falou revirando os olhos.
— Tudo bem — respondeu — obrigada, Ruby.
A garota assentiu e andou de volta para o trabalho que lhe esperava. Regina desdobrou o papel e começou a ler.
"Antes de qualquer coisa, quero que saiba que estou me controlando pra não ir te capturar e te trazer pra mim de vez. Pois é, eu realmente preciso de você Mills... Vou estar te esperando amanhã na pensão da Granny às 16:00.
PS: Você ta muito gata com esse short."
Quando terminou de ler levantou os olhos e olhou ao seu redor, tentando achar algum sinal da loira, mas nada viu. Deu um sorriso e guardou o papel em seu bolso.
♫♫♫
Regina apareceu na pensão como combinado. Emma já estava esperando-a no quarto de Ruby quando ela subiu os degraus da escada.
— Oi, namorada — falou a loira levantando-se da cama que estava sentada quando avistou a morena.
— Oi, namorada — respondeu com um largo sorriso no rosto e aproximou-se da garota — Ruby está com Granny?
— Sim — a loira respondeu.
— Então quer dizer que estamos sozinhas? — perguntou.
— Sim.
— Você só sabe dizer "sim"?
— Sim. Quer dizer, pra você sim — falou aproximando-se da morena. Segurou seu rosto em suas mãos e pousou um beijo carinhoso em sua boca envolvendo apenas lábios — minha pequena, que bom que veio.
— Ei, eu não sou tão baixa assim.
— Eu sei, mas você é mais baixa que eu, então é sim minha pequena — beijou sua testa e a abraçou.
Regina segurou a mão da loira e a conduziu de volta à cama. Deitou sobre seu corpo pousando a cabeça no peito da garota como de costume.
— Está tudo bem com você? — a morena perguntou.
— Sim e com você?
— Está bem melhor agora.
A loira passou sua mão esquerda no cabelo da garota, brincando com os fios escuros, acariciou sua nuca tentando fazer com que relaxasse antes de tocar no assunto que cedo ou tarde teria que falar.
— Vou me mudar amanhã...
— Eu sei. Ruby me falou — disse tristemente. Envolveu seus braços ao redor de Emma, apertando-a contra si, como se aquele gesto pedisse pra não ir embora, para não deixá-la.
Emma suspirou sabendo muito bem o que aquele abraço significava.
— Regina — a loira puxou o rosto da morena fazendo com que a encarasse — eu precisava me despedir de você antes de ir. Precisava te ver, falar com você, te abraçar, sentir seu cheirinho e te encher de beijos — afastou delicadamente o cabelo negro da garota, passou seu nariz na área exposta do seu pescoço como se quisesse guardar seu cheiro para si, em seguida deu um beijo no mesmo local — precisava te ver pra que eu possa ter forças e ver que estou fazendo o certo, entende?
Aqualung — Brighter Than Sunshine ♪♫♪
A morena assentiu.
— Mas as aulas só começam daqui a uma semana. Porque você precisa ir amanhã?
— Meus pais querem ter esse tempo pra se habituar na cidade, antes de começar os trabalhos, a escola e tudo mais.
— Como você acha que será? — perguntou.
— O que eu acho?
— Sim.
— Eu acho que vou sentir muita falta de você, mas nem me preocupo tanto, ate porque eu já falei com minha mãe sobre a fuga que eu vou dar pra vir aqui — respondeu.
— Sério?
— Sim — sorriu — próximo fim de semana eu venho te ver.
Regina ficou por alguns instantes dispersa, presa em seus pensamentos.
— No que está pensando? — perguntou a loira.
— As vezes eu sinto medo — desabafou.
— Medo? Mas estou me mudando justamente pelo que tanto meus pais temem, pelo que tanto você mesma teme.
— Não me refiro à Cora — a morena falou.
— Então ao que?
— Medo de por um acaso do destino eu te perca, te perca pra outra pessoa, pra outro alguém. Eu não suportaria isso, Emma.
— Por que você está pensando nessas coisas? Você acha mesmo que eu me preocupo comigo? Você, minha mãe e meu pai vem em primeiro lugar e sempre virá. E jamais Gi, jamais te deixaria, a não ser que fosse por sua própria vontade.
— Você é minha única vontade, Swan.
— E você a minha, Mills.
Regina agora estava deitada ao lado de Emma. A olhava com ternura, afastou delicadamente as mexas douradas que insistiam em cair no rosto branco da garota. Olhava para os seus olhos como se pudesse ver através daquelas íris esverdeadas. Seus olhares sempre diziam muito mais do que suas palavras, passaram longos minutos se entreolhando.
A morena aproximou-se de Emma ate a distância entre seus corpos fossem praticamente inexistentes. Encostou a ponta de seu nariz na ponta do nariz da loira, assim sentindo suas respirações se cruzarem. Uma de suas mãos adentrou entre os longos fios de cabelos loiros, puxando seu rosto contra o da morena e assim unindo o que tanto ansiavam, unindo o que nada nem ninguém poderia separar, unindo de forma pura o sentimento que jamais poderia ser esquecido, selavam com os lábios tudo aquilo que já vivenciaram juntas: as mentiras, as provocações, as ameaças, mas acima de tudo o amor. O amor que em tantas vezes fraquejou, mas que agora estava bem ali, dentro de cada uma delas, dentro do órgão mais importante da anatomia humana. Estava de pé, com seu escudo no braço direito e sua espada na mão esquerda, pronto pra enfrentar qualquer um que ousasse separá-las novamente.
Emma beijou o lábio inferior da morena, pulou para o superior e logo em seguida suas línguas fizeram contato. Era um toque gostoso, seu beijo tinha um incrível gosto de "quero mais". Era meio impossível desgrudar dos lábios da morena, mordia-os como se pudesse tomá-los para si. Puxou Regina para cima de seu corpo, colocou suas mãos por dentro da blusa da garota, passou suas unhas por suas costas e sorriu em meio aos beijos quando sentiu que seu efeito sobre ela ainda era o mesmo. Sua pele estava eriçada. Desceu suas mãos ate chegar em sua bunda, apertou com vontade.
— Emma, sua mãe está... AI MEU DEUS! — Ruby havia entrado no quarto — não sei se vocês sabem mas aqui não é um motel, é uma pensão, uma pensão de respeito ate! Onde que vocês estão com a cabeça? Que cena foi essa? Emma você já pode tirar a mão do traseiro da Regina! Senhor, limpe meus olhos! — ergueu suas mãos como em uma oração e saiu do quarto. As garotas se olharam e tornaram a gargalhar, uma risada alta — Isso não tem graça! — gritou do corredor que dava acesso ao seu quarto.
— Ruby você precisava ter visto sua cara — falou a loira tentando recuperar o ar e voltando a rir novamente.
— Já se soltaram? — perguntou do lado de fora do cômodo.
— Já sua boba — falou Regina. Ruby entrou novamente.
— Emma, sua mãe estava te procurando, queria que a ajudasse a terminar de arrumar as malas — voltou seu olhar para a morena — e você senhorita Mills, eu sei que sua bunda é bastante irresistível, tão quanto a do Hulk da seleção brasileira, mas acho melhor você ir pra casa. Graham comprou dois cafés, certamente sua mãe está na delegacia, talvez ela chegue mais cedo em casa.
A morena assentiu e arrumou os seus cabelos.
— Ainda bem que você chegou antes de nós ficarmos peladas — a loira brincou.
— Emma! — Regina repreendeu.
Emma voltou a gargalhar.
— Pode rir Swan, ria bastante. Minha vó quase pegou vocês aqui, ela ia vim pegar uma caixa de hambúrgueres que tinha esquecido, mas a bobona aqui se ofereceu pra levar.
— Desculpa, Ruby. Se quiser te ajudo a levar.
— Isso é uma ótima ideia — concordou — melhor nós três não sairmos juntas. Emma, te espero na cozinha e Gina, cuidado ao sair na rua, preste atenção em quem te observa, qualquer pessoa pode ser um informante de sua mãe — a garota falara sério.
Regina assentiu e Ruby saiu do cômodo.
— Então... — a morena falou — Eu te vejo próximo fim de semana, certo?
— Claro — respondeu sorrindo — eu quero um abraço e um beijo.
— Terá quantos quiser — abraçou a loira envolvendo seus braços em seu pescoço e as mãos brancas de Emma segurou a cintura da morena puxando-a para mais perto de si voltando a beijá-la.
— Emma! Desça logo! — chamou Ruby do andar abaixo.
— É melhor você ir — disse a morena — ela não vai descansar ate você descer.
— Tudo bem — a loira concordou e revirou os olhos quando ouviu a amiga murmurar mais algumas vezes.
— Vou estar te esperando — falou por fim.
— E eu virei te encontrar — respondeu.
Ambas se beijaram mais algumas vezes e desceram as escadas de mãos dadas. A morena de mexas vermelhas saiu com Emma e Regina esperou por algum tempo ate sentir que estava segura para voltar pra casa.
♫♫♫
O amanhã chegou. Era final da tarde quando a loira e seus pais estavam pondo as bolsas e malas dentro do carro. Regina observava tudo da janela do seu quarto, estava triste por aquilo está acontecendo, mas ao mesmo tempo feliz por saber que Emma logo voltaria para lhe ver, e quando completasse seus 18 anos ficaria com ela, nem que pra isso tivesse que fugir. Cora entrou no quarto sem pestanejar e percebeu o olhar da filha para a rua.
— O que você está olhando? — perguntou. A morena afastou-se imediatamente da janela. A prefeita andou em direção a mesma e olhou para onde sua filha a pouco observava — Ah, claro, a vadiazinha vai se mudar hoje.
— Não chame ela assim! — a garota repreendeu.
— Quem é você pra dizer o que devo ou não falar? — se aproximou da garota. Regina manteve o silêncio, ela não podia contrariar sua mãe, não ao ponto de despertar sua curiosidade — Eu só vim aqui pra te avisar que vamos viajar na quinta-feira.
— Viajar?
— Sim.
— Pra onde vamos?
— Seattle. Antes que pergunte, vai ter uma palestra com vários políticos, essa é minha chance de ter um contato maior com alguém importante e que possa me guiar sobre o meu propósito de ser governadora. Você sabe que eu tenho essa vontade há tempos.
— Quando vamos voltar?
— Talvez no domingo.
— Mas eu... Eu não quero ir — lembrou-se que no sábado sua namorada iria vir para encontrá-la.
— Eu não estou te perguntando se quer ou não ir. Eu estou falando que você vai comigo — disse com autoridade — estamos entendidas?
— Sim — balançou a cabeça positivamente. — Ótimo — deu as costas para a garota e saiu do quarto.
♫♫♫
Pegaram um vôo na quinta a noite e chegaram ao seu destino na sexta de manhã. Durante todo o tempo que a morena estava no avião fingiu está dormindo para evitar conversas com a mãe que estava sentada na cadeira vizinha.
Estava chateada por não ver Emma nessa semana, mas sabia que na próxima ela voltaria novamente, sabia que cumpriria com sua palavra.
Quando chegaram ao aeroporto já havia um táxi esperando-as. Cora falou o endereço ao motorista, a morena não deu importância ao que a mãe falara, estava entretida com a cidade, o movimento de carro que jamais seria visto em Storybrooke, avistou lá no alto o tão famoso Obelisco Espacial, era a marca da cidade. Correu os olhos pelas ruas, quase toda esquina havia uma cafeteria Starbucks, a chuva estava intensa, homens com roupas sociais eram comuns ali, corriam com suas pastas na cabeça como se evitasse que a água percorresse por todo seu corpo. Mulheres com com as pernas longas que pousavam os pés em saltos que faziam aumentar ainda mais a sua sensualidade. Alguns jovens estavam reunidos em frente a praça da escola, a morena logo imaginou que estavam matando aula. O trânsito era intenso, mas não demorou muito ate chegarem ao seu destino.
Regina saiu do carro e fechou a porta atrás de si, Cora demorou alguns segundos antes de deixar o automóvel.
— Vamos — falou e indicou com a cabeça para a morena seguir em frente.
A garota achou estranho. Por que de ter parado nos fundos do hotel? Mais parecia com uma mansão muito maior do que sua casa, recordava o semblante de sua escola. Possuía dois prédios com cerca de cinco andares, um em cada ponta do lugar. Adentraram mais. Sua mãe andava ao seu lado ate que avistaram uma mulher de cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, uma saia azul de cintura alta que ia ate um dedo abaixo do joelho, desenhando bem sua silhueta, uma blusa branca social e sapatos altos fechados na frente.
— Bom dia senhorita Mills — cumprimentou a mulher.
— Bom dia — falou por obrigação.
— Essa deve ser Regina — disse olhando para a morena.
— Sim — Cora respondeu.
— Prazer, meu nome é Glória — estendeu a mão para a garota e a apertou — eu sou a coorde...
— Nos leve ao quarto, por favor — a prefeita interrompeu.
— Claro — assentiu — me acompanhem.
Mãe e filha agora acompanhava a mulher que seguia à sua frente. Regina achou estranho Glória saber seu nome, sua mãe nunca havia tocado no nome da mulher. Olhou para trás e viu dois homens de ternos carregando suas malas, andava junto a elas, com apenas alguns metros de distância. Subiram alguns degraus ate chegar ao quarto indicado pela mulher.
— Você poderia nos dar licença, por favor.
— Já estou indo — continuou — seja bem vinda — disse olhando a garota e se retirou em seguida.
— Regina, você ficará aqui — falou a prefeita.
— Ate terminar sua palestra? — perguntou.
— Não — respondeu — ate o fim do ano.
— Como... Como assim? — assustou-se.
— Olhe a sua volta. Você não está vendo onde estamos? Regina parou por um instante, olhou para as duas camas que estavam no quarto, uma do lado oposto da outra, junto com guarda-roupas, mesas de estudo e estantes. "Estamos no dormitório", pensou.
— Um internato — falou quase em um sussurro. Sua cabeça estava rodando, seus pensamentos tentavam se encaixar, não podia acreditar, não queria acreditar.
— Isso mesmo, querida. — continuou — Você acha mesmo que eu não sei de nada? Sabe, eu ate acreditei no que você me falou sobre ela ir embora, mas senti que você estava me escondendo algo. Lembra-se do Sidney? Sidney Glass? Pois é, ele trabalhou com Graham em algumas investigações, conversei com ele e pedi pra ficar de olho em você. E adivinha só, ele descobriu pra onde sua querida Emma se mudou, pra Augusta, a cidade é praticamente vizinha da nossa. Acha mesmo que eu deixaria vocês tão próximas uma da outra? E mais, ele viu você entrando na pensão da Granny e saindo pouco tempo depois que ela saiu. Como você é tola, Regina. Achou mesmo que eu não descobriria? Andei revirando umas coisas no seu quarto, olha o que eu achei no seu short — tirou da bolsa um papel, o mesmo papel que a loira havia escrito combinando o encontro — francamente, que ridículo — amassou o papel e jogou na garota — você é uma vergonha, a maior decepção que eu já tive na vida — tomou ar — eu poderia ter te colocado em qualquer colégio, em qualquer cidade, mas eu escolhi Seattle pelo simples fato de ser no outro lado do país, por saber que você está isolada de tudo e de todos que fazem parte de Storybrooke.
— Você não pode fazer isso comigo — falou a encarando. Seus olhos estavam segurando as lágrimas que gritavam em sair.
— Não só posso como já fiz. Você já foi transferida, já está matriculada. Suas aulas começam na segunda.
— Por favor, Cora, eu te imploro, não me deixa aqui — franziu as sobrancelhas em sinal de súplica.
— Você deveria ter pensado nisso antes de ficar com ela. Eu te avisei que teria consequências e essa é a minha consequência.
— Você não pode me prender! Eu fujo, ligo pra Ruby, ela vai me ajudar, mas eu não ficarei nesse lugar! — gritou.
— Sabe aqueles dois homens que estavam trazendo nossas malas? Bom, eles são seguranças, duvido muito que uma garota como você consiga passar por eles. Pode ter certeza que você será a aluna mais bem tratada aqui, afinal está sendo a mais cara. Sobre telefonemas: você só receberá ou só ligará se eu permitir, isso serve igualmente pras visitas, só verá alguém com a minha permissão.
— Eu vou dar meu jeito — retrucou.
— Não querida, você não vai dar nada, você é tão fraca, tão ingênua, acho ate que se tivesse a chance de fugir não fugiria. Fraca — sorriu — igualzinha ao seu pai.
— Se eu sou fraca pode ter certeza que não puxei dele, isso é sua característica, veio de você, pois é você que não consegue ser feliz e que pra isso precisa destruir a felicidade dos outros pra se conformar com a vida medíocre que possui, a vida sem o amor, você não é amada, você é desprezada, além do medo, as pessoas sentem pena de você. Meu pai foi forte, forte por ter te aguentado tanto tempo. Passei tão pouco tempo com ele, mas mesmo assim sua presença foi algo que sempre serei lembrada, em todos esses anos que se passaram desde sua morte, posso te dizer que tudo que ele fez, tudo que me falou foi muito mais significativo do que todas as coisas que você já fez pra mim ate hoje, se é que já fez algo.
Cora andou ate ficar cara a cara com a filha, a morena se manteve firme sem demonstrar o que realmente estava sentindo.
— Eu não vou cair em seus joguinhos — falou — ate porque não há motivos, pois eu já ganhei a guerra e você não chegou perto de ganhar sequer uma batalha.
— Eu ganhei mais do que você pode imaginar, mais do que você sentiu em toda sua vida e isso não se compra, não se derrota, apenas guardo dentro de mim fazendo com que me dê forças pra continuar lutando pelo que tanto anseio.
— Imbecil — afastou-se da garota — vamos ver ate onde sua força consegue ir — pegou sua bolsa e saiu quarto à fora.
Quando Regina percebeu que sua mãe havia tomado uma distância do cômodo, deu permissão ao seu corpo fazer o que tanto queria desde o primeiro momento em que soube que ficaria longe de tudo e de todos, inclusive de quem tanto a fez bem.
Caiu sobre a cama, se encolheu como quem está com frio, como quem está com medo, suas lágrimas desciam pelo seu rosto sem pestanejar. "Não pode ser, não é possível", pensava. Limpava seu rosto em vão, logo a umidade era formada novamente.
"Eu vou lutar, nem que pra isso precise esperar por seis meses, mas vou procurá-la e esclarecer tudo o que não pude, tudo o que não tive tempo pra dizer", prometeu a si mesma.
A garota não podia imaginar que seis meses seria apenas uma mínima taxa de tempo comparada ao que viria pela frente.
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