Nossa História De Amor.
1 Um livro com Percy Jackson.
Notas iniciais
Boa Leitura!
Parte 1
Sexta- Feira, 2 de Julho de 1989.
Palavras não definiam o que Annabeth sentia naquele momento. Em frente a uma mesa de madeira, sentada naquela confortável poltrona vermelha, e com um de seus livros na parede de ‘’sucessos’’. O editor acabava de dizer que ela escreveria junto com outro escritor desta vez, Percy Jackson. Seu melhor amigo que não via há anos.
O que deveria ser uma reunião de 45 minutos, tomando chá, falando sobre os futuros livros de sucesso de Annabeth Chase, e um completo tédio para a mesma. Começa a se formar apenas uma reunião de ansiedade, ela sentia aquela sensação ruim e boa ao mesmo tempo na boca do estomago. Suas pálpebras ficando pesadas e sua boca seca.
O seu amigo estava em Londres. Não era? Escrevendo para uns dos mais famosos jornais da cidade mais linda da Europa. Era para estar andando pelas ruas da Capital da Inglaterra, glorificando seus lindos prédios, pegando seu táxi e indo para o Jornal.
Mas ele estava em Nova York, vindo para a Editora de sucesso da Times, pronto e feliz para escrever um livro junto com sua amiga, Annabeth Chase.
Ao saber da grande amizade dos grandes escritores, Phill Lenson, o editor-chefe, não teve ideia melhor que esta há anos. Precisava de um romance, seus livros estavam sendo caracterizados pelos críticos como sem coração, sem emoção, livros que nada acrescentariam na vida de seus leitores.
Os dramas de Annabeth Chase não eram agora o que ele queria. Ela vendeu milhões de cópias, e isto era ótimo, mas necessitava de um romance.
Por isto chamou Perseu Jackson, o comédia do mundo literário, o cara que nunca escreveu livros para baixo, com críticas que mais estavam escritas gargalhadas do que palavras.
Phill não sabia de onde tinha tirado a incrível ideia, mas a dramática Annabeth Chase com um comediante escritor Perseu Jackson poderia escrever quem sabe o melhor romance da editora.
Afinal, até onde soube eles tinham uma amizade de longa data, 20 anos, na realidade. Conheciam desde os nove anos de idade, e agora, os dois tinham 29. Nada melhor que isto.
Annabeth já via a cena, Percy com seus cabelos negros caídos pelos olhos verde mar e impactantes andando pelas ruas da Quinta Avenida, um sobretudo preto e um jeans desgastado, seus sapatos sociais pretos e um sorriso divertido e presunçoso no rosto. Vindo em direção ao prédio e se sentindo provavelmente sacana por estar enfim fazendo um livro com a dramática Chase.
Ela olhou para o lado, o grande relógio atrás da cabeça de Phill tiquetaqueando insanamente. A maçaneta foi girada, a porta aberta, e pela primeira vez na vida, Annabeth sentiu que sua língua não tinha saliva.
–Percy! – Gritou Phill, sua voz estrondosa e pesada. Annabeth fechou os olhos e contou até 3, então se virou sorridente também.
‘’Ele está diferente’’ ‘’Muito diferente, com certeza’’.
O abraço caloroso e ‘’muito macho’’ entre Percy e Phill é trocado, Annabeth se levanta ajeitando sua saia nenhum pouco formal e sua blusa preta, com uma blusa de lã bege por cima.
Percy usava terno. Um terno amarronzado e aberto, com uma gravata preta e a blusa social branca de fundo. Seus cabelos estavam penteados para trás, e não caindo aos olhos como Annabeth pensou, mas estavam ainda compridos. Seu sapato era social, como ela raciocinou, mas seu sorriso era apenas genuíno, nenhum pouco presunçoso.
–Annie... –Ele sussurrou, e Annabeth soririu ao ouvir a voz arrastada e rouca.
O melhor amigo que não tinha noticias há anos, mas ainda era seu melhor amigo, pois a amizade não tem data de validade – Era o que ela mesma pensava.
Ela pensou o quão ridícula estava completamente informal enquanto os dois homens a sua frente estavam de terno e gravata, numa posição séria. Mesmo assim ela andou para frente abraçando seu amigo, sentindo seu cheiro de maresia que ela até hoje não sabia se era dele mesmo ou apenas um perfume muito bom.
Suas duas mãos passaram por suas costas largas, enquanto as mãos pesadas do moreno abraçaram ainda mais sua cintura.
–Ótimo! — Falou Phill novamente, com sua voz como sempre, estrondosa – Já são melhores amigos, perfeito!
Os dois sorriram de lado. E Percy falou sem voz ‘’Precisamos conversar’’. A loira assentiu e os dois se sentaram em frente à Phill.
–Annabeth soube agora pouco sobre a minha proposta- Phill disse, mesmo não sendo mesmo uma proposta. A loira sabia que se não concordasse, perderia o número de cópias dos próximos livros, e regalias de uma editora de sucesso que sempre teve.
Mesmo assim decidiu pensar naquilo como uma proposta.
Depois de ouvir todo o discurso dos críticos que odiavam a Werstystone por ser uma grande editora há anos, e nunca cair o número de vendas e prêmios. Falou sobre o quanto gostava dos dois como escritores distintos. E logo depois sobre a proposta, um livro que os dois fariam juntos, poucas obras que são de dois escritores funcionaram, mas Phill gostava de pensar naquilo como uma música, as melhores foram feitas por mais de uma pessoa.
–Mas que tipo de livro? –Perguntou Perseu, rodando dentro do bolso do terno seu cigarro e doido para sair dali e fumar um. Annabeth olhou de relance para o amigo e concordou.
–Para juntar nós dois deve ser algo como amizade, ou talvez um drama... — Percy revirou os olhos, Annabeth deveria parar de escrever dramas.
–Não, não- Disse Phill – Nada de drama, nem amizade. O que eu quero de vocês dois é um romance.
Annabeth engasgou com o ar. Percy ajeitou a gravata.
–Romance? – Os dois perguntaram. Annabeth em um tom agravante e Percy num apenas incomodativo e baixo.
–Quer dizer, se vocês quiserem claro- Aquilo não era uma proposta. Ou eles faziam o romance ou Phill Lanson os condenaria como escritores-era isto que ele falava em entrelinhas-.
–Claro que queremos! – Apressou-se Annabeth.
–Com certeza- Percy ajudou a amiga.
–Ótimo!- Porque ele gritava tanto? Era a única coisa que Percy pensava — Podem começar hoje!
–Hoje? – Os dois perguntaram mais uma vez juntos. Phill rolou os olhos.
–Algum problema? – O mesmo perguntou, eles negaram. – Ótimo!
‘’Para de falar Ótimo!’’ Percy pensava enquanto rodava seu cigarro. Phill se despediu dos dois e os escritores saíram da sala e do prédio sem trocarem uma palavra, apenas olhando para frente ou para o chão.
Até que Annabeth sem aguentar mais puxou um assunto.
–Como está Londres? – Ela sabia que estava a mesma, nevoenta e fria, mas calorosa e cheia de pessoas ao mesmo tempo. Sabia o que Percy iria responder.
–A mesma de sempre. – Ele sorriu de lado, mostrando seus dentes brancos e alinhados. Ele não gostou do ar incomodativo que pairava sobre os dois. Eram melhores amigos, sempre estavam bem, e conversavam e riam sem problema algum um com o outro. Ele não queria que três anos sem contatos diretos, apenas por cartas e ligações, deixassem os dois se separarem emocionalmente daquela maneira.
–Como está Matthew? – Foi à primeira coisa que passou pela cabeça de Perseu, Annabeth sorriu de lado, um tanto triste.
–Nos separamos há um ano – Ela disse apenas – Foi uma boa inspiração para fazer um drama.
‘’Você só faz dramas’’ Percy pensou, mas não disse aquilo, óbvio.
–E Calipso? Como ela está? – Percy riu de lado, nervoso.
–Nos separamos há dois anos- Annabeth riu junto com ele. Então os dois já estavam a alguns metros longe da Editora.
Percy tinha as mãos no bolso, mas não tinha coragem de tirar o cigarro e fumar ao lado de Annabeth, ela era uma das únicas pessoas que ele sempre queria agradar, mostrar ser o melhor.
–Então está solteiro, huh? – Ela perguntou divertida, tentando parecer que era apenas uma brincadeira e não uma curiosidade insana.
–Pois é. Como você, certo?
–Exato – Percy suspirou de alivio. Mesmo sem saber exatamente o porquê.
Atravessaram a rua, sentindo-se como se estivessem novamente com seus 14 anos de idade, em que apenas andavam e andavam pelas ruas de Nova York de madrugada, sem qualquer malicia.
–Não quer ir tomar um café? – Perguntou Percy, logo depois dando seu sorriso amigável. Annabeth olhou de relance para ele e deu de ombros.
–Claro, porque não? – Os dois entraram no Starbucks.
Percy pensou que Starbucks era a rede de café mais inapropriada para dois escritores, invés de entrarem na fila e pegar donuts e cafés em copos térmicos de plástico, deveriam entrar num pequeno café a moda Italiana, sentarem-se em cadeiras de aço pretas e confortáveis por terem um puf no assento, uma mesa redonda e pequena de madeira bem polida, e duas pequenas xicaras de café expresso e amargo enquanto conversavam como duas pessoas cults.
Mas eles não eram como os outros escritores da época, e por isto se sobressaiam.
Pegaram seus donuts de chocolate e o café com creme, e sentaram-se à mesa da rede mundial.
Conversaram sobre o que aconteceu nos três anos, e mesmo sabendo de algumas coisas pelas cartas mandadas, era outra coisa ouvir e conversar frente a frente ,rindo e brincando, sendo melhores amigos novamente.
–E você veio para Nova York para ficar? – Perguntou Annabeth, sorridente, Percy sorriu de lado e chegou incrivelmente perto de seu rosto, levantando o tronco e apoiando os cotovelos a mesa. Annabeth olhou para ele sem respirar. Ele passou o dedo polegar no canto dos lábios da loira. Olhando atentamente para sua boca.
–Estava sujo de chocolate- Disse ele apenas, piscando e voltando ao mundo real. Os dois se olharam sem jeito, mas Percy logo se apressou em dizer:
–Não, era só mesmo para este projeto. – Ele respondeu – Eu sei do poder de Phill e não é bom contraria-lo.
Annabeth sorriu de lado, tomando seu café e concordando, apesar de tudo. Tentando esconder o descontentamento em ver seu melhor amigo voltar daqui a alguns meses para a Inglaterra.
–Já tem alguma ideia para o livro? –Perguntou ela, e logo depois se chamou de estupida. Ela como escritora sabia que ideias não saiam assim, do nada. Percy, porém riu.
–Nenhuma. E você?
–Um drama.
Percy quis esganar o pescoço da sua melhor amiga, ela não era a mulher mais confiante do mundo, e nem a mais positiva. E já era a hora dela parar de escrever dramas e escrever algo mais animado, afinal. Até porque ela era uma garota piadista – apesar de tudo- que fazia a pessoas rirem com a sua suja ironia.
–Acho que não –Percy respondeu- Nada de romance dramático. Iria ser melhor um romance mais divertido, como uma comédia.
Foi à vez de Annabeth revirar os olhos, era hora dos dois mudarem o repertorio, na realidade. Annabeth usou o que achava ter de sabedoria e disse apenas:
–Um romance – Ela disse- Tenho a ideia de escrevermos um romance.
Terça-Feira, 18 de Julho de 1989.
O cigarro corria pelos lábios de Phill, Annabeth não sabia se achava aquilo uma tentativa homicida de tentar ser descolado, ou apenas um mau gosto para o jeito de tragar um cigarro. Tirou os pensamentos sobre o jeito que Phill fumava afinal ele estava olhando o que era 20.000 palavras de um romance besteirol que ela e Percy escreveram enquanto estavam bêbados no dia 14, 4 dias antes do prazo de escreverem algo.
O que acontecia era que os dois realmente são amigos, e realmente ótimos escritores distintos, mas quando o assunto era opiniões e gostos, eles eram mais que distintos, eram opostos. Então quando se sentaram na frente de uma máquina de escrever, tudo que saiu foi Annabeth Chase e Percy Jackson – O nome dos escritores do livro.
Aquilo era a maior bobeira que Percy pensou fazer na vida, desde quando livros eram escritos por duas pessoas? O bom era escrever sozinho, estar em harmonia com si mesmo era mais fácil do que estar em harmonia com outra pessoa.
O relógio atrás da cabeça de Phill continuava tiquetaqueando, tinha 50 minutos que ele lia o livro de dois escritores bêbados, ele se levantou, sem dizer qualquer palavra, e jogou o cigarro no lixo, junto com as 20.000 palavras.
–Eu sei que vocês sabem que isto aqui está uma merda- Ele disse com raiva, sua voz estrondosa não mais incomodativa para Percy, mas sim amedrontadora.
–Nós não tivemos muito tempo e... – Phill parou Annabeth apenas com um gesto com a mão. Então se sentou à mesa de madeira e olhou para os dois, com raiva.
–Eu sei qual é o problema com vocês – Ele disse, então massageou as têmporas – Vocês estão em NY, vidas corridas, e tudo mais.
–Acho que este não é o problema...
–Acho que sim Percy – Phill cortou – Vocês conhecem a banda Fletwood Mac, certo?
Os dois assentiram com a cabeça.
–Alguns anos atrás eles estavam à beira da separação, brigas e mais brigas, até que eles decidiram ficar numa casa sozinhos, por meses, sem falar nada, nem ao menos ‘’me passa a manteiga’’ O que aconteceu? Eles fizeram uns dos melhores álbuns que já existiu. Quem não tem Rumors na lista de vinis?
Ele riu sozinho.
–Você quer que fiquemos sozinhos dentro de uma casa sem falar ‘’me passa a manteiga’’ e escrever músicas? – Annabeth perguntou o mais debilmente que conseguiu, estreitando os olhos.
Phil revirou os olhos, e pôs as duas mãos entrelaçadas na mesa, provavelmente tinha visto o gesto em algum filme.
–Você quase acertou – Disse Phill, deixando Annabeth e Percy boquiabertos – Calma, vocês não vão escrever músicas. Mas, vocês vão daqui a alguns dias para o Havaí, ficarão sozinhos numa casa e estarão proibidos de sair de lá sem a minha permissão. Tenho certeza que isto irá fazer vocês terem inspiração.
–Não mesmo! – Percy discordou. Pensando em ficar numa casa sozinho com Annabeth- Não mesmo,mesmo,mesmo!
–Nós iremos nos esforçar para fazer um ótimo livro, aqui em NY e em casas diferentes...
–Nada disto! Já está feito, está é a minha decisão, vocês assinaram um contrato, e isto que importa- Ele ajeitou a gravata – Daqui a alguns dias vocês irão para o Havaí. Sintam-se como se estivessem entrando de férias.
Então ele saiu da sala. Percy olhava para as pernas torneadas e brancas a mostra da saia reta de Annabeth e pensou o quão estava ferrado ao ficar numa casa sozinha com ela, por quanto tempo fosse necessário.
Notas finais
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