Notas iniciais
Olá!
Como vão vocês? Comigo tudo bem. Desculpem-me pela demora.
Boa leitura!

Segunda Feira, 05 de Novembro de 1989.

Annabeth batucou sua caneta na mesa de cadeira, insensível, prática, funcional e profissional. O garoto quase morria de tanto estar em prantos. Em certo momento, Annabeth até teve pena, mas agora tudo que via na sua expressão era exatamente nada: inexpressiva.

–Me desculpe Dona Chase, eu não sei o que deu em mim, me desculpe, me...

–Garoto, pare agora com esta falta de profissionalismo. Caso eu te veja chorando mais uma vez dentro desta sala se considere um desempregado – os olhos dele resplandeceram.

–Então não estou demitido? – a loira riu pelo nariz.

–Não, errar a colocação de um pronome átono num livro profissional é algo inadmissível. Pegue suas coisas e pode ir embora – toda resplandecência saiu da expressão do garoto. Em dado momento, Annabeth até o viu parecer querer mata-la. Mas não se importou, achava divertido, até.

Annabeth adorava sua sala, sua mesa e sua cadeira de escritório. Sentia-se importante e uma carrasca. Uma Margareth Thatcher. E a melhor coisa para descontar a raiva de um fim de semana mal resolvido era isto.

Até porque as coisas não poderiam estar piores.

Além de ter ido embora mais cedo, Percy fez menção em não voltar a falar com ela até aquela segunda de manhã. Onde ela já estava no trabalho, e, aliás, morrendo de raiva de tudo o que estava acontecendo.

Na realidade a pessoa que ela mais queria matar naquele momento era Thalia, logo após isto, Percy.

Ela trabalhava insanamente para tirar certas coisas da cabeça: na divulgação do livro, na forma em que ele iria ser colocado nas bancas, a sua jaquet. Ouviu a porta sendo aberta e quis pegar uma bazuca.

–Se você não sair deste prédio em cinco minutos não se considere apenas um desempregado, mas também um amputado.

–Eu não sabia que você podia me demitir, muito menos me amputar – falou Percy enquanto cruzava os braços. Os olhos cinza da loira cravaram nele. Depois voltaram com o foco para a papelada encima da mesa. Ela sentiu que Percy havia fechado as persianas, e ouviu os múrmuros do pessoal do RH.

–Bem que eu queria – murmurou ela enquanto escrevia algo que Percy não conseguia identificar. Ele se sentou a sua frente, daquele jeito charmoso que só ele conseguia.

–Desculpa ter passado o fim de semana sem falar com você.

–Sem problemas – disse ela seca, de forma que Percy tinha certeza que tinha sim, muitos problemas.

Mas sabe o que a deixava mais com raiva? O fato de que ele não faria nada daquilo com qualquer outra garota. Se ele namorasse Calypso, Rachel, ou qualquer outra, ele daria satisfações, ele seria um homem memorável. Com Annabeth ele era desleixado.

Percy suspirou, depois pegou na mão dela, apertando-a levemente. Sempre que ele fazia isto era porque o assunto era realmente sério, Annabeth o olhou com a sobrancelha arqueada, sabia o que significava o gesto dele.

–O que aconteceu? – perguntou sinceramente. Sem asco na voz. Percy suspirou novamente.

–Eu poderia te contar depois? Estou um tanto estressado e queria que eu e você não discutíssemos sobre isto. Pelo menos não por enquanto – Annabeth assentiu. Não era a pessoa mais curiosa do mundo.

Ele sorriu para ela levemente.

–Eu te amo, sabia? Como nunca amei ninguém – Annabeth engasgou com o ar. Esqueça sua raiva, seu coração naquele momento estava envolvido numa paixonite aguda, igual àquela que tinha aos seus 15 anos.

(...)

Annabeth olhou para os seus dedos enrugados de água e não ligou nenhum pouco. Fechou os olhos enquanto sentia mais um sal de banho estourar como bolhas em suas costas.

Sua banheira clássica era provavelmente a coisa que mais gostava em sua casa.

Uma de suas pernas estava dobrada e ensaboada, e seus cabelos estavam presos num coque alto com vários fios soltos. A água quente tampava até seus seios e ela se sentia muito bem.

A porta estava aberta.

Não era exatamente um convite, era mais uma informação. Ela não tinha mais vergonha de Percy, na realidade nunca teve. Tanto que naquele exato momento Percy passeava pelo apartamento maravilhosamente seminu, apenas com uma cueca e com os cabelos revoltados. Em sua mão um lápis e na outra palavras cruzadas, era a forma que tinha de ressuscitar sua criatividade.

Ele passou pelo corredor do banheiro e voltou em marcha ré, como Michael Jackson, colocou o lápis na boca enquanto via Annabeth de olhos fechados, sua boca levemente aberta de prazer, só que apenas um prazer relaxante desta vez.

–Qual é o substantivo com oito letras e as vogais “a” e “i” que dão sentido de alusão disfarçada e implícita? – perguntou Percy ainda mordendo um pedaço do lápis, seu cabelo preto caía pelos olhos verdes, ele se sentou no banquinho ao lado da banheira, de forma que ficava praticamente da mesma altura que Annabeth na banheira, apenas um pouco mais alto.

–Indireta – sussurrou ela abrindo levemente os olhos. Depois sorriu de lado e pegou a palavra cruzada do moreno – Não tem esta palavra por aqui – sussurrou ela com um sorriso sacana. Percy sentia o vapor quente da água da banheira subindo e decidiu que não sairia dali tão cedo.

–Pelo menos foi o que eu achei.

–Eu não quero transar agora, acho – murmurou ela a última parte. Percy deu de ombros.

–Não presumi que era uma indireta para sexo, apenas para entrar no banheiro – foi à vez dele sorrir sacana – Nem tudo se resume a sexo, sabia?

–Eu não gosto dessa palavra – disse ela sarcástica – Nós fazemos amor, Cabeça de Alga. – Percy bufou, revoltado.

–Eu odeio esta expressão, é ridícula.

–Eu também. Só estou falando isto para te deixar revoltado – ela gargalhou e levantou os braços para amarrar novamente seu cabelo. Partes de seus seios apareceram na água. Os olhos de Percy foram diretamente naquela direção. – Que fetiche – murmurou Annabeth novamente.

–Sexo ou transa, sejamos diretos. – disse ele com certa frieza – Nós só fizemos amor se queremos um filho, e por enquanto a única coisa que nós dois queremos é o mais puro e relatado prazer, que é um reflexo de um maravilhoso sentimento que compartilhamos.

Ele se levantou, animado, era como as palavras cruzadas o deixavam. Annabeth sorriu de lado, gostava de vê-lo daquela forma.

–Sabe por que o sexo é tão narrado por todos? Porque é a coisa mais esplêndida que Deus poderia criar para nós. Pecado? Puff. Nada disto, o sexo é o que nos proporciona a sensação mais satisfatória do mundo. Aquele sentimento de estar completo e de completar alguém, o ápice que faz seu corpo bambear e por um segundo faz você pensar que chegou ao paraíso. A sensação estupenda de mais do que nunca, não se sentir sozinho. A forma mais rápida e provavelmente mais eficaz de se chegar ao prazer total. Sexo é vida.

–Uma boa transa é vida – completou Annabeth antes de soprar um pouco de espuma da sua mão. Lembrou-se de todos os caras ruins de cama que ela já pegou e até se sentiu um pouco deprimida por isto. Felizmente, Percy estava longe de ser um daqueles. O pensamento a levou a uma pergunta: — Aliás, é assim que você se sente comigo?

Percy piscou uma ou duas vezes antes de olha-la, depois gargalhou e se sentou novamente, pegando sua palavra cruzada e o lápis.

–Um adjetivo no masculino com sete letras. Com três “o” e nenhum “a", qualificando o meu sexo com você – Annabeth sorriu de lado. Tinha uma parte muito, muito boa de namorar um cara com doutorado em letras.

–Gostoso – respondeu ela antes de rir novamente.

Percy mandou um beijo no ar para ela e jogou mais uma vez as palavras cruzadas e o lápis no chão. Hiperatividade é fogo. Ele se levantou e cinco minutos depois apareceu com uma pilha de cartas e um prato cheio de morangos.

–Eu acho necessário e imprescindível abrirmos finalmente estas cartas. Estão formando uma bela pilha encima da mesinha – Annabeth riu e fez um gesto com a mão para ele começar. Ele assim fez.

De cem cartas em sua mão, vinte eram apenas para parabeniza-los pelo livro, alguns até de pessoas que eles nem conheciam. Outras eram de contas já pagas e outras que Annabeth mandaria sua secretária pagar. E por fim chegaram a singulares duas cartas importantes.

A primeira para um evento magnifico dali a alguns meses em Paris, o jornal mais famoso daquele país iria fazer honras a vários escritores e algumas editoras. Annabeth e Percy já haviam sido intimados a ir por Phill.

A outra fora reservada intimamente para Annabeth.

–Você não quer ler em particular? – perguntou Percy enquanto olhava a pilha de cartas abertas. Annabeth negou com a cabeça.

–Eu não lhe escondo nada, meu bem. Pode ler – Percy assim fez, abriu a carta com cuidado e tirou de lá uma cópia feita à mão. Pigarreou e sorriu quando reconheceu a letra cursiva da remetente.

“Para Nova York. Upper East Side. 286 – J.

Annabeth,

São com grandes congratulações, e até surpresa, que lhe parabenizo de forma sútil, porém sincera o seu novo livro. Não é algo que gosto de reconhecer, mas nem mesmo que quisesse poderia tirar este manuscrito de circulação. Sim, meu pai me deu parte de seu livro para lê-lo de antemão, gostei muito.

Gostei da sua carta resposta de algumas semanas atrás, muito carinhosa e dedicada, como você sempre se mostrou ser. Com as suas últimas palavras senti-me aberta suficiente para lhe dirigir o título de minha amiga. Mesmo assim estou relutante em falar certas coisas, então escute com cuidado.

Estive fazendo meus maravilhosos 14 anos fora de Londres, e quando voltei para o colégio bem ãh... Um novato extremamente bonito havia chegado. Seu nome é Dylan Cooper. Como sou novata não tenho amigas para confiar tal segredo, mas preciso de sua ajuda porque alguns dias atrás acabei beijando-o (uma aposta desgraçada) e estou mais confusa do que nunca.

Você já tem suas boas experiências sobre tais assuntos com Percy, se é que podem ser intituladas de “só algumas”. Poderia me ajudar?

Com carinho,

Hayley Lenson.

Percy quis rir, mas aquilo era extremamente fofo, depois deu uma olhada no fim da carta e disse Percy relutante – P.S: Você e Percy estarão em Londres daqui a alguns dias, se não estou enganada. Que tal me encontrar neste meio tempo que estiver aqui?

Annabeth que tinha um sorriso de tia gorda acabou ficando séria. Londres? Dali a alguns dias? Ela não sabia de nada.

–Londres? Em alguns dias? – perguntou ela – Será que a Hayley está bem? Pois sinto que não está, não.

Percy parecia ter engolido um peixe espinhento. Murmurrou algo indecifrável e jogou todas as cartas para o lado. Depois se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Annabeth cruzou os braços encima do peito.

–O que está acontecendo? – Percy abriu a boca para falar algo, mas logo se fechou. Relutante. Viu Annabeth arquear a sobrancelha e suspirou, cansado.

–Algum correspondente filho da puta avisou a Werstystone de lá que a edição do livro não está mais em meu poder de mudança. Eles me deram uma carta intimando minha volta para Londres daqui a uma semana, nesta mesma carta eles falaram que nós dois iriamos para lá assinar o número de tiragens no Reino Unido, mas... – ele suspirou novamente, depois massageou as têmporas com as mãos – Foi por isto que eu sumi. As Werstystone de diferentes países tem concorrência por seus próprios escritores. A base de lá já soltou o ultimato de que se eu não voltar a uma semana eu irei ser demitido.

–Porém há um acordo de transfusão entre as duas editoras – Annabeth continuou. Séria – Você pode sair de uma base para outra com o pedido de transferência antecipado, mas se não...

–Você está demitido da empresa em qualquer lugar do mundo – completou Percy. Agora com os braços cruzados e mais sério do que nunca. Annabeth fechou os olhos – Se eu não voltar eu posso me considerar um ex- escritor da melhor editora do mundo.

Annabeth afundou a cabeça na água. Odiava muito tudo aquilo.



Notas finais
Gente, um aviso. A fic está chegando a reta final, digamos assim. Vocês devem ter percebido que do capítulo passado para este algumas coisas foram deixadas de lado. ;) E bem, esta reta final está aí para explicar.
Espero que os fantasminhas apareçam ao decorrer destes capítulos.
Beijos e até o próximo! =)