Nossa História De Amor.
29 The Business, baby.
Notas iniciais
Eu gostei do nome do meu capítulo. kkk Raramente eu gosto.
Para quem estava esperando o capítulo Jogos Vorazes, aí está.
Boa leitura!
Sábado, 07 de Janeiro de 1990.
Annabeth sentia que seu coração iria sair por sua boca. Em qualquer momento ela reviraria os olhos e desmaiaria ali, no backstage do programa. Suas mãos suavam e não importava o quanto ela as limpasse em sua saia de pregas, ela sempre estariam suadas. Além disto, suas pernas tremiam e estavam tão bambas que ela se perguntava se conseguiria dar passos até o palco.
Ouviu palmas e risadas da plateia, olhou para trás, ansiosa, pessoas passavam para lá e para cá, atarefados. Isto a fazia se sentir ainda mais nervosa. Virou-se novamente, olhando para Lilly que parecia ótima e muito a vontade.
–Um minuto para entrar – um programador disse ao seu ouvido, quando ela tentou ver quem era ele já havia desaparecido pela multidão de trabalhadores.
Annabeth nunca fora muito boa com aparições em público. Quase nunca conseguiu ler numa bienal o texto sobre seu próprio livro. Aparecer para 300 pessoas de uma plateia e milhões de americanos? Parecia uma boa ideia um mês atrás, quando ela não estava no palco em si.
–Agora eu quero falar sobre uma linda amiga minha – Lilly pôs as mãos na mesa, seus vários papéis se bagunçando um pouco. Ao seu lado havia um enorme sofá onde os entrevistados se sentavam e bebiam café, na maioria das vezes. Annabeth sentiu seu coração sair pela boca de vez, batendo tão forte que rasgaria sua pele – Ela é uma das escritoras mais renomadas da atualidade, foi eleita pela Forbes a 19°escritora mais bem sucedida dos anos 80. Ganhou prémios literários mais de nove vezes como melhor escritora melodramática e agora tem o seu mais novo livro em parceria com Percy Jackson. Chamo ao palco, minha bela amiga e maravilhosa escritora, Annabeth Chase.
Palmas ecoaram por todo o palco, Annabeth não sabia mais o que estava fazendo, tinha a sensação de andar sem o comando de estar andando, e seu coração palpitava de forma esquisita, como se fosse morrer a qualquer momento. Apertou a mão de Lilly e acenou para a plateia com um sorriso, assim como havia treinado com Phill. Este que estava na primeira linha da plateia e sorria como um condenado, como se algo muito divertido estivesse por vir.
–Bem, querida Annie, como vai você? – Annabeth sorriu de lado.
–Eu vou ótima. E você?
–Muito bem. Senão provavelmente não estaria aqui e sim em casa nesse frio horrendo! – todos riram. Annabeth não achou graça então só sorriu de lado, viu a sua frente Phill negar com a cabeça. “Seja uma falsa sociável” falava ele. Não estava dando muito certo – Tudo bem, agora sobre o seu mais novo lançamento. O que você me fala sobre “Heart-Mind”.
–Uau, você foi direta – Annabeth disse, fazendo todos rirem – Bem, este livro é diferente de tudo que eu já escrevi, o meu foco sempre foi o dramático e este livro tem muito disto, mas é numa pitada diferente. É um drama cômico, em que os personagens brincam com a própria desgraça. E é uma narrativa totalmente diferente do que eu já li sobre esquizofrenia. É bonito, mas provavelmente te jogará um balde de água fria – ela sorriu de lado, olhando para o vazio – Algo sobre dois amigos que sempre se amaram se reencontrarem num manicômio. É tão esquisito, cômico, mas ao mesmo tempo tão bonito.
–Legal – Lilly havia acabado com o tom de voz forçado e agora falava como a jornalista Lara Evans – E o que te chamou atenção no livro? O que você, como autora, Annabeth Chase, mais gostou no seu livro?
–Tem dois dias que ele foi lançado então acredito que já tenham pessoas tendo sua própria opinião sobre o livro, mas quando eu o escrevi, e depois o reli... Provavelmente o que mais me chamou atenção foi o fato deste romance não ser sobre uma pessoa completando a outra, porque eles não sabiam quem eram. Eles não racionalizavam mais e estavam entre a fina tênue entre a realidade e fantasia, o que eu mais gostei foi o fato de ser um romance em que os dois personagens principais tentavam se ajudar a procurar a si próprios. Eles não se completavam, e sim se ajudavam a si completar, porque a mente deles estava incompletas para si mesmos, mas não para o outro. Eu não sei se vocês entenderam...
–Poxa, eu quero acabar de ler este livro agora mesmo! – gritou Lilly, rindo, todos riram junto com ela e Annabeth deu um riso envergonhado, passando a mão nervosamente pela sua saia. – Annabeth, você está nervosa?
–Um pouquinho – admitiu ela fazendo todos rirem ainda mais. Lilly riu também.
–Nós temos um barman, você aceita uma xícara de café?
–Na realidade eu queria uísque, se vocês tiverem – ela disse e todos gargalharam. Na primeira fila Phill deu um sinal de positivo.
–Então tragam um uísque para ela, pessoal! – em poucos segundos tinha um copo quadrado com um liquido amarronzado na mão de Annabeth, o que a fez rir um pouco e beber um gole. Lilly olhou para a plateia – Agora eu quero que deem o microfone ao editor-chefe da Werstystone, o famoso Phill Lenson que promoveu mais um ótimo livro!
Annabeth arregalou os olhos. Não sabia que Phill iria falar, e como iria falar...
–Boa noite – ele disse – Antes de tudo eu queria dizer que Annabeth é uma garota modesta e não falou até agora que o livro já está com quase 1 milhão de vendas pelo mundo, e isto em dois dias de lançamento! Já está no Top 50 da Werstystone e acreditamos vender mais dez vezes o que já vendeu.
–Uau! 10 milhões de cópias? – Lilly parecia impressionada, todos bateram palmas. As bochechas de Annabeth estavam vermelhas. Lara pigarreou, fazendo todos se calarem – Agora uma pergunta diretamente para o editor. Todos sabem que você fez Annabeth e Percy ficarem confinados numa casa no Havaí para escrever o livro. Porque você acreditava tanto neles desde o começo?
Annabeth se ajeitou. Esta era uma pergunta que sempre quis fazer. Phill riu sem vocação.
–Quando nós propomos uma dupla entre os dois, sabíamos que um completava o outro, sempre foi assim. Eu acreditava neles porque tinha um sentimento entre os dois muito complexo que eu tenho certeza que seria passado para o livro.
Todos fizeram um “oooo”, Lilly parecia surpresa. Até mesmo Annabeth parecia surpresa. Ele havia praticamente admitido que Annabeth e Percy tinham um caso. Mesmo não tendo mais nenhum.
Annabeth olhava para as diferentes pessoas nas poltronas vermelhas na plateia, agora sentia tudo em seu redor. O teto alto cheio de fios, as cinco câmeras a sua frente, o sofá de couro aconchegante. Tinha quase dois meses que não via Percy e estava certa que conseguiria esquecê-lo. Era como um tapa em seu rosto menciona-lo deste jeito.
–Uau. Então estamos falando de um casal amoroso que escreveu seu próprio romance? – perguntou Lilly, Annabeth abriu a boca, pronta para intervir – Bem, que tal chamarmos o outro escritor de Heart-Mind para falar sobre isto?
Annabeth abriu a boca num “O”. Do mesmo lugar que ela havia entrado, aparecera o moreno dos olhos verdes que mais a assustava em sua vida, porém ele estava estonteantemente bonito.
Seu cabelo estava num topete desajeitado e ele usava seus típicos sapatos sociais. Tinha um jeans escuro e uma blusa de lã azul marinha com uma gravata preta e fina por baixo, e por baixo disto tudo uma blusa branca. Annabeth sentiu seu coração gelar, ele estava extremamente bonito.
–Uau, Percy Jackson – Lilly parecia surpresa. Até porque a última vez que havia o visto era na faculdade e naquela época ele não costumava ser metade do homem que era naquele momento – Prazer revê-los. Pessoal, são todos amigos de faculdade!
Todos riram. Inclusive Percy, que gargalhou, era aquilo que Phill queria e que Annabeth não conseguia dar. Ele se sentou ao lado de Annabeth, com as pernas cruzadas, mas de um jeito másculo, seu braço estava apoiado no assento.
–Olá pessoal – ele disse com sua típica voz rouca. Todos deram “oi” e Annabeth sentia falta de ar como se tivesse asma. Lilly sorriu.
–Estamos falando então de um casal amoroso que escreveu seu próprio romance? Antes de me responder isto, quero te fazer outra pergunta, a mesma que fiz para Annabeth. O que te chamou atenção no livro? Como autor, o que você mais gostou?
Percy riu.
–Bem, a resposta da Annabeth foi muito boa, provavelmente é bem melhor do que a minha será, então já se sintam decepcionados – todos riram. Annabeth queria rir, mas estava muito pra baixo em saber que só até ali Percy já tinha sido muito melhor que ela na entrevista – O que mais me chamou a atenção foi, provavelmente, o casal em si. A personalidade do casal. Eles não são perfeitos, não se encaixam como um quebra cabeça. Na realidade eles são provavelmente aquelas peças que tem a mesma função e que nunca vão se encaixar.
Annabeth sorriu, ela sentia uma alusão à personalidade dos personagens e havia gostado disto, muito.
–É um complemento do que a Annabeth falou, eles não se completam, eles se ajudam a se completar, e eles se ajudam porque são totalmente opostos e isto faz eles verem as qualidades e defeitos um do outro. É como um vidro rachado, ele mostra defeitos que você não veria num vidro perfeito – Percy sorriu – O que eu mais gostei no livro foi que o casal não é exatamente um casal, e sim ele e ela tentando ficar juntos ao mesmo tempo em que tentavam recuperar a identidade.
Lilly sorriu. Annabeth parecia mais cabisbaixa, até o comentário dele havia sido melhor. Com menos gagueiras e repetições e mais resposta de verdade.
–Eu sou uma pessoa direta e vou fazer a pergunta que todo o mundo quer saber – ela pigarreou – Vocês dois, são exatamente o que?
Annabeth olhou para Phill, ele apontava freneticamente para Percy como se fosse para ela o deixar falar, ela revirou os olhos, até parece que Percy iria defender uma tese dessas...
–Nós somos namorados – Annabeth engasgou o seu uísque, olhando com os olhos arregalados para Percy, que sorria daquele jeito sedutor. Todos fizeram aquele típico “uhhh” e até Lilly parecia surpresa – Talvez um pouco mais que isto.
A apresentadora riu. Como se fosse o melhor furo de entrevista da sua vida. Provavelmente era. Annabeth viu Percy pegar em sua mão e todos fazendo um “awwnnn” generalizado. Seu coração batia mais rápido que o normal. Era tudo que faltava.
–Então eu desejo felicidades para o casal- Percy deu um beijo na bochecha da loira, fazendo todos novamente soltarem o típico “awnnn”. Lilly sorriu apaixonada e se virou para a câmera – Agora nós vamos para os comerciais. Mas não se esqueça de comprar o seu exemplar de Heart-Minds e prestigiar este lindo casalzinho aqui.
Annabeth ouviu um estrondoso “corta”. E Lilly foi para seu camarim direto. Foi aí que ela sentiu suas bochechas queimarem de raiva. O que havia acontecido ali? Ela se levantou e foi em passos pesados até o seu camarim. Sentia que havia pessoas a seguindo, mas não ligava.
Olhou para o espelho esperando sua respiração voltar ao normal, Phill chegou com os braços abertos e um sorriso de lado. Percy atrás dele, com as mãos nos bolsos e um sorriso culpado.
–Vocês são uns filhos da puta! — gritou a loira com raiva, empurrando Phill com força e fazendo-o dar dois passos para trás – Você não está nem aí para mim! Nunca esteve! Que bosta de boato é este?
–Não é mais um boato, sendo que vocês dois comprovaram – ele parecia feliz, como se tivesse ganhado na loteria. A verdade é que ganharia muito mais dinheiro do que alguém que ganha na loteria.
–Você acha isto bonito? Isto detona com toda a minha vida pessoal! E vocês planejam isto sem mim? Como um complô? Oi? – ela urrou de raiva – Eu me demito! Quero a minha demissão amanhã. Chega disto!
Phill a segurou pelo braço, agora com raiva.
–Eu não me importo se você sair da Werstystone. Você assinou um contrato de divulgação mundial e irá fazê-lo, ou então me pagará cinco milhões de dólares. Você é rica, mas duvido que tenha dinheiro para isto tudo.
Ela engoliu em seco, Percy tirou a mão de Phill do braço de Annabeth, agora mostrando um pouco de personalidade.
–Deixa de ser dramática. É só uma fachada, você não vai virar açúcar por fingir estar comigo, vai? – perguntou o moreno e Annabeth teve vontade de dar um tapa na sua cara. Fechou os olhos.
–O que aconteceu com meu melhor amigo que não ligava para ibope? – ela pegou sua bolsa e respirou fundo – Vão se fuder, eu odeio todos vocês.
Depois saiu em passos pesados para longe dali. Não conseguia imaginar como seria rodar o mundo com aqueles dois, provavelmente uma insanidade.
Notas finais
Enfim, deixem seus reviews e tudo mais! Esta provavelmente é a fic que eu mais tenho fantasminhas e isto é chato. '-'-'
Beijos e até o próximo!
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