Nossa História De Amor.
30 Sentimentos Controversos.
Notas iniciais
Como vão vocês?
Eu vou ótima!
Olha, isto é só uma previa do próximo capítulo que... Bem, eu conto nas notas finais.
Boa leitura!
Segunda Feira, 09 de Janeiro de 1990.
Annabeth respirava fundo enquanto se olhava no espelho, sua maquiagem leve contrastava com sua típica saia de pregas e a blusa social branca, o salto cor de creme batia no chão de mármore sem parar.
Ela sentia que tudo ao seu redor começava a gelar, como se nada mais importasse e tudo que havia vivido era simplesmente nada comparado ao que estaria por vir. Seu coração batia tão forte que ela ouvia seus próprios batimentos cardíacos. Como era possível ela se sentir assim com alguém? De uma forma tão ruim e boa ao mesmo tempo, como se fosse morrer ou chegar ao paraíso por causa dele?
Em nenhum momento da sua vida ela chegou a esconder sentimentos, sempre fora uma pessoa franca. Mas desde os seus 11 anos de idade ela era acostumada a esconder algo num cantinho reservado do seu coração sobre Percy Jackson. Cantinho este que estava vazio há algum tempo, e que agora ela estava começando a voltar a preencher. O que era realmente uma loucura, contando com o fato que dali a poucos meses estaria fazendo seus trinta anos e não tinha mais tempo nem vontade de continuar o jogo gato e rato com Perseu.
Porém, todos aqueles pensamentos, e ideais milimetricamente planejados sobre como ela deveria agir e pensar foram por água a baixo quando viu Percy entrando mais uma vez naquela editora, com uma pasta provavelmente com os papeis sobre a divulgação mundial, um sorriso no rosto que matava qualquer mulher de paixão.
Annabeth saiu pela porta oposta em que Perseu estava, deixando o resto do seu xingamento para Phill para depois e deixando claro que não estava com cabeça para enfrentar os dois juntos novamente. Não depois do que acontecera dois dias atrás, naquele estupido programa com o maior ibope do ano e que, graças a ele, Annabeth não conseguia andar mais pelas ruas sem ser chamada por alguém que a parabenizava pelo livro... E pelo namoro.
Soltou os cabelos novamente e secou as mãos, respirou fundo uma ou duas vezes, mas logo depois deu meia volta. O desgaste emocional causado por aquele programa foi muito grande e seu psicológico estava abalado. Nem um domingo deitada na cama, olhando para o teto enquanto tomava sorvete a fez raciocinar melhor.
Ela bufou enquanto chutava com cautela o lixo, batendo levemente na porta de madeira com um murro e então a abrindo, ensaiando uma expressão respeitável e de superioridade, e foi assim que entrou novamente no escritório de Phill.
Este que conversava animadamente com Perseu, os dois rindo enquanto gesticulavam. Porém pararam com a conversa quando Annabeth cruzou a porta, sua expressão era amedrontadora.
-Não parem! Quero saber qual é a piada. Se não for eu novamente, claro – sua expressão também deixava claro que não estava a fim de rir. – Que pena, eu cortei o show de vocês? Agora acho que vocês sabem como me senti.
-Porque você não se senta, Annabeth? – perguntou Phill num tom de voz que deixava claro que não era uma opinião, e sim uma ordem. Annabeth continuou de pé – Ótimo, espero que ouça. Bem, como vocês dois bem sabem nossa primeira parada é Los Angeles. Nada como a Califórnia para sairmos dos Estados Unidos com chave de ouro. Hoje eu quero que vocês fiquem bem respeitáveis e amáveis e se amando para a bienal no Central Park, como vocês bem sabem os críticos mais chatos estarão lá e junto com eles aqueles idiotas dos jornais: Times, Planet. Enfim, vocês sabem como devem se comportar. Quem se sai bem em New York se sai bem em qualquer lugar. Outra coisa – ele parecia pensar, mesmo já tendo o plano em mente – Quero que vocês saiam, conversem, almocem juntos. Talvez você ouça alguém se este alguém for o Percy, Annabeth. A estratégia de marketing é que vocês dois são jovens escritores cheios de futuro e amor um para com o outro, e que demonstraram todo este sentimento em seu livro que é real e totalmente possível.
Ele respirou fundo.
-Entendidos?
-Sim – Percy foi o único que respondeu. Annabeth apenas deu meia volta e saiu batendo a porta atrás de si. Phill suspirou pegando o seu cigarro e oferecendo um para Percy, este que aceitou por ser um bom viciado em nicotina.
-Se não fosse Annabeth, provavelmente já estaria no olho da rua – Perseu riu com escárnio, tragando levemente o cigarro.
-Se não fosse Annabeth, provavelmente não estaria te tratando assim – ele se levantou. Indo embora e deixando um Phill pensativo em sua mesa de madeira polida. O moreno andava lentamente e com certo charme pela empresa, deixando claro que tinha poder para mandar todo mundo dali para o olho da rua.
Abriu a porta do escritório de Annabeth sem hesitação, mesmo sentindo muitos olhares desavisados sobre ele, como se dissessem “coitado”. O homem dos olhos verdes piscou uma ou duas vezes, deixando claro que não dava a mínima por ser um “coitado”. Uma de suas mãos estava em sua calça social e a outra arrumando sua gravata por cima da blusa branca de botões três quartos que realçava seus ombros largos.
-Você está pronta para ir? – ele perguntou com um tom que deixava claro não se importar se ela iria ou não.
-Não, eu não vou. Você pode só estar brincando se acha que vou entrar no joguinho seu e de Phill. Ir almoçar com você para tirarem fotos nossas? Pelo amor de Deus, eu sou uma escritora renomada, tenho uma ótima carreira que fez sucesso só pela qualidade dos meus livros. Eu não sou a Marilyn Monroe, não preciso fingir namorar alguém para ter o sucesso devido.
Ela se virou. Seus olhos faiscando de raiva.
-E me decepciona muito ver que você é este tipo de escritor. Que se vende tão fácil – ele riu. Sim. Percy riu alto. Como se ela estivesse falando a coisa mais engraçada da face da terra. Tragou mais um pouco de seu cigarro e foi para o seu lado na mesa, dando o braço para que pudessem andar juntos como um casal de época. Annabeth bufou e se levantou de sua mesa, dando o braço para ele.
Pelas ruas de Nova York vários táxis amarelos passavam para lá e para cá, enquanto uma das mãos de Percy ocupava-se em mexer no bolso, a outra em não suar e parecer um idiota na frente de Annabeth.
Os dois não almoçariam realmente, eram escritores, morreriam anêmicos ou de overdose. Pararam num Starbucks e sentaram-se à mesa de madeira de fora, tomando seus cafés com chocolate e chantilly. Os dois se entreolhavam sem falar nem fazer nada, apenas tomando um ou outro gole de café.
-Tudo bem, eu não acredito que você é burra o bastante, meu bem, mas é óbvio que eu não aceitei esta divulgação mundial por causa do dinheiro, ou do sucesso – Annabeth revirou os olhos, cruzando os braços encima do peito.
-Então o que é? Você gosta de me fazer sofrer, é isto? — foi a vez dele revirar os olhos, tomando outro gole de seu café.
-Sim, você é burra o bastante... Olha, você não acha que eu deixaria você sair de Londres daquela maneira que saiu, deixando meu coração batendo forte e meu braço arrepiado e simplesmente voltarmos a sermos amigos? Você realmente não achava que eu iria ficar acomodado quanto a nossa relação?
-Não, mas eu achei que talvez você estivesse cansando, não tem nada do que se pode fazer. Você é de Londres, eu sou daqui. E outra, não tem nada que eu queira fazer. Você mentiu para mim, mentiu feio, eu não gostei.
Os dois sentiam o vento frio de Janeiro bater-lhes o rosto, mas ignoraram, até porque tinham pessoas batendo foto deles ali e acolá e entre eles tinha um assunto pendente que merecia atenção.
-Claro que menti feio, você nunca aceitaria algo como isto! Jesus, você é tão certinha, tão dentro dos eixos, nunca sai do lugar. Nunca aproveita nada. Annabeth, o livro vai ficar no ápice, e não é tão ruim assim você fingir ser minha namorada. Já fizemos isto uma vez de verdade, lembra?
-Oi? – ela praticamente gritou – Você não sentiu nada? Percy, eu... – ela pôs as mãos na testa. Percy olhou para o lado, sentia que sua pose de durão que tanto havia ensaiado ia se desfalecendo a cada momento a mais com a loira.
-Você não pode parar de ser tão dramática? — ele perguntou, sentindo sua língua arder por falar uma coisa tão dura. Annabeth olhou para ele com os olhos cinza.
-Qual o seu problema? – ela praticamente gritou de novo – Porque você está sendo tão mal?
Perseu suspirou, enquanto sentia seu coração amolecer gradativamente, olhou mais uma vez para o lado, alguns carros passavam pela aquela rua um tanto periférica. Ele bateu os dedos na mesa de madeira. Não queria e havia prometido a si mesmo não contar os reais motivos de concordar com toda aquela falcatrua.
-Porque você não respondeu as minhas cartas? – ele perguntou vagarosamente – Você pelo menos as leu?
Annabeth fez um bico enquanto cruzava os braços, seus grandes cabelos loiros voando para um lado.
-Eu queimei e não as li. Você simplesmente quer me matar, Percy, eu estou tentando superar tudo isto. Talvez você tenha um coração de pedra e já tenha aceitado tudo, mas para mim é diferente. Totalmente diferente – ela suspirou – Só não faça as coisas ficarem mais difíceis do que já estão, por favor.
Percy revirou os olhos enquanto batia os dedos na mesa de madeira mais uma vez. Franziu o cenho quando viu um homem chegar atrás de Annabeth e tampar seus olhos com as mãos.
-Quem é? – ele perguntou brincalhão, piscando para Percy que fez a pior careta do mundo. Annabeth gargalhou.
-Oh Deus... Só pode ser a Damian – ela riu quando ele tirou as mãos de seu rosto e beijou sua bochecha, deixando claro que eles provavelmente tinham algo a mais. Os dois se entreolharam e riram. Perseu olhou sem graça para o ruivo a sua frente que tinha os olhos tão verdes quanto os dele. Annabeth pigarreou ao ver a cena em que se encontrava – Percy, este é o Damian. Um amigo de longa data que eu havia perdido contato, mas nos encontramos algumas semanas atrás.
-E você é Perseu Jackson. Eu não preciso de apresentações – ele sorriu simpático para o moreno que apertou sua mão sem o mínimo de simpatia. – Eu queria muito ficar mais e conversar, mas tenho que trabalhar. Você sabe, vida de empresário é difícil.
Percy quase engasgou. Empresário? Ele não parecia ter nem 30 anos direito e já era dono de uma empresa? Que ótimo partido sanguinário era aquele? Os dois se beijaram e Annabeth deu tchau para ele com um largo sorriso. Percy revirou os olhos e pegou seu café, andando lentamente pelo lado contrário. Annabeth correu para ficar ao seu lado.
-Que foi? Nós não terminamos de conversar! – exclamou ela ainda correndo para acompanhá-lo. Perseu parou bruscamente.
-Ah sim, você estava me contando como estava tão mal e como era difícil superar nosso relacionamento. E aí apareceu o garoto que fez você rir e rir e mostrar o quanto está difícil para você ser solteira – ele soltou mais ríspido que o normal. Depois voltou a sair andando em passos largos pela avenida.
Annabeth riu enquanto bebericava seu café, pelo jeito ela não era a única com alguns sentimentos controversos por ali.
Notas finais
Espero que comentem! Sem fantasminhas, ok?
Beijos!
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