Nossa História De Amor.
31 Guerra é Guerra.
Notas iniciais
Um aviso: Reparem que eu voltei no tempo na primeira parte, só para vocês entenderem o que está acontecendo com nosso frio e querido Perseu.
Boa leitura!
Sábado, 25 de Novembro de 1989.
Perseu definitivamente tinha a pior sorte do mundo.
Em alguns momentos da sua vida, já era possível presenciar sua má sorte pelos acontecimentos unificados e cômicos que só poderiam acontecer com ele. Mas aquilo que presenciava naquele momento... Estar sentado na varanda do seu apartamento, com apenas um lençol o cobrindo, fumando e sentindo a chuva faiscar em seu rosto...
Bem, aquilo não era nada cômico.
A última coisa que pensou em viver algum dia foi sofrer de amor. Não havia sofrimento mais horroroso do que o do amor. Ele nunca havia vivido aquilo na sua vida e não queria viver nunca mais.
Aquele aperto no coração, a vontade de tê-la sempre junto e abraça-la, aqueles olhos cinza... Uau. Era tudo forte demais, e expresso demais depois daquela noite de quatro dias atrás. Mas um dia isto teria que acontecer, ele iria se apaixonar de verdade, amar de verdade.
Infelizmente isto aconteceu justo com Annabeth Chase.
Annabeth, a garota mais dramática do universo, a garota que sempre conseguiu rebaixa-lo no quesito estudo, responsabilidade e tudo quanto há. Annabeth, sua melhor amiga e a mulher mais encantadora que ele já teve a honra de namorar.
Percy não sabia se era pura sorte ou um tremendo revés ele ser apaixonado justo por sua melhor amiga. Que vive do outro lado do oceano.
O mais impressionante era o quanto aquela merda de cidade não parava de chover. Londres era o lugar mais perfeito para entrar numa depressão profunda, Percy estava começando a odiá-la.
Jogou seu cigarro encima de sua mesinha e soprou a fumaça bem lentamente, tentando achar dentro dela a questão X para melhorar tudo na sua vida. Quando a fumaça ia saindo de seus pulmões, ele teve a tristeza de perceber que não havia resposta ali.
Saiu do seu apartamento com um sobretudo pesado em que pingava as gotas do fim de chuva. Andou lentamente até a Werstystone e quando chegou ao seu escritório (igual ao de Annabeth em Nova York, só que do outro lado do mundo). Bem, ele afundou o cérebro em mais e mais traduções, papeis e escreveu tantas crônicas de amor que a máquina de escrever começava a ficar mais dura.
Não soube em que momento Leslie havia entrado em sua sala e sentado em frente à cadeira, poderia ter horas, minutos ou segundos. Ele não sabia. E não se importava. Olhou para frente com os olhos semicerrados e arqueou a sobrancelha.
-Você está há muito tempo aí? — Leslie riu.
-Só alguns minutos. Só um empregado muito diferencial para não perceber a presença da sua própria chefa – ela riu. Percy acabou dando um sorriso de lado e jogou seu lápis na mesa, encostando as costas na grande cadeira reclinável – Eu não estou aqui para te elogiar e você sabe que não.
-O que não são anos de convivência?
-Enfim, eu estou aqui para te dar a melhor proposta de todos os tempos – ela sorriu de lado enquanto inclinava o corpo para frente – O acordo da sua vida, provavelmente.
Percy sorriu enquanto rodava em sua cadeira.
-Estou a todo ouvidos.
-Bem, o merda do Phill Lenson me deu uma “gorjeta” irrecusável para te propor isto, então digamos que não é bem uma proposta minha. Ele está louco com este livro seu e da Chase lá, e levou a sério a divulgação mundial e quer você com ele e a loirinha do drama...
-Annabeth.
-Que seja. Enfim, ele me deu dinheiro, muito dinheiro, e eu aceitei propor isto para você. O que acontece é o seguinte: Caso você concorde em fingir ter um caso com a Chase e fazer a divulgação mundial... – ela suspirou, não parecia querer fazer algo do tipo – Bem, então eu rasgarei seu contrato com Londres e você poderá se transferir para a cidade que bem entender.
Percy arregalou os olhos, engasgando.
-Você está me propondo uma quebra de contrato?
-Claro. Entretanto, nestas condições ditas anteriormente – ela suspirou – Não era nada que eu queria, mas fui comprada pelo editor chefe.
Percy sorriu de lado, animado. Batucou os dedos na mesa de madeira.
-Você sabe que está salvando minha vida, não é? – perguntou ele sorridente. Leslie suspirou e apontou para ele violentamente.
-Ah, isto me lembra do mais importante. Você é ainda um escritor do Reino Unido. Enquanto eu não ter jogado seu contrato no lixo você não tem o direito de se intitular já um escritor americano novamente. E eu quero você bem longe da Chase, o mais longe que conseguir sendo namorado dela. Quero que pensem que tem algo de errado neste namoro seus. Entendeu?
-Espera. Distante?
-Frio, indiferente. Isto seria muito bom para a não popularização da Werstystone norte-americana e você sabe que somos concorrentes diretos dentro da empresa – Percy suspirou. Porque tudo tinha que ter um final ruim? Ele poderia voltar para Nova York, mas não poderia demonstrar sua felicidade enquanto a divulgação mundial não acabasse.
Mesmo assim, sorriu feliz.
-Você sabe que eu te amo, não sabe? – perguntou ele para Leslie, inclinando seu corpo para frente. A morena sorriu.
-Sim, eu sei. Agora vá embora da minha frente que eu quero uma crônica agora – Percy franziu a sobrancelha.
-Você que está no meu escritório.
-Ah, é – ela se levantou enquanto ria e deu um “tchauzinho”. Provavelmente pensando no dinheiro em seu bolso a partir dali. Percy encostou seu corpo contra a poltrona, feliz. Talvez não fosse tão azarado assim.
Segunda Feira, 09 de Janeiro de 1990.
Perseu definitivamente era a pessoa mais azarada do mundo.
Por algum motivo, nada em sua vida dava certo. Nenhum plano, nenhuma teoria. Tudo era levado por água abaixo quando colocado em prática. Agora, provavelmente, Annabeth estava rindo em sua cadeira fora do Starbucks enquanto Percy ficava ali, bufando de raiva e ciúmes daquele ruivo magricela.
Enquanto sentia a brisa fria do fim do inverno, matutava por até quanto tempo conseguiria ficar com sua pose de frio e calculista. Era algo essencial para continuar vivo naquela quebra de contrato. Melhor do que dinheiro, para Leslie, é o orgulho. E o dela qualquer coisa pode ferir.
Mal percebeu que havia entrado no escritório de Annabeth. Na realidade, não havia percebido nem que havia entrado no prédio da Werstystone, mas ficou com mais raiva que o normal quando viu Annabeth já sentada e trabalhando, um mínimo sorriso no rosto.
-Tem uma coisa que se chama táxi, sabia? Faz bem para a prática sedentária – Percy olhou envolta. Aquele escritório continuava o mesmo de dois meses atrás. A mesa de madeira com papeis esparramados, a escrivaninha de fundo com bons rascunhos de Annabeth. O armário de arquivos ao lado e alguns quadros por todas as paredes.
Ele se sentou em frente à escrivaninha.
-Andar faz bem, principalmente para aqueles que têm facilidade em perder peso – ele sorriu maléfico enquanto Annabeth o olhava matadoramente. Chamar uma mulher de gorda nunca fora seu forte, mas seu instinto adolescente havia chegado ao ápice ao vê-la com aquele ruivo magrelo. Que agora era o codinome do garoto que Percy nem se lembrava mais o nome.
Annabeth voltou com o olhar para seus papeis enquanto Percy pegava seus óculos dentro da blusa, colocou-os e deu uma pequena lida nos novos rascunhos da Chase. Sorriu ao ver alguns poemas. Algo como sensual-moreno – desinibido. Estava tão afoito que não conseguia pegar as rimas. Não percebeu e pulou de susto ao ver Annabeth gritando em seu ouvido e pegando os papeis de sua mão.
-Você não pode ler isto!
-São bons – ele riu – Muito bons. E sobre alguém em especial, vejo — ele sorriu para ela que tinha o olhar ainda matador.
-Não são para você.
-Eu não disse que eram para mim – rebateu ele – E sim para alguém em especial. Foi você que acabou pensando em mim.
Annabeth engoliu em seco, seu coração bateu mais forte quando Percy se levantou de uma só vez, seu corpo ficando perto demais da loira. Seus óculos caindo levemente e dando um ar rebelde. Annabeth queria beija-lo naquele exato momento, mas se conteve. Mal percebeu que aquela troca de olhar havia durado poucos segundos.
-Então eu sou sensual? – perguntou retoricamente o moreno com sua típica voz grave. Annabeth arregalou os olhos. Era justo aquele poema que ele pegou? Não tinha como ela ter mais sorte? – Você gosta da minha boca e dos meus olhos “verde-mar”?
Ele estava tão extremamente perto que fazia as bochechas da loira corarem.
-Eu te excito desde os seus 15? – perguntou ele divertido em seu ouvido. Annabeth revirou os olhos e percebeu que ele estava brincando com tudo aquilo, divertindo-se pra valer. Empurrou-o para de volta com força.
-Você é um estupido! – vociferou ela enraivecida. Ouviu-o gargalhando enquanto se virava, então deu meia volta novamente – E oh — ela imitou um gemido, fazendo-o ficar sério – Você molha minha calcinha desde muito antes disto.
Ela sorriu de lado ao ver a expressão séria de Percy. Provavelmente não esperava uma resposta de tão baixo calão, mas ele queria uma guerra, e ela adorava uma briga.
Notas finais
Deixem seus reviews! Faz bem para o ego da escritora!
Beijos e até o próximo!
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