Nossa Família

2 Capítulo Um — Peça


Notas iniciais
Tem um salto de tempo de mais de dez anos entre o prólogo e esse primeiro capítulo. O prólogo era mais para apresentar o casal, mostrar eles se conhecendo e tudo mais, agora a história começa pra valer como sugere na sinopse. Espero que gostem, boa leitura ♥

— Capítulo Um —

— Peça —

Isabella Cullen

Quando disseram:

Isabella, parabéns, você será mãe de uma menina!

Eu pensei:

Ótimo, ela será comportada, diferente dos garotos.

O que eu não pensei era:

Hey, ela é filha de Edward, claro que não será comportada coisa alguma se puxar ao pai.

Entrei no colégio no começo daquela tarde de fevereiro, pronta para usar minha melhor lábia em cima da diretora da escola para defender minha criança. Okay, minha criança que provavelmente tinha feito alguma besteira, como quando sem querer contou para sua turma que Papai Noel não existia, que era uma invenção capitalista para gerar lucro.

Sim, ela usou o termo capitalista. Eu fiquei orgulhosa, claro, ela pelo menos era inteligente. Mas, Edward e eu tivemos uma bela dor de cabeça contornando os pais enfurecidos, já que as crianças deles estavam tendo crises existenciais por conta da verdade revelada.

Enquanto caminhava em direção à diretoria, peguei meu celular, mandando uma mensagem de alerta para Edward.

Bella: Eu não sei o que sua filha fez dessa vez, você tem alguma ideia?

Edward: Por que quando ela apronta algo é apenas minha filha? -_-

Bufei, o maldito sabia a resposta.

Bella: Quem tinha o currículo escolar impecável? Isabella. Quem ia para a diretoria pelo menos uma vez por mês? Edward.

Edward: Não era uma vez por mês, mamãe é apenas exagerada quanto a isso.

Bella: Você foi pego transando no estacionamento da escola, Edward!

Edward: Você também transou no estacionamento da escola, não banque a puritana.

Bella: Mas eu não fui pega.

Entrei na sala de recepção da diretoria, a secretária me lançando um sorriso gentil.

Bella: Estou indo enfrentar o demônio que é a senhora Hanson, me deseje sorte.

Edward: Boa sorte, querida. Amo você!

Bella: Te amo!

Aproximei-me da mesa da secretária, tentando não transparecer nenhum sentimento além de confiança. Renesmee estaria bem encrencada se ela tivesse em apuros, eu mesma aplicaria o castigo, já que Edward sempre se rendia ao doce olhar dela e fraquejava.

— Olá, sou Isabella Cullen, fui chamada aqui para uma reunião de emergência com a senhora Hanson.

— Claro, ela está lhe esperando. — A secretária se levantou, arrumando seu uniforme. — Deseja algo para beber, senhora Cullen?

— Não, muito obrigada — agradeci. Eu não achava que seria socialmente aceitável pedir algo com álcool no meio da tarde, principalmente em uma escola.

A secretária me conduziu até a sala da senhora Hanson, bateu na porta e a mulher autorizou nossa entrada. Eu sempre me assustava quando ia naquela sala, mesmo que não fosse por falta de visitas. Bem, em cima a cadeira da diretora ficava uma cabeça empalhada de Javali. Era assustador, Edward dizia que era até semelhante a senhora Hanson, que já era diretora ali quando ele estudou lá vinte anos atrás.

Qual era a idade daquela mulher?

Meus olhos se desviaram do Javali, parando em Renesmee sentadinha em uma das cadeiras diante a mesa da diretora. Ela parecia fisicamente inteira, o que me acalmou um pouco.

— Olá senhora Cullen! — A senhora Hanson levantou, apertando minha mão.

— Olá, gostaria de dizer que é um prazer vê-la, mas... — Gesticulei para Renesmee, que abriu um grande sorriso para mim.

Oh Deus, eu tinha feito uma filha tão bonita. Edward e eu éramos fodas mesmo.

Ela era parecida com nós dois, uma mistura perfeita, minhas feições, com os olhos e cabelos herdados do pai.

— Sente-se, por favor — a senhora Hason pediu.

— Oi mamãe — Ness cantarolou, afagando meu braço.

Apenas lancei um olhar sério a ela, eu não era Edward que me rendia facilmente com as palavras doces dela. Okay, só um pouco, estava trabalhando nisso. Ela já tinha dez anos, eu queria estar pronta quando ela se tornasse uma adolescente mil vezes pior de lidar do que uma criança.

— O que ela fez dessa vez? — perguntei a senhora Hanson.

— Senhorita Cullen, por que não espera sua mãe lá fora? — ela perguntou a minha filha, que prontamente saiu. — Renesmee causou um pequeno conflito na aula de teatro.

Oh droga!

— Ela achou que era um desperdício de seu tempo encenar mais uma vez O Mágico de Oz — falou.

Isso era tão ruim? O Mágico de Oz era tão repetitivo, eles podiam ser mais criativos. Nós não pagávamos uma fortuna por ano para Renesmee ficar reprisando O Mágico de Oz. Ela já tinha atuado como Dorothy por dois anos seguidos.

— Okay, onde está o problema? — perguntei confusa. — Eu acho que isso não era um grande motivo para me tirar do trabalho.

Por Deus, era Sexta-Feira, o hotel estava uma loucura.

— Bom, no lugar de O Mágico de Oz, Renesmee sugeriu que a turma encenasse outra peça. — Senhora Hanson respirou fundo, parecendo muito descontente.

— Qual? Alice no País das Maravilhas?

— Não — Senhora Hanson negou. — Ela disse que queria encenar. — A mulher pegou uma folha sobre a mesa, lendo algo escrito ali. — Isso são palavras da própria Renesmee: Devemos encenar as peças que meus pais encenam, meu pai sempre diz que quando ele e mamãe estão trancados no quarto eu não posso interrompê-los, pois eles estão ensaiando uma peça. Deve ser por isso que escuto a mamãe gritar. Eu também ouvi papai falando para tio Jazz que mamãe sabe como brincar com algemas, eu posso brincar com algemas, senhorita Heffley?

Senti o sangue fluir para meu rosto, afundei um pouco na cadeira, envergonhada demais para sequer olhar para a senhora Hanson, ou até mesmo para o Javali em cima dela.

Eu mataria Edward, foda-se se ficaria viúva e Renesmee órfã, eu ia matar aquele homem. Ele era tão descuidado, nunca prestava atenção no que falava na frente dela.

— As outras crianças ficaram muito interessadas nessa peça, elas até pediram que você e o senhor Cullen viessem prepara-las para os papéis.

— Eu sinto muito, muito mesmo, senhora Hanson. — Olhei para a mulher, que me julgava por trás de seus óculos de grau.

— Talvez você e seu marido devessem ter aquela conversa com Renesmee. — Ela suspirou.

— Nós teremos — prometi, rolando meu celular em minhas mãos, pensando quanto tempo levaria batendo com ele em minha cabeça para esquecer aquele constrangimento.

Eu já podia imaginar as mães da turma de Renesmee me julgando na próxima festa, pelo menos minha filha sabia o que era capitalismo. Mas não sabia o que era sexo, o grande problema daquele dia.

Ela me ouvia gritar do quarto dela? Ela não devia me ouvir gritar!

— Faça isso, Renesmee está dispensada.

— Claro. — Me levantei prontamente, saindo da sala dela tão rápido quanto Ness mais cedo. — Vamos! — Peguei a mochila de Renesmee em uma mão, então a mão dela em outra.

— Eu não entendi qual foi o problema, mamãe — ela começou a falar, enquanto eu me despedia com um aceno da secretária da senhora Hanson, já nos levando em direção à saída da escola. — O Mágico de Oz é muito chato, você e papai sempre parecem muito felizes quando saem do quarto depois de encenar a peça de vocês.

— Vamos conversar sobre isso depois do jantar, filha — prometi, sorrindo educadamente para algumas mães que já apareciam para buscar seus filhos com o horário de saída próximo.

Devia ser a escola mais cara de Chicago, por que eles não tinham aula de educação sexual? Eu já sabia o que era sexo com dez anos, tudo bem que foi tudo culpa de Renée ser uma mulher barulhenta na cama, aparentemente como eu.

— Merda! — praguejei, tentando esquecer daquilo.

— Mamãe você falou uma palavra feia — Renesmee disse sabiamente. — Você deve um dólar para o pote de palavras feias.

— Eu colocarei um dólar lá quando chegarmos em casa, filha. — Meu celular tocou enquanto cruzávamos o extenso pátio do colégio, de piso de pedras que estava destruindo meus saltos.

— Oi Edward! — grunhi.

— Por que você está tão irritada? Não me diga que Renesmee desmitificou outra crença popular, ela não falou sobre Papai Noel de novo, né? — perguntou preocupado.

— Não, ela falou sobre nossa peça — sussurrei, ele riu, alto.

Babaca, meu babaca, mas ainda assim um babaca.

— Passe no hotel para me buscar, certo? Vamos resolver isso — sugeriu.

— Não precisaríamos resolver nada se você mantivesse sua língua dentro da boca.

— Sim, nossa peça consiste basicamente em minha língua fora da boca e você gosta disso, querida — provocou.

— Nós estamos indo, chegaremos ai em dez minutos se o trânsito ainda estiver fluindo.

— Até mais. — Desligamos.

Felix, nosso motorista, já esperava pela gente fora do carro, abrindo a porta do banco de trás da Mercedes. Era mais fácil ter um motorista do que ficar por ai dirigindo quando se precisava de todo tempo extra para resolver problemas de casa, escola ou trabalho.

— Olá senhorita Cullen, como foi sua aula? — ele perguntou a Renesmee.

— Eles insistem em O Mágico de Oz, Félix — ela respondeu chateada, entrando no carro.

— Passe no hotel para buscarmos Edward, okay?

— Tudo bem, senhora Cullen, algo a mais?

— Uma dose de uísque, mas acho que você não tem — brinquei, entrando no carro junto de Renesmee.

Ela logo se distraiu com o DVD do carro, assistindo Bob Esponja.

Repousei minha cabeça no encosto do banco, tentando organizar meus pensamentos.

Okay, Isabella Cullen, trinta anos. Gerente Geral do Cullen Hotel em Chicago, esposa de Edward, mãe de Renesmee. Eu poderia lidar com uma conversa sobre sexo com minha filha, eu podia fazer tudo.

Por favor, eu ingressei em Harvard mesmo não sendo rica como as pessoas de lá. Eu me formei mesmo depois ter um bebê no meio da faculdade, culpe isso algumas tequilas a mais e uma camisinha furada que não percebemos.

Abri os olhos, vendo Renesmee ao meu lado, afaguei os cabelos dela sorrindo. Tinha sido uma grande confusão quando engravidei, Edward e eu ainda estávamos bem longe de nos formarmos, tínhamos apenas dezenove anos e namorávamos a menos de seis meses.

Eu já conhecia a família dele, modestamente eles me amaram no momento que me conheceram. Mas, o resto da sociedade rica e elitista que ele pertencia, apenas pensava que eu era um caso da faculdade, quando engravidei fui tachada de aproveitadora.

Oh, você ouviu falar? Edward Cullen caiu no golpe da barriga, uma garota sem posses engravidou dele.

Como se eu tivesse feito um bebê sozinha, idiotas.

Perdi a conta de quantas pessoas Edward tinha discutido por conta disso, ele era terrivelmente briguento quando o tiravam do sério, fora que se tornou um pai babão por Renesmee no momento que soube dela, ninguém falava mal de sua princesinha. Ele na verdade descobriu que eu estava grávida até mesmo antes de mim.

Querida, me escute, ou você colocou silicone sem me contar, ou você está grávida.

Nós resolvemos tudo, claro que tivemos de contar com a grana de Edward para não fracassarmos, mas demos duro para conciliar a faculdade e o bebê. Casamos uma semana depois da nossa formatura, com uma Renesmee de sete meses junto da gente.

Agora, eu era a gerente geral da filial de Chicago — o que muita gente ainda dizia que só consegui por ser nora de Carlisle —, depois de anos trabalhando em pequenas áreas de administração do hotel. Edward trabalhava diretamente com o pai, como diretor financeiro do Grupo Cullen Hotels, ele nunca superou o fato de eu ser melhor do que ele em Cálculo, mas era bom à sua maneira.

Não muito depois, Félix estacionou o carro diante ao Hotel, senti uma enorme vontade de entrar ali e checar se estavam sabendo lidar com tudo na minha ausência, mas no momento que vi Edward caminhando em direção ao carro desisti dessa ideia. Seria muito mais bacana me aproveitar um pouco do meu marido, do que ir gritar com algumas pessoas incompetentes.

Além do mais, ele ficava tão bem de terno.

— Olá garotas! — Edward exclamou quando entrou no carro, um grande sorriso em seu rosto.

— Papai, eu não quero encenar O Mágico de Oz de novo, é chato! — Renesmee foi logo reclamando.

— Vamos conversar sobre isso melhor mais tarde, princesa. — Edward se curvou para beijar a bochecha dela, então se voltou para mim. — Oi querida, ainda está irritada comigo por mais cedo?

— Sim. — Afaguei seu rosto. — Nunca mais saia do quarto daquela forma.

Nós tínhamos quase feito sexo aquela manhã, eu estava louca de tesão, mas Edward precisou sair cedo demais de casa para uma vídeo conferência com o gerente do hotel em Londres. Maldito seja.

— Eu prometo não sair.

Então, ele me beijou e aquilo era tão, tão bom.

Edward e eu estávamos juntos por mais de dez anos, mas ainda era intenso e perfeito entre a gente. Mesmo com a gente se irritando, brigando e tudo mais, no fim sempre acabávamos nos acertando. Eu o amava demais, ele me amava na mesma proporção, era simples.

— Você falou com sua irmã hoje? — perguntei, apoiando meu rosto no ombro dele, inspirando seu perfume.

— Sim, ela está cuidando de toda a burocracia da mudança.

Ele me envolveu em seu braço, puxando-me para mais perto.

— Espero que ela fique bem.

— Ela vai, depois que tudo isso ficar no passado — Edward sussurrou.

Assenti, fechando os olhos pelo resto do caminho até nosso apartamento, apenas relaxando um pouco nos braços dele.

Eu respirei aliviada, jogando meus saltos dentro do armário do hall de entrada do duplex quando entramos lá. Aqueles instrumentos de tortura estavam me matando, ajudei Renesmee a se livrar do seu casaco, enquanto Edward discutia com alguém no telefone, então a levei até a cozinha.

— Oi minha menina, o que você aprontou dessa vez? — Nelly, que era a babá de Renesmee desde o momento que a garota saiu de dentro de mim, perguntou a ela.

Esme, a mãe de Edward, me convenceu de que eu ia precisar de uma babá se quisesse continuar a faculdade depois do nascimento de Renesmee. Tive de concordar que era realmente necessário, então quando Edward e eu estávamos estudando, Nelly cuidava de Ness.

Minha sogra escolheu Nelly, mãe coruja de dois filhos, Esme Cullen sabia como escolher babás de confiança para cuidar dos seus. Eu não podia estar mais feliz com Nelly, por vezes pensei em chutar Edward e ficar com ela, já que a mulher sabia acalmar as cólicas de Renesmee como ninguém.

Ela tinha quarenta e cinco anos, era de origem latina e sem família nos Estados Unidos. Da mesma forma que ela tinha adotado Renesmee como sua filha, Edward e eu a adotamos como uma mãe, nós não funcionaríamos sem a ajuda dela. Nelly já era da família, eu não confiaria Renesmee a mais ninguém.

— Eles querem encenar O Mágico de Oz de novo, de novo — Renesmee reclamou, caminhando até a geladeira e apontando para o pote cheio de dinheiro lá em cima. — Mamãe, você está me devendo um dólar.

Revirei os olhos, Edward e eu poderíamos pagar a faculdade dela com tanto dinheiro que colocávamos naquele pote desde que tive a péssima ideia de criá-lo quando Renesmee fez três anos.

— Eu colocarei mais tarde, acalme-se — pedi. — Nelly, você pode levar essa mocinha encrenqueira para o banho?

— Vamos, menina, me conte o que você aprontou — Nelly pediu, subindo com Renesmee pela escada da cozinha.

Voltei para sala, encontrando Edward deitado no sofá, encarando o teto, com o celular em seu ouvido.

— Mamãe — murmurou para mim, assenti, sentando no outro sofá. — Sim, mãe, eu estou me alimentando direito.

Esme era a melhor mãe e sogra do mundo, ela tinha me considerado uma filha no momento que Edward nos apresentou.

— Eu tenho que ver com ela, não sei se ela estará no hotel amanhã. — Olhei para Edward, tirando os olhos do meu celular onde eu respondia as mensagens da minha assistente. — Jantar amanhã na casa dos meus pais? — perguntou.

— Claro — concordei.

— Nós iremos — Edward respondeu. — Claro que Renesmee irá conosco. Falando nisso, preciso conversar com Bella sobre sua neta, ela causou na escola hoje. Sim, de novo. Sim, sei que eu era assim. Sim, você dizia que eu ia ter filhos do mesmo jeito e que ia entendê-la. Sim, eu entendo. Ok, boa noite, mãe. — Edward desligou, revirando os olhos.

— Eu disse, você era um encrenqueiro como Renesmee — falei, indo sentar junto dele no sofá, começando a falar sobre o momento mais constrangedor da minha vida que aconteceu naquela tarde diante a senhora Hanson e a cabeça de Javali dela. — Nós temos que contornar essa situação agora.

— Por mim ela continua pensando que estamos apenas encenando uma peça lá em cima — Edward disse, massageando meus pés. — Ela é muito nova para esse papo, talvez quando tiver dezoito.

— Claro, porque ela só saberá sobre sexo com dezoito anos, cresça Edward, sua garotinha está envelhecendo. Em quatro anos será uma adolescente.

Ele bufou.

— Isso tudo é culpa sua — ele acusou. — Se você fosse mais silenciosa não estaríamos nessa.

Eu ri, me inclinando em sua direção para sussurrar em seu ouvido.

— Você não reclamou disso ontem à noite no banheiro, querido. — Mordisquei sua orelha.

Edward sorriu maliciosamente, deslizando sua mão por minha perna até o interior da saia social que eu usava.

— Ei, vocês dois! — Nelly apareceu na sala, batendo palmas. — Parem com isso, Renesmee nem está dormindo, vocês não são nada discretos. É por isso que estão em problemas.

— Desculpe, Nelly — Edward e eu pedimos juntos, rindo. — Vamos trocar de roupa para o jantar.

Algumas horas mais tarde, depois de protelarmos ao máximo, nós dois estávamos na sala com Renesmee, Nelly já tinha ido dormir, negando nos ajudar com aquela conversa.

O que? Eu ajudar? Nem pensar, só entro naquela sala se for para gravar o constrangimento de vocês dois.

Nós colocamos Renesmee sentada entre nós dois no sofá, ela já parecia chateada, pensando que iríamos castigá-la. Como ela não tinha feito realmente algo ruim dessa vez, nós combinamos em livrá-la de um castigo, como apenas explicar porque nossa peça era imprópria a ela.

— Tudo bem — comecei a falar. — Filha, sobre o que você falou hoje na escola, nós precisamos falar disso.

— Vão me deixar encenar a peça de vocês? — perguntou esperançosa.

— De jeito nenhum — Edward negou prontamente, meio assustado.

— Mas a mamãe sempre sai tão sorridente do quarto, deve ser uma peça muito boa.

— Filha, a questão é que a peça que papai e eu encenamos no quarto é apenas para adultos — expliquei.

— Ah. — Os ombros dela caíram. — Por isso eu não posso encenar?

— Sim, você poderá quando tiver dezoito anos.

— Vinte e um — Edward me corrigiu.

— Isso não é permissão para beber álcool, Edward — murmurei para ele. — Renesmee. — Virei o rosto dela na minha direção. — Quando você for mais velha poderá ter sua própria peça.

— O que acontece nessa peça?

Seu pai e eu usamos algemas, sua tia Alice gosta de coisas que nem eu consigo imaginar. — Não, eu não podia responder isso.

— Papai e eu nos amamos, nós nos beijamos e ficamos juntos.

— Mas eu sempre vejo vocês se beijando. — Renesmee franziu o cenho.

— Mas nessa peça é diferente — Edward se pronunciou. — É algo particular, que apenas a mamãe e eu podemos participar. — Ele piscou para mim.

— Por que você grita? — ela me perguntou, senti minhas bochechas corando, Edward disfarçou uma risada tossindo.

— Porque eu estou feliz, grito de felicidade.

— Isso é uma peça mesmo?

Ah Deus, eu estava destruindo a cabeça da minha filha.

— Não. — Suspirei. — Seu pai e eu chamamos de peça, mas tem outro nome.

— Qual?

— Sexo.

Edward se encolheu com a minha resposta.

— É algo que os casais fazem quando se amam muito.

— Vovó Esme e Vovô Carlisle fazem também?

Edward resmungou, eu tentei não enjoar ao pensar em meus sogros transando.

— Sim — sussurrei. — Quando um casal se ama muito como seus avós, seu pai e eu, eles fazem sexo.

— Isso tem algo a ver com bebês?

— Sim, é como os bebês são feitos — Edward respondeu. — Mas nem toda vez que um casal participa dessa peça eles tem um bebê, eles podem escolher quando isso acontece.

Menos nós dois depois de toda aquela tequila na festa de aniversário de Alice em 2006.

— Tudo bem — ela finalizou o assunto, para nossa alegria.

— Okay, agora você tem de nos prometer não falar mais sobre isso na escola Renesmee — Edward falou.

— Tá bom, papai. — Ela voltou a me olhar. — Por que papai disse que você era boa com algemas? Isso é algo de sexo também?

Lancei um olhar mortal para Edward, ele reprimiu um sorriso.

— Não, seu pai estava falando que como sou filha do vovô Charlie que é um policial, eu sei como usar algemas.

— Ah sim. — Renesmee assentiu. — Eu posso aprender a usar algemas também?

— Não — Edward e eu respondemos simultaneamente.

— Eu ainda tenho de encenar O Mágico de Oz? Eles sempre querem me colocar como a Dorothy. A professora diz que eu tenho um lugar de destaque por ser uma Cullen — falou confusa.

Bufei, eu não queria Renesmee tendo privilégios por seu sobrenome.

— Eu falarei com sua professora, há algum outro papel na peça que você goste?

— A casa? Não vou ter falas se for a casa, preciso apenas cair.

Edward e eu rimos.

— Vou resolver isso com sua professora, meu bem. — Beijei a bochecha dela. — Suba para seu quarto, certo? Seu pai e eu iremos colocá-la na cama em breve.

— Não se esqueça do dinheiro para o pote de palavras feias, mãe!

Renesmee beijou a bochecha de Edward, então subiu para seu quarto.

— Nós fomos bem — declarei contente.

— Eu não quero que ela cresça.

— Você vai ficar bem, Cullen.

Pulei para o colo de Edward.

— Tire isso da sua mente.

— Eu devo fazê-la gritar? — Arqueou uma sobrancelha.

— Sim, você deve. — Mordi seu lábio inferior.

— Papai, mamãe?! — Renesmee chamou, nos fazendo resmungar com a interrupção. — Eu estou com sono.

— Claro que ela está. — Edward ficou de pé, ainda me mantendo em seu colo.

Sorri, entrelaçando o corpo dele com minhas pernas, deixando com que ele me carregasse até o segundo andar. Deus abençoe aquele homem malhar todas as manhãs, fazia muito efeito.

Nós colocamos Renesmee para dormir, então seguimos para nosso quarto.

Edward tinha ido tomar um banho, enquanto eu estava na cama o esperando, folheando O Morro dos Ventos Uivantes que era meu livro de cabeceira desde meus quinze anos de idade.

— Querido, venha logo, ou vou começar antes de você! — O ouvi gargalhar do banheiro.

— Grave, eu adoraria vê-la atuando só.

Meu marido saiu do banheiro algum tempo depois, vestindo apenas uma calça moletom cinza. Seus cabelos ainda molhados do banho, com seu glorioso tórax a mostra.

Às vezes, quando eu parava para admirar Edward, sentia uma grande vontade de ligar para Alice e agradecê-la por me arrastar para aquela festa de Halloween. Ou a Maria, a namorada do colegial de Jasper, que o chutou, fazendo com que os dois terminassem na fraternidade para que o Zorro loiro pudesse se divertir.

— Eu estive pensando. — Ele se aproximou da nossa cama, arrancando o livro da minha mão e o atirando em algum canto do quarto, enquanto começava a beijar meu pescoço, arrancando gemidos baixos de mim. — Sobre a pergunta de Renesmee.

— Qual delas? Aquela garota deve fazer um milhão por dia — consegui dizer, enquanto a mão dele escapava para o interior das minhas coxas.

— Sobre os bebês.

Segurei nos ombros de Edward, o empurrando.

— O que está querendo dizer, Cullen? — perguntei confusa.

Ele passou a mão pelos cabelos, umedecendo os lábios. Isso somado a sua nudez parcial não me ajudava em nada a ficar concentrada, então fui até o armário voltando de com uma camisa de lá.

— Vista isso e se explique, o que tem a pergunta sobre bebês de Renesmee?

— Eu estive pensando se nós não podíamos ter mais bebês — Edward falou depois de se vestir.

Fiquei paralisada, ainda absorvendo o que ele tinha acabado de dizer.

— Querida, você está bem? — Ele me fez sentar de novo.

— Sim, apenas surpresa com isso — sussurrei.

Renesmee obviamente não tinha sido planejada, um dia eu apenas concordei em fazer um teste de farmácia para provar que Edward estava errado e me deparei com um positivo. Eu amava ser mãe, eu me sentia uma boa mãe, mas eu daria conta de outra gravidez? De outra criança?

Edward e eu tínhamos uma vida tão movimentada com nossos trabalhos no hotel, tentando conciliar tudo com Renesmee e nossa vida de casal. Claro, eu ainda era Isabella que podia fazer tudo, mas uma coisa era o medo de fracassar e não conseguir entrar em Harvard que me apavorou por todo colegial, outra era não ter tempo suficiente para as crianças.

— Desculpe, eu não devia ter falado nisso, apenas esqueça — Edward pediu, afagando meu rosto. — Apenas fui levado pelo momento, pensando em você grávida de novo.

Sorri para ele, me lembrando de quando minha ficha tinha caído que estava mesmo grávida, depois de chorar por um dia inteiro quando o teste de farmácia apontou positivo. No momento que eu me toquei que realmente seria mãe, mãe de um bebê de Edward, eu substitui o choro desesperador, por um de felicidade.

Toquei na mão de Edward em meu rosto, trazendo-a até meus lábios para beijar sua aliança de casamento.

— Eu quero.

— Você quer? — perguntou surpreso.

— Sim, quer dizer, eu tomei a dose do meu remédio injetável dois dias atrás e eles duram três meses, não vamos poder ter agora, mas sim, eu quero.

Edward abriu um grande sorriso, me puxando para ele.

— Você realmente quer?

— Eu realmente quero. Sei que vai ser complicado com nossos trabalhos, conciliar tudo lá, tudo aqui, tudo sobre Ness, mas vamos, eu sou tão competente, saberei organizar tudo para nossa família — me gabei.

— Você é sim. — Ele beijou o canto da minha boca. — Então, nós ainda não podemos estrear a peça, mas podemos ensaiá-la?

— Definitivamente temos de ensaiá-la.

Notas finais
Então, o que estão achando? Sempre amo a Renesmee, mas essa pequena falante que conversa sobre capitalismo, revela a máfia do Papai Noel, mas ainda é inocente sobre a peça dos pais é minha princesinha! *_* Eu ainda não sei se a história terá pov do Edward, caso não tenha espero que não me briguem :3 Vejo vocês nos comentários, beijos! Lola Royal. 14.10.16