Nossa Família

3 Capítulo Dois — Regras


Notas iniciais
Okay, espero que gostem do Edward, de verdade :3 Boa leitura! ♥

— Capítulo Dois —

— Regras —

Edward Cullen

Acordei no sábado com o celular de Bella despertando, com a música do Rocky tocando bem alta. Deus, eu amava minha esposa, mas ela podia mudar aquele alarme, eram quase dez anos de casamento onde eu era obrigado a acordar toda manhã com aquela música irritante.

Obrigado Charlie Swan por tornar sua garotinha uma fã de boxe, muito obrigado!

Abri os olhos, me vendo vencido pelo barulho. Bella ainda estava desmaiada na cama, provavelmente imune ao som. Eu não sabia o motivo dela programar o alarme se nunca acordava com ele.

Mas, conhecendo a mente maligna de Isabella, eu podia sugerir que ela o programava para me acordar primeiro. Ela estava tendo sucesso, sempre acordava antes. Mamãe ficaria orgulhosa em saber que depois de anos de luta na minha adolescência, eu acordava sem precisar dela me ameaçando para que isso acontecesse.

Estiquei-me sobre Bella, apertando o botão de seu celular depositado fielmente na mesa de cabeceira do seu lado da cama. Sorri quando a foto de bloqueio apareceu, nós dois com Renesmee no último Natal, na frente da árvore exageradamente enfeitada por nossa primogênita.

Primogênita, pois na noite passada Bella e eu começamos a pensar em mais um filho. Isso era incrível, eu já queria ter mais um no momento que vi Renesmee toda suja de sangue no dia de seu nascimento, ser pai era uma das melhores coisas da vida. Porém, sabia que depois de uma gravidez não planejada, que nos deu muita dor de cabeça inicial para que pudéssemos lidar de tudo simultaneamente, precisávamos de um pouco de estabilidade para trazer mais uma criança falante ao mundo.

Estabilidade que finalmente tínhamos alcançado.

— Querida, hora de acordar. — Beijei a bochecha de Bella, após afastar uma mecha de cabelo castanho mogno de seu rosto.

Bella suspirou, remexendo-se na cama, mas ainda dormindo.

Beijei o ponto sensível atrás de sua orelha, fazendo com que ela suspirasse mais alto. Eu ri, ela podia pagar de durona, mas amolecia facilmente em minhas mãos, ou boca, ou qualquer outra parte do meu corpo.

Ela ainda pensou que não quebraria sua regra mais importante comigo? Mulher de pouca fé.

Halloween de 2005, obrigado por ter acontecido!

— Você tem de ir ao hotel, querida — murmurei, beijando seu pescoço, notando a respiração dela mais alerta. — Seu dia não estará completo se você não tiver a oportunidade de gritar com algumas pessoas.

Afaguei sua barriga, por debaixo da coberta, exposta graças a nossa nudez total. Nós tínhamos trancado a porta, certo? Só o que faltava era Renesmee resolver aparecer para uma visita matinal e nos flagrar nus, eu ainda não tinha me recuperado de falar sobre nossa peça na noite passada.

— Eu posso gritar com você — Bella disse por fim, a voz baixa e ainda distante.

— Você já faz isso de graça.

— Não quero trabalhar — resmungou.

Como se isso fosse verdade em qualquer mundo alternativo, Isabella era mais workaholic do que eu. Não que deixássemos o trabalho superar qualquer outro aspecto de nossas vidas, mas nós realmente gostávamos do que fazíamos, o que sempre nos dava vontade de querer fazer mais e melhor.

Carlisle tinha sorte de nos ter trabalhando para ele, devíamos ter aumentos. Anotei isso mentalmente, pensando que com a grana a mais eu podia comprar um carro novo, ou dois. Mesmo que Bella fosse bufar e reclamar, ela precisava entender meu amor por carros.

— Quanto antes você for, mais rápido você voltará.

Deslizei minha mão de sua barriga para sua boceta. Ela gemeu no momento que a toquei, remexendo seu quadril. A mão dela logo alcançou minha ereção matinal, fazendo com que fosse eu o próximo a gemer ali.

— Ainda temos tempo? — ela perguntou, me masturbando tão bem como sabia fazer.

Melhor esposa do mundo!

— Foda-se, nem que não tivéssemos.

Bella soltou uma risada baixa, enquanto eu jogava a coberta para fora da cama, logo voltando a tocá-la. Não demorou muito para Bella estar pronta, então eu me acomodei entre suas pernas, deslizando para seu interior.

— Você é tão linda — sussurrei em seu ouvido, afagando suas costas, enquanto nos movíamos juntos. Ela disse algo desconexo, jogando um braço para trás, envolvendo meu pescoço, dando o indicativo do que ela queria, logo comecei a beijar seu ombro, subindo os beijos para seu pescoço.

Eu não fazia ideia de como era possível amar tanto alguém até conhecer Bella, meus amigos falaram que com o tempo isso ia diminuir. Mas, porra, só aumentava e eu me sentia muito sortudo por ter a encontrado.

Nosso sexo matinal, uma bela rapidinha, acabou com ela gemendo meu nome. Comigo saindo e entrando nela uma última vez antes de gozar também, enterrando meus dedos em sua cintura, enquanto beijava seu pescoço com mais urgência, contendo-me de marcá-la, ou isso me levaria a ouvi-la reclamando pelo resto do dia.

— Bom dia! — Uma Bella sorridente ficou de frente para mim, aninhando-se no meu corpo.

— Bom dia, querida! — Beijei sua testa.

Nós ficamos em silêncio, apenas abraçados, por alguns minutos, até que o celular dela despertou mais uma vez.

Eu odiava os alarmes de Isabella.

— Você poderia, por favor, trocar Eye of the Tiger? — pedi gentilmente.

— Não. — Bella se afastou, logo saindo da cama e mandando um beijo para mim. — Você lidará com ela pelo resto de sua vida, querido. — Andou até o banheiro.

Bom, aturar Eye of the Tiger era terrível, mas se isso significava ter Bella acordando ao meu lado todas as manhãs a música era facilmente deixada de lado.

Foda-se, aquela mulher me tinha preso a ela no momento que usou suas algemas.

***

Renesmee apareceu na cozinha, com os cabelos cacheados visivelmente bagunçados, ainda em seus pijamas, enquanto Bella e eu tomávamos nosso café com Nelly. Tinha de concordar com minha esposa, a pequena falante era muito como eu.

Desde as frequentes visitas a sala da diretora Hanson, ao fato de odiar acordar cedo. Eu pelo menos tinha Bella para animar minhas manhãs.

— Bom dia — Renesmee murmurou, sonolenta, desabando na cadeira ao meu lado.

Por mim ela poderia acordar tarde nos fins de semana, mas Bella era taxativa em mantê-la em uma rotina. Eu não podia brigar quanto a isso, não quando fui a criança e o adolescente que odiava rotinas, o que me causou muito problemas e castigos, Esme Cullen sabia ser cruel quando queria.

— Bom dia, princesa, você dormiu bem? — perguntei ganhando um olhar mal humorado, isso claramente era um não.

— Não.

Eu devia me sentir orgulhoso por ela ser parecida comigo nos piores aspectos?

— O quanto de trabalho você tem para o fim de semana? — Bella perguntou a Renesmee, enquanto digitava em seu celular, provavelmente com Ângela, sua assistente, a mulher era uma guerreira por aguentar a Bella Negócios. Nem eu a aguentava quando tínhamos trabalho em comum no hotel, era tão difícil discordar dela sem que ela acabasse me vencendo.

— Um projeto de ciências, tenho que construir uma réplica do sistema solar. E, assistir Game of Thrones para a turma de história.

Bella, Nelly e eu rimos, ganhando um revirar de olhos de Renesmee. Ela queria assistir a série desde que Bella e eu começamos a assistir, o que foi nosso vício por meses, mas nem de longe tinha idade para assistir aquilo.

— Seu pai pode ajudá-la com o dever de ciências. — Bella comeu mais uma torrada, se colocando de pé.

Ela ficava tão gostosa naquelas roupas sociais.

— Esqueça Game of Thrones, você é nova demais para essa série, vá assistir Bob Esponja. — Bella beijou a cabeça de Nelly que estava sentada ao seu lado, então a bochecha de Renesmee. — Amo você, filha.

— Amo você também, mamãe! — Renesmee retribuiu, piscando seus olhos verdes como os meus para Bella.

Coitadinha, isso não funcionava, ela não podia ganhar de Bella apenas com uma dúzia de piscar de olhos. Eu tinha tentado isso um milhão de vezes nos últimos anos.

— Sem Game of Thrones — Bella repetiu, então me beijou por meio segundo. — Faça a barba, Edward — ordenou.

— Mas...

— Faça a barba — repetiu. — Nelly, não deixe Renesmee exagerar nos açúcar, iremos jantar com Carlisle e Esme, eles provavelmente irão entupi-la de comida saturada. — Se voltou para mim. — Não se esqueça de ajudar Renesmee com o sistema solar. — Voltou-se para Nessie mais uma vez. — Você, comporte-se!

Então, ela saiu da cozinha, seus cabelos em ondas balançando atrás dela, nos deixando com suas ordens.

— Bom, antes que Bella volte e comece a cantar mais ordens, eu vou malhar. — Bebi mais um pouco de suco. — Tente não colocar fogo no apartamento, Renesmee — falei, ficando de pé.

— Eu não prometo nada, ainda é nove da manhã — ela respondeu, me fazendo rir.

— Edward?! — Nelly chamou minha atenção, ela era como uma segunda mãe para Ness, mas Bella e eu também a considerávamos uma, tinha salvado nossa pele vezes demais e cuidava da gente tanto quanto cuidava de Renesmee.

— Desculpe — pedi. — Volto logo!

Peguei meu ipod, meus fones de ouvido, garrafa de água e sai pela porta da cozinha em direção a academia do prédio.

Eu estava finalizando o treino correndo na esteira, ouvindo música e apenas vendo o noticiário na televisão da academia, quando uma figura loira parou na minha frente. Foi impossível não fazer uma careta para Holly Green, era uma das nossas vizinhas, vinte e poucos anos, loira de farmácia e que gostava demais de me cercar.

— Olá Edward! — pude ouvi-la falar sobre o som da música, retirei apenas um dos lados do fone de ouvido.

— Olá Holly, tudo bem? — perguntei educadamente, evitando até mesmo sorrir para que ela não entendesse aquilo como uma abertura de espaço.

— Você podia me ajudar com os agachamentos? — ela perguntou indo direto ao ponto, mordendo o lábio inferior.

Aquilo apenas ficava sexy em Isabella, as outras mulheres pareciam desengonçadas demais com aquele ato, parecendo que estavam tendo uma paralisia facial enquanto tentavam parecer sedutoras.

Mais uma vez, eu tinha a melhor esposa do mundo.

— Não, Holly. — Parei a esteira. — Eu estava terminando aqui. — Peguei minha garrafinha de água, deixando o aparelho. — Preciso ajudar minha filha com o dever de casa, minha esposa arrancaria minha cabeça se eu perdesse tempo com qualquer outra coisa.

Por Deus, Holly me assediava desde que se mudou para o prédio um ano atrás. Isabella já tinha lhe lançado um milhão de olhares malignos quando se encontravam no elevador, era tão difícil assim entender que eu era casado, que eu não traia? A aliança em meu dedo não era indicativo suficiente?

Eu não arruinaria meu casamento, minha família, minha vida maravilhosa por uma trepada sem noção. Pude ter sido uma criança e um adolescente encrenqueiro que ia todo mês a sala da diretoria, mas meus pais tinham me ensinado valores básicos que eu aprendi.

— Podemos tomar um café rapidinho, o que acha? — Ela tentou tocar no meu braço, mas me afastei rapidamente.

— Holly, eu sou casado. — Mostrei minha mão esquerda. — Vou fazer dez anos de casamento com a minha esposa em junho, nós teremos uma festa, uma renovação de votos. Eu não quero estragar isso, amo minha esposa, preservo a família que construí com ela.

Holly fechou a cara, cruzando os braços.

— É apenas um café, não estou lhe chamando para minha cama, ainda. — Piscou para mim. — Quando se cansar de sua esposa, sabe qual meu apartamento, vizinho.

— Eu não irei. — Rolei os olhos, deixando a academia.

— Vá direto para o banho — Nelly ordenou quando reapareci na cozinha.

Aparentemente as mulheres daquela casa gostavam de me dar ordens a cada instante, eu só podia esperar e torcer que Bella e eu fizéssemos um menino para que conseguíssemos um pouco de espaço ali. Quem eu quero enganar, apenas ter alguém para aguentar o temperamento feminino junto comigo.

— Pode deixar — concordei, estava prestes a perguntar sobre Renesmee, quando ouvi o som do piano na sala. — Ela toca tão bem, nós estamos criando um gênio?

Nelly riu, assentindo.

— Um incompreendido, que não pode encenar a peça que quer — provocou.

— Ei, você não sabe o quão constrangedor foi, não me humilhe mais — pedi envergonhado.

— Okay, agora vá tomar seu banho e ajudar sua filha com os planetas — Nelly ordenou, de novo. — Eu sairei depois do almoço, terá aquele festival pelo resto do dia na igreja que você se recusou a ir.

— Eu já fui expulso de uma igreja, Esme já superou isso, supere também. — Dei de ombros. — Por que você acha que Bella e eu apenas nos casamos no civil?

— Um dia eu vou saber o que você fez para ser expulso de uma igreja? — perguntou preocupada.

— Apenas não concordei com o padre, ele não gostou de ser contrariado. Eu sou um gênio incompreendido também — gritei, saindo da cozinha, a ouvindo dizer de lá:

— Você é apenas um encrenqueiro, Edward.

Renesmee estava sentada ao piano, tocando com muita concentração. Minha mãe tinha me ensinado a tocar, então desde cedo eu a ensinei também. Ela tinha mais ritmo e dedicação do que Bella, que com um mês de aula desistiu, não que ela confessasse para qualquer um que tinha desistido de algo.

— Papai, você está suado! — Renesmee reclamou quando a abracei e beijei sua bochecha, ela já tinha tomado banho e trocado de roupas.

— Desculpe, princesa, eu te amo tanto que quero compartilhar meu cheiro ruim com você — brinquei, a fazendo rir. — Desço logo para te ajudar com o projeto, mova tudo que precisar até o escritório, se sujarmos o sofá da sua mãe ela nos mandará embora de casa.

— Você contou a ela que quebrou o vaso que tia Alice deu de presente?

— Nós combinamos de nunca mencionar esse acidente, Renesmee. — Fiz um sinal para ela manter a boca fechada.

— Ela vai descobrir, ela sempre descobre — Renesmee profetizou.

***

Bella e eu tínhamos sido estratégicos com a escolha do nosso apartamento em Chicago, quisemos aliar praticidade e conforto. Podíamos ter ido morar em alguma casa próxima a dos meus pais, mas isso custaria muito e nós queríamos um lugar mais próximo ao trabalho.

Então, encontramos o duplex dos meus sonhos, que depois de muita insistência se tornou o de Bella também. Eu sabia que ela tinha suas reservas sobre o fato de eu ser um herdeiro — grande merda, o dinheiro era todo dos meus pais —, mas o apartamento era realmente o melhor para nossa família.

Três quartos no segundo andar, sendo o nosso uma suíte com hidromassagem, o que a convenceu a se mudar para lá depois que a levei para um banho teste. Sala, área de serviço, cozinha e sala de jantar no primeiro andar, assim como um escritório e a suíte de hospedes que Nelly ocupava, pois nós nunca a deixaríamos em um quarto de empregada.

O escritório era um grande ponto chave para mim, me dava a oportunidade de trabalhar em casa nos fins de semana quando tinha algo muito importante a ser resolvido. Bella tinha horários loucos, ela podia ter que ir ao hotel em plena madrugada se alguém tivesse estragado algo, provavelmente ela estragaria a cara do funcionário que a chamou de madrugada também, mas nós sempre tentávamos deixar o trabalho de lado pelo menos nos fins de semana, aquele dia ela teve de ir por ter saído mais cedo no dia passado para ir ao encontro da senhora Hanson e a cabeça de javali.

— Pronta? — perguntei a Renesmee quando entrei no escritório.

— Por que eu tenho que fazer um sistema solar com isopor e papel? — ela indagou, mexendo nos materiais no chão. — Eu posso fazer isso no computador, ficaria muito mais bonito.

— Eu sei, filha. — Sentei junto dela no chão, pegando uma cola na mão e fazendo careta para o cheiro ruim daquilo. — Mas, você tem de fazer como sua professora mandou, vamos apenas seguir as ordens.

Ela suspirou, ainda indignada.

— Eu devia fazer um protesto.

Abri a boca para concordar, pois em pleno século XXI era um absurdo aquele tipo de trabalho ultrapassado, mas isso me colocaria em encrenca.

— Renesmee, não! — falei sério. — Tire isso de sua mente, nada de protestos.

— Nenhum?

— Nenhum — afirmei.

— Mas tia Bree está sempre protestando.

Oh Deus, eu sabia que Bree ia influenciá-la.

— Você quer fazer o Plutão, ou eu faço? É meu planeta favorito — perguntei, a distraindo de Bree e seus protestos.

— Plutão foi rebaixado a planeta anão, papai! — Renesmee exclamou, pegando o livro de ciências do seu lado e estendendo para mim. — Leia! — ordenou.

***

Depois que Renesmee e eu terminamos o trabalho, o que declaramos que lhe renderia no máximo um B, pois nós dois éramos péssimos com trabalhos manuais, ela voltou ao piano. Enquanto isso, eu fui até minha mesa no escritório para checar algumas coisas do trabalho, antes de Bella voltar do hotel e precisarmos ir para o jantar na casa dos meus pais.

Eu estava respondendo e-mails, quando uma mensagem da minha irmã pedindo uma vídeo chamada apareceu no canto da tela. Cliquei rapidamente, sabendo que deixá-la esperando não seria uma boa ideia.

— Hey, como você está? — perguntei quando ela apareceu.

Nós podíamos estar a quilômetros de distância, mas eu nunca deixaria de me sentir preocupado sobre ela, principalmente depois de todo o caos que estava acontecendo no último mês.

— Bem — Rosalie respondeu tristemente, fungando.

Claro que ela não estava bem, ela tinha praticamente acabado de descobrir que o filho da puta do marido dela a traía com a secretária. Porra, se Bella não tivesse escondido meu passaporte eu tinha voado até Dubai e matado Royce.

Rosalie era minha irmã, três anos mais velha, loira, alta, olhos azuis como os do nosso pai. Uma engenheira fantástica, uma irmã para todas as horas, uma mãe dedicada. Eu não fazia ideia de como o cretino do Royce tinha tido a coragem de trair alguém tão incrível.

— Eu quero você em Chicago o quanto antes, Rosalie — reclamei, sem aceitar sua resposta positiva sobre seu estado. — Seu lugar é aqui, com a nossa família, não perto desse playboy que não sabe guardar o pau imundo dele dentro das calças.

Royce King II e Rosalie se conheceram em Yale, ele era filho de um grande banqueiro de New York. Ela pensava nele como o cara mais fantástico do mundo, por mais que papai tenha dito, um milhão de vezes, que os King não possuíam uma boa fama, Rose aceitou se casar com ele. Eles tinham duas filhas, Lucy de onze anos e Anne de quatro.

Então, de novo, como aquele filho da puta podia arruinar tudo? Rosalie sempre foi extremamente dedicada a ele e a família que tinham juntos, largando tudo nos Estados Unidos para segui-lo para Dubai, onde já estavam morando por três anos.

— Eu estarei ai em breve, Edward. — Ela fungou de novo. — Devo assinar os papéis do divórcio ainda essa semana.

— Você e as meninas podem ficar aqui, nós adoraríamos tê-las conosco.

Renesmee ficaria em êxtase com a volta de Lucy, ela passou um ano inteiro escrevendo cartas irritadiças quando elas foram para Dubai, por estar sendo separada de sua prima e melhor amiga. Ela até mesmo fez greve de fome, que durou duas horas até Bella lhe oferecer sorvete.

— Não. — Rose balançou a cabeça, bebendo um pouco da garrafa de água em suas mãos. — Mamãe e papai nos querem com eles, mas de qualquer forma, não é como se eu fosse ficar com as meninas agregadas em qualquer lugar. Ficaremos apenas algum tempo com papai e mamãe, até eu encontrar um apartamento bom.

— Como elas estão?

— Anne ainda não entende isso bem. — Deu de ombros. — Ela ainda pede para ver Royce todo dia, ele sequer tem tempo para elas.

Filho da puta!

— Lucy. — Rose suspirou, sorrindo um pouco. — Ela é maravilhosa, ela tem sido tão compreensiva e madura, mesmo no meio desse caos. Está muito preocupada comigo, praticamente se tornou minha sombra. Ela não pergunta sobre Royce, eu me sinto mal com isso, ele ainda é o pai delas, nosso casamento acabou, não isso.

— Você acabou de dizer que ele não tem tempo para elas — a lembrei. — Rose, eu tenho ideia de quão difícil isso deve estar sendo, mas não caia nas garras desse cretino de novo. Ele te traia, com uma mulher que expôs toda a relação pra blogs de fofoca na internet. Royce nunca foi um pai de verdade, ele só queria bancar de homem de família por conta do maldito sobrenome que carrega.

— Obrigada, você é o melhor irmão do mundo, colocando minha mente em ordem. — Sorriu mais um pouco.

— Não me agradeça por isso, eu não estarei aliviado até você, Anne e Lucy voltarem para Chicago, a real casa de vocês. — Me encostei na cadeira.

— Como suas garotas estão? Eu sinto falta delas.

— Bella está no trabalho, gritando com alguém, então está bem. — Dei de ombros. — Renesmee falou na frente da turma de teatro sobre Bella e eu fazendo sexo. — Torci o nariz.

Rosalie gargalhou, eu estava me envergonhando, mas era bom vê-la rindo.

— Conte-me sobre isso — pediu animada. — Ela é uma encrenqueira como você!

***

Bella me tornou o motorista da noite no momento que entrou no apartamento, ela tinha tido atraso com fornecedores no hotel, então declarou que precisava beber uma garrafa — sim, uma garrafa — de vinho com mamãe no jantar para relaxar. Eu senti muito por papai e por mim, as duas eram as piores bêbadas possíveis, no primeiro jantar entre elas, quando Bella foi passar o Ano Novo comigo em 2005, as duas beberam champanhe e se tornaram melhores amigas, rindo das minhas fotos de bebê por toda a virada de ano.

Como eu fui designado o motorista, já que nós dávamos o fim de semana de folga a Félix, eu me dei o luxo de pegar meu querido Volvo para dirigir. Ele era tão rápido, eu o amava.

— Olá, é bom reencontrá-lo! — exclamei quando me posicionei em meu banco, ligando o motor. Sorri, desfrutando a sensação maravilhosa de ser o cara no banco do motorista, eu quase não dirigia com Félix nos guiando de um lado para o outro com a porcaria da Mercedes que Bella achava melhor.

— Edward, pare de me trair com um carro e dirija! — Bella reclamou, Renesmee do banco de trás riu, então ouvi o barulho de algo sendo aberto.

— Ei, ei, o que você está comendo ai, mocinha? — Me virei para Renesmee, que tinha em mãos uma barrinha de cereal.

— Eu estou com fome — ela se defendeu. — Isso é saudável.

— Quais são as regras do Volvo?

— Ah Deus! — Bella respirou fundo. — Nada comestível, nada molhado, nada afiado.

— Acho que está quebrando uma das regras, Ness.

— Edward Anthony Cullen?!

Me encolhi com Bella me chamando pelo nome todo.

— Dirija agora mesmo até minha garrafa de vinho da adega perfeita de Carlisle, ou eu pegarei um táxi.

— Cuidado com as migalhas, Ness — ordenei, começando a dirigir.

Mamãe já tinha uma taça de vinho em sua mão quando abriu a porta para a gente, eu coloquei Renesmee e Bella imediatamente para dentro, antes que nós três congelássemos no frio de fevereiro.

— Oh meu anjinho, veja como você fica mais bonita a cada dia que passa! — Mamãe deu um beijo estalado na bochecha de Renesmee.

Eu não conhecia ninguém mais cheio de vida do que mamãe, dona de seu próprio escritório de arquitetura, grande organizadora de festas e anfitriã, ela sabia como ninguém ser a alma de qualquer lugar que estivesse, mesmo quando sóbria.

— Eu fico com isso, tive um dia cheio. — Bella roubou a taça de vinho de mamãe.

— Filha, quem te estressou, eu cuidarei de colocá-lo, ou colocá-la em seu lugar! — Esme prometeu, beijando a bochecha de Bella também.

— Apenas pessoas com total falta de compromisso. — Revirou os olhos. — Esse é bom. — Provou o vinho. — Carlisle? — Saiu chamando por meu pai em direção a sala, com Renesmee a seguindo.

— Olá mãe! — A abracei.

— Filho, que bom que vocês vieram, eu cozinhei suas comidas preferidas.

— Claro que cozinhou, você é a melhor. — Beijei seu rosto.

Nós fomos até a sala também, sentando e conversando um pouco com papai antes de irmos jantar. Bella estava empolgada com o vinho, falando com ele sobre algumas mudanças que achava que seria benéfica para o hotel, eu a deixei falar, fugindo do meu papel de diretor financeiro que queria refrear qualquer gasto sem estar devidamente convencido que o lucro após ele seria compensatório.

Já estávamos jantando, quando Renesmee nos pegou de surpresa.

— Vovó, vovô, é verdade que vocês fazem sexo também?

Papai se engasgou com sua comida, enquanto mamãe olhava atordoada para Ness. Bella apenas bebeu mais vinho, enquanto eu dava tapas gentis nas costas de papai.

— Apenas diga que sim e vamos passar isso — sussurrei para ele.

— Sim, Ness — ele falou por fim, ainda rouco do engasgo.

— Você também grita de felicidade, vovó?

Bella riu, péssima bêbada, eu disse.

— Frequentemente, Nessie — mamãe respondeu para ela, fazendo com que eu sentisse o meu jantar querer voltar, não precisava saber da vida sexual dos meus pais.

— Sobremesa, quem quer sobremesa? — Mudei de assunto.

Depois do jantar, mamãe foi mostrar para Bella alguns esboços da reforma que estava comandando do hotel de Boston. Papai, Renesmee e eu estávamos na sala vendo algum desenho animado que ela queria muito, até que a garotinha dormiu em meu colo, deixando com que Carlisle mudasse para o noticiário.

— Falei com Rose mais cedo, você poderia mandar matar Royce?

Papai olhou em direção as escadas que levavam ao escritório onde mamãe e Bella estavam.

— Eu poderia, estive pensando nisso desde que descobri sobre a traição. Mas, acabaria preso.

— Se eu vê-lo vou matá-lo com as minhas próprias mãos, você promete cuidar de Renesmee e Bella quando me prenderem?

Olhei para Ness dormindo sobre mim, eu esfolaria vivo a pessoa que sequer chegasse um centímetro de machucá-la. Beijei o topo de sua cabeça, afagando suas costas.

— Isso está passando dos limites — papai falou, segui o olhar dele até a televisão, onde o noticiário mostrava mais um jovem negro morto por policiais em New Orleans, simplesmente por ser negro. — Meu Deus, eu não acredito que minhas netas vão crescer em um mundo onde as pessoas ainda possuem pensamento antiquado e nojento desses.

Aquilo era realmente repulsivo, vidas sendo tiradas por racismo, por homofobia, por intolerância religiosa. Beijei mais uma vez a cabeça de Renesmee, prometendo mantê-la protegida do mundo louco que vivíamos.

Notas finais
Tão bom escrever um Edward com uma Renesmee criança de novo por perto, ele regride uns 20 anos com ela hahaha Gostaram da cabeça do ruivo? Eu estava incerta sobre escrever por ele, mas gostei do resultado final. Beijos! Lola Royal. 15.10.16