Nossa Família

4 Capítulo Três — Filho


Notas iniciais
Okay, preparem os corações, boa leitura ♥

— Capítulo Três —

— Filho —

Isabella Cullen

Esme e eu estávamos sentadas no escritório da casa dela, vendo seus esboços para a reforma de um dos hotéis, enquanto bebíamos e riamos falando sobre minha vergonha frente a senhora Hanson no dia anterior. Ela era mãe de Edward, sabia exatamente como era ter sobre sua responsabilidade uma criança encrenqueira.

— Ela é parecida demais com o pai, vocês ficarão cheios de cabelos brancos antes do tempo — falou, guardando os esboços. — Do jeito que meu filho é você já imagina como ele ficará quando Renesmee estiver namorando?

— Deus, eu nem quero imaginar, ele irá encher minha paciência. — Bebi mais um pouco. — Você não o aceita de volta? — brinquei.

Esme gargalhou, voltando a sentar ao meu lado no sofá.

— Desculpe, filha, Carl e eu não trabalhamos com devoluções.

Eu ri, apoiando minha cabeça no ombro de Esme, não podia ter uma sogra melhor. Antes de conhecê-la pensei que Esme me odiaria, primeiro por eu não ser rica, segundo por estar roubando seu filho. Mas, ela me surpreendeu positivamente, foi gentil e amável desde o primeiro momento, me recebendo muito bem em sua casa e família.

Com minha mãe longe, era bom ter figuras maternas como Esme e Nelly por perto.

Renée, minha mãe, era fantástica, mas sempre foi mais como uma amiga do que uma mãe. Até se casar novamente e ter outra filha, Bree, éramos apenas nós duas em Phoenix, o que me obrigava a ser muito madura para lidar com o seu jeito de levar a vida dela tão despreocupado.

Ela tinha se casado com Phill, um jogador de baseball dez anos mais novo. Bree, minha irmã caçula, tinha acabado de fazer dezenove anos e estudava música na faculdade de New York, enquanto não estava defendendo os direitos dos animais pelo país e mundo. Eu tive de tirá-la da prisão no último ano, depois que ela foi detida por invasão de propriedade privada de uma empresa de cosméticos que fazia testes em animais.

— Edward e eu estamos pensando em ter outro filho — sussurrei para Esme quando o silêncio tomou conta do escritório.

Ela se remexeu, ficando de frente para mim.

— Isso é sério? — perguntou maravilhada. — Quer dizer que teremos um bebezinho conosco em breve? — Os olhos dela marejaram.

— Não tão em breve. — Depositei minha taça de vinho sobre a mesa. — Eu ainda terei uns três meses de contraceptivo injetável funcionando, então provavelmente mais alguns até que meu corpo se acostume a falta do remédio. Mas, sim, quem sabe em menos de dois anos nós teremos um bebê conosco. — Mordi o lábio em expectativa.

Um menino, eu queria tanto um menino. E, por mais que Edward nunca fosse confessar, eu sabia que ele queria um também, ele não poderia lidar com uma segunda Renesmee, era demais para seu coração.

— Ah meu Deus, eu estou tão feliz com essa noticia! — Esme me deu um abraço apertado. — Filha, eu soube no momento que você passou por aquela porta com Edward que era a garota certa para meu filho, mães sabem disso, elas sentem tudo sobre os filhos. Você e ele são perfeitos juntos, eu não poderia ter uma nora melhor.

Meus olhos se encheram de lágrimas, eu não era do tipo que chorava fácil. Durante toda minha vida, apenas Edward e Renesmee me faziam chorar com facilidade. Por exemplo quando desabei em lágrimas ao descobrir sobre ela, ou quando casei com Edward.

— Obrigada, Esme. — Beijei a bochecha dela. — Você não faz ideia de quão feliz eu me sinto por você e todos os Cullen terem me recebido tão bem na família.

Foi tão, tão complicado quando a minha gravidez veio à tona. As especulações de que eu só queria meter a mão no dinheiro de Edward, que eu era uma vigarista, mas a família dele nunca me desrespeitou. Carlisle e Esme nos brigaram a principio pela gravidez não planejada, mas sem qualquer insinuação de que eu estava armando tudo aquilo.

— Não, sem choro — Esme disse suavemente, limpando meu rosto já molhado por lágrimas.

— É o vinho, nós somos péssimas bêbadas. — Ela assentiu rindo.

— Como você acha que Ness reagirá com essa novidade?

— Eu realmente não sei, ela tem sido filha única por dez anos. Edward e eu a mimamos, mas ela é bem independente quando quer, fora que é inteligente. Ela esteve pedindo por um irmãozinho quando Rose teve Anne, mas a ideia não foi muito longe em sua mente.

— Vai ficar tudo bem, Renesmee irá entender, ela pode ser difícil no começo, mas saberá lidar com tudo no tempo certo. — Esme sorriu para mim. — Mal posso esperar para vê-la grávida novamente, você ficará muito mais mandona, no entanto, sinto pena do meu pobre menino.

— Pobre menino — zombei, pegando minha taça. — Você criou um encrenqueiro, Esme.

— Você está criando uma, não me julgue. — Ela suspirou. — Sinto falta da minha menina, mal vejo a hora de Rosalie voltar para casa.

— Edward disse que conversou com ela mais cedo, Rosalie estava abatida e confusa com tudo isso, eu deveria tê-lo deixado ir para Dubai matar Royce. — Bufei, banqueiro de merda. — Ou eu devia ter ido matá-lo.

— É o desejo de todos nós. — Esme limpou uma lágrima solitária que escorreu por seu rosto. — Não posso acreditar que aquele homem teve coragem de traí-la, Rosalie sempre se dedicou tanto a ele.

— Ela estará aqui em breve, Renesmee ficará louca de felicidade quando Lucy voltar a morar perto dela.

— Isso me cheira a problemas. — Esme se levantou, pegando sua taça vazia e a minha recém esvaziada. — Vocês e Rosalie farão mais visitas frequentes a senhora Hanson.

— E a cabeça de Javali dela.

— Isabella! — Esme chamou minha atenção. — Viu, eu disse, a garota certa para Edward. Eu vou nos livrar dessas taças antes que acabemos com a adega de Carlisle, ele não ficará contente. Venha beber água!

— Você pode abrandá-lo gritando de felicidade, sogra — a provoquei, deixando que ela me puxasse para fora do escritório.

— Eu sempre faço isso, ele...

— Não, não, estou brincando, não quero saber sobre esse assunto. — Tapei os ouvidos, mas pude ouvi-la rindo.

Renesmee estava deitada no colo de Edward no sofá, já apagada, o que era ótimo, pois ou ela demorava muito a dormir, ou dormia em instantes. Extremos.

— Querida, você já está bêbada? — ele perguntou quando sentei junto a ele, deixando Carlisle e Esme irem buscar minha água, ou sabe-se lá o que foram fazer, na cozinha.

— Eu não fico bêbada.

— Bom, eu tenho uma prova viva que contesta isso. — Gesticulou para Ness. — Essa aqui é Renesmee Carlie Cullen, completou dez anos no dia sete de novembro de 2016. Ela foi concebida em fevereiro de 2006, depois de muita tequila no aniversário da sua melhor amiga, onde você prometeu transar a noite toda e cumpriu, mas alguma camisinha furada nos deu uma filha nove meses depois.

Sorri para Edward, que me olhou confuso quando fiquei apenas o admirando.

— O que está encarando no meu rosto?

— Eu te amo — declarei. — A sua mãe diz que sou sua garota certa, mas eu tenho de dizer que você é meu garoto certo também. — Senti mais lágrimas em meus olhos aquela noite. — Sei que sou irritante, mandona e sempre gosto de ter a palavra final, mas não seria nem metade da mulher feliz que sou hoje caso não tivesse você comigo, amor.

Edward sorriu também, se inclinando com cuidado em minha direção para não acordar Renesmee, então beijou minha testa.

— Você é uma bêbada romântica.

— Eu sou mesmo, amo você. Obrigada por ter me feito quebrar a última regra.

— Sempre, querida.

***

Nada era pior do que uma ressaca em um domingo de manhã, Edward até tentou me fazer sentir melhor me deixando dormir até mais tarde, mas eu me sentia péssima no momento que acordei. Então, foi um dia destinado a ficar em casa, esquecendo do hotel, assistindo todos os filmes que Renesmee tinha permissão de ver por conta de sua idade, o que queria dizer Disney.

— Por que a Bela gosta da Fera, mamãe? — ela me perguntou, quando Edward foi para a cozinha reabastecer nosso balde de pipoca. — Ele prendeu o pai dela no castelo, se alguém prendesse meu pai eu não ia gostar dessa pessoa.

— Você é tão inteligente, eu tenho tanto orgulho de você, pequena! — Beijei sua bochecha, a puxando mais para perto de mim no sofá da sala.

— Podemos assistir Game of Thrones, agora?

— Não. — Ri da sua tentativa de me distrair com sua inteligência. — Mas podemos assistir Valente, é muito melhor.

— Mérida é tãããão bacana! — Renesmee pegou o controle para mudar o filme.

— O que aconteceu com a Bela e a Fera? — Edward perguntou quando voltou a sala.

— Renesmee questionou o fato de Bela gostar de um cara que prendeu o pai dela, eu nem vou falar sobre a síndrome de Estocolmo. — Peguei um punhado de pipoca. — Mérida é um exemplo muito melhor.

— Eu gosto da Mulan — Edward disse.

— Ela não conta, todo mundo em sã consciência gosta da Mulan, é a Mulan. Não teria me casado com você se não gostasse da Mulan.

— Oh que bom que nosso casamento foi definido pelo meu gosto em desenhos da Disney. — Ele riu. — Falando em casamento...

— Não — o interrompi. — Ela esteve incomunicável por três dias, é um recorde, não cite o nome dela, no momento que falarmos eu tenho certeza de que ela ligará e encherá minha paciência. Ela tem algum tipo de poder paranormal, sempre sabe quando surgir.

— De quem vocês estão falando? — Ness perguntou. — Voldemort?

— Só que menina e com cabelos curtos — expliquei.

— Ah, tia Alice! — Renesmee exclamou.

— Filha, não, nós não falamos o nome dela, isso irá fazê-la ligar.

— Você está enlouquecendo, Bella, Alice não vai ligar — Edward falou. — Vamos assistir Valente e deixá-la de lado.

Edward estava certo, Alice não ligou, ela apareceu.

Nós estávamos terminando de preparar o jantar, já que Nelly estava envolvida por todo o fim de semana com o festival na igreja que frequentava, quando o interfone tocou. Eu o atendi, mandando Edward tomar cuidado com molho de tomate, enquanto Nessie decorava nosso prato de salada.

— Senhora Cullen — o porteiro disse. — O senhor Whitlock e a senhorita Brandon estão aqui...

— Bella, nós não precisamos de toda essa formalidade, deixe a gente entrar logo! — Ouvi Alice ao longe.

— Eles podem subir, senhor Lopez — falei para o porteiro.

— Alice e Jasper? — Edward adivinhou.

— Alice e Jasper, eu falei que ela tem algum tipo de sexto sentido.

Alice e Jasper, ou Zorro loiro, foram um caso difícil por anos. Enquanto Edward e eu, que nem tínhamos plano de transar no Halloween que nos conhecemos, fizemos isso, os dois simplesmente apagaram no quarto do Whitlock no momento que chegaram a cama, bêbados demais para seguir em frente.

Depois disso, com Edward e eu nos envolvendo, os dois tiveram de conviver por tabela. Só que, Alice não era o tipo de garota que tinha um relacionamento sério, Jasper tinha acabado de sair de um e não queria outro tão cedo. Decidindo que um envolvimento sexual entre eles podia causar algum abalo em meu relacionamento sexual sério com Edward, os dois decidiram se manter apenas como amigos, Alice até arranjou garotas para Jasper.

Até o aniversário de um ano de Renesmee, quando os dois, padrinhos dela, estenderam a festa para o apartamento de Alice. Mas, Jasper teve de voltar para o Texas não muito depois para trabalhar com o pai que era um político, enquanto Alice se mudava para Paris indo estudar gastronomia, o que não durou muito, até ela se mudar para Milão para estudar Moda.

Então, depois de apenas se reencontrarem nos aniversários de Renesmee, que era quando sempre estavam juntos em Chicago, ela tinha voltado da Europa, ele largou o Texas e a política. Eles finalmente estavam em um relacionamento, enquanto ela era uma jornalista de moda, Jasper trabalhava com Edward no Grupo Cullen Hotels.

Só vi Edward tão feliz em três vezes:

1. Quando Nessie nasceu.

2. Quando nos casamos.

3. Quando Jasper anunciou que estava se mudando para Chicago.

Eles eram melhores amigos, se amavam, eu podia muito bem ser apenas uma esposa de fachada senão tivesse certeza de que Edward não era gay.

— Eu atendo, eu atendo, eu atendo! — Renesmee gritou quando a campainha tocou.

— Posso fugir pela porta dos fundos? — perguntei a Edward, enquanto Ness corria até a porta da frente.

— Não, se eu tenho de aturá-la você também tem.

— Mantenha-a longe de álcool, não queremos uma Alice bêbada falando sobre a festa.

No último ano novo, enquanto todos comemorávamos, Edward e eu começamos a falar sobre nosso aniversário de dez anos de casamento que se aproximava. Nós dois, totalmente levados pelo champanhe bom da festa, falamos sobre uma possível festa de casamento para comemorar a data importante que aconteceria, com direito a renovação de votos e tudo mais.

Edward e eu sequer nos lembrávamos disso na manhã seguinte, mas Alice lembrava e ela nunca me deixaria esquecer uma festa. Então, nós nos vimos vencidos e comemoraríamos o bendito aniversário de dez anos, era algo que até mesmo queríamos, mas com Alice por perto isso significava ela querendo participar de cada detalhe da organização, me irritando em 90% do tempo.

— Olá família Cullen! — Ouvi a voz de Jasper, em seu inconfundível sotaque sulista.

Virei para a entrada da cozinha, o vendo com Renesmee no colo. Eu não sabia dizer quem amava mais o loiro, ela, Alice ou Edward.

— Hey Jazz — o cumprimentei.

— Vocês não sabem que é feio aparecer na casa dos outros no horário do jantar? — Edward perguntou brincando, pegando pratos suficientes para todos. — Onde está Alice?

— Na sala, fazendo uma ligação. — Jasper sentou Renesmee no balcão. — Eu soube que você causou um tumulto na escola, lindinha, o que aconteceu? — perguntou, apertando a ponta do nariz dela, fazendo Renesmee sorrir largamente. Quando mais nova ela dizia que Tio Jazzy seria seu namorado, até Alice e ele começarem a namorar, ela não tinha ficado muito contente com a madrinha depois disso.

— Eu falei sobre sexo. — Ela deu de ombros.

— Não precisamos falar sobre isso, já é passado. — Ajudei Edward a levar tudo para a mesa.

— Oh Isabella, nós precisamos mesmo falar sobre isso — Jasper debochou, seus olhos cor de mel me lançando um olhar divertido. — Preciso saber o que você e seu maridinho tem aprontando com minha futura namorada.

— Pare de a iludir, Jasper! — Edward mandou. — Você namora Alice e Renesmee nunca terá um namorado.

— Por que eu nunca vou ter um namorado, papai? — Nessie indagou confusa.

— Princesa, você não precisa de um namorado, eles são chatos! — Edward exclamou.

— Eu que o diga — falei, ganhando um revirar de olhos dele. — Alice, nós vamos comer, apareça agora ou iremos deixá-la com fome! — gritei, enquanto Jasper ajudava Renesmee a se sentar em seu lugar.

— Então, sexo? O que seus pais te falaram sobre isso?

Eu ia matar Jasper.

— Jasper, cale-se — Edward ordenou, servindo Renesmee. — Você não me enviou aqueles relatórios, eu...Ai porra, Bella! — xingou quando o belisquei no braço.

— Papai você está me devendo um dólar por dizer uma palavra feia — Renesmee cantou. — Mamãe, você ainda está me devendo por ter dito uma na sexta-feira.

Como diabos ela sabia que eu ainda não tinha colocado o dinheiro?

— Nós não vamos falar sobre trabalho na hora do jantar — falei para Edward, que ainda estava emburrado pelo beliscão. — Desculpe — pedi, afagando o local. — Eu lhe compenso mais tarde. — Jasper abafou uma risada. — Coma, Whitlock!

— Bella, onde está aquele vaso que te dei no Natal? — Alice perguntou entrando na cozinha, ela não parecia ter envelhecido nada nos últimos anos, suas únicas mudanças eram o corte de cabelo bem curto, como a prótese de silicone maior. Quando ela trocou a última dois anos antes, quis fazer isso também, estava um pouco surtada com meus trinta anos chegando e a ideia de tudo começar a cair, Edward me convenceu que eu continuava gostosa e que ele ainda amava meus peitos.

— O chinês?

— Sim, ele não estava ao lado do piano? — Ela sentou junto de Jasper.

— Sim — murmurei confusa, tentando me lembrar se tinha movido o vaso de lugar, até que captei o olhar entre Renesmee e Edward. — Qual dos dois quebrou?

— Papai.

— Renesmee!

Jasper riu, mas eu ainda não estava no time dele depois de toda a conversa sobre sexo.

— Como você quebrou? — questionei Edward.

— Foi um acidente, eu sai do piano e esbarrei nele.

— Ou ele quebrou porque disse que era feio desde o momento que te dei — Alice disse encarando Edward, ignorando a comida.

— Claro, meu grande propósito da vida era quebrar o vaso.

— Tudo bem, esqueça o vaso, Edward não dá valor aos meus presentes — Alice dramatizou, eu teria a desmentido falando sobre a coleção de lingerie que ela tinha me dado que se tornaram o fascínio de Edward por uma semana, mas Renesmee estava presente. — Vocês já pensaram no total de convidados? Onde será a festa? O tema? Qual fotografo contratar?

— Nós não podemos voltar ao vaso? — Edward perguntou.

— Não, faltam apenas quatro meses para a festa! — exclamou indignada.

— Bom — Edward começou. — Se você continuar com essa atitude não será uma das convidadas.

Eu ri, ganhando um olhar feio dela.

— Se eu não tivesse levado sua agora esposa até aquele Halloween você nem teria...

— Não, não complete isso — a interrompi, sabendo que ela falaria sobre o sexo que tive com Edward, Renesmee não precisava de mais informações. — Vamos falar sobre a festa!

***

Sorri para o reflexo no espelho, eu era tão, tão sortuda. Talvez devesse ir a igreja como Nelly tanto insistia, talvez devesse mesmo agradecer a Deus por tudo em minha vida, mesmo não sendo uma mulher religiosa.

Reforcei o rímel, ainda sorrindo, enquanto Edward lidava com os botões de sua camisa. Eu amava tanto aquele homem.

Era terça-feira, dia dos namorados, nós estávamos nos arrumando para jantar fora. Apenas nós dois, no nosso restaurante preferido, depois voltaríamos para casa e encenaríamos um monte da nossa peça.

— Você pode parar de me olhar? Estou ficando envergonhado.

— Edward Cullen não fica envergonhado, ele sabe o poder que tem. — Pisquei para ele.

— Querida, se você quer chegar até o restaurante pare de me provocar, ou iremos para a cama antes.

— Hum, não. É nossa noite, vamos sair.

Nós gostávamos de ter pelo menos uma noite na semana para sair sozinhos, era bom para nos manter ligados.

— Feche — pedi me virando de costas para ele, ainda com o zíper do meu vestido aberto.

— Eu geralmente prefiro que você me peça para abrir seus vestidos. — Ele passeou uma mão por minhas costas, fazendo com que eu arrepiasse imediatamente, antes de fechar o vestido. — Vou deixá-la se arrumar antes que não resista a você — falou, me abraçando por trás, beijando meu pescoço por um instante, antes de deixar o banheiro da suíte.

Voltei a me arrumar rapidamente, antes que eu também não resistisse e declinasse da ideia inicial de sair para jantar. Depois de um dia longo no trabalho nós dois merecíamos um pouco de diversão.

Eu usava um vestido bege que Alice tinha me dado de presente quando voltou de sua última viagem para Paris, justo nos lugares certos. Nos meus pés saltos pretos altos, bem mais altos do que os que eu usava para o trabalho, mas que já tinha me acostumado a usar depois de tantas festas que Edward e eu tínhamos de comparecer. Meus cabelos tinham ganhado um ida ao salão depois do trabalho, então eu os tinha bem hidratados e completamente ondulado.

— Mamãe, você está tão bonita! — Renesmee exclamou ao entrar no meu banheiro.

— Obrigada, filha — agradeci, finalizando a maquiagem com o batom. — Não tive a oportunidade de perguntar antes, como foi seu dia dos namorados na escola?

— Eu ganhei vários cartões.

— Vários pretendentes, em? — A guiei para fora do banheiro, então do quarto para que eu pudesse me encontrar com Edward.

— Eu sei o que está pensando, mas eu não vou ter um namorado, papai disse que eles são chatos.

— Vamos ver se você pensará assim em alguns anos — murmurei, sem deixá-la ouvir.

— Você está tão linda — Edward disse parado no fim da escada, esperando por mim, terminando de abotoar a manga de seu paletó, ele tinha uma camisa azul social por baixo, assim como calça e sapatos pretos, os cabelos estavam a bagunça de sempre, mas eu os preferia assim do que com gel. — Senhora Cullen! — Segurou em minha mão, me ajudando a descer.

— Tome conte dela, papai! — Nessie ordenou.

— Eu irei. — Ele sorriu para ela. — Não demore muito a dormir, okay? E obedeça Nelly.

— Vocês são tão lindos juntos! — Nelly exclamou ao aparecer ali. — O táxi que pediram chegou.

— Obrigada Nelly — agradeci, deixando que Edward me ajudasse com o casaco. — Vemos vocês duas amanhã de manhã.

— Posso pedir pizza? — Renesmee perguntou.

— O que falamos sobre pizza no meio da semana? — Edward tomou a iniciativa. — Você pode comer na sexta.

— Tudo bem — Renesmee cedeu.

No momento que Edward e eu deixamos nosso apartamento, eu a vi. Loira, um silicone exagerado que aparecia quase que por completo em seu vestido com decote até a barriga, mas o pior de tudo, os olhos em cima do meu marido.

— Olá Edward! — ela exclamou, com aquela voz anasalada ridícula.

— Boa noite — ele se limitou a dizer, enquanto esperávamos o elevador.

Sabia que Edward nunca me trairia, confiava plenamente nele, mas ainda era incomodo como algumas mulheres não conseguiam simplesmente entender isso. Ele tinha a porra de uma aliança na mão, era tão difícil assim entender o significado dela?

— Oi senhora Cullen! — Holly acenou para mim por fim. — Gostei do seu vestido, minha mãe tem um igual.

— E você não aprendeu a se vestir bem como sua mãe? — perguntei no exato momento que o elevador chegou, ouvi Edward rir baixinho ao meu lado, enquanto entravamos na caixa de metal. — Bom, já que você é nova pode esperar o próximo elevador, Holly. — Apertei o botão para fechar as portas, podendo a ver embasbacada com minha resposta.

— Eu te amo! — Edward riu, me abraçando quando ficamos sozinhos.

— Vadia, ela me vê quase todo dia, te vê com Ness e ainda fica se oferecendo.

— Você sabe que eu não dou abertura, certo?

— Querido. — O afastei, podendo ver seu rosto. — Nós já passamos da época que eu ficava hesitante sobre você pulando na cama de qualquer garota que cruzasse seu caminho, não se preocupe com isso. — Logo no começo, quando eu estava muito insegura sobre nosso relacionamento, foi uma das nossas primeiras brigas, terminou com Edward provando muito bem que não queria saber de mais ninguém. — Minha raiva é toda para Holly.

— Você ficou tão sexy sendo irônica, eu gosto quando você dá tapas mentais nas pessoas.

— Eu gostaria de dar um tapa real em Holly.

Nós logo estávamos no táxi a caminho do restaurante, com Edward sussurrando em meu ouvido o que nós faríamos quando voltássemos para casa. Ele estava animado com a ideia de usarmos nossas algemas, que estavam paradas nas últimas semanas.

— Senhor e senhora Cullen, é um prazer recebê-los aqui mais uma vez! — Lionel, o Maître nos recepcionou.

— Olá Lionel, nossa mesa está pronta? — Edward perguntou.

— Nunca o deixaríamos esperando, senhor Cullen — Lionel garantiu, nos conduzindo até nossa mesa de sempre. — Senhora Cullen. — Ele fez menção de me ajudar a tirar o casaco, mas Edward foi mais rápido.

— Lionel, eu assumo daqui.

— Claro senhor, nosso garçom virá atendê-los em breve. — Assentiu, retirando-se.

— Senhora Cullen! — Edward piscou para mim, ajudando-me a tirar o casaco. — Já disse o quão linda é? — Puxou a cadeira para mim, repousando meu casaco no encosto, então sentando-se em seu lugar, depois de tirar seu casaco também.

— Eu gostaria de ouvir novamente, nunca me canso. — Sorri, esticando minha mão e entrelaçando meus dedos nos seus. O arrepio da primeira vez ainda estava lá.

— Você é linda, hoje e sempre. — Levou minha mão até seus lábios, beijando minha aliança. — Eu tenho um presente.

— Edward!

— Bella, é dia dos namorados, eu não te deixaria sem um. — Afagou meu rosto com delicadeza. — Além do mais, você gostará muito desse.

— Eu não te comprei nada — murchei.

Edward tinha tudo que queria, menos sua garagem com cinquenta carros, mas eu não compactuaria com um exagero desses.

— Acredite, apenas estar com você é meu presente perfeito. — Ele tirou um envelope de presente do bolso do paletó, estendendo para mim. — Feliz dia dos namorados, querida.

Peguei o envelope, o abrindo curiosa. Então, me deparei com três passagens de avião para Seattle, três para Port Angeles, sem data marcada, mas com validade para dois meses.

— Isso é o que estou pensando? — indaguei, sentindo meu coração bater mais forte.

— Sim, você está a tempo demais sem ver seu pai, sei que sente falta dele. — Edward afagou mais uma vez meu rosto, seus olhos verdes calorosos sobre os meus.

— Você é o melhor, Edward. — Respirei fundo para não chorar.

Papai era uma pessoa muito difícil, ele odiava deixar Forks. Minha mãe, Phill e Bree estiveram comigo no último Natal, mas papai não quis participar, recusando-se a viajar. Eu não podia deixar Chicago na época, era uma das mais movimentadas para o hotel, a última vez que vi ele foi quando viajei para Forks com Renesmee durante o verão do ano anterior, só por uma semana.

Não fui criada com Charlie, mas era sua única filha, eu me sentia péssima quando não conseguia dar atenção a ele, depois de anos e anos de adolescência que me recusava a ir a Forks por nós dois sermos distantes emocionalmente. Por isso preservava tanto a relação de Edward com Renesmee, não queria que eles tivessem uma apenas baseada em sobrenome, queria que fossem na prática pai e filha.

— Você vem com a gente? — indaguei, presumindo que pelo menos uma das passagens era para Renesmee, mas a terceira podia ser para Nelly, Edward era tão ocupado quanto eu, podia não conseguir se ausentar.

— Estive pensando em viajarmos no segundo fim de semana de Março — sugeriu.

— Você vem com a gente! — comemorei, inclinando-me sobre a mesa para beijá-lo. — Obrigada, obrigada, obrigada!

— É bom vê-la feliz. — Ele encostou seus lábios nos meus mais uma vez.

— Eu me sinto mal por não ter te dado na... — Fui interrompida por um grito no restaurante:

— Não toque em mim, garoto!

Edward e eu nos afastamos, seguindo o som. Do outro lado do salão do restaurante, uma senhora, tinha seu rosto branco pintado de vermelho por conta da raiva, o homem junto dela parecia enojado, então vi o causador de todo aquele caos.

Ele era baixo, provavelmente muito mais novo que Renesmee. Pele negra, cabelos crespos, usava roupas sujas, estava descalço. De costas para mim, impedindo que eu visse seu rosto.

O restaurante inteiro estava em silêncio pelo grito da mulher, até que vimos Lionel correndo do seu posto até lá, então ela recomeçou a gritar.

— Tire esse menino daqui agora mesmo! — ela esbravejou, apontando para o garotinho. — Eu não pago esse restaurante para ser incomodada por sem tetos esfomeados e fedidos, ele deve estar cheio de piolhos.

Eu senti meu coração quebrar ao ouvir o modo como ela se referiu a uma criança, então me vi dominada pela raiva no minuto seguinte.

— Bella?! — Só quando ouvi a voz de Edward me toquei que estava de pé, pisando firme em meus saltos até lá, mas não interrompi meu caminho.

— Senhora Cullen. — Os olhos de Lionel se arregalaram a me ver ali. — Desculpe-me, eu estou resolvendo isso, tirarei a criança daqui. Por favor, lamento muito o incomodo.

Ignorei Lionel, o tirando da frente do garotinho, podendo ver seu rosto por fim. Os olhos dele, castanhos escuros, estavam cheios de lágrimas, as bochechas molhadas e os lábios apertados.

— Oi! — Forcei um sorriso no meio de toda a agonia em meu peito por ter presenciado aquela cena, me ajoelhando diante dele. — Sou a Bella. — Ele deu dois passos para trás, amedrontado, podia ouvir Edward discutindo com alguém ali, mas não conseguia focar em suas palavras. — Não, não fique com medo — pedi. — Eu não vou te machucar — prometi. — Qual seu nome?

— Mat-Mat — gaguejou. — Matthew.

Notas finais
Então, meu garotinho apareceu ♥ Mas foi de uma forma tão violenta e preconceituosa que nem consigo ficar feliz :( Vejo vocês nos comentários? Beijos! Lola Royal. 15.10.16