Nossa Família
48 Capítulo Quarenta e Sete — Proteger
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Sete —
— Proteger —
Isabella Cullen
Senti o sangue fugir do meu rosto, assim como minhas mãos suarem. Depois daquelas ameaças de Laurent eu não sabia como não sentir medo, então lá estava a irmã dele diante de mim.
— O que você está fazendo aqui? — indaguei Zafrina, reparei em suas roupas, calça jeans e uma camiseta, ambas com aspecto envelhecido, em seus pés sapatilhas brancas visivelmente sujas, seus cabelos crespos estavam trançados.
Eu podia ver alguns dos hospedes do hotel, assim como alguns funcionários que estavam no lobby olhando com curiosidade para Zafrina, assim como muitos sem parecer gostar da presença dela ali. Era óbvio para mim o motivo, Zafrina estava em roupas muito simples, destoando completamente do estilo luxuoso do hotel, isso sem falar no fato dela ser negra, quando a maior parte dos hóspedes ali eram brancos.
— E-Eu queria falar contigo — falou hesitante, apertando uma sacola em seu ombro. Seu tom de voz e postura eram menos ameaçadores do que quando a conheci em sua casa, daquela vez a mulher parecia completamente deslocada para sustentar uma pose de superioridade.
— Não acho que temos nada para conversar — falei aflita, temendo o que aquela mulher queria comigo.
— Senhora Cullen, quer que eu chame a segurança? — a gerente com quem eu conversava antes me perguntou.
— Não precisa disso, eu não fiz nada! — Zafrina exclamou, soando meio desesperada. — Só quero conversar, não precisa me colocar para fora daqui como se eu fosse a porra de um cachorro.
— Lamento muito, Zafrina — eu disse, tentando me manter segura. — Mas, como falei, não acho que temos nada para conversar. Vou pedir que se retire, por favor, está atrapalhando meu horário de trabalho, tenho muito que fazer.
Ela bufou, olhando ao redor.
— Você só não quer que eu manche a imagem desse lugar, né?
— Não é nada disso...
— É sim! — teimou, falando alto, atraindo mais olhares. — Olha, só quero falar rápido com você, não vai durar nem dez minutos.
— Bella? — Respirei em alivia quando ouvi a voz de Emmett, ele se aproximou de mim, com um sorriso falso no rosto. — Todos estão olhando — sussurrou para mim, eu assenti, sabia muito bem disso. — Senhora, se puder me acompanhar até a saída — falou com Zafrina.
— É sobre meus filhos — Zafrina falou para mim, cortando a fala de Emmett. — Quero conversar sobre meus filhos.
Prendi a respiração, naquele momento sem ter ideia do que fazer. Ela podia estar blefando, mas caso não estivesse? Ela estava falando sobre crianças, eu não podia ser insensível a esse ponto.
— Nós terminamos nossa conversa depois — falei para a gerente que estava comigo, que concordou. — Emmett, venha comigo até a minha sala — pedi, sem querer conversar sozinha com Zafrina, temendo o que ela pudesse fazer. — Venha comigo também — falei para a mulher, seguindo pelos corredores do hotel de cabeça erguida, sorrindo educadamente para os hospedhó.
Abri a porta do meu escritório, deixando Zafrina e Emmett entrarem. Ele ficou parado perto da porta, enquanto eu ia até o sofá e era seguida por Zafrina, que sentou ao meu lado.
— Esse lugar é maior que meu apartamento — ela comentou, olhando ao redor.
— Vá direto ao ponto — exigi a mulher, que bufou.
— Olha, daquela vez que você foi lá em casa com seu marido me ofereceram um emprego, né? Bom, eu tô precisando muito dele agora. Vi nos jornais que você e seu marido estão adotando, com certeza é o Matthew, não?
Franzi o cenho. Ela sabia mesmo sobre a adoção, facilmente ligou os pontos. Com certeza tinha contado algo ao seu irmão, podia ter descoberto nosso endereço facilmente e repassado a Laurent.
— Faça isso pela tia do menino que tá com você — voltou a falar.
— Não acho que posso te ajudar nisso, Zafrina.
— Por que não? Olha, eu sei limpar e cozinhar, pode me arranjar algo.
Neguei com um aceno de cabeça.
— Nós te oferecemos aquele emprego antes, quando você estava responsável pelo Matthew. Mas agora? Não, sinto muito. — Me coloquei de pé. — Acho que será melhor para todos se você não tiver contato algum com o Matthew, nem comigo ou com ninguém da minha família. Você o abandonou quando o devolveu para o abrigo, isso seria muito prejudicial para ele, não vou por Matthew em uma situação assim.
— Tá, eu sei que errei devolvendo ele pro abrigo — Zafrina falou, se levantando também. — Mas, eu precisava, o filho da puta do meu ex voltou e não queria o moleque lá, não podia fazer nada.
— Matthew é seu sobrinho, Zafrina. Você deveria ter pensado no melhor para ele, o mandar de volta para um abrigo não é o que podemos chamar de melhor.
— Mas ele está com vocês agora — ela falou. — Deve morar num puta palácio, isso é o melhor para ele. Você não conhece meu ex, ele é um idiota dos grandes, agora me deixou de novo e eu tô sem grana alguma, preciso de um emprego pra alimentar meus filhos — disse com desespero na voz ao falar a última parte, o que formou um nó em minha garganta, pensando em como seus filhos poderiam estar necessitando de coisas básicas, por exemplo comida.
— Eu posso te dar algo, mas não um emprego — falei.
— Isabella! — Emmett chamou por mim, em um tom de repreensão, olhei para ele, que não parecia nada contente com minha fala para Zafrina.
— Está tudo bem — garanti, mesmo odiando ter de dar dinheiro a ela só conseguia pensar nas crianças, ainda assim pensava em como ela podia transformar aquilo em um costume e quem sabe passar a me chantagear. — Vai ser só essa vez, viu? — falei para Zafrina, indo até minha bolsa e pegando algumas notas de cem. — Não vou te dar mais nada, é apenas o que darei para que possa manter as crianças até conseguir um emprego.
— Ninguém quer me dar um emprego — ela disse, mas pegou o dinheiro. — Por favor, moça! — Seus olhos escuros, que me faziam pensar em Matthew, se encheram de lágrimas.
— Eu quero você bem longe daqui — disse com frieza. — Quero que fique longe do meu filho e da minha família, diga ao seu irmão que também não deve nos importunar, ou ele irá se encrencar ainda mais com a polícia por isso.
Zafrina me olhou confusa.
— Eu não falo com Laurent desde antes ele ser preso.
Forcei uma risada, naquele momento ela era minha principal suspeita de ter contado a ele sobre Edward e eu, não acreditava na palavra dela.
— Vá embora! — ordenei a Zafrina. — Não volte aqui, nem tente nada contra a gente. — Ela ainda me olhava confusa, mas aceitou minha ordem guardando o dinheiro que lhe dei na sacola. — Emmett. — Ele entendeu o que eu queria, abrindo a porta para Zafrinha e saindo com ela da minha sala.
Respirei fundo, sentindo minha cabeça explodir. Andei rapidamente até o telefone, discando o número do ramal da segurança do hotel. Pedi para falar com o chefe de segurança, que logo me atendeu.
— Senhor Krons — falei com ele. — Eu quero que cheque as imagens do lobby de entrada, verifique a mulher que estava conversando comigo alguns minutos atrás, ela é negra. — A palavra saiu por minha boca como se eu estivesse xingando e me julguei por isso. — Estava usando camiseta e jeans, tinha tranças nos cabelos e carregava uma sacola.
— Certo, eu a encontrei nas imagens, senhora Cullen — ele falou.
— Eu quero que essa mulher seja proibida de entrar no hotel — falei para o chefe de segurança. — Ela está terminantemente proibida de pisar aqui.
— Sim, senhora Cullen — concordou. — Irei providenciar que ela não entre mais aqui.
— Certo, obrigada por isso — agradeci. — Pode voltar ao trabalho agora. — Desliguei, bem no momento que alguém bateu na minha porta. — Entre.
Me virei para ver quem era, me deparando com Emmett.
— Ela já foi — me contou. — Não causou mais problemas.
Assenti, mas ainda sem conseguir respirar aliviada.
— Obrigada por isso, Emmett.
— Desculpa me intrometer, mas acho que não deveria ter dado dinheiro a ela, isso pode se transformar em um ciclo vicioso.
— Sei bem disso — afirmei, pensando em como dias atrás eu tinha condenado Edward por propor fazer algo daquela mesma espécie. — Mas, algumas coisas às vezes precisam ser feitas, Emmett. Mesmo sendo muito erradas e perigosas. Você pode ficar de olho por tudo aqui? Preciso falar com Edward.
— Claro — concordou prontamente. — Pode ir.
Eu logo estava deixando o hotel, olhando para todos os lados para me certificar de que Zafrina não estava perto. Então, segui até a torre empresarial ao lado, indo direto até o andar onde Edward ficava, passando por Jessica sem perder tempo em falar com ela, indo logo abrindo a porta da sala do meu marido.
— Bella? — Edward estava surpreso ao me ver, ele tinha as persianas fechadas, o que queria dizer que estava querendo um pouco de privacidade. Por estar com o computador de mesa ligado, seu notebook e algumas pastas abertas recheadas de papéis, sabia que ele tinha muito o que fazer, só que precisava falar com meu marido.
— Zafrina esteve comigo no hotel — contei, vendo-o arregalar os olhos, ficando de pé no mesmo instante.
— O que ela queria? O que ela fez? Ela machucou você? — começou a perguntar, andando até mim e segurando em meus braços, checando se eu estava machucada.
— Não, ela não me machucou — declarei. — Queria um emprego, falou que estava precisando de dinheiro agora que o ex dela caiu fora de novo. — Suspirei. — Eu disse que não poderia a empregar, não podendo correr o risco dela ter dito sobre nós para o irmão, mesmo que ela tenha falado que não fala com ele desde antes da prisão. Enfim, eu dei algum dinheiro a ela, porque ela falou sobre os filhos e eu não poderia deixar crianças passando fome.
— Bella...
— Eu sei. — Levei minhas mãos ao rosto. — Estava te proibindo de dar dinheiro a Laurent sexta, agora molhei a mão da irmã dele, sou tão hipócrita. E só fica pior, porque eu me sinto uma fodida racista pelo jeito que reagi pensando sobre ela no hotel impecável, sobre não ter dito absolutamente nada para os hóspedes que a olhavam com repulsa, só pelo fato dela ser pobre e negra. — Voltei a olhar para Edward. — Como eu posso ter um filho negro se eu ajo dessa forma?
Edward suspirou, afagando meu rosto.
— Não se cobre tanto, Isabella.
— Você não entende.
— Eu entendo, querida. Pode ter certeza de que entendo sim. Mas, nós dois vivemos por anos em uma estúpida bolha branca e rica, não podemos esperar que ela se rompa tão rapidamente, nós temos de aprender a lidar com nossos próprios preconceitos, não só por Matthew, sim por todos os outros.
Eu o abracei, com força.
— Quanto a Zafrina, é melhor que tenha dado dinheiro a ela. Tê-la longe é mais seguro, nem que para isso nós tenhamos de dar rios de dinheiro a ela, não me importo, mas se for mesmo ela repassando informações nossas ao irmão é seguro que nós possamos contê-la.
Concordei, me segurando ainda mais a ele, tentando me sentir menos errada sobre tudo aquilo.
***
Mais tarde aquele dia, quando eu já estava mais tranquila. Edward e eu buscamos as crianças na escola, depois a levamos para casa onde deixamos com Nelly e fomos para a casa de Huilen, para o encontro com o grupo de apoio.
Eu estava mais feliz com aquilo naquele dia, afinal meu marido estaria indo comigo, seria muito melhor assim. Nós chegamos cedo, antes da reunião de fato começar, já que nem todos estavam lá, sendo assim Edward pode conhecer os outros integrantes do grupo que já se encontravam ali.
— Como Matthew está indo? — Huilen me perguntou, servindo-me com um copo de café, enquanto Edward conversava com David, que usava uma camisa com um carro estampado na frente, o suficiente para atrair a atenção do meu marido.
— Acredito que estamos entrando na fase de regressão — contei para Huilen, bebendo um pouco do café que ela me serviu.
— Sério? O que aconteceu?
— Ele foi dormir com a gente ontem, nunca tinha feito isso antes por vontade própria, sabe? — Ela concordou com um aceno de cabeça. — Nahuel passou por essa fase?
— Com certeza — Huilen respondeu. — É um momento bem complicado, mas se quer meu conselho, deixe o Matthew apresentar esses comportamentos, ele está entrando num momento que quer se sentir mais conectado a vocês, é importante que passe por todas essas fases.
— Eu deixarei ele se expressar — concordei. — Sinceramente essa fase é a que menos me assusta, tenho certo pânico de quando os testes começarem.
Huilen me lançou um sorriso compreensível.
— É a mais complicada, sem dúvidas — alegou. — Mas, vá de passo em passo, Bella. Não apresse as coisas, ou tente evitá-las, sei que dizer que criar expectativas não adiantará de nada, entretanto me sinto na obrigação de dizer que as coisas nem sempre são como imaginamos com os filhos. Você tem outra filha, não? Já deve saber disso muito bem.
Sorri para ela.
— É, eles às vezes vão por um caminho bem diferente.
— Exato, deixe as crianças terem seu tempo.
— O Nahuel te pergunta sobre a família biológica dele? Mais especificamente sobre a mãe.
— Matthew perguntou?
— Sim, ontem, no dia das mães ainda por cima. — Encarei o copo em minhas mãos. — Não soube o que responder, por sorte ele se distraiu com a prima e não voltou a tocar no assunto.
— Bella, eu procuro ser o mais honesta possível com o Nahuel sobre tudo — respondeu. — Se aceita mais um conselho. — Riu de si mesma. — Seja honesta com o Matthew também, não baseie a relação de vocês dois em mentiras, isso nunca é bom e no futuro pode ser bastante prejudicial. Você se lembra o que foi dito na palestra, não?
— É, lembro sim. Ainda assim, eu fico com medo de que ele pense demais sobre a mãe biológica e me deixe de lado, sei lá, devo estar sendo idiota ao falar essas coisas.
— Não está não — Huilen garantiu. — É normal que fique com medo, todas as mães sentem medos, mesmo as biológicas.
— Pois é, eu deveria saber disso, passei por baby blues depois da minha gravidez — confessei, ela afagou meu braço carinhosamente.
— Não se pressione tanto, Bella. Se Matthew voltar a falar sobre a mãe, converse com ele a respeito dela. Quem sabe um dia você até a conheça...
— Está morta — contei.
— Ah!
— E o pai preso. — Revirei os olhos.
— Converse com ele — Huilen repetiu. — Nunca deixe o canal de comunicação entre vocês dois se fechar, não permita que ele crie mais barreiras.
— Obrigada por isso, Huilen.
— Ao seu dispor. — Piscou para mim. — Todos nós aqui estamos no mesmo barco, Bella — falou. — Por isso criamos o grupo.
— Eu já gosto de estar aqui — falei, olhando para Edward, que conversava animadamente com os outros.
Logo quem faltava chegou, então nos reunimos como no outro dia. Sentei junto de Edward, que com um sorriso gigantesco em seu rosto disse:
— David, Henry e eu marcamos de levar John, o filho deles, Renesmee e Matthew para andar de Kart no sábado, o que acha?
— Divertido! — respondi, realmente gostando da ideia, eu estaria com Lauren no clube no sábado, seria bom que Edward passasse um tempo com as crianças e que se enturmassem com o pessoal do grupo, nós com certeza precisávamos conhecer mais gente fora do mundinho fechado que o sobrenome nos dava.
***
A reunião com o grupo de apoio foi excelente, nós trocamos mais histórias sobre a gente e as crianças. Depois comemos e até mesmo paramos de falar somente sobre família, Edward e eu estávamos mesmo socializando com todos, ele parecia tão animado com aquilo quanto eu.
Quando voltamos para casa, as crianças já estavam na cama e Nelly foi logo mais. Edward depois do nosso banho e de trocar de roupas, foi checar os filhotes no andar debaixo uma última vez, enquanto eu lia minhas últimas mensagens do dia.
— Mamãe? — Olhei para a entrada do quarto, vendo Matthew entrando.
— Olá, pequeno! — Sorri calorosamente para ele. — Tudo bem?
— Posso dormir aqui? — perguntou, já andando até a cama.
— Claro, filho. — O ajudei a subir. — Algum problema com sua cama? — perguntei, o ajudando a se acomodar debaixo das cobertas, me deitando ao seu lado.
— Não quero dormir sozinho — respondeu, me abraçando.
— Tudo bem, pode dormir comigo e com seu pai quando quiser. — Mexi em seus cabelos. — Aliás, sua avó amanhã finalmente começará a reformá-lo, acho que terá de ficar com a gente por um ou dos dias mesmo.
— Beleza — concordou, se agarrando mais em mim.
Nós ficamos em silêncio, eu sabia que ele não estava dormindo ainda — mesmo que estivesse de olhos fechados —, pois o sentia mexendo no moletom de Harvard de Edward que eu usava. Minha mente ficou passeando entre o encontro com o grupo de apoio, Zafrina, como Jenks ainda não tinha prova alguma concreta sobre a história da carta de Laurent, a reforma do quarto de Matthew e a votação que aconteceria na escola na segunda-feira.
— Matt? — chamei por ele.
— Sim? — falou, com a voz embargada pelo sono.
— Você gosta da escola que estuda?
— Sei lá. — Foi sua resposta. — Eu gosto da comida, das aulas de história e dos amigos da Nessie.
— História?
— É, eu acho muito maneiro — contou.
Sorri, beijando o topo da sua cabeça. Meu menino tinha uma matéria favorita, isso me deixava muito feliz.
Algum tempo depois Edward voltou para o quarto, eu já estava quase dormindo, Matthew tinha apagado de vez. Cuidadosamente ele se sentou ao nosso lado, sem querer acordar nosso filho.
— Ganhamos um colega de quarto — Edward disse, brincando, com um sorriso bobo no rosto.
— Não é? Eu sempre pensei que quando isso fosse acontecer seria Jasper — provoquei, Edward riu baixo, afagando o rosto de Matthew delicadamente.
— Ele é tão lindo! — exclamou deslumbrado. — Eu mataria para ter o visto bebê, imagine essas bochechas quando um recém nascido.
— Ai, nem fala. E as pernas fofas? Lembra que a Ness era tão gordinha, será que ele era assim? — Olhei para Matthew deitado praticamente sobre mim, eu queria muito ter o visto naquela época de sua vida, queria o conhecer completamente.
— Bella? — Voltei minha atenção para Edward. — Não se sinta mal por não ter feito parte do passado do Matthew, ainda teremos uma vida inteira ao lado dele.
— Está certo, querido. — Beijei meu filho outra vez, o mantendo em meus braços. — Nós teremos uma vida inteira ao lado dele.
***
A manhã de terça-feira começou preguiçosa para mim, eu não sabia como Edward tinha forças para descer até a academia e malhar, ou como Nelly foi toda alegre passear com os filhotes. Enquanto isso, fiquei fazendo café da manhã, para as crianças e para mim.
— Você tá dormindo com o papai e com a mamãe? — Renesmee perguntou para Matthew, depois dele acabar de contar isso.
— Sim — ele respondeu, tomando um grande gole de suco em seguida.
— Dormir com os pais é coisa de criancinha, Matthew! — Renesmee afirmou.
— Ei, Renesmee, não fale assim com seu irmão — chamei sua atenção.
— Não sou criancinha! — Matthew exclamou furioso.
— Então, não pode dormir com o papai e a mamãe — Renesmee falou. — Porque é coisa de criancinha.
— Criancinha é você, idiota! — Matthew gritou com Renesmee, que abriu a boca, gritando de volta.
— Idiota é você! — rebateu.
— Vocês dois, parem com isso agora! — exigi no meu melhor tom mandão, mas eles me ignoraram.
— Não me chama de idiota! — Matthew exigiu.
— Foi você quem começou.
— Porque você me chamou de criancinha, idiota!
— Chega! — gritei com os dois, dando uma batida certeira sobre a mesa, fazendo com que se calassem. — Que discussão feia é essa? — Os dois desviaram o olhar de mim, se voltando para a mesa. — Renesmee, não chame seu irmão de criancinha por ele sentir vontade de dormir comigo e com o pai de vocês. Até onde eu me lembro bem, você de vez em quando ainda dorme conosco. — Ela corou ao ouvir aquilo. — E Matthew, não chame sua irmã, nem mais ninguém de idiota, entendeu bem? — Ele assentiu, mas ainda sem olhar para mim. — Renesmee, também não quero te ouvir chamando ninguém de idiota, nem que a outra pessoa tenha te chamado assim primeiro. — Coloquei minhas mãos em minha cintura. — Olhem para mim — mandei.
Ambos olharam, Renesmee continuava corada e Matthew não parecia muito contente.
— Vocês dois são irmãos, me ouviram bem? Não podem ficar brigando entre si...
— Você briga com a tia Bree — Renesmee observou.
Ah, por que essa menina precisava prestar atenção em tudo?
— E eu estou errada em brigar com ela — falei. — Já pedi desculpas a ela por todas as vezes que gritei — disse, voltando ao meu sermão. — Agora, quero que vocês dois prometam que não vão mais xingar um ao outro, que irão proteger um ao outro, como é o certo a se fazer. Também quero que peçam desculpas pelo o que aconteceu aqui.
Eles se entreolharam.
— Não vou mais te xingar, Matthew. Me desculpa — Renesmee falou primeiro, ele ficou calado, ainda com um bico nos lábios.
— Matthew? — chamei seu nome, dando a entender que era sua vez.
— Desculpa — ele falou. — Prometo não te xingar mais.
— Muito bom! — exclamei satisfeita. — Agora voltem ao café da manhã de vocês e se comportem, ou ficarão de castigo.
Matthew bufou.
— Ei. — Segurei no rosto dele, fazendo com que ele me olhasse. — Ficar resmungando não vai mudar nada aqui, mocinho, é bom que se comporte, ou aquele castigo vai mesmo acontecer. Me entendeu?
— Entendi — respondeu, eu soltei seu rosto, deixando com que ele voltasse a comer.
Enchi uma grande xícara de café para mim, eu precisava de uma dose extra de cafeína.
***
Não tivemos mais problemas na terça-feira, Renesmee e Matthew se comportaram, não recebi nenhuma visita indesejada e tudo no trabalho estava tranquilo. Esme tinha começado os trabalhos no quarto de Matt, então eu também estava empolgada como aquilo e o pequeno igualmente, ainda que ele também tenha dormido com Edward e eu naquela noite.
Na quarta-feira minha mente estava completamente voltada para a votação na escola, tanto que me dei o dia de folga, querendo amenizar um pouco a tensão. Aproveitei e sai com Alice, nós compramos algumas coisinhas para o bebê dela, assim como nós vimos roupas para mim, Edward e as crianças para o casamento do meu pai e resolvemos algumas coisas sobre nossa festa de dez anos de casamento que aconteceria logo mais em junho.
Quando a hora de ir para a escola chegou as crianças já estavam em casa com Nelly e Esme, que ficaria para jantar lá aquele dia. Na escola nos encontramos com Rosalie, que com certeza estaria ao nosso lado na votação.
Ela, Edward e eu pegamos lugares no fundo. A reunião aquele dia estava muito mais cheia do que a do outro, eu suspeitava que aquilo tinha relação com nossa proposta de mudanças na escola, uma vez que os olhares direcionados a nós eram muitos e nada calorosos.
No palco eu podia ver as mães da associação, assim como alguns professores e inclusive a diretora. Não demorou muito para a reunião começar, com a presidente discursando sobre a grande festa que tiveram no dia das mães, que segundo ela foi um sucesso, Rosalie e eu tínhamos achado melhor não ir com as crianças, já que queríamos que elas passassem um tempo com Esme.
Em seguida, a presidente falou sobre mais algumas coisas e as votações que seriam realizadas naquela reunião. A maioria eram sobre coisas superficiais, como uniformes dos times esportivos, as cores novas para as salas e coisas do tipo, mas ela também mencionou a pauta que Edward e eu tínhamos mencionado, sua expressão era de puro desgosto.
Foi uma arrastada reunião com todas aquelas votações, principalmente porque antes disso ouvimos as crianças do coral cantarem e alguns vídeos propagandas da escola, um meio de reforçar aos pais que seus filhos estavam indo muito bem. Cada professor falou sobre suas aulas de forma neutra, assim como a diretora nos saudou agradecendo a presença de todos.
Ninguém permitiu que Edward ou eu subíssemos naquele palco para dizer qualquer coisa, eles estavam nos mantendo quietos. Isso era óbvio, quando votei a favor da pauta que criamos, eu já sabia que perderíamos, nós não tínhamos chance contra aquelas pessoas.
A confirmação veio no final da reunião, quando perdemos de 6 votos para 188. Era uma discrepância gritante, a maioria dos pais e responsáveis não queriam que suas crianças soubessem mais sobre o mundo e suas diversidades. Edward e eu poderíamos querer fugir da bolha, mas os outros estavam gratos à sua zona de conforto.
***
Quando Edward parou o Volvo na vaga de garagem, eu me voltei para ele. Não tínhamos conversado sobre o resultado da votação, mesmo que Rosalie tivesse ficado bem puta sobre aquilo e xingado todos, mesmo que em voz baixa.
— E agora? — ele me perguntou.
— Não sei — confessei. — Você acha que devemos mudar as crianças de escola?
Ele suspirou, passando a mão por seus cabelos.
— Estamos quase no fim do semestre — falou. — Matthew acabou de entrar, ainda está se adequando.
— E seria terrível tirar Renesmee tão abruptamente assim, também não poderíamos tirar só ele e deixá-la.
— É, além do mais, a Rose ia querer tirar as meninas e isso ia prejudicar todo mundo. — Edward tirou seu cinto. — Vamos deixar eles concluírem o semestre, certo? Nós achamos uma boa escola para eles no próximo.
— Quer mesmo isso, Edward? Essa foi a escola que você e sua irmã estudaram.
— Não é o suficiente para deixar meus filhos.
— É, mas é a escola com melhor nota de Chicago, todos que estudam lá vão para as melhores universidades do país.
— Querida, no momento eu não estou me importando com a vaga de Matthew e Renesmee em Harvard, ou qualquer outra instituição do tipo. Só quero que eles possam ficar em um lugar que não seja tão absurdo quanto aquele. Eu sei que você deu muito duro para conseguir sua vaga em Harvard, que não quer que as crianças enfrentem tanta dificuldade, mas nós nem podemos afirmar que elas irão para lá, vamos deixar as coisas fluírem.
— É, tem razão — concordei. — Eu sou mesmo muito focada nesse lance da universidade, mas não quero que eles consigam entrar só por sobrenome e dinheiro, queria que fosse por capacidade própria.
— Querida. — Edward sorriu para mim. — Não se preocupe, Renesmee e Matthew terão um grande futuro, independente da universidade para que irão, ou o que farão nela.
— Matthew gosta de história, talvez ele se torne um professor. — Sorri.
— Enquanto isso Renesmee assumirá mil profissões — brincou, me fazendo rir. — Qual é mesmo a da vez?
— Youtuber? Sério, não consigo acompanhar. — Chequei meu celular, tinha uma mensagem de Jenks, ele ainda não tinha noticias sobre a história da carta, estava trabalhando junto a justiça para conseguir informações, mas a burocracia era uma merda.
Me peguei pensando em Zafrina, imaginando se os filhos dela estavam mesmo bem.
— Tudo bem? — Edward tocou em meu braço.
— Sim, só pensando em Zafrina. — Edward fechou a cara.
— Ela voltou a te procurar?
— Não, eu só queria saber se os filhos dela estão bem.
— Bella, não comece isso — Edward pediu. — Você não pode se envolver tanto assim com essa mulher, ela abandonou Matthew e pode ser a pessoa por trás da carta que Laurent nos enviou, eles não são confiáveis.
— Vou esquecê-la — prometi, Edward me analisou, ele sabia que por mais que tentasse, não conseguiria de fato cumprir com minha promessa. Mas, eu iria me proibir de buscar informações sobre aquela mulher.
***
Na quinta-feira de manhã, pouco depois do almoço, eu estava em uma reunião com os outros gerentes, quando Ângela apareceu na sala, anunciando uma ligação. Eu quis matá-la, odiava ser interrompida, mas a raiva passou quando ela disse:
— É da escola dos seus filhos, senhora Cullen.
Peguei o telefone da mão dela, deixando a sala de reuniões.
— Olá, é Isabella Cullen falando — me anunciei.
— Senhora Cullen — era a diretora falando, o que foi um mau presságio, para ela ser a pessoa ligando algo grave tinha acontecido. — Preciso que a senhora, se possível seu marido também, venham até aqui.
— O que aconteceu? — indaguei nervosa, já andando para minha sala.
— Sua filha — ela disse, eu não me surpreendi em ser algo relacionado à Renesmee. — A senhorita Cullen entrou em uma briga.
Fale com o autor