Nossa Família

50 Capítulo Quarenta e Nove — Culpada


Notas iniciais
Boa leitura! ♥

— Capítulo Quarenta e Nove —

— Culpada —

Isabella Cullen

Deixei o carro, digitando em meu celular uma mensagem para minha mãe — que estava me dando dicas de como escolher uma boa escola para as crianças —, enquanto guardava as chaves da Mercedes na minha bolsa, quando senti alguém puxar meus cabelos, fazendo com que eu gritasse e olhasse para trás, me deparando com um cara. Um homem alto, negro, de cabeça raspada e com tatuagens espalhadas em seu pescoço, braços e mãos.

— Isabella Cullen, não é? — ele me perguntou, aquela altura eu já tremia da cabeça aos pés, olhei para os lados a procura de ajuda, mas não tinha ninguém por perto, já que ainda era relativamente cedo, sequer vi algum segurança naquele andar do estacionamento. — Não adianta gritar — o homem disse em alerta. Pensei em correr, mas eu estava cercada por dois carros e uma parede, fora o cara.

— Olha, leva o que você quiser, ok? — eu falei baixinho, morrendo de medo do que ele queria comigo, provavelmente um assalto, ou quem sabe um sequestro, pela forma que me abordou. — Leva tudo, só não me machuca.

Eu mal tinha acabado de falar e o homem agarrou meus pulsos com muita força, tanto que eu acabei soltando meu celular e bolsa, o que os levaram a cair no chão. O homem me atirou contra o chão, eu cai me apoiando em meus cotovelos, os senti arranhando, assim como minhas mãos e braços.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o homem estava montado em cima de mim — fazendo com que eu acabasse completamente deitada contra o chão —, o que me desesperou ainda mais. Ser assaltada e ser sequestrada eu poderia lidar mais facilmente, mas e se ele me estuprasse? Não, aquilo não!

— Me solta, me solta! — gritei, me debatendo contra ele, mas o cara tapou minha boca com sua mão, seu aperto foi tão grosseiro que o anel que ele usava cortou meu lábio inferior. Tentei chutá-lo para longe de mim, porém minha força não era nada perto da dele.

— Você não sabe quem eu sou, mas sei quem é você, Cullen — ele falou com ódio na sua voz. — Conheço você, seu maridinho e aquela filha lindinha de vocês dois. — Tremi dos pés a cabeça ao ouvir aquilo. — E sei que vocês dois estão com o Matthew, filho do meu chapa Laurent.

Não, não, não! Porra, não!

— Eu devia ter tirado o Matthew de vocês desde que Zafrina me contou com quem ele tava, mas tô precisando de grana pra caralho e acho que vou conseguir isso fácil com você agora, não é mesmo, sua vadiazinha? Então, aí vai o nosso acordo, você vai me dar sua bolsa, seu celular e vai devolver o Matt para Zafrina, vai mandá-lo para lá ainda hoje e eu quero que ele esteja carregando uma mochila com pelo menos dez mil dólares, entendido?

Ele tirou sua mão da minha boca, eu sequer conseguia falar.

— Você me ouviu, sua puta rica?

— Você não vai levar meu filho de mim — sussurrei, o homem em cima de mim riu, então deu um tapa com toda sua força em meu rosto, fazendo com que eu sentisse minha pele na bochecha ferindo.

— Se você não fizer o que mandei será a sua filhinha ruiva que pagará o pato — ele ameaçou, fazendo com que meu corpo gelasse. — Não faz ideia do que eu seria capaz de fazer com aquela garotinha sorridente.

Ele tirou suas mãos de mim, eu busquei por ar, tossindo. O homem agarrou minha mão e com sua agressividade característica arrancou minha aliança de casamento de mim, saiu de cima de mim, por relance o vi pegar meu celular e bolsa, então ele correu para longe e ouvi o barulho característico de uma moto dando partida.

Eu comecei a chorar, em desespero, meu coração dentro do peito batendo forte. Tinha um homem atrás da minha família, que queria meu filho e estava ameaçando minha menina, ele tinha me machucado e estava por ai pronto para mais, além disso, era amigo de Laurent, provavelmente o cara que tinha repassado nossas informações para ele.

— Meu Deus, moça! — uma voz feminina falou perto de mim.

— Edward, liga para o Edward — implorei a mulher, eu chorava tanto que não enxergava nada.

— Edward? Merda, o que aquele cara fez com você? — ela perguntou. — Vi só quando ele saiu correndo daqui, parei meu carro e vim aqui te ajudar.

— Meu marido...

— Ele era seu marido?

— Não!

— Ok, melhor eu chamar a policia e a segurança de uma vez — ela disse, enquanto eu soluçava e me sentia com frio, vulnerável, completamente desprotegida, precisava ter certeza de que meu marido e filhos estavam bem, mas sequer podia mexer um dedinho de tão paralisada pelo medo que estava.

Aos poucos fui ouvindo mais vozes, mas a medida que isso ia acontecendo meu choro ia aumentando. Mesmo assim consegui contar parcialmente a um policia o que tinha acontecido, ele me garantiu que eu ficaria bem e me colocou no banco de trás da sua viatura.

Eu pensei em Charlie, em como queria que meu pai estivesse em Chicago comigo, para ser o policial me protegendo. Também queria minha mãe, ou melhor, precisava dela, só para que ela me fizesse rir de algo e me distrair daquela merda toda.

Entretanto, a pessoa que mais queria comigo naquele momento era Edward. Ele tinha de estar bem, assim como nossos filhos e eu necessitava ter meu marido me mantendo em um abraço apertado junto de si, garantindo que tudo estava bem, que ninguém nunca mais ia me machucar.

— Senhora Cullen, vamos. — Um dos policiais abriu a porta da viatura para mim, eu tinha dispensado uma ambulância quando lhes garanti que não tinha batido a cabeça, diante de um hospital.

— Não, me leve para casa! — exigi. — Eu preciso ir ver meus filhos.

— Senhora...

— Eu tenho que ver meus filhos! — gritei com ele.

— Senhora, você foi machucada, precisa ser atendida e medicada, precisamos ter certeza de que nada mais grave lhe aconteceu. — Ele segurou em minha mão e me tirou do carro.

— Não, não! — neguei, tentando me soltar dele, mas uma enfermeira já aparecia carregando uma cadeira de rodas e eu fui obrigada a sentar, naquele instante percebendo o quão dolorido meu corpo todo estava.

Eu estava com dor porque um filho da puta tinha me machucado, o mesmo que ameaçou minha filha, o que estava nos rondando. Meu choro se tornou ainda pior, enquanto me levavam para dentro do hospital, em minha mente eu só conseguia pensar uma única coisa.

Nada daquilo teria acontecido se Edward e eu não tivéssemos colocado Matthew em nossas vidas, se eu tivesse ignorado o menino humilhado no dia dos namorados, naquele instante culpei Matt por tudo. Pensar naquilo foi ainda mais devastador, eu me senti um monstro e a pior mãe do mundo.

— Senhora Cullen — um homem falou perto de mim, já no interior do hospital. — A senhora está tendo uma crise nervosa e eu vou precisar lhe sedar para que possamos lhe atender melhor.

— Matthew — murmurei, sentindo falta de ar. — Eu sou um monstro.

— Senhora Cullen, tudo ficará bem — o homem garantiu, injetando algo em meu braço.

Eu não acreditei naquelas palavras.

***

A primeira coisa que pensei quando despertei foi pizza, uma boa e maravilhosa pizza. Meu estômago estava doendo e percebi o quão faminta estava, no entanto, logo eu voltei à realidade e abri meus olhos.

— Querida? — Pisquei algumas vezes, acostumando com a claridade do quarto de hospital, me deparando com Edward pairando sobre mim.

Seu olhar era preocupado, mas ele me ofereceu um pequeno sorriso.

— Oi, querida! — ele falou com a voz embargada pelo choro que estava segurando.

— Não foi um pesadelo, foi? — perguntei com a voz rouca.

Ele negou com um aceno de cabeça, começando a chorar, se inclinando para beijar minha testa. Logo eu estava chorando também, com Edward me abraçando com delicadeza.

— O homem foi preso — Edward contou em meu ouvido, ainda me abraçando. — É Oscar, aquele mesmo que Matthew mencionou, amigo do Laurent. Meu pai está na delegacia, os policiais depois irão querer te ouvir...

— Ele ameaçou a Renesmee — sussurrei. — Ele podia ter feito pior com ela do que fez comigo. — Agarrei Edward, em pânico novamente.

— Ela está segura — Edward garantiu. — Meu pai mandou seguranças cercarem todo o nosso prédio, além disso Nelly está com ela e Matthew.

— Eu culpei o Matt, Edward. — Solucei.

— O quê? — ele perguntou, se afastando um pouco de mim, olhando diretamente em meus olhos.

— Antes de eu apagar, eu estava pensando que nada disso teria acontecido se o Matthew não tivesse entrado em nossas vidas — confessei.

Edward franziu o cenho.

— Sou um monstro, que tipo de mãe pensa isso?

— Bella...

— Eu me sinto tão mal, ele é só uma criança, não tem culpa de nada disso.

— Está tudo bem, Bella.

— Não, Edward, não está! — gritei. — Aquele cara fez o que fez comigo, ameaçou minha filha e eu culpei meu outro filho por isso. Eu não deveria fazer coisas assim, jogar responsabilidades sobre Matthew na primeira coisa que dá errado.

— Você quer interromper o processo de adoção, Isabella? — Edward indagou.

— O quê? Não, claro que não.

— Foi o que pensei — ele disse, tocando em meu rosto com a ponta dos seus dedos. — Eu não faço ideia do que você passou naquele estacionamento, querida, mas imagino que isso te abalou tanto que mexeu completamente com sua cabeça. Você ama o Matthew e se o culpou por algo hoje é por estar passando por um momento difícil demais, não porque o considera menos que Renesmee, ou qualquer coisa assim. Ele é seu filho, você o ama.

— Eu não consigo parar de pensar que aquele homem podia ter feito algo contra Renesmee — disse enojada. — E se tivesse feito seria porque estamos com o Matthew, eu sei que o amo, mas eu estou surtando em pensar em todas as hipóteses.

— Não vou poder resolver isso, querida — ele falou derrotado. — Vou chamar alguém daqui do hospital que possa fazer isso melhor do que eu.

— Não, por favor, não — implorei, agarrando o braço dele. — Eu não quero falar com ninguém, Edward.

— Você precisa.

— Não, eu preciso ir para minha casa e ficar com você e as crianças, só isso. — Suspirei. — Por que ainda estou na droga desse hospital?

— Os médicos querem te manter em observação por mais um tempo, é meio dia agora, você nem dormiu muito, talvez seja melhor voltar a dormir agora para que possa descansar melhor.

— Descansar é a última coisa que quero agora, Edward. — Ele voltou a me abraçar. — Você tem certeza de que aquele homem está preso?

— Absoluta, papai foi para a delegacia com os advogados dele assim que o prenderem, ele me contou que pegaram o tal Oscar não muito longe do shopping, todos seus pertences foram recuperados, estarão com você em breve. — Meu marido beijou minha bochecha. — Agora você só precisa ficar quietinha.

— Eu estou muito machucada?

Edward ficou em silêncio, por muito mais tempo do que julguei ser necessário.

— Edward?

— Um pouco arranhada nos braços, mãos. Tem um corte na bochecha e outro no lábio inferior. Falei com um dos médicos que te atendeu, ele disse que você está um pouco roxa na base de suas costas, por conta da queda resultante do empurrão que contou para a policia. Mas, o que importa é que ele não te feriu mais, que ele não fez nada pior do que isso.

Agarrei meu marido, chorando como antes, logo quando Oscar foi para longe de mim. Edward me manteve em seus braços, eu pensei que quando estivesse junto dele me sentiria totalmente segura, mas naquele momento eu não conseguia, continuava apavorada.

— Me desculpa — Edward pediu. — Eu queria ter impedido isso de acontecer, me desculpa falar que isso tudo que você sofreu foi pouco, sei que não foi, mas penso que poderia ter sido mil vezes pior... — Ele parou, fungando contra meu pescoço. — Também queria ter ido aquela delegacia acabar com esse homem que ousou tocar em você, mas meu pai me proibiu de ir, provavelmente porque eu acabaria preso. — Edward beijou minha testa e voltou a me olhar. — Hoje é o pior dia da minha vida, Isabella. Quando me falaram que você estava aqui... Eu não sei o que seria de mim sem você, querida.

Não falei nada, apenas continuei chorando e deixando ele me consolar. Em algum momento eu dormi, mesmo que tenha resistido no começo, mas Edward falou entre meu choro sobre eu ter tomado, além do sedativo, remédios para as dores em meu corpo, o que com certeza me dopou.

Quando acordei cerca de duas horas depois Edward não estava no quarto, mas Esme sim. Minha sogra, que estava visivelmente nervosa abriu um grande sorriso para mim e se aproximou da cama que eu estava.

— Nunca mais me dê um susto desses, Isabella! — ordenou, segurando minha cabeça e beijando o topo da mesma.

— Ligaram para você?

— Sim, você deu o número de Edward e o meu para um dos policiais, como eles não conseguiram falar com Edward ligaram para mim. Eu estava com Carlisle e nós dois viemos correndo para cá. — Ela segurou em minha mão, aquecendo-a entre as suas. — O médico irá passar aqui para te dar alta logo mais.

— Então, vou poder ir para casa?

— Infelizmente ainda não, Bella. — Esme suspirou. — Os policiais ainda querem falar com você, estamos esperando sua alta para que possamos levar você até a delegacia para que conte tudo melhor a eles.

— Tudo bem — cedi. — Cadê o Edward?

— Lá fora conversando com Carlisle — Esme respondeu, passando seus dedos por meus cabelos. — Liguei para seus pais, achei que você fosse querer que eles soubessem.

— É, acho que sim. Como eles reagiram?

— Seu pai estava furioso, ele queria voar até aqui, mas o convenci a ficar em Forks e o assegurei que cuidaríamos muito bem de você. Sua mãe não me atendeu, provavelmente pelo horário estava no trabalho, então mandei uma mensagem explicando e pedindo que ela me ligasse de volta, mas ela ainda não ligou e agora não me atende. Eu não tenho o número do seu padrasto, ou da sua irmã, sendo assim não consegui falar com eles, Edward também não tem os contatos deles, acredite, eu achei isso terrível e chamei a atenção do meu filho.

Renée ainda não tinha ligado para saber como eu estava? Mesmo que eu estivesse trocando mensagens com ela na hora do acontecido?

— Você sabe os números deles de cabeça? — Esme me perguntou.

— Não, não sei. Ângela tem os números, mas esqueça, eu falo com minha mãe outra hora.

A porta se abriu, Edward entrou com uma expressão furiosa no rosto, mas tentou a suavizar quando me viu acordada.

— O que aconteceu?

— Nada — negou. — Só meu pai que está tentando me proibir de ir com você até a delegacia.

— Você sabe o motivo — Esme se pronunciou. — Não queremos que se meta com aquele homem, Edward Cullen. — Ela olhou para mim. — Sei que você provavelmente quer Edward lá com você, Bella. Mas, nós sabemos como ele é esquentado e vai querer achar o cara e se vingar com as próprias mãos, isso só causaria mais problemas. Carlisle sugeriu que eu vá com Edward para o apartamento de vocês, enquanto ele leva você até a delegacia.

— Eu vou com a minha esposa acompanhar o depoimento dela — Edward proclamou.

— Vá para casa, Edward — ordenei, ganhando um olhar traído dele. — Estou falando sério. Vá ficar com as crianças e livre de problemas, seu pai pode muito bem me acompanhar até meu depoimento.

— Sou seu marido, eu tenho de estar ao seu lado nesse momento.

— Você só vai ficar mais nervoso.

— Isabella...

— Por favor — insisti. — Você sabe como eu já estou na merda com tudo isso, não preciso que fique também.

— Eu também já estou!

— Edward, por favor.

— Escute Isabella de uma vez — Esme se manifestou. — Também posso ir a delegacia se quiser — falou para mim.

— Não — neguei. — Você nem devia estar aqui, tinha de estar na sua quimioterapia.

— Eu posso fazer amanhã, hoje você é mais importante. — Ela beijou minha mão. — E você ficará livre de problemas — ela completou para Edward.

***

O médico apareceu alguns minutos depois, me fazendo algumas perguntas de como eu me sentia fisicamente, me prescrevendo alguns remédios para dor e por fim me liberando. Edward me ajudou a trocar de roupas — eu evitei me olhar no espelho do banheiro — e eu sai daquele quarto de hospital, do lado de fora meus sogros estavam à espera.

— Como você se sente? — Carlisle me perguntou imediatamente.

— Bem...

— Podemos adiar o depoimento se você quiser.

— Não quero, quanto antes isso acabar eu posso seguir em frente — murmurei, ele concordou com um aceno de cabeça.

— Vá para casa com sua mãe — Carlisle falou para Edward, que revirou os olhos, mas não protestou.

— Eu te amo — ele disse para mim, beijando meu rosto. — Estarei em casa te esperando.

— Também te amo. — Edward me soltou e Carlisle prontamente deixou com que eu apoiasse um braço no seu.

— Meu carro está na garagem superior, vamos até lá — meu sogro falou para mim, enquanto Esme e Edward já seguiam por outro caminho.

— Eu pensava que essa garagem era destinada as pessoas mais importantes do hospital.

Carlisle riu.

— Eles gentilmente me cederam uma vaga.

Dei um mínimo sorriso, mas ele logo morreu. Nós entramos em um elevador e vi meu rosto, o corte na bochecha e o do lábio, como vi a marca das mãos de Oscar em meu pescoço.

— Falei com ele — Carlisle sussurrou para mim. — Oscar.

— Você falou? — Confirmou com um aceno de cabeça.

— Por isso não queria Edward lá, ele sabe o que conversei com esse cara e ficaria louco para acertar contas.

— O que Oscar lhe disse?

— Que ele deveria ter... — Carlisle se interrompeu.

— Me matado? É isso, né?

Ele assentiu, um vinco se formando entre suas sobrancelhas.

— E levado Matthew consigo. Falei com os policias e Oscar falou para eles que tem lhes seguido a um bom tempo, monitorando seus passos, como disse que contou ao Laurent sobre vocês estarem com Matt e passou o endereço. — Carlisle massageou sua testa. — Edward me contou sobre a carta que receberam, vocês deveriam ter se cercado de seguranças.

— É minha culpa, eu não quis. — A porta do elevador se abriu na garagem. — Não faz ideia de quão arrependida estou.

***

Estar naquela delegacia foi aterrorizante, pois eu sabia que atrás daquelas paredes meu agressor se encontrava e mesmo que eu não fosse cruzar com ele ainda estaria sob o mesmo teto que o homem que me machucou. Contei tudo que aconteceu para o delegado, com Carlisle ao meu lado e dois advogados do meu sogro, além de Jenks que nos encontrou lá também, na sala.

Ainda assim, mesmo com meu sogro, com policiais por todos os lados e três advogados, eu seguia me sentindo desprotegida. O homem que me machucou estava preso — não era sua primeira prisão, ele já tinha sido preso anos atrás por roubo e solto, mas depois disso não foi fichado novamente — e o delegado deu a entender que ele continuaria por muitos anos com o que seu julgamento confirmasse em breve, mas eu nunca conseguiria de volta minha exata vida sem o peso da mão daquele cara em mim.

— Bella, você tem certeza de que não quer voltar ao médico? — Carlisle perguntou quando entramos em seu carro, eu mexia sem parar nas alças da minha bolsa que tinham me devolvido na delegacia, assim como meu celular e aliança já de volta ao seu lugar. — Está muito pálida.

— Não, eu não quero. — Coloquei meu rosto entre as mãos, lembrando-me com exatidão daquele homem me sufocando. — Eu me sinto culpada — confessei ao meu sogro.

— Por?

— Por tudo o que aconteceu. — Olhei para Carlisle. — Edward queria que andássemos com seguranças e eu recusei, me sinto culpada por isso. Também me sinto culpada por ter colocado Matthew em nossas vidas. — Carlisle me olhou surpreso. — Oscar só foi atrás de mim por conta do Matthew. Então, eu me sinto culpada por culpar meu próprio filho. — Esfreguei meu rosto. — Não sei o que fazer, não sei como encarar Matthew com isso dentro de mim.

— Ei, Bella. — Carlisle tocou em meu ombro gentilmente. — Todos nós temos um momento de pânico, você está tendo o seu e precisa vivê-lo, se o segurar isso vai lhe enlouquecer.

Comecei a chorar, me encolhendo no banco do carona.

— Eu vou te contar um segredo — Carlisle falou. —Quando tinha cinco anos de idade ouvi meus pais falando sobre uma ameaça de sequestro que sofreram, uma semana depois tentaram invadir nossa casa, não fizeram nada, logo foram detidos por seguranças, e eu era pequeno, mas lembro do pânico que senti ao saber dessas coisas. Acho que foi a primeira vez que senti o quão assustador o mundo podia ser, isso é verdade, o mundo é um lugar muito aterrorizante e sempre vamos acabar sentindo medo de algo. Mas, nós não podemos viver no pânico, ou nunca apreciaremos o resto, as coisas boas especialmente. Então, viva seu pânico, mas não viva nele, entendeu a diferença? E se eu estiver apenas lhe irritando e sendo um homem que não sabe de nada, você pode me mandar me foder.

— Vá se foder, Carlisle! — mandei, rindo em seguida, fazendo com que ele risse. — Mas, obrigada.

— Ninguém mais vai te machucar — Carlisle prometeu, falando comigo em um tom carinhoso, mas firme ao mesmo tempo, seu tom paternal. — Nem aos seus filhos, ou ao meu, é uma promessa.

***

Quando chegamos ao meu apartamento já era mais de quatro da tarde, antes que eu pudesse abrir a porta, Edward fez isso. No entanto, eu me surpreendi a ver que atrás dele estava Renée, minha mãe.

— Deus, Bella! — ela exclamou alto, me puxando para um abraço.

— Mãe! — exclamei de volta, surpresa demais com o fato de ela estar ali. — O que está fazendo aqui?

— O que acha que estou fazendo aqui, Isabella? — questionou, ainda me mantendo em seus braços. — Quando vi a mensagem de Esme essa manhã eu avisei ao meu chefe que precisava vir para Chicago, corri até o aeroporto e voei para cá imediatamente, precisava vir te ver.

Eu desatei a chorar, me sentindo grata por Renée ter voado até mim, quando pensei que ela nem estava se importando. Aquele dia eu estava sendo uma péssima mãe e filha, tudo ao mesmo tempo.

— Vai ficar tudo bem, filha — Renée garantiu, afagando minhas costas. — Você está segura agora.

— Como foi na delegacia? — Edward nos perguntou, pegando minha bolsa e a guardando no armário de entrada do apartamento.

— Normal, sei lá — respondi para ele, me soltando da minha mãe, mas ela ficou segurando minha mão. — Eles vão manter Oscar na delegacia, enquanto ele aguarda o julgamento. — Inspirei fundo. — Estou exausta, preciso de um banho de banheira e da minha cama, talvez comer algo antes de dormir.

— Nelly fez uma boa comida saudável para você — Renée contou. — Eu posso preparar seu banho, filha.

— Obrigada, mãe.

— As crianças estão lá em cima no quarto de Renesmee com Esme e Nelly — Edward contou, fazendo com que eu o olhasse. — Você quer vê-las?

— Claro, com certeza — sussurrei.

— Minha mãe sugeriu levar os dois para a casa dela hoje — Edward disse antes que eu pudesse me mover. — Para que você possa descansar melhor.

— Eles estarão protegidos na mansão — Carlisle assegurou. — E irão se distrair um pouco.

— O que você contou a eles que aconteceu? — perguntei a Edward.

— A verdade — declarou. — Um pouco editada, disse que você foi vitima de um assalto e que se machucou, mas que está ficando bem, só que vai precisar de um tempo para lidar com isso. Mamãe me ajudou, ela é ótima nisso. O que acha deles irem ficar com meus pais? Eu realmente os queria aqui, mas concordo que você precisa de um pouco de espaço e que eles vão precisar ser distraídos.

— É, isso é o melhor para todos — concordei. — Só preciso mesmo vê-los agora. — Larguei da mão de Renée e comecei a andar em direção à escada que me levaria ao segundo andar do apartamento, com Edward indo junto comigo.

Abri a porta do quarto de Renesmee devagar, mas foi o suficiente para ela me ver e gritar:

— Mamãe!

Ela correu até mim, eu me agachei e a peguei em meus braços.

— Oi, pequena! — A mantive em meu colo, por sorte meu corpo não doía mais, só estava com um pouco de dor de cabeça. Mas, o que importava era a menina em meus braços, ela estava bem, segura e intacta.

— Papai contou o que aconteceu, eu fiquei tão preocupada, mãe — Renesmee disse, me apertando ainda mais contra si.

— Estou bem agora, meu amorzinho. — A coloquei no chão e apertei a ponta do seu nariz.

— Mãe, olha, eu fiz um desenho para você! — Matthew apareceu do lado de Renesmee, me deixando tensa, ele carregava em suas mãos uma folha de papel com um Sol, árvores e o que parecia um rio desenhado.

— Ei, obrigada, Matt — agradeci, pegando o desenho, enquanto media meu tom de voz.

Matthew tocou no meu rosto, bem onde eu tinha sido ferida.

— Isso dói?

— Não dói mais agora. — Toquei na sua mão sobre meu rosto, recomeçando a chorar, pensando em Oscar batendo em mim. — Edward — choraminguei, ele rapidamente me tirou de perto de Matthew.

— Venha, vou te levar para o quarto — Edward falou comigo, já me tirando do de Renesmee.

Não protestei, não quis, eu precisava mesmo de um minuto de paz. Isso na minha mente era não ter Matthew diante de mim, fazendo com que eu lembrasse o motivo daquele homem ter me agredido, pensar isso me deixava pior e a paz parecia ainda mais longe de ser alcançada.

***

Sequer me despedi das crianças, elas foram embora com Esme, Carlisle e Nelly, até mesmo os filhotes foram, antes que eu pudesse me recuperar. Mamãe preparou meu banho como prometeu, depois me ajudou a vestir uma roupa confortável e me colocou na cama.

— Oi, querida. — Edward entrou no nosso quarto logo depois de Renée sair, ele carregava em suas mãos uma bandeja com comida.

— Oi. — Sentei na cama, deixando-o colocar a bandeja em cima de mim, eu precisava comer, estava faminta.

— Como se sente? — ele perguntou ao sentar do meu lado, apenas dei de ombros. — Sua mãe está lá embaixo falando com seu pai — falou. — Falei com ele mais cedo, Charlie queria adiar o casamento…

— Diga a ele para não adiar nada — falei, o interrompendo, enquanto começava a comer. — Não quero que a vida de ninguém pare por minha causa.

— Bella, é seu pai, ele tem direito de estar preocupado.

— Estou bem — menti, Edward arqueou uma sobrancelha. — Vou ficar bem — me corrigi. — E nós iremos para o casamento do meu pai como estava planejado.

— Certo, ao menos tire o resto da semana de folga — ele sugeriu. — Eu vou tirar também, voltamos a trabalhar segunda de tarde quando retornamos de Forks.

— Você tem que trabalhar, eu também.

— Nós dois precisamos de uma pausa, Bella — alegou. — Jasper vai me cobrir e Emmett pode te substituir, no momento descansar é o que precisamos, especialmente você. — Beijou meu ombro.

Não discuti, sabia que era capaz de Edward armar férias forçadas para mim se eu insistisse em não parar por aqueles dias. Me concentrei em comer, ainda com meu marido ao meu lado.

— Liguei para a psicóloga, a Agatha — ele voltou a falar. — Disse para ela que Matthew estará em outro endereço amanhã para que ela possa ir até ele.

— Certo.

— Também contei o que aconteceu hoje. — Eu o encarei.

— Por quê?

— Porque apesar de nós estarmos conseguindo abafar isso, ao menos por enquanto, da imprensa e todo o resto, em algum momento pode vir a público e acredito que o pessoal da adoção deva saber. Jenks está cuidando da parte burocrática da coisa, agora que sabemos quem deu informações pessoais nossas para Laurent, ele vai pedir que assim que Laurent for enfim julgado seja imediatamente transferido para um presidio em outro estado.

— Alguma previsão do julgamento?

— Em julho. — Edward bebeu um gole do meu suco.

— Ok. — Entreguei a bandeja para ele. — Agora quero dormir.

— Bella, sobre Agatha eu acho que você deveria ter uma conversa com ela, o que me diz?

Meu corpo tencionou.

— Pense sobre isso, ela está esperando uma resposta minha para confirmar se deve vir aqui amanhã depois de falar com Matthew ou não.

— O que você acha?

— Que você precisa se abrir com alguém, querida.

— Eu posso fazer isso com você.

Edward sorriu, mas seus olhos estavam marejados.

— Eu sei que no momento conversar comigo não é o suficiente.

— Eu sequer sei o que falar, foi tudo muito rápido e assustador. — Edward tirou rapidamente a bandeja da cama e me puxou para seus braços.

— Você está em casa agora, querida.

Assenti, mas não me sentia segura. Eu achei que nunca mais me sentiria, por isso falei:

— Peça para Agatha vir aqui.

Eu precisava de ajuda.

***

Dormi pelo resto da segunda-feira, acordando só na manhã de terça, com mamãe me acordando para que eu fosse tomar banho e pudesse comer algo. Fiz isso, depois desci e comi algo com ela e Edward, que me avisou que Agatha estaria ali antes da hora do almoço.

Depois do café voltei para minha cama, após discutir com Edward que confiscou meu celular, a forma dele de me manter longe do trabalho. Porém, não demorou muito para que eu o chamasse para deitar comigo.

— Quanto tempo mesmo minha mãe vai ficar? — perguntei para ele.

— Ela vai embora hoje, no começo da noite — ele me respondeu. — Não pode ficar mais tempo afastada do trabalho.

— É estranho ter ela aqui — confessei. — Principalmente cuidando de mim.

— Você não gosta disso?

— Não, eu gosto. — Sorri um pouco. — Mas a comida que ela fez para o café da manhã...

— Horrível — Edward completou, fazendo com que eu concordasse, rindo um pouco.

— Como as crianças estão?

— Bem, estão com Nelly e meu pai na mansão, tia Athenodora foi acompanhar a mamãe na quimioterapia. — Edward passeava uma mão pela lateral do meu corpo, que não doía mais, mas eu sentia um pouco de ardência nos cortes e nos arranhões.

— Eles deveriam estar aqui.

— Nós podemos buscá-los amanhã — Edward falou. — Eu recebi uma mensagem mais cedo do David, perguntando porque não fomos ontem para o grupo de apoio, desconversei e falei que estávamos ocupados lidando com a mudança de escola das crianças. Ele me indicou a que John estuda, disse que é uma boa escola, atualizada ao mundo e que mesmo que não tenha mil prêmios, ou um renome, é uma instituição apropriada. Podemos buscar as crianças na casa dos meus pais amanhã, deixamos o apartamento livre para mamãe acabar de arrumar o quarto de Matt, e levamos Renesmee e Matthew para ver essa escola nova. O que acha?

— Obrigada por estar planejando as coisas quando eu não consigo — agradeci sinceramente, Edward sorriu.

— Adoro ser seu copiloto, querida.

— Edward?

— Diga.

— Será que algum dia o Matthew cometeu algum crime? — Vi Edward ficar pálido. — Quando ele estava morando na rua com Laurent.

— Bella, isso... — Ele se calou, sem conseguir continuar.

Fechei meus olhos, Edward tirou sua mão de mim.

***

Agatha apareceu justamente antes do almoço, como Edward tinha avisado. Isso fez com que ele tivesse uma desculpa para sair com minha mãe e ir comprar nosso almoço, evitando que Renée cozinhasse mais alguma coisa ruim para comermos.

Eu me reuni com a psicóloga no escritório de Edward, com ela sentada ao meu lado no sofá.

— Você falou com o Matthew?

— Falei sim — ela me respondeu. — Falei até um pouquinho com Renesmee, ela queria desabafar sobre ter agredido o menino na escola.

— Claro, ainda tem isso — choraminguei.

— Como você se sente, Bella?

Balancei a cabeça em negação.

— Fora de mim — confessei. — É como se eu não conseguisse pensar em absolutamente nada além do que me aconteceu ontem. — Apertava uma mão na outra. — Bom, nisso e em ficar me culpando.

— Culpando? Por que se sente culpada?

— Porque eu atribui o assalto e Oscar, o homem que fez isso, me agredindo ao fato de eu estar com Matthew. Se eu não estivesse adotando Matt aquele homem não estaria atrás de mim, então nada disso teria acontecido. Desse jeito, eu culpei Matthew e agora estou me culpando por ter o culpado.

— Você está arrependida da adoção?

— Não, eu com certeza não estou, mas também não consigo deixar de pensar na realidade alternativa onde eu nunca teria conhecido Matt, logo não teria apanhado.

Coloquei o rosto entre as mãos.

— Eu sou um monstro, não sou?

— Você é humana, Isabella. Tem direito de se sentir assim depois do trauma sofrido.

— Quando isso acabará?

— Não há uma data limite para isso. — Olhei para Agatha. — Você pode acordar amanhã e estar se sentindo muito melhor, mas pode acordar daqui a dez anos e se sentir muito mal com o que aconteceu. Mas, precisa se desculpar, tem que começar por ai.

— Mesmo por ter culpado meu filho?

— Principalmente por isso. Como falei, você passou por um grande trauma, Bella, não é algo que não vá refletir em sua vida, com certeza irá. Me conte mais sobre o assalto, como ele agiu com você.

— Não, Agatha...

— Tudo bem, já que não quer falar vou entender, mas preciso que você comece uma terapia, ok? Eu não posso te atender sempre, sou a psicóloga destinada ao caso de adoção, mas você pode fazer um atendimento com outro profissional. Pode tentar fazer isso?

— Acho que sim.

— Ok, tem certeza de que não quer me contar mais nada sobre ontem?

— Eu pensei que ele iria me estuprar — as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse as conter. — E ele disse que poderia fazer coisas com Renesmee, o que só me faz pensar que aquele filho da puta poderia abusar da minha filha. Eu também não falei isso para Edward ainda, ou sequer admiti para mim mesma, mas tenho medo que ele tenha feito algo desse tipo com Matthew, ou que outra pessoa possa ter feito.

— Matthew não apresenta sinais de abuso sexual, Bella — ela falou, me fazendo sentir um pouco mais segura. — Eu conversei um pouco com Matthew hoje sobre Oscar, ele não apresentou nenhum medo sobre o homem, disse que era um amigo de Laurent e que gostava dele.

— Ele gostava daquele homem?

— Ele estava sempre por perto, Bella — Agatha esclareceu. — Era um amigo de Laurent e o ajudava a cuidar de Matthew.

— O que mais Matthew falou sobre Oscar?

— Eu não posso te falar mais nada, mas acredite em mim, Matthew não apresenta sinais de abuso sexual e eu prometo que ficarei de olho nas próximas consultas para caso ele esteja escondendo algo muito bem, ok?

— Você promete?

— Prometo. E Bella, você tem todo o direito de estar apavorada, mas preciso mesmo que comece uma terapia e trabalhe sobre esse assunto.

— Eu vou fazer isso.

— Ótimo.

— Matthew falou algo de mim?

— Sabe que não posso te dizer mais nada. Mas, ele falou bastante de você na consulta de hoje.

— Bem ou mal?

— O que você acha?

Bem, eu sabia que tinha sido coisas boas.

***

Agatha saiu logo em seguida, me dando contatos de psicólogos que poderiam me atender, minha mãe e Edward já tinham retornado para casa, então fui direto para os braços de Renée.

— Melhor?

— Um pouco — respondi sua pergunta, beijei a bochecha dela e me voltei para Edward. — Querido, eu quero ir buscar as crianças agora, não quero esperar até amanhã.

— Eu posso ir buscá-las sozinho.

— Não, preciso sair um pouco de casa.

— Acho que passear vai te fazer bem mesmo — mamãe comentou.

— Mas...

— Edward, por favor, querido. Não quero ficar trancafiada aqui.

— Estou com medo de sair com você — ele confessou. — Medo que outra coisa te aconteça.

— Você vai estar comigo, estarei bem.

— Belo flerte — ele elogiou.

— Eu sei. — Mamãe riu da nossa troca, sorri para ela. — Acho que vamos ter que guardar o almoço para mais tarde, podemos comer na mansão.

***

Mamãe, Edward e eu saímos de casa, indo no Volvo do meu marido. Felix já tinha recuperado meu carro do estacionamento do shopping, mas eu não queria dirigir a Mercedes, muito menos Edward e nosso motorista tinha ganhado outro dia de folga.

Assim que deixamos a garagem do nosso prédio vi dois carros pretos e desconhecidos nos seguindo, o que logo me deixou em alerta.

— Edward, tem dois carros nos seguindo — murmurei aflita.

— Seguranças — ele disse. — Vão ficar na nossa cola por mais um tempo, ok? Mesmo que Oscar esteja preso.

— Claro, claro, melhor assim.

Edward dirigiu rapidamente até a casa dos seus pais, por sorte mamãe estava conosco e ela falou sem parar sobre as diferenças entre Chicago e Phoenix, o que foi capaz de me distrair muito bem. Mal senti o caminho passar, assim como me senti bem de nada ter acontecido durante o percurso.

— Ei, não sabia que vocês estavam vindo! — Nelly abriu a porta da mansão para nós com Fred e George aos seus pés.

— Bella acabou de decidir — Edward respondeu. — Estou faminto, diga que tem comida aqui.

— Com certeza tem — Nelly respondeu enquanto todos nós entravamos na casa. — Na verdade, a cozinheira acabou de prepará-lo, eu estava indo até o escritório do seu pai chamar por ele e as crianças para almoçarem.

— Faço isso — me disponibilizei rapidamente, precisando me sentir útil. — Vocês podem ir comendo.

Segui caminho até o escritório de Carlisle, encontrando meu sogro sentado no chão com os netos, os três desenhavam.

— Bella! — exclamou surpreso.

— Mãe! — Renesmee acenou para mim.

— Oi, mãe! — Matt correu para meus braços, eu expirei alto, me abaixando e o carregando. Senti o cheirinho do seu perfume infantil e me senti tranquila, o que me fez o abraçar mais forte.

— Ness, você e seu avô podem ir descendo para almoçar, preciso conversar com seu irmão rapidinho.

— Tá bom, mãe — ela concordou. — Vamos, vovô.

— Sim, senhorita Cullen. — Carlisle saiu com ela e coloquei Matt no chão, o levando até o sofá para que sentássemos.

— O que foi, mãe?

— Matthew, o que aconteceu ontem comigo, o assalto, mexeu demais com a minha cabeça, queria que soubesse disso.

— Tudo bem — ele falou, assentindo. — Edward explicou, você tá melhor?

— Um pouquinho — respondi, afagando o rosto dele.

— Edward falou que bolo torna tudo melhor — Matthew disse em um tom animado. — Você precisa comer um pedaço de bolo, ai vai tudo melhorar, mamãe.

Eu ri, mas logo estava chorando. Matthew, então, me abraçou.

— Não chora, mãe, tá tudo bem.

— Obrigada por cuidar de mim, pequeno — agradeci, beijando o topo da sua cabeça. — Matt, posso te perguntar algo?

— Pode sim. — Ele me soltou, me olhando em expectativa.

— Alguma vez Laurent pediu que você fizesse alguma coisa errada por ele? Ou outra pessoa?

— Tipo roubar? — perguntou assustado.

— Isso.

Matthew desviou o olhar para o chão.

— Matt?

— Uma vez eu fui a uma lojinha de comida com tio Oscar, ele pediu que eu pegasse cigarros enquanto o vendedor não via, mas eu não tive coragem, mãe. — Voltou a olhar para mim. — Juro, juro, juro que nunca roubei nada.

— Eu acredito em você. — Beijei sua bochecha. — Esse tal de tio Oscar. — Engoli em seco. — Já fez algo que te machucasse?

— Não, ele era legal.

— Nunca tocou você de forma errada?

— Como assim?

— Por dentro das suas roupas, em suas partes... Você sabe, as partes dentro da cueca.

— Não, ele nunca fez isso, mãe! — exclamou rapidamente, torcendo o nariz. — Teria sido nojento.

— E errado, muito errado, Matthew. Nunca deixe que ninguém lhe toque dessa forma, certo? Principalmente adultos. Vamos conversar melhor sobre essas coisas depois — prometi. — Está com fome?

— Estou.

Eu levantei do sofá, esticando uma mão para ele.

— Vamos almoçar e depois conseguir um generoso pedaço de bolo do seu avô.

— Mamãe?

— Sim?

— Eu estava com saudades. — Ele voltou a me abraçar, eu rapidamente estava o abraçando também.

— Também estava com saudades, filho.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 29.08.18