Nossa Família

51 Capítulo Cinquenta — Aeroporto


Notas iniciais
Boa leitura!

— Capítulo Cinquenta —

— Aeroporto —

Edward Cullen

Renée eu seguíamos pelo aeroporto, indo até a área de embarque para que ela pudesse ir pegar seu avião de volta para Phoenix naquela noite de terça-feira. Estávamos apenas nós dois no aeroporto — se ignorássemos os dois seguranças nos escoltando de longe —, Bella tinha preferido ficar em nosso apartamento com Nelly e as crianças, o que era completamente compreensível, eu conseguia entender que ela não se sentiria confortável em um aeroporto cheio com tanto em sua cabeça.

— Você tem certeza de que pegou tudo? — perguntei para Renée quando chegamos perto da área de embarque.

— Tudo aqui — ela confirmou dando uma batidinha em sua mala de mão — Phill tinha aprontado para ela e levado até a esposa no aeroporto de Phoenix quando ela saiu apressadamente até lá —, tinha viajado com pouco, uma vez que sua passagem por Chicago foi rápida. — Por favor, me avise sobre qualquer coisa — pediu preocupada.

— Pode deixar, seu número já está na discagem rápida.

Renée afagou meu braço carinhosamente.

— Bella vai precisar muito de você, eu sequer consigo imaginar como ela está se sentindo de verdade com tudo isso.

— Eu vou estar lá por ela.

Minha sogra começou a chorar, fazendo com que eu prontamente a abraçasse delicadamente, querendo a confortar, um pouco que fosse. Quando Renée chegou ao apartamento no dia anterior foi aos prantos e nervosa demais, ela estava surtando para saber o que realmente tinha ocorrido com sua filha mais velha e se culpando por não ter conseguido chegar antes para ajudar Isabella.

— Renée, a Bella é muito forte — falei para minha sogra. — Ela ficará bem, você criou uma mulher incrível.

— Não fiz muito — ela rebateu, ainda chorando. — Bella fez a maioria por si mesma, eu fui uma terrível mãe, ainda sou.

— Não diga isso. — Me afastei um pouco dela, que balançou a cabeça em negação, se soltou de mim e secou suas lágrimas. — Renée, a Bella te ama.

— Eu sei disso, mas também sei que errei muito com ela como mãe, ainda erro. — Me encarou. — Você sabe disso muito bem, lembra-se de como agi quando descobri sobre a adoção de Matthew.

— Você está melhorando sobre isso, não?

— Não estou nem um pouco perto do que deveria estar como avó, Edward — declarou. — Porra, eu com certeza estou longe do padrão estabelecido por sua mãe — falou, fazendo com que eu risse.

— Não ria de mim! — chamou minha atenção, soando indignada.

— Desculpe — pedi rapidamente, parando de rir para que ela não ficasse mais aborrecida comigo. — Mas, você não precisa ser uma avó como Esme, Renée — falei, ela bufou. — É sério, vocês duas são pessoas diferentes, por isso tem maneiras distintas de agirem em todas as situações da vida, não precisa ficar se comparando a ela.

— Você é bem espertinho, né? — Renée sorriu um pouco, parecendo mais tranquila.

— Foi minha inteligência que conquistou sua filha, Renée.

Ela riu.

— Não de primeira — ela falou. — Todo mundo sabe como vocês se conheceram.

Eu ri também.

— Ok, não de primeira. — Nós paramos de rir quando escutamos o sistema de som do aeroporto anunciar o voo dela.

— Hora de ir — Renée disse, fungando. — Vai cuidar da minha menina, não é, Cullen?

— Pelo resto da minha vida. — Renée assentiu sorrindo.

— Das crianças também. Eu fiquei tão chocada com o que aconteceu na última escola delas, espero que superem isso.

— Vou cuidar delas também, para sempre. — Respirei fundo ao pensar no problema da escola das crianças e como aquilo estava não sendo só um problema por conta do racismo sofrido por Matt, como um atraso em sua vida acadêmica. — Renée, o que acha de você vir passar as férias em Chicago?

Ela me encarou surpresa.

— Sério?

— Sério... Quero dizer, vou ter que confirmar isso com a Bella, nós sabemos que precisamos da opinião dela a respeito desse assunto, mas acredito que seria algo muito bom para todos. Você teria mais tempo não só com Isabella, mas também com Matthew e Renesmee. Além do mais, você é uma professora, caso não seja pedir demais, talvez pudesse dar uma ajuda para Matthew nesses assuntos e o auxiliar a elevar o nível escolar, porque é um fato de que ele precisa de um suporte maior.

Renée abriu um grande sorriso, sua expressão corporal também ficando mais relaxada.

— Isso seria mesmo muito bom, Edward. Ficar mais com Bella e Renesmee, assim como conhecer melhor Matthew e poder ajudá-lo no que for preciso.

— E ter seu maravilhoso genro por perto — brinquei, ela revirou os olhos, mas riu.

— Convencido.

— Eu sei, não consigo não ser.

— Converse sobre isso com Bella, certo? — ela sugeriu. — Se ela não odiar a ideia eu estarei aqui nas férias com muito prazer.

— Não acredito que ela vá odiar, aliás, Bella adorou que você tenha vindo. Sério, ter você aqui ajudou muito ela.

— Mesmo?

— Confia em mim. Bom, menos a sua comida, isso não ajudou muito não — confessei, Renée bateu em meu braço.

— Agora é minha hora de ir. — Olhou para o portão atrás de si. — Cuide de todo mundo e pare de falar mal da comida da sua sogra por ai.

— Pode deixar! — Nós nos abraçamos mais uma vez e eu a deixei seguir.

Esperei mais um pouco até deixar o aeroporto e ir para o estacionamento, podia ver ao longe os seguranças me seguindo. Ainda tinham mais três aos arredores do prédio que morávamos, papai estava mantendo nossa segurança em alta e eu apreciava isso, queria ter certeza de que minha esposa e filhos estariam protegidos vinte e quatro horas por dia.

Entrei em meu carro e fiquei parado, apenas encarando o volante, me sentia exausto. Não apenas fisicamente, mas principalmente mentalmente, eu não tinha dormido nada na última noite e não conseguia parar de pensar no ataque que Isabella tinha sofrido.

Desde que meu pai contou quem era o responsável por aquilo quis ir até Oscar e quebrar a cara dele, fazer com que ele sentisse mais dor do que minha esposa tinha sofrido, porém Carlisle me proibiu e resolveu tudo só. Aquilo me deixou puto, mas talvez fosse melhor, talvez eu não devesse me tornar um agressor como aquele homem.

Fechei meus olhos, recostando a cabeça no banco do carro. Não demorou nada para que eu começasse a chorar, coloquei minhas mãos sobre o rosto, mas o choro permaneceu e as lágrimas escorriam por minha face.

Sabia que não devia ficar pensando naquelas coisas, mas imaginava tudo de ruim que poderia ter ocorrido a minha esposa durante aquele ataque. Coisas ainda mais graves, ela já estava machucada e fragilizada, mas Oscar poderia ter feito pior. Ele também poderia ter usado Renesmee como um alvo, minha garotinha.

Meu celular tocando me levou de volta à realidade, tirei as mãos do rosto e peguei o aparelho do suporte do Volvo. Era um número que eu não reconheci, fiquei preocupado, o que me fez atender a ligação imediatamente.

— Alô? — Ninguém respondeu a primeiro momento. — Alô? Quem fala? — insisti. — Ok, seja lá quem for, estou desligando — avisei, o que fez a pessoa se manifestar.

— Edward, sou eu. — Reconheci a voz, era Irina.

— O que você quer comigo? — indaguei furioso.

— Ei, não precisa ser estúpido — chamou minha atenção. — Você estava chorando? — questionou.

— Não tenho tempo para você, Irina — declarei.

— Só liguei para saber como você e Renesmee estão.

— O quê? — Aquilo me freou de desligar de uma vez.

— Eu soube o que aconteceu com ela na escola, Renesmee está bem?

— Não preciso que você se preocupe com a minha filha, Irina — deixei bem claro. — Renesmee tem uma mãe.

— Eu sei muito bem que não sou a mãe da Renesmee, Edward — ela disse irritada. — Mas, fui sua amiga por anos e convivi com essa garota por muito tempo, tenho o direito de saber como ela está depois do que ocorreu na escola.

— Você não tem direito nenhum envolvendo minha filha, ela não é nada sua, Irina Denali! — exclamei. — Além do mais, o que ocorreu a ela foi na mesma escola que seu atual namorado tem uma grande participação financeira, então pergunte a ele como a instituição atuou nesse caso.

— Sei bem como a escola atuou nesse caso.

— Claro que sabe, você provavelmente ajudou a colocar Renesmee para fora e sabia que tiraríamos Matthew também. Era isso que queria? Prejudicar nossos filhos e nos atingir por tabela? Você conseguiu, meus parabéns. Mas, não precisa ligar e zombar, me esqueça, Irina!

— Você é um idiota...

Desliguei antes que ela pudesse falar qualquer outra coisa, larguei o celular sobre o banco do carona e soquei o volante, precisando extravasar um pouco da raiva acumulada dentro de mim. Ainda estava socando o volante quando meu celular voltou a tocar, mas daquela vez era Bella.

— Ei, olá, querida! — a atendi, soando o mais tranquilo possível, sem querer transparecer minha raiva para ela, que não precisava de mais preocupações.

— Cadê você?

— Saindo do aeroporto. — Liguei o carro. — Como você está?

— Cansada — sussurrou. — Estou saindo do banho e morrendo de dor de cabeça, vou tomar algo e tentar dormir, as crianças estão lá embaixo fazendo o jantar com Nelly.

— Você já comeu algo?

— Um pouco, mas preciso mesmo dormir. Vem logo para casa, tá?

— Já estou indo. Logo vou estar com você, querida.

— Obrigada. Você está bem?

— Estou.

— Ok, te vejo em casa.

— Certo, eu te amo.

— Também te amo, Edward.

***

Entrei em casa e logo fui atacado pelos filhotes, me permiti um minuto com eles no hall de entrada. Mas, não demorei muito mais, precisava ver meus filhos e depois ir ver como Isabella estava.

Fui até a cozinha, onde as crianças estavam com Nelly, os três jantando. Riam de algo, o que era bom, eles pelo menos estavam menos tensos. Também não tinha sido nada fácil contar a eles sobre o assalto, por sorte minha mãe estava lá para me ajudar a contar.

— Oi, Edward! — Matthew foi o primeiro a me ver.

— Oi, filho! — Terminei de entrar na cozinha, beijando a bochecha dele e de Renesmee, abraçando Nelly. Precisava de um pouco de conforto materno, talvez eu devesse sequestrar mamãe para nosso apartamento por um tempo.

— Quer comer algo, menino? — Nelly me perguntou.

— Não, estou sem fome — respondi.

— Melhor para você, pai — Renesmee disse. — O Matt colocou sal demais no nosso espaguete e agora nos restou um suspeito omelete de cenoura.

— Ei, é saudável! — Nelly exclamou.

— Mas não é gostoso.

— Melhor do que o meu espaguete ruim — Matt disse torcendo o nariz. — Parecia que a gente tava lambendo o sal do saleiro.

— Parecia que eu tinha bebido água do mar — Renesmee falou.

— Parecia que eu tinha tomado suco de sal e colocado mais sal — Matt disse de volta e percebi que aquilo ia longe.

— Ok, eu vou ir ver a mãe de vocês, cuidado com o sal — alertei, antes de subir para o segundo andar pela escada da cozinha.

O quarto que eu dividia com Isabella estava em um completo breu, assim como absurdamente silencioso. Eu tirei meus sapatos e deixei eles pelo caminho, fui até nossa cama e sentei na beirada, até deslizar pelo colchão e deitar. Bella que estava encolhida em seu lugar abriu seus olhos, dando um pequeno sorriso a me ver.

— Oi, querido.

— Desculpe te acordar — pedi, ela negou.

— Não estava dormindo, não consegui — sussurrou. — Cansada demais até para isso. Mamãe?

— Já deve estar voando agora. — Afastei uma mecha de cabelo de Bella do seu rosto. — Quer que eu busque algo para você comer?

— Não, não precisa.

— Quer pedir algo? Uma pizza?

Bella sorriu de novo.

— Eu bem que queria uma pizza, mas hoje não aguento mais nada. Só fica aqui comigo — pediu, se movendo na cama para mais perto de mim. — Quem sabe com você junto de mim consigo dormir.

Eu a envolvi em meus braços, deixando com que ela repousasse seu rosto em meu peito.

— Aproveite, logo Matthew deve aparecer querendo o espaço dele.

— É, nem sei como ele aceitou dormir só com a Ness na casa dos seus pais.

— Talvez por não estarmos por perto, assim ele deve conseguir ser mais independente. O que você falou com ele mais cedo? Na casa dos meus pais?

Bella ficou em silêncio por um tempo, mas eu sabia que ela não estava dormindo. Isso se confirmou quando ela respondeu:

— Perguntei se ele já tinha feito algo de errado.

— O que ele respondeu?

— Que Oscar tentou fazê-lo roubar uma loja. — Senti meu sangue ferver ao escutar aquilo, assim como a vontade de quebrar a cara daquele cara aumentar. — Ele não fez isso — Bella continuou a falar. — Nunca cometeu um crime, eu não sei como posso ter desconfiado disso. — Apertou ainda mais seu rosto contra meu peito.

— Vocês falaram sobre algo mais? Tudo bem caso não queira me contar.

— Não, te diz respeito também — ela disse. — Você é pai dele, Edward. Eu também perguntei se Oscar já tinha abusado dele... — Afastei Isabella de mim no mesmo instante, a encarando apavorado. — Eu precisava saber — ela disse baixinho. — O jeito que Oscar falou sobre Renesmee, ele podia ter feito algo contra Matt.

Me senti enjoado ao escutar aquilo, como muito assustado ao imaginar aquela hipótese.

— Ele não fez nada — Bella se apressou em falar. — Nem outra pessoa. E eu tinha falado com Agatha sobre isso antes, ela também não acredita que Matthew tenha passado por qualquer tipo de abuso sexual, mas ficará mais atenta sobre de agora em diante.

— Porra — xinguei, Bella mordeu seu lábio inferior.

— Desculpe, Edward.

— Não precisa se desculpar por nada, Isabella! — Esfreguei meu rosto com as mãos. — Eu só... — Sequer conclui minha fala, comecei a chorar, desesperadamente.

— Querido, ei, calma — Bella falou, afagando meu rosto, mas eu não conseguia.

— Foi mal, eu só... — Continuei chorando.

Bella não disse mais nada, muito menos eu. No entanto, minha esposa voltou a me abraçar, deixando com que fosse meu turno de choro e como era desde sempre ela estava lá por mim.

***

Na manhã seguinte Isabella e eu fomos com Matt e Ness conhecer a opção dada por David de escola para as crianças, já tínhamos uma reunião marcada com a diretora e tudo. Bella parecia um pouco melhor aquela manhã, tinha até acordado antes de mim e feito o café para todos em casa, como estava falando sem parar no carro comigo e nossos filhos sobre os nossos planos para a viagem até Forks.

Eu sabia que ela ainda estava machucada, não só fisicamente — como seus hematomas e cortes deixavam aparentes —, mas sabia que ela estava dando seu melhor para se manter firme. Antes de sairmos de casa ela tinha marcado uma consulta com uma psicóloga indicada por Agatha para a próxima terça. No dia seguinte aconteceria a reunião com os Rowell e os advogados, onde eu compareceria só com Renesmee. Preferia que Bella não se colocasse em mais tensão aquela semana, por sorte ela concordou comigo.

— Tem uma boa aparência — Bella disse quando eu coloquei o Volvo no estacionamento.

— Melhor ainda se a diretora não for uma bruxa — Renesmee sussurrou do banco de trás.

— Controle sua língua, mocinha! — Bella ordenou.

— Desculpa, mãe!

— Ok, vamos conversar. — Tirei meu cinto e olhei para as crianças, Isabella fez o mesmo. — Sua mãe e eu vamos analisar a escola com nossos experientes olhos de adultos, mas tenho uma missão especial para vocês dois — falei para Matthew e Ness. — Quero que vocês a analisem também, certo? Quero que me digam quando eu perguntar como se sentiram com a escola como um todo, os funcionários que conheceram, a estrutura do local, preciso saber do sentimento de vocês a respeito desse lugar. Se vocês se sentirem desconfortáveis, ou qualquer coisa assim, nós iremos continuar buscando por outra escola. Entendido?

— Sim, pai — Renesmee falou.

— Beleza — Matthew disse.

— Bella? — Me voltei para ela, que sorria orgulhosa para mim.

— Mais do que entendido, querido. — Beijou meu rosto. — Adoro ver você tão determinado assim.

Sorri para ela e lhe dei um rápido beijo em seus lábios.

— Eca, isso é nojento! — Matt protestou, fazendo com que Bella e eu rissemos.

— Ok, clã Cullen, para fora do carro! — proclamei.

Bella e eu saímos do Volvo, ajudando as crianças saírem também. Algumas vagas de distância no estacionamento da escola vimos os dois carros com seguranças, que saíram dos veículos assim que saímos do nosso.

— Isso é tão estranho, ficar sendo seguida — Bella falou para mim enquanto andávamos até o interior da escola.

— Sabe que é preciso, querida. Pelo menos por mais um tempo, não sabemos se Oscar tinha algum cúmplice, ou vai saber o quanto Zafrina está envolvida nisso.

— Sim, eu sei — murmurou, seus olhos fixos em Matt que ia mais a nossa frente junto com a irmã. — Agora vamos focar na escola, parece mesmo um lugar bom.

— Só de não parecer um fodido castelo já é muita coisa — falei. — E Renesmee está certa, melhor ainda se a diretora não for uma bruxa.

— Ou no mínimo não ter a cabeça de um javali na sala dela. — Bella estremeceu. — Aquilo era horrível.

— Nem me fala.

Nós logo chegamos à recepção e fomos encaminhados até a diretoria, a assistente da diretora chamou pela mulher que deixou a sala. Era uma mulher por volta dos seus quarenta anos, branca, cabelos castanhos claros curtos, olhos azuis e um sorriso simpático no rosto.

— Olá, estava esperando por vocês! — ela exclamou, estendendo sua mão para Bella. — Elle Gillan.

— Isabella Cullen — minha esposa disse ansiosa, talvez não só por estar conhecendo a possível futura diretora escolar dos nossos filhos, mas por seu rosto machucado que ela não tinha conseguido cobrir com perfeição com maquiagem. — Esse é meu marido Edward.

— Olá, senhor Cullen. — Elle apertou minha mão também. — E vocês devem ser os filhos de Isabella e Edward, não? — ela falou em um tom gentil com as crianças. — Como se chamam?

— Eu sou a Renesmee, ele é o Matthew — Renesmee assumiu a dianteira das apresentações.

— É um prazer conhecer todos vocês — Elle disse. — O que acham das crianças irem conhecer a escola com a Julian? — perguntou de Bella para mim, gesticulando para sua assistente.

Bella e eu hesitamos, deixar as crianças andando por ai com alguém que não conhecíamos não era o que queríamos naquele momento.

— Ou, eles podem esperar aqui mesmo na sala de espera enquanto nós três conversamos — Elle sugeriu, notando nosso receio. — A minha sala tem uma grande janela de vidro. — Apontou para o local, onde podíamos comprovar o que tinha dito. — Vocês podem ficar de olho nos dois lá de dentro.

— Isso parece melhor para mim — Bella falou. — Por favor, se comportem e não saiam daqui — pediu para as crianças.

— Pode deixar, mamãe — Renesmee disse, segurando no ombro de Matthew. — Tomo conta do Matt.

— Eu tomo conta de você! — Matthew exclamou.

Renesmee negou com um aceno de cabeça.

— Sou a mais velha aqui, irmãozinho, eu tomo conta de você.

— Um toma conta do outro — resolvi o problema.

— Venham crianças, vocês podem brincar aqui! — Julian chamou por eles, os levando até uma área da sala onde tinha um grande tapete de E.V.A no chão, com vários brinquedos para diversas idades.

— Vamos. — Elle nos conduziu até sua sala, onde deixou com que Bella e eu nos acomodássemos nas cadeiras diante de sua mesa e ela foi para seu lugar. — Eu li as fichas escolares que mandaram das crianças para mim ontem — disse.

— Então, já sabe que Renesmee foi expulsa da última escola. — Ela assentiu.

— Ela agrediu um garoto, certo? Podem me contar melhor sobre isso?

— Ela bateu em um garoto que ofendeu Matthew por ele ser negro — Bella contou, olhando para as crianças do lado de fora, fazendo com que eu olhasse também. — Mas, não há provas que minimizem o que ela fez, o que com certeza foi muito errado, porém só ocorreu porque ela foi provocada a isso.

— Entendi, então o outro garoto se saiu exclusivamente como vitima, não como um agressor.

— Isso. — Olhei novamente para as crianças lá fora.

— Matthew é adotado, certo?

— Isso — Bella e eu respondemos juntos. — Ainda estamos no processo de adoção, no caso — completei, a mulher assentiu, anotando algo em uma folha. — Você deve ter visto na ficha dele que ele está um pouco atrás das crianças da idade dele no quesito nível escolar, isso foi uma dificuldade na antiga escola.

— Eu imagino que sim. — Ela revirou os papeis em sua mesa e leu algo em um deles. — Aqui diz que ele entrou na escola pouco tempo atrás, com o semestre já se encaminhando para o fim.

— Exato, foi uma recomendação da assistente social o colocar na escola mesmo que nesse caso, para que Matthew pudesse se adaptar melhor ao local e que no próximo semestre iniciasse de fato com todas as arestas acertadas. Mas, a escola que ele e Renesmee estudavam era extremamente elitista — Bella contou. — Ele era o único negro de lá, fora isso a instituição não tinha um bom programa sobre diversidade de forma geral. Algo que Edward e eu só fomos de fato perceber com Matthew, nunca tínhamos nos atentado a isso antes pelo fato de na época só termos uma filha e ela ser branca.

— Estávamos presos em uma bolha — eu disse, checando mais uma vez meus filhos, que seguiam brincando.

— É compreensível — Elle falou. — Bom, meu momento de falar sobre o programa daqui, nós temos em nosso currículo o debate sobre diversidades, sexuais, étnicas, sociais. Matthew também não seria o único aluno negro, na verdade, os dados da escola são: de 40% dos alunos brancos, 25% dos alunos negros, 15% dos alunos asiáticos, 10% dos alunos hispânicos, 5% dos alunos nativos americanos e os outros 5% descendentes de duas ou mais etnias. Sabemos que a maioria dos alunos ainda é branca, quase a metade dos alunos da escola, mas nós abrimos vagas gratuitas, por meio de doações de instituições privadas, para crianças de regiões de Chicago onde as famílias geralmente possuem uma renda financeira menor que não lhes permitiria pagar uma escola privada, dessa forma conseguimos atender especialmente mais alunos negros, nativo americanos e os hispânicos. Mas, garanto que nenhum aluno é marginalizado aqui por não pagar mensalidade, inclusive abrimos esse ano grupos de encontros para esses alunos que possuem dificuldades escolares por conta de algum déficit escolar, eles recebem tutoria e podem assim melhorar suas notas. Ah, sobre as notas, as provas aqui são fundamentais, mas nós também achamos de extrema importância que os alunos participem ativamente das aulas e se inscrevam em cursos extracurriculares, eles nunca são obrigados ou constrangidos a falarem em sala caso não queiram, mas são incentivados e pedimos a ajuda dos pais que os apoiem nisso.

— Quais cursos extra curriculares tem aqui? — perguntei, ela pegou panfletos e nos estendeu.

— Danças, hip hop, ballet, jaz. Esportes, ligas de beisebol, futebol Americano, basquete, natação e atletismo, no próximo semestre iremos implementar ginastica rítmica. Há também grupos de debate, o do jornal, o de fotografia que foi um grande sucesso esse ano, teatro e coral. Temos associação com algumas ONGs também, onde as crianças ajudam desde idosos em casa de repouso lendo para eles, como ONGs que cuidam de animais sem lar e as voltadas para as causas ambientais, todo anos as crianças são incentivas a plantarem uma árvore, por exemplo. Nós também temos uma horta aqui, as refeições feitas pelos alunos são o mais saudável possível.

— Isso é incrível! — Bella exclamou, fazendo com que eu olhasse para ela.

— É mesmo — concordei.

— Ok. — Minha esposa se remexeu na cadeira. — Sei que aqui só vai até o Middle School e que eles ainda terão o High School depois em outra instituição, mas você tem dados sobre aprovações de alunos que saíram daqui em universidades?

— Claro, uma porcentagem de 80%. — Bella se encolheu um pouco, não parecia contente com o número, eu sabia disso porque a antiga escola das crianças tinha uma taxa de 100% de aprovações em universidade. — Qual universidade cursaram? — Elle nos perguntou.

— Harvard — Bella respondeu.

— É muito importante para vocês que Renesmee e Matthew sigam para Harvard também?

— Não necessariamente Harvard — Bella se pronunciou. — Mas, eu passei minha infância e adolescência toda me empenhando ao máximo para ir estudar lá, gostaria que meus filhos fossem para uma boa faculdade como eu fui. Entretanto, você deve reconhecer nosso sobrenome. — Elle assentiu. — Edward e eu não queremos que as crianças sejam beneficiadas pelo nome Cullen, queremos que elas consigam caminhar sozinhas.

— Eu não posso garantir que Matthew e Renesmee consigam vagas em Harvard, ou em outra instituição de tal renome, senhora Cullen. Mas, eu posso garantir que enquanto estiverem estudando aqui seus filhos serão assistidos da melhor forma possível, tendo suas necessidades individuais atendidas e que casos como o que ocorreu na antiga escola não se repetirão. Sim, nós com certeza também lidamos aqui com casos de bullying, a escola não é perfeita, mas sempre iremos ouvir os dois lados e não beneficiar um.

Bella olhou para mim e não precisamos dizer nada, sabíamos que ambos achávamos aquilo importante e que tínhamos aprovado a escola. No entanto, eu tinha dado uma missão às crianças.

— Será que podemos conhecer melhor o lugar e levar as crianças conosco? É importante para nós que elas se sintam confortável com o lugar onde poderão estudar — falei para a diretora.

— Com certeza — ela concordou.

Nós saímos da sala com a mulher, pegamos as crianças na sala de espera e começamos nossa excursão pela escola. Estava bem no horário de aula, então não vimos os alunos que estudavam lá circulando pelos corredores, mas a diretora nos deixou espiar pelas janelas das portas e eu confirmei a fala dela sobre pluralidade étnica entre os estudantes. Também reparei como as salas de aula não pareciam como um exército, em muitas salas os alunos estavam sentados em círculos, não enfileirados como soldados.

Depois de conhecermos as instalações da escola pedi que a diretora nos deixasse conversar a sós com as crianças, ela permitiu que usássemos sua sala.

— Então, o que acharam?

— Eu posso participar do grupo de debates? — Renesmee nos perguntou, lendo um dos panfletos entregues pela diretora.

— Também quero! — Matt proclamou, fazendo com que Bella e eu rissemos.

— Ok, ok, foco — Bella pediu as crianças. — O que acharam da escola?

— Eu gostei bastante — Renesmee deu sua resposta, sorrindo para Bella e eu. — Aqui parece mais legal do que a minha antiga escola, vou sentir falta dos meus amigos de lá, principalmente do Ash, mas eu gostei daqui. — Revirei meus olhos quando ela mencionou Ashton.

— E você, Matt? — Bella perguntou para nosso filho.

— Parece muito bacana, eu adorei a quadra de basquete. — Ele olhou para mim entusiasmado. — Quando vamos jogar basquete de novo, Edward?

— Assim que você sair do seu castigo. — Ele torceu o nariz, mas não discutiu. — Aliás, o John estuda aqui, o filho de Henry e David. — Matthew acenou positivamente com a cabeça.

— Será que ele vai querer brincar comigo?

— Se você não agir mais como naquele dia no kart, eu acredito que John irá adorar brincar com você.

— Então, nós vamos estudar aqui? — Renesmee perguntou em um tom entusiasmado. — Eu quero mesmo me inscrever logo no grupo de debates. Vocês sabem, isso será excelente para minha futura carreira na politica.

— Pensei que você estivesse querendo ser Youtuber agora — Bella disse.

— Mudei de ideia, vou ser presidente dos Estados Unidos e colocar as coisas no lugar — Renesmee disse cheia de si, eu ri e baguncei seus cabelos, ela não ficou nada contente com isso.

— Certo. — Bella inspirou fundo. — O pai de vocês e eu achamos que essa é uma boa escola para vocês, iremos os matricular e vamos esperar que as coisas sejam diferentes aqui. — Ela segurou nas mãos das crianças e olhou para mim, beijei seu rosto, ganhando um sorriso de Bella.

As coisas seriam diferentes, eu sabia disso.

***

Bella e eu fizemos a primeira parte da matrícula das crianças naquela quarta, no dia seguinte depois que eu resolvesse tudo com os Rowell iria até a antiga escola cuidar de tudo e ir até a nova finalizar a matrícula. Nós quatro almoçamos fora, em um restaurante italiano e aconchegante, pelas duas horas que ficamos no local eu consegui tirar um pouco da minha mente os problemas e apenas focar em minha família, mas quando saímos do restaurante e vimos os seguranças nos seguindo à realidade se fez presente.

— Nós vamos andar com seguranças para sempre, pai? — Renesmee me perguntou, enquanto eu a ajudava a entrar no quarto.

— Não — respondi.

Eu pelo menos esperava que não, mal via a hora de tudo voltar ao normal. Meu celular tocou naquele momento, o peguei e reconheci o número que Irina tinha me ligado outro dia, resmunguei, recusei a chamada e bloqueei o número.

***

Nós mal tínhamos chegado ao apartamento e fomos abordados por minha mãe, que estava muito agitada e foi logo segurando na mão de Matthew.

— Seu quarto está pronto! — ela exclamou entusiasmada para ele. — Espero que goste, mas se tiver alguma coisa lhe incomodando é só dizer que eu irei remodelar o que for necessário.

— Ok? — Matt disse, ainda tentando se encaixar no furacão que Esme Cullen estava fazendo.

— Vem, vamos ver! — Esme o puxou até o segundo andar, fazendo com que Renesmee, Isabella e eu tivéssemos de segui-los apressadamente.

Nelly estava na porta do quarto de Matt, impedindo que os filhotes entrassem. Renesmee pegou George no colo, enquanto Bella pegou Fred, deixando com que minha mãe abrisse a porta.

O quarto estava incrível, como tudo que minha mãe planejava. Ele era trabalhado em um esquema de cores em amarelo, azul e cinza. Uma das paredes, onde estava a área de estudo de Matthew era amarela — os móveis cinzas — as restantes azuis, a parede da área que minha mãe tinha reservado para os brinquedos dele era também ilustrada com a imagem de diversos super heróis. A cama de Matt ficava em uma elevação de madeira — pintada em cinza —, no teto, em um tom mais escuro de azul, nós víamos algumas luzes imitando estrelas, como até uma representação do sinal do Batman, mas aquele com um grande M de Matthew. O closet e o banheiro também tinham sido reformados, para ficarem adaptados para a idade de Matt.

— O que você achou? — minha mãe perguntou para o neto depois do tour completo pelo quarto.

— Eu adorei, obrigada, vovó Esme! — Matthew a abraçou com força.

— Ah, querido, é tão bom que tenha gostado. Estou tão feliz com isso. — Ela encheu o rosto dele de beijos espalhafatosos.

Minha mãe falou mais um pouco sobre o quarto, antes de Renesmee e Bella começarem a falar sobre a escola nova para ela e Nelly, o que levou as quatro e os filhotes para o primeiro andar do apartamento. Fiquei com Matthew, ele estava deslumbrado com o quarto, o que foi estranho quando do nada meu filho sentou no chão perto da cama e ficou encarando seus pés.

— Ei, tudo bem?

— Sim — mentiu.

— Matt, você sempre pode dizer a verdade para mim.

— Não é nada. — Deu de ombros.

— Vai, diz o que está pensando — insisti cutucando suas costelas, ele riu um pouco com cócegas. — Vai me falar? Ou vou precisar te fazer rir muito com cócegas para isso?

— Vou falar!

— Isso, pode dizer.

— É que meu pai vivia dizendo que ia comprar uma casa para a gente — murmurou. — E que ele ia me dar um quarto muito maneiro. — Matthew fungou. — Esse quarto é muito maneiro, mas meu pai não tá aqui.

Não falei nada, apenas limpei a lágrima que rolou por seu rosto, o que fez Matt olhar para mim.

— Edward?

— Sim, filho?

— Estou feliz que você esteja aqui.

Sorri para Matthew, que pulou em meus braços para um abraço apertado.

— Também estou muito feliz que você esteja aqui, Matthew, muito mesmo!

***

Bella já estava dormindo, eu estava quase, quando ouvi a porta do nosso quarto ser aberta. Era provavelmente Matthew, que tinha decidido ficar em seu quarto aquela noite para estrear a sua cama nova, mas ele com certeza não estava conseguindo dormir sem sua mãe e eu por perto, depois de dias acostumado com isso.

Me movi com cuidado na cama, olhando para o lado bem na hora que Matthew apareceu perto de mim. Ele estava triste, parecia que choraria a qualquer momento.

— Algum problema? — perguntei baixinho, sem querer acordar Isabella, todo o tempo que eu poderia deixar ela dormir e descansar faria isso, ela precisava de paz.

— Fiz xixi na cama — Matthew murmurou.

— Você fez? — perguntei surpreso, mas no instante seguinte me lembrei de que aquilo era algo comum na fase de regressão da adoção tardia. — Sem problemas, certo? Vamos resolver isso.

— Mas fazer xixi na cama é coisa de criancinha — Matt disse choramingando.

— Não precisa se sentir mal por isso. — Sai da cama, segurando em sua mão e o levando para fora do nosso quarto até o dele.

— É ridículo — Matt proclamou.

— Sabe, eu fiz xixi na cama uma vez quando tinha vinte anos de idade — menti, mas era uma mentira boa para que ele se sentisse melhor. — Acho que bebi muita água aquela noite e escapou. Agora. — Me agachei diante dele, já na porta do seu quarto. — Você pode superar isso se eu superei, filho. Amanhã, ou depois, se acontecer novamente, você e eu continuaremos dando um jeito de superar isso, ok? Até que chegará o dia que você irá rir de quando se lembrar de fazer xixi na cama.

— Promete?

— Prometo. — Pisquei para ele, apertando a ponta do seu nariz. — Agora, você terá que dormir comigo e com sua mãe hoje, já que seu colchão está molhado, tudo bem por você?

— Tudo.

— Ótimo, mas antes banheiro para ir tirar o cheiro de xixi.

— Tá bom. — Nós entramos no seu quarto. — Edward, você fez mesmo xixi com vinte anos de idade?

— Não — confessei. — Mas, foi por pouco, viu?

Matthew riu, eu amava o som da risada dele.

***

Renesmee estava sentada quietinha ao meu lado, mas sua expressão não era nada animadora, de braços cruzados, olhar irritado e lábios pressionados. Cumpriu sua promessa de ficar calada e não criar mais caos, entretanto encarava Theodore Rowell como se pudesse matar o garoto com a força do seu pensamento, o que eu estava começando a acreditar que podia ser uma verdade.

Assim como Renesmee, eu também mantive a promessa que fiz a Isabella antes de sair do nosso apartamento que não criaria problemas na reunião de acordo. Deixei os advogados falarem a maior parte do tempo e aceitei o acordo proposto, tudo para que minha filha não se metesse em mais problemas e para que minha família como um todo pudesse sossegar, mesmo que no fundo eu soubesse que todos nós seguiríamos injustiçados por conta do que o menino Rowell falou de Matthew não receber uma punição.

Na antiga escola das crianças, que por anos foi minha escola, eu também me mantive centrado. Assinei todos os documentos necessários juntos da diretora, não lhe disse tudo que queria e sai de lá sem a necessidade de ligar para os advogados limparem minha barra.

— Você vai sentir falta daqui? — perguntei para Renesmee quando entramos no Volvo, iriamos de lá direto para a nova escola dela e de Matt. Especialmente naquele dia Ness estava no banco do carona, na frente do carro.

— O que aconteceu foi muito injusto — ela disse, encarando a escola. — Sei que eu não devia ter batido naquele idiota, mas... — Renesmee começou a chorar, tirou seu cinto e me abraçou como pode no espaço apertado do carro.

— Às vezes a vida é mesmo muito injusta, princesa. — Afaguei suas costas. — Mas, eu espero que lá na frente Theodore e a família dele paguem pelo que fizeram com tudo isso.

— Espero que sim, pai, espero que sim!

***

Bella e eu tínhamos decidido viajar para Forks com Matt e Renesmee de jatinho, não era comum de nós dois — não desde meus tempos de playboy — voar daquele jeito, mas era um luxo que estávamos nos dando depois de tanta dor de cabeça. Voaríamos direto de Forks até o aeroporto de Port Angeles, de lá seguranças de Seattle — que meu pai continuava escolhendo a dedo para a gente — nos escoltariam até a casa do pai da minha esposa. Eles ficariam por perto, mas nos dariam algum espaço.

Era pouco mais de oito da manhã quando decolamos, menos de meia hora Bella e Renesmee pegaram no sono juntas em poltronas próximas, enquanto Matthew e eu jogávamos xadrez — eu estava o ensinando a jogar — com o tabuleiro oferecido por uma das aeromoças. Nós ficaríamos em Forks até segunda de manhã, na terça as crianças já iriam para a escola nova e Bella e eu voltaríamos para o trabalho.

— Então, como está sendo seu primeiro voo? — perguntei para Matthew, ele sorriu para mim e olhou pela janela.

— Muito maneiro!

Ele tinha sido incrível sobre voar, não sentiu medo algum, só animação sobre isso. Quis sentar comigo porque Bella e Renesmee estavam mal humoradas por termos acordado muito cedo, mas eu estava ansioso com a viagem. Eu expliquei durante nosso tempo antes da decolagem sobre tudo que sabia sobre aviões, como segurei sua mão com segurança durante a decolagem, mas Matt mesmo naquele momento só demonstrava entusiasmo olhando para fora e falando como as coisas estavam ficando pequenas lá no chão.

— Em um jatinho é ainda melhor.

Matt sorriu.

— Parece que tô em um filme — falou, analisando minha jogada seguinte. — Posso te fazer uma pergunta, Edward?

— Claro, alguma dúvida sobre o jogo?

— Não — ele negou, mordeu seu lábio inferior e pela primeira vez no dia pareceu nervoso. — É sobre outra coisa.

— Sobre o xixi na cama? Não será um problema na casa do seu avô, ele entenderá. — Matt tinha feito xixi na cama de novo na noite passada, o que o levou mais uma vez para minha cama com Bella.

— Não, não era sobre isso — falou. — Mas, eu não vou precisar usar fralda, né?

— Não, você não vai — respondi, ele respirou aliviado. — Qual a sua pergunta?

Matthew olhou para o tabuleiro de xadrez, tocando no seu rei, sua pergunta foi feita em um tom de voz baixo, mas que consegui escutar.

— Eu posso te chamar de pai?

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 09.09.18