Nossa Família
52 Capítulo Cinquenta e Um — Pescaria
Notas iniciais
— Capítulo Cinquenta e Um —
— Pescaria —
Edward Cullen
Pai.
Pai.
Pai.
Matthew queria me chamar de pai, meu filho finalmente estava me reconhecendo como seu pai. Porra, aquele era um dos melhores dias da minha vida. Eu queria gritar de felicidade, ao mesmo tempo em que sentia meus olhos se encherem de lágrimas.
— Claro que sim, filho! — exclamei emocionado, a um ponto de começar a chorar de fato. Entretanto, precisava me controlar, não podia assustar Matthew, ou ele acabaria entendendo aquilo errado e voltaria atrás em sua decisão, o que eu não queria de jeito nenhum que ocorresse. — Você com certeza pode me chamar de pai, ou papai, como preferir.
Eu queria gritar e acordar Bella, anunciar para ela que nosso garoto iria me chamar de pai. No entanto, isso também era capaz de reverter o progresso.
Matthew ainda olhava fixamente para o tabuleiro de xadrez, ele ficou em silêncio. Então, eu tive que voltar a falar.
— Tudo bem, filho?
Ele ergueu o olhar para mim, deu um pequeno sorriso nervoso e respondeu:
— Tudo bem, pai.
Eu estava nos céus!
Literalmente e figurativamente. Naquele momento a ideia da existência de um Deus foi muito forte em minha mente, eu sentia que Matt me chamando de pai era mesmo um milagre.
— Eu te amo! — exclamei, começando a chorar pra valer. Não pude me controlar mais, inclinei meu corpo para frente e tomei Matthew em um abraço, sem me importar em bagunçar o tabuleiro de xadrez entre nós dois, só queria sentir meu filho em meus braços. — Amo muito, você é tão especial para mim, garoto. Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
— Você está me sufocando — Matthew falou com a voz abafada, fazendo com que eu risse, beijei sua cabeça antes de soltá-lo. — Por que está chorando?
— Você me chamou de pai, eu esperei muito por esse momento, estou chorando de felicidade. — Limpei meu rosto, mas as lágrimas pareciam que nunca iriam parar.
— Ah, entendi. — Matthew assentiu. — Podemos voltar a jogar agora? — perguntou.
— Podemos… Não, não podemos ainda. — Eu me levantei e fui até onde Renesmee e minha esposa dormiam, sacudi seus ombros. — Meninas, preciso que vocês acordem — chamei por elas.
— Não precisa não, pai — Renesmee resmungou de volta.
— É, não precisa não — Bella falou em coro. — Vai procurar algo pra fazer.
— Eu tenho uma novidade.
— Conte quando eu estiver acordada, Edward Cullen — Bella ordenou.
— Você está acordada agora.
— Não tô não.
— Bella, Matthew me chamou de pai — contei de uma vez, foi o suficiente para ela abrir seus olhos. Renesmee também despertou de vez naquele momento.
— Como? — Bella me questionou hesitante.
— Foi o que ouviu, Matthew me chamou de pai — contei cheio de alegria e orgulho, eu não poderia conter aqueles sentimentos.
— Aí, isso é maravilhoso! — Isabella gritou, Renesmee se encolheu com o grito. Minha esposa se levantou rapidamente de sua poltrona, cruzando o jatinho até onde Matthew ainda estava.
Ela o tomou em um abraço apertado como eu tinha feito antes.
— Mãe, eu preciso de ar — ele falou, eu ri, os abraços esmagadores certamente era algo da família Cullen.
— Você é o garoto que mais amo nesse mundo todinho — Bella disse para Matt, o liberando do abraço só para começar a encher o rosto dele de beijos. — Eu estou tão feliz, hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. — Ela olhou para mim. — Eu amo você também, querido.
— Também te amo. — Pisquei para ela.
— Ok. — Bella beijou mais uma vez o rosto de Matthew e se afastou. — Eu preciso mesmo voltar a dormir agora, divirtam-se, meninos.
Ela voltou para onde estava, olhei rapidamente e conferi que Renesmee já tinha voltado a dormir.
— Vocês não gritaram tanto quando eu chamei a mamãe de mãe — Matt observou quando voltei a sentar no meu lugar de antes.
— Você saiu antes disso — confidenciei, Matthew sorriu, voltando a arrumar o tabuleiro de xadrez.
— Você começa essa rodada, pai — ele falou para mim.
Eu chorei mais, obviamente. Mas, mexi um peão e sorri para Matthew.
Pai, eu era o pai daquele menino e ele sabia disso.
***
Quando entramos nos limites de Forks, em um carro alugado que eu dirigia e era seguido por seguranças, já era mais de meio dia. Matthew estava começando a ficar irritado por estar sonolento, Renesmee estava com fome, Bella com dor de cabeça e eu ainda era a pessoa mais feliz da face da Terra.
— Eu odeio essa cidade, é tão parada e fria — Bella se queixou quando deixamos o carro, quando o estacionei diante da casa do seu pai.
— É, também não é meu l… Oi, Chefe! — mudei de assunto rapidamente quando vi meu sogro saindo de sua casa, Bella riu e foi abrir a porta de trás do carro para as crianças saírem, fui a ajudar com aquilo, liberando meus filhos.
— Que bom ver vocês! — Charlie exclamou quando Renesmee e Matthew foram até ele e receberam abraços. — Menos você, Edward.
— O que eu fiz? — perguntei assustado para Isabella, que riu novamente e piscou para mim.
— Ele só está te provocando, querido.
— Oi, Bells! — Charlie se aproximou da gente, abraçando Bella com força. — Como você está?
— Estou melhor — ela respondeu. — Obrigada por não ter cancelado o casamento.
— Eu deveria, o que aconteceu com você foi muito recente. — Eles desfizeram o abraço e Charlie avaliou o rosto de Bella, ela estava devidamente maquiada, o que escondia qualquer vestígio da violência sofrida.
— E fazer a Sue e você perderem seu casamento? Nem pensar — Bella declarou. — Estamos todos ansiosos para te levar ao altar, não é, Edward?
— Claro, claro — concordei rapidamente.
— E eu estou com fome, gente — Renesmee se pronunciou.
— Sue deixou comida para vocês — Charlie falou. — Vamos entrando para almoçar, Edward você pega as malas.
Sozinho, claro.
***
Carreguei todas as cinco malas, duas mochilas e alguns brinquedos para dentro da casa de Charlie. Então, finalmente pude me reunir a todos na cozinha, os quatro já almoçavam.
— Quem vai ir pescar comigo amanhã? — Charlie indagou animado.
— Me tira dessa.
— Nem pensar.
Bella e Renesmee responderam juntas.
— Isso quer dizer que será uma pescaria apenas de garotos — Charlie falou olhando para mim e Matt, quando sentei entre meus filhos.
— Eu acho melhor ninguém ir pescar dessa vez — Bella falou. — Vocês não tem um bom histórico com aquele lago.
— Principalmente o papai — Renesmee me lançou um sorriso travesso.
Revirei os olhos, mas dei um sorrisinho ao me lembrar dela empurrando Jacob naquele lago da última vez.
— Matthew tem de ir pescar, Bella — Charlie teimou. — Se trata de uma tradição.
Minha esposa negou com um aceno de cabeça.
— Vocês que sabem, só sei que eu não vou. Nós podemos ter um dia fazendo nossas unhas e testando penteados para o domingo, pequena — disse para Renesmee. — Ajudando nos preparativos finais para o casamento também.
— Não será uma grande festa — Charlie declarou.
— Onde você e Sue vão morar, Chefe? — perguntei ao meu sogro, começando a me servir.
— Aqui mesmo.
— Nós estamos invadindo o espaço de vocês — Bella falou.
— Claro que não, Isabella! — Charlie exclamou. — Sue e eu vamos ficar na casa dela em La Push depois do casamento no domingo, vocês quatro podem ficar aqui. Ah, sobre isso, como vocês aumentaram. — Ele sorriu para Matthew. — Acredito que está na hora de algumas mudanças acontecerem aqui quanto a hospedagem de vocês, isso quer dizer que bom, Matthew e Ness podem ficar no quarto da Bella lá em cima, até coloquei uma cama extra para que eles não precisem brigar por espaço. E… — Charlie olhou para mim com cara de poucos amigos. — Você e Bella podem ficar com meu quarto.
Isabella se engasgou, eu paralisei. Charlie ia me deixar dormir no quarto dele? Dormir no quarto dele junto com Bella? Puta que pariu, eu não tinha palavras para isso!
— Você tem certeza disso, pai? — Bella indagou depois de beber um gole de água, cutuquei o pé dela por debaixo da mesa, se o homem queria aquilo nós que não seríamos contra.
— Tenho — Charlie resmungou. — Eu posso dormir no sofá cama.
— Edward e eu podemos dormir no sofá cama — Bella sugeriu, cutuquei o pé dela de novo. Se eu podia dormir no quarto principal aproveitaria isso.
— Eu durmo, vocês são convidados. — Charlie bufou. — Apenas se comportem.
Aquele aviso era para mim, eu sabia e estava ferrado, seria muito difícil me comportar. Afinal de contas, eu era um encrenqueiro.
***
Renesmee deu a ideia de apresentarmos Forks para Matthew, não que ela e eu conhecessemos o lugar muito bem. No entanto, Bella quis ficar na casa do pai para conversar com ele, o que levou a mim e as crianças para um passeio entre nós três.
De fato não tinha muito para fazer na cidade, além do mais era estranho andar por uma cidade pequena sendo seguido pelos seguranças, mas ainda assim os dois e eu conseguimos nos divertir. Também chegamos à conclusão geral que nós três adoravamos cidades grandes.
— Subam e tirem ímpar ou par para decidirem quem vai tomar banho primeiro, já vou subir para organizar tudo — falei para as crianças quando voltamos para a casa de Charlie no começo da noite, que estava silenciosa, mas sabia que ele e Bella estavam lá, porque a cada meia hora minha esposa me mandava uma mensagem alegando que estava tudo bem, ou eu mandava uma.
— Pode deixar, pai! — eles falaram juntos, fazendo meu coração duplicar de tamanho.
Os dois correram para a escada, subindo apressadamente por ela para o segundo andar. Eu segui pela casa até parar próximo da cozinha, onde ouvi Bella chorando. Minha primeira reação foi entrar em pânico, mas quando escutei a voz de Charlie me tranquilizei um pouco.
— Você está segura agora, Bella — Charlie dizia, enquanto minha esposa chorava.
Andei mais um pouco, parando junto a entrada da cozinha, onde pude ver minha esposa sentada em uma cadeira perto da mesa, com Charlie sentado ao seu lado a abraçando e afagando seus cabelos.
— Foi tão assustador — ela falou.
Eu respirei fundo, aquele dia sempre seria o pior da minha vida e com certeza o pior na vida de Bella. Daria tudo para ter sido eu a vítima de Oscar, não minha esposa.
Charlie olhou para mim, Bella por estar de costas para a porta ainda não tinha me visto, eu dei um sorriso triste para ele.
— Sabe — ele falou, pensei que era comigo, mas ainda era com Isabella. — Você tem um marido bem chato, né?
— Papai! — Bella exclamou ultrajada, eu ri, o que a fez se soltar do pai, olhar para mim e rir também. — Isso não é engraçado, pai — ela disse para Charlie.
— É sim, você e o Cullen ai riram — Charlie alegou. — Já pensou se você tivesse concordado?
— Ah, mas o Edward é chato sim — Bella disse em um tom conspiratório para o pai.
— Nossa, querida, muito obrigado.
Ela riu mais e piscou para mim.
— Porém, só eu posso chamar ele de chato, viu pai?
— Aham, vamos aceitar isso — Charlie debochou de volta.
— Cadê as crianças? — Bella perguntou para mim, sorrindo, limpando seu rosto.
— Lá em cima decidindo quem vai tomar banho primeiro — respondi.
— Vou ir ajudar eles — minha esposa falou.
Bella se levantou da cadeira e beijou o rosto do pai.
— Obrigada pelo apoio, papai.
— Sempre que precisar, Bells.
Ela passou por mim, me abraçou rapidamente e saiu.
— Senta aqui, Edward — Charlie ordenou, apontando para a cadeira que Bella estava antes, eu fui até lá, temendo o que o chefe queria comigo. — O que vão fazer com o cara que fez isso com Isabella?
— Ele está preso, aguardando julgamento, mas pode ter certeza que nossos advogados vão garantir que ele fique preso por muito tempo.
Charlie assentiu.
— Queria encontrar esse desgraçado e dar uns socos nele.
— Você não é o único, também quis, mas meu pai me proibiu. Enfim, não podemos nos tornar agressores como ele, não?
— É, acho que está certo. — Charlie bufou. — Ela ainda está muito frágil, acredito que não me contou nem metade do que esse homem disse a ela, não é mesmo?
— Provavelmente não — respondi, pensando nas coisas que Oscar tinha dito para Isabella.
— É bom mesmo que vocês andem com seguranças, proteção nunca é demais. — Charlie coçou a testa. — Era disso que eu tinha medo nessa história toda.
— Desculpe, não entendi. Está falando sobre a adoção? — questionei, pronto para assumir meu lado defensor.
— Não, claro que não, Cullen! — Charlie esbravejou. — Matthew já é meu neto, eu o amo, nunca acharia que a adoção foi algo errado. Estou falando que desde o começo eu tinha medo de Bella se relacionar com você.
Aquilo me pegou de surpresa, tanto que sequer falei algo.
— Quando ela me disse que estava com você, um garoto rico, eu não gostei nada, já temia que ela fosse se envolver em problemas. Fosse por você ser um riquinho filho da puta, ou por pessoas quererem atingir sua família, consequentemente minha filha.
— Por isso você sempre foi tão rigido comigo?
Ele sorriu de forma maldosa.
— Se você consegue suportar um sogro na sua pior forma, consegue estar ao lado da minha filha para o que der e vier — alegou, era um bom pensamento. — E você se mostrou não ser mais um riquinho filho da puta desde que se envolveu com Isabella, como eu via por ai.
Eu ri.
— Você pesquisou sobre mim, Chefe?
— Claro que sim, procurei na época sua ficha criminal, revistas falando sobre sua família e fui ao salão de beleza de Forks descobrir o que as mulheres lá sabiam sobre a família Cullen. Digamos que sua barra estava até limpa, mas ai eu te conheci oficialmente no mesmo dia que minha filha anunciou estar grávida, isso não foi muito legal.
— Mas, eu te dei uma neta maravilhosa — me gabei. — E agora um neto.
— Cinquenta por cento é sangue Swan, Cullen. Mesmo Matthew não sendo filho biológico de vocês, mas que seja, deu de conversa de madames por hoje, abra sua carteira e peça uma pizza — ordenou.
— Pode deixar, Chefe.
Ele se levantou e eu decidi o provocar.
— Não podemos nos abraçar e você passar a me tratar melhor agora? Quem sabe eu começo a te chamar de pai.
— Não.
Eu sabia que não, até gostava disso, era bom ter Charlie como sogro, mesmo ele sendo linha dura.
***
Mais tarde naquela noite, depois de jantarmos pizza que Charlie me coagiu a pedir, de ele e eu assistirmos um jogo de basquete com Matt, Bella e eu fomos colocar as crianças para dormir. Meu sogro tinha de fato colocado uma segunda cama no quarto, o que ele tinha falado em segredo para Bella e eu que ao saber sobre Matt fazendo xixi na cama achou que assim o neto se sentiria melhor.
As crianças, cansadas do dia longo, dormiram rapidamente. O que permitiu com que logo Isabella e eu fossemos para o quarto do pai dela, onde íamos dormir.
— É muito estranho dormir no quarto do meu pai — Bella falou quando entramos lá. — Nunca dormi aqui, nem quando era criança e vinha visitar ele.
— Eu tô muito bem aqui. — Me joguei na cama, que rangeu, olhei apavorado para Bella. — A cama range, Isabella.
Ela sufocou uma risada.
— Acho que ele armou isso, se nós transarmos ele ficará sabendo, com certeza dá pra ouvir lá de baixo. E as crianças também vão poder ouvir.
— Charlie é um ser maligno — anunciei, me remexendo na cama, que fez mais barulho ainda. — Isso é brincadeira, né? Como a gente vai dormir com essa cama fazendo tanto barulho?
— Deixa de ser mimado, Edward — ela falou, sentando ao meu lado, mais barulho. — Ok, você está certo.
— Obrigado, coitada da Sue que vai dormir nessa cama barulhenta. Já pensou ela e seu pai transando e a cama rangendo a todo instante?
— Edward! — Bella gritou enojada, fazendo uma careta. — Eu não quero imaginar meu pai transando!
— Você acha que foi feita como?
— Para com isso — ela choramingou.
— Querida, ele e Renée transaram ao menos uma vez para ter você, lide com isso.
Bella pegou um travesseiro e acertou na minha cara, fazendo com que eu gargalhasse. Então, a puxei para meu colo, deixando com que ela ficasse com suas pernas ladeando meu quadril e a beijei.
— Vamos profanar a cama do seu pai?
— Vamos — ela concordou. — Nem acredito que disse isso.
Eu logo voltei a beijá-la, mas antes que pudesse ir muito mais longe a porta se abriu. Praticamente joguei Bella para o espaço ao lado na cama, Charlie estava parado na porta com uma expressão emburrada e falou:
— Vim buscar meus óculos de leitura.
— Cl-Claro, estão aqui. — Os peguei da mesinha ao lado da cama e estendi para Charlie, que o puxou com força da minha mão.
— Obrigado. — Ele deu meia volta. — E parem de fazer barulho — ordenou antes de sair e fechar a porta.
— Por que você não trancou a porta? — Bella questionou, estava com o rosto completamente vermelho.
— Você foi a última a entrar, era quem devia ter fechado!
— Que seja, agora mesmo que a gente não transa.
— Com certeza, perdi qualquer vontade. — Me joguei no colchão, que obviamente rangeu, fechei os olhos, mas logo os abri quando minha esposa perguntou.
— E se fosse só sexo oral? Com a minha boca ocupada não teria tanto barulho e riscos de gritos.
— Gosto da ideia, querida. Tranque a porta — orientei.
— Que tal se a gente roubar uma algema do meu pai?
— Não mesmo!
***
No sábado acordei de madrugada com Charlie batendo na porta do quarto, era hora de ir pescar. Ele com certeza não me deixaria passar por Forks sem me levar aquele bendito lago, além do mais, estava louco para levar o neto à pescaria.
Bella manteve sua palavra de não ir, assim como Renesmee sequer acordou quando entramos no quarto para acordar Matthew — que tinha tido uma noite tranquila sem ir bater na minha porta e da mãe, ou fazendo xixi na cama —. Então, meu sogro e meu filho pegamos o carro que eu tinha alugado para irmos até o lago, eu compartilhei com Charlie que seria melhor Matthew não ir na viatura dele, ainda me lembrava com exatidão dele sendo colocado em uma no dia que o conheci, sabia que a memória em sua mente seria forte também.
Enquanto eu dirigia até o lago, Charlie foi dando uma aula teórica sobre pescaria para Matthew, que parecia mais interessado naquilo do que Renesmee quando foi a vez dela. Talvez ele gostasse mais de pesca do que a irmã, ou do que eu, mas qualquer um podia gostar mais que eu, simplesmente detestava aquela coisa.
— Claro que ele estaria aqui — resmunguei comigo mesmo quando cheguei ao lago e vi Jacob descarregando sua caminhonete de péssimo gosto. Seth estava com ele, o que era até bom, pelo menos alguém mais legal que o Black idiota.
Matt, Charlie e eu deixamos o carro, indo até os dois.
— E aí, Edward? — Seth me cumprimentou animado e se voltou para Matthew. — Oi, carinha, tudo bem?
— Tudo — Matt respondeu acenando para ele.
— Oi, filho da Bella — Jacob falou com Matt.
— E do Edward — completei entre dentes.
— Oi, Jackson — Matthew o cumprimentou.
— Na verdade é Jacob — Jacob o corrigiu, meio constrangido.
— Ah, foi mal — Matthew falou, colocando a mão nos bolsos e dando um sorriso que parecia muito com o de Renesmee, e com o meu. Oh porra, ela tinha influenciado o irmão a chamar Jacob pelo nome errado, não? Eu simplesmente amava aquela menina!
— Olá, Jacob — cumprimentei o Black, estendendo uma mão para ele.
— Olá, Edward, espero que tenha vindo com boias dessa vez.
— Se eu me lembro bem você foi o último a cair no lago. — Sorri largamente.
— Eu fui empurrado — Jacob teimou. — Renesmee me empurrou.
— Cara, ela é só uma menina pequena — Seth disse, mal ele sabia o estrago que aquela garota era capaz de fazer.
— Ela me empurrou, eu juro — Jacob insistiu, faltava bater os pés no chão como uma criança birrenta.
— Jacob, pare com isso! — Charlie ordenou. — O barco dessa vez é grande, ninguém vai cair. — Olhei para o barco, era mesmo maior, isso me deixou mais calmo. — Vamos abastecer tudo, Edward, coloque o colete no Matt. — Jogou um para mim, já se afastando com Seth.
— Sim, chefe — concordei.
— Te vejo no barco, Matt — Jacob falou.
— Tchau, Jackson! — Matthew acenou para ele, eu respirei fundo para impedir uma gargalhada.
— É Jacob — o Black falou, seguindo Charlie com uma cara emburrada.
— Renesmee falou que ele gostava de ser chamado de Jackson — Matthew disse para mim, confuso, deixando com que eu colocasse o colete nele.
— Ele gosta — confirmei a fala de Ness.
Ok, isso era errado, mas eu não podia resistir.
— Animado para pescar?
— Mais ou menos. — Matt olhou para o lago. — E se aparecer um tubarão?
— Não vai — respondi. — Não tem tubarões aqui.
— Beleza. — Matt concordou, muito mais confiante. — Agora estou mais animado, pai.
Sorri e beijei sua bochecha.
— Vamos lá pescar com o Jackson, filho.
***
Pescaria era um tédio, pescaria era muito chato, pescaria era mais irritante do que ter que assistir comerciais na TV.
Já tinham se passado duas horas e nada de minimamente tinha acontecido, o que se tornou mais complicado de lidar quando Jacob, ou Jackson, começou a contar piadas tão divertidas que eu estava pensando em me jogar de propósito no lago, pois isso parecia mais legal. Também foi um saco quando Charlie começou a contar histórias tipicamente de pescador, eu não acreditava nada em peixe de duas cabeças, ou um de cinco metros.
— Pai, isso aqui é muito chato — Matthew se queixou o meu lado, enquanto do outro lado do barco Seth e Charlie riram de uma piada de Jacob, que só não era pior do que a piada do iglu da família Cullen.
— Eu sei, mas seu avô está feliz e esse fim de semana é sobre ele — falei baixinho para Matthew.
— Por quê?
— Porque ele vai se casar amanhã — respondi. — Quando as pessoas se casam é normal que amigos e familiares os mimem um pouco.
— Eu posso casar e ganhar um dia jogando basquete?
— Quando você for mais velho vai poder casar, mas pode jogar basquete outro dia.
— Tá bom — ele concordou e suspirou. — Sabe, pai, nem gosto tanto assim de peixe, será que a gente pode comer carne mais tarde?
— Eu adoraria um churrasco. — Minha boca salivou só de pensar, foi quando senti um puxão na minha linha. — Acho que peguei algo! — gritei em comemoração, fiquei de pé, Matt me acompanhou.
— Não vá cair, Edward — Jacob falou.
— Muito engraçado — resmunguei, tentando puxar meu peixe, mas o bicho estava resistindo.
— Vamos, pai! — Matthew incentivou, eu vi o momento que ele colocou um pé sobre a borda do barco, mas antes que pudesse o deter meu filho já tinha se desequilibrado e caído na água.
Não pensei duas vezes em pular atrás dele.
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