Nossa Família
53 Capítulo Cinquenta e Dois — Cheiro
Notas iniciais
— Capítulo Cinquenta e Dois —
— Cheiro —
Isabella Swan
Eu voltei a dormir depois que Edward, Matthew e meu pai saíram para seu dia de pesca, acordei uma hora depois e chamei Renesmee. Nós duas preparamos um grande café da manhã, em meio a tranquilidade que estar em Forks oferecia, aliado ao fato de não ter mais ninguém em casa.
Tínhamos acabado de comer, o que levou muito tempo — pois estávamos nos empanturrando e comendo com mais calma — quando decidimos ver um filme na tv de Charlie. Enquanto isso eu testava cores de esmaltes nas unhas de Renesmee, para que pudéssemos escolher o que iríamos usar para o casamento no dia seguinte.
— Eu acho que prefiro o verde para você — falei para Renesmee, que não tirava seus olhos da tela onde o filme era exibido, a história era sobre uma princesa adolescente vivendo várias aventuras e passando por diversos apuros na Inglaterra. Era protagonizado por uma ex-atriz, que teve sua carreira acabada anos atrás quando um vídeo de sexo seu foi divulgado.
— Mamãe, eu acho que quero ser uma…
— Princesa? Pequena, isso não é uma profissão.
Renesmee riu e me olhou.
— Não, né? Claro que não acho que ser princesa é uma profissão, apesar de que a realeza inglesa ganha dinheiro por isso, mas, que seja. — Ok, ela era mesmo muito inteligente, eu era uma mãe orgulhosa. — Além do mais, já sou a princesa do papai, certo? Então, eu acho que quero mesmo é ser uma atriz, tenho experiência com as peças da escola. Já pensou? Eu posso ser diversas coisas sendo uma atriz, num dia uma médica, no outro uma astronauta, posso ser até uma princesa.
— Você ainda tem tempo para decidir — falei, não me animava muito com a ideia de Renesmee sendo uma atriz, nós já éramos muito expostos, aquelas pessoas ainda mais. Entretanto, se fosse algo que ela realmente fosse querer eu iria a apoiar. — Agora, você precisa decidir a cor do esmalte que vai querer usar amanhã, pequena. É uma decisão mais urgente no momento. — Ela olhou para suas unhas, cada uma de uma cor.
— Eu preciso mesmo escolher? Gostei delas uma de cada cor — falou. — É cheio de estilo.
— Ok, você quem sabe — concordei. — Vamos limpar tudo e pintar direito dessa vez.
— Qual cor vai pintar as suas?
— Ainda não sei, qual cor sugere?
— Todas as cores, como eu vou pintar — falou animada. — Ficaremos parecidas, vai ser demais! — Sorri e beijei sua bochecha, eu simplesmente amava aquela menina demais.
— Ok, você me convenceu. O que quiser, princesa! — brinquei.
— Esse filme é muito legal — ela disse, voltando a olhar para a TV, enquanto eu começava o processo de limpar suas unhas. — Tem outros filmes dessa atriz?
— Alguns… — Eu me interrompi quando senti um cheiro terrível e ouvi passos apressados pela a escada, sequer tive tempo de olhar para trás e ver o que estava acontecendo, Renesmee me olhou confusa, provavelmente também sentindo o odor.
— Olá, meninas! — Meu pai apareceu na sala, com uma careta no rosto.
— Esse cheiro é do peixe que vocês pegaram? Cadê o Edward e o Matt? Quem subiu correndo? — o enchi de perguntas.
— Não pegamos peixe nenhum — Charlie resmungou, sentando em sua poltrona. — Aconteceu um problema.
— Ai não! — exclamei, largando a mão de Renesmee. — O Edward caiu no lago de novo, pai?
Charlie riu, negando com um aceno de cabeça.
— Não dessa vez, hoje ele se jogou.
— O quê? Ele enlouqueceu? Cadê o Matt mesmo? — indaguei.
— É o seguinte, o Matthew caiu no lago. — Eu senti todo o sangue fugir do meu rosto ao ouvir aquilo. — E o Edward pulou na água para o tirar de lá, mas estão todos bem… Apenas fedendo, muito. — Balançou uma mão na frente do rosto para espalhar o fedor.
— Pai, vocês deveriam ter me ligado na mesma hora para avisar! — eu exclamei furiosa, subindo para o segundo andar, onde o cheiro era ainda pior, Charlie me seguiu.
— Estão todos bem, como já falei. Foi até engraçado.
— Duvido muito que tenha sido. — Cheguei junto a porta do banheiro, batendo lá. — Meu filho caindo naquela água e meu marido se jogando atrás dele? Não, isso com certeza não é nada engraçado para mim.
Edward abriu a porta para mim, com um sorriso idiota no rosto, ainda vestindo suas roupas estava molhado dos pés a cabeça e cheirava mal pra caralho. Eu espiei por cima dele e vi a sombra de Matthew no chuveiro, atrás da cortina do boxe.
— Vocês estão bem?
— Ótimos — respondeu rindo.
— Foi muito divertido, mãe! — Matthew gritou do chuveiro.
— Eu disse que tinha sido engraçado, não disse? — Charlie perguntou do outro lado do corredor.
— Só vocês para acharem engraçado caírem no lago — esbravejei. — Como diabos isso aconteceu, Edward Cullen?
Ele revirou seus olhos verdes para mim.
— Matthew desequilibrou e caiu, ele estava usando colete, mas ainda assim pulei para o tirar. Foi divertido, Matthew riu o caminho inteiro de volta, você teria rido se estivesse lá.
— Duvido muito e você está fedendo — continuei irritada. — Matthew, se esfregue bem, ou eu vou te deixar de molho por três dias para esse cheiro de peixe sair de você! — exclamei para meu filho, ele resmungou, mas não rebateu. — E você. — Me voltei para Edward. — Se livre desse cheiro de lago, ou vai dormir no sofá com meu pai.
— O quê? — ele e Charlie indagaram juntos.
— Foi isso que ouviram — declarei, Edward bufou e fechou a porta do banheiro sem falar mais nada comigo. — Nunca mais ninguém dessa família vai pescar, Charlie Swan — anunciei para meu pai, que revirou os olhos e cruzou os braços na frente do corpo.
— Você é muito autoritária, Isabella.
— Eu sou sua filha, Chefe!
Ele coçou a cabeça.
— É, acho que tá certa.
— Fique longe daquele lago, é um perigo! — ordenei, me dirigindo até a escada. — E arrume um jeito de tirar o cheiro ruim dessa casa, ou eu juro que vou colocar fogo em tudo e construir uma nova.
***
Decidi sair com Renesmee, para irmos até o salão da cidade fazermos nossas unhas e cabelos. Deixei Edward e Matthew se livrarem do cheiro neles, enquanto meu pai cuidava do da casa.
Seguidas pelos seguranças, Renesmee e eu dirigimos até La Push, onde chamamos Leah e Sue para o dia no salão conosco. Elas hesitaram, mas Renesme e eu conseguimos ser insistentes o suficiente e nós quatro fomos para o salão, onde passamos um bom tempo, até mesmo tivemos de comer em um pequeno restaurante ao lado.
Fizemos de tudo, unha, escovas, cortes de cabelos — Renesmee e eu apenas aparamos as pontas dos nossos —, depilação — Renesmee agradeceu por ser nova demais e não precisar passar por isso —, também nos maquiamos, mesmo que a maquiagem não fosse durar até o outro dia. Depois que acabamos tudo por lá fomos ajudar Sue, minha futura madrasta, com os preparativos finais para o casamento, que aconteceria em La Pus, em sua casa lá que estava sendo toda decorada para a festa e cerimônia.
Mais tarde naquele dia Renesmee e eu voltamos para a casa do meu pai, onde ele, Matthew e Edward faziam o jantar à seis mãos. Eu me recusei a ajudar, estava cansada depois de um dia fora e não queria estragar minhas unhas.
Quando o jantar, almôndegas nada gostosas, ficou pronto, eu sentei longe de Matthew e Edward, que ainda tinham um cheiro ruim. Aquilo demoraria pelo menos mais dois dias, eu sabia, lembrava quando Edward caiu no lago a primeira vez, o odor não ia embora fácil.
— Bom, eu queria dizer algo — Charlie falou quando acabamos de comer.
— Opa, um discurso pré-casamento? — meu marido perguntou empolgado.
— O quê? Não! — Charlie exclamou. — Eu ia dizer que dormir no sofá cama acabou com a minha coluna. — Ele se levantou. — Você e Isabella vão dormir aqui hoje.
— Ah não — reclamei, a cama dele, mesmo rangendo, era melhor que o sofá cama.
— Já está decidido — papai falou.
— Ótimo, pelo menos o sofá cama não range — Edward falou, piscando para mim, ganhando um tapa na cabeça de Charlie. — Ai, porra!
— Papai, um dólar! — Renesmee cantarolou.
— Em Chicago eu te dou — ele prometeu, massageando o local que meu pai tinha acertado. — Chefe, isso doeu.
— Isso não foi nada! — meu pai rebateu.
— Mãe, eu tô com sono — Matt disse, coçando seus olhos.
— Vamos, eu coloco você e sua irmã na cama — Charlie falou, as crianças gostaram daquilo e saíram da cozinha de mãos dadas com meu pai, depois de darem abraços e beijos de boa noite em Edward e eu.
— Passe mais um pouco de perfume, Matt! — gritei para ele.
— Não estamos mais fedendo tanto assim — Edward falou, juntando a louça suja.
— Você já se acostumou com o fedor, querido — alertei. — Acho que está fedendo mais do que a outra vez, provavelmente o cheiro agora nunca mais vai sair de você. É isso, eu estou oficialmente casada com um peixe.
— Há, engraçadinha — debochou. — Levanta daí e vem me ajudar a lavar essa louça.
— Nem pensar — neguei, esticando minhas mãos. — Está vendo essas unhas, querido? Elas permanecerão intactas desse mesmo jeitinho.
— Você está muito mimada hoje, Isabella — declarou, jogando um pano de prato sobre seu ombro, parecendo um cozinheiro sexy.
— E você está fedendo.
— Eu não tenho culpa se o seu pai nos arrastou para aquele maldito lago. — Começou a lavar a louça, ficando de costas para mim, eu me levantei e fui sentar no balcão perto dele. — Mas, foi mesmo divertido.
— Como isso pode ter sido divertido?
— Não sei explicar. — Deu de ombros, com um sorriso pequeno no rosto. — Só sei que eu pulei atrás do Matt e quando me dei conta ele estava rindo, então eu comecei a rir. Charlie e Seth riram também, o Jacob eu não me importo.
Eu ri ao ouvir aquilo.
— Só posso dizer que esse lago não gosta da nossa família.
Edward assentiu, gargalhando.
— Eu tenho certeza disso agora, querida. Teremos que manter o terceiro filho longe daquele lugar.
— É, nós até podemos tentar, mas conhecendo o Charlie vai ser bem difícil conseguir, ele é obcecado por pescaria. — Observei ele lavando a louça. — Limpa isso direito, homem.
— Pare de me dar ordens, mulher — rebateu, me fazendo rir, me estiquei até ele e beijei sua bochecha.
— Você fede.
— Querida, eu te vi vomitar um milhão de vezes quando estava grávida e fiquei ao seu lado em todas elas sem falar do cheiro ruim do seu vômito.
— Ei, eu estava gestando sua filha! — protestei, batendo em seu ombro.
— Ainda assim. — Ele olhou pela janela o pequeno quintal da casa de Charlie. — Por que você não faz chocolate quente pra gente ir beber lá fora?
— Está frio lá fora.
— Mas também uma noite bonita, esse céu estrelado é raro aqui, com tanta chuva, e em Chicago com toda aquela poluição.
— Ok, você me convenceu! — Pulei da bancada para ir preparar o chocolate quente, nós trabalhamos, cada um em sua tarefa, enquanto falávamos sobre as gigantescas diferenças entre Forks e Chicago e em como nenhum de nós dois teria coragem de ir morar em uma cidade tão pequena.
Quando Edward acabou de lavar a louça e eu terminei de fazer o chocolate quente, nós dois nos servimos com generosas xícaras, pegamos uma manta na sala e fomos para o quintal. Sentamos lado a lado na escadinha que levava ao quintal, com a manta nos cobrindo e nossas mãos sendo aquecidas pelas xícaras.
— Ainda não acredito que Matthew me chama de pai agora — Edward falou, eu sorri e apoiei meu rosto em seu ombro, ignorando o cheiro ao máximo.
— Eu acredito e estou tão feliz com isso, querido. — Bebi um pouco do chocolate. — Acho que tudo está finalmente entrando em ordem agora — falei, suspirando. — As crianças estão indo para uma escola mais justa, o Grupo Cullen está seguro, o tratamento da sua mãe indo bem, Matthew te chamando de pai.
Ergui meu olhar para Edward, que estava sério.
— O que foi? Você não acha que as coisas estão melhorando.
— Eu queria achar, querida. Porém, o que aconteceu com você...
— Eu superei.
Ele me olhou, com uma sobrancelha arqueada.
— Eu vou superar — me corrigi. — Estou feliz, mesmo com isso tendo ocorrido, Edward. — Bati minha xícara na sua em um brinde. — A vida está muito boa agora.
Ele suspirou.
— Você está muito tenso.
— E fedorento — falou, fazendo com que eu gargalhasse. — Não vamos transar hoje, né?
— Com você fedendo assim? Eu não dou conta! — alertei, ele se aproximou de mim e mordeu minha orelha. — Ok, você está indo pelo caminho certo, talvez se eu usar uma máscara para tapar o seu cheiro.
— Comediante! — debochou, em seguida beijando meu pescoço, o que me despertou ainda mais. Noite passada, graças a cama barulhenta do meu pai e falta de lugar para transar — afinal, não tinha espaço para o colchão no chão e eu não ia transar lá —, nós ficamos apenas em sexo oral e masturbação, para conseguirmos sermos mais silenciosos.
— Ok, você está totalmente no caminho certo agora — parabenizei, ele riu contra minha pele, mas se afastou quando seu celular tocou. — É o Jasper.
— Claro, ele deve estar morrendo de saudades — brinquei, deixando Edward atender, pois sabia que devia ser algo sobre trabalho.
Enquanto meu marido conversava com Jasper fechei meus olhos, tentei focar apenas nas coisas boas, mas era impossível não lembrar de Oscar e da agressão. Reprimi a vontade de chorar, não queria tumultuar o resto da minha noite com Edward por conta disso.
— Por que a gente não entra e vai logo pro sofá cama transar? — Edward sugeriu quando acabou sua ligação.
— Acho que prefiro dormir, estou muito cansada — sussurrei, bebendo mais um pouco do meu chocolate, ainda de olhos fechados, pensar naquela agressão tinha varrido para longe de mim qualquer tesão.
— Eu te amo —Edward falou, antes de me abraçar, não me importei com seu cheiro, o amava mesmo que ele cheirasse como o Nemo.
***
O domingo começou cedo, uma vez que o casamento também seria cedo. Nós todos nos arrumaríamos na casa de Charlie, de lá partiríamos para La Push. Eu decretei meu antigo quarto para os meninos, precisava do espaço maior do quarto do meu pai para Renesmee e eu, que com nossas unhas coloridas também combinamos com nossos vestidos em um tom claro de rosa.
Quando todos ficaram prontos partimos para La Push. meu pai no banco do carona, Edward dirigindo, eu e as crianças atrás. Lá, eu deixei Edward responsável por nossos filhos e fui ajudar Sue a terminar de se arrumar.
— Você está linda — falei para ela, que tinha um vestido simples, mas elegante e bonito.
— Obrigada, Bella — agradeceu cheia de sorrisos.
— É estranho ver você casando de novo — Leah disse para a mãe, nós duas estávamos no quarto com Sue. — Não que eu estivesse lá quando você casou com meu pai, mas entendeu.
— Obrigada por me apoiar, filha. — Sue a abraçou.
— Tanto faz — Leah resmungou, mas sorriu para a mãe. — Vou ver se tá tudo certo lá fora — falou e saiu.
— Pronta para se tornar uma Swan? — perguntei para Sue, que sorriu mais e assentiu.
— Sim, estou tão animada com isso!
***
A cerimônia de casamento foi linda, meu pai até chorou um pouco ao dizer sim. Sue chorou mais e seus votos foram lindos, meu pai se manteve no básico, mas era algo mais a cara dele, então sabia que sua nova esposa entenderia isso.
Eu estava muito feliz com Charlie casando, com ele criando novos laços. Mas, também estava muito feliz que nós tínhamos nos aproximado mais aquele ano, era algo realmente muito bom, principalmente com a família expandindo.
— Vamos lá, não é muito difícil — falei para Matt, enquanto tentava o ensinar a dançar o básico.
Junto da gente, e de outros convidados, na pista de dança Renesmee e Edward dançavam gloriosamente.
— Não gosto de dançar, mamãe — Matthew se queixou, resmungando quando tropeçou.
— Vocês precisam de ajuda? — Edward perguntou ao se aproximar com Ness.
— Pai, eu não quero dançar — Matthew falou para Edward.
— Um dia você vai precisar dançar, Matthew — falei, ele revirou os olhos, eu mordi a língua para não brigar com ele por aquilo.
— Que tal nós irmos comer mais um pouco de sobremesa? — Edward sugeriu. — Quando chegar a hora do Matthew precisar dançar eu o ensino.
— Ok — cedi, nós quatro saímos da pista de dança e fomos pegar mais sobremesa, eu estava dividindo uma taça de musse de chocolate com Ness quando Jacob apareceu e me chamou para dançar, ignorei a cara feia de Edward e fui.
— Então, como você está? Ainda não conversamos direito desde que você chegou — Jacob falou.
— Estou bem — respondi. — Bem o quanto posso, levando em conta tudo e você? Alguma novidade?
Jacob sorriu.
— É, eu vou me mudar para Seattle.
— Está brincando? — perguntei surpresa.
— Não, consegui um trabalho lá, não queria deixar meu pai, mas é um bom emprego.
— E você vai mudar de ares.
— Exatamente. — Ele deu um sorriso nervoso. — Isso é meio assustador.
— Você vai se sair bem. — Ele assentiu.
— Sabe, eu quero uma família também — falou. — Uma esposa, filhos. — Suspirou. — Você parece muito feliz, sua família é incrível, mesmo que eu deteste seu marido.
Ri ao ouvir aquilo.
— Você e Edward não tem jeito, mas aceito o elogio, minha família é mesmo incrível. Tenho certeza de que você vai conhecer alguém em Seattle.
— Como teria sido se a gente tivesse ficado juntos? — ele perguntou.
— Jacob…
— É só uma pergunta, imagine que você tivesse vindo para cá uma vez durante Harvard e engravidasse de um filho meu.
Olhei para onde Renesmee, Edward e Matthew estavam. Se eu tivesse engravidado de Jacob isso queria dizer que Edward e eu não estaríamos juntos, que eu não teria Renesmee, muito menos Matthew. Voltei o olhar para Jacob e falei:
— Não consigo imaginar essa realidade alternativa — declarei, ele assentiu.
— Ok, acho que entendo — murmurou triste.
— Você é um homem maravilhoso, Jacob e sempre vai fazer parte da minha vida por motivos muito importantes. Mas… Edward é o amor da minha vida, é o cara que mudou meu mundo por completo, não consigo visualizar um vida sem ele comigo.
— Bom, você é feliz, isso é o que importa. — Jacob beijou meu rosto. — Quando eu arranjar uma noiva, você será minha madrinha de casamento.
— Eu vou amar, Edward será o padrinho?
Jacob fez uma careta, mas deu de ombros.
— Se ele me der um bom presente, quem sabe.
***
Nós estávamos tão cansados quando chegamos em Chicago na segunda-feira, que Edward e eu não fomos capazes de sair de noite para o grupo de apoio da adoção. Preferimos ficar em casa aproveitando mais um pouco as crianças, matando as saudades de Nelly e lidando com o fato de que George e Fred tinham destruído um dos meus sofás enquanto estivemos fora.
— Não consigo dormir pensando no meu sofá perfeito destruído — murmurei deitada na minha cama, com Edward ao meu lado mexendo em seu celular.
— Não consigo dormir pensando que encontrei outro cabelo branco.
— Você tá brincando! — gritei, olhando para ele de olhos arregalados.
— Queria estar, vi quando tava saindo do banheiro ainda agora — ele resmungou. — Como eu vou viver assim, querida? Eu não quero ficar velho.
— Um velho gostoso. — Me movi na cama até ficar por cima dele, começando a beijar seu rosto.
Não tinhamos nem chegado perto de sexo na noite anterior, fora o fato de estarmos cansado depois do casamento, Matthew também quis dormir com a gente no sofá cama.
— Eu tô pressentindo que alguém vai atrapalhar a gente — Edward murmurou, enquanto eu beijava seu pescoço.
— Não, não brinca com… — Fui interrompida por uma batida na porta, Edward suspirou alto.
— Eu disse.
— Porra — reclamei, saindo de cima dele e indo até a porta ver quem era.
A abri e vi Matthew, com o rosto tomado por lágrimas.
— Filho, o que aconteceu? — Edward logo estava atrás de mim, então me ultrapassou e pegou Matthew no colo, que tinha voltado a chorar.
— Tô com medo de ninguém gostar de mim na nova escola amanhã — disse, agarrado ao seu pai. — Sonhei que eu fazia xixi no meio da sala, que todo mundo ria de mim.
— Pequeno, isso não vai acontecer — garanti, afagando suas costas junto de Edward. — Irá dar tudo certo amanhã.
— A escola é excelente — Edward completou.
Matthew apenas continuou chorando, nós o levamos para a cama e ele deitou sobre mim. Edward ficou cantarolando, quase me fazendo dormir, mas sabia que era para Matt adormecer, o que não estava acontecendo.
— Mamãe?
— Sim?
— Quando eu vou poder ver meu pai?
— Eu estou bem… — Edward se calou, sem falar mais nada eu o vi sair da cama e deixar o quarto.
— Matthew, você não pode ver o Laurent — sussurrei, ele chorou mais, molhando a camiseta de Edward que eu usava com suas lágrimas.
— Tô com saudades do meu pai, me deixa ir ver ele, por favor — implorou.
— Sinto muito — murmurei.
— Por favor.
Meu coração quebrava a cada palavra dele, mas eu não podia concordar, ele não podia ver Laurent de forma alguma. Matthew continuou pedindo, eu continuei negando, até que ele adormeceu, em meio ao seu choro, o que só me deixou em um estado de tristeza imenso.
Eu o coloquei deitado diretamente na cama, quando me certifiquei que ele estava dormindo pesadamente. Fui atrás do meu marido, o encontrando na cozinha, revirando uma maçã em sua mão, sentado a mesa.
— Ele dormiu, vem pra cama também, Edward. — O abracei, sentindo seu perfume, o cheiro ruim do lago tinha enfim desaparecido.
— Eu acho que quero conhecer o Laurent, Isabella.
Fale com o autor