Nossa Família

54 Capítulo Cinquenta e Três — Jantar


Notas iniciais
Este é o último capítulo do ano, desde já um feliz Natal e um bom ano novo. Muito obrigada por terem me acompanhado aqui esse ano. Boa leitura!

— Capítulo Cinquenta e Três —

— Jantar —

Edward Cullen

Isabella me soltou no instante que ouviu minha frase, eu sabia que ela odiaria minha ideia, mas eu precisava dizer o que queria. Levantei de onde estava sentado, virei-me para minha esposa e a vi com uma expressão nada boa.

— Por que você quer conhecer o Laurent, Edward Cullen?

Suspirei.

— Eu acho que preciso, ok? Saber mais sobre Matt, o que nós conseguiremos com Laurent mais do que com qualquer outra pessoa… E para fazer com que Laurent entenda que Matthew é nosso filho agora, que ele, ou nenhum capanga dele irá mudar isso.

Bella negou com um aceno de cabeça.

— Eu não vou deixar você ir visitar esse homem, Edward — afirmou. — Em um presídio, você se lembra desse detalhe, né? Que o filho da puta do Laurent está em um presídio.

— Claro que me lembro, Isabella — resmunguei.

— Pois é, eu não vou deixar meu marido ir até a porra de um presídio e entenda essa merda como quiser, pode chamar que sou controladora e o que mais for, mas você não vai pisar num presídio para ir falar com aquele homem. Até porque isso só pode deixar as coisas piores. — Ela respirou fundo. — Me prometa que não vai até aquele lugar, Edward — exigiu.

— Eu prometo — falei.

— Você está falando sério?

— Estou — jurei, ela assentiu, estava pálida e tremia um pouco. — Bella, eu juro, não vou até o presídio falar com Laurent — disse, me aproximando dela e segurando em seu rosto que estava apavorado. — Me desculpa por essa ideia, querida.

— Se algo acontecer com você. — Ela começou a chorar. — Por você ser impulsivo, eu juro que te mato, Edward — ameaçou, eu sorri e beijei seus lábios rapidamente.

— Prometo me comportar.

***

Todos nós acordamos atrasados na manhã seguinte, nem o toque de despertador irritante de Isabella me acordou na hora certa. Sendo assim, a família inteira estava correndo contra o tempo para que as crianças não chegassem atrasadas em seu primeiro dia de aula na escola nova.

— Eu amei que não preciso mais usar uniforme — Renesmee falou à mesa do café, enquanto eu colocava mais leite para ela e Matthew, Bella estava acabando de lidar com as torradas, Nelly tinha levado George e Fred para passear. — Vou finalmente poder ir para a aula com estilo.

— Ok, agora bebe seu leite — a apressei.

— Eu gostava do uniforme — Matthew comentou, tomando um pouco do seu leite, ele não tinha falado sobre Laurent naquela manhã, o que era até bom.

— Sério? Sempre odiei uniformes — comentei, pegando uma xícara de café para mim, Bella terminou com as torradas e serviu as crianças.

— Eles são horríveis — Renesmee disse, em seguida dando uma generosa mordida em uma torrada. — Tudo naquela escola era.

— Ok, sabemos que a nova escola será muito melhor que a antiga, mas vocês precisam comer agora, ou vão chegar muito atrasados — Bella falou apontando para o relógio em seu pulso. — Vou subir para terminar de me arrumar, comam!

Dito isso ela subiu, eu me responsabilizei por me garantir que as crianças comessem sem fazer uma grande bagunça. Depois, levei Matt e Ness para irem escovar seus dentes, Bella já tinha acabado de se arrumar, então logo nós quatro estávamos deixando o apartamento e indo para a garagem, onde Felix já esperava por nós.

Seguimos direto para a escola nova, Renesmee passou o caminho inteiro falando o quão animada estava. Por outro lado, Matthew estava quieto, afinal ele estava nervoso quanto a começar em um novo colégio, diferente da irmã que facilmente se adequava a novas situações.

Assim que chegamos a escola, com o horário da primeira aula prestes a começar, Bella e eu deixamos o carro com as crianças. Fazíamos questão de irmos deixá-las lá dentro.

— Ok, vamos conversar por um instante. — Parei todo mundo, os três me olharam atentamente. — Regras. — Renesmee não conteve uma expressão de desagrado, mas não disse nada. — Não briguem com ninguém, professores, alunos, funcionários, ninguém. Se qualquer pessoa for um idiota com... — Bella pigarreou, me interrompendo. — Se alguém agir de forma desrespeitosa com vocês irão contar para mim e sua mãe no fim do dia quando viermos os buscarem, mas não irão revidar, entendido? Nada de bater em ninguém. — Renesmee tossiu uma vez. — Nem de xingar as pessoas. Prestem atenção nas aulas, se tiverem dúvidas sobre os conteúdos perguntem. Não usem o nome Cullen para se gabar.

— Como assim, pai? — Matthew indagou confuso.

— Você sabe, nossa família tem dinheiro e um nome reconhecido, não use isso para se gabar com as outras pessoas.

— Do tipo, eu posso sentar aí, sou um Cullen — Renesmee falou exemplificando minha fala.

— Isso mesmo. Agora, outra regra muito importante, prestem muita atenção. Não saiam da escola com qualquer outra pessoa que não seja sua mãe, eu, Nelly, Felix, Esme, Carlisle ou tia Rosalie entendido? — Eram as pessoas que colocamos como outros que podiam buscar as crianças ali.

— Entendido, pai — responderam juntos.

— Vamos fazer algo — Bella anunciou, sacando uma caneta da sua bolsa. — Se lembra o que fizemos em seu primeiro dia de aula na outra escola, Matt? — perguntou a ele, que assentiu sorrindo, Bella sorriu de volta e pegou sua mão, escrevendo um B e um E como da outra vez, mas acrescentando um R.

— Legal, nossas iniciais! — Renesmee exclamou empolgada, esticando a mão para Bella, que também escreveu nela, só trocando o R por um M.

— Quando a tinta começar a apagar vocês podem reforçar — Bella disse, se voltando para mim e colocando um B, um R e um M em minha mão. Eu peguei a caneta dela, colocando o R, o M e o E.

— Vocês ficarão bem? — perguntei às crianças.

— Sim — Matt respondeu hesitante.

— Nós ficaremos bem, pai! — Renesmee garantiu, abraçando Matthew pelo pescoço. — Eu vou cuidar do Matt — garantiu.

— Lembre-se das regras! — eu falei rapidamente, não poderia deixar com que ela socasse a cara de ninguém mais.

O sinal tocou naquele momento, era a hora deles irem para suas respectivas salas. Bella tirou os papéis de sua bolsa onde indicava a sala de cada um, onde também tinham mapas da escola e entregou um para cada.

— E96 é a sua sala, Ness. Matt a sua é a E67. Vamos lá!

— Nós podemos ir sozinhos — Matthew falou, com uma crescente confiança em sua voz.

— Vo-Vocês pode-podem? — Bella gaguejou.

— Podemos sim, mãe — Renesmee afirmou, balançando o papel em sua mão.

— Porra, vocês cresceram — deixei escapar, Renesmee abriu a boca para falar, mas Matthew foi mais rápido.

— Pai, você tá devendo um dólar para o pote!

Bella riu alto.

— Eu vou colocar lá quando voltar para casa — prometi.

— Ok, se vocês vão sozinhos tem de ir logo — Bella alertou, agarrando Renesmee em um abraço, enquanto eu fazia o mesmo com Matt, antes de trocarmos. — Se cuidem, qualquer coisa peçam para ligarem para a gente — minha esposa pediu aflita.

Eles concordaram, acenaram para a gente e seguiram pelo corredor.

— Eles já estão muito independentes — comentei ao vê-los se afastando, minha esposa assentiu.

— Estão mesmo, precisamos ir fazer outro filho logo para que eu tenha um bebê totalmente dependente de mim — falou, me fazendo rir. — É brincadeira — disse, olhando para mim. — Mais ou menos, eu ainda quero muito o bebê.

— Eu também. — Pisquei para ela. — Que tal irmos cuidar disso agora?

— Calma aí, querido. — Ela pegou minha mão na sua. — Nós temos que trabalhar primeiro.

***

Naquela tarde Bella teve sua consulta com a psicóloga, para que ela pudesse lidar com a agressão sofrida de dias atrás e todo o resto. Nós combinamos de eu ir a buscar lá, depois irmos pegar as crianças na escola, de onde seguiríamos para a casa dos meus pais, minha mãe tinha resolvido dar um jantar para toda a família, alegando que precisávamos nos unir mais depois de tantos contratempos.

— Oi, querido! — Bella exclamou quando deixou o elevador no térreo do prédio onde ficava o consultório de sua psicóloga, eu estava a esperando lá dentro para a conduzir até o carro, mesmo com os seguranças por perto ainda tinha medo de que algo pudesse acontecer com ela.

— Oi, querida. — Beijei seus lábios por um segundo e peguei sua bolsa. — Como você está? — perguntei, notando seus olhos avermelhados, indicando que ela tinha chorado.

— Bem melhor — respondeu, com tranquilidade na voz. — Vamos agora? Estou louca para saber como foi o primeiro dia de aula das crianças.

— Vamos sim. — A beijei mais uma vez, entrelaçamos nossas mãos e deixamos o prédio.

Bella não quis falar sobre sua consulta, eu respeitei isso, podia estar curioso sobre, mas era algo dela e eu não a ficaria pressionando a nada. O trânsito estava ao nosso favor aquele dia, então logo chegamos a escola das crianças.

Encontramos os dois no pátio da escola, se por um minuto eu pensei que estariam sozinhos, estava bastante enganado. Contei pelo menos mais cinco crianças com eles, Matthew assim como a irmã estava conversando com todos e parecia muito feliz, ao menos o sorriso no seu rosto era gigantesco.

Ele foi o primeiro a nos ver, rapidamente deu tchau para todo mundo e correu em nossa direção. Renesmee veio logo atrás, mas sem correr.

— A nova escola é muito legal! — Matthew contou entusiasmado. — É muito, muito, muito legal!

— Estou feliz que tenha gostado daqui, pequeno. — Bella afagou o rosto dele. — O que você achou? — perguntou para Ness.

— Senti falta dos meus amigos — ela confidenciou. — Principalmente do Ash. — Revirei meus olhos. — Da Lucy também, com certeza. Mas já fiz um monte de amigos novos aqui, esse ano minha festa de aniversário ficará cheia — disse ansiosa.

— Eu joguei basquete na aula de educação física — Matt contou. — Meu time ganhou, o treinador disse que eu sou muito bom. Ele também falou que ano que vem eu posso até participar do time, posso acabar até ganhando uma medalha, pai! — Ele praticamente gritou a última palavra de tão animado que estava.

— Cara, isso seria incrível, uma medalha?

— Uma medalha.

— E será que tem um troféu? — Os olhos dele brilharam.

— Deve ter um troféu sim!

— Ok, competidores, vamos logo — Bella anunciou. — Vovó Esme deve estar ansiosa para ver vocês.

Bella fez com que todos nos deslocassemos de volta para o carro, então Felix nos conduziu para a casa dos meus pais. Chegamos bem na hora que Tanya estava chegando com Santiago e os bebês, todo o resto da família — incluindo Nelly — já estava lá.

— Você promete ser um bom irmão hoje e se comportar? — Rosalie perguntou para mim, as crianças já tinham ido para a sala de jogos e levado meu pai e tio Caius com eles, Santiago também foi, enquanto esperávamos o jantar ficar pronto. Minha mãe, minha tia, Nelly e Bella tinham ido conseguir bebidas. Eu estava na sala com minha irmã, minha prima e os filhos dela.

— Por quê? — perguntei desconfiado, já com o bebê Caius em meus braços.

— Emmett está vindo para o jantar — ela falou.

— Ele não é da família — reclamei, ela revirou os olhos e beliscou minha bochecha. — Porra, Rosalie!

— Não xingue na frente dos meus filhos, Edward — Tanya ordenou, andando pela sala com o bebê Carlisle.

— Nem pense em estabelecer um pote de palavrões em sua casa, Tanya, você irá falir — alertei, ela riu.

— Você vai se comportar, né? — Rosalie voltou a falar comigo, eu bufei, mas assenti.

— Sim, vou me comportar — prometi. — Você já decidiu quando irá contar desse namoro para as meninas? — perguntei, o bebê em meu colo começou a apertar meu dedo e eu sorri para ele maravilhado.

— Ainda não estou pronta para ter essa conversa com elas — Rosalie falou. — E nem elas, ainda é muito recente desde que me divorciei do Royce.

— Olha, sei que isso tudo deve estar sendo muito complicado, Rose — Tanya começou a falar. — Mas é melhor você contar isso para as meninas, se elas descobrirem por outras pessoas será muito pior.

— Tanya está certa — falei.

Rosalie suspirou alto.

— Eu vou contar, mas não hoje.

— Então, o namoro é mesmo sério — Tanya comentou sorridente. — Quando vão casar?

— Cedo demais para isso! — Rosalie alertou,

A campainha tocou e minha irmã deu um pulo de onde estava sentada, saiu apressadamente até a porta. Depois voltou de lá com Emmett, os dois não se tocavam nem nada, mas estavam próximos e conversavam com sorrisos em seus rostos.

— Olá, boa noite! — Emmett exclamou educadamente, acenando para Tanya e eu.

— Oi, Emmett — falei com educação, já que eu tinha prometido me comportar.

— E aí, quando você vai pedir a Rose em casamento, Emmett? — Tanya perguntou com provocação em sua voz, eu tive de rir ao ouvir aquilo.

— Tanya! — Rosalie chamou a atenção dela, ficando vermelha.

— Que foi? — Tanya sentou ao meu lado. — Você só pediu para o Edward se comportar, esqueceu de mim, prima.

— Estou vendo. — Rosalie cruzou os braços na frente do corpo. — Ignore a Tanya, Emmett.

— Pode deixar — ele disse rindo.

— Ah, qual é? — Tanya reclamou. — Faz tempo desde o meu casamento, a família precisa de um outro casamento logo.

— Chega, vamos para um lugar melhor, Emmett — minha irmã disse, agarrando o braço do namorado e o tirando da sala, deixando Tanya e eu rindo para trás.

***

O jantar não foi tranquilo, isso porque com toda a família junta ninguém conseguia ficar quieto por um segundo que fosse, mas era bom ter uma noite de terça com todo mundo, deixando os problemas de fora. Quando acabamos de jantar as crianças convenceram todos a assistirem um filme da sala, mesmo que fosse noite de escola, acabamos cedendo e todos se reuniram para assistir Toy Story.

Algum tempo depois os bebês de Tanya começaram a chorar praticamente simultaneamente para mamarem, como eu estava com o bebê Carlisle em meu colo fui ajudar minha prima, até porque Santiago tinha desmaiado sobre o ombro da sogra. Nós fomos para a cozinha, ela se sentou em uma cadeira para amamentar o bebê Caius e disse que eu podia esquentar a mamadeira que tinha na bolsa deles para o outro, ela não conseguiria amamentar os dois ao mesmo tempo, apesar de já ter tentado outras vezes.

Assim que o leite estava na temperatura ideal eu sentei junto dela para alimentar o bebê Carlisle, foi quando Matthew entrou na cozinha e se apoiou perto da mesa que estávamos. Nos olhava com curiosidade, até que perguntou:

— Pai, por que ele tá tomando leite nisso? — Apontou para a mamadeira.

— Na mamadeira? Porque ele ainda é muito pequeno para beber leite em um copo, ou uma xícara. E porque a sua tia não consegue amamentar eles no… — Olhei para ela, que riu.

— Você pode falar a palavra peito, Edward.

— Tanya não consegue dar de mamar aos dois ao mesmo tempo no peito. — Matt riu.

— É engraçado — ele falou, se voltando para Tanya. — Não dói, tia?

— Logo que eles nasceram doia, agora não mais.

— O seu leite é igual o de caixa?

— Não. — Tanya riu mais. — É diferente.

— Você provou? — perguntei chocado.

— Você nunca provou?

— Claro que não!

— Você é um bundão, Edward — Tanya falou, Matt arfou e declarou:

— Tia Tanya, isso é uma palavra feia, você está devendo um dólar para o pote.

— Mas…

— Eu disse que você não deveria nem cogitar colocar um pote desses na sua vida — falei para minha prima e me voltei para Matt. — Eu cubro a parte dela quando voltarmos para casa.

— Tá beleza — ele concordou, antes de sair da cozinha.

— Sério que você provou seu próprio leite? — voltei a perguntar para minha prima.

— Edward, vê se me esquece — ordenou.

— Tinha gosto de que?

— Edward, cala a boca!

***

Mais tarde, quando o filme acabou, eu segui até o escritório do meu pai — para onde ele tinha ido com tio Caius falar de trabalho —, para chamar ele e meu tio para se despedirem de todos. Estava quase na porta do escritório, que estava entreaberta, quando ouvi meu tio gritar:

— Nós precisamos dar um jeito de descobrir o que ela queria nos contar, Carlisle!

— Cala a boca, Caius — meu pai esbravejou. — Alguém pode te escutar — falou e ouvi seus passos se aproximando da porta, mas não tive uma reação rápida de me afastar, então ele me viu do lado de fora e empalideceu um pouco. — Há quanto tempo você está aí?

— Acabei de chegar.

O que ele e Caius estavam escondendo? Quem tinha dito o que?

— Ótimo. — Meu pai limpou a garganta, Caius apareceu ao seu lado, apreensivo. — O que veio fazer aqui?

— O filme acabou, todos estão se preparando para ir embora, vim chamar vocês dois para se despedirem — falei com seriedade na voz.

— Ok, vamos, Caius — meu pai ordenou, saindo de dentro do escritório.

— Carlisle, Edward poderia nos ajudar a…

— Não! — meu pai gritou com o irmão, o olhando com raiva nos olhos. — Não envolva meu filho nisso.

— Nisso o que? O que está acontecendo? — perguntei, aquela merda toda estava me enlouquecendo, eu precisava de uma resposta.

— Só estou dizendo que ele poderia ser útil — meu tio disse para meu pai.

— Você quer que eu desça e envolva a Tanya? — meu pai rebateu, Caius suspirou e negou com um aceno de cabeça. — Foi o que pensei, fique quieto e não diga nada para Edward.

—Oi, eu estou bem aqui! — falei irritado. — O que estão escondendo?

Eles me olharam ao mesmo tempo, meu pai foi quem falou:

— Não é da sua conta.

Notas finais
Capítulo pequeno, mas estamos em uma calmaria na FIC antes das coisas... Bom, vocês sabem, tretas. Hahaha Beijos! Lola Royal. 16.12.18