Nossa Família
55 Capítulo Cinquenta e Quatro — Comitiva
Notas iniciais
— Capítulo Cinquenta e Quatro —
— Comitiva —
Isabella Cullen
O bebê Carlisle estava no meu colo, quando vi o outro Carlisle entrar na sala onde a família tinha se reunido para assistir ao filme. Meu sogro estava claramente irritado com algo, assim como seu irmão mais novo que vinha logo atrás dele e meu marido, que entrou depois dos dois, estava chateado.
— Tudo bem? — perguntei quando Edward se aproximou de mim.
— Meu pai e meu tio estão escondendo algo sério de mim, ainda fui tratado como uma criança lá em cima — reclamou, falando em um tom de voz baixo. — Vamos logo para casa, por favor — implorou. — Preciso dormir e tirar isso da minha cabeça.
— Claro — concordei, levando o bebê Carlisle para Santiago. — Todo seu — falei para ele, que riu e pegou o filho.
— Acho que os gêmeos querem ir passar a noite na sua casa — Santiago disse para mim, brincando, mas verdadeiramente exausto.
— Não vai rolar, boa sorte com mais uma noite acordado, primo! — desejei.
Edward, as crianças, Nelly e eu nos despedimos de todos e fomos para os carros. Meu marido, depois de nos ajudar a colocar Ness e Matt no carro que seria dirigido por Felix, foi pegar uma carona no carro dos seguranças que iria nos seguir.
Nós chegamos ao nosso apartamento praticamente ao mesmo tempo, Nelly foi dormir, então Edward e eu fomos colocar as crianças para dormir também. Matthew pegou no sono na cama dele, mas sabíamos que ele poderia acabar a noite indo parar no nosso quarto.
— O que seu pai falou? — perguntei vendo Edward sentado na nossa cama, encarando a televisão desligada, já depois de tomarmos banho e trocarmos de roupas, ele suspirou e olhou para mim. — Sei que você queria tirar isso da cabeça, mas talvez conversar te ajude a relaxar.
Mais um suspiro alto e meu marido deitou na cama, passando a encarar o teto. Ainda assim, ele me contou tudo:
— Eles estavam falando sobre alguma mulher, que tinha algo para contar aos dois — Edward esfregou seu rosto. — Os dois estavam bem tensos, gritando e tudo. Quando me viram ali, meu tio falou que eu poderia ajudar a descobrir, o que quer que isso seja, mas meu pai não me quer envolvido. Então, quando perguntei o que estava rolando, disse que não era da minha conta.
Sentei ao lado de Edward, apoiando uma mão sobre seu peito, ele a envolveu com as suas. Nossos olhares se encontraram, ele estava obviamente preocupado.
— Você tem alguma ideia do que possa ser? — questionei.
— Não, nenhuma — murmurou. — Provavelmente alguma coisa relacionada ao Grupo Cullen. — Outro suspiro. — Mas e caso não seja, querida?
— Está pensando em… — Engoli em seco. — Alguma traição? Seu pai não trairia sua mãe e seu tio também não faria isso com sua tia.
— Tô me sentindo um merda por cogitar isso, mas Carlisle e tio Caius querem que eu seja o próximo presidente da empresa, eles não me contariam se fosse algo relacionado ao trabalho?
— Eu não vejo como você poderia ajudar, já que seu tio disse isso, se fosse um caso de traição, Edward.
— Ok, sem traição, mas eles ainda estão escondendo algo que os deixa bem irritados. — Voltou a sentar, mas em instante algum soltou minha mão.
— Vai ficar tudo bem. — Beijei seu rosto demoradamente. — Amanhã você pode tentar falar com seu tio e ver se descobre algo, já que seu pai te deu essa resposta atravessada.
— Não sei, quando meu pai provocou envolver Tanya no assunto, tio Caius negou rapidamente e papai mandou ele não me contar nada.
— Eu pergunto — declarei. — Quem sabe consigo enrolar seu tio e fazê-lo dizer algo. — Dei mais um beijo nele. — Agora é melhor você dormir e tentar relaxar um pouco.
Eu tinha acabado de falar quando ouvimos Matt chamando por Edward:
— Pai?
Edward sorriu, beijou minha mão, a soltou e deixou a cama. Foi até a porta e voltou de lá com nosso filho.
— Oi, colega de quarto! — saudei Matt, que foi logo subindo na cama.
— Oi, mamãe. — Sorriu para mim.
— Pai — falou com Edward, que estava o colocando debaixo da coberta. — Você colocou o dólar no pote?
Edward riu alto, eu estava curiosa sobre o que tinha rolado, ele percebeu isso e explicou:
— Tanya falou uma palavra feia e eu prometi colocar o dinheiro no lugar dela. Esqueci hoje, Matt, mas prometo que irei fazer isso amanhã, tá bom?
— Tá bom, pai — Matt concordou e se aconchegou na cama para dormir. — Mamãe, me abraça?
Um sorriso imenso tomou conta do meu rosto, como negar um pedido daqueles?
Eu deitei ao lado dele e o abracei, nós três estávamos em silêncio e ficamos assim até Matthew se pronunciar:
— Mamãe, a minha mãe também me dava mamadeira quando eu era bebê?
Meu coração se apertou, ele estava falando da mãe biológica, claro, não de mim. Mantive meus olhos fechados, organizando os pensamentos e respondi:
— Acredito que sim, Matt. — Eu não poderia confirmar nada, pouco sabíamos sobre a mãe biológica dele.
— Ela era legal? A minha mãe.
Abri meus olhos e encontrei os de Matt, estavam sonolentos, mas também curiosos.
— Ela deveria ser muito legal, filho — Edward respondeu antes que eu pudesse formular uma resposta.
— O nome dela era Karen, não é? O papai dizia isso.
— Sim — confirmei. — Ela se chamava Karen. — Afaguei o rosto de Matt.
Meu filho sorriu e fechou seus olhos.
— Karen é um nome bonito — murmurou, isso me fez sorrir também.
Mesmo com o coração apertado, por saber que não era a única mãe na vida dele, era bom escutar aquilo. Matthew estava feliz, falar sobre Karen, ao menos naquela noite, não tinha o perturbado.
Olhei para Edward e meu marido piscou para mim, ele sorria como Matthew e eu. E foi assim, sorrindo, que nós três dormimos.
***
Aro Volturi, o presidente dos Estados Unidos, e toda sua comitiva chegariam a Chicago no dia 2 de Junho. Sendo assim, na manhã do dia 31 o clima do hotel já estava uma loucura, enquanto toda nossa equipe preparava o local e a si mesmos para a visita precidencial.
Eu estava na minha sala, bebendo um monte de café, conferindo relatórios e respondendo e-mails, quando minha mente acabou voltando para o estacionamento daquele shopping. Fechei os olhos, tapei o rosto com as mãos e tentei controlar o medo invadindo meu corpo, eu estava sozinha no meu escritório, segura de diversas maneiras diferentes, ainda assim tinha de convencer a mim mesma de que ninguém iria me machucar ali.
— Oscar está preso — sussurrei. — Laurent está preso. Renesmee, Matthew e Edward também estão seguros — fiquei repetindo em voz alta. Também busquei controlar minha respiração, e pensar na consulta que tinha tido com a psicóloga, eu já tinha me sentido muito melhor depois dela.
Porém, também pensei em Zafrina. Oscar tinha dito que ela contou a ele sobre a gente, a polícia estava sabendo disso e iriam chamá-la para depor nos próximos dias. E a mínima ideia de ela também ser presa me deixou nervosa de novo. Ela tinha filhos que dependiam exclusivamente dela, como as crianças ficariam se algo acontecesse com aquela mulher? Ainda assim, se fosse realmente culpada por algo deveria ser presa, não? Se solta, poderia continuar a ser uma ameaça para todos da minha família.
Tirei minhas mãos da frente do rosto e encarei os relatórios na tela do meu computador, precisava de uma pausa. Do trabalho e da agitação em minha mente, mas acabei tendo ideia de movimentar minha cabeça com outra preocupação.
Levantei e deixei minha sala, avisei Angela de que precisava ir resolver algo na torre empresarial do Grupo Cullen e fui até lá. Entrei no prédio sem burocracias, como sempre, mas não segui até a sala de Edward, fui até a sala do vice-presidente.
— Oi, tudo bem? — cumprimentei a assistente de Caius. — Pode falar para o senhor Cullen que eu estou aqui?
— Claro, senhora Cullen — a mulher concordou sorridente, pegou o telefone e anunciou ao tio do meu marido minha presença, Caius liberou minha entrada e esperava por mim no interior da sua sala servindo água com gás em dois copos e uma caixa de donuts.
— Na sala do seu irmão temos bolos, aqui donuts, está na hora do Grupo Cullen abrir uma confeitaria?
— Eu não me oponho a tal ideia — ele disse rindo e apontou para a caixa. — Você chegou na hora certa, acabei de encomendar essas belezinhas, servida?
— Não, mas obrigada. — Peguei um dos copos com a água e sentei na cadeira diante da mesa dele. Caius se serviu com um donut e sentou em seu lugar, olhando para mim confuso.
— Algum problema? — perguntou.
No curto caminho até ali tinha pensado em como iniciar aquela conversa, então suspirei alto e dramaticamente, me aproveitando da minha crise ansiosa de antes para dar mais veracidade ao estado preocupado que queria transparecer para Caius. Voltei meus olhos para o copo de água em minhas mãos e falei baixinho, tentando ser a atriz que nunca fui:
— Acho que aconteceu alguma coisa ontem, durante o jantar, que deixou Edward num péssimo humor. Não quis perguntar nada para Carlisle ou Esme, eles estão tão sobrecarregados. Nem para a Tanya, ela está com certeza muito ocupada, a Rose também, tendo que lidar com as meninas aqui sozinha, sem o Royce perto. Então… — Olhei para Caius, ele estava sério. — Achei que você pudesse me ajudar, talvez Edward te contou algo ontem? Ou você viu, ou ouviu algo, que não estou sabendo? Sei lá, só estou tão preocupada, ele claramente está me escondendo algo sé… — Antes que eu pudesse terminar de falar, Caius deu um sorriso e um segundo depois começou a rir alto, ainda rindo deu uma mordida em seu donut.
Eu me remexi na cadeira, inquieta e sabendo que se ele estava rindo era porque tinha descoberto minha jogada de tentar fazê-lo me contar o segredinho dele e do irmão.
— Boa tentativa, Bella — Caius disse após mastigar e engolir. — Pode falar para o Edward que o pai dele e eu estávamos apenas discutindo por bobagens. — Forçou um sorriso ao dizer a última palavra. — Ele não precisa se preocupar com nada, e você também não. Está tudo bem, garanto.
— Se é uma bobagem, por qual motivo você e Carlisle estavam tão nervosos? Por que não contaram nada para o Edward? Por que você não me conta agora?
— Não diz respeito a vocês dois — declarou e deu de ombros. — Como falei, era apenas uma bobagem. Eu vou ser muito legal não contando para Carlisle que você e Edward estão brincando de detetives, mas sugiro que deixem essa história de lado, Bella. — Me lançou um olhar sério.
Eles estavam escondendo algo e aquilo com certeza não era uma bobagem.
— Até mais, Caius. — Coloquei o copo sobre a mesa dele e me levantei. — Ótimo papo.
— Tchau, não quer levar alguns donuts?
— Não, obrigada — continuei falando educadamente, me controlando de elevar o tom de voz e exigir a verdade.
Acenei e deixei a sala, me despedi da assistente dele também e fui atrás de Edward. Jessica falou comigo educadamente, eu apenas sorri em retribuição e entrei no escritório do meu marido.
— Oi, querida — Edward falou comigo a me ver, estava sentado no sofá da sala, lendo documentos que estavam dentro de uma pasta.
— Oi! — Me juntei a ele, beijando seus lábios rapidamente. — Acabei de vir da sala do seu tio.
Edward me olhou com apreensão.
— Ele falou que não devemos nos preocupar com nada, que seu pai e ele estavam discutindo por bobagem, mas claramente está escondendo algo sério.
— Eu disse, eles estavam muito estranhos. Me conta tudo isso direito, cada gesto e palavra dele!
Contei e no final do meu relato, Edward esfregou o rosto com as mãos e resmungou:
— Obrigado pela ajuda, mas vamos mesmo torcer para Caius não falar nada da sua conversa com ele para o meu pai, ou eu vou me foder.
— Calma, ele não vai contar nada. — Apertei o ombro de Edward, querendo o confortar de alguma forma.
— Mudando de assunto — ele retomou a falar, ficando mais feliz do que estressado. — Estava pensando em nós dois sairmos hoje para jantar, sem as crianças, sem amigos, só a gente.
— Eu gosto dessa ideia.
— Você gosta? — Se aproximou e deu dois beijos rápidos em meus lábios.
— Eu amo! — Segurei o rosto dele entre minhas mãos. — Acho que estamos precisando de uma noite só nossa. Podemos dormir no hotel depois, o que me diz?
— Você quer transar no seu lugar de trabalho, senhora Cullen? — provocou, me fazendo rir.
— Sim, eu gosto disso — confirmei e gesticulei para a mesa dele. — Inclusive aquela mesa ali já me viu nua muitas vezes. — Edward riu alto, se aproximou ainda mais de mim e repousou o rosto na curva do meu pescoço.
Ficamos ali, agarrados e quietos, por um tempo. Até que, ele voltou a falar e perguntou:
— Você acha que vai ficar tudo bem? Em relação a esse segredo que meu pai e tio Caius estão guardando.
Mexi nos cabelos de Edward e respondi:
— Espero que sim, mas qualquer coisa nós estaremos aqui para ajudá-los no que for preciso.
***
Pegamos as crianças na escola algumas horas depois, Matt e Nessie continuavam animados com o novo colégio, contando sobre as aulas, os professores, amigos novos que estavam fazendo. Ainda no carro, a caminho do apartamento, Edward e eu também contamos que iríamos sair sozinhos aquela noite, eles não ficaram lá muito felizes com isso, mas aceitaram, sem choro, que teriam de ficar só com Nelly.
— Os dois já para o banho! — Edward ordenou quando chegamos em casa, sem deixar que nossos filhos se distraíssem muito tempo com Fred e George. — Vou ajudar vocês com os deveres de casa antes de sair, então sem enrolação.
— Podemos apostar corrida até lá em cima? — Ness perguntou para o pai, mas rapidamente respondi:
— Nem pensar, não quero vocês correndo na escada, vão acabar se machucando.
Ela não ficou contente com a minha recusa, mas subiu com o pai e o irmão sem me contestar.
— Olá, menina! — Nelly apareceu quando eu estava sentando em um dos sofás da sala, respondendo mensagens de Alice que estava reclamando sobre os sintomas da gestação.
— Oi, tudo bem por aqui?
— Tudo sim, já estava deixando o jantar pronto para as crianças, você e Edward podem sair sem preocupações.
— Obrigada por isso — agradeci, ela sentou ao meu lado e deu um grande sorriso, logo contando em tom de segredo:
— Eu meio que aprontei algo.
— O que você fez? — Deixei o celular de lado para lhe dar total atenção.
— Acabei entrando em contato com o Albert e o convidando para jantar depois de amanhã. — O rosto dela ficou vermelho. — Agora falando isso fico envergonhada, já não estou muito velha para encontros?
— Para com isso, Nelly! — ordenei. — Você é super nova e mesmo que fosse mais velha ainda teria total direito de ter relacionamentos. Já sabem para qual restaurante vão? Ele ficou surpreso?
— Não, ele ficou bem animado. Quer me levar para um restaurante italiano, algo pequeno, mas que segundo ele é bom, lá perto do pet shop. Estou bem ansiosa agora, no dia posso contar com sua ajuda para me arrumar?
— Claro que pode, eu vou adorar. Aliás, Edward foi supervisionar o banho das crianças e depois eles vão fazer o dever de casa, podemos ir vendo suas roupas logo agora, assim já temos uma ideia do que você deve usar no grande dia.
Nelly topou e fomos até o quarto dela, saímos de lá apenas quando Matt apareceu falando que tinha terminado o dever de casa e perguntando se os cachorros já tinham comido. Meu filho e Nelly foram alimentar os dois, eu deixei o quarto dela e cruzei com Ness na sala de estar, ela estava concentrada tocando piano, com George dormindo aos seus pés.
— Te amo, encrenqueira — falei para ela, que riu baixinho, mas não parou de tocar.
— Também te amo, mamãe.
Encontrei Edward no nosso closet, já escolhendo a roupa que usaria naquela noite.
— Eu me lembrei de algo — ele disse.
— O quê?
— Alguns dias atrás Caius estava saindo da sala do meu pai lá na empresa, muito puto. Então, seja qual for esse segredo deles, não é algo que começou ontem. Enfim, só não consigo tirar isso da cabeça. — Olhou para mim com culpa no olhar. — Foi mal, prometo que não irei ficar falando disso durante nosso encontro. Até porque minha boca com certeza estará ocupada.
Isso me fez rir, ele me puxou para si e me beijou demoradamente.
***
Nós jantamos em um restaurante japonês, em um espaço reservado do local, fugindo um pouco da barulheira dos outros clientes. Depois que acabamos de comer, Edward dirigiu até o hotel e seguimos até o quarto que eu tinha reservado para a gente, ignorando os olhares curiosos que meus funcionários lançavam em nossa direção.
Tínhamos acabado de entrar na suíte e meu marido estava abrindo meu vestido, quando o celular dele começou a tocar. Edward xingou, mas tirou as mãos de mim e pegou o aparelho, logo atendendo.
— Oi, Nelly. Tudo bem? — Me virei para o olhar e vi Edward me lançar um sorriso, mas seu olhar era de preocupação. — Obrigado por avisar logo, vamos voltar. Até daqui a pouco. — Ele finalizou a ligação e antes que eu pudesse lhe encher de perguntas, contou o que tinha acontecido. — Matthew não quer dormir sem a gente, está chorando muito, tanto que consegui escutar pela ligação e falou que só vai dormir com a gente lá. Hum, ele também disse que quer tomar leite, na mamadeira. São mais sinais do período de regressão, mas vai ficar tudo bem — disse e da forma que falou, parecia estar acalmando nós dois ao mesmo tempo. — Precisamos voltar para casa.
— Claro. — Peguei meus sapatos que já tinha tirado e os calcei, alcancei minha bolsa também. Edward fechou o pouco do meu vestido que tinha dado tempo de abrir e deixamos o quarto. — Devemos comprar uma mamadeira para ele? — perguntei já no elevador.
— Sim, já ficamos sabendo sobre outros casos assim, né? Vamos dar o leite na mamadeira, e ver como ele se comporta. Compro na farmácia daqui logo.
— Tá ok. — O elevador parou no térreo e meu marido beijou minha bochecha antes de ir até à farmácia. — Oi, vamos precisar ir, encerre a nossa reserva da suíte — falei com o pessoal da recepção do hotel, enquanto Edward estava comprando a mamadeira.
Não fui questionada, apenas perguntaram se eu queria uma nova reserva para outro dia e neguei. Não sabia quando poderíamos dormir fora, longe de Matt, talvez pelo resto da semana ele continuasse chorando muito sem a gente por perto.
Edward voltou da farmácia com uma sacola que parecia conter pelo menos três mamadeiras, isso me fez rir e perguntar, enquanto andávamos para fora do hotel.
— É só um filho, Edward. Para que tudo isso?
— Renesmee era chata com mamadeiras, lembra? Vai que ele também é. Oi, voltamos! — Entregou o cartão do estacionamento para o manobrista, que foi pegar o Volvo.
— Ela era terrível — confirmei. — Mas quando achamos a mamadeira perfeita a garota não queria mais largar… Gosto de ter essas lembranças com a Ness, então acho que mesmo de forma bem diferente, será bacana ter recordações assim com o Matt.
— Pois é, de alguma forma, será algo para lembrarmos lá para a frente. E eu comprei uma mamadeira do Batman, certeza de que ele vai amar.
Eu ri, mas sabia que Edward poderia ter razão sobre isso, já que Matthew amava o super-herói.
Não pegamos muito trânsito até o apartamento, o que Edward falou ser um benefício de morarmos perto e que não teríamos aquilo se realmente decidissemos mudar para uma casa. Ignorei seu falatório, principalmente quando ele quis ir contra a ideia da minivan, mais uma vez, também.
Fomos direto para nosso quarto, Nelly estava lá com Matt. Meu filho ainda chorava, baixo, mas era um choro sofrido.
— Mamãe! — ele pulou da cama e correu até mim quando nos viu.
— Oi, príncipe. — Peguei ele no colo, depois lhe dei um beijo no rosto. — Estamos aqui, está tudo bem agora. — Afaguei suas costas.
— Olha o que trouxemos. — Edward se aproximou e mostrou as mamadeiras, eram cinco, eu as tinha visto no carro. A do Batman, duas amarelas, uma azul e uma branca. — Você quer leite em qual delas?
— Na do Batman — Matt respondeu ainda chorando um pouco, mas vi a sombra de um sorriso em seu rosto.
— Beleza, vou já trazer para você, filho. — Edward desceu com as mamadeiras.
— Estou indo dormir, mas qualquer coisa podem me chamar — Nelly falou, também se levantando da cama. — Boa noite, lindinho. — Beijou o rosto de Matt. — Durma bem.
— Boa noite, tia Nelly — desejou fungando, ela beijou a bochecha dele novamente e depois saiu do quarto.
Andei até o closet ainda carregando Matt em meus braços, o sentei ali e rapidamente troquei de roupas. Coloquei um short de pijama e um moletom bem grande e confortável de Edward.
Voltamos para o quarto e deitei com meu filho na cama. Ele deitou sobre mim, chorando e pedindo pelo leite. Estava quase chorando de fato como um bebê, quando Edward apareceu com a mamadeira cheia e me entregou.
— Aqui, já está na temperatura ideal.
— Prontinho! — comemorei e dei a mamadeira para Matt, ele não quis segurar, então fiquei fazendo aquilo enquanto ele bebia seu leite.
Edward sentou perto da gente, mas não no meio da cama, já que ainda estava com roupas usadas na rua. Ficou afagando as costas de Matt e cantarolando uma canção de ninar, mas nada disso foi o suficiente para nosso filho dormir.
— Vou trocar de roupas e te pego no colo para te fazer dormir, garoto — falou suavemente para Matthew, indo para o closet. Saiu de lá vestindo um de seus moletons e uma calça de pijama.
Pegou a mamadeira e Matt no colo, e mesmo que o garoto fosse muito maior do que um bebê, Edward deu um jeito de ficar em pé com ele e ainda assim alimentá-lo pela mamadeira. Quando o leite acabou, eu peguei a mamadeira, mas meu marido continuou com Matthew em seus braços.
— Quero a mamãe — Matt se queixou.
— Vem, filho.
Edward sentou com ele na cama, Matthew se enfiou em meus braços, mas logo veio o pedido.
— Quero ficar aqui, mamãe. — Tocou na minha barriga.
Não precisei de muito para entender o que ele queria, também já tínhamos lido e ouvido sobre isso. Crianças adotadas quando mais velhas querendo simular o nascimento.
— Vamos lá.
Tirei ele de cima de mim e ergui o moletom, era grande, mas Matthew só conseguiu ficar lá dentro com a cabeça e um pouco dos ombros, o resto do seu corpo apoiado em minhas pernas. Edward e eu nos olhamos, meu marido beijou minha testa e falou em voz alta.
— Querida, sua barriga está imensa! — Afagou a cabeça de Matt, o garoto sufocou uma risadinha.
— Eu acho que o bebê quer nascer — falei, também afagando a cabeça de Matthew por cima do moletom. — Como iremos chamá-lo, querido?
— Não faço ideia. — Edward soltou um suspiro dramático. — Acho que iremos escolher quando finalmente olharmos para a carinha desse menino. Você acha que ele nasce ainda hoje?
— O que você me diz, bebê? Irá nascer hoje para conhecer seus pais?
Demorou um pouco, mas ele respondeu, em um tom de voz bem baixinho:
— Sim.
Eu sorri para Edward, que beijou minha testa de novo e segurou minha mão entre as suas.
— O bebê vai nascer, querido.
— Estou ao seu lado, e tão ansioso para conhecer nosso filho. Vamos lá, faça força!
Eu forcei um grito, mas não alto que fosse acordar Renesmee. Edward, continuou me incentivando, mas liberou uma de suas mãos e ficou fazendo cócegas na barriga de Matt, isso fez com que nosso filho risse e se mexesse, deixando um pouquinho mais do moletom.
— Ele está nascendo! — Edward comemorou.
— Vamos lá, filho, quero tanto te conhecer e te encher de beijos — falei, Matthew deslizou mais um pouco para fora do moletom.
Mais gritos, mais cócegas e Matt estava completamente fora do moletom, imitando o choro de um bebê. Edward o pegou de cima de mim, o trazendo para deitar entre nós dois, ao mesmo tempo enchemos o rosto do nosso filho de beijos, isso o fez parar com o choro e começar a rir.
— Querida, já sei o nome dele…
— Eu também, ele tem cara de Matthew.
— Nosso Matthew! — Edward gritou, Matt riu mais e fingiu chorar mais um pouco, mas o pai dele não deixou isso ir muito longe. — Hora de dormir, bebê. Você tem aula amanhã cedo.
— Bebês não vão para a escola, pai.
— O nosso bebê vai — alertei.
— Tá bom — Matt concordou e fechou os olhos, Edward o puxou mais para si, afagando suas costas e voltando a cantarolar canções de ninar.
Ainda demorou um tempo, mas Matthew dormiu e eu cochichei para Edward:
— Foi um parto muito mais tranquilo.
Meu marido riu baixo e assentiu.
— E você nem me xingou nesse.
Revirei os olhos.
— Falando no outro parto, você passou no quarto da Ness?
— Sim, antes de descer para preparar a mamadeira, ela parecia bem.
— Beleza, vou escapar por um minuto e ir lá dar uma olhada nela.
Levantei com cuidado da cama e fazendo o mínimo de barulho, caminhei até o quarto de Nessie. Como dito, ela estava dormindo em sua cama e muito bem, agarrada ao seu pinguim de pelúcia.
Meu coração se aqueceu, estávamos todos bem e em casa, depois de passar por um momento de nascimento com Matthew. Todo o pavor que tinha vivido naquele estacionamento do shopping continuaria me perseguindo e seguiria com a terapia para lidar melhor com tudo aquilo, mas eu tinha mais motivos para me sentir feliz do que razões para ficar triste.
Tudo estava bem. Nós estávamos seguros no apartamento e esperava que em breve estivéssemos seguros na casa nova.
***
Zafrina deu o depoimento dela para a polícia na manhã do dia 2, alegando que a última vez que falou com Oscar foi meses antes de Laurent ser preso, que dessa forma não tinha como ter contado a ele sobre Matthew estar conosco. Eu não sabia o que pensar, especialmente por Oscar continuar sustentando sua versão, aquela que contava sobre ser a irmã de Laurent a pessoa que contou para ele sobre o paradeiro de Matt.
— Não consigo mais pensar sobre isso agora — alertei para Edward e Carlisle, os dois estavam em minha sala no hotel, esperando a comitiva presidencial chegar para também recepcionarem Aro Volturi.
Caius também deveria estar lá, mas segundo meu sogro contou, seu irmão precisou fazer uma rápida viagem para New York e estaria de volta no dia seguinte.
Isso deixou Edward visivelmente mais desconfiado sobre o segredo dos dois, mas tínhamos muito acontecendo com o depoimento de Zafrina e a chegada do presidente para que ele tentasse confrontar o pai novamente.
— Senhora Cullen, eles estão chegando — Angela apareceu e anunciou.
— Já estamos indo — confirmei e ela saiu.
— Lá vamos nós ter que apertar a mão daquele republicano — Carlisle reclamou e se levantou. — Vou precisar de muito álcool em gel depois disso.
Eu ri, Edward não, ainda estava sério. Fosse pela viagem repentina do tio, o depoimento de Zafrina, ou os dois.
Deixamos minha sala e seguimos para a entrada do hotel, não demorou nada para que o serviço secreto estivesse ali. Depois o presidente, sua família e seus assessores.
— Carlisle! — Aro exclamou e foi logo apertando a mão do meu sogro. — É um prazer lhe rever, meu caro.
O presidente era um homem de estatura média, magro, cabelos escuros e olhos azuis. Tinha sessenta anos e um forte sotaque de Atlanta, sua cidade natal.
A esposa dele, Sulpicia, era alta, loira, olhos também claros e era quinze anos mais nova do que seu marido. No dia seguinte minha família teria de comparecer ao aniversário dela que ocorreria em um dos salões de festa do hotel.
Os filhos deles, os únicos do presidente, eram gêmeos de quinze anos. O garoto parecia muito com o pai, se chamava Alec. A garota era idêntica à mãe, o nome dela era Jane.
Enquanto a menina era só sorrisos, o menino não parecia muito contente com nada. Torci para não ser um hóspede problemático, eu não queria confusão com o filho adolescente do presidente.
— Muito bom ver vocês, Aro — Carlisle retribuiu a gentileza. — Lembra-se do meu filho Edward e da esposa dele Isabella? Ela é a gerente geral do hotel.
— Claro, como vocês estão? — Aro também nos cumprimentou com apertos de mão. Em seguida, falamos com a primeira dama e os filhos deles, Alec se limitou a um aceno de cabeça discreto.
Todos ainda estavam conversando, com exceção do adolescente emburrado, quando Emmett se aproximou discretamente de mim e sussurrou:
— Desculpa te interromper, mas a Rosalie acabou de me ligar e contar que o Royce está em Chicago, acho que vocês iriam gostar de saber disso logo.
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