Nossa Família
19 Capítulo Dezoito — Paris
Notas iniciais
— Capítulo Dezoito —
— Paris —
Edward Cullen
Era muito fácil ler minha mãe, com trinta anos de vida, eu tive muito tempo para decifrar cada uma de suas expressões. Obviamente, a que eu mais gostava, era a que me dizia que ela estava orgulhosa de mim, quatro eram as vezes que eu também me orgulhei de ver aquela expressão em seu rosto.
Quando levei Bella até nossa casa para que ela pudesse conhecer minha família, quando entreguei Ness a mamãe na maternidade, quando Bella e eu nos casamos e quando consegui meu diploma em Harvard. Os gestos eram simples, mas a intensidade de seus olhos verdes diziam tudo. Ela sorria, balançando a cabeça em um gesto positivo, enquanto seus olhos encontravam-se com os meus e eles sempre estavam carregados de um brilho causado por lágrimas de felicidade.
Aquelas lágrimas que estavam no rosto dela naquela tarde de março não eram de felicidade, a forma que ela me olhou, olhou para Rose ao dizer que estava doente não era um modo feliz, obviamente. Ela estava doente, aquilo podia matá-la.
Eu ainda podia me lembrar de quão confuso e aterrorizante foi quando meu avô paterno morreu. Era alguns anos mais novo do que Renesmee na época, eu olhava as pessoas chorando e não conseguia entender o que estava acontecendo. Anos mais tarde, quando eu já tinha vinte e três, perdi minha avó paterna, vovó Charlotte era um doce, Ness a amava e foi mais terrível ainda dizer a minha filha tão pequena que vovó Char — como Nessie a chamava — não estava mais lá conosco.
Perder os dois foram os momentos mais difíceis da minha vida, com toda certeza. Vovô era um homem incrível, vovó uma mulher maravilhosa. Mas, eu suportei, consegui seguir em frente nas duas vezes, só que eu não sabia se conseguiria ter a mesma força se perdesse minha mãe para a droga daquela doença.
Enterrei meus dedos na areia, encarando o lago a minha frente. Eu tinha saído da casa dos meus pais, entrado na Mercedes e ordenado que Félix me levasse a praia que ficava no bairro que cresci. Graças ao Lago Michigan, Chicago tinha um total de vinte e seis praias, a que eu estava naquele momento era a Oak Street Beach, no nobre bairro Gold Coast.
Aquilo tinha sido uma ideia horrível, era março, a temperatura ainda era por volta dos oito graus e a beira do lago tudo parecia ainda mais frio. Ainda assim, aquela praia deserta parecia um local mais calmo de se estar do que a casa dos meus pais.
— O que você vê de especial nesse lugar? — Eu tirei meus olhos do lago, vendo Rosalie se aproximar de mim, encolhida dentro do seu casaco, sentando ao meu lado na areia.
— O que está fazendo aqui? — Ela bufou, rolando os olhos.
— O que acha que estou fazendo aqui, Edward Anthony Cullen? Vim buscar você.
Eu não estava realmente surpreso com Rosalie aparecendo ali, depois do meu ataque com Bella, sabia que ela não iria até mim para não forçar ainda mais o meu estado louco. Então, sabia que Rosalie, ou papai, seriam os responsáveis por minha busca, principalmente Rose, levando em conta que nós dois sempre estávamos cuidando um do outro.
— Não quero voltar. — Funguei, percebendo só ali que estava chorando, esfregando minhas mãos com mais força na areia, buscando que o atrito tirasse minha mente da confusão que estava, focando em outros sentidos.
— Mamãe precisa da gente, Edward. — Rose afagou minhas costas, encostando sua testa em meu ombro, começando a chorar também.
— Ela vai morrer, Rose? — eu indaguei desesperado. — E-Eu não posso lidar com isso, não quero perdê-la, eu amo muito a mamãe para perdê-la. — Solucei. — Não consigo imaginar um mundo onde ela não esteja, isso não faz sentido.
— Ela não vai morrer, irmão. — Rosalie me abraçou, eu contornei seu corpo com um braço, a puxando para mais perto de mim. — Mas, ela passará por um longo tratamento e vai precisar da gente por perto.
Eu suspirei, apertando Rosalie contra mim quando ela começou a chorar mais alto, era o momento dela de desabar. Provavelmente não tinha chorado nada desde que descobrimos aquilo no começo daquela tarde, então a deixei chorar, enquanto a mantinha em meus braços e via o movimento lento do lago naquele dia.
— Aqui é calmo — eu respondi, depois de um tempo de total silêncio, sua pergunta de quando chegou ali. — Por isso eu gosto tanto daqui.
Rosalie se remexeu, virando-se para olhar o lago também, abraçando as próprias pernas.
— Você lembra quando papai veio te ensinar a nadar aqui? — ela perguntou, sorrindo.
— E mamãe ficou desesperada, pois eu mais engolia água do que qualquer outra coisa? — perguntei de volta, Rosalie riu, assentindo.
— Ela é maravilhosa, né? — Rose voltou os olhos para mim. — Foi sempre uma mãe incrível para a gente. — Concordei com um aceno de cabeça, enxugando meus olhos com a manga do meu casaco.
— Mesmo com a gente dando tanto trabalho.
— Você sabe, ela disse na véspera do meu casamento que eu não devia casar com Royce — Rose sussurrou. — Eu bati o pé, disse que ela estava sendo controladora e maníaca, devia ter a ouvido, ela sabia que ele era um cretino.
— Não se culpe por isso. — Afaguei suas costas. — Eu também não escutei mamãe uma porção de vezes. — Engoli em seco, pensando na possibilidade de não tê-la mais ali para me auxiliar com o quer que fosse. — Ela não vai mesmo morrer, né? — Rose afagou meu rosto.
— Ela vai. — Rose suspirou. — Um dia, mas não por essa doença. Ela viverá até os noventa e nove anos, no mínimo. — Rosalie deu um sorriso triste, voltando a chorar. — Eu também não consigo imaginar um mundo onde mamãe não esteja presente, estou com tanto medo do que a doença, o tratamento e tudo mais podem causar a ela.
— Isso é um pesadelo!
— Você sabe, foi um babaca gritando com Bella daquela forma. — Rosalie socou meu braço, eu não protestei, sabia que tinha sido, mas estava revoltado por Isabella não ter me contado sobre aquilo. — Antes de vir atrás de você Bella me disse que só não contou nada porque mamãe pediu segredo até a confirmação dos exames, ela estava sendo o que sempre foi, honrada com suas palavras.
— Eu sei, eu fui um grande babaca com ela. Mas, pensar em mamãe doente e eu sendo excluído disso me deixou louco. — Soquei a areia, querendo extravasar de alguma forma. — O que nós faremos agora, Rosalie? Eu sinto tanto peso em meus ombros, parece que estou carregando o mundo entre mamãe doente e Matthew.
— Algum problema com a adoção? — ela perguntou preocupada.
— Não com a parte burocrática, pelo menos. — Dei de ombros. — Mas, Bella e eu visitamos Matt ontem e eu fui burro o suficiente para chamá-lo de filho, nem estava falando aquilo no sentido literal, era mesmo apenas uma forma carinhosa de chamá-lo no momento, mas ele não reagiu nada bem quanto a isso.
— Okay, você precisa parar de surtar e ele de tempo para se adequar a nova situação. — Rosalie se levantou, estendendo a mão para mim, eu aceitei, me levantando também. — Mas, agora nós realmente temos que pensar em mamãe, Edward. — Rosalie apertou minha mão na sua. — Ela já está bem nervosa e triste, não pode lidar com nós dois surtando também. Mamãe sempre foi uma base para essa família, para a gente, chegou a hora de retribuir isso, de sermos nós a base para ela, você entende?
— Sim — concordei.
— Vamos encrenqueiro, hora de voltar para casa. — Rosalie sorriu para mim. — Temos de ficar ao lado da nossa mamãe.
Félix nos levou de volta para casa, onde o silêncio era quase tão gritante quanto na praia deserta por conta do tempo ruim. Bella estava sozinha na sala, abraçando a si mesmo, os olhos vermelhos indicando que estava chorando antes.
— Seu pai e sua mãe estão lá em cima — ela disse para Rosalie.
— Ótimo. — Rose praticamente me empurrou em direção ao sofá que Bella estava. — Eu farei um chá para mamãe, então iremos até ela, Edward.
— Você não sabe...
Ela já estava saindo da sala de estar. Eu bufei, sentando ao lado de Bella.
— Desculpe — pedi. — Por ter estourado com você, aquilo foi rude e insensível, eu não devia ter agido de forma tão grosseira.
Bella assentiu, tomando minha mão na sua.
— Desculpe não ter contado antes — ela murmurou. — Os exames só tiveram um resultado hoje, eu realmente tentei convencer Esme a contar antes, mas... — Bella se interrompeu, começando a chorar. — Eu estou com medo também, querido. — Eu a abracei, praticamente a colocando em meu colo. — Esses dias com a duvida pairando, foram terríveis para mim, tudo que queria era ter compartilhado isso com você desde o começo.
— Ei, ei. — Fiz com que ela me olhasse. — Não se culpe, certo? Eu estourei com você, mas sei que não tem culpa em ter guardado isso, sendo sincero, mamãe também não, ela estava tentando preservar a coisa toda sem gerar um caos desnecessário.
— Como você se sente? — Bella beijou minha bochecha, então voltando a se aninhar em meus braços.
— Péssimo — afirmei. — Mas, eu sei que não posso desmoronar agora.
— Eu estarei aqui, você pode desmoronar comigo quando quiser. — Eu sorri, beijando o topo da sua cabeça.
— Eu sei, querida. Obrigada por sempre ser tão forte.
— Edward, vamos! — Rosalie voltou a sala, carregando uma xícara em uma bandeja. — Bella, eu o devolvo depois.
— Todo seu. — Bella sorriu para ela, beijou meu rosto, então me indicou as escadas.
Respirei fundo, seguindo Rosalie até o quarto dos nossos pais. Bati na porta, então papai a abriu, estava escuro ali, mas eu podia ver mamãe na cama, encolhida debaixo dos lençóis.
— Vocês demoraram — papai falou, apertando meu ombro. — Como você está, filho?
— Estou melhor agora — sussurrei. — E a mamãe?
— Cansada, está sendo um dia exaustivo. Chá? — ele perguntou a Rose, apontando para a bandeja, que assentiu. — Não foi você quem fez, né? — indagou fazendo uma careta, eu ri daquilo, pois todos nós sabíamos que Rose era péssima na cozinha.
— Edward? — mamãe me chamou lá de dentro.
— Entrem. — Papai gesticulou para o interior do quarto. — Vou deixar vocês três sozinhos, estarei lá embaixo com Bella, qualquer coisa nos chamem.
— Okay pai — Rose concordou. — E não, eu não fiz o chá! — Ela marchou para dentro do quarto, entrei atrás dela depois que papai saiu, encostando a porta. — Mamãe, oi, como se sente?
Mamãe estava sentando na cama, o rosto abatido de tanto chorar, enrolada em um roupão. Rosalie apoiou a bandeja na mesinha ao lado, ligando o abajur, enquanto eu chutava meus sapatos e sentava ao lado de Esme na cama.
— Desculpe...
— Não, você não precisa pedir desculpas por nada, mãe — eu a cortei, beijando sua testa, a envolvendo em meus braços. — Eu que tenho por ter saído daquela forma, foi impulsivo.
— Eu não queria nunca ter dado essa noticia para nenhum de vocês. — Ela segurou na minha mão, segurando na de Rose que sentou do seu outro lado. — Filha. — Beijou a mão de Rosalie. — Você já passou por tanto esse ano, agora estou a colocando em mais confusão.
— Mãe, apenas não! — Rose exclamou, entregando o chá a nossa mãe. — Você não escolheu estar doente, certo? Isso poderia ter acontecido a qualquer um, não se culpe.
— Você já sabe algo sobre o tratamento? — perguntei, limpando o rosto molhado por lágrimas de Esme.
— Não, a médica me indicou mais alguns médicos que precisarei consultar, então eu passarei por mais alguns exames para que eles possam decidir a melhor forma de lidar com...isto. — Ela soluçou, apertando a xícara de chá em sua mão.
— E você ficará bem — falei, talvez mais para mim do que realmente para ela, eu queria confirmações, como um cara que lidava com números precisava de precisões para saber se ela de fato se curaria daquele câncer.
— Mãe, eu não quero estressá-la ainda mais — Rose sussurrou, afagando os cabelos de mamãe gentilmente. — Mas, já pensou quando contará para vovó e vovô sobre isso?
Mamãe suspirou, bebendo um pouco do chá. Entregou-me a xícara e eu a coloquei sobre a mesinha do meu lado.
— Eu farei isso em breve, só preciso de mais um tempo, é muito o que processar.
— Não a apresse, Rosalie! — ordenei.
— Edward, eu sei que Grace e Harrison Masen são pessoas difíceis de lidar, mas eles já são idosos e ainda são mãe e pai da mamãe, merecem tanto quanto a gente saber sobre a doença dela.
— Não posso simplesmente ficar trancada em casa até essa coisa toda passar? — Mamãe bufou, irritada. — Eu não quero mais ninguém sabendo dessa maldita doença, já posso sentir os olhares de pena, as frases pré prontas. Oh Esme, eu sinto muito. Isso tudo me enraivece, eu não quero as pessoas olhando para mim como se estivesse me tornando uma velha doente imprestável.
— Você nunca, nunca mesmo será uma velha doente imprestável! — exclamei convicto daquilo. — Rosalie e eu estávamos justamente falando na praia sobre o quanto você foi e é incrível para a gente, então, não, nunca será alguém sem valor. Pelo contrário, deve ser a mais valiosa dessa família.
Mamãe sorriu, afagando meu rosto.
— Você foi para Oak Street Beach, sim?
— Sim.
— Ele ama aquele lugar. — Rose se acomodou debaixo do braço de mamãe. — Lembra que ele simplesmente sumia e todos em casa ficavam loucos sem saber onde o encrenqueiro tinha se enfiado?
— Nós sempre o encontrávamos na praia, era o lugar preferido dele. — Mamãe riu. — Você, no entanto, preferia o shopping — falou para Rosalie, nós três gargalhamos com aquilo.
— Mamãe, pondere. Ficar em uma praia, com toda aquela areia pinicando sua pele, ou em um shopping com cadeiras de couro em joalherias? — Rosalie disse.
— Patricinha — eu falei em uma falsa tosse.
— Ah qual é, Edward, todo mundo sabe que você só começou a ir aquela praia porque queria ficar vendo as meninas de biquíni. Não banque o garoto inovador que queria ir lá pela natureza — mamãe beliscou minha bochecha.
— Deixe-me dizer, eu fui muito bem sucedido naquela praia — argumentei.
— Eca, nojento! — Rosalie torceu o nariz.
— Eu gostaria de voltar ao passado. — Mamãe afundou na cama. — Para poder passar mais tempo com vocês, sei lá, talvez nós não tenhamos tido tempo suficiente. Eu trabalhei muito, entre o escritório e organização de eventos.
— Mãe, qual minha cor preferida? — Rosalie perguntou a ela.
— Dourado — mamãe respondeu sem hesitar.
— A de Edward?
— Azul.
— Quantos anos nós tínhamos quando tivemos catapora? — Rosalie continuou o questionário.
— Você sete, Edward quatro. Foi um caos, eu realmente cogitei a ideia de amarrá-los para pararem de se coçar.
— Viu? Você sabe muito bem sobre a gente, isso é apenas um pouquinho de tudo que sabe sobre o encrenqueiro ai e eu. — Rose sorriu para mamãe. — Não se sinta arrependida sobre nada, okay? Não há nada sobre o que se arrepender. Você cuidou da casa, da gente, manteve seu trabalho e ainda sustentou muito bem o título de ser uma Cullen, a senhora Cullen, nem todo mundo aguentaria tudo isso, mas você sempre aguentou. Se há algum espaço tempo que precise desacelerar, talvez seja agora, para se centrar em sua doença e ficar bem o quanto antes para que depois retorne com tudo. Não se preocupe com nada, papai, Edward, Bella e eu seremos todos os suportes que a senhora necessitar, junto a três garotinhas magníficas e um garotinho que logo se unirá a família.
Eu sorri para Rose, grato por ela ter incluído Matthew no pacote familiar.
— O mais breve possível estaremos rindo disso tudo em Paris — Rose completou, fazendo mamãe gargalhar.
— Paris realmente parece uma boa ideia, filha. — Mamãe respirou fundo. — Obrigada. — Olhou de Rose para mim. — Por serem filhos maravilhosos, eu realmente os criei bem — se gabou.
— Muito bem, nós somos incríveis! — exclamei, piscando para ela.
— Talvez eles tenham de inventar um novo adjetivo para nos definir, pois somos muito, muito bons para sermos simplesmente incríveis, certo irmão? — Rose e eu fizemos um High Five, claramente divertindo ainda mais mamãe.
— Tudo bem, super incríveis, parem de elevar seus egos à Lua — mamãe ordenou, a porta se abriu e vimos papai entrar.
— Bella saiu para buscar as garotas na escola, como vão as coisas por aqui?
— Iremos a Paris assim que mamãe se curar — Rosalie afirmou, abrindo espaço na cama para papai, deixando nós quatro na cama deles como fazíamos quando éramos crianças.
— Todos nós? — papai perguntou, sorrindo. — Há muito tempo não fazemos viagens com a família completa, isso parece bom.
— Sim. — Rose apoiou sua cabeça no ombro de papai, enquanto mamãe repousava a sua no meu. — Todos nós. Os adultos ficarão bêbados debaixo da Torre Eifell, será um marco maior do que a Queda da Bastilha naquele país, todos os tabloides cobrirão isso: Família Cullen bebe todo o vinho da França.
Eu e mamãe rimos, papai sufocou uma risada.
— Então, todo o medo que estamos sentindo agora será apenas uma mancha distante no passado. — Rose afagou o braço de mamãe, que começou a chorar em meu colo.
— Eu, licença, filho. — Mamãe saiu da cama, deixando apenas nós três ali. Ela ficou aos pés do móvel, nos olhando com seriedade, enquanto contornava seu choro. — Eu quero agradecê-los pela vida maravilhosa — ela disse.
— Mãe...
— Esme...
Começamos a protestar.
— É sério, me escutem! — ordenou, nos calando rapidamente. — Eu quero que saibam que posso me arrepender de algumas coisas na minha vida, talvez tenha errado em uma porção de decisões, mas vocês três sempre foram e sempre serão as maiores certezas da minha vida. — Os olhos dela brilharam, enquanto sorria para cada um de nós. — Desde que Carlisle e eu nos conhecemos, eu sabia que ele era o homem certo. Quando tive Rosalie em meus braços, então alguns anos depois Edward, isso só se confirmou ainda mais. Vocês são a melhor família que uma pessoa pode ter. Edward, filho. — Se voltou para mim. — Muito, muito obrigada por ter trazido Bella e Ness a minha vida, por estar trazendo Matthew agora, as duas são maravilhosas e eu sei que ele também é. Rose, minha linda. — Se voltou para Rosalie, que chorava silenciosamente. — Você me deu duas netas tão iluminadas e sei que sua jornada até aqui com elas está sendo muito difícil, mas é tão forte e guerreira, eu estou muito feliz que esteja lutando contra tudo bravamente. Quando eu me casei com Carlisle, Charlotte veio até mim e disse que ela estava muito feliz por ser minha sogra, disse que eu seria uma boa esposa e uma maravilhosa mãe. Eu espero ter sido, eu espero que pelo tempo que me reste na Terra seja continuando a ser uma boa pessoa para vocês três, pois eu fui muito feliz com cada um e quero que se sintam felizes quando se lembrarem de mim quando não estiver mais aqui.
— Ah, Esme! — Papai foi o primeiro a sair da cama, indo abraçá-la.
Cutuquei Rosalie, então nos movemos também, indo até mamãe e papai, nos unindo ao abraço.
— Foco em Paris, pessoal, Paris é nosso objetivo! — Rose disse com a voz sufocada pelo choro.
— Foco em Paris — mamãe repetiu, enquanto era abraçada por nós três. Todos nós sabendo o que Paris significava naquele contexto, ver mamãe saudável novamente. — Foco em Paris.
***
Rosalie, Bella e eu decidimos esperar mais um pouco para contar sobre a doença de mamãe para as garotas. Eu ali pude entender mamãe e Bella por terem poupado todos nós antes, tudo que eu queria era preservar Renesmee, antes de jogar sobre ela uma bomba pesada demais para que ela pudesse aguentar, mesmo que eu fosse estar ali para segurar junto a ela.
Naquele dia, todos nós jantamos juntos, tentando contornar o clima pesado, pelas garotas. Mamãe ainda estava totalmente dispersa, mas nós sempre estávamos a trazendo de volta a realidade, não querendo que ela simplesmente se perdesse em pensamentos que podiam ser bem obscuros.
— Como você acha que ela lidará com isso? — Bella me perguntou quando deixamos o quarto de Ness depois de colocá-la para dormir no fim daquela noite.
— Eu não faço ideia. — Me apoiei na parede, deslizando até o chão do corredor, Bella se uniu a mim ali. — Ainda lembro o quão triste Ness ficou quando vovó Charlotte morreu, ela era bem nova, mas entendeu aquilo. — Suspirei, esfregando meu rosto. — Odeio a ideia de Renesmee sofrendo daquela forma de novo.
— Eu compartilho o sentimento — Bella sussurrou, eu comecei a chorar. — Querido, vamos para o nosso quarto. — Ela me colocou de pé, envolvendo meu corpo com seus braços finos. — Renesmee não pode vê-lo chorando assim, isso irá perturbá-la e não acho que devemos contar sobre Esme no meio da noite.
Eu deixei que ela me levasse para o quarto, então para o banheiro. Nós entramos debaixo do chuveiro juntos, ainda vestidos. Bella nos despiu, enquanto eu só conseguia chorar sob a água quente.
— Bella, Bella, Bella. — Segurei seu rosto, unindo nossas testas, enquanto a água percorria nossos corpos e as lágrimas meu rosto. — Isso dói, querida.
— Estou aqui, amor, estou aqui — ela afirmou, esfregando minhas costas. — Beije-me — pediu, então eu beijei, a colocando contra a parede, apenas sentindo ela, apenas sentindo minha mente sair de problemas e concentrar-se nela, apenas nela pelo resto da noite.
***
Quinta-feira e sexta-feira passaram como um borrão por mim, quando me dei conta já era sábado. Mamãe teria suas novas consultas e novos exames apenas na semana seguinte, então não tínhamos novidades sobre aquilo, como também não tínhamos nada de novo sobre a adoção, sabendo somente que o processo todo estava sendo encaminhado e que voltaríamos a ver Matthew em algum dia da próxima semana.
No sábado, Bella precisou ir trabalhar. Eu iria ficar apenas com Ness e Nelly em casa, mas Jasper tinha voltado de Londres no dia anterior e decretou que no sábado levaria a afilhada para um passeio, eu não via Renesmee acordando cedo com tanto entusiasmo desde quando foi brincar com o Justin Biber Pokémon, então a deixei sair só com seu padrinho.
— Entre — falei para Nelly que bateu na porta do meu escritório do apartamento enquanto eu aproveitava para rever uns contratos.
— Edward, o porteiro acabou de interfonar, Alice está subindo.
— O quê? — A encarei. — Alice voltou a Chicago?
— Ela tinha ido embora? — Nelly perguntou confusa, obviamente sem saber sobre a história toda.
— Mais ou menos, merda! — xinguei, saindo do escritório com Nelly me seguindo.
— Eu tenho de ir comprar algumas coisas, você se importa? — ela perguntou. — Parece nervoso demais em receber Alice.
— Não, tudo bem — concordei. — Precisa de algum dinheiro?
— Estou com o cartão de Bella — Nelly falou, no momento que a campainha tocou. — Eu vou sair pela porta da cozinha, tem certeza de que não quer que eu dispense Alice?
— Não, eu posso lidar com ela — falei, seguindo até porta da frente.
Abri a porta para uma Alice praticamente escondida atrás de um grande óculos de Sol, estava chovendo lá fora, então até eu sabia que aquilo era um erro de moda dela, ou apenas algo para esconder um possível rosto de choro.
— Ei — ela disse, parecendo surpresa a me ver ali, sendo que aquela era minha casa. — Bella está? — Olhou por cima do meu ombro.
— Não, ela foi para o hotel, provavelmente só volta de noite.
— E Ness?
— Saiu — respondi. — Com Jasper — completei, vendo Alice inspirar fundo.
— Okay, desculpe ter vindo até aqui — Alice falou, cruzando os braços na frente do corpo. — Eu liguei para Bella, mas ela não me atendeu, claramente está ocupada no trabalho, ou me ignorando. — Forçou uma risada, parecendo muito desesperada. — Vou embora agora, Edward. — Seguiu até o corredor.
— Bom, se Deus existe, esse é o momento que encontro uma passagem para o paraíso — falei, saindo para o corredor atrás de Alice. — Hey Brandon — a chamei, que estava esperando o elevador. — Entre um pouco, para não fazer sua viagem até aqui um tempo perdido, Nelly fez bolo para o café da manhã, você pode obter um pedaço se quiser.
— Melhor não, você claramente me odeia, eu não quero... — Ela se calou quando a porta do apartamento da frente ao nosso se abriu, com Holly saindo de lá em suas roupas de malhação.
— Olá vizinho! — ela falou comigo, umedecendo seus lábios, andando em minha direção. — Está com tempo livre? Que tal uma passada no meu apartamento, podemos...
— Poupe-se de se envergonhar, vadia! — Alice a cortou, fazendo Holly arregalar os olhos para ela, a encarando sem saber o que dizer. — Esse cara. — Apontou para mim. — É casado com a minha melhor amiga, se eu ver você, sua vaca. — Gesticulou para Holly. — Querendo montar em cima dele de novo como uma prostituta barata, eu irei quebrar cada um dos seus dentes.
— E-Eu — Holly gaguejou claramente assustada.
— Você vai pegar a porra desse elevador — Alice ordenou, apontando para o mesmo que tinha chegado ao andar naquele momento. — E ir atrás de outro cara que possa trepar, porque esse ruivo ai não irá para sua cama. — Alice manteve a porta do elevador aberta para Holly, que não hesitou em entrar ali, ainda ameaçada por Alice.
— Você fez Bella assim, ou ela te fez assim? — perguntei divertido, era notável semelhança de ameaças entre as duas.
— Uma influenciou a outra. — Alice deu de ombros. — Bom, eu acabei de salvar sua bunda de ser devorada por uma predadora, acho que mereço um pedaço daquele bolo.
— Entre! — Indiquei o interior do apartamento.
Alice e eu fomos até a cozinha, onde nos servir com pedaços generosos de bolo e nos sentamos em bancos ao balcão da ilha.
— Como foi em Miami?
— Não pergunte isso como se eu tivesse ido até lá de férias — Alice pediu, revirando o bolo em seu prato. — Nós dois sabemos muito bem que só fui para lá com o intuito de fugir da merda toda que deixei para trás em Chicago.
— E resolveu?
— Não, nem um pouco. — Alice suspirou. — Com certeza piorou, já que eu sequer dei a Jasper uma segunda chance de conversa aquele dia, como afastei Bella. Agora o homem que eu amo e minha melhor amiga me odeiam, eu já posso ver onde isso vai parar.
— Bella não te odeia — esclareci. — E, por mais que eu achasse que Jazz devesse sentir um pouquinho ódio de você por ter arruinado tudo daquela forma, ele também não te odeia.
— Eu estraguei absolutamente tudo. — Alice deixou seu pedaço de bolo de lado. — Tudo por ser uma maluca que não sabe lidar com relacionamentos, sério, o que me resta além de terminar a porra dessa vida sozinha?
— Tire os óculos.
— O que?
— Tire os óculos.
Ela tirou, revelando o rosto de choro que previ.
— Alice, é tão difícil perceber o que está dentro de você? Sério, você arruinou tudo, mas a preço de que? Já que claramente ama Jasper. Por que diabos a ideia de um compromisso te assusta tanto? Escute, eu tinha só vinte anos quando Ness nasceu, eu sequer sabia lavar minha própria roupa, a ideia de um bebê dependente de mim foi aterrorizante, mas não foi o fim do mundo. Hoje eu sou um pai, um marido e boas novas para você que esteve ausente em Miami nos últimos dias, serei um pai novamente!
— Bella está grávida? — Alice questionou surpresa, mas um sorriso tomou conta do seu rosto logo depois.
— Não, mas alguns blogs na internet chamam o processo de adoção de gestação no coração.
— Adoção?! — Alice indagou perplexa, o sorriso morrendo em seu rosto. — O que esteve acontecendo enquanto eu estive fora?
Eu tomei uma lufada de ar, então contei a ela sobre tudo a respeito de Matthew. Sabia que Bella não tinha contado sobre ele, nem mesmo antes de decidirmos o adotar para Alice, minha esposa tinha a incrível capacidade de conseguir reter informações importantes até achar o momento certo de contar sobre elas para o mundo, de alguma forma tal momento nunca chegou entre Alice e ela.
— Vocês irão adotá-lo — Alice murmurou quando terminou de contar. — Edward, isso...
— É grande, eu sei, mas realmente não é como se estivéssemos salvando o mundo. Apenas queremos muito cuidar de Matthew, você devia vê-lo. Bella tem uma foto em seu celular, talvez eu possa ligar e pedir que ela me envie.
— Edward, eu sou adotada — Alice falou tão rápido que quase não ouvi.
— Desculpe?
— Eu sou adotada — ela repetiu.
— Você está brincando comigo, né? — perguntei, arregalando os olhos como Holly fez a menos de uma hora antes. — Bella e Jasper sabem? Eu sei que não somos melhores amigos, mas eu acho que a essa altura isso já devia ter chegado a mim. Eu realmente odeio ser o último a saber.
— Ninguém sabe — Alice afirmou, prendendo suas mãos em seus cabelos. — Quer dizer, os advogados dos meus pais sabem, os pais deles sabiam, as pessoas do conselho tutelar, com certeza o meu terapeuta...Você entendeu! — Ela levou suas mãos até a boca.
— Espera, Jasper e Bella nunca souberam que você é adotada?
— Nunca — sussurrou. — Eu nunca contei a ninguém, nunca tive coragem. — Alice começou a chorar, mas rapidamente se livrou de suas lágrimas, aquela devia ser a primeira vez que a via chorando. — Porra, Cullen, a mulher que devia ser minha mãe, que devia me amar e toda essa merda apenas me deixou para trás no hospital quando nasci. Ela sequer escolheu meu nome, pariu e foi embora, me largou lá como se fosse um cachorro na beira de estrada.
— Você é adotada — repeti mecanicamente, querendo me convencer disso.
— Você é adotada? — Alice a minha frente congelou ao ouvir a voz diferente soar da entrada da cozinha. — Alice, você é adotada?
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