Nossa Família

20 Capítulo Dezenove — Chuva


Notas iniciais
Vou atrasar as respostas dos comentários do capítulo passado, pois estou com problemas na internet, mas não deixem de comentar aqui, por favor. Boa leitura ♥

— Capítulo Dezenove —

— Chuva —

Isabella Cullen

Chuva.

Olhei desanimada pela janela do táxi, enquanto seguia caminho de volta para casa.

Muita chuva. Parecia que o mundo estava desabando sobre Chicago aquela manhã. Foi por isso que decidi voltar mais cedo para casa, pois chuva conseguia me deprimir e o hotel não estava tão cheio de problemas assim que não pudesse ficar sem sua gerente por aquele dia.

Tudo que queria era chegar ao meu apartamento, empurrar Edward para nossa cama e fazer coisas loucas com ele. Como dormir pelo resto do dia, pois tinha sido uma semana exaustiva para todos nós, tudo que queríamos era um pouquinho de descanso.

— Oi, senhora Cullen, parece que teremos um longo dia de chuva, não? — o porteiro do prédio perguntou para mim, enquanto ia abrir a porta do táxi para me ajudar a sair, segurando um guarda-chuva sobre minha cabeça.

— Nem me fale. — O segui até o interior do prédio.

— Bella! — Vi Renesmee e Jasper entrando no prédio, ambos completamente ensopados.

— Estavam brincando na chuva? Isso não é prudente — falei quando eles chegaram até mim. — Olha só você, está parecendo que mergulhou no lago em suas roupas. — Revirei os olhos ao ver o estado de Renesmee.

— Nós fomos pegos de surpresa pela chuva — Jasper se defendeu. — Não deu tempo de evitá-la.

— Tio Jazzy caiu no meio do parque enquanto corríamos para o carro — Ness dedurou.

— Gostaria de ter visto isso — provoquei, empurrando os dois para o interior do elevador quando este chegou ao térreo. — Tomará um banho bem quente, pequena — falei para Ness. — Você pode assaltar o armário do seu amiguinho e se livrar dessas roupas molhadas — disse para Jasper. — Depois, pegará Ness e a levará para um lugar coberto, pelo resto do dia, pois preciso dormir e essa menina não me dará descanso se ficar em casa — murmurei para Jasper, que concordou.

— Pode deixar.

Assim que chegamos ao apartamento, que estava estranhamente silencioso, eu guiei Renesmee e seu padrinho até a cozinha. Eles tinham de subir pela escada de lá, ou molhariam todo o tapete da sala se fossem pela escada principal.

— Sério, não olharam para o céu e o viram completamente nublado? Era óbvio que ia chover.

— Não nos atentamos aos detalhes. — Jasper deu de ombros.

Nós dois paramos na porta da cozinha a ver Edward ali, na verdade a ver quem estava com ele. Sentados ao balcão da ilha, encarando um ao outro, estava meu marido e minha melhor amiga.

Eu abri a boca para chamá-los e fazê-los verem que estávamos ali, mas algo que Edward disse me calou.

— Você é adotada — ele falou para Alice, afirmando, não perguntando.

Jasper ao meu lado deu um passo para trás, soltando os ombros de Renesmee.

— Você é adotada? — indaguei perplexa, encarando a parte de trás da cabeça da minha melhor amiga. — Alice, você é adotada? — questionei novamente.

Edward desviou o olhar para a entrada da cozinha primeiro, ele deu um longo suspiro, levantando e contornando o balcão até o lado de Alice. Ela não se movia, o corpo todo parecia petrificado.

— Jasper está aqui — Edward murmurou para ela.

Então, como se tivesse voltado à vida, Alice girou no banco, ficando de frente para a gente. Podia ouvir a respiração pesada de Jazz atrás de mim, mas ainda estava tão confusa com a afirmação de Edward que não conseguia pensar no nosso amigo.

— Ei — Alice sussurrou, olhando de mim para Jasper. Seus olhos cheios de temor e lágrimas. Alice esteve chorando? Eu nunca a via chorar, a ouvi chorar algumas vezes no banheiro do nosso dormitório da faculdade, mas ela era sempre muito cuidadosa em tentar esconder aquilo de mim.

— Tia Alice! — Ness gritou, chamando atenção para si.

Eu respirei aliviada por ela estar ali, poderia quebrar a tensão inicial instaurada naquela cozinha. Ela correu até Alice, que saiu do banco, abraçando a afilhada rapidamente.

— Ness, estava na praia? — Alice forçou uma risada, afagando o cabelo de Ness, mas lançando olhares nervosos para mim e Jasper.

— Tio Jazzy não olhou a previsão do tempo antes de decidir me levar ao parque — Ness contou.

— Vá para seu quarto agora, filha. Tome um banho, coloque roupas quentes e fique lá até que seu pai ou eu te chamemos — orientei Renesmee, que suspirou de frustração.

— Eu...

— Agora, Renesmee! — Edward ordenou sério.

Ness suspirou mais uma vez, então subiu pela escada da cozinha para o segundo andar.

— Okay, agora alguém explique o que está acontecendo aqui — pedi de Alice para Edward, eles se entreolharam, então ele explicou:

— Eu contei a Alice sobre Matthew, ela me contou que é adotada.

— Não, ela não é adotada! — Jasper exclamou atrás de mim, parecendo desesperado, olhei para ele, o vendo com o rosto preso em pânico. — Isso não pode ser verdade, você deveria ter dito isso durante todos os anos que nos conhecemos! — Jasper gritou com ela, fazendo com que Alice se encolhesse. — Nós fomos um casal por dois anos e não me contou que era adotada?

— Pare de gritar, Jasper! — ordenei, ele respirou fundo, ainda cheio de fúria. — Suba com Edward e troque de roupas antes que fique doente usando isso. — Apontei para suas roupas molhadas. — Alice e eu estaremos no escritório.

— Apenas vamos de uma vez, Jasper — Edward chamou o amigo, apontando para a escada. Jasper o seguiu, antes de lançar mais um olhar revoltado para Alice.

— Você, vem comigo. — A puxei pela mão até o escritório de Edward. — Primeiro — comecei a falar quando chegamos lá. — Eu senti sua falta. — A abracei, a pegando de surpresa.

— Oh Bella, eu também! — Alice me apertou contra si. — Desculpe ter ido embora daquele jeito sem parar para te ouvir aquela noite, eu estive sendo tão egoísta partindo de forma tão abrupta. — Ela me afastou, olhando diretamente para meus olhos. — Por que não me falou sobre o garoto antes? Ele se chama Matthew, certo?

— Porque no começo era tudo muito confuso, então você não estava mais em Chicago quando entramos com o pedido de adoção. Eu te disse que algo importante estava prestes a acontecer, você que não voltou antes — acusei.

— Ah, eu sinto muito, muito mesmo. — Alice voltou a me abraçar. — Fui uma péssima amiga, eu estive ausente em um momento importante da sua vida.

— Alice, você é adotada? — perguntei mais uma vez, ela me apertou ainda mais em seus braços, chorando baixinho.

— Eu realmente preciso ouvir essa história, Alice.

Nós nos afastamos ao ouvir a voz de Jasper, ele e Edward estavam entrando no escritório, ambos sérios.

— Talvez Bella e eu devêssemos sair — Edward sugeriu.

— O que? — O fuzilei com o olhar. — Não mesmo, eu mereço ouvir essa história também. Jasper não é o único aqui que tem uma relação com Alice para ser privilegiado.

— Eu vou contar para todo mundo — Alice murmurou, encarando suas botas. — Edward, você pode me ver um uísque, ou qualquer coisa forte?

— Não, sem álcool! — decretei. — Pelo menos não para você — falei para ela. — Dependendo de onde isso irá nos levar eu vou repensar em beber algo, pois estou realmente merecendo.

Edward me puxou para sua cadeira atrás de sua mesa, fazendo com que Jasper e Alice dividissem o sofá ali.

— Então, você vai esperar mais uma década para contar que é adotada? Devemos montar acampamento? — Jasper questionou.

— Ei amigo, calma — Edward pediu, afagando minhas costas, mantendo-me sobre seu colo. — Sei que está irritado por Alice não ter falado nada sobre a adoção antes, mas claramente é um assunto delicado para ela, não seja rude.

Jasper apenas fez uma careta, sentando bem longe de Alice no sofá.

— Minha mãe biológica se chama Caroline Black — Alice sussurrou, abraçando a si mesma, olhando para a parede a sua frente. — Ela engravidou de um cara qualquer, manteve a gravidez, mas deixou o bebê para trás no hospital assim que deu a luz. — Alice fungou, colocando o rosto entre as mãos. — Sem escolher nome, sem titubear, disse aos médicos que não queria o bebê, que estava sendo muito boa não o largando na rua.

Apertei a mão de Edward ao ouvir aquilo, vendo Jasper amolecer um pouco, seus ombros caindo. Os olhos dele voltaram para Alice, ele se aproximou um pouco dela, mas ainda sem tocá-la.

— Os Brandon, então me adotaram. Mas, claro que não por amor ou qualquer merda dessas. — Alice bufou. — Só estavam tendo uma de suas tantas crises no casamento e pensavam que um filho resolveria. Porém, Martha não podia engravidar e Peter estava quase se separando dela, quando finalmente conseguiram um bebê nos moldes perfeitos para ser a filha deles e tentar salvar o casamento.

— Quando você descobriu que era adotada? — perguntei baixinho.

— Aos quinze, no mesmo dia que meus pais anunciaram o divórcio. — Alice me olhou. — Sabe quando os pais se divorciam e eles lutam pela guarda do filho? Não foi o que aconteceu comigo, eles estavam lutando para que o outro ficasse com o peso morto que eu me transformei. Como os dois eram tão ocupados e não queriam lidar com uma adolescente que sequer era filha deles, me mandaram para um internato onde fiquei até a faculdade e nas férias e feriados eu apenas recebia grana para fazer viagens e sumir da frente deles.

— Realmente preciso daquela bebida — Jasper murmurou, encarando suas mãos.

— Uísque — pedi a Edward, que me tirou do seu colo e foi para a sala buscar.

Não falamos nada até que ele voltasse, entregando copos para Alice e Jasper, nos mantendo com a garrafa. Ele me entregou, eu tomei um grande gole, ouvindo Alice voltar a falar.

— No verão antes de ir para Harvard, descobri o nome da minha mãe biológica e fui até ela. Pois, em minha mente, acreditava que quando ela me deixou para a adoção, foi por motivos altruístas, queria acreditar que estava apenas pensando em o melhor para mim. Bom, não foi o que descobri quando conheci Caroline, para ser franca, ela sequer se lembrava de mim. Até mesmo riu e brincou quando falei que era a filha que ela entregou para a adoção, disse que não aceitava devoluções.

Edward suspirou, beijando meu ombro, sabendo que aquilo estava sendo difícil para mim também. Alice era minha melhor amiga, por todos aqueles anos de amizade ela tinha aquilo a consumindo e nunca me disse nada.

— Por isso você foi embora — Jasper murmurou. — Porque você acha que eu a abandonarei como Caroline, Martha e Peter sempre fizeram em sua vida.

Alice assentiu, voltando a se abraçar.

— O conceito de família não existe em meu dicionário, Jasper. Eu fui rejeitada, abandonada e usada como um truque na manga para melhorar um casamento falido. — Ela por fim o olhou. — Nós nunca daríamos certo levando nosso relacionamento a um nível superior, pois você queria uma família e eu não sei lidar com uma.

— Essa é nossa hora, querida. — Edward me fez ficar de pé, levando-me para fora do escritório. Jasper e Alice presos em sua própria bolha não nos notaram saindo de lá.

— Isso tudo é tão confuso, me sinto tonta.

— É o uísque — Edward se jogou no sofá da sala, fazendo com que eu deitasse apoiando minha cabeça em sua coxa. — Eu sei disso com algum tempo a mais do que você e ainda não consigo acreditar, acho que fui injusto demais com Alice.

— Eu não consigo crer que os pais dela foram tão idiotas, todos eles. — Inspirei fundo. — Ai porra, Renesmee. — Pulei do sofá. — Ela está sozinha por tempo demais lá em cima, deve ter colocado fogo em todas suas roupas.

— Eu não duvido, vamos checá-la, ela provavelmente perguntará sobre o que ouviu a respeito de Alice.

— Ah Deus, quando a vida se tornou tão difícil? Parece que todo dia temos um assunto sério novo para lidar, eu me sinto exausta, só queria um dia de paz. Um único dia — choraminguei enquanto subíamos os degraus da longa escada. — E por que diabos cai naquela sua jogada idiota de me trazer para um banho aqui quando estávamos procurando por um apartamento? Eu disse que odeio escadas, não sou atlética, não me sinto melhor subindo e descendo isso todo dia. Devíamos ter escolhido um apartamento normal, não um duplex.

— Talvez você devesse malhar comigo — Edward sugeriu.

— Querido, senão funcionou no passado quando eu era jovem, não vai funcionar agora. Quase desenvolvi asma da última vez que subi em uma esteira, deve se lembrar disso.

— Você deveria...

— Não me diga o que eu devo fazer. — Bufei quando finalmente alcancei o topo da escada, exausta. — Okay, você está certo, talvez precise tentar deixar de ser menos sedentária.

— Ah, você acha? — Ele riu, parando na porta do quarto de Ness, logo a abrindo.

Nessie estava sentada em sua cama, encarando a entrada do quarto, nada animada. Eu mal podia esperar para ela ser adolescente, seria muito interessante ver sua versão mais velha recebendo ordens. Ela até podia cumpri-las, mas não fazia questão de esconder seu desgosto.

— Posso sair agora? — perguntou chateada.

— Vamos ficar aqui com você. — Edward se jogou ao lado dela na cama, Renesmee suspirou de forma teatral.

— Eu perdi meu dia de passeio com tio Jazzy — resmungou, era fácil admitir o quanto ela estava parecida comigo naquele momento.

— Vocês terão mais dias de passeio em breve — prometi, deitando junto a Edward, Renesmee pareceu menos contente ainda por nós dois estarmos quase dormindo na cama dela.

— Tia Alice é adotada? — a pergunta finalmente veio.

— Sim — Edward respondeu, ainda nos mantendo deitados, mas fazendo Ness deitar do seu outro lado, mantendo nós duas sobre seus braços. — E esse é um tema complicado para sua madrinha, Princesa — falou. — Então, não a encha de perguntas sobre isso. Se Alice achar que deve, irá compartilhar a história com você, tudo bem?

— Tudo — Ness concordou. — Eu não posso mesmo sair do quarto?

— Não, vamos apenas dormir — pedi, me agarrando a Edward. — Foi uma longa semana, só quero descansar.

***

Edward e eu fomos acordados meia hora depois por Nelly, avisando que Alice estava esperando por mim no escritório e que Jasper tinha acabado de sair. Renesmee continuou dormindo, o que era realmente ótimo, pois não a queria no meio daquele assunto complicado entre seus padrinhos.

— Hey. — Alice forçou um sorriso para mim quando cheguei ao escritório com Edward. — Eu estava indo embora, mas Nelly me forçou a ficar e tomar um chá, pois estava muito nervosa. — Apontou para a xícara em suas mãos.

— Jasper? — Edward perguntou.

— Ele foi para casa — Alice disse triste. — Nós conversamos um pouco, mas ele está muito magoado sobre eu ter escondido a história de adoção por tanto tempo, isso somado ao rompimento não ajudou em nada.

— Você acha que vão se acertar? — perguntei temerosa.

Eles só estavam juntos por dois anos, mas pareciam certos demais juntos, eu não conseguia mais imaginar Alice e Jasper com outras pessoas. Fora que isso significava encontros desagradáveis entre os dois, como Edward e eu tendo de lidar com nossos melhores amigos de fato assumindo lados opostos.

— Quem sabe. — Ela forçou uma risada. — Quer dizer, eu sei, ele nunca mais vai olhar na cara da mulher que passou dois anos o namorando e que nunca disse, mesmo que sem querer que era adotada e que isso tinha ferrado a mente dela sobre compromissos e relacionamentos sérios. — Alice tomou um gole de seu chá. — Adoro Nelly, mas o uísque estava agindo muito melhor do que o chá.

— Vou deixar vocês sozinhas — Edward falou. — E checar como Jasper está.

— Sim, por favor — Alice clamou a ele. — Não o deixe sozinho, ele deve estar péssimo. Você sempre o anima, faça isso, Edward.

— Eu farei. — Edward beijou minha cabeça.

— Fale mal de mim se precisar, eu não me importo, contanto que o faça se sentir melhor. Odeio o que fiz a ele. — Alice respirou fundo e podia apostar que ela estava segurando o choro.

— Vá, Cullen. — Afaguei o braço de Edward. — Ligue-me se eu precisar tirar você e Jasper da cadeia caso se divirtam demais.

— Pode deixar —concordou. — Alice. — Estendeu a mão para ela, que apertou. — Você pode beber todo meu uísque.

— Isso é muito solidário da sua parte, Edward, muito obrigada.

— De nada. — Piscou para ela, então seguiu em direção à saída do escritório.

Sentei ao lado de Alice no sofá, vendo-a encarar a xícara de chá.

— Por que você nunca me disse que era adotada, Alice?

— Porque quando fui para Harvard, logo após conhecer minha mãe biológica, queria esquecer todo o passado. Eu quis esquecer Martha e Peter também, mas eles pagavam a anuidade da universidade e todo o resto, então não podia simplesmente dar as costas para eles, pois queria me formar e conseguir um bom emprego depois, para que então os tirasse da minha vida.

— Por que você realmente não me contou Alice? — insisti, ela me olhou, os olhos cheios de lágrimas.

— Porque eu nunca tinha tido uma amiga tão próxima como você, Bella — contou, depositando sua xícara na mesinha ao lado. — Eu não queria que você se afastasse se descobrisse como tudo sobre mim era de fato. Sei que foi estúpido, que amigos devem compartilhar esse tipo de coisa pelo fato de serem amigos, mas não queria que me visse como a pobre garota rica adotada e desprezada por todos. Não queria ser um peso para ninguém, queria ser so divertida e bacana, alguém que os outros sentem vontade de estar por perto.

— Você não precisava ser apenas a amiga divertida, Alice. Porra, você ouviu tanto de mim durante todos esses anos. O inicio do meu relacionamento com Edward, a gravidez inesperada, o casamento, tudo, você sempre me ouvia sobre qualquer coisa e me ajudava. Droga, Alice, você leu a Bíblia só para poder ser a madrinha de Ness, pois eu não queria ninguém além de você nesse papel. — Nós rimos, ambas com os olhos cheios de lágrimas. — Queria poder ter te ouvido também, eu não me importaria em passar noites a ouvindo reclamar sobre seus pais adotivos, sua mãe biológica. Sério, eu teria ido até cada um deles e dito na cara de todos o quanto você é maravilhosa, eu provavelmente farei isso.

Alice me abraçou, começando a chorar. Era estranho vê-la vulnerável, mas sabia que ela precisava daquilo.

— Estraguei tudo, Bella. Jazz nunca mais vai me querer, eu o amo tanto. Queria poder voltar no tempo e consertar tudo.

— Bom, você não pode. — Afaguei suas costas, enquanto ela chorava alto. — Então, acho que o melhor a se fazer agora é deixar a confusão se tranquilizar. Jasper e você foram amigos antes de se tornarem um casal, tem uma afilhada juntos, um grupo de amigos em comum e moram na mesma cidade, não vão simplesmente conseguir evitar um ao outro para sempre. Apenas dê tempo ao tempo, dê tempo a Jasper e principalmente a si mesma. — Fiz com que ela me olhasse. — Afinal, você claramente ainda está assustada com o lance todo de casamento, filhos, família.

— É desesperador! — Alice limpou o rosto. — Quero dizer, como você consegue? — Me olhou como se eu fosse um fantasma. — Seu trabalho no hotel é super exigente, mas ainda assim é a porra de uma grande esposa, mãe, vai até mesmo adotar um garoto. Bella, sério, você deve ser um robô para lidar com tudo isso. Eu mal consigo tomar conta do meu próprio emprego. Casar, ter filhos, eu estragaria tudo como sempre.

— Alice, você foi chamada para trabalhar na Vogue Francesa — lembrei. — Isso não te diz o quão boa é no seu trabalho? E, você é uma organizadora de festas, mesmo sem ser uma, pois sabe fazer isso de forma excelente e impecável. Sei que a ideia de estar com alguém pela vida toda é imensa, sério, eu não posso contar quantas vezes Edward e eu brigamos, discutimos e quantas vezes pensei em matá-lo — brinquei. — Mas, eu sei que com ele sou muito melhor. E, que ter Ness me faz alguém melhor ainda e quando tivermos Matt em casa sei que será muito bom também. Edward está ao meu lado para tudo, nós nos ajudamos, seria assim entre você e Jasper.

Alice voltou a chorar.

— E você pode pensar que não foi feita para ter filhos, mas Renesmee te ama e se você consegue ser boa com aquela criança exigente, conseguiria ser boa com qualquer outra, principalmente com seus filhos com o cara que te ama e que você ama.

— Tenho tanto medo de ser uma péssima mãe.

— Você não seria. — Voltei a abraçá-la, ganhando um tapa de leve em minha cabeça. — Ai sua vaca! — A afastei.

— Quando ia me contar sobre Matthew? — indagou, entre a irritação e a chateação.

— Quando você voltasse para casa, sua fujona! — Bati em sua coxa.

— Ai Bella, eu não tinha te batido tão forte! — gritou, batendo na minha coxa também.

— Isso é o máximo que consegue? — provoquei. — Deus, você deve ser muito ruim de cama.

Nós rimos com aquilo, enxugando nossos rostos ainda molhados pelas lágrimas passadas.

— Eu vou poder conhecer Matt?

— Claro que vai! — afirmei. — Você é como minha irmã, sua idiota, será tão tia dele quanto Bree e Rosalie. Eu realmente iria te encher de tapas se você caísse fora de novo, principalmente agora. Escuta, sei que o assunto adoção é difícil para você, Alice. — Ela se encolheu para comprovar isso. — Mas, é a pessoa mais próxima que sabe sobre como é ser adotada, Edward e eu precisamos de ajuda. Matthew tem quase oito anos, ele já é consciente do mundo a sua volta, mas se ele tiver você por perto e se puder o ajudar com a coisa toda também, nós seriamos muito gratos.

— Eu vou ter que ler a Bíblia de novo? — indagou.

— Não, Edward e eu não o batizaremos, sabe que Ness só passou por tudo aquilo porque meu pai insistiu. Mas, você pode ser uma madrinha de coração para ele. — Segurei sua mão. — Eu estou falando sério sobre você ser como uma irmã para mim, sua família biológica e sua família adotiva podem ser terríveis, mas nós somos sua família do coração aqui. — Ela sorriu para mim. — Edward, Renesmee e eu sempre estaremos aqui por você, independente de qualquer coisa.

— Até mesmo Edward?

— Ele não te odeia, acredite. Alías, eu estou com ciúmes, você contou primeiro a ele sobre a adoção.

— Foi inevitável, ele começou a falar sobre Matthew, precisava falar antes que entrasse em pânico. Se isso ajuda em algo, eu mandei sua vizinha vadia para bem longe de Edward, acho que ela ficará na dela por algum tempo.

— Viu? — Abri um grande sorriso para ela. — Por isso eu a amo, Alice, obrigada por espantar a vizinha.

***

No começo daquela noite, Rosalie surgiu e levou Ness para dormir na casa dos avós. Aparentemente minha cunhada tinha armado uma festa do pijama para as garotas, o que eu apreciei muito, pois depois de um dia inteiro com a montanha russa emocional que era a história de Alice, só queria poder fazer o que queria desde quando voltei do hotel aquela manhã, me enrolar nos meus lençóis e dormir.

Porém, para isso, eu precisaria de Edward e ele ainda estava com Jasper. Sem responder as mensagens, ou ligações que fiz, o que indicava que eles deviam estar em algum lugar enchendo a cara como faziam desde a faculdade quando algo acontecia um com outro, como foi o que levou ambos a festa de Halloween que nos conhecemos.

— Espero que seja importante — falei ao atender a ligação do hotel.

— Senhora Cullen, um dos hospedes está com uma emergência, ele...

— Eu sei, eu sei, estou indo apagar mais um incêndio — cortei a garota da recepção.

Desliguei a chamada, sai dos meus pijamas confortáveis, liguei pedindo um táxi, avisei a Nelly que estava indo para o trabalho e fui. Chorando por dentro, pois eu realmente só queria uma hora de tranquilidade, sem precisar me preocupar com nada, nem com ninguém.

— Qual o quarto? — indaguei ao pessoal na recepção assim que cheguei.

— Quarto 207, senhora Cullen — uma das recepcionistas informou.

— Eu vou ver o que esse bendito hospede que não tem nada melhor para fazer em um sábado a noite quer, se for algo que qualquer um de vocês pudesse ter resolvido sem me chamar, todos irão me ouvir pelo resto da noite!

— Sim, senhora.

Peguei o elevador, batendo na porta do quarto indicado logo em seguida.

— Olá, seu sou... — Me calei a ver Edward do outro lado da porta. — Edward!? — Ele riu, indicando que eu entrasse. — Você enlouqueceu? Eu surtei com metade da minha equipe por ter sido chamada aqui no meio da noite.

— Por isso mesmo eu te chamei. — Ele me ajudou a tirar o casaco, logo joguei os saltos para longe. — Quem você acha que armou a festa do pijama de Renesmee?

— Sério? — perguntei surpresa, seguindo com ele para o interior do quarto.

— Eu. — Ele me abraçou por trás, afastando meu cabelo e começando a beijar meu pescoço. — Percebi o quão saturada você estava de toda essa semana entre a adoção, o hotel e a doença da minha mãe. — Afagou minha barriga por cima do vestido social que eu usava, ainda com seus lábios em meu pescoço. — E hoje teve tudo aquilo com Jazz e Alice, então quando ele parou de beber e me dispensou, falei com Rose e pedi que ela levasse Ness e te fiz vir até aqui. Sou um gênio, já disse isso antes, não?

— Eu te amo! — exclamei, virando de frente para ele, o beijando desesperadamente, começando a tirar sua camisa.

— Eu vou entender se estiver cansada demais para sexo — falou, mas ainda assim tirou sua camisa.

— Foda-se, eu podia estar cinco noites sem dormir, ainda ia querer transar com você. — O empurrei para a cama, livrando-me do vestido e indo até ele, montando em seu corpo. — É tão sexy transar no trabalho — sussurrei em seu ouvido, o tocando por cima da calça jeans. — Ainda mais com o chefe. — Mordi seu pescoço, fazendo Edward nos girar na cama, ficando por cima.

— Então, querida, vamos ser discretos, ou minha esposa irá descobrir nosso caso de amor proibido.

Segurei em seu queixo, umedecendo meus lábios enquanto via seus olhos escuros pelo tesão.

— Ela é mais gostosa do que eu, senhor Cullen?

— Ela é muito, muito gostosa. — Edward desceu seus beijos por meu colo, tirando meu sutiã no meio do processo, tendo acesso livre aos meus seios. — E foda-se, eu não consigo fingir que é uma amante, eu te amo, querida, por isso tenho uma aliança de casamento em meu dedo. — Chupou meu mamilo, fazendo com que eu gemesse.

— Ótimo, bom saber que você não me trairia nem mesmo comigo — falei baixinho, perdida com a sua boca explorando meu corpo.

— Todo seu, querida.

— Eu gosto de como isso soa. — Me remexi na cama, aprovando os lençóis, eles eram tão macios. — Você disse que era um gasto desnecessário importá-los de longe, mas são tão confortáveis — falei, acariciando os lençóis brancos.

— O que está falando, Bella? — Edward levantou o rosto do meu corpo, me olhando em duvida.

— Os lençóis. — Fechei os olhos. — Tão macios.

— Querida, você está com muito sono, não?

— Não, eu consigo transar — Tentei abrir os olhos, sem sucesso.

— Claro, porque eu sou um maníaco sexual que curte transar com garotas que estão apagadas. — Ele me moveu na cama, então senti os lençóis por todo meu corpo.

— Muito confortáveis — afirmei, me aconchegando aos travesseiros. — Querido, onde você está indo? — perguntei quando o ouvi deixar a cama.

— Ao banheiro, você pode estar caindo de sono, mas algo em mim está bem acordado — ele falou.

— Pense em mim.

— Sempre! — ele gritou do banheiro. — Talvez eu use a hidromassagem só.

Abri os olhos, ele sabia como jogar baixo.

— Encha-a! — gritei, saindo rapidamente da cama, me juntando a ele no banheiro, não fiquei surpresa com a banheira já estar cheia. — Você é tão esperto, Cullen.

— Por isso você se casou comigo, querida, precisa de um homem esperto ao seu lado. — Ele deu um sorriso malicioso, se abaixando a minha frente para tirar minha calcinha. Logo se livrou do resto de suas roupas também, então pudemos entrar na banheira.

— Se o paraíso existe, deve ser aqui — praticamente ronronei quando me acomodei na banheira, usando o corpo de Edward como apoio. — Oh sim, isso! — gemi quando ele começou a massagear meus ombros.

— Você está muito tensa — ele declarou, deslizando suas mãos pelas minhas costas.

— Claro que estou, tem tanto em minha cabeça — comecei a falar. — Você sabe, eu realmente preciso contar a minha família sobre Matthew, mas não quero fazer isso por telefone. Nós também precisamos contar a Renesmee sobre Esme, pois eu acho que ela e as primas devem saber disso o quanto antes para apoiar a avó também. Tem toda essa história nova de Alice. E eu me pergunto se Matthew nos odiará por o adotarmos.

— Pode dividir um pouco da carga comigo. Respire fundo. — Fiz o que ele ordenou, sentindo um pouco de paz invadir meu corpo. — Agora, vamos começar com contar a sua família sobre Matthew, nós sabemos que seu pai não irá viajar, nós não podemos ir a Forks agora com tudo acontecendo por aqui, então acho que teremos de contar a ele por telefone de qualquer jeito. Podemos convidar sua mãe, Phill e Bree para Chicago, para que venham no próximo fim de semana, que tal? Então, contaremos a eles sobre Matt. Quanto as garotas, é algo que Rose falou mais cedo quando liguei para pedir que ela ficasse com Ness, Lucy está começando a desconfiar que tem algo de errado com mamãe, pois ela está abatida demais esses dias, Rosalie e eu achamos que poderíamos contar as garotas amanhã quando nos reunirmos para o almoço. Alice ficará bem. Matthew não nos odiará. — Ele parou a massagem, apenas me abraçando. — Eu não vejo como alguém poderia odiá-la, Bella. — Beijou meu rosto. — É uma pessoa maravilhosa.

Eu me mexi na água, ficando de frente para ele, segurando seu rosto em minhas mãos. O beijei devagar, aproveitando nosso tempo a sós e de calmaria. A chuva ainda caia lá fora, só que ela não conseguiria me deprimir enquanto tivesse Edward por perto.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 10.12.16