Notas iniciais
Okay, eu ainda não devia estar postando Nossa Família, mas foi impossível resistir a essa história. Avisos gerais sobre NF: 1. Terá muito de relação familiar, como foi em Amargo Lar, até porque o título da história leva família, né? 2. É drama, comédia, é romance. Sério, vamos ter de tudo um pouco. 3. Não posso dizer quantos capítulos a história terá, até agora não imagino com uma história muito longa, mas amo tanto esse enredo que vou tentar deixá-lo maiorzinho. 4. Terá capítulo pelo menos uma vez na semana, não vou definir o dia, mas pelo menos uma vez na semana terá. Caso isso não aconteça é por falta de tempo, que eu espero que entendam. 5. É proibida qualquer tipo de distribuição da história, ou postagem em qualquer outro site. Não permito adaptações, ou ficar repassando pdf dela por ai. Enfim, boa leitura ♥

Prólogo

Harvard.

Minha almejada, doce e linda Harvard.

Desde que era uma criança ouvi falar sobre Harvard, então logo me vi encantada pelo local. Queria estudar ali, queria ser uma das pessoas super inteligentes andando naquele campus.

Mas, uma pedra bem grande separava-me de Harvard. Ela se chamava dinheiro.

Filha de um xerife com uma professora de escola básica, que se divorciaram quando eu tinha só três meses de idade, ir para Harvard não era tão fácil para mim. Porém, tinha determinação, muita.

Então, eu estudei muito, tive notas altas durante toda minha vida escolar, fiz uma dezena de cursos extracurriculares, trabalhei e não dormi quase nada. Todo o esforço valeu a pena ao final, bolsas de estudo e empréstimos estudantis altíssimos me levaram para a universidade dos meus sonhos.

O plano era, estudar muito, então conseguir um belo diploma. As regras que eu mesma impus eram:

1. Nada de festas;

Eu sabia que festas me levariam a álcool, que me levaria a ter um desempenho ruim.

2. Nada de garotos;

Garotos iriam me distrair, sexo, beijos, eu não precisava de distrações.

3. Nada de paixão.

E, a regra mais importante de todas, não me apaixonar. Já tinha visto minhas amigas apaixonadas, elas ficavam bobas, burras e só pensavam no alvo de suas paixões. Eu definitivamente não precisava disso.

Porém, no Halloween de 2005, no meu segundo ano de Harvard, quebrei as três regras de uma só vez. Eu culpo minha colega de quarto, Alice Brandon, mas com o tempo apenas a agradeci por ter insistido em me levar para uma das muitas festas acontecendo aquela noite, já que ela mudou minha vida.

Alice, era alguém legal, mesmo sendo tão rica. Baixinha, cabelos negros compridos que iam até sua cintura, dona de grandes olhos acinzentados. Só que, não tão legal quando escolheu minha fantasia para aquela noite.

— Sério, Alice? — Apontei para meu corpo. — Isso é ridículo.

— Você está tão gostosa, os caras vão beijar seu chão — Alice cantou, já um pouco bêbada por ter conseguido uma garrafa de champanhe.

Revirei os olhos para ela, voltando para o espelho, vendo minha imagem refletida ali.

Sim, eu tinha uma fantasia de policial sexy para o Halloween. O que tinha sido uma ideia de Alice para homenagear meu pai, o que era meio perturbador.

A fantasia era composta por um macacão azul caneta, com os shorts tão curtos que eram quase como uma calcinha grande, com uma fileira de botões sobre peito e barriga, que Alice tinha me obrigado a deixar os primeiros abertos para que meus peitos dissessem olá. Luvas de couro que deixavam meus dedos a mostra, o que para mim perdia toda a ideia de usar luvas.

Botas de couro que chegavam até meus joelhos, com saltos tão altos que podiam causar minha morte. Um chapéu com um falso símbolo de policia ali, pelo menos eu esperava que fosse falso, ou Alice podia estar nos colocando em problemas. Para completar, um bastão e algemas presas ao meu cinto.

Eu me sentia gostosa, claro, sabia que era bonita depois de anos de aparelho dental e de tratamento para espinha. Mas, ainda parecia tudo muito depravado.

Pelo menos eu estava menos pervertida do que Alice. Ela decidiu ser uma colegial, tinha os cabelos presos em Maria Chiquinhas, usava uma blusa que tinha customizado que deixava seus seios com silicone — seu presente de dezoito anos — bem mais expostos do que os meus, assim como sua barriga lisa aparente. Uma saia quadriculada que eu não fazia ideia de como era tão curta e, para completar, sapatos Mary Jane. Ela tinha dispensado as meias compridas alegando ter pernas bonitas demais para ficarem cobertas.

Depois de prontas, nós deixamos nosso dormitório em direção ao local da festa escolhida por Alice. Ela era uma grande frequentadora de festas, bem diferente de mim, até porque eu tinha regras quanto a isso, então, prometeu que aquela seria a melhor de todas.

Como já estava quebrando uma regra, logo copos de bebidas alcoólicas vieram até minha mão. Eu sabia beber, aparentemente melhor do que Alice, que apenas uma hora depois de chegarmos ali, já estava simulando sexo — você não podia chamar aquilo de dança — com um cara loiro — fantasiado de Zorro — no meio da sala de estar da fraternidade que estávamos.

— Ela é sua amiga? — Uma voz perguntou ao meu lado, soando mais alta do que a música estridente saindo das caixas de som.

Olhei para minha lateral esquerda, vendo um cara bem alto ali. Ele estava fantasiado de Gangster, calça e sapatos social pretos, assim como seu chapéu e colete. Por baixo do colete usava uma camisa social branca, que tinha as mangas dobradas até a metade de seus antebraços. Uma gravata com um cifrão bordada e um lenço vermelho no bolso do colete finalizavam seu visual.

Eu podia ver um pouco de cabelo acobreado saindo debaixo do seu chapéu, não podia ver muito bem na luz colorida e piscante, mas os olhos dele pareciam claros, talvez verdes. Mas, podia afirmar que o cara era bonito.

— A colegial, é sua amiga? — perguntou, apontando para Alice que agora estava roçando a bunda na pélvis do Zorro.

— Hum, sim — respondi.

— Ah, okay. — Ele bebeu um pouco da sua cerveja. — O Zorro é meu amigo. — Voltou a falar, fixando-se na parede ao meu lado. — Acabou de levar um chute na bunda da namorada da época do colégio, estamos aqui para que ele possa se divertir um pouco.

— Bom, ele provavelmente vai conseguir isso com a Colegial Depravada ali. — Dei de ombros.

— Sou Edward. — O cara estendeu a mão para mim, eu hesitei por um instante a tocá-la, mas acabei fazendo isso. O aperto dele era quente e firme, mandando arrepios bons para todo meu corpo. — Edward Cullen — completou, fazendo com que eu desfizesse nosso toque rapidamente.

Ele era um fodido Cullen? Isso só podia ser brincadeira, nunca pensei que veria um em carne e osso, eles eram uma família conhecida, tradicional como os Rockfeller. Donos de uma rede de hotéis por todo o globo terrestre, grandes doadores para Harvard.

— Bacana — debochei.

Claro que estive surpresa em conhecer um Cullen, mas também ainda era um Cullen e isso acabava todo o clima. Estudando em Harvard, eu estava cercada por gente rica, prepotente e irritante, Edward com certeza era um deles. Do tipo que se considera dono do mundo só por ter uma conta bancária que podia manter um país.

— Qual seu nome, policial? — ele perguntou, vindo para minha frente, dando um sorriso travesso, seus olhos saindo do meu rosto para meu decote.

Maldita Alice!

— Isabella Swan — grunhi, pegando o bastão em meu cinto e batendo no braço dele, fazendo Edward desviar o olhar dos meus peitos.

— Você gosta disso com um pouco de força, querida? — Edward questionou, dando um passo para mais perto de mim, eu já estava com as costas grudadas na parede, então permaneci ali, o encarando de volta. — E se eu prendê-la, aqui? Vai me bater de novo? — Uma de suas mãos, a que não carregava sua cerveja, se fixou na parede ao lado da minha cabeça.

Ele ainda estava me dando espaço de fuga, então não me preocupei com o que ele estava fazendo. Porém, foi impossível não entrar no seu joguinho.

— Eu sou a policial aqui, senhor Cullen. — Passei o bastão por seu peito e barriga, nossos olhos nunca se distanciando. — Devia se comportar, pois sou eu quem prende bandidos como você.

— Gangster, querida — disse, estalando a língua em reprovação. — Eu não sou um bandido qualquer.

— O quão sujo você consegue ser? — O desafiei, arqueando uma sobrancelha, o vi me olhar surpreso.

— Muito, muito sujo, querida.

— Bom, para mim você apenas é um cara de muitas palavras, mas pouca ação. — Continuei a percorrer o bastão por seu tórax.

— Acredite, eu não sou, querida.

Porra, não devia ser tão bom assim ouvir um cara me chamando de querida. Eu era imune a babacas, não? Sabia que eles davam esses apelidos idiotas, pois eram incapazes de lembrar os nomes das garotas.

— Minha língua é igualmente eficiente em palavras e ações.

Foi impossível não suspirar um pouquinho quando ele disse isso, seu corpo mais perto ainda de mim, seu rosto a centímetros do meu.

Eu abri a boca para falar algo, provavelmente alguma idiotice, quando ouvi a voz de Alice.

Beeeella!

Edward se afastou, me dando a oportunidade de respirar sem o perfume dele estar invadindo meu oxigênio.

Alice estava sendo abraçada por trás pelo Zorro loiro, parecendo muito contente com isso.

— Essa festa está um desastre total! — Alice exclamou para mim. — Jasper nos chamou para ir até o apartamento dele, podemos beber longe desses perdedores. — Deduzi que Jasper era o Zorro.

— Acho que nós devíamos ir embora para nosso dormitório, Alice — falei, recolocando o bastão no meu cinto. — Você já está bêbada como um gambá.

— Não, venha comigo, Beeella! — Alice pediu, pulando dos braços do Zorro/Jasper para os meus, quase me derrubando no chão. — Senti o pau dele, é tão grande, eu o quero — sussurrou em meu ouvido.

— Alice, sério...

— Eu aposto que o pau do Gangster ai é grande também!

Ela praticamente gritou aquilo, pude ouvir Edward rindo em algum lugar não muito longe de mim, então senti minhas bochechas corando.

— Ficaremos lá apenas por uma hora — falei para Alice, a soltando.

Ela comemorou, voltando para Zorro/Jasper. Eles saíram na frente da casa da fraternidade, enquanto segui atrás com Edward, nós dois nos livrando de nossas bebidas no meio do caminho.

O apartamento deles não ficava muito longe, foi uma caminhada de uns cinco minutos até o prédio. Teria sido bem silencioso se dependesse de mim, mas Alice e Jasper conversavam e riam alto.

— Bêbados idiotas — resmunguei, Edward riu, mas não disse nada.

Estranhei ele não estar falando nada, não que o conhecesse, mas ele não parecia o tipo quieto.

Não fiquei surpresa quando chegamos ao apartamento que Edward dividia com Zorro/Jasper. Era uma bagunça total, mesmo que um deles fosse um Cullen, continuavam sendo dois caras da faculdade desorganizados.

Zorro/Jasper, foi preparar drinks com Edward, enquanto Alice se familiarizando rapidamente com o apartamento, colocava uma música para tocar no som. Eu fiquei na varanda, era uma noite fria, mas a vista dali era incrível.

— Aqui. — Edward entrou na varanda, estendendo um copo de uma bebida azul para mim, enquanto sentava na outra espreguiçadeira que tinha ali, também com uma bebida para si. — Quantos anos você tem?

— Dezenove e você?

— Dezenove.

Ouvimos a risada de Alice no interior do apartamento, depois uma porta batendo com força.

— Você é de Boston? — ele continuou o interrogatório.

— Não, nasci em Forks.

Edward me olhou confuso, a luz ali era bem melhor, os olhos dele eram realmente verdes.

— Washington — expliquei. — Mas fui criada em Phoenix no Arizona desde meus três meses de idade.

— Bom, sou de Chicago. — Deu de ombros.

— Odeio Chicago — falei.

— Por quê? — perguntou ofendido.

— Eu ia para lá em uma excursão da escola, mas peguei catapora na época. Todos da minha turma passaram um século falando sobre a viagem, eu prometi nunca pisar em Chicago.

— Você deveria ir a Chicago, é incrível, quando for se hospede no Cullen Hotels.

— Essa foi sua forma sutil de dizer que é um herdeiro?

— Funcionou?

— Desculpe, querido — ironizei seu apelido. — Eu não me vendo por uma fortuna.

— Sabia disso, você não é esse tipo de garota.

Franzi a testa, o olhando sem entender.

— Você me conhece a menos de uma hora, como sabe que tipo de garota eu sou?

— Nós temos uma aula juntos.

— Temos?

Eu acho que me lembraria de tê-lo visto, era um pouco complicado não notá-lo.

— Sim, Cálculo II.

— Não me lembro de você nessa aula — confessei, mas era uma turma cheia.

— Seria por que Hector Miller está sempre azucrinando sua orelha?

Fiz uma careta, pensando no loiro que sempre insistia em sentar perto de mim, ele nunca calava a boca.

— Estou desde setembro quando as aulas começaram querendo descobrir seu nome — murmurou. — Isabella combina com você. — Ele continuava olhando para a paisagem da sua varanda.

— Bella.

— Desculpe? — Me olhou.

— Me chame de Bella — instruiu.

— Tudo bem, Bella. — Ele piscou para mim, bebendo um pouco.

— Por que você queria saber meu nome afinal?

Era uma turma grande, com nenhum trabalho em duplas ou em um grupo.

— Além do fato de eu ter te achado muito linda e precisar de um nome para seu rosto? — ele perguntou, me fazendo ficar surpresa com sua sinceridade. — Bom, é porque você é fodidamente inteligente, sempre dá as respostas certas para o professor antes mesmo dele pedir por isso. Na verdade, estou sendo um pouco invejoso, sempre fui o melhor em minhas turmas de cálculo.

— Triste com o segundo lugar, Cullen? — provoquei, jogando minhas pernas para fora da espreguiçadeira, sentando na lateral.

— Não se isso significa poder olhar sua bela bunda do meu lugar atrás, querida.

Limpei a garganta, tentando me distrair do seu comentário.

— Você sabe meu nome, por que fica me chamando de querida? — indaguei.

Edward me imitou, sentando como eu estava, a distância entre as espreguiçadeiras eram mínimas, fazendo com que nossos joelhos se tocassem.

— Combina com você, querida. — Ele afagou meu rosto.

— Não vou transar com você, Edward Cullen — declarei.

Ele sorriu, tirando minha bebida da minha mão, a colocando no chão junto com a sua.

— Por que não?

— Eu tenho regras.

— Sério, me conte sobre elas. — Suas mãos estavam reservadas para si mesmos, então era seguro falar sem suspiros por seus toques.

— Nada de festas, nada de garotos, nada de paixão — as citei.

— Você já burlou a primeira — ele disse, ficando de pé, segurando em minhas mãos e me fazendo levantar também. — Você quebrará a segunda agora. — Ele se inclinou, seus lábios tocando nos meus em um beijo rápido, mas suficiente para meu coração acelerar. — Eu não sei quanto tempo levará, Bella. — Os olhos dele se fixaram nos meus, enquanto afagava novamente meu rosto. — Mas você irá burlar a terceira regra.

— Sério? Com quem? — provoquei.

— Comigo. — Um sorriso presunçoso iluminou seu rosto.

— E o que te faz pensar isso?

— Me dê um crédito de confiança, eu sei.

Ele tirou as algemas do meu cinto.

— Diga-me, Bella, você já fez sexo algemada?

— Não! — Meu rosto queimou de vergonha.

— Eu também não, querida. — Devolveu as algemas para meu cinto, ainda sorrindo presunçosamente.

Mastiguei meu lábio, pensando o quão divertido deveria ser ter sexo algemada. Principalmente sexo com Edward, ele era bonito demais, gostoso demais.

— Diga-me, Cullen. — Empurrei o chapéu ridículo para longe de sua cabeça, revelando uma bagunça de cabelos ruivos. — Você toparia ser algemado por mim?

Ele se afastou, me pegando de surpresa, até que vi ele estendendo os pulsos para mim.

— Você é a policial aqui, Bella, pode me prender.

Peguei a algema, passando em seus pulsos. Ele tentou me beijar, mas eu me afastei, rindo.

— Falei que não ia transar com você, Cullen!

Edward caminhou lentamente até mim, erguendo os braços e me colocando entre eles. Nós dois presos por conta das algemas, mas eu ainda podia escapar dele, só não queria.

— Você realmente acha que é capaz de me fazer quebrar a terceira regra? — o confrontei.

— Sim, você irá se apaixonar por mim, Bella Swan. — Ele beijou minha testa, sendo gentil demais para minha sanidade. — Então, eu poderei te chamar de querida todos os dias. — Beijou meus lábios, fazendo com que prontamente retribuísse.

Até o fim daquela noite eu já tinha quebrado todas as regras.

Notas finais
Eu AMO essa Bella! Sério, demais. Espero que gostem dela também. Vocês querem aquele estilo de narração alternada? Um capítulo da Bella, outro do Edward? Me digam nos comentários. Não deixem de comentar, isso dá o maior incentivo. Beijos! Lola Royal. 13.10.16