Nossa Família

22 Capítulo Vinte e Um — Psicóloga


Notas iniciais
Internet voltando ao normal, vou tentar responder os comentários atrasados entre hoje e amanhã. Então, por favor, não deixem de comentar ♥ Algumas pessoas falaram sobre o quão complicado é o processo de adoção e sim gente, não é algo nada simples. Pais adotivos tem de passar por todos esses processos para assegurar que a adoção ocorra da melhor maneira possível, pois mesmo com tudo isso, ainda há casos de 'devolução' das crianças para abrigos quando adotado e adotante não conseguem um laço forte. No caso de Nossa Família o processo de adoção tem sido uma mistura de como é nos EUA e no Brasil, mas nada muito fora da realidade. A diferença é que nos EUA eles não tem abrigos, as crianças ficam em casas de outras famílias (Foster Parents) até serem adotadas. Agora, boa leitura! :D

— Capítulo Vinte e Um—

— Psicóloga —

Isabella Cullen

Matthew não tinha reagido bem a informação que estava sendo adotado, aquilo tornou aquela quarta-feira de fim de março muito cinza e triste. Edward tinha ido até mim no hotel informar isso, logo depois de receber a noticia de Jenks.

— A psicóloga relatou que ele ficou agressivo quando ela disse que o adotaríamos — Edward disse, passando a mão pelos cabelos repetidamente. — Então, ela acha que nós ainda não podemos nos encontrar de novo com ele.

Respirei fundo, cruzando os braços na frente do meu corpo.

— Nós dois temos encontros com a psicóloga amanhã pela manhã na agência.

— Excelente — resmunguei. — É provável que ela nos corte de vez já que ele reagiu mal.

— Bella, depois do último encontro isso era esperado — Edward falou, suspirando. — Ele foi afastado do pai, então a tia o devolveu a um abrigo, claro que a ideia de adoção será um medo para ele.

— Eu queria poder acelerar as coisas. — Batuquei com a minha caneta sobre a tampa da mesa. — Perguntou a Jenks se subornando as pessoas certas não somos capazes de agilizar tudo?

— Sim, ele disse que podemos o subornar a vontade — Edward falou, fazendo com que eu risse. — Para ser justo com o homem, ele tem realmente acelerado tudo para nós o quanto pode, isso geralmente leva bem mais tempo pelo que descobri.

— Okay, conversa com a psicóloga amanhã, o que acha que saíra disso?

— Não me pergunte, eu nunca estive em um consultório psicológico antes. — Ele deu de ombros. — Ela provavelmente me fará chorar.

— Ela não é uma torturadora psicológica, Edward.

— Nunca se sabe. — O celular dele tocou. — Eu tenho de voltar ao trabalho, querida, tenho uma reunião disfarçada de almoço com Carlisle e alguns investidores.

— Tudo bem, vou almoçar com Alice no restaurante, ela está disposta a tocar a nossa festa de aniversário de casamento mesmo com tanta coisa acontecendo.

— Sinceramente. — Edward se levantou, abotoando seu paletó. — Estou mesmo animado com essa festa, acho que depois de tanto sobre nossas costas, nós podemos contar com um pouco de diversão, mesmo que isso aconteça apenas em junho.

— Nós podemos adiantar as bebidas para sábado — sugeri.

— Sua família está vindo.

— Merda — resmunguei. — Bom, eu vou ter de beber de qualquer jeito. Alías, nós temos de tirar o bar da sala — o lembrei, ganhando uma careta de Edward, era uma das especificações da lista que ganhamos da assistente social, nada de bebidas expostas.

— Isso machuca — ele falou. — Aquele bar foi especialmente projetado para o apartamento.

— Você só terá de trancar as bebidas em um armário no alto da cozinha, Edward, não seja chato. — Levantei da minha cadeira, indo beijá-lo. — Vejo você mais tarde, querido.

— Se eu não morrer de tédio no almoço com os investidores. — Ele suspirou teatralmente, me beijou mais uma vez, então saiu.

Cerca de vinte minutos depois fui me encontrar com Alice em um restaurante não muito longe do hotel, já que ela não queria correr o risco de cruzar com Jasper ali. Ela já estava lá quando cheguei, segurando em suas mãos seu fiel bloquinho de notas de organização de eventos, ela tinha preenchido três daquele quando estávamos organizando o aniversário de um ano de Renesmee. Cinco foram usados no aniversário de dez anos, isso porque eu freei Alice o máximo possível.

— Ei, você demorou! — ela acusou. — Estava fazendo uma de suas visitas antiéticas a Edward no meio do trabalho?

— Não. — Sorri, pegando o cardápio. — Ele e eu estávamos apenas falando sobre Matthew.

— Alguma novidade? — perguntou, a olhei, ela realmente parecia interessada, então achei seguro falar sobre o assunto com ela.

— Ele não reagiu muito bem quando a psicóloga falou que seria adotado — contei, Alice assentiu.

— Eu cosigo entendê-lo — ela falou, bebendo um pouco de água. — Isso é um grande problema?

— Pode ser, sei lá como aquelas pessoas estão no avaliando. Edward, Ness e eu teremos encontros com a psicóloga amanhã, acredito que ela seja mais decisiva sobre isso do que a assistente social que visitamos no começo da semana.

— Relaxe, psicólogos não são monstros — ela falou. — Você sabe, eu tenho encontros semanais com um terapeuta por conta de toda a história na minha família — contou ao ver minha expressão.

— Então, quando você dizia que estava indo ao SPA, era na verdade a terapia? — indaguei, Alice assentiu rindo.

— Eu sabia que você nunca iria querer me acompanhar ao SPA, então era uma forma de mantê-la sem saber a verdade.

— Eu deveria ficar com muita raiva de você por isso — reclamei. — Mas, compreendo o quão difícil isso deve ser. Diga-me. — Deixei o cardápio de lado. — Algum remédio envolvido?

— Não mais — Alice confessou. — Teve durante algum tempo enquanto eu estava na Europa, mas não antidepressivos, alguns para controlar ansiedade, de origem mais natural possível, ainda me deixavam com alguns efeitos colaterais, mas foram de muita ajuda. — Ela sorriu. — Estou livre deles desde que vim para Chicago, o meu terapeuta aqui descartou minha volta com psiquiatras e aos remédios quando me envolvi com Jasper. — Alice limpou os olhos rapidamente. — Ele me fazia bem demais, Bella, estraguei tudo escondendo a história da adoção, indo embora daquela forma.

— Por que você não liga para Jasper? — Apontei para o celular dela sobre a mesa. — E sugere um jantar? Só vocês dois, no sábado, naquele restaurante grego que nós duas fomos com Jazz e Edward no seu aniversário desse ano?

— Aquele onde ficamos bêbados e passamos a noite pedindo por um karaokê que não existia?

— Esse mesmo — concordei, pegando o celular dela e discando o número de Jasper, ainda sem ligar. — Dê o primeiro passo, Alice. — A incentivei. — Aperte o botão, marque o jantar e vá se encontrar o cara que você ama. Vocês não precisam se resolver cem por cento no sábado, não precisam nem mesmo falar sobre assuntos difíceis, apenas estejam lá, juntos.

— Okay. — Ela tomou uma lufada de ar, pegando o celular da minha mão, fazendo a ligação e colocando-a no viva-voz, Jasper não demorou a atender, o que eu entendi como um sinal positivo.

— Oi — ele murmurou do outro lado da linha.

— Hey Jasper, oi! — Alice falou hesitante, remexendo-se na cadeira. — Como você está?

— Sei lá, eu estou bem. — Jasper suspirou. — E você?

— Eu estava pensando naquele restaurante grego que fomos no dia do meu aniversário, você se lembra? — Jasper ficou em completo silêncio do outro lado da linha. — Jasper?

— Sim, eu lembro — falou por fim. — Mas por que isso agora, Alice?

— O que acha de irmos lá de novo? Só nós dois, no sábado. Eu pago — ela tentou brincar, mas estava claramente nervosa.

— Você tem certeza disso, Alice?

— Que eu pago? Sim! — Jasper riu, Alice deu um sorriso aliviado, até mesmo eu sorri com aquilo.

— Não, sobre o jantar como um todo.

— Tenho — Alice confirmou. — Nós podemos ir lá implorar pelo karaokê como da outra vez.

— Okay, está marcado — Jasper falou, soando mais animado do que antes. — Eu passo para te buscar no seu apartamento às oito, não se atrase.

— Eu não vou — ela prometeu, olhando para o celular como se ele fosse o próprio Jasper. — Até sábado, Jazz.

— Até. — Eles desligaram.

— Eu te amo! — Alice exclamou para mim, deixando sua cadeira do outro lado da mesa para se enfiar em meus braços. — Te amo muito, você é a melhor, obrigada por me incentivar a isso.

— Eu tenho minhas dividas com você, Alice. — Devolvi o abraço. — Mas já que está tão mão aberta, pode pagar nosso almoço hoje.

— Eu pagarei. — Ela riu, voltando ao seu lugar, enlaçando em suas mãos seu bloquinho de notas. — Agora, temos um aniversário de casamento para planejar!

***

Edward e eu chegamos cedo a agência de adoção na quinta-feira, pelo que tínhamos sido informados primeiro a psicóloga faria entrevistas individuais, então falaria com nós dois juntos. As entrevistas individuais estavam me enlouquecendo, afinal não sabia o que esperar do fato de ficar trancada sozinha em uma sala com alguém avaliando cada palavra e gesto meu, seria como passar novamente por toda a pressão da admissão em Harvard.

— Eu devia ter aceitado o chá de camomila que Nelly quis nos dar.

— Não, não devia — Edward murmurou sonolento ao meu lado enquanto esperávamos pela psicóloga. — Eu bebi aquilo e estou chapado de sono. — Ele colocou o rosto em meu pescoço, sorri, afagando seus cabelos.

— Ótimo, tudo que precisávamos era de você dormindo no divã da psicóloga.

— Nós deitaremos em um divã? Isso é bom. — O senti sorrir contra minha pele. — Porra! — xingou.

— Você está fantasiando com sexo no divã, né, Edward? — perguntei, contendo uma risada para não assustar a senhora na mesa da secretária.

— Sim, em você como uma psicóloga, com óculos de grau, saia lápis, uma prancheta em mãos, o cabelo em um coque bagunçado. Montando em mim sobre o maldito divã, falando todo tipo de obscenidade...

— Você é muito visual, querido, contenha-se — pedi, continuando a afagar seus cabelos. — Pior do que dormir no divã, seria ter uma ereção lá, a psicóloga pensaria que você é um maníaco sexual e nós seriamos cortados.

— Isso me faz pensar que realmente temos de dar um fim em nossas algemas para a inspeção? — Fiz uma careta.

— Eu as deixarei no apartamento de Alice temporariamente, também não seria nada legal que eles soubessem sobre isso.

— Então. — Edward tirou o rosto do meu pescoço, olhando-me com curiosidade. — Ela e Jazz vão mesmo jantar no sábado?

— É o combinado, espero que eles possam se entender ao menos um pouquinho. — Afaguei o rosto de Edward. — Alguma noticia da sua mãe? — Apontei para o celular em suas mãos, Edward o checou mais uma vez.

— Não, ela me disse ontem de noite que é possível que todo o tratamento só tenha uma definição na próxima semana. São tantos exames, eu fico feliz que pelo menos Carlisle está conseguindo a acompanhar em tudo.

— Sim, isso é importante. — Assenti. — Rosalie já fechou o contrato? — Rose esteve querendo adiar, ou cancelar de vez a mudança da casa dos pais, mas Edward tinha a convencido do contrário, então ela estava assinando o contrato de um apartamento que esteve namorando junto as meninas.

— Amanhã — Edward falou, olhando para um ponto atrás da minha cabeça. — Lá vamos nós, querida.

Olhei para trás, vendo a que logo deduzi ser a psicóloga. Ela devia ter por volta de cinquenta anos de idade, era uma mulher alta, com curtos cabelos loiros escuros, usava roupas formais e uma aparência muito séria, talvez até mesmo assustadora.

— Edward e Isabella? — ela nos perguntou, eu assenti, levantando-me rapidamente, puxando Edward comigo. — Olá, sou Agatha Ahern, a psicóloga responsável pelo processo de adoção de vocês. — Apertou nossas mãos, até seu aperto de mão firme deixava-me com medo. — Podemos começar?

— Claro — Edward respondeu por nós dois, lançando um sorriso confiante a Agatha. — Eu posso ir primeiro? — Sorri aliviada com aquilo, se ele fosse primeiro eu ficaria muito mais tranquila, já que poderia ver por sua expressão depois como tudo aquilo tinha sido e teria mais tempo para me preparar.

— Na verdade, eu gostaria que Isabella fosse a primeira, tudo bem? — Agatha me perguntou.

— Sim, claro — concordei, odiando por estar tão nervosa com algo. Olhei para Edward buscando algum conforto, vendo-o piscar para mim e beijar minha mão antes de me deixar seguir Agatha até sua sala.

Não tinha um divã, ela ocupou uma poltrona, indicando que eu sentasse no sofá ali. Pegou uma pasta recheada de papeis e uma caneta, tudo aquilo era informação minha e fiquei mais nervosa com ela tendo tanto de mim naquelas folhas.

— Isabella...

— Apenas Bella — pedi a interrompendo.

— Ótimo, Bella. Comece falando um pouco sobre sua infância, seus pais, irmãos se tiver.

— Certo. — Ajeitei-me no sofá, desejando ter um divã mesmo ali para ficar mais confortável. — Meus pais, Renée e Charlie, se conheceram quando eram jovens, em Seattle. Eles se apaixonaram, namoraram por um ano, então Renée engravidou, eles se mudaram para Forks, uma cidade próxima a Seattle, de onde meu pai era natural. Ele começou a trabalhar na delegacia de lá, Renée a dar aulas e casaram. O casamento não demorou muito, eles se divorciaram pouco depois que completei três meses de idade. Renée então se mudou para Phoenix no Arizona, onde tinha família morando, incluindo sua mãe. Renée casou de novo alguns anos depois e teve outra filha, Bree, ela ainda está casada com o mesmo homem, Phill.

— Como se sente sobre isso tudo, Bella? — Agatha indagou, sua voz era suave, um contraste com sua aparência rígida.

— Não me lembro dos meus pais juntos, sendo assim eu não sinto falta dos dois como um casal. Algumas colegas de infância, que estavam vendo o divórcio dos pais, sofriam muito com isso, eu não ligava de fato, pois os meus já eram divorciados antes mesmo de eu saber engatinhar.

— Você teve muito contato com Charlie na infância?

— Eu ia passar os verões com ele, era divertido no começo, eu tinha um melhor amigo lá. — Citei Jacob. — Mas, Charlie nunca foi um homem de demonstrar sentimentos e eu também nunca fui a garota mais sentimental do mundo. Nós não brigávamos, nem nada, então era um tempo bom de forma geral, meio tedioso. No entanto, quando entrei na adolescência ir para Forks perdeu todo o encanto para mim, diminui os verões para uma, ou duas semanas no máximo e tenho certeza de que isso só me afastou ainda mais de Charlie. Eu venho tentando reparar isso nos últimos anos, além da nova namorada dele, dos filhos dela e de amigos de longa data, sou a única família que Charlie tem junto a minha filha e meu marido, quero que fiquemos mais próximos.

— E sua mãe?

— Renée é uma mulher livre, foi o que a fez se separar de Charlie. Ela não se encaixava a cidadezinha, nem a vida pacata em Forks. Ela me criou sozinha, mas teve seus momentos relapsos que hoje tento não reproduzir na criação da minha própria filha. Eu cresci sendo muito livre com ela, tendo muita autonomia e por vezes sendo mais madura do que minha idade real.

— Isso te irrita? Ter amadurecido mais rápido para lidar com os relapsos de sua mãe?

— Não, na verdade — confessei. — Eu cresci com um grande sonho, algo que almejava muito, então ter amadurecido me fez alcançar o que quis por toda uma vida.

— Pode me dizer esse grande sonho.

— Entrar em Harvard — contei. — Desde criança era o que queria, mesmo sabendo o quão complicado seria pela falta de recursos financeiros, eu sempre quis estudar em Harvard. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida quando pisei no campus pela primeira vez como uma aluna.

— Antes de seguirmos sobre Harvard, fale-me sobre seu padrasto e sua irmã mais nova.

— Phill é um homem divertido, ex jogador de beisebol, trabalha hoje em dia em uma concessionária. Nunca foi difícil tê-lo por perto, além do mais ele sempre foi um bom companheiro para Renée, me mudar para Boston quando chegou a hora foi mais fácil sabendo que ela o teria por perto para deixar tudo sob controle.

— E sua irmã? Bree, certo?

— Isso, ela tem dezenove anos, estuda em New York. Ela tem dado dor de cabeça para toda a família desde que começou na faculdade, até mesmo foi presa uma vez por invasão de propriedade ao participar de um protesto de uma ONG protetora dos animais contra uma fabrica de cosméticos. Eu a amo, mas sim, ela tem me deixado louca.

— Você a vê muito?

— Não tanto, mas estamos sempre em contato, eu pago boa parte das despesas dela, então de uma forma ou de outra sempre estou de olho em Bree.

— Como era quando vocês moravam juntas em Phoenix?

— A diferença de idade era muito grande. Eu ajudava Renée e Phill com ela, mas não tinha muito que eu podia fazer. Mas, Bree era uma criança muito doce, ela deve estar passando por alguma fase de identificação de personalidade, ou coisa assim. — Eu olhei diretamente para Agatha. — Diga-me você, isso é possível?

— Sim — ela concordou rindo, foi muito bom saber que ela podia rir. — É muito provável, as pessoas mudam muito com dezenove anos de idade, no meio de um mundo novo que é uma universidade. Por isso, quero saber como isso foi para você.

— Bom, Harvard. Eu finalmente estava lá no que parecia ser meu paraíso. Durante o primeiro ano estabeleci algumas regras. — Sorri. — Para que minha experiência em Harvard não fosse uma furada, já que eu tinha me dedicado e muito para estar ali.

— Quais eram as regras? — Agatha perguntou curiosa.

— Nada de festas, garotos ou paixão. Eu sabia que a primeira me levaria ao consumo de álcool, o que me deixaria lenta para cumprir tudo que a faculdade exigia de mim. Garotos iam me distrair, todo o drama de um namoro não estava mesmo em meus planos. E, isso estava diretamente ligado a nada de paixão, fui para Harvard com um grande objetivo, um diploma em administração, algo que sempre quis, então me apaixonar não era um dos planos.

Agatha remexeu na papelada em suas mãos.

— E você conheceu seu marido em Harvard?

Sorri assentindo.

— Em uma festa, depois de ter bebido e quebrado a primeira regra. — Agatha pareceu muito interessada naquilo, como se estivesse assistindo a uma comédia romântica despretensiosa. — Logo ele me fez quebrar a segunda regra, quando nos beijamos e transamos naquela mesma noite — contei corando. — E, antes de eu cair fora do apartamento dele no meio da noite, já sabia que estava apaixonada.

— Você não queria estar apaixonada, como foi isso?

— Não teve muita enrolação, sendo sincera. Na manhã seguinte tivemos uma aula juntos, de onde Edward já me conhecia, ele foi, sentou ao meu lado e disse que eu estava devendo um café da manhã, por ter ido embora antes disso. Não quis fugir mais, eu já gostava tanto dele. — Suspirei tocando na aliança em meu dedo. — Nós almoçamos juntos aquele dia, perdemos aula e Harvard não parecia a coisa mais importante na minha vida como foi por tanto tempo. Eu tentei me fechar ao mundo, a sentimentos e tudo mais, então conheci Edward e ele me fez sentir muito de uma só vez, foi impossível declinar disso, era bom demais estar com ele.

— Como foi o começo de relação de vocês?

— Foi fácil, na maior parte do tempo. Eu estava um pouco insegura e temerosa no começo, nunca tinha sentido por ninguém o que sentia por ele e nós dois tínhamos muito de diferente. Edward é herdeiro de uma família importante e rica no país, tinha muitas garotas aos seus pés e antes de mim não era nenhum garoto puritano. Senti muito ciúmes no começo, eu ainda sinto, você o viu, ele é bonito demais para seu próprio bem. — Apontei para a porta de onde do lado de fora Edward estava, Agatha riu. — Mas, ele sempre quebrou cada uma das minhas inseguranças com muita prioridade. Sei que ele nunca me trairia, confio plenamente nele, os ciúmes ainda está ali, mas é por conta de tantos olhares e assédio que ele sofre, acredite, tanto de homens quanto de mulheres.

— Aqui diz que você engravidou com dezenove anos, quanto tempo depois de conhecer Edward? — Agatha leu na minha ficha.

— Quatro meses depois. — Mordi o lábio, aquilo sempre seria algo que as pessoas me julgariam, Agatha então poderia ser capaz de me olhar como se eu fosse uma louca por aquilo, ela tinha um diploma lhe dando aquela permissão, não?

— Foi planejado?

— Nenhum pouco — admiti. — Erros nos contraceptivos, então Edward suspeitou da gravidez e eu fiz um teste.

— Como você reagiu a isso?

— Eu chorei, muito. Nunca tinha pensado em ter filhos, não que eu não quisesse, mas é que por tanto tempo estive tão fixa na ideia de só conseguir entrar em Harvard, me formar, que constituir uma família não estava em primeiro plano na minha cabeça. Então, enquanto eu estava lá chorando, Edward estava morrendo de felicidade, eu não posso descrever exatamente como isso foi para ele, Agatha, mas aparentemente ele já estava ligado ao bebê desde o primeiro segundo que descobrimos sobre. Foi quando a primeira ficha caiu, eu teria um filho com Edward, um filho do homem que eu já amava e que sabia que era perfeito para mim, isso não podia ser melhor.

— Sua filha, fale-me sobre ela.

— Renesmee, dez anos, muito parecida com o pai. Demais, chega a ser absurdo como eles tem tanto em comum.

— Isso te incomoda?

— Não, em nada. — Balancei a cabeça. — É na verdade, muito incrível como os dois são próximos, eu nunca fui próxima dessa forma do meu pai, então fico feliz que Renesmee e Edward sejam unidos. Eu a amo, amo muito Edward também, mas o amor que sinto por Renesmee é indescritível.

— Quando foi a primeira vez que se sentiu de fato como uma mãe?

— Quando eu estava grávida ainda, era maio, começo do terceiro mês de gestação, dia das mães. Edward fez uma grande surpresa para o dia, balões no quarto, minhas comidas de café da manhã servidas na cama e um simples body de bebê com a inscrição “eu amo a mamãe”. — Senti as lágrimas em meus olhos ao lembrar daquilo. — Aquilo fez Renesmee se tornar mais real em minha mente, não era possível biologicamente, mas eu posso jurar que já a senti se mexendo dentro de mim naquele dia.

— Como foi ter Renesmee pela primeira vez nos braços?

— Quando engravidei, no meio da faculdade, de um namoro de apenas quatro meses, eu obviamente fiquei morrendo de medo de tudo. De como seria a vida dali para frente, eu tinha Edward ao meu lado e sabia que nós dois juntos conseguiríamos caminhar por tudo que se infiltrasse em nosso caminho, mas os receios ainda estavam ali escondidos em minha mente. Então, Renesmee nasceu e a colocaram em meu colo. Ela era tão pequena, tão frágil e dependente de mim, mas ao mesmo tempo me deu tanta força para enfrentar qualquer obstáculo. Era uma correlação, ela precisava de mim, eu precisava dela, isso ainda persiste e duvido que um dia mude. Renesmee pode ter a mesma frequência de Edward, mas sei que estou fazendo um bom papel como mãe, sei que nós duas nunca romperemos o elo que nos liga.

Agatha me lançou um sorriso doce, tocando no pingente em seu pescoço. Não tinha significado algum para mim, mas certamente tinha para ela.

— Casamento de quase dez anos, uma filha, um cargo importante no trabalho, como isso tudo tem sido, Bella? — Agatha perguntou, folheando minha ficha.

— É melhor do que eu esperava. Edward e eu somos um pouquinho viciados em trabalho, mas não de forma negativa, garanto. Nós dois apenas gostamos de provar aos outros que realmente merecemos os cargos que ocupamos, o que é bom para nós dois, pois um entende quanto o trabalho do outro é importante. Nosso casamento está indo bem, tomando como base o casamento dos meus sogros que já dura mais de trinta anos, acho que Edward e eu nunca tivemos nenhuma grande crise que comprometesse nossa relação. Obviamente brigamos, as vezes por assuntos totalmente banais, outras por assuntos muito sérios, mas são mais de dez anos de relacionamento, quase dez de casamento, conhecemos tão bem o outro que sempre conseguimos reverter as situações complicadas. Renesmee está devidamente encaixada em nosso mundo e nós no dela, assim como é para mim, sei que ela também é prioridade de Edward. Nós temos de lidar com o gênio forte da garota, o que é um pouquinho meu para ser franca, mas ela tem um coração realmente grande.

— Como é sua relação com a família do seu marido?

— Todos eles são maravilhosos, os pais, a irmã e as sobrinhas, amo cada um deles. Esme, a mãe de Edward é como minha segunda mãe. — Abracei a mim mesma ao pensar nela. — Ela tem sido uma figura exemplar em minha vida como mulher, mãe e esposa.

— Que tal me falar um pouco sobre Matthew? Preparada para isso? — Agatha perguntou com cautela, eu assenti.

— Eu não sou uma pessoa religiosa, Agatha. Sequer tive um casamento religioso, por mais católica que a família de Edward seja e meu pai também. Não acredito em tudo que diz na bíblia, não sei se existe mesmo um Deus, o que sei é que Matthew não surgiu por acaso em minha vida e na vida do meu marido, não foi uma mera coincidência ele entrar justamente no nosso restaurante preferido aquela noite. Eu não chorei durante a noite, acalmando-me só quando minha filha veio para a cama comigo, só por estar vendo-o em uma situação tão triste quanto aquela. Já vi muita coisa, não tão fortes quanto vi naquela noite com Matthew, mas sim, já vi muito. Já tive de ouvir que eu era apenas uma garota interesseira ao engravidar de um cara rico, que eu só tinha o cargo que tenho por transar com o dono. Que não amo minha filha por não abrir mão da minha carreira para me dedicar exclusivamente a criação dela. Então, sim, eu já vi e ouvi muitas coisas revoltantes. Eu disse, não sou uma mulher sentimental, é muito difícil que qualquer um me leve às lágrimas. Apenas minha família tem essa capacidade, apenas alguém falando mal deles, alguém os causando dor é capaz de me fazer mal. Eu estive com Matthew por apenas quatro vezes, Agatha, uma vez dessas apenas o vi de longe. Ele não me tocaria tanto assim senão estivesse destinado a ser parte da minha família. Senão estivesse destinado a ser meu filho. — Respirei fundo, sem querer chorar ali. — Eu penso em querer vê-lo saudável, feliz e amado como penso da mesma forma sobre Renesmee. Não acho que sangue, DNA ou qualquer outra característica biológica importe aqui. A mãe de Edward tem uma incrível capacidade de me amar como se fosse a própria filha dela, desde o primeiro dia que nos vimos ela me trata assim, foi instantâneo. Eu tenho uma melhor amiga que foi adotada, que não recebeu amor nem dos pais adotivos, muito menos da mãe biológica, mas eu a amo, por mais que não diga isso a ela de forma tão frequente, sei que Alice tem conhecimento de quanto ela é importante para mim, pois mesmo com as diferenças, ela é uma das pessoas mais especiais da minha vida. O melhor amigo do meu marido, foi tão acolhido na família Cullen quanto eu fui e é como um filho para meus sogros. Nós todos somos uma grande família, Agatha, Matthew estará em um bom lar. Nós temos nossos problemas, nossas dificuldades e nossas faltas como qualquer outra família, mas nós nos amamos e nos apoiamos, eu acho que isso é o maior conceito de que é uma família que posso falar aqui.

As lágrimas não puderam ser contidas, então as senti deslizar por meu rosto. Agatha me entregou um lencinho, deixando com que eu as limpasse.

— Você pode esperar lá fora e pedir que Edward entre? — ela perguntou, falando gentilmente comigo.

— Posso, claro. — Sorri para ela, deixando a sala. Edward estava visivelmente entediado no lugar de antes, jogando seu celular de uma mão para outra. — Sua vez, bonitão — chamei sua atenção.

— Ei, como foi? Você estava chorando? — Ele se colocou de pé.

— Ela é pior do que uma torturadora psicológica — brinquei, fazendo Edward rir. — Mas gostei dela, vá e faça sua mágica. Eu estarei na cafeteria do outro lado da rua esperando sua vez terminar.

— Certo, amo você. — Ele me beijou antes de seguir para a sala de Agatha.

Não me importei em medir o tempo que Edward ficou em sua entrevista, apenas me sentei na cafeteria, pedi um chocolate quente e cookies e fiquei lá matando hora, distraindo-me com o entra e sai dos outros clientes. Então, quando Edward apareceu, eu me sentia muito relaxada.

— Torturadora psicológica, não? — brinquei, vendo os olhos dele vermelhos.

— Você não faz ideia. — Edward apoiou os braços na mesa. — Temos alguns minutos antes de irmos para a entrevista coletiva, ela disse que é para enviar uns relatórios de outro casal, mas tenho certeza de que ela está me dando um tempo para parar de chorar — resmungou.

— O que te fez chorar?

— Porra, tudo! — Ele riu, esfregando o rosto. — Ela me perguntou sobre meus pais, então quando comecei a falar de mamãe eu desabei na hora, acho que passei dez minutos só para conseguir parar de falar sobre o câncer. Então, ela me fez falar sobre Renesmee e foda-se, eu acho que a amo mais agora do que nunca. — Sorri, esticando minha mão sobre a mesa para afagar seu rosto. — E quando tive de falar sobre Matthew eu mencionei o caso daquele garoto que morreu afogado, aquele que me contou, lembra? Isso me fez chorar de novo, pois é uma história sem um final feliz, é traumatizante, eu disse que nunca tinha enxergado o mundo como enxergo hoje desde que Matthew entrou em nossas vidas, que ele me mudou para melhor tanto quanto você e Ness já vem mudando nos últimos anos. — Ele suspirou, roubando um dos meus cookies. — Eu me sinto detonado fisicamente e mentalmente depois disso. — Comeu.

— Eu sei, mas acho que fomos bem no geral. — Continuei afagando seu rosto. — Espero estar certa.

— Espero que ela seja menos torturadora com Ness.

— Edward, é capaz de Renesmee se sair melhor do que a gente — falei quase cem por cento certa daquilo. — Vamos, ou ainda precisa chorar mais um pouquinho? — brinquei, ele fingiu uma risada.

Logo estávamos juntos no sofá do consultório de Agatha, que parecia muito menos uma diretora de escola furiosa.

— Bom, eu gostaria de começar falando com vocês sobre a motivação que os levaram a adotar Matthew. Ambos me disseram coisas muito semelhantes do gênero ligação afetiva, o que é muito bom, vocês dois já terem um carinho pelo garoto irá facilitar muito a convivência. Agora, os dois são novos, sem problemas de saúde que impossibilitariam uma segunda gestação e até mesmo disseram a assistente social que ainda pensam em ter outro bebê em algum tempo. Isso quer dizer que são um casal muito atípico dentre aqueles que buscam adotar um filho, vocês não iriam entrar em um processo de adoção se nunca tivessem conhecido Matthew, certo?

Edward e eu assentimos positivamente.

— Mas, o conheceram e se sentiram responsáveis sobre ele, se sentiram ligados a ele. Sim, isso pode ser resultado devido ao modo que o conheceram, porém, eu li na ficha de vocês que são grandes doadores a diversas causas sociais, vocês poderiam apenas fazer doações a Matthew, apadrinhá-lo financeiramente, adoção é o que realmente querem?

— Sim — Edward respondeu rapidamente. — É exatamente como você disse, Agatha, nós temos condições físicas de ter outro filho, já doamos para crianças antes e poderíamos fazer apenas isso com Matthew. Mas, minha esposa e eu não o vemos dessa forma, eu definitivamente não o vejo como apenas uma das crianças que ajudamos com caridade. Era o que nós faríamos no começo, quando ele estava com a tia, nós queríamos ajudá-lo de alguma forma e uma assistência financeira seria tudo que nos restaria fazer. Só que Matthew está em um abrigo agora, ele precisa de uma família, que Isabella e eu podemos proporcionar, uma família que nós dois queremos que ele faça parte.

Agatha sorriu de modo positivo.

— Matthew não reagiu bem ao saber que está sendo adotado, quando falei com ele e perguntei sobre vocês, ele tem uma oscilação de como se sentem sobre ambos. Ele me apresentou os livros que deram e leram para ele com muito entusiasmo, mas falou que não gostou quando você o chamou de filho, Edward. Quando contei sobre a adoção, ele tentou sair da sala e tentou me bater para conseguir isso. Ele cresceu com o pai, por mais que Laurent tenha cometido erros com a justiça, Matthew não sabe entender isso ainda, o pai ainda é uma figura presente em sua mente.

Edward suspirou, apertando minha mão.

— Ele vai precisar de acompanhamento psicológico, antes e depois da adoção ser concretizada...

— Então ela vai? Isso não vai quebrar o processo? — indaguei nervosa.

— Nós não desistimos de uma adoção tão rápido assim, Bella — Agatha disse. — Por isso vocês terão mais alguns encontros com Matthew, alguns meses de convivência, até que tenham a guarda definitiva dele.

Respirei aliviada com aquilo.

— Não é um processo fácil, nunca será, principalmente em casos de adoção tardia. Mas, vocês dois estão dispostos a dar uma vida digna, em uma casa bem estruturada, uma família para Matthew, isso é importante. Ele pode ser arredio, pode se negar a fazer parte da família, mas ele irá entender com o tempo que vocês só querem o melhor para ele.

— Vai ser mais difícil para mim, não? — Edward perguntou preocupado.

— Vai — Agatha confirmou. — Matthew não se lembra da mãe, nunca teve uma figura materna em sua vida, Bella e ele podem conseguir uma aproximação muito mais rápido, já fala dela com mais calma. Você é a figura paterna estranha que ele vai querer te afastar, Edward, ele se lembra do pai, ele sente saudades de Laurent e vai ser difícil que entenda que não poderá mais ficar com ele e que você pode ser pai dele também, que isso não é nada errado.

— O que nós devemos fazer quanto a isso? — questionei.

— Um passo de cada vez. Agora, preciso de uma hora com Renesmee, posso conseguir isso na segunda-feira de tarde?

— Sim, nós podemos trazê-la aqui, ou como achar melhor.

— Ela ficará mais confortável em casa — Agatha falou. — O consultório poderia assustá-la e fazer com que não falasse muito.

Oh Agatha, ela faria de qualquer forma!

— Acredito que na terça-feira podemos fazer mais uma visitação ao Matthew, dessa vez eu terei de estar junto. Gostaria também de começar a marcar entrevistas com seus familiares e amigos mais próximos, caso não estejam na cidade posso fazer isso por vídeo chamada, ou celular, é importante que fale com a maioria deles. E, se tudo der certo entre a conversa com Renesmee e a visitação a Matthew na terça-feira, posso conseguir que ele deixe o abrigo no sábado durante o dia para que vocês os apresentem durante um passeio tranquilo, é necessário que os dois comecem uma aproximação o quanto antes também.

— Certo — Edward e eu falamos juntos.

— Vocês podem cancelar o processo de adoção no momento que quiserem — Agatha alertou.

— Não — Edward se pronunciou sério, confiante, seguro de si como sempre era. — Nós não iremos voltar atrás, nós não desistimos de Renesmee, não desistiríamos de Matthew. Não desistimos da família.

Notas finais
No próximo capítulo a família da Bella vai descobrir sobre a adoção, como acham que eles vão reagir? Façam suas apostas! Beijos! Lola Royal. 14.12.16