Nossa Família

23 Capítulo Vinte e Dois — Abril


Notas iniciais
Olá pessoas, desculpa esse 'sumiço', mas fim de ano sempre é muito corrido. Esse vai ser o último capítulo de Nossa Família do ano, então, quero desejar à vocês um Feliz Natal e um Maravilhoso Ano Novo! Boa leitura!

— Capítulo Vinte e Dois —

— Abril —

Edward Cullen

Bella estava ocupada com o hotel, então Nessie e eu ficamos encarregados de buscar Bree no aeroporto no fim da tarde de sexta-feira. Ela chegaria primeiro para o fim de semana e ficaria em nosso apartamento, já que sua irmã não confiava em deixá-la no hotel, onde Phill e Renée ficariam quando chegassem a Chicago na manhã seguinte, eles deveriam vir na sexta também, mas tinham um jantar de aniversário de um amigo naquele dia que não poderiam faltar.

— Você quer comer algo, Princesa? — perguntei a Nessie, depois de conferir no painel que o voo de Bree estava atrasado, o que não era novidade nenhuma.

— McDonalds? — Ness sugeriu animada com a ideia.

— Claro, por que não? Vamos lá. — A guiei pelo aeroporto até as lanchonetes mais próximas, onde se encontrava uma das tantas do McDonalds.

Quando conseguimos ter nossos pedidos em mãos, tanta gordura que faria Isabella surtar, nos encaminhamos para uma mesa na área da praça de alimentação. Mas, assim como a própria Bella, Renesmee não tinha tendência alguma em engordar, então ela podia comer um pouquinho de gordura a mais sem surtar. Enquanto eu tinha de frequentar a academia, bem injusto.

— Está pronta para conversar com a psicóloga na segunda? — perguntei despretensiosamente a Renesmee enquanto comiamos, Bella e eu estávamos ansiosos de como aquilo podia acabar. Ness já tinha dito o quanto queria um irmão, mas nós não sabíamos o que Agatha podia avaliar de seu tempo conversando com Renesmee sobre Matthew e toda a situação que estávamos a inserindo.

— Sim, mamãe disse que eu tenho de ser honesta ao responder o que ela vai me perguntar — Renesmee falou dando de ombros, tomando um longo gole de seu refrigerante em seguida. — Eu estou muito ansiosa para conhecer Matthew, será que ele vai gostar de mim, papai? — perguntou hesitante, o que não era muito comum vindo dela.

— Bom. — Roubei uma batata frita dela. — Ele pode ficar um pouco afastado no começo, mas tenho certeza de que quando te conhecer melhor, vai gostar muito de você — falei.

— Claro. — Ness abriu um grande sorriso. — Todo mundo gosta de mim!

— É como olhar no espelho — murmurei. Era incontestável, eu estava criando a garota com a autoestima mais elevada de Chicago.

Meu celular tocou, então o peguei do bolso da calça para atender, vendo o nome de Rosalie ali.

— Irmãozinho — ela falou quando atendi.

— Você sabe, eu já tenho trinta — a lembrei.

— Grande coisa, você fez xixi na cama até os dez anos de idade, sabemos que sua maturidade é bem reduzida, irmãzinho. — Revirei os olhos para aquilo.

— Foi só uma vez, Rosalie, eu tinha ido dormir depois de beber muita coca-cola...Ei, por que estamos falando disso mesmo? — questionei, roubando mais uma batata de Renesmee, que estava começando a me olhar feio por conta daquilo, mas eu tinha comido toda a minha enquanto estávamos na fila esperando os hamburguês ficarem prontos, precisava de mais.

— Não estamos, eu não liguei para te lembrar desse tempo sórdido do seu passado— ela disse, ficando muito animada. — Queria dizer que acabei de assinar o contrato do apartamento — contou exultante. — Lucy, Anne e eu nos mudamos semana que vem, na sexta, não é um máximo?

— Eu fico feliz por isso, não disse que ia ser uma boa ideia recomeçar em um apartamento novo? — indaguei, pegando uma terceira batata de Renesmee, que resolvendo o problema jogou algumas em minha bandeja.

— Essas são suas batatas fritas, pare de roubar as minhas, pai! — falou, bufando.

Bom, pelo menos ela sabia dividir.

— É você estava certo, coloque isso em um outdoor — Rose disse com sarcasmo, mas ela ainda estava animada demais. — Onde você está, afinal? Está um barulho infernal!

— No aeroporto, Nessie e eu viemos buscar Bree.

— Ah claro, a família de Bella está vindo. Vocês já estão preparados para contar a novidade?

— É, podemos dizer que sim, não sabemos como eles reagirão, mas acho que ficará tudo bem.

— Se alguém reagir mal, apenas me chame, eu resolvo o caso — disse cheia de si, talvez Ness ficasse atrás da tia no quesito autoestima. — Enfim, só liguei para me gabar um pouco mais sobre meu apartamento novo, eu te envio fotos mais tarde e pare de roubar as batatas fritas da sua filha, idiota!

— Você... — Ela já tinha desligado, Ness afastou sua bandeja para mais perto de si quando acabei as batatas que ela tinha me dado, esperta, eu com certeza iria atacar as dela outra vez.

Assim que terminamos de comer seguimos pelo saguão do aeroporto até a frente do portão de desembarque do voo de New York, de onde Bree estava vindo. Não demorou muito mais para o voo dela finalmente chegar, então a mesma aparecer, eu sufoquei ao ver o novo visual dela, enquanto Renesmee ao meu lado se esticava nas pontas dos pés, balançando as mãos no ar para que a tia a visse, enquanto a chamava sem parar.

Bree tinha assumido um estilo completamente diferente do roqueiro que estava no último natal quando foi para Chicago para o feriado de natal. Ela tinha aderido a moda reggae, tinha dreadlocks em seus cabelos escuros, usava uma touca colorida, uma saia longa estampada e uma blusa que deixava metade de sua barriga de fora. Bella ia pirar com mais uma mudança da irmã caçula, eu ia surtar por tabela, ia ser um longo fim de semana.

— Bree! — Renesmee gritou mais alto do que antes quando Bree nos alcançou, Ness não se importou em se jogar nos braços da tia. Por ser muito nova quando Nessie nasceu, Bree nunca permitiu que ela a chamasse de tia na sua frente. — Eu adorei seu cabelo, posso fazer isso no meu, papai?

— Quem sabe no futuro — murmurei. — Ei Bree, bom te ver!

Bree respirou de forma constrangedora perto da gente, seus olhos claros como os do mãe avaliando Renesmee e eu.

— Vocês estavam comendo naquela lanchonete assassina, não é? — ela perguntou em um tom de voz cheio de acusação. — Nessie, quantas vezes eu tenho de dizer, é errado comer pobres animaizinhos indefesos — falou para Ness, que ficou com uma expressão culpada imediatamente.

— Bree, por favor — pedi, sem querer que ela ferrasse com a mente de Renesmee a fazendo se sentir a pior pessoa do mundo por comer carne animal. Eu já tinha feito estrago sobre médicos, não precisávamos de mais bagunça.

— O quê? É a verdade, você já viu como é que a carne que vocês comeram em seus preciosos hamburguês vão parar lá, Edward? Deixa eu te dizer, é um assassinato em massa o que acontece!

— Okay, tudo bem, eu sei — suspirei, nunca tinha tido nem um cachorro, animais realmente não eram algo que eu colocava como prioridade em minha vida. — Podemos ir agora? Está ficando tarde, sua irmã logo estará em casa, vai querer te ver. Aonde estão suas malas? — perguntei vendo que ela segurava apenas uma mochila.

— Tudo que preciso está aqui. — Bree deu uma batida na mochila em suas costas. — Sou um espírito livre, Cullen, não preciso de muito para viver.

Aham, claro. Por que Bella gastava uma nota sustentando Bree em New York, então? Ela podia viver apenas de energia solar, pelo visto.

— Vamos? — Apontei para a saída do aeroporto, querendo colocar logo Bree sobre a responsabilidade de Bella, antes que ela fosse presa como no ano passado e eu tivesse de ir parar na delegacia em uma sexta-feira de noite para socorrê-la.

— Claro — ela concordou, seguindo comigo e Renesmee para fora do aeroporto. — Então, Ness, o que acha de um experimento?

— Que tipo de experimento? — Nessie perguntou, quase batendo em uma coluna do aeroporto, tirei os óculos dela que estavam guardados no meu bolso, passando para ela, só o que me faltava para aquela sexta-feira também era Nessie se machucando de que forma fosse.

— Você irá ficar o fim de semana inteiro se alimentando com minha comida vegana, se resistir até eu voltar para New York, estará pronta para se tornar vegetariana e irá salvar a vida de muitos bichinhos.

Era um pensamento bonito, mas Renesmee não aguentaria por muito tempo, ela era viciada em carne.

— Eu topo, quero salvar os animais! — Ness exclamou empolgada. — Papai, você deveria também.

— Eu estou velho demais para isso, Princesa — falei, localizando a Mercedes no estacionamento do aeroporto.

— Você deveria, Edward, estaria salvando muitos animais — Bree disse, parecendo muito persistente naquilo. — Não quer que sua filha cresça em um mundo melhor? — perguntou enquanto abria a porta da Mercedes para ela e Renesmee.

— Eu quero, mas, infelizmente, não me tornarei um vegano, vegetariano, ou o que seja, a essa altura da vida — falei, ela bufou irritada, parecendo muito com a irritação da própria irmã fazendo aquilo.

— Está muito parecido com Isabella, a chatice dela está passando para você, Cullen. Pobre Renesmee, será atingida em breve — Bree disse antes de entrar no carro junto com Ness.

Eu ri, entrando junto com elas no banco de trás da Mercedes. Mesmo irritante, conhecia Bree desde que ela tinha mais ou menos a idade de Renesmee, não tinha como lutar contra aquilo, ela era da família, era preciso aceitá-la em suas mil formas diferentes.

— Então, como tem ido tudo em New York? — perguntei, enquanto pegava meu celular para responder alguma mensagem que tinha chegado ali.

Bella: Já está com Bree?

Edward: Sim, estamos deixando o aeroporto. Você ainda vai demorar no hotel?

Bella: Não. Como ela parece agora?

Edward: Bem...

Eu estava digitando, quando Bree respondeu minha pergunta.

— Eu quero largar a faculdade.

— O quê? — eu gritei, Nessie sentada no meio do banco se sobressaltou. — Desculpe, Princesa — pedi, afagando a parte de trás de sua cabeça, voltando a encarar Bree na outra ponta do carro. — Você disse que quer largar a faculdade?

— Sim — Bree confirmou, como se estivesse apenas falando sobre a temperatura naquela noite.

— Bree, você não pode! — exclamei.

Bella: Edward???

— Claro que eu posso, sou maior de idade.

Bella: Edward, você está vivo?

— Não, Bree, sério, você não pode largar a faculdade. Acredite, faculdade é importante, irá se arrepender se largar.

— Eu não vou — ela teimou, revirando os olhos. Pegou fones de ouvido em sua bolsa, os colocando e fechando os olhos, ignorando-me completamente.

Bella: Edward, por que não está me respondendo? Ela raspou a cabeça dessa vez? Fez uma tatuagem no nariz?

Suspirei, era hora de deixar a bomba explodir.

Edward: O visual dela é o de menos preocupante agora, Bella. Bree acabou de dizer que quer largar a faculdade.

Bella: EU VOU MATÁ-LA!!!

Bella: Estou indo para casa agora mesmo!

— Bree está encrencada, né? — Renesmee me perguntou aos sussurros.

— Sim — confirmei. — Fique fora do caminho da sua mãe — orientei.

— Pode deixar. — Renesmee assentiu.

Chegamos com certa dianteira ao apartamento, Bella ainda não estava lá pronta para matar a irmã caçula, mas a pobre Bree não teria muito mais tempo de vida. Isabella nunca iria deixá-la largar a universidade, não viva, Bree teria de deixar a faculdade de qualquer jeito quando a irmã a matasse.

— Ei garota, você está diferente! — Nelly exclamou, sem conseguir esconder sua surpresa, quando viu Bree.

— O que achou do meu cabelo? Não está um máximo?! — Bree balançou a cabeça.

— Claro. — Nelly forçou um sorriso, me olhando em desespero quando Bree desviou o olhar dela.

— Bree! — Ouvimos o grito de Isabella vindo da sala.

— Melhor você correr — Renesmee disse sabiamente para Bree. — Correr muito, ela parece tão furiosa como quando eu contei que Papai Noel não existia para o pessoal da escola.

— Você! — Bella gritou, de novo, quando entrou na cozinha, apontando excessivamente para a irmã. — Eu aceito tudo Bree, até mesmo te tirei da droga daquela prisão quando você quis bancar a revolucionária da causa animal. — Sabendo que aquilo iria demorar e podia ficar pesado demais, Nelly conduziu Renesmee para fora da cozinha, mesmo que a garota tivesse resmungado sobre querer ver a briga. — Mas, eu não vou deixá-la largar a faculdade, o que espera fazendo isso? Morar na rua? Isso é o que vai acontecer, pois não vou continuar pagando pelo seu apartamento.

— Eu sou uma artista, Bella — Bree disse tranquilamente, aparentemente nem um pouco abalada com aquilo. — Ficar na faculdade é perda de tempo, eles não podem me ensinar a ser uma artista lá.

Bella respirou fundo, escondendo o rosto entre as mãos.

— Eu quero ser uma DJ, isso é muito mais legal e...

— DJ? — Bella voltou a encarar, eu tentei me aproximar dela, mas seu olhar me alertou que devia continuar afastado dentro do limite de segurança, bem longe de sua fúria. — Quer dizer que todo o investimento que Renée, Phill e eu fizemos até agora na sua educação não serviu para nada? Pois, você quer largar tudo no meio do semestre e ir ser a porra de um DJ?

— Eu sou uma excelente DJ — Bree insistiu. — Toquei no aniversário de uma amiga, no último sábado, todos disseram que fui incrível. — Isabella negou com a cabeça, olhando-me de forma sugestiva, ela estava muito perto de cometer um crime.

— Hum, Bree? — Ela me olhou quando a chamei. — Essa foi a única vez que você tocou como DJ?

— Sim. — Deu de ombros. — Mas, fui muito boa.

— Que tal você pensar melhor sobre isso? — sugeri. — E, com certeza ouvir o que sua irmã e seus pais tem para falar sobre o caso. — Apontei para Bella, que estava de braços cruzados, encarando Bree como se pudesse fazer a irmã explodir só com a força do pensamento.

— Tá, que seja — Bree cedeu. — Mas, sei que no final minha decisão vai continuar sendo a mesma. Enfim, eu vou ficar no quarto vago lá em cima, né? Estou indo tomar um banho. — Bree subiu pela escada da cozinha, ela sempre ficava com a gente quando vinha para Chicago, então já estava acostumada ao local.

— O que acha de visita intima? Vai precisar se quiser continuar me vendo depois que eu for para um presídio por matar minha irmã — Bella falou para mim, suspirando alto.

— Eu iria te visitar, querida, mas acalme-se — pedi, pegando uma garrafa de água na geladeira, passando a ela. — Bree vai mudar de ideia, ela não é burra ao ponto de largar a faculdade. E, caso largue, nós daremos um jeito de recolocá-la lá quando ela perceber a estupidez que fez. Quer dizer, se até eu me formei, ela tem que se formar também.

— Eu me matei estudando para ter bolsas, pedindo financiamentos estudantis para conseguir ir para Harvard. Bree não precisou nem mesmo de uma mísera bolsa, tem tudo tão facilmente em suas mãos e está jogando uma oportunidade assim fora. — Bella massageou a testa. — Cansei. — Bebeu um pouco da água. — Renée e Phill que lidem com Bree, não sou a mãe dela, não vou assumir essa bronca para mim também — disse, claramente lutando contra aquelas palavras. — Vou focar apenas nos meus filhos, se um dia Renesmee, Matthew, ou até mesmo o futuro bebê falarem que querem largar a faculdade, eu irei brigar com eles, Renée que brigue com Bree, a filha é dela, não minha.

Eu sorri para Bella, me aproximando dela, afagando seu rosto. Sua expressão até então rígida, suavizando com meu toque.

— O quê? — perguntou confusa.

— Você não percebeu? — perguntei, ainda afagando seu rosto, depositando um beijo no topo da sua cabeça. — Acabou de incluir Matthew na relação de filhos que serão ameaçados caso larguem a faculdade, isso é tão natural para você, é incrível. — Beijei a ponta do seu nariz, fazendo-a rir baixinho.

— Ele que não brinque com a ideia de largar a faculdade — ela disse, ainda sorrindo. — Irá sofrer as consequências tanto quanto os outros dois. Espero que Renée saiba ameaçar Bree, ou será uma oportunidade perdida de ser cruel.

Eu ri, a abraçando.

— Falando em Matthew, Renesmee se manteve quieta quanto a isso?

— Até agora sim, ela sabe que só vamos contar quando Renée e Phill estiverem aqui amanhã. — Afaguei suas costas. — Na verdade, ela está mais focada em se tornar vegetariana pelo fim de semana.

Bella gargalhou.

— Okay, como se fosse acontecer, ela é a maior carnívora dessa casa.

— Eu sei, não? Ela não resistirá por muito tempo.

— Não quero que Bree largue a faculdade, Edward — Bella murmurou, escondendo seu rosto em meu peito. — Eu apoio que ela se forme no programa de música da universidade, mas ter um diploma é importante, dará estabilidade a ela.

— Ela vai ficar bem — prometi. — O que acha de um banho quente para relaxar?

— Você estará lá? — Ela me olhou, dando um sorriso malicioso.

— De que outra forma a água ficaria quente, querida?

***

Mais tarde naquela noite, nós pedimos pizza para jantar. Mantendo seu experimento, Renesmee dividiu uma vegetariana com Bree, o que não parecia estar sendo nada agradável para minha garotinha falante.

— Isso é ruim, não? — perguntei a ela, enquanto Bella discursava sobre as maravilhas de uma faculdade para a irmã, Bree não parecia interessada, mas Isabella não desistia fácil de nada, só de aprender a tocar piano.

— Não, é muito bom, pai — Ness mentiu, mordendo mais um pedaço da fatia de sua pizza.

— Não vai se arrepender de virar vegetariana, Nessie — Bree disse, cortando Bella e todo o papo sobre faculdade. — Vai ver só, o sentimento é maravilhoso. Você não ama os animais?

— Amo — Nessie sussurrou, suspirando para a fatia em sua mão.

— Se os ama não deve comê-los.

— Mamãe, eu posso ter um cachorro? Eu amo cachorros — Nessie falou para Bella.

— Não, não pode. Ele bagunçaria todo o apartamento, iria me irritar, eu iria irritar seu pai e isso não ia acabar bem para ninguém — Bella resmungou.

Enquanto eu não ligava para animais, Bella realmente tinha seus problemas com cachorros, especificamente. Pelo pouco que sabia da história, aparentemente um tinha a mordido quando criança, desde então ela nutria uma relação entre o pavor e raiva por eles.

Com o clima tenso entre Bella e Bree, não demorou muito para que a mais nova fosse para o quarto vago. Que eu esperava que deixasse de ser vago tão rápido possível, já que isso significava que Matthew estava vindo para casa, não sabia o que faríamos quando tivéssemos o bebê, mas eu suspeitava de que seria a hora de procurar por um apartamento maior, ou até mesmo por uma casa.

— DJ, que tipo de carreira é essa? Até eu posso ser uma DJ — Bella estava resmungando pelo nosso quarto.

— Querida, apenas...

— Não, não vou me acalmar. O DJ para Bree é como o Royce para Rosalie — ela disse de forma enfática. — Da mesma forma que você não queria sua irmã com aquele cara, eu não quero a minha envolvida nesse lance de ser uma DJ, sei que isso não vai acabar bem. Não quero nem pensar em quantas drogas devem correr nessas festas, Bree é ingênua e sempre se deixa levar pelos outros.

— Okay, entendi seu ponto.

— Se Renée e Phill não resolverem isso...

— Bella — a interrompi. — Você mesma disse que Bree não é sua filha, pare de a tratar como tal. Tudo bem, ela pode ser ingênua, mas já é maior de idade, como ela bem afirmou quando falou sobre largar a faculdade. Pare de tentar controlar e manter tudo em ordem, incluindo sobre sua irmã. Se ela parar de estudar e ingressar no mundo artístico sendo uma DJ, apenas deixe-a fazer isso, mas corte tudo que dá a ela. Deixe de pagar cada conta de Bree, faça-a a ver que se ela parou os estudos e teoricamente arranjou um emprego, ela terá de agir como uma adulta e se sustentar para isso.

— Okay, você está certo. — Ela assentiu. — Se essa história não der certo, ela voltará à faculdade e tudo volta ao normal, acho. No mais, vou deixar Renée cuidar dela. Aonde você vai? — perguntou quando sai da cama.

— Na cozinha, com Renesmee dividindo aquela pizza de folhas com Bree, sobrou mais da nossa pizza carnívora. — Bella riu, aconchegando-se na cama, pegando seu livro sobre a mesinha do lado.

— Certo, vá comer. Eu vou ler um pouco, quem sabe assim paro de pensar em quão irritante Bree está sendo.

— Sabe, isso é algo dos genes de vocês — provoquei, Bella jogou o livro na minha direção, mas a mira dela era péssima. — Desista, querida, nunca irá me atingir com nada.

— A mamadeira passou muito perto. — Joguei o livro de volta para a cama com ela.

— Passou sim. — debochei. — Apenas não ensine nenhum esporte de arremesso para Matt, não precisamos que ele seja tão ruim quanto você.

Ela apenas sorriu, colocando o livro na página que queria.

— Você vai ensiná-lo a jogar golfe, não?

— Pode apostar que vou! — exclamei, já deixando o quarto e indo atrás do resto da minha preciosa pizza.

Estava descendo pela escada da cozinha, quando vi a geladeira aberta e uma figura ruiva remexendo ali. Contive a vontade de rir ao ver Renesmee comendo pizza escondida, como previsto, ela não durou sequer um dia sendo vegetariana.

Terminei de descer a escada em silêncio, apoiei-me no balcão, ainda vendo Ness de costas para mim comendo com afinco sua pizza com culpa.

— Ei, você deixou um pedaço para mim?

— Ai, papai! — ela gritou, se virando na minha direção rapidamente, segurando com cuidado sua fatia de pizza nada vegetariana em mãos.

— Algo para me dizer? — perguntei, arqueando uma sobrancelha. — Talvez sobre o fato de que você deveria estar dormindo, mas está comendo escondida?

— Ser vegetariana não é fácil — murmurou, pegando outra fatia na geladeira, estendendo para mim.

— Eu imaginei isso. — Mordi meu pedaço.

— Tia Bree vai ficar chateada comigo — ela falou, mas não parecia tão mais culpada enquanto voltava a comer. — Eu amo os animais, papai, só que também amo carne. — Suspirou.

— Não se preocupe, você é uma boa garota. — Ela me lançou um olhar divertido. — No geral.

— Papai, amanhã é dia primeiro de abril — Nessie disse animada. — Sabe o que isso significa?

— Amanhã é dia primeiro? — Eu sorri, gostando do que estava ouvindo. — Você tem algo em mente?

— Claro que eu tenho. — Ela deixou a pizza de lado.

— Compartilhe — pedi. — Vamos ver se você é capaz de superar o que fiz no ano passado.

— Eu sou — falou confiante. — Primeiro, vamos precisar de talco.

***

Acordei antes de Isabella na manhã seguinte, o que já era comum. Então, entrei no quarto de Renesmee para acordá-la, sendo mais silenciosos que conseguimos, nós preparamos a pegadinha de primeiro de abril para Bella. Ela provavelmente nos mataria aquele ano, mas levando em conta que ela também fazia as pegadinhas dela contra a gente, só não conseguia ser mais encrenqueira que nós dois, estava tudo bem.

Assim que terminamos de preparar a pegadinha, descemos, para sairmos do campo de visão de Bella quando ela caísse em nosso truque. Bree estava na varanda da sala, aparentemente meditando, então a deixamos lá louvando o Sol e fomos para a cozinha, nem mesmo Nelly já tinha acordado.

— O que estão aprontando? — ela indagou quando entrou na cozinha quase uma hora depois, enquanto Renesmee e eu cuidávamos do café da manhã, o que estava sendo um desastre, diga-se de passagem.

— O café — Renesmee respondeu.

— Ou quase isso — completei.

Ouvimos Isabella gritar alto no segundo andar, o que queria dizer que ela já tinha acordado, tomado banho e caído na pegadinha. Então, barulho de portas batendo e pisos altos na madeira da escada da cozinha puderam ser ouvidos.

— Edward, Renesmee!

Não consegui conter uma risada ao ver o estado do cabelo e parte do rosto de Bella, Nessie era um gênio. Aquilo tinha sido muito melhor do que a falsa cabeça no vidro de conserva na geladeira no ano anterior, aparentemente o maior estrago naquele dia sobrou para mim que tive de limpar todo o vidro quando ela o jogou no chão.

Mas, Renesmee estava me superando. A ideia de colocar talco no secador foi incrível, nós com certeza estávamos ferrados, mas tínhamos vencido Bella aquele ano. Ou velha Bella, uma vez que o cabelo dela estava branco em diversas partes.

— Ah, você ri? — Ela me encarou. — Vai ter volta, Edward Cullen!

— O quê? Biscoitos com recheio de pasta de dente como da última vez? — A provoquei, ela me fuzilou com os olhos castanhos mais uma vez, antes de se voltar para Renesmee. — Pode esperar também, mocinha, não esse ano, pois sua avó está vindo e eu estou ocupada, mas ano que vem você e seu pai vão ser destronados desse trono idiota de pegadinhas que ocupam.

— Vamos aguardar, mamãe. — Nessie lançou um sorriso caloroso a ela, Bella não pode deixar de sorrir de volta, o que indicava que eu não era o único suscetível a ceder sobre tudo aquela garotinha.

— Ah, você está hilária! — Bree exclamou ao entrar na cozinha e ver o estado da irmã.

— Eu nem vou falar do seu cabelo — Bella resmungou, tocando no seu. — Nelly, socorra-me — implorou.

— Vamos lá, garota. — Nelly disse, controlando uma risada, seguindo com Bella para o segundo andar.

— Você está de parabéns, fico contente que esteja assumindo a tradição de primeiro de abril, certifique-se de mantê-la — falei para Ness.

— Okay — concordou entusiasmada, comendo um pedaço do bacon que eu estava fritando.

— Renesmee, os animais! — Bree gritou indignada. Renesmee apenas se fingiu de surda, continuando a comer.

Uma hora depois, Bella — já livre de boa parte do talco em seu cabelo, algumas mechas ainda estavam esbranquiçadas — e eu fomos para o aeroporto buscar Renée e Phill. Eu estava quase procurando por um apartamento perto do aeroporto, já que aparentemente não saia mais de lá.

— Meu cabelo, meu precioso cabelo, meu lindo cabelo — Bella sussurrava para si mesma, olhando-se pelo espelho do Volvo.

— Pelo menos está cheiroso.

Ela socou meu braço.

— Idiota!

— Só para constar, a ideia foi da sua filha. E você não entrou com o veto do primeiro de abril esse ano, então, tecnicamente, Ness e eu estávamos com o passe livre para pregar qualquer pegadinha que fosse.

— Fique sabendo, Edward Cullen, que eu não sei o que farei ano que vem. Mas, será grande, você e aquela encrenqueira ruiva e fofa de brilhantes olhos verdes irão se arrepender de ter mexido com a mulher errada — ela ameaçou, o celular dela tocou, a distraindo da ameaça. — Oi Alice, não, eu não posso ir às compras com você hoje, Bree está na cidade, minha mãe e Phill estão chegando e o meu cabelo está destruído. — Ela fez uma pausa. — Você tem tipo um milhão de roupas, vai saber o que usar para se encontrar com Jasper mais tarde. — Outra pausa. — Não, eu não vou discutir se vocês devem ou não transar hoje.

— Transem! — gritei para Alice.

— Edward! — Bella beliscou meu braço.

— Vá fundo, Alice, recupere seu homem!

— Edward, por Deus! — Bella gargalhou. — Oh não, eu não vou mesmo discutir sobre sua vida sexual com Jasper, não estou bêbada para isso, Alice. Ligue-me amanhã para contar como foi, certo? Não, não sobre o sexo, sobre o que resolveram. Alice, tchau!

— Óbvio que eles vão transar, ai tudo vai se resolver — falei.

— Nossa, querido, eu admiro o quão romântico é — Bella disse, enquanto eu rodava o estacionamento do aeroporto à procura de uma vaga.

— Por que não viemos de táxi mesmo? Odeio deixar o Volvo exposto em estacionamentos assim, é perigoso.

— Sério, eu estou vendo que um dia você irá simplesmente querer colocar esse carro em um quarto no nosso apartamento. — Ela bufou. — Tem uma vaga mais a frente na esquerda, vamos logo, Edward.

— Pessoas idosas são tão impacientes. — Baguncei seu cabelo, ganhando mais um tapa em meu braço. — Porra, isso dói!

Quando eu finalmente consegui estacionar o Volvo, nós entramos no aeroporto. Para meu alivio, que odiava esperar, o voo vindo de Phoenix não demorou a chegar, então logo vimos Phill e Renée saindo pelo portão de desembarque.

Renée e Bella não tinham muito em comum, minha sogra era mais alta, cabelos loiros escuros, olhos claros e bem desorganizada. O total oposto da filha mais velha, o que conseguia enlouquecer Isabella muitas vezes.

— Ei mãe! — Bella falou, sendo sufocada pelo abraço de Renée, que praticamente correu até os braços dela.

— Edward — Phill chegou até a gente, rebocando mais malas do que seria necessário apenas para dois dias na cidade.

— Hey Phill. — Nos cumprimentamos.

— Edward, você está cada vez mais lindo! — Renée veio me abraçar.

— Isso é possível? Eu não tinha ideia de que poderia ficar mais bonito ainda — brinquei.

— Edward, por favor, controle-se — Bella pediu, enquanto cumprimentava o padrasto, que comentou sobre o cabelo dela.

— Acredite, você está sim mais bonito. — Renée sorriu para mim quando nos afastamos.

— São seus olhos, claramente a pessoa mais bonita aqui é você, Renée. — Beijei sua bochecha, vendo-a suspirar.

— Ei cara, não, você não pode ter mãe e filha — Phill disse rindo.

— Vamos, gente, temos muito o que conversar hoje além de Edward cantando a mamãe — Bella falou, segurando no braço de Renée, a puxando pelo aeroporto.

— Eu estou com o Volvo, você vai amar — falei para Phill, que não teve a oportunidade de andar nele na última viagem para Chicago.

— Então — Bella começou quando todos estávamos já no carro. — Bree tem uma novidade.

— O que dessa vez? — Renée perguntou do banco de trás, enquanto eu começava a dirigir em direção ao hotel para que pudéssemos acomodar ela e Phill lá.

— Ela quer largar a faculdade e seguir carreira de DJ — Bella contou, bufando. — Eu acho que você e Phill devem cuidar disso, mãe, sinceramente, não posso me estressar mais com Bree, estou no meu limite.

— Isso é tão Bree. — Phill bufou.

— Mãe? — Bella se virou para Renée no banco de trás, eu a olhei pelo retrovisor, vendo que ela não parecia tão surpresa assim com a novidade. — Você sabia, né? — Bella perguntou irritada.

— Mais ou menos, Bree me contou que sábado tocou em uma festa, você tinha de ter a ouvido Bella, ela estava tão feliz. Okay, talvez a carreira de DJ não seja tão fácil, mas se isso a faz feliz eu não vejo tantos problemas assim.

— Ela quer largar a faculdade por um futuro incerto! — Bella explodiu.

— Bella, você tinha seus sonhos, sua irmã tem os dela, isso não é tão errado assim — Renée insistiu.

Bella apenas ignorou a mãe pelo resto do caminho do hotel, quando chegamos lá ela apenas deu instruções para que Phill e Renée pudessem se hospedar sem problemas, avisou o horário que deveríamos nos encontrar no restaurante que jantaríamos e voltamos para nosso apartamento. Ela também não estava querendo falar comigo, então apenas respeitei seu espaço, deixando-a se trancar em meu escritório para resolver algumas coisas do trabalho por ali.

Em algum momento da tarde, Bree saiu para se encontrar com os pais no hotel e Renesmee e eu ficamos tocando piano por tanto tempo que quase perdemos a hora para nos arrumarmos para o jantar, onde finalmente contaríamos a todos que estávamos adotando Matthew. Bree já estava de volta, então ela foi conosco até o restaurante, onde Phill e Renée já estavam.

— Olha só você, está tão alta! — Renée exclamou ao ver Renesmee, a abraçando.

— Oi vovó Renée.

— Ah, que bom que lembra quem sou eu. — Renée brincou. — Pensei que gostasse só da Esme.

Renesmee se encolheu ao ouvir o nome da minha mãe, mas não disse nada. Nós estávamos mantendo o câncer de mama da mamãe um assunto somente entre a família por hora, nem mesmo Jasper sabia sobre aquilo ainda.

— Então, quais as novidades aqui em Chicago? — Renée perguntou depois de nos sentarmos e todos fazermos os pedidos, Bella, sentada ao meu lado continuava irritada com ela por estar apoiando Bree, então apenas resmungou algo que não ouvi.

— Na verdade, nós temos uma grande novidade para contar — falei animado. — Querida? — Bella mordeu o lábio, olhando hesitante para a mãe.

— Edward e eu estamos adotando um garoto. Ele se chama Matthew, tem sete anos de idade, quase oito — ela disse por fim, apertando minha mão com força.

O silêncio tomou conta da mesa, Phill estava surpreso, Bree tinha um sorriso crescente em seu rosto, enquanto Renée parecia chocada.

— Isso é sério? — Bree foi a primeira a falar, bastante animada. — Ah meu Deus, você é a melhor, irmã! — Ela deixou seu lugar do outro lado da mesa, indo abraçar Bella. — Isso é lindo, de verdade, mamãe não é um máximo?

— Por que vocês estão adotando? — Renée perguntou ainda chocada.

— É apenas outra forma de ter um filho, não é mesmo nada demais — Bella falou. — Não estamos salvando o mundo inteiro, nem nada do tipo. Só estamos trazendo para casa um garoto que temos como um filho. — Ela afagou a cabeça de Nessie sentada do seu outro lado.

— Eu só não entendo. — Renée bebeu um pouco do vinho que já tinha ali. — Você pode ter filhos, Isabella, não precisa pegar uma criança qualquer em um abrigo. Realmente acha que isso vai funcionar, que o amará tanto quanto ama Nessie?

— Matthew não é uma criança qualquer! — me pronunciei, encarando Renée com raiva. — E sim, nós não o diferenciaremos de Renesmee em nada, ambos são nossos filhos, independente dele não ter nossos traços biológicos, nós o amamos, nada além disso.

— Isso é muito confuso, devia pensar melhor, Bella. — Renée suspirou.

— A decisão já está tomada — Bella falou firme. — Não estou pedindo sua sugestão, conselho, ou qualquer coisa que diga o que devo ou não fazer. Edward e eu adotaremos Matthew, independente do que acha disso, Renée. Eu só espero que finalmente aja como uma mãe responsável e me apoie nas minhas escolhas tanto quanto está apoiando Bree em largar a faculdade e ir ser DJ. — Bella se levantou. — Desculpe, eu preciso de um pouco de ar fresco. — Saiu do restaurante rapidamente.

— Mamãe, isso não foi nada certo — Bree murmurou. — Não há nada demais em adotar, é algo lindo. Bella e Edward estão certos sobre isso.

— Eu vou falar com ela. — Me levantei.

— Não, não, eu vou. — Renée se colocou de pé. — Isso é entre nós duas.

Quando ela passou por mim, segurei em seu braço, fazendo com que ela parasse e me ouvisse.

— Não machuque Isabella, Renée, ela é sua filha.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 24.12.16