Nossa Família

24 Capítulo Vinte e Três — Carta


Notas iniciais
Primeiro capítulo do ano ♥ Como vão vocês? Tiveram um bom fim de ano? Espero que gostem do capítulo! :D

— Capítulo Vinte e Três —

— Carta —

Isabella Cullen

A primeira vez que pisei em Chicago, foi em pleno inverno e o frio quase me matou. Okay, um pouco de exagero, mas estava realmente muito frio na cidade do vento aquele dia e mesmo acostumada as baixas temperaturas de Boston e Forks, nunca pensei que fosse me acostumar ao frio de Chicago.

Eu tinha sido criada em Phoenix, um local quente. Era algo que compartilhava com minha mãe, o gosto pelo calor. Isso mudou com o tempo, Chicago se tornou meu lar e eu não conseguia mais achar Phoenix tão legal assim.

Naquele sábado de noite, do lado de fora do restaurante italiano que era o preferido de Renée na cidade, eu observava o vai e vem de moradores e turistas. Com a certeza de que aquela cidade era o local certo para eu estar, mas não tão certa assim sobre ter trazido Renée até ali.

— Bella? — Olhei para meu lado esquerdo, vendo Renée deixar o restaurante, encolhendo-se com o frio que lhe atingiu ao sair na rua sem casaco. Era a diferença entre nós duas, eu já estava familiarizada com o frio de Chicago, tanto que em abril para mim nem era mais tão frio assim, mas para ela era, muito. Nós não éramos mais parecidas em nada, isso me matava.

— Volte para dentro, Renée, você vai congelar aqui fora — falei, cruzando os braços na frente do corpo, totalmente na defensiva com ela.

— Escute, Bella — pediu em um tom de voz sério, que era bem difícil de se ouvir vindo dela. — Eu só não entendo isso, tá? De onde você tirou essa ideia de adotar? — Suspirou. — Eu nunca te vi falando sobre adoção antes, eu nem mesmo te via falando sobre ter filhos até você engravidar. Na verdade, até algumas semanas atrás você estava dizendo que ia engravidar de novo, por que mudar isso?

— Não estou mudando isso, Edward e eu não estamos cancelando a ideia de engravidar novamente, apenas a adiando até a adoção de Matthew estar estabilizada — esclareci. — E, sim, eu nunca pensava em filhos até Renesmee, você está completamente certa sobre isso, mas penso em filhos agora, entendeu? É minha prioridade, sempre vai ser. — Apontei para o interior do restaurante. — Aquela menina lá dentro é minha vida, você não faz ideia do que eu faria para mantê-la segura e de quanto a amo, Renée. É dessa mesma forma que me sinto sobre Matthew, tente entender isso, é como ser uma mãe é.

O rosto dela se iluminou com um brilho de raiva.

— Eu sei como é ser uma mãe, Isabella!

— Sabe mesmo? — Senti as lágrimas em meus olhos. — Você está apoiando essa maluquice de Bree sobre largar a faculdade. Okay, ela pode ser mesmo uma boa DJ, pode ser muito feliz fazendo isso, mas ela não pode largar tudo assim, é arriscado.

— Desculpe se quero que minha filha siga os sonhos dela, senão quero que ela acabe infeliz.

Eu bufei.

— Nossa, minhas sinceras desculpas se fui um peso em sua vida quando engravidou de mim!

— Bella, não, você não foi um peso, mas eu engravidei muito nova, abri mão de muitas coisas que ainda queria fazer para me tornar uma mãe. Bree só tem dezenove anos, ela poderia parar a faculdade por um tempo para experimentar coisas novas, se der errado é só recomeçar.

— E ainda assim não consegue me apoiar sobre querer adotar? Qual a sua lógica?

— Não é a mesma coisa. Já ouvi histórias sobre adoção que não deram nada certo, tá Bella? — Revirei os olhos para sua fala. — E se esse garoto se tornar perigoso? Você sequer sabe algo sobre a família dele?

— Edward, Renesmee e eu somos a família dele.

— A biológica, que seja. — Renée deu de ombros. — E se ele tiver problemas psicológicos? Se ele for agressivo? Eu lido com crianças no trabalho, Bella, eles podem ser bem más quando querem, você estará expondo sua filha a um desconhecido.

— Ele só tem sete anos, Renée, não é um criminoso fichado.

— E você nunca viu esse garoto nos primeiros anos, não vai ter o mesmo vínculo com ele como tem com Renesmee, como tem com o bebê que me diz que ainda vai querer ter. Ele não será seu filho de verdade, você poderá até amá-lo, mas realmente acredita que será da mesma forma que ama a filha que gerou dentro de si?

O preconceito dela sobre adoção, principalmente a tardia estava me sufocando, eu já sabia que íamos passar por isso, mas dentro da própria família era complicado demais. Carlisle tinha agido com um pé atrás no começo, mas sabe-se lá o que Edward disse a ele fez efeito sobre sua mente, mas Renée era uma pessoa difícil de se lidar.

— Eu queria que você me apoiasse. — As lágrimas acumulando-se ainda mais em meus olhos. — Queria que uma vez na vida você fosse a pessoa madura da nossa relação. Mas, aparentemente isso não vai acontecer, não é? Você ainda tem a mente da garota de vinte anos que engravidou. Eu te amo, mãe, mas não vou mudar de ideia por conta dos seus preconceitos estúpidos.

— Bella, por favor — Renée pediu. — Apenas pense melhor sobre o assunto.

— Não há nada mais o que pensar sobre isso, é uma escolha tomada, ninguém voltará atrás. Bom, na verdade, eu espero que você repense sua opinião sobre isso. Desculpe, mas não posso continuar no jantar.

— Bella, não posso acreditar que vai embora só por isso!

— É sobre uma criança que estamos falando, Renée. Você está sendo preconceituosa com uma criança inocente, não me julgue por não querer jantar ao seu lado por isso.

Eu me afastei dela rapidamente, entrando no primeiro táxi que passou por mim. Dei o endereço ao motorista, já digitando uma mensagem para Edward em meu celular.

Bella: Amor, eu precisei sair, estava enlouquecendo a cada palavra nova de Renée. Desculpe por fugir do restaurante assim, você vai me odiar por isso, mas realmente preciso de algumas horas para colocar a cabeça no lugar de novo. Ligue-me se precisar de algo.

Uma mensagem de resposta dele não demorou a chegar.

Edward: Para onde você vai? Tem certeza de que está bem? Eu posso deixar Nessie em casa com Nelly e ir até você. O jantar acabou antes mesmo de começar, Phill, Renée e Bree foram para o hotel, estou indo para casa com Renesmee.

Bella: Eu não estou cem por cento, mas ficarei. Fique em casa com Nessie, ela deve estar toda confusa com o que ouviu e viu. Estarei com vocês em breve, te amo!

Guardei o celular, focando na cidade passando por mim pela janela do táxi. Logo o motorista estacionava na frente da grande casa, ou melhor mansão. Paguei a corrida, agradecendo por ter pegado meu casaco, onde meu cartão estava, no armário do restaurante antes de sair.

Toquei a campainha da mansão, sendo recepcionada por uma das empregadas. Eu pedi para ver a dona da casa, então sentei na sala de estar, olhando desanimada para a televisão desligada a minha frente.

— Filha?

Eu tirei meus olhos da TV, vendo Esme descer as escadas.

— Ei, desculpe vir sem avisar. — Levantei do sofá, indo até ela, me infiltrando em seus braços rapidamente, querendo um pouco de conforto que ela era mestre em proporcionar.

— Essa casa é sua também, não aja como uma visita. O que aconteceu? — perguntou, apertando-me contra si.

— Nós contamos para minha mãe sobre Matthew, ela agiu mal sobre a adoção — expliquei.

— Você já comeu algo? — ela perguntou afastando-me, me deixando confusa, neguei com um aceno de cabeça. — Bom, venha, eu estava comendo fondue de chocolate lá em cima.

— Isso é maravilhoso! — exclamei, deixando com que ela me levasse para o segundo andar, então seguimos para uma das salas de lá de cima. — Onde estão os outros? — perguntei, enquanto nos sentávamos ao redor da mesa comportando a comida.

— Carlisle está preso no trabalho e as meninas saíram para o cinema. Foi difícil de convencê-los que posso ficar só por uma noite sem surtar, mas a realidade é que estou feliz que esteja aqui agora. — Piscou para mim, me estendendo morangos.

— Eu também, Renée estava me deixando maluca. Sei que nada sobre a adoção será tão fácil, ainda estamos no começo e já é bem cansativo, mas esperava que minha mãe pudesse me ajudar nisso, como você tem feito tão bem com Edward.

— O que ela disse?

— Disse que eu não irei amar Matt como amo Nessie, que ele pode se tornar perigoso simplesmente por ser adotado. Foi um show de preconceito — contei. — Eu queria que fosse mais fácil, queria já ter Matt em casa, queria que ele saísse daquele abrigo de uma vez por todas, queria que minha mãe entendesse que Edward e eu o amamos.

— Isso é um campo diferente para Renée, Bella — Esme disse gentilmente. — Ela não conhece muito sobre adoção, não poderá lidar com isso tão simplesmente. Por isso se chama preconceito, não? É algo fora do cotidiano da pessoa, que ela julga sem saber a realidade.

— Você também não tem nenhuma proximidade com adoção e não está sendo preconceituosa sobre isso — lembrei, ela sorriu amavelmente.

— Sua mãe só precisa enxergar como você, Edward e até mesmo Nessie tem os olhos brilhando aos falar sobre Matthew. Edward e você tem Matt como filho, Nessie como irmão, eu posso ver isso claramente nos olhos de todos os três. Talvez seja melhor dar um tempo, até esse momento de crise entre você e Renée se tornar mais calmo, ela perceberá que cometeu um erro fazendo julgamentos baseados em crenças populares erradas sobre adoção, então virá até você novamente.

— Eu tenho medo que isso possa interferir de alguma forma no processo de adoção — murmurei cansada. — Ainda há meu pai, conversaremos com ele sobre Matt amanhã, eu juro que não sei o que fazer se até ele agir como Renée agiu.

— Pense positivo, vai ficar tudo bem, filha — ela falou, mergulhando uma uva no chocolate.

— E você? — falei, atraindo o olhar verde de Esme para mim. — Como você está? Vim aqui despejar meus problemas e sequer perguntei como está indo, desculpe estar sendo tão insensível.

Ela riu suavemente.

— Estou bem — garantiu. — Apenas nervosa sobre como será o tratamento ideal escolhido pelos médicos, mas não quero que isso me abata. — Ela forçou um sorriso para mim. — Eu tenho uma família, não? Não quero sucumbir a isso, não quero imaginar um mundo onde meu marido, filhos, netos e minha nora me vejam como alguém deprimida e sem animo para viver, isso não sou eu. Sou a pessoa que organiza festas, vai a todos os eventos, está sempre trabalhando e entre a família, é difícil entender que essa doença pode me mudar.

Estiquei minha mão até Esme, envolvendo a sua ali. Seu toque era quente e familiar, estar com ela era cheio de paz, alegria e amor, desde o começo.

— Não vai mudá-la — falei confiante. — Você sempre será a melhor matriarca que todos nós podemos ter.

***

Era tarde quando por fim deixei a casa dos meus sogros, Carlisle, Rose e as meninas já tinham até chegado, depois de Esme e eu nos entupirmos de fondue de chocolate por horas. Quando cheguei ao meu apartamento, ele estava mergulhado em silêncio.

Fiz meu caminho rapidamente até o segundo andar, indo checar Renesmee. A pequena dormia tranquilamente, o que me acalmou, pois queria dizer que mesmo diante a confusão no restaurante, ela estava bem.

— Ei, querida! — Edward estava na porta do quarto dela, olhando-me com cautela.

— Ei. — Caminhei até ele, sendo imediatamente envolvida em seus braços.

Edward me tirou rapidamente do quarto de Ness, me levando para o nosso, ainda me mantendo junto de si.

— Você quer conversar? — ele perguntou.

— Não, não agora — sussurrei.

— Certo, vamos para a cama.

Concordei com aquilo, pois não valeria a pena passar o resto da noite remoendo a discussão com Renée. Fomos direto para a cama, Edward ficou longos minutos afagando minha cabeça tentando me fazer pegar no sono, mas ele acabou dormindo antes.

Ainda tensa demais com tudo, eu acabei deixando o quarto, sabendo que não dormiria por mais cansada que estivesse. Fui até a cozinha preparar um pouco de chocolate quente, senão fosse tão tarde eu provavelmente acordaria Ness e Edward para beberem comigo, mas eles mereciam um pouco de descanso.

— Eu pensei que estava no hotel com mamãe e Phill — falei quando vi Bree descer em seus pijamas pela escada da cozinha.

— Hum, não. Voltei logo para cá — respondeu, se colocando diante mim do outro lado do balcão, enquanto eu colocava chantilly no meu chocolate. Tinha comido tanto açúcar naquela noite que talvez fosse uma boa ideia ir malhar com Edward na manhã seguinte, pelo menos era minha utopia. — Eu sei que você gerencia aquele hotel, mas ele é um pouquinho extravagante, não?

— O que quer dizer com extravagante? — Servi chocolate para ela.

— Você entendeu. — Eu ri, entendendo.

— Bem diferente daquele que ficamos quando viajamos para Miami, não?

— Quando eu tinha uns sete anos? — Assenti, ela sorriu lembrando. — Odiei aquela viagem, nós pegamos insolação.

Nós ficamos em silêncio por um tempo, enquanto bebíamos nosso chocolate quente.

— Eu não devo deixar a universidade, não é? — Bree perguntou baixinho, por um instante me fazendo pensar senão estava alucinando com sua frase.

— Eu não estou te apoiando nessa como a mamãe está, Bree — fui bem clara. — Você pode ser uma grande DJ, igual sei lá, qualquer grande DJ que eu não conheço. Mas, não acho que largar tudo e arriscar cegamente em algo assim seja seguro. — O rosto dela foi tomado por uma expressão triste, seus olhos se voltando para a xícara em suas mãos. — Foi muito, muito difícil para mim quando descobri sobre Renesmee, Bree. Ainda faltava muito para que eu me formasse, Edward e eu não planejamos tê-la, nós realmente tivemos de abrir mão de um monte de coisa aos nossos dezenove, vinte anos para recebê-la. Eu não mudaria nada, nunca, amo Renesmee e mesmo sem qualquer planejamento, ela veio na hora que tinha de vir. Porém, você ainda é nova, precisa se focar nos estudos, pode até ir em quantas festas quiser e curtir com responsabilidade, apenas tenha em mente o que é realmente a prioridade em sua vida.

— Não sei o que fazer, Bella — Bree murmurou, a voz embargada pelo choro. — Às vezes, só me sinto tão perdida. — Colocou a xícara sobre o balcão. — Um pouco pressionada sobre ser tão boa quanto você é.

— Do que está falando? — Coloquei meu chocolate quente de lado também, a olhando atentamente.

— Você foi para Harvard sem grana nenhuma. — Bree enxugou os olhos. — Conseguiu sozinha tudo, bolsas, financiamento, sendo só uma adolescente. É incrivelmente inteligente, tem um emprego muito bom naquele hotel chique, uma casa, uma família que parece ter saído de um comercial. Eu só, sei lá, acho que nunca serei tão boa quanto você. Minhas notas são nada mais que medianas, meu namorado é um babaca, eu fui presa, tentei fumar maconha e até nisso fui péssima, pois a fumaça me sufocou. Parece que tudo que faço é insuficiente.

— Ah Bree. — Contornei o balcão, indo até ela, a abraçando, deixando com que ela chorasse em meu colo. — Não precisa ser como eu, Bree. Você é você e isso é ótimo. Tudo bem, por vezes eu surto sobre como você se veste, fala, ou age, mas é porque somos diferentes e porque você teve o azar de ter uma irmã mais velha maluca por controle.

— Eu não acho que é um azar ser sua irmã — ela resmungou. — Você é a melhor. — Apertou ainda mais nosso abraço. — Quero que continue me dizendo o que fazer, que me repreenda e tudo mais, pois se um dia eu virar um pedacinho da mulher que você é, isso será o suficiente.

Eu nos afastei, limpando as lágrimas em seu rosto.

— De verdade?

— Sim, jogue seu controle sobre mim, você faz isso bem demais — ela pediu.

— Okay. — Respirei fundo. — Primeiro, você não largará a faculdade. Segundo, vai repensar esse namoro com esse namorado babaca. Terceiro, você vai investir em sua carreira de DJ durante o verão. — Ela arregalou os olhos, chocada com a última parte.

— Sim. — Bufei. — Pelo menos você não larga a faculdade e vê se essa história de DJ realmente é o que vai querer para seu futuro, vamos conversar sobre isso melhor até o verão, procure por cursos para isso, se é que existe.

— Você é demais! — Ela voltou a me abraçar, quase me sufocando daquela vez. — Então, vai me contar sobre Matthew? — perguntou quando voltamos a nos afastar. — Quando mamãe e você saíram Edward estava realmente irritado, eu não quis insistir sobre o assunto.

— Você entende, não? — indaguei, vendo a compreensão no olhar da minha irmã mais nova, o que não via no de Renée.

— Eu entendo, mamãe também deveria — ela reclamou. — Alías. — Bree mordeu o lábio inferior como eu fazia. — Ela convenceu o papai a mudar as passagens de amanhã a noite, para amanhã de manhã, ela está no modo que fica quando pensa ser a dona da verdade absoluta.

Suspirei ao ouvir aquela informação.

— Queria que ela me apoiasse, Bree, ela é minha mãe. — As lágrimas voltaram aos meus olhos, mas não permiti chorá-las.

— Espero que ela caia na real, logo. — Bree recuperou sua xícara de chocolate e me devolveu a minha. — Mas, tire-a de sua mente por agora, okay? Quero saber sobre meu novo sobrinho!

***

No dia seguinte, Renesmee, Bree eu batemos perna pela cidade, enquanto Edward foi ajudar a irmã a preparar tudo para a mudança para o apartamento. Eu não liguei para Renée, ela tão pouco ligou para mim, mas Phill avisou a filha que estavam indo de volta para casa pouco antes de pegarem seu voo.

Eu não sabia o que fazer sobre Renée, além de seguir o conselho de Esme e deixar com que ela percebesse que estava sendo preconceituosa e intolerante sobre adoção. Ela era minha mãe, mas Matt estava ocupando um espaço muito grande em minha vida, ele vinha antes dela.

— Hey, finalmente você ligou! — exclamei quando Alice me ligou, estava com Bree e Renesmee em um museu no centro da cidade. Minha irmã, muito mais conhecedora de artes do que eu, estava explicando tudo para Ness, eu tentava não dormir de tédio naquele lugar. — Como foi seu encontro com Jasper?

— Interessante — Alice disse, soando apaixonada.

— Isso quer dizer sexo? — perguntei, parando na frente de uma pintura que não era nada mais do que apenas um círculo preto na tela branca.

— Não. — Alice riu. — Nós não conversamos sobre nossos problemas, mas também não passamos por eles tão rápido. Na verdade, foi como voltar ao tempo de Harvard, nós dois comendo e rindo de qualquer besteira, um tempo muito agradável, sem pressão ou qualquer coisa assim. Claro, foi estranho no começo, só que logo se tornou bom demais.

— O que vão fazer agora? — questionei, ainda tentando entender aquela pintura.

— Não sei, eu não tenho ideia — Alice murmurou. — Ele não me ligou, ou qualquer coisa assim, então acho que seja melhor deixá-lo pensar sobre isso tudo sem ficar o pressionando...Ei, onde você está?

— Em um museu muito chato — respondi.

— Eca, vá para meu shopping preferido, te encontro lá em alguns minutos para que almocemos e depois façamos compras.

Abri um grande sorriso, até o shopping parecia melhor do que aquele museu e aquelas obras de arte sem sentido para mim.

— Alice, nunca pensei que diria isso, mas estou feliz que esteja me chamando para o shopping.

***

Naquela noite — depois de boa parte do dia fora de casa entre passear com as garotas e deixar Bree no aeroporto para que ela pudesse voltar para New York e não perder suas aulas no dia seguinte — Edward e eu estávamos nos preparando para mais uma rodada de anúncios familiares. Era a vez de Charlie, minha ansiedade sobre o assunto estava terminando de me enlouquecer.

Eu tinha pedido a Jacob, na sexta-feira, que levasse um notebook até a casa de Charlie para que pudéssemos falar com ele por vídeo conferencia, o que não estava animando Edward em nada. Porém, depois de todo o clima tenso com Renée, ele estava controlando-se para não ter ataques de ciúmes.

— Bom, pelo menos dessa vez Charlie não vai ter armas por perto para me ameaçar — Edward falou, enquanto esperávamos Jacob do outro lado do país iniciar a chamada para papai. Estávamos no escritório dele, eu mexia em seu computador, vendo fotos antigas de quando ainda estávamos na faculdade que ele mantinha ali.

— Meus peitos eram tão pequenos — comentei distraidamente, vendo como eu era totalmente reta antes da gravidez. — Como você pode transar comigo se eu tinha esses peitos minúsculos? Nem eu transaria com uma garota com peitos tão pequenos. — Olhei para trás, já que estava sentada na coxa de Edward, para confrontá-lo sobre aquilo. Meu dedo indicador, graças à ansiedade em meu corpo, movendo-se sozinho sobre o teclado do computador foi algo que passou despercebido por mim.

— Seus peitos são perfeitos, querida. — Edward deu um sorriso malicioso, olhando para o decote da minha blusa.

— Hey, Cullen! — Paralisei ao ouvir a voz de papai, Edward embaixo de mim segurou em minha cintura rapidamente, tirando-me de cima dele, praticamente me jogando para longe.

— Ei, Chefe Swan! — Meu marido exclamou, forçando um sorriso para meu pai, que o encarava com raiva. — Olá Black — falou para meu amigo ali, que também não parecia muito contente.

— Ei, oi gente. — Forcei um sorriso para eles também, sentando no braço da cadeira de Edward. — Obrigada por ter cuidado de toda a parafernalha tecnológica para Charlie, Jake — agradeci, Edward resmungou baixinho ao ouvir o apelido, eu belisquei seu braço, mantendo-o quieto.

— Tudo que quiser, Bella — Jacob sorriu para mim. — Você é bonita até mesmo na tela de um computador, sabia?

Eu contive uma risada. Jacob e eu éramos amigos, já que ele sempre estava presente quando ia visitar Charlie, foi inevitável não termos romances de verões e consequentemente eu acabar perdendo minha virgindade com ele. Não sentia mais nada por Jacob, há muito tempo e sabia que ele também não se sentia mais sobre mim como antes, mas ele realmente gostava de provocar Edward desde o começo.

— O que tem de tão importante para falar que não pode dizer pelo telefone, Isabella? — Charlie indagou, ainda bravo. — Há coisas que realmente não gosto de ver e ouvir. — Edward pigarreou, suas bochechas corando levemente, o que foi adorável, senti vontade de beijá-lo e mordê-lo ali mesmo, mas podia esperar até irmos para nosso quarto.

— Uma grande novidade — Edward disse quando fiquei quieta mais do que o normal, ainda pensando em tê-lo pelo resto da noite. — Bella?

— Faça as honras dessa vez. — Deixei a responsabilidade em suas mãos.

— Okay, certo. — Edward sorriu verdadeiramente, nem mesmo Jacob sendo capaz de intimidá-lo. — Bella e eu teremos outro filho.

Jacob se engasgou com a cerveja que bebia, enquanto meu pai não pode deixar de sorrir, seus olhos voltando-se para mim pela câmera.

— Você está grávida de quantos meses, Bells?

— Quase oito anos — Edward brincou sobre a idade de Matthew, fazendo-me rir, papai ficou confuso e Jacob ainda tossia.

— Não estou grávida — falei. — Edward e eu estamos adotando um garotinho de sete anos, ele se chama Matthew — contei animada, desejando mais do que tudo que meu pai reagisse bem a novidade, eu precisava de pelo menos um dos meus pais me apoiando.

— Uou, adotando? — Jacob perguntou quando parou de tossir, papai parecia estar processando a informação. — Algum problema com seus nadadores, Cullen? — provocou Edward.

— Seu fil...

— Jacob! — chamei a atenção dele, impedindo Edward de cruzar a tela do computador para matar o Black. — Isso não é sobre fertilidade, é apenas outra forma de ter um filho — declarei. — Pai? — chamei por Charlie.

— Matthew, você disse? — Charlie perguntou, sério, o que me preocupou.

— Sim — confirmei.

— Vocês não disseram nada sobre a adoção quando vieram aqui em março.

— Nós ficamos sabendo que poderíamos entrar com o pedido de adoção de Matt só no dia seguinte a nossa volta de Forks — Edward esclareceu.

— Entendendo. — Papai assentiu, ainda perdido em seus pensamentos. — Sua mãe já sabe, Bells?

Eu senti a tensão em meu corpo, Edward afagou minhas costas gentilmente.

— Ela sabe, não reagiu bem a noticia — sussurrei, olhando para tudo menos para a tela no computador.

— Jacob, tem comida de Sue na geladeira, vá para a cozinha comer! — papai ordenou.

— Mas, eu...

— Vá comer, Jacob! — insistiu, Jacob resmungou, mas deixou a frente do computador em Forks. — Edward, vá comer algo também.

Edward não ousou discutir, rapidamente deixando seu escritório.

— Por que está mandando todos embora? — perguntei a Charlie.

— Não deixe sua mãe colocá-la para baixo, certo Bells? — falou comigo de forma tão doce que me pegou de surpresa, nunca tinha visto Charlie tão amável desde o nascimento de Nessie, nem mesmo no meu casamento.

— E-Eu...

— Você é excelente em tudo que está fazendo — ele disse com sinceridade estampada em seu rosto. — Sempre foi uma menina incrível. Nós dois sabemos muito bem como Renée pode ser volúvel. — Concordei com um aceno de cabeça, nós dois sabíamos mesmo sobre aquilo a respeito de Renée. — Só não deixe se influenciar por isso.

— Isso é você me apoiando, papai? — perguntei, sentindo-me uma criança ao chamá-lo daquele jeito.

— Claro que eu estou te apoiando, Bells! — exclamou. — Tudo bem, isso é mesmo uma grande novidade, mas você e Edward parecem felizes com ela.

— Nós estamos.

— E você esteve assim mesmo quando engravidou de Renesmee. — Ele suspirou. — Nem mesmo vir até Forks pessoalmente contar tirou de você a alegria que estava sentindo pela sua garotinha, isso está de novo em seu rosto. Escuta, sei que não somos próximos, mas sabe que pode sempre contar comigo, garota. Sabe disso, não?

— Sei agora, pai. — Sorri para ele.

— Então, um garoto, em? Conte-me sobre Matthew.

— Você vai amá-lo, eu mal vejo a hora de apresentá-los — comecei a falar entusiasmada, radiante por Charlie estar ao meu lado em uma das fases mais importantes da minha vida. — Quem sabe dá sorte com ele sobre pescaria, já que Nessie e eu somos uma negação.

— Se ele não cair no lago como o pai. — Charlie bufou, fazendo-me rir antes de contar tudo sobre Matthew.

***

Edward estava cheio de trabalho na segunda-feira, então tive de voltar para casa sozinha com Nessie no meio da tarde, para que ela pudesse passar pela entrevista com a psicóloga. Nós evitamos fazer qualquer tipo de treinamento com Renesmee sobre o que ela deveria ou não falar, ou agir, com Agatha, apenas dissemos que ela tinha de ser honesta, o que eu sabia que ela seria sem esforço.

— Eu vou deitar em um divã como nos filmes, mãe? — Ness perguntou aquela tarde antes da psicóloga chegar, fazendo-me sufocar uma risada ao pensar em Edward falando sobre divãs dias antes.

— Não, pequena, vocês provavelmente conversarão na sala — falei.

— Ah, que chato — Nessie resmungou. — Eu posso falar sobre como a vovó Renée agiu no sábado? — perguntou, eu parei de fazer o suco que fazia, olhando para Ness sentada em um dos bancos do balcão.

— Sua mãe disse que tinha de ser honesta sobre tudo, lembra? — Nelly falou por mim, salvando minha pele. Edward falou com Renesmee sobre Renée, disse que ela precisava pensar mais sobre o que disse e que isso poderia demorar, mas eu não tinha tocado no assunto com ela até aquele momento.

— Certo — Nessie concordou. — Ela chegou! — pulou do banco ao ouvir o interfone, tomando toda a liberdade de ir até lá atender e liberar a entrada de Agatha.

— Obrigada — agradeci a Nelly, que afagou meu braço carinhosamente.

— Mantenha-se firme, Bella, é por sua família que está fazendo isso tudo.

— Eu vou — prometi. — Vamos lá!

Nós duas fomos até a sala, eu atendi a porta quando a campainha tocou, revelando Agatha.

— Olá, seja bem-vinda. — A deixei entrar, a ajudando com o casaco.

— Olá Bella, é bom vê-la. Obrigada por ter acertado tudo para esta conversa, provavelmente teve de tirar Renesmee mais cedo da escola.

— Não foi algo que ela reclamou — garanti, fazendo Agatha rir baixinho. — Venha, ela está na sala. Infelizmente meu marido não pode estar aqui, ele está muito ocupado no trabalho.

— Claro, sem problemas, o foco hoje é Renesmee — falou deixando-me conduzi-la para a sala.

— Nelly, esta é Agatha. — As apresentei. — Agatha, esta é Nelly, praticamente a segunda mãe de Renesmee. — Sorri para Nelly, que sorriu de volta docemente para mim.

— Não seja exagerada Bella — Nelly pediu, apertando a mão de Agatha.

— Mas é verdade — insisti, o que com certeza era, eu não conseguia imaginar a vida de Nessie sem Nelly.

— Eu sou a Renesmee! — Minha filha se apresentou quando demorei a fazer isso, estendendo sua mão para Agatha como uma pequena adulta.

— Oi Renesmee, é bom conhecê-la. — Agatha devolveu o aperto de mão, sorrindo para Ness. — Seus pais te contaram por que estou aqui, certo?

— Sim, para falarmos sobre Matthew — Ness disse sabiamente.

— Excelente, o que acha de nós duas conversarmos um pouco? Eu gostaria de ter uma conversa particular com você, mas se quiser sua mãe, ou Nelly, podem estar por perto no começo.

Nessie olhou brevemente para nós duas antes de se voltar para Agatha.

— Podemos conversar sozinhas.

Meu pequeno gênio, ela sabia se virar tão bem.

— Quer algo para comer ou beber? — perguntei a Agatha.

— Obrigada, estou bem — agradeceu. — Então, Renesmee, onde podemos conversar? Escolha um lugar que fique confortável.

— No meu quarto.

Renesmee agarrou a mão de Agatha, praticamente a puxando até o segundo andar.

— Oh, Deus! — Nelly gargalhou. — Venha, vou lhe dar um chá para que fique calma.

— Eu aprecio isso. — A deixei me levar para a cozinha.

Elas passaram mais de uma hora conversando, eu tentei me distrair ajudando Nelly a preparar o jantar, mas minha mente estava presa no quarto do segundo andar onde as duas conversavam por longos minutos. Até que por fim, elas desceram pela cozinha da escada.

— Mamãe, eu quero ser psicóloga! — Foi a primeira coisa que Nessie disse, jogando-se em meus braços.

— Você quer? — perguntei surpresa.

— Sim, eu adorei o que Agatha faz!

— É um prazer saber que gostou da profissão, Ness, qualquer coisa basta perguntar. — Agatha afagou os cabelos ruivos da minha filha. — Eu preciso ir agora, ainda tenho trabalho a fazer. Foi bom conhecê-la também, Nelly, logo mais conversaremos.

— Estarei esperando por isso. — Nelly estendeu um pacote com biscoitos para Agatha. — Será uma ofensa se recusá-los.

— Eu não recusaria. — Agatha pegou os biscoitos. — Bella, pode me levar até a saída?

— Claro.

— Até mais, Ness — se despediu de Renesmee. — Então, amanhã você e Edward irão ver Matthew, eu estarei junto e Ness de certa forma também estará presente — disse quando chegamos a porta.

— Como assim? — perguntei confusa.

— Eu pedi que ela escrevesse algo para Matthew, espero que não se importe.

— Não, eu posso ler?

— Amanhã. Ela tem um grande coração — foi tudo que disse antes de se despedir de mim e ir embora.

***

Levando em conta nossa última visita a Matthew, Edward era o mais nervoso por aquela na tarde de terça-feira. Eu estava tentando lidar com a ansiedade em ver finalmente Matt, já era difícil demais não ter ele por perto todo dia.

Quando Agatha chegou ao abrigo, pontualmente, mas atrasada segundo o adiantamento que Edward e eu tínhamos feito, pudemos ir até Matthew. Eu tive de conter vontade de correr e abraçá-lo no instante que o vi.

Ele parecia mais fechado do que na nossa última visita, nos olhando com grande cautela com seus grandes olhos castanhos.

— Oi Matthew — falei com ele depois de Agatha, que ficaria mais como intermediadora aquele dia.

— Oi — sussurrou, desviando os olhos para os próprios pés.

— Hey Matthew — Edward disse, já sentado no sofá, depois de Agatha dizer que ele deveria agir o mais confortavelmente possível em torno de Matthew, mas sempre respeitando os limites dele.

— Matthew. — Agatha se agachou na frente dele. — Você lembra o que conversamos semana passada, não? — Ele assentiu, torcendo as mãos uma na outra. — Ótimo, Bella e Edward estão aqui para passar um tempo com você, tudo bem?

Ele me encarou por um momento, antes de assentir novamente.

— Eu tenho algo para você — Agatha falou, levantando, pegando uma folha de papel rosa em sua bolsa. — Lembra que falamos sobre Renesmee, também? A filha de Edward e Bella.

— Sim. — Outro sussurro.

— Bom, Renesmee mandou uma carta para você. Que tal se Bella ler?

Eu quase gritei de alivio, finalmente podendo colocar minhas mãos no que Nessie tinha escrito. Agatha me entregou a carta, então sentou Matthew ao lado de Edward, indicou-me uma cadeira e ficou em pé.

— Pode ler, Bella.

Desdobrei a folha, logo vendo a letra de Nessie ali.

Querido Matthew — comecei a ler em voz alta. — Eu sou Renesmee, sua irmã mais velha. Agatha disse que seria legal se eu escrevesse algo para você, assim me conheceria melhor. Eu adorei a ideia, achei Agatha muito, muito esperta, quero ser pi...— Sorri vendo o erro ali, riscado e corrigido em seguida. — Psicóloga como ela.

Sabe, quando minha prima Anne nasceu, eu quis um irmãozinho, ou irmãzinha, mas meus pais nunca me deram um. Agora, eles finalmente estão me dando, você!

Isso não é legal, Matthew? Nós seremos irmãos!

Tenho uma porção de coisas que quero fazer com você, vai ver só, eu serei a melhor irmã do mundo. Sei que você vai ser um irmão bem legal também, só fique fora do meu quarto, eu odeio quando alguém bagunça minhas coisas.

Enfim, eu prometo ser uma boa irmã. Sabe, nossa mãe é uma irmã mais velha também, ela é realmente muito boa nisso. Ela e tia Bree se amam muito, mamãe sempre cuida de tia Bree, então prometo cuidar de você, irmãozinho.

Tia Rose de vez em quando chama nosso pai assim, de irmãozinho. Eles são muito engraçados juntos, você tem de ver, Matthew. Sempre vejo os dois rindo de felicidade, então eu também prometo que vou te fazer rir.

Acho que é só isso, não sei o que escrever mais aqui. Você vai me escrever uma carta de volta? Agatha disse que isso pode ser difícil de acontecer, mas não importa, a gente vai se encontrar no sábado e ai pode falar comigo pessoalmente.

Vamos tomar sorvete de chocolate, certo? Se você não aguentar comer o seu sozinho, eu te ajudo a terminar. Acho que irmãos servem para isso, né? Ajudar, é o que mamãe faz com tia Bree e papai com tia Rose.

Estou muito ansiosa para te conhecer, até sábado, irmãozinho!

Com amor, Renesmee.”

Meu coração se esquentou ao ler aquilo, eu levantei o olhar para Matthew, vendo-o pensativo, enquanto Edward ao seu lado tinha um sorriso orgulhoso sobre sua princesa. Sorri também, pois passei o fim de semana buscando o apoio de toda minha família, quando estava tendo todo o apoio necessário com meu marido e minha filha, bem debaixo do meu próprio teto.

— Amo sorvete de chocolate — Edward disse, suspirando apaixonadamente, olhando para Matthew. — Você gosta, Matt?

— Gosto — Matthew disse, sem sussurrar daquela vez, mas ainda sem olhar para Edward. Mas, já era um progresso estar falando com ele e vi o contente com aquilo também.

— E você quer sair no sábado com Edward, Bella e Renesmee para tomar um grande sorvete de chocolate? — Agatha se pronunciou, Matt concordou, olhando diretamente para mim. Sorri para ele, que devolveu com um pequeno sorriso fazendo com que eu ganhasse meu dia.

Apertei a carta de Nessie contra mim, feliz e calma. No sábado eu teria minha família reunida e todos nós tomaríamos sorvete de chocolate, parecia perfeito.

Notas finais
Encontro vocês nos comentários, beijos! Lola Royal. 03.01.17