Nossa Família
25 Capítulo Vinte e Quatro — Confiantes
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Quatro —
— Confiantes —
Edward Cullen
Eu estava mais confiante naquele dia do que em qualquer outro, talvez pela carta escrita por Nessie destinada a Matthew, ou por Agatha estar nos acompanhando durante a visita, a questão era que me sentia mais confiança em estar ali naquele abrigo depois da última vez que não tinha acabado nada bem. No sábado teríamos um dia longe daquele lugar, poderíamos conhecer mais de Matthew, ele mais de nós, isso tudo estava me enchendo de expectativas de que as coisas melhorariam para meu lado, já que eu estava claramente em desvantagem.
Depois da leitura da carta de Renesmee, Agatha sugeriu que pintássemos com Matthew. Ela tinha levado livros de colorir e caixa de giz de cera para isso, Bella e eu, acabamos nos sentando com ele no chão, enquanto Agatha estava fazendo suas anotações.
— Aqui, se você misturar azul com amarelo, dá verde — Bella disse, mostrando aquilo para Matthew. Ele arregalou os olhos em surpresa, encarando as folhas da árvore do desenho onde as cores tinham sido misturadas.
— Uau! — exclamou impressionado, Bella sorriu para ele, então para mim.
— Você sabe alguma combinação, querido? — ela me perguntou, estendendo a caixa de giz de cera.
— Acho que sei alguma. — Peguei o giz amarelo e o vermelho, fazendo a cor laranja surgir ali.
— Legal! — Matthew disse, abrindo um grande sorriso. — Eu posso tentar, tia? — perguntou para Bella.
Bella perdeu seu sorriso por um instante ao ser chamada daquela forma, mas logo o recuperou, pegando o giz vermelho da minha mão e o azul na caixa.
— Aqui, vamos ver qual cor consegue com esses. — Entregou a ele, que rapidamente pintou no canto da página. — Hey, violeta! — Bella comemorou. — É uma linda cor.
— Você tem alguma cor preferida, Matthew? — perguntei, ele me olhou por um instante antes de responder.
— Não. — Os olhos fixos no livro de pintura.
— Edward e eu gostamos de azul, é nossa cor preferida — Bella disse casualmente, sem colocar muita importância em suas palavras, enquanto pintava o Sol na figura, de forma bem desleixada, pois minha esposa não era mesmo uma amante de artes. — Renesmee é obcecada por vermelho, quando ela era um pouco mais nova do que você só queria usar vestidos dessa cor.
— Eu acho que gosto de amarelo — Matthew murmurou.
Bella levantou os olhos do desenho para ele, lhe entregando o giz amarelo para que ele pudesse terminar de pintar o Sol.
— Sim, é uma bela cor, não?
— É. — Deu de ombros.
— Então, algo em mente sobre o que podemos fazer no sábado? — Bella perguntou para Matthew, que negou rapidamente, ficando sério.
— Você já esteve no Shedd Aquarium? — me pronunciei. Era um dos lugares preferidos de Renesmee, a primeira vez que tinha ido lá estávamos apenas nós dois, ela tinha uns cinco anos de idade e passamos o dia inteiro no aquário, Matt acabaria gostando, eu tinha certeza.
— Não — Matt negou. — Meu pai nunca tinha como me levar — respondeu, eu senti o olhar de Agatha sobre nós, a olhei buscando a melhor forma de seguir a conversa, recebendo apenas um aceno de cabeça dela.
Claro, muito útil, obrigado, Agatha!
— O que acha de irmos até lá? — Bella salvou minha pele, eu já devia estar acostumado com ela sempre sabendo o que falar ou fazer. Foi um dos motivos que me fez ficar apaixonado por ela, okay, eu amava aquela mulher. — Há vários tipos de espécie animal lá, é bem divertido.
— Tanto faz — Matthew resmungou, cortando todo tipo de assunto, por mais que Bella tenha se esforçado em trazer outros à tona depois disso. Era fácil ver o problema em nossa equação, Laurent. Aquilo voltou a me desanimar, eu não faria Matt se esquecer daquele homem com alguns minutos durante pintura em uma tarde.
Depois daquilo, não demorou muito para que nosso tempo de visita acabasse, com a aparição de uma funcionária do abrigo avisando aquilo.
— Vemos você no sábado, Matt — Bella disse entusiasmada. — Não podemos perder aquele sorvete de chocolate, não é? Até lá, pequeno. — Beijou a bochecha dele, eu vi a hesitação no rosto dela, mas daquela Matthew não se incomodou com aquilo, ou não estava disposto a entrar naquele assunto mais uma vez.
— Até — sussurrou para ela.
— Até sábado, Matthew! — Acenei para ele, que sequer me olhou antes de seguir a funcionária para fora da sala.
— Okay, não fomos tão ruins assim — Agatha falou, colocando-se de pé.
— Eu fui péssimo! — exclamei irritado, levantando do chão.
— Edward, querido, não. — Bella segurou minha mão ao se levantar também. — Você foi muito bem.
— Já sabia que não seria uma tarefa fácil, Edward — Agatha disse. — Mas, acredite, estão indo realmente bem com Matthew. Não será de uma hora para outra que ele se familiarizará com vocês. — Suspirei, concordando com um aceno de cabeça. — Aqui, Bella, talvez seja melhor guardar com você e entregar a Matthew quando ele for para casa com vocês para que ele não a perca aqui. — Repassou a ela a carta de Renesmee, que Bella tinha devolvido a Agatha quando fomos pintar com Matt. — Eu acredito que no futuro Matthew irá apreciar ter a carta da irmã, pode ser importante de diversas maneiras para ele.
Bella a guardou com cuidado em sua bolsa, ela seria capaz de fazer daquilo uma relíquia, eu sabia.
— Não se cobre tanto, Edward — Agatha disse para mim. — Algumas vezes não é fácil nem mesmo criar uma proximidade com filhos biológicos, você e Matthew trabalharão nisso, com o seu devido tempo terão os laços que espera de uma relação pai e filho.
Assenti, mesmo querendo que tudo se resolvesse de uma vez.
— Vocês dois estarão sozinhos com Renesmee e Matthew no sábado, então será o momento mais importante até aqui do processo de adoção. Precisam manter a calma, ele continuará arredio, ao menos no primeiro momento e Nessie pode sofrer um pouco de ciúmes por constatar que não é a mais a única. Isso tudo é normal, para ambos. Eles ficarão confiantes se vocês estiverem confiantes, precisam disso pelos seus filhos.
***
Na quarta-feira pela manhã mamãe teve sua consulta decisiva quanto ao seu tratamento, papai a acompanhou, mas para que todos pudéssemos a apoiar de alguma forma aquele dia, marcamos de almoçar juntos no restaurante do hotel. Rosalie estava vindo do trabalho, meus pais do consultório médico e Bella nos encontraria lá.
Pouco antes de sair para o restaurante, minha irmã entrou no meu escritório. Não foi surpresa alguma ela não ser anunciada, essa palavra provavelmente nem fazia parte do vocabulário de Rose.
— Vamos? — ela perguntou. — Estou morrendo de fome — comentou, indo até as janelas atrás da minha mesa para apreciar a vista. — Porra, como pude passar tanto tempo em Dubai, irmãozinho? Chicago é a melhor cidade do mundo.
— Não, essa é Las Vegas — falei distraidamente, assinando alguns documentos finais antes de poder sair.
— Há! — Ela gargalhou por um instante. — Lembra quando fomos para lá antes do meu casamento? Só você e eu? Foi incrível! — Então, ela ficou em um silêncio completo.
Eu girei em minha cadeira, podendo ver Rosalie ainda com os olhos voltados para a rua do lado de fora do prédio, mas por seu perfil e ombros tensionados podia notar que ela não estava contente com algo.
— Rose?
— Eu me arrependo muito de ter casado com ele, Edward. — Rosalie se virou para me olhar, seus olhos marejados. — Será que um dia vou encontrar um cara realmente decente? Bella tem você, mamãe tem papai, vovó Charlotte tinha o vovô, eu me sinto tão só, tudo que tive foi um homem que só me enganou. — Fungou, passando a mão pelo rosto já avermelhado.
— Rose...
— Não, esqueça isso tudo, só estou sendo emotiva sem necessidade alguma — ela disse, forçando um sorriso. — Vamos descer de uma vez, mamãe e papai já devem estar no restaurante, não queremos deixá-los esperando por muito tempo.
Concordei, deixando meu escritório com ela. Nós estávamos esperando o elevador, quando um apressado Jasper chegou até a gente.
— Para onde está indo correndo? — perguntei, pressionando o botão do elevador mais uma vez, na vã tentativa de fazê-lo ser mais rápido.
— Encontrar com Alice, vamos almoçar.
— Humm, sexo na hora do almoço — Rosalie debochou, eu engasguei enquanto ria, entrando no elevador que finalmente tinha chegado ao andar que estávamos.
— É, não — Jasper disse, dando de ombros. — Você ainda não está sabendo, né? — perguntou para minha irmã. — Alice e eu estamos dando um tempo no nosso namoro.
— O quê? — Rosalie gritou, fazendo com que meu ouvido doesse. — Mas, há um mês você não ia pedi-la em casamento?
— Você não estranhou ninguém estar não comentando sobre o casamento? — falei. — Acredite, quando Alice for se casar isso será uma grande coisa, a cidade inteira estará envolvida. Então, nada de produtivo? — questionei a Jasper. — O jantar de vocês no sábado foi bom, não?
— Foi — confirmou. — Mas não avançou muito em nada nossa situação, também não regrediu. Estamos parados no meio, sem saber direito o que fazer.
— Por que diabos estão dando um tempo? — Rosalie questionou confusa.
— Algumas coisas sobre Alice — Jasper falou em um tom de voz baixo. — Lamento, Rose, é algo que realmente não posso falar.
— Claro, eu entendo — Rosalie disse, assentindo. — Bom, não sei o que está os separando, mas espero que isso acabe melhor do que meu casamento acabou.
Jasper suspirou, parecendo concordar com cada palavra dela.
— Preciso ir agora, ela marcou em um restaurante quase do outro lado da cidade — Jasper disse quando o elevador chegou ao térreo, praticamente correndo para fora do prédio que trabalhávamos.
— Rosalie. — Segurei no braço da minha irmã, fazendo com que ela parasse de andar e se virasse para me olhar. — Nem todos são como Royce, você vai encontrar alguém milhões de vezes melhor do que ele, que realmente te trate como a mulher incrível que é. — Ela olhou para seus próprios pés, envolvida em tristeza e descrença.
— Só vamos almoçar logo, certo? — ela murmurou, parecendo exausta. — Não devia estar me preocupando com homens, ou sobre o fato de que morrerei só, enquanto minha mãe está passando por uma fase tão difícil com essa maldita doença.
Cedi, imaginando o quão confusa a mente dela devia estar com tudo aquilo. Nós partimos para a torre do hotel, avistamos Bella no balcão da recepção dando instruções a alguns dos recepcionistas ali, então seguimos direto para o restaurante, mesmo com o horário de almoço, não foi difícil de maneira alguma conseguirmos uma mesa, afinal qualquer um ali era capaz de reconhecer Rosalie e eu com uma facilidade incrível.
Estávamos terminando de nos acomodar a mesa, após dispensar o garçom temporariamente, quando Bella surgiu, digitando furiosamente em seu celular. Alguma coisa devia estar fora do controle, já que ela estava com um de seus tantos olhares cruéis, Rosalie e eu, a conhecendo muito bem, a deixamos terminar seu momento com o aparelho eletrônico para podermos falar com ela.
— Hey, amor! — ela exclamou para mim, abrindo um sorriso, o que era ótimo, pois dizia que não era eu em sua mira.
— Ei, querida. — Beijei sua testa. — Tudo bem?
— Algumas pessoas me estressando, mas é um almoço de família, não vou lidar com isso agora. — Ela desligou o celular, o colocando de lado.
— Ô, é como se você tivesse acabado de desligar o telefone da Casa Branca — provoquei, a fazendo rir.
— Você estava chorando? — ela indagou Rosalie, que estava distraída com o cardápio.
— Desculpe? — Levantou o olhar para Bella. — Não, sem choro, só estou um pouco cansada — mentiu. — Então, foram ver Matt ontem, não é mesmo? Como foi?
— Maravilhoso! — Bella exclamou entusiasmada. — A psicóloga, Agatha, pediu que Ness escrevesse algo para ele e ontem lemos a carta, foi melhor do que qualquer livro que li — disse com os olhos brilhantes. — Eu também posso sentir Matthew mais receptivo, está indo tudo muito bem até agora.
— Receptivo com você — a corrigi, vendo-a revirar os olhos castanhos. — Bella, é só a verdade.
— Do que estão falando? — Rosalie quis saber.
— Edward ainda está tendo dificuldades em se aproximar de Matthew, mas isso é normal, Agatha já nos garantiu. Ele precisará de tempo para lidar com Edward sendo sua nova figura paterna, já que tinha o pai biológico por perto.
— Okay. — Rosalie se voltou para mim. — Isso é Edward sendo mimado.
— Ei!
— Oi meninos, por que já estão brigando? — Meu pai chegou a nossa mesa, assumindo um lugar.
— Rosalie...Onde está minha mãe? — Interrompi minha frase, olhei ao redor, a procura de Esme.
— Foi ao banheiro, retocar a maquiagem — ele respondeu sério.
— Foi muito ruim no médico? — Bella questionou por todos nós.
— Sim. Já decidiram o melhor tratamento, ela passará por alguns meses de quimioterapia antes de fazer a cirurgia, para que o tumor diminua antes da mastectomia ser realizada. Depois da cirurgia, ela passará por algumas sessões de radioterapia, então tratamento por anos.
Bella afagou meu braço, apertei sua mão na minha. Aquilo era absurdamente difícil de ouvir para mim, sabia que para ela também, principalmente depois de todo caos causado por Renée em sua mente no fim de semana anterior. Nós nem tínhamos conversado sobre o assunto, o que indicava que Isabella ainda estava abalada por ele para trazê-lo à tona novamente.
— Não quero conversar sobre isso. — Nós todos nos viramos ao ver mamãe aparecer junto a mesa, sentando-se. Eu podia ver seu semblante cansado, o que me fazia perceber que ela devia estar dormindo muito pouco naqueles últimos dias. — Só quero um almoço agradável com minha família, sem ficar remoendo essa doença, isso me fará perder o apetite. — Ela pegou um cardápio. — O que pedirão?
Nós nos entreolhamos, mas decidimos seguir o que ela queria. Obviamente seria impossível evitar aquele assunto por tanto tempo, mas se ela desejava isso, nós faríamos o máximo possível para agradá-la e distraí-la.
Eu estava imerso no menu, enquanto minha mãe e meu pai debatiam a melhor opção de almoço, quando ouvi Emmett chamar por Bella.
— Bella, desculpe-me, mas a gerente de eventos precisa mesmo falar com você sobre a confusão nas datas dos casamentos agendados para maio — ele disse ao lado dela, parecendo constrangido por estar nos interrompendo.
— Claro que ela precisa — Bella resmungou, levantando-se. — Eu volto logo — anunciou para a gente. — Amor, peça o mesmo que pedir para si para mim, certo? — Eu assenti, deixando-a ir.
— Desculpe-me atrapalhá-los, tenham um bom almoço — Emmett falou.
— Tudo bem, sem problemas. — Mamãe sorriu gentilmente para ele. — Acho que ainda não tivemos a oportunidade de sermos apresentados. Sou Esme Cullen. — Estendeu a mão para ele, que prontamente a apertou. — Você é Emmett, certo? O subgerente geral.
— Sim — Emmett confirmou, sorrindo para ela. — É um prazer conhecê-la, senhora Cullen. Senhor Cullen. — Apertou a mão de papai, que estava voltando de sua distração com o cardápio. — Edward, Rosalie. — Eu não perdi o sorriso exagerado que ele lançou para minha irmã, não pude deixar de bufar para isso, o que fez mamãe me olhar da cabeceira da mesa que estava sentada, então olhar para Rosalie que tinha um sorriso pequeno para Emmett.
— Você já almoçou, Emmett? — mamãe indagou antes que ele pudesse deixar o restaurante.
— Não — respondeu. — Eu ainda tenho muito trabalho a fazer e...
— Oh, você pode adiar um pouco do trabalho, junte-se a nós! — ela ordenou, gesticulando para a cadeira vaga ao lado de Rosalie. — Vamos, sente-se ao lado de Rose, Emmett.
Sim, minha mãe não perdia nada, nem mesmo com seus problemas ela deixava de ser a pessoa perceptiva de sempre.
— E-Eu — Emmett gaguejou, olhando rapidamente para Rosalie, que tinha as bochechas coradas.
— Vamos, sente-se de uma vez — mamãe insistiu.
— É melhor sentar, Emmett — papai disse rindo. — Esme é a pessoa mais persistente que conheci, você não ganhará dela nessa.
— Ele está completamente certo — mamãe disse sorridente.
Emmett cedeu por fim, sentando ao lado da minha irmã, Rosalie logo voltou a focar apenas no cardápio em sua mão. Os dois pareciam desconfortáveis do lado um do outro, mas eu não era idiota, sabia que tipo de desconforto aquilo representava.
O garçom voltou até nós e fizemos nossos pedidos, incluindo o de Bella, que devia estar arrancando a cabeça da gerente de eventos naquele momento.
— Então, Emmett — mamãe começou, o avaliando atentamente com seu olhar, era o que ela fazia comigo quando eu era uma criança e queria saber se eu tinha aprontado. — Você é de Chicago mesmo?
— Não, New York — respondeu. — Vim para Chicago quando soube do cargo de subgerente.
— Se a própria Bella o contratou tenho certeza que o hotel está servido de um funcionário muito bom — meu pai falou. — Onde se formou?
O garçom voltou com nossas bebidas.
— Universidade de New York — ele disse. — Eu não queria ir para longe de casa.
— Alguma namorada o prendendo a New York? — Minha mãe não podia ser mais indiscreta, Rosalie que escolheu aquele momento para beber um pouco de sua água, inevitavelmente se engasgou.
— Hum, não — Emmett negou prontamente, oferecendo um lencinho a Rosalie, que agradeceu em um murmúrio. — Minha mãe estava doente na época que me formei no colegial e ia para a universidade, câncer de mama. — O silêncio recaiu sobre nossa mesa de uma vez só, até a tosse de Rose cessou.
— E-Ela es-está bem? — mamãe perguntou gaguejando, seus olhos enchendo-se de lágrimas.
— Sim — Emmett confirmou voltando a sorrir. — A doença não voltou nos últimos dez anos, meu pai e ela estão agora mesmo viajando pela América do Sul.
— É uma doença terrível, não? — mamãe perguntou.
— Esme...
— Quieto Carlisle, deixe-o responder.
— Sim, não foi fácil. Minha mãe se sustentou muito em sua fé na época, acredito que isso foi uma boa base para ela. — Emmett deu de ombros.
— Carlisle, eu quero um aumento! — Bella cortou o clima pesado, voltando a mesa, então percebendo Emmett sentado conosco, lançando um olhar curioso para mim.
— Desculpe, nora, estamos te explorando muito? — papai perguntou colocando diversão em sua voz, nos tirando do assunto anterior com maestria.
— Sim!
— Se ela tiver um eu também quero, preciso de um carro novo! — Me manifestei rapidamente.
— Edward, você tem problemas — minha irmã falou rindo, Emmett riu junto a ela, os dois trocando mais um olhar.
— Qual o seu? — ele me perguntou, não foi possível evitar uma careta para o McCarty.
— Um Volvo — respondi a contragosto para ele. — Mas, estou realmente apaixonado por um Bugatti.
— Que bom saber que seus amantes são carros, não mulheres, isso é um alivio, querido. — Bella deu uma batidinha em meu ombro, fazendo com que mamãe risse, o que pareceu tirá-la por fim do assunto câncer.
— Bugatti Veyron 16.4? — Emmett me questionou, animado. Eu arregalei os olhos para sua pergunta precisa.
— Esse mesmo! — exclamei. — Ele atinge 100 km em menos de três segundos.
— E chega a 407 km, é um dos carros mais rápidos do mundo!
— Isso parece sinônimo de acidente para mim — Rosalie disse torcendo o nariz.
— É um carro seguro — Emmett disse a ela, fazendo Rosalie revirar os olhos azuis.
— Um carro que vai de zero a cem em menos de três segundos não me parece seguro, parece um brinquedo caro que pode colocar alguém em risco — ela devolveu, arqueando uma sobrancelha para ele.
— Deve ser o máximo! — proclamei, ainda pensando no Bugatti, quase sem dar bola para Emmett olhando demais para minha irmã, quase.
— Sonhe bastante, você não terá um — Bella disse para mim, ganhando então uma careta minha. — Esse caro custa mais de um milhão Edward, nem pensar, teremos três faculdades para pagar em alguns anos.
— Você ia adorá-lo, nunca chegaria atrasada em lugar algum.
— Sim, porque ela estaria morta — Rosalie afirmou.
— Então, Emmett. — Mamãe voltou ao seu interrogatório, enquanto começávamos a ser servidos. — Tem gostado de Chicago? Há quanto tempo está morando aqui mesmo?
— Mais de seis meses — ele disse. — Ainda não vi muito da cidade, para falar a verdade.
— Bella tem o explorado muito no trabalho, isso é a cara dela! — papai acusou brincando.
— Eu ainda mereço um aumento — ela disse, antes de começar a atacar sua comida. Tínhamos saído atrasados de casa, então ela não teve tempo de tomar café da manhã.
— Bella é uma boa chefe — Emmett garantiu.
— Não precisa puxar o saco dela, todos aqui sabem que Bella é uma megera no trabalho — falei, ganhando um beliscão no braço. — Porra, Bella! — Ela apenas piscou para mim, continuando a comer, roubando batatas do meu prato, Renesmee e Matthew estavam mal servidos com nosso péssimo hábito de roubar batatas-fritas.
— Você tem de conhecer a cidade melhor — mamãe prosseguiu o assunto com Emmett. — Eu me apaixonei por Chicago no momento que pisei aqui pela primeira vez, não quis mais voltar para a Irlanda depois disso.
— Ei, eu pensei que eu tinha te feito ficar aqui — papai disse indignado, fazendo Rose e eu rirmos.
— Claro, querido, você foi um dos motivos. — Mamãe sorriu para ele. — Mas, a cidade tem uma arquitetura incrível, isso me atraiu bem mais a primeiro momento — confidenciou a Emmett como se papai não pudesse ouvi-la.
— Então, você é irlandesa? — Emmett perguntou a ela.
— Isso — ela afirmou. — Meus pais e os de Carlisle tinham negócios em comum, eu vim passar algum tempo em Chicago, nunca mais voltei para Irlanda como moradora, aqui se tornou meu lugar. É uma cidade incrível, bem romântica também. — Ela não disfarçou um olhar significativo para Rosalie ao dizer aquilo. — Alías, Rosalie conhece a cidade muito bem, você deveria ser hospitaleira e apresentar o local melhor para Emmett, filha.
Rosalie não respondeu, aproveitando que estava comendo para ficar calada. Ela me olhou com duvida, mas não podíamos ter aquela conversa com todos a mesa.
— Edward me pediu oficialmente em casamento no Garfield Park Conservatory, é uma estufa linda, você tem de conhecer Emmett — Bella se pronunciou, sorrindo para mim de forma doce. — Você se lembra de quão lindo foi, querido?
— Com certeza. — Inclinei-me em sua direção, beijando sua temporã. — Incluindo o sexo naquela noite — sussurrei em seu ouvido, Bella sufocou uma risada.
Mamãe conduziu a conversa pelo resto do almoço, ela estava realmente querendo saber mais de Emmett. Quando todos acabaram de comer, meu pai precisou ir para uma reunião, não demorou muito para Bella e Emmett também precisarem voltar para o trabalho.
— Foi um prazer conhecê-la, senhora Cullen — Emmett falou, apertando a mão dela.
— Não se esqueça, Emmett, venha até nossa casa qualquer dia para um jantar, será muito bem vindo — ela disse a ele. — E se estiver na cidade no ano novo, terá de passar conosco, temos uma grande festa todo ano para celebrar a data.
Eu a encarei, tentando não rir de sua grande cara de pau. Rose afundou um pouco em sua cadeira, escondendo o rosto atrás da mão.
— Você ganhou um cunhado, babe — Bella sussurrou em meu ouvido, beijando minha bochecha antes de se colocar de pé. — Emmett, precisamos ir agora, temos uma reunião com a equipe em cinco minutos.
— Até mais, Edward. — Ele apertou minha mão, eu tentei empregar toda minha força ali para que ele soubesse com quem estava lidando, a questão era que Emmett era mais forte do que eu, o que era uma merda. — Rosalie. — Ele apenas acenou para ela, que ainda estava constrangida de toda a conversa invasiva de nossa mãe, na verdade, Rose e Emmett quase não se falaram durante o almoço, mas o que não faltou entre os dois foram longos olhares.
— Vejo vocês depois — Bella disse para minha mãe e Rosalie, deixando o restaurante com Emmett.
— Mamãe! — Rosalie exclamou irritada quando eles se afastaram o suficiente para que Emmett não a ouvisse.
— O quê? — mamãe perguntou tomando um pouco de seu chá.
— O quê? — Rose bufou. — Rosalie conhece a cidade muito bem, você deveria ser hospitaleira e apresentar o local melhor para Emmett, filha. — Ela começou a imitar mamãe. — Oh Emmett, eu vivo dizendo a Rosalie para que ela use lentes, você tem de convencê-la disso. Emmett, você tem experimentar os drinks que Rose faz, os melhores, aliás, ela faz tudo muito bem.
— Não vejo nada demais em frase alguma que disse hoje. — Mamãe deu de ombros.
— Mãe, você estava quase me colocando em uma bandeja — Rosalie resmungou, pegando sua bolsa. — Apenas pare com isso, okay? Emmett deve ter ficado super constrangido sobre isso, você foi completamente invasiva com tantas perguntas de cunho pessoal. Eu tenho de ir trabalhar, falo com você em casa. — Ela deixou a mesa, claramente irritada.
— Então, quando você acha que eles vão finalmente assumir que estão atraídos um pelo outro? — mamãe me perguntou, fazendo com que eu balançasse a cabeça em descrença.
— Você não pode afirmar isso, senhora Cullen!
— Edward, filho eu te amo. — Ela deu um tapinha em meu rosto. — Mas, nunca duvide de sua mãe, eu sempre sei de tudo. Eu não estava certa sobre Isabella no momento que a vi? Desde aquele primeiro instante sabia que ela era a garota certa para você, agora, sei que sua irmã e Emmett podem dar muito certo juntos também.
— Você mal o conhece, mãe, mesmo com todas suas perguntas indiscretas. Sei lá, o cara pode ser um mala, ou pior, pode ser como Royce.
— Não, ele não é como Royce, posso lhe garantir isso, filho. E eu também mal conhecia Bella quando ela nos visitou pela primeira vez.
— A diferença é que eu já estava com Isabella por dois meses aquela altura, mãe, ela não era apenas uma mera desconhecida. Sei lá, Rosalie sofreu e ainda sofre muito por conta de Royce, eu quero muito que ela seja feliz, é minha irmã e a amo, não a quero sofrendo ainda mais. Não sabemos o tipo de cara que Emmett é em um relacionamento, já pensou no caos que ficar com mais um cara idiota faria na cabeça dela?
Mamãe suspirou, assentindo.
— Tudo bem, você tem um ponto. É que você tem Isabella, eu só quero que Rosalie também tenha alguém caso algo aconteça muito em breve. — Encontrei seus olhos, seu olhar me revelando muito junto a sua frase.
— Mãe, não, nada vai acontecer com você — declarei, afagando sua mão.
Ela sorriu para mim.
— Amo você, encrenqueiro.
— Amo você também, mãe. Agora, você pode sacar seu cartão totalmente sem limites e pagar o almoço já que ficamos para trás? — brinquei, ela me olhou confusa.
— Nós devíamos pagar quando comemos nesse restaurante? — questionou perplexa, olhando ao redor.
— Claro que sim, mãe!
— Sério?— Vocês levariam esse hotel à falência senão fosse por mim.
— Shii, não faça drama, Edward, eu te darei um carro no seu aniversário — ela prometeu.
— Um Bugatti?
— Desça de seu mundo de fantasia, filho.
***
Às dez da manhã do sábado, Bella, Renesmee e eu estávamos na escadaria do Shedd Aquarium, esperando por Matthew, que seria levado até lá por uma assistente social. Até mesmo eu estava lidando com a ansiedade de forma calma aquele dia, talvez por ainda estar exausto da semana e principalmente da última noite com Bella — tínhamos saído sozinhos para jantar e nossa noite se prolongou até boa parte da madrugada —, mas Renesmee estava no limite de sua ansiedade.
— Ele vem mesmo, mamãe? — questionou outra vez, impaciente, checando o horário no relógio em meu pulso.
— Ele vem, pequena, só está atrasado. — Bella afagou a cabeça dela. — Acalme-se.
Renesmee suspirou alto, cruzando os braços na frente do corpo, batendo o pé no chão sem parar.
— Quanta energia, guarde um pouco disso para o resto do dia, Princesa — pedi, segurando em seu ombro.
Chequei meu celular, sem nenhuma mensagem dos meus pais por hora. Aquele era o dia deles conversando com Agatha, estavam na agência de adoção naquele momento. Eu sabia que eles se sairiam bem, mas tinha medo de como conversar com uma psicóloga naquela fase de sua vida podia ser encarado por minha mãe.
— Ali está ele! — Bella exclamou entusiasmada, soando muito como Renesmee, segui com o olhar para onde ela apontou, vendo Matthew se aproximando junto a uma mulher. Ele usava calça jeans, all star em seus pés e um suéter azul escuro. Seu caminhar era hesitante, seus olhos fixos no chão e não segurava na mão da assistente social, que tinha de guiá-lo segurando em seus ombros.
Bella rapidamente desceu a escadaria, tão rápido que me surpreendi do equilíbrio péssimo dela não a trair. Eu, no entanto, tive de segurar na mão de Nessie, a mantendo ao meu lado, antes que ela seguisse a mãe e as duas acabassem assustando Matthew com tanta expansividade logo de cara.
— Papai, eu quero ir lá — Nessie resmungou vendo a mãe parar junto a Matt e a assistente social, ela praticamente ignorou a mulher por completo a primeiro momento, agachando-se a altura de Matthew e beijando a bochecha dele, então por fim falou com a assistente.
— Sua mãe vai trazê-lo até aqui, Princesa. Você só precisa ter mais um pouco de calma. — Vi Nessie inspirar fundo, ficando de fato irritada por ter de esperar tanto. Ótimo, se ela tinha tanta personalidade com dez anos eu mal podia esperar para vê-la como uma adolescente, seriam anos muito divertidos em casa.
Logo Bella se livrou da assistente social, trazendo Matthew consigo até onde estávamos. Ele segurou a mão dela, o que foi um bom indicativo de que ao menos com ela as coisas estavam de fato progredindo muito bem, eu estava feliz com isso, obviamente, mas ainda tinha uma parte dentro de mim incomodada por estar sendo, de certa forma, deixado de lado por ele.
— Matthew, quero que conheça alguém muito especial — Bella falou, mais entusiasmada do que antes, quando se uniu com Matthew a mim e Renesmee na escadaria. Não pude deixar de sorrir, finalmente vendo todos nós juntos, aquilo parecia mais certo do que pude imaginar durante todos aqueles dias. — Matt, essa é Renesmee. Nessie, este é Matthew.
— Finalmente! — Renesmee exclamou, soltando-se de mim e abraçando Matthew, que era bem mais baixo do que ela, em um verdadeiro abraço de urso.
— Oh Deus, Ness, não o sufoque, filha — Bella pediu aflita, eu gargalhei, pois aquilo era totalmente Renesmee, Matthew nunca iria se esquecer de como tinha conhecido sua irmã mais velha.
Renesmee o soltou, Matthew estava confuso a encarando assustado.
— Oi, sou sua irmã — Renesmee disse confiante, puxando a mão de Matthew em um aperto formal. Eu me lembrei de Agatha dizendo que Bella e eu deveríamos ser confiantes por Ness e Matt, mas se tratando de Nessie ela já tinha uma dose bem alta de confiança própria.
— O-oi — Matthew gaguejou.
— Sou sua irmã mais velha, então pode deixar que eu tomo conta de você. — Renesmee abriu um grande sorriso. — Vamos, estou louca para te mostrar lá dentro, os pinguins são os melhores. Eu peço por um há anos, agora, se unirmos forças, mamãe e papai podem nos dar um!
Renesmee, ainda segurando na mão de Matthew, o puxou escadaria a cima em direção à entrada do aquário. Bella e eu passamos a segui-los antes que eles se colocassem em encrenca no primeiro dia juntos, a probabilidade era altíssima.
— Isso é incrível — Bella sussurrou, entrelaçando sua mão na minha, nós nos olhamos e vi os olhos castanhos dela brilhando.
— Amo você, querida — falei, afagando seu rosto.
— Amo você também. — Apertou minha mão na sua, aproximando seu corpo de mim, seus olhos voltando-se para as crianças subindo a nossa frente. — Temos uma família maravilhosa.
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