Nossa Família

30 Capítulo Vinte e Nove — Apoio


Notas iniciais
Capítulo dedicado a ZEZINHA e Kawanne Cullen Volturi que recomendaram a história, muito obrigada, meninas ♥ Boa leitura :D

— Capítulo Vinte e Nove —

— Apoio —

Isabella Cullen

Desde segunda-feira aquela semana estava prometendo ser uma das mais longas do ano, desde Renesmee tornando-se uma mocinha — o que me assustava mais do que deixava aparente para ela e Edward —, a quimioterapia de Esme, uma palestra referente à adoção que teríamos que participar aconteceria, logo teríamos uma visitação de alguma assistente social do estado em nossa casa, mais conversas de familiares e amigos com a psicóloga, Matthew pela primeira vez em nossa casa e a peça de Renesmee.

Era muita coisa, eu sabia que não podia lidar com tudo aquilo sozinha, por mais que tentasse sempre resolver tudo com a maior autonomia possível estava na hora de contar com ajuda extra. Eu tinha Edward e toda a família ao meu lado em casa, mas precisava de munição no trabalho também, ou tudo no hotel ficaria um caos, o que me deixaria louca, o que me faria por tabela ir mal nos assuntos particulares e minha vida seria uma grande bagunça que não combinaria com Isabella Cullen, eu tinha um nome a zelar.

Sendo assim, convoquei Emmett e Ângela para uma reunião naquele dia. Eles eram meus braços naquele hotel, as pessoas que estavam diretamente ligadas a mim, estava na hora deles saberem sobre Matthew e que eu já estava me ausentando e que precisaria me ausentar outras vezes por conta da chegada de um novo filho. Ângela já estava lidando com minha agenda, encaixando assuntos pessoais em todos momentos que eu estava resolvendo algo referente a adoção e era bem capaz da minha assistente estar pensando que todas essas saídas eram para foder com Edward, o que eu não reclamaria, na realidade, mas ela também sabia que eu estava com um novo advogado — um especialista em causas familiares — em contato direto e isso podia levantar suspeitas de que eu estava entrando com um pedido de divórcio.

Eu podia confiar em Ângela, mas não colocaria minhas mãos no fogo por ela, seria fácil demais que ela falasse algo cheio de achismos para alguém e aquilo acabasse se espalhando pela cidade rapidamente. Já tinha acontecido antes, Esme e Carlisle durante todo o casamento foram alvos de fofocas espalhando um divórcio que nunca foi considerado, Edward e eu estivemos naquela mira uma ou duas vezes e até mesmo Rosalie e Royce antes do divórcio real. Edward e eu, assim como toda nossa família, não precisávamos de boatos falsos naquele momento, sempre os ignorávamos, mas Esme estava doente e estávamos trazendo Matthew para casa, boatos não deixariam nossas cabeças em paz e éramos o que precisávamos, além do mais, todos ficariam sabendo sobre Matthew quando ele fosse passar o fim de semana conosco.

— Que bom que vieram logo, podem se sentar, por favor — pedi a Ângela e Emmett quando eles chegaram a minha sala aquele começo de tarde. Eu tinha acabado de almoçar ali mesmo e falado rapidamente com Edward ao celular, eles estavam deixando a clínica onde minha sogra estava fazendo a quimioterapia, pelo o que ele disse ela estava bem, só um pouco cansada por ter passado tantas horas presa a cama tomando medicação.

— Algum problema? — Emmett perguntou preocupado.

— Não — o acalmei rapidamente, ele era tão fissurado em seu trabalho quanto eu, acabaria tendo um enfarte se eu ficasse fazendo um suspense desnecessário sobre aquilo. — Eu os chamei aqui para expor algo de cunho pessoal, mas que afeta diretamente meu trabalho — falei para os dois, Ângela me olhou com extrema curiosidade que odiei, nem mesmo ela era imune a fofocas. — Meu marido e eu estamos adotando um filho — contei, vendo surpresa cruzar os olhares de ambos. — Por isso eu tenho saído algumas vezes no horário de trabalho e vindo menos aos fins de semana — expliquei.

— Parabéns, senhora Cullen, isso é demais! — Ângela exclamou empolgada.

— Parabéns, Bella — Emmett saudou sorridente. — Quando o bebê nasce?

Eu evitei suspirar, não podia culpá-lo, era normal a maioria das pessoas logo deduzirem que adoção se referia a bebês. Afinal era a adoção mais comum, quando uma mulher que não podia ficar com seu bebê, resolvia colocá-lo para adoção.

— Oh, nós podemos fazer um chá de bebê? — Ângela indagou, ainda empolgada demais. — Minha irmã teve bebê ano passado e o chá foi lindo, você ia adorar um, senhora Cullen.

— Não, não — a interrompi rapidamente. — Edward e eu não estamos adotando um bebê, Matthew já tem sete anos de idade, quase oito. — Eles ficaram surpresos, obviamente, ao ouvir aquela informação. — Então, sem chá de bebê, não seria muito válido, mas obrigada por se importar com isso, Ângela — agradeci. — A questão é, com a adoção, eu precisarei que vocês dois estejam mais do que nunca espertos para o trabalho. Não irei largar isso aqui nunca. — Gesticulei para a sala, indicando o hotel como um todo. — Mas, no momento minha família é a prioridade e preciso da minha equipe sustentando-se quando eu não estiver aqui para segurar em suas mãos. Emmett, você é o subgerente e está no comando quando não estou aqui. — Ele assentiu prontamente. — Ângela, você irá manter tudo em ordem que me envolva e espero que continue fazendo isso bem. Alguma duvida, algum receio de que não possam se virar sem minha disponibilidade vinte e quatro horas todos os dias para ajudá-los? Esse é o momento de serem sinceros, confiei dois cargos muito importantes para os dois e tenho de saber se podem lidar com eles sob pressão.

Emmett negou logo com um aceno de cabeça, mas Ângela parecia realmente assustada com tudo aquilo.

— Eu já estive em seu lugar, Ângela — falei diretamente com ela. — Já fui uma assistente, aqui mesmo nesse hotel, caso ainda não saiba disso. — Pelo seu olhar podia apostar que não, as pessoas continuavam achando que eu era só uma alpinista social escorada no nome Cullen. — Não irei lhe dar mais trabalho do que não possa aguentar, não irei lhe dar abaixo da remuneração que vai merecer pelo trabalho que vai exercer, mas preciso que realmente leve o trabalho a sério, como já tem fazendo, mas se você não suportar isso, eu tenho de saber o quanto antes. Como disse, não vou largar o hotel, eu amo meu trabalho, mas preciso que vocês dois, principalmente, saibam segurar as pontas quando não estiver aqui. Esse hotel é importante para mim, não quero vê-lo desmoronar se por acaso eu não atender uma ligação em uma sexta-feira a noite por ter priorizado estar com meus filhos.

— Tudo bem, senhora Cullen — Ângela concordou por fim, após respirar fundo. — Eu aguento.

— Ótimo! — exclamei aliviada, seria irritante buscar por uma nova assistente aquela altura. — Nós estamos próximos do verão e a cidade ficará cheia de turistas, consequentemente o hotel também. — Apontei para meu notebook sobre a mesa, onde pouco antes tinha lido um e-mail importante. — Há uma grande probabilidade do presidente aparecer por aqui em alguns meses e nenhum de vocês estava aqui quando outros presidentes vieram se hospedar, eu posso lhes garantir que será o inferno, a segurança, a comida, tudo será minimamente planejado e vocês vão sentir vontade de matar o homem, mas obviamente não poderão fazer isso e ao mesmo tempo o trabalho de vocês terá de ser impecável. Eu desejo boa sorte para todos nós se esse homem realmente vier para cá. — Suspirei. — Mas, nós iremos ter o Marketing beneficiado com isso e o hotel estará em alta para as férias de inverno no fim do ano por conta disso, o que significa grana extra nos bolsos de vocês nas festas, então não reclamem tanto.

Emmett sorriu, parecendo gostar daquilo.

— Bom, por enquanto é só. Voltem ao trabalho — os dispensei. — Mas, não comentem com ninguém sobre a adoção, certo?

— Claro — falaram juntos.

— Ótimo, minha família ainda não quer que ela seja divulgada, então, se isso vazar eu saberei quem foi que espalhou o boato — anunciei. — Emmett, você pode ir até sua sala me enviar os relatórios da semana passada, Ângela, você pode ir checar como está indo a instalação da nova loja aqui no hotel.

Eles concordaram, então deixaram minha sala imediatamente. Eu abri um grande sorriso, sentindo-me cheia de energia renova depois de espalhar algumas ordens.

***

Eu fiquei com a missão de ir buscar as garotas na escola no fim da tarde, levá-las para casa dos meus sogros onde Rosalie ficaria com as filhas e de lá seguir com Edward para a palestra que tínhamos de assistir referente a adoção, enquanto Felix deixaria Nessie em casa para que ela pudesse ficar com Nelly. Também seria o tempo que Ness e eu poderíamos dar um rápido beijo em Esme e checar como ela estava depois da quimioterapia, Edward tinha me dado boletins médicos a cada hora do dia, falando sobre o estado dela, um pouco de náusea e mais cansaço.

Anne foi a primeira das meninas que achei, ela estava junto a sua professora e o resto de sua classe em sua sala de aula, uma recomendação da diretoria para alunos mais novos não ficarem sozinhos e dispersos pela dependência da escola enquanto esperavam seus responsáveis lhes buscarem. Entretanto, tanto Nessie quanto Lucy, já eram grandinhas o suficiente para ficarem soltas por lá, o que me fez bater perna atrás delas.

Lucy era uma garota calma, eu me preocupava como ela podia ser sobre influência da prima. Afinal, todo mundo sabia que a Cullen encrenqueira era a minha filha.

— Onde essas duas se enfiaram? — Reclamei, enquanto puxava Anne junto de mim pelos corredores da escola.

— Acho que elas foram abduzidas por alienígenas— Anne disse inocentemente, sendo impossível para mim não rir de sua fala.

Entrando em mais um corredor, um aparentemente vazio e bem silencioso, eu finalmente vi Lucy e Renesmee. E, agradeci a todos os deuses possíveis, por ter sido eu ali naquele momento, se Edward tivesse ido busca-las ele ia ter um novo ataque sobre como o tempo tinha passado para as meninas. Porém, eu também fiquei aliviada que ao menos naquele instante, não era Nessie sendo a agente causadora de nada.

Na verdade, ela estava bem quieta na sua. Um pouco emburrada, certo, mas eu não podia culpá-la já que a garota estava passando pelo período difícil que era ter de menstruar.

Então, com Nessie quieta, minha atenção se voltou para Lucy sentada ao lado dela no grande banco de madeira. Bom, para Lucy e o garoto loiro que tinha a boca na da minha sobrinha no instante que entrei naquela corredor.

Renesmee logo me viu, ela arregalou os olhos e cutucou a prima, que rapidamente se soltou do loiro e me viu ali também. Lucy ficou extremamente corada, o que até achei adorável, ela não seria a primeira garota da história sendo flagrada beijando alguém na escola, aquilo só não tinha ocorrido comigo por eu ser esperta suficiente pra não deixar ninguém me flagrar.

— Eca, que nojo!— Anne exclamou referindo-se no selinho da irmã no garoto loiro, eu sabia que ele não era o Justin Bieber Pokémon, mas o garoto ali tinha uma franja muito parecida com a de Ashton.

— Casa, agora!— Exclamei seria para as duas, apontando para o caminho de onde tinha vindo. Renesmee bufou alto, recolheu sua mochila e caminhou até mim, Lucy disse algo para o loirinho que parecia assustado e também caminhou na minha direção.

— Tia, por favor...— ela começou a falar aflita.

— Nem adianta, Lucy, sua mãe ficará sabendo disso. — Deixei bem claro.

— Eu disse que isso não ia dar certo— Renesmee reclamou, bufando mais uma vez. — Riley nem é bonito, Lucy, ele é um idiota!

— Ei!— Chamei sua atenção. — Melhor ficar em silêncio antes que isso sobre para você.

— Eu não fiz nada!— exclamou alto demais, revirando os olhos pra mim.

— Faça isso de novo e vai ficar o resto da semana de castigo. — Alertei.

— Desculpa, mãe— ela falou rapidamente. — Eu estou com dor — se justificou.

— E isso não te dá o direito de ser grossa com ninguém. — Renesmee apenas assentiu.

— Por que tava beijando aquele garoto, Lucy?— Anne perguntou confusa.

— Queria saber como era — Lucy murmurou constrangida, olhando para seus próprios pés enquanto caminhávamos até a Mercedes.

— É horrível!— Nessie disse. — Você nem quer saber o que vem depois do beijo, muito mais nojento— resmungou, quanto tempo ainda teríamos até ela mudar de ideia sobre aquilo?

— Não vai ser você que vai contar. — Abri a porta de trás do carro, deixando as três entrarem ali e indo para o banco do carona, pedindo que Felix nos levasse urgente para a casa dos meus sogros, eu amava Lucy, mas não podia ter outra conversa sobre beijos e principalmente sobre sexo se ela soubesse sobre algo.

Eu já tinha conversado aquilo com Renesmee, o que me bastava por toda uma vida. Edward seria encarregado de discutir aquele assunto com Matthew e eu estava na torcida para engravidar de um menino depois, seria injusto com meu marido, mas ele que se virasse falando daquelas coisas com os garotos.

Rosalie e Carlisle estavam na sala de estar da casa quando chegamos lá, então, eu não tive tempo de controlar Anne, ou preparar o terreno para Rose. No instante que viu a mãe, a caçula anunciou para todos ouvirem.

— Lucy estava beijando um garoto na escola!

— Anne, cala a boca! — Lucy praticamente gritou, ficando extremamente pálida, lançando um olhar nervoso para a mãe e o avô.

— Você o que? — Rosalie questionou perplexa, encarando a filha, Carlisle pigarreou, escondendo uma risada.

— Que tal vocês irem conversar lá na sala de jogos? — sugeriu para a filha, Rosalie ficou de pé, apontando o caminho para Lucy.

— Mexa-se, garota! — ordenou, Lucy respirou fundo uma vez, então seguiu o caminho indicando pela mãe.

— Vem, Anne, tem bolo de chocolate na cozinha, você pode comer um pedaço — ele pegou a pequena no colo. — Nessie, querida, você quer?

— Não, valeu, eu estou sem fome — ela resmungou, Carlisle me lançou um olhar confuso, afinal não era do feitio de Nessie ser resmungona.

— Ela está naquela época — expliquei, os olhos dele se arregalaram voltando-se para a neta.

— Você está brincando, Isabella!

— Bem que eu queria — afirmei. — Ela está sendo bem irritante.

— Eu estou ouvindo vocês — Nessie falou, indo até a escada. — Vou ver a vovó Esme — anunciou.

— Me espera! — Fui até ela.

— Vem, Anne, vamos nos encher de bolo sozinhos, já que sua irmã e sua prima estão tendo problemas de pré-adolescentes — Carlisle disse.

— Eu ainda posso comer bolo, vovô, só não quero — Renesmee praticamente se jogou da escada para que ele pudesse ouvir isso, mas Carlisle já estava deixando a sala com Anne.

— É, depois você pode comer um pouco, antes vamos ver sua avó. — Mantive a pequena, que eu em algum momento teria de admitir que não era mais tão pequena assim, na escada para que chegássemos até a suíte principal que Esme e Carlisle ocupavam.

Antes de irmos para o quarto, coloquei Nessie em um banheiro e lavei nossas mãos com precisão de cirurgia, sabendo que o quanto menos Esme fosse exposta a qualquer tipo de doença, que podíamos estar passando para ela sem sequer saber que tínhamos, melhor.

— Vovó! — Nessie soou extremamente animada quando entramos na suíte, Esme estava sentada ao sofá com um livro em mãos, mesmo com a iluminação baixa, pude ver que ela estava pálida. Com uma rápida olhada para a cama, vi Edward dormindo ali na cama dos pais, não foi uma grande surpresa, ele tanto quanto eu devia estar exausto de todo o começo agitado daquela semana.

— Oi, linda! — Esme envolveu Nessie em seus braços, beijando o topo da cabeça dela.

— Você está bem, vovó? — Nessie perguntou preocupada a avó.

— Estou sim, querida — Esme afirmou, sorrindo para ela. — Não foi um dia fácil, mas estou bem melhor agora.

— Amo você, vovó. — Renesmee proclamou, voltando a abraçá-la com força.

— Ah minha lindinha, não faz ideia de o quanto te amo — Esme disse, com a voz embargada pelo choro.

— Como foi? — perguntei sentando ao seu lado, afagando suas costas e beijando sua bochecha.

— E se eu lhe disser que foi até divertido na clínica? — ela perguntou sorrindo, deixando Nessie sair dos seus braços, vi a pequena ir até o pai na cama e começar a fazer cócegas nele. — Sabe como Edward e Rosalie podem ser quando se juntam — falou, nós duas olhando para Nessie e Edward quando ele começou a rir, acordando por fim. — Mas, os efeitos colaterais apareceram de qualquer forma, mesmo com os medicamentos prévios que deviam evitar isso.

— Vomito? — Ela concordou com um aceno de cabeça.

— Um pouco, a náusea e o cansaço ainda tem sido maiores. Ei, filho, você estava exausto, não? — perguntou a Edward quando ela apareceu perto do sofá, com Nessie agarrada em seu pescoço.

— Sim, mas o colchão de vocês é bem macio, acho que vamos trocar o nosso, querida — ele disse o final para mim, inclinando-se para me beijar.

— Chega de beijos — Nessie reclamou, fazendo com que eu risse.

— O que aconteceu? — Edward perguntou confuso.

— Lucy estava beijando um garoto quando cheguei na escola para buscá-las — contei, vendo Edward ficar em choque, ele nunca iria se acostumar aquelas novidades sobre as garotas.

— Oh meu Deus, isso é sério? — Esme gargalhou, jogando seu livro de lado e ficando de pé. — Preciso de mais detalhes.

— E nos precisamos ir para a palestra — falei para Edward, checando o horário em meu relógio. — E você para casa, Nelly está te esperando — disse para Nessie, ela assentiu, sonolenta enquanto o pai afagava sua cabeça.

Rosalie e Lucy, assim como Anne e Carlisle já estavam de volta a sala quando chegamos lá. Rose não parecia muito contente, então fui até ela.

— E ai?

— Você está se divertindo muito com isso, não é Isabella?

— Sim, eu falei sobre sexo com Nessie ontem, foi nada agradável. É bom saber que não sou a única da família passando por momentos assim. — Ela riu, balançando a cabeça.

— Por que elas tem de crescer? — perguntou ficando triste. — As queria como crianças inocentes para todo o sempre.

— Deus, você é mesmo irmã do Edward. — Ri.

— Querida, horário! — Edward exclamou pra mim.

— Temos que ir.

— Boa sorte na palestra — Rosalie desejou.

— Valeu, boa sorte com sua filha beijando garotos. — Rose bufou, cruzando os braços na frente do corpo.

Edward, Renesmee e eu nos despedimos de todos, então saímos. Ele a deixou na Mercedes com Felix, então entramos em seu Volvo, seguindo caminho até o hotel onde aconteceria a palestra.

— Falei com Jazz mais cedo — Edward falou, colocando música no som do carro, enquanto estávamos presos em um sinal vermelho. — Disse que foi tudo bem com a Agatha, então menos um passando por ela — disse, abrindo um grande sorriso para mim. — Ele chorou, obviamente.

— Eu estou nervosa — sussurrei, sem conseguir retribuir o sorriso. — Jenks disse que ela conversaria com minha mãe e meu pai por ligações amanhã, se Renée for terrível sobre isso? Se ela até se recusar a falar?

— Ei, vai ficar tudo bem, querida. — Edward afagou minha coxa, entrelaçando nossas mãos. — Sua mãe vai perceber que o que estamos fazendo não é nada de outro mundo, provavelmente Agatha a fará chorar e ela perceberá a burrada que está fazendo.

— Okay, vou tentar ser positiva sobre isso. Ao menos ela falará com Bree na quinta, isso é bom, minha irmã pode não ter muito juízo, mas apoia a adoção.

— E com Alice também, acha que isso será muito ruim para ela? Por conta da adoção dela e tudo mais — Edward indagou, voltando a dirigir quando o sinal ficou verde.

— Espero que não. — Apertei sua mão. — Você está bem, certo? Mesmo depois da quimioterapia?

Edward inspirou fundo, mas assentiu.

— Não foi fácil, principalmente quando ela começou a passar mal — murmurou. — Mas, eu tentei ser forte por mamãe, nós não podemos fraquejar e deixá-la desamparada, certo? — Assenti, concordando.

— Ela vai ficar bem. — Beijei sua mão, ganhando um novo sorriso dele. — Amo você, Edward.

— Amo você também, Bella. — Ele beijou minha mão também. — E eu ia amar usar o Volvo como usamos o Bugatti no sábado, mas estamos chegando, então pare de ser linda e ficar me provocando.

— Eu não fiz nada — me defendi.

— Só de existir já está me provocando. — Piscou para mim.

— Porra, agora quem quer usar o Volvo para outros fins sou eu — protestei, o fazendo gargalhar.

Não demorou muito mais para chegarmos ao hotel, era um pequeno colocado em comparação ao hotel Cullen. Edward estacionou do outro lado da rua, então atravessamos até lá, uma das recepcionistas nos informou o auditório que a palestra aconteceria.

— Olá, somos Bella e Edward Cullen — informei a senhora sentada à mesa na frente do auditório, atrás dela um banner com as indicações da palestra, sobre sua mesa além de papéis que logo vi serem referentes ao controle das pessoas que participariam da palestra, tinham panfletos e botons também falando sobre o evento ali.

— Olá! — Ela saudou, procurando nossos nomes na lista. — Podem assinar aqui, por favor. — Estendeu a folha de participação para Edward primeiro, entregando a mim panfletos e botons, coloquei um deles em minha blusa, botando outro na de Edward, tomando cuidado para não machucá-lo.

— Querida. — Ele me passou a folha e eu fui assinar meu nome.

— Oh Deus, Edward Cullen! — Ouvi alguém gritar, terminei de assinar ali rapidamente, erguendo meu rosto bem a tempo de ver uma mulher ruiva — cabelos claramente tingidos — jogando-se nos braços do meu marido.

Quem diabos era aquela mulher?

— Hey, Victoria — Edward disse, me lançando um rápido olhar atordoado enquanto a afastava de si.

— Ah Edward, mal posso acreditar que te reencontrei depois de tanto tempo! — Ela se esticou para beijar a bochecha dele perto demais de sua boca, o que me deixou irada, para o bem de sua própria pele, Edward já tinha a afastado novamente.

— Ei, quem é você? — questionei, sem me preocupar em fingir ser simpática. Tinha uma mulher agarrado-se ao meu marido, não queria ser cortês sobre aquela merda.

— Victoria... — ela começou a falar, se calando quando colocou os olhos em mim. — Claro, você é Isabella Swan, não? — disse, o sorriso que ela tinha no rosto, aquele destinado a Edward antes, morreu rapidamente a me ver.

— Isabella Cullen, na verdade, nós somos casados há dez anos, deve saber — Edward apressou-se em dizer, puxando-me para perto dele. — Bella, Victoria estudou comigo no colegial...

— Bem mais que uma colega de classe, não se esqueça disso, Edward — ela o interrompeu, piscando para ele um de seus olhos azuis que parecia tão falso quanto a cor do cabelo, tendo a audácia de sorrir maliciosamente para meu marido comigo bem ali ao lado. — Você está ainda mais bonito do que naquela época, Edward.

— Que bom, para mim, a esposa! — exclamei, querendo chutar a canela daquela ruiva falsificada. Edward escondeu uma risada por trás de uma tosse, eu bufei, querendo chutá-lo também. O homem tinha saído com metade de Chicago no passado e a outra metade era afim dele, como eu podia não surtar com todas aquelas mulheres que surgiam em nosso caminho? Sendo que por elas, iriam facilmente para a cama com Edward mesmo que ele tivesse a porra de uma aliança de casamento na mão, pareciam abutres o cercando.

— Claro. — Victoria sorriu para mim de modo que me fez desejar chutá-la diretamente na boca. — Eu acho que lembro quando vocês casaram, os jornais anunciaram muito isso na época, como eles falavam mesmo sobre você?

Obviamente se Victoria tinha estudado com Edward, ela era da mesma elite que ele pertencia desde sempre, o que a levava a ser mais uma que me consideraria uma alpinista social. Irina estava longe de ser a única, havia outras pessoas por ai com aquele maldito pensamento.

— Não importa o que falavam, não damos a mínima para o que falam em jornais sensacionalistas, Victoria — Edward disse, irritado, pronunciando-se antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. — Nós precisamos ir agora.

Victoria olhou para o boton no peito dele, então para o baner da palestra atrás da senhora que nos olhava com curiosidade.

— Oh! — Emitiu um som de surpresa. — Vocês estão adotando? — perguntou aquilo com descrença.

— Edward, por favor — implorei, não sabia se estava pedindo para sairmos dali logo, ou para que ele me deixasse socar aquela mulher atrevida.

— Boa noite, Victoria! — ele falou, puxando-me para dentro do salão, mas ainda foi possível ouvi-la dizer.

— Ligue-me para tomarmos um drink qualquer dia, Edward.

O lugar estava praticamente cheio, então segui até a última fileira, sem querer ficar no meio de muita gente. Soltei da mão de Edward, indo até meu lugar e sentando ali, encarando o palco lá na frente, onde uma mesa tinha sido colocada e algumas pessoas se preparavam para a palestra que logo começaria.

— Bella? — Edward me chamou ao sentar ao meu lado.

— Não diga nada, Edward — pedi, controlando minha respiração.

— Desculpe — ele falou mesmo sobre meu pedido. — Desculpe por essa merda toda. — Afastou uma mecha do meu cabelo. — Sabe que odeio tanto quanto você quando encontramos com esse tipo de gente.

— O tipo que você se esfregava no passado? — acusei.

— Querida, por favor. — Ele suspirou, voltei meu olhar para ele. — Eu não posso mudar tudo que fiz antes de te conhecer, okay? Não posso mudar ter saído com um monte de garotas e ter sido um filho da puta com muita delas pensando só em sexo, sem pensar em como minha imagem seria construída a partir disso. Não posso mudar o fato das pessoas terem pensado e muitas ainda pensem, que você só ficou comigo por conta do meu sobrenome, mesmo que eu odeie isso mais do que qualquer outra coisa no mundo. Não posso mudar nada disso, Bella, não posso e detesto essa porra, então me desculpe por isso. — Seus olhos verdes fixos nos meus eram preocupados.

— Não, não peça desculpas. — Neguei. — Eu que tenho por sempre perder a cabeça quando as pessoas mencionam a gravidez no meio da faculdade, nosso casamento, meu alpinismo social.

— Bella, não!

— Eu sei que não sou essa porcaria. — Esfreguei meu rosto. — Nunca ia ter casado com você pelo seu sobrenome ou seu dinheiro. Mas, fico tão puta quando mesmo depois de tantos anos as pessoas continuam me olhando e falando de mim como se meu lugar não fosse ao seu lado.

— O seu lugar é ao meu lado, Isabella. — Edward afagou meu rosto, beijando minha testa. — É desde que você conversou com aquele gangster idiota na festa de Halloween de 2005, o que deixe-me dizer, eu sou grato e serei eternamente. Não importa o que tenham dito, ou ainda vá dizer sobre você e nós dois, eu te amo, você me ama e porra, somos tão bons juntos. — Sua boca chegou a minha, mas rapidamente o afastei ao sentir o perfume forte que definitivamente não era o dele.

— Você cheira a Victoria — reclamei, Edward deixou seus ombros caírem, me dando espaço.

— Não vou poder te abraçar até tomar banho, não?

— Bem que você sabe. — Voltei minha atenção ao palco, a palestra finalmente parecendo que começaria.

— O que esses dois estão fazendo aqui? — ele perguntou.

— Sério, outra namorada do passado? Não posso lidar com mais nenhuma hoje — reclamei.

— É, uma loira, do Sul do país, que morou junto comigo na faculdade.

— O quê? Jasper está aqui? — Olhei para a entrada do salão, vendo Jasper e Alice entrando ali, para minha alegria, de mãos dadas. — Eles não são fofos juntos?

— Não sei, Alice é tão baixinha que parece ser uma boneca do lado de Jasper — Edward disse. — O que eles estão fazendo aqui? — repetiu sua pergunta anterior, erguendo a mão para que eles nos vissem no fundo, Jasper abriu um sorriso imenso para o amigo, puxando Alice até onde estávamos, ela claramente estava hesitante.

— Ei, ai estão vocês! — Jasper exclamou empolgado, passando por Edward e por mim junto com Alice, deixando-a sentar na poltrona ao meu lado e ocupando a outra junto a sua namorada? Eles finalmente tinham se acertado?

— Assim, só a titulo de curiosidade, saberemos o que estão fazendo aqui?

— Edward contou sobre a palestra — Jasper começou a explicar. — Eu achei que seria interessante.

— E que eu podia gostar de vir, então aqui estamos — Alice sussurrou, Jasper sorriu para ela, afagando a mão da baixinha.

— Vai ser tranquilo, se isso ficar pesado demais podemos ir até o bar aliviar a tensão — Jasper disse a ela, Alice sorriu para ele.

— Okay, vocês estão transando ou não? — Edward indagou, fazendo com que eu batesse em seu braço. — O quê? Você também quer saber, Bella.

Sim, mas eu sondaria aquilo com mais discrição.

— Estamos aqui como amigos, lidando com tudo aos poucos — Jasper respondeu, Edward bufou.

— Tran...

— Querido, não. — Tapei sua boca, sabendo que ele sugeriria que os dois voltassem a transar de uma vez, o que confirmaria que estavam juntos novamente, mas era melhor deixar com que Jazz e Alice tomassem seu tempo.

— Olá, boa noite! — Uma das mulheres no palco, tinham três delas ali, saudou a todos. — Meu nome é Caitlin e sou psicóloga, trabalho com adoção há quinze anos. Aqui comigo estão Diana Hansen, assistente social e Huilen Alves, criadora do grupo de apoio Mais Adoção — apresentou as outras duas. — Nós estamos aqui essa noite para falar um pouco mais sobre adoção para vocês, pretendentes a adoção, aqueles que já são pais adotivos, ou aos que tem interesse sobre o assunto. Tenham liberdade de nos perguntar o que quiserem e, se preferirem, podem falar conosco após a palestra. Diana, pode começar.

A assistente falou por um tempo sobre os tipos de adoção, o número de crianças que já tinham seus vínculos parentais com a família biológica e já podiam ser adotadas. Como, mesmo com investimentos sobre o assunto, a adoção ainda tinha um longo caminho pelo qual percorrer.

— Nós sabemos que muitos de vocês aqui, que estão no processo de adoção, estão muito ansiosos para conhecer seus filhos, ou poder levá-los de vez para casa — Caitlin disse. — É algo normal, esse tempo de espera é como uma gravidez até o dia do parto, que será quando levarem a criança para casa. Porém, todo o processo de adoção pelo qual tem passado também é muito importante, é preciso que conheçam o assunto a fundo, uma vez que ele será parte efetiva de suas vidas.

Alice suspirou, eu olhei para ela, vendo seus olhos cheios de lágrimas. Jasper a puxou para mais perto, deixando-a repousar sua cabeça no ombro dele e contornou o corpo dela com um braço.

— Muitas são as causas que levam uma pessoa, ou um casal, a procurar pela adoção — Caitlin continuou falando. — Infertilidade, idade avançada, entre outros. Mas, a principal motivação de entrar em um processo de adoção, deve ser a vontade de ter um filho. — Edward segurou em minha mão, eu desviei o olhar para ele, vendo-o com um sorriso glorioso no rosto ao ouvir o que a psicóloga disse. — E isso é o que mais importa, assim como aqueles que tem filhos pelo modo tradicional ao engravidar, ter um filho pela adoção é a mesma coisa, é uma família sendo construída ali e isso deve ser a prioridade. É necessário que os futuros pais tenham a real vontade de ter um filho por meio da adoção, que encarem isso com naturalidade, que se estivermos tratando de um casal, que ambos estejam em comum acordo sobre adotar, que não façam isso apenas por um deles querer, o bebê, a criança ou o adolescente que será adotado, necessita que os pais o acolham igualmente, seria estressante e frustrante passar por um novo processo de abandono, nesse caso dentro da nova família.

“É também muito importante, que os pais adotivos saibam que a criança não chegará até eles como uma folha em branco, sem um passado. Até mesmo aqueles bebês que são adotados assim que nascem, tem um passado, uma história de origem que deve ser preservada e respeitada pelos pais adotivos. Muitas vezes os pais querem poupar os filhos sobre seu passado, mentem, escondem ou fantasiam a verdade sobre o passado daquela criança, porém, deve ser feita justiça aquela história que a criança carrega, sua vida antes de chegar ao novo lar não poderá ser esquecida ou apagada.

A criança tem o direito de saber de onde veio, qual sua história. E se um dia quiser procurar pelos pais biológicos, por mais que isso possa assustar a família adotiva, isso tem de ser discutido e se possível realizado. Na fase da adolescência é muito normal que os adolescentes sintam grande vontade de buscar pela família biológica, é uma idade complicada e eles querem saber de onde veem, até mesmo para que possam compreender o futuro com mais naturalidade.”

Respirei fundo, Matthew tinha muito Laurent em sua mente, como nós conseguiríamos lidar com aquilo quando ele fosse mais velho e quisesse procurar pelo pai? Edward pareceu ler minha mente ali, se curvou na minha direção e beijou minha cabeça, ignorei o cheiro de Victoria nele, enfiando-me em seus braços.

— Bom, quem aqui já adotou? — Diana pegou o microfone, algumas pessoas levantaram as mãos. — Excelente, vocês devem ter muito sobre adaptação para falar e é um dos temas muito importantes a respeito da adoção, afinal será aquele período que os laços estarão se estreitando até que a adoção seja consolidada. O período de adaptação nunca será fácil, talvez um pouquinho mais rápido para aqueles que estejam adotando bebês, ou crianças menores, mas sempre será uma fase de questionamentos. É como logo após um parto, onde os pais, de primeira viagem ou não, ganham aquela responsabilidade por uma nova vida o que lhes leva a questionamentos sobre suas capacidades, o mundo e o filho.

“Para aqueles que estão adotando crianças maiores, a conhecida adoção tardia, o período de adaptação é geralmente dividido em algumas fases. Entre elas a fase do encantamento, onde a criança irá querer agradar os pais a todo instante. A fase da regressão, onde a criança pode agir como um bebê, fazendo xixi na cama, por exemplo. A fase de testes, quando a criança irá testar os pais para ter certeza de que eles não irão a abandonar.”

Diana falou por mais um tempo, então passou a vez para Huilen. Ela contou que tinha quarenta anos e um filho de dez anos, Nahuel. Ele tinha sido abandonado pelos pais biológicos assim que nasceu e cresceu entre abrigos e lares adotivos, até que Huilen o conheceu quando fez voluntariado como enfermeira no abrigo que ele estava. Isso tinha sido quando o garoto tinha sete anos de idade, desde então os dois estavam juntos. A forma como Huilen falou do filho me emocionou, podia ouvir o amor em cada palavra dela destinada ao menino.

— Não tenho um marido, ou namorado, então estou tecnicamente só nessa com Nahuel desde o começo. Passei por muito preconceito por estar adotando uma criança, principalmente por poder ter filhos biologicamente, muitos me achavam louca por isso, me mandavam procurar um namorado, casar e ter filhos da forma “normal”. Porém, não me arrependo nem um dia de ter adotado meu filho. — Apontou para o telão atrás de si onde tinha uma foto dela com o garoto. — Nós dois somos uma família pequena, mas há tanto amor nessa família. Foi por isso que criei o grupo de apoio Mais Adoção, queria ajudar casais, ou apenas pais e mães solos, que precisam conhecer mais da adoção e trocar experiências com outras pessoas. A palestra de hoje está acabando por aqui, mas quem quiser fazer parte do grupo é só falar comigo que eu os receberei de braços abertos, obrigada por terem vindo.

— Nós vamos, certo? — perguntei a Edward, enquanto as pessoas começavam a se dispersar no auditório.

— Com certeza, acho que será bom... — Ele se calou quando alguém chamou seu nome, nós seguimos o som, vendo o flash de uma câmera nos atingir. — O quê? Porra!

— Senhor Cullen, é verdade que você e sua esposa estão adotando? — o homem com a câmera perguntou, o que só podia indicar uma coisa, a adoção tinha chegado à imprensa e eles tinham chegado até nós.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 18.02.17