Nossa Família
31 Capítulo Trinta — Retaliação
Notas iniciais
— Capítulo Trinta —
— Retaliação —
Edward Cullen
Eles sempre estiveram por ali espreitando, algumas vezes surgiam mais, outras apenas tínhamos vaga consciência de que um ou outro poderia aparecer, mas de uma forma ou de outra, eles sempre acabavam ressurgindo. Não éramos celebridades que renderiam tantos acessos a eles, nem figuras políticas que definitivamente vendiam muito com escândalos. Nós tínhamos uma fortuna, um negócio mundial, outros negócios nacionais e alguns investimentos, isso já os fazia sentirem-se atraídos suficientes por nós, mas as celebridades e os políticos ainda tinham privilégios e estavam acima da gente no quesito assédio da imprensa.
Entretanto, por mais que tentássemos mantê-los a maior parte do tempo longe, algo os trazia à tona. E, naquele dia me senti péssimo por ter aquele tipo de gente por perto, expondo não só a mim, como a minha esposa e filhos, principalmente Matt que estava completamente alheio aquele mundo todo, mas já estava sendo inserido naquilo. Era horrível, eu odiei como não pude preservá-lo por mais tempo, assim como Nessie já tinha fotos suas sendo divulgadas em sua primeira semana de vida.
Assim que o fotografo, um paparazzi babaca como os outros, adentrou aquele auditório e começou a nos fazer perguntas sobre adoção. Puxei Bella de lá, querendo deixar o local para que pudéssemos nos refugiar em casa antes que mais deles aparecessem, pois eu já tinha aprendido que eles podiam se multiplicar de uma maneira assombrosa, em um instante ser apenas um e não muito depois ter dezenas deles ao redor.
— Vamos, Edward, fale um pouco sobre a adoção. — O cara insistiu, seguindo a mim, Bella, Alice e Jasper para a saída do hotel que aconteceu a palestra. Eu sabia que as pessoas ali deviam estar incomodadas e confusas com aquilo, então com certeza devíamos sair para que eles pudessem ter sua paz de volta, afinal não precisavam de um paparazzi irritante por perto só por eu ser um Cullen.
Eu amava minha família, amava como meu pai, meus avós e todos antes dele trabalharam tanto para solidificar nosso nome, desde a Irlanda até migrarem para os Estados Unidos, mas odiava os malefícios que vinham com isso. E isso incluía aquela parte das pessoas que achavam que tinham o direito de ficarem falando sobre nossas vidas, isso já tinha acontecido mil vezes antes. Quando o divórcio de Rosalie foi anunciado, quando Bella e eu casamos, quando as meninas nasceram, na morte dos meus avós, nós simplesmente não éramos respeitados em nossos momentos de família, tudo ia a público.
— Não temos nada a falar — me limitei a dizer, Bella caminhava ao meu lado com a cabeça baixa, seus cabelos soltos cobrindo parcialmente seu rosto para evitar tantas fotos. Eu sabia que ela odiava aquilo, ainda mais do que eu odiava. Diferente de mim, Bella teve anos de uma vida tranquila e completamente anônima, eu já tinha nascido sendo conhecido, jornais tinham anunciado meu nascimento nas primeiras páginas na época, estava acostumado a lidar com aquilo por trinta anos, Bella estava envolvida com aquela coisa por cerca de dez, mas ainda sentia-se sufocada quando a imprensa aparecia.
— Senhora Cullen, fale um pouco — o cara insistiu, botando a câmera perto demais do rosto de Bella.
— Ei, afaste-se dela, cara! — gritei com ele, colocando-a atrás do meu corpo, querendo a proteger a qualquer custo.
— Qual é, Cullen? Só estou fazendo meu trabalho. — Riu debochadamente de mim. — Além do mais, sua esposa é uma gata, merece ser fotografada!
Imediatamente soltei a mão de Bella, com o intuito de ir até aquele filho da puta e socá-lo, no mínimo. Porém, Jasper se colocou a minha frente, empurrando-me em direção a saída do hotel, enquanto Alice estava com Bella, aquela altura os seguranças já tinham sido chamados e tentavam tirar o paparazzi de lá pela saída lateral.
— Não vale a pena, amigo — Jasper falou. — Você não pode se meter em uma confusão agora, pense no Matt.
Suspirei, deixando um pouco da tensão e da raiva saírem. Eu ainda estava puto, mas Jazz estava certo, qualquer escândalo iria só nos prejudicar quanto à adoção de Matthew, não podia nos colocar em mais encrenca, por mais que fosse sonhar em socar aquele cara pelo resto da minha vida.
Não foi uma grande surpresa quando deixamos o hotel e nos deparamos com mais alguns paparazzi, os outros seguranças ali estavam conseguindo contê-los de chegarem muito perto da gente, mas as fotos e as perguntas continuavam. Alice permanecia com Isabella em seus braços, ela podia ser baixinha, mas seu olhar mortal direcionado a todos era assustador, eu estava ao lado da minha esposa e Jasper ia a nossa frente.
— Isabella, por que você não pode ter outro filho biológico? — Alguém gritou enquanto tentávamos chegar até meu carro do outro lado da rua, parecia ser uma distância medida em quilômetros.
Eu vi Victoria atrás dos abutres ali, com um sorrisinho sarcástico no rosto, sabia que tinha sido ela a contar para a imprensa. Senti raiva de mim mesmo por ter saído com ela no passado, Victoria podia ter jogado indiretas aquela noite sobre Bella ser uma alpinista social, mas era ela quem anos antes tinha se envolvido comigo por conta do meu status social. Eu era um jovem idiota que queria várias garotas e ela me viu como um bom partido, Rosalie descobriu que Victoria só estava envolvendo-se comigo para autopromoção, mesmo que na época sua família fosse bem rica, então eu terminei qualquer coisa que ela e eu tínhamos, já que nem podia chamar aquilo de um namoro.
Isabella se soltou de Alice, me afastou e foi até mais perto dos fotógrafos, que adoraram a aproximação dela para disparar mais flashes em seu rosto. No instante seguinte eu já estava ao seu lado, sem entender o que ela queria com aquilo, até que ela deu um grande sorriso — ele era falso, mas não era todo mundo que reconhecia os sorrisos de Bella como eu — e aquele sorriso era um indicativo de que minha esposa tinha um plano.
— Edward e eu iríamos esperar mais um pouco para deixar isso se tornar de conhecimento público — começou a falar, nunca deixando de sorrir, sua mão se envolvendo na minha. — Sim, nós estamos no meio de um processo de adoção. Infelizmente, meu marido e eu não podemos entrar em detalhes sobre isso agora. Só podemos dizer que estamos muito realizados com a adoção, é uma das melhores fases de nossas vidas e a família inteira está envolvida no caso e muito contente pela nossa felicidade.
— É um menino ou menina? — alguém perguntou.
— É uma criança de outro país?
— Vocês...
— Não podemos dar mais informações, lamento — Bella declarou novamente. — Oh Vick, querida, você está ai? — Ela acenou para Victoria, que bufou e revirou os olhos. — Bom, gente, como disse Edward e eu não poderemos dar mais detalhes sobre o processo de adoção. Mas, não faremos vocês terem perdido tempo vindo até aqui sem uma boa foto, não é?
Ela se virou de frente para mim, colando sua boca na minha. Aquela mulher era ardilosa, ela não estava na Terra para brincadeira e eu devia saber disso desde a primeira vez que a vi em Harvard. Isabella não estava somente virando o jogo ao nosso favor ao falar sobre a adoção — mesmo um pouco que fosse — e diminuir a curiosidade da imprensa, ela também estava dando um espetáculo para os urubus ali e de quebra esfregando nós dois na cara de Victoria, afinal ela com certeza também sabia quem tinha deixado aquilo vazar.
Eu a amava, poderia se passar um século e continuaria amando minha esposa de mente perversa.
Parte da minha mente prestou atenção nos inúmeros flashes sobre nós dois enquanto nos beijávamos, mas a maior parte da minha concentração estava presa em Bella em meus braços. Em como ela se encaixava perfeitamente neles, em como eu amava seu cheiro e seu gosto e que mesmo com um monte de gente fotografando aquilo — nos cercando e irritando — ela tinha aceitado ficar comigo, até o fim dos nossos dias, mesmo sabendo toda aquela merda que eu levava comigo por conta do sobrenome que carregava que Bella aceitou carregar também.
Quando terminou o beijo, Bella limpou minha boca marcada por seu batom, desejou um boa noite elegante aos paparazzi e nós seguimos o caminho que faltava até meu carro. Jasper disse algo sobre eu lhe ligar depois, mas eu ainda continuava extasiado por Bella e seu beijo.
— Eu vou matar aquela vagabunda filha da puta! — Bella gritou no momento que entramos no carro, batendo no painel do Volvo. — Seu idiota! — ela socou meu braço, me pegando de surpresa, para minha sorte ainda não estava dirigindo, mas comecei a fazer aquilo logo, antes que os paparazzi decidissem nos azucrinar mais.
— O que diabos eu fiz? — indaguei.
— Você fodeu com aquela vadia, foi isso que você fez — ela acusou. — Agora eu tenho mais uma ex sua inconformada para lidar, pois, claro, Irina não era o suficiente na minha vida. Isso é ridículo, como essas mulheres não conseguem te superar, eu te odeio por ter fodido com metade de Chicago, Edward Cullen.
— Bella, querida...
— Desculpe, eu só estou estressada — falou, olhei rapidamente para ela, vendo-a com o rosto vermelho de raiva. — Não te odeio, sabe disso, não é, amor? — perguntou, afagando meu braço no lugar que tinha batido antes.
— Eu sei — a tranquilizei. — Não se preocupe, entendo que está irritada.
— Irritada é pouco, Edward, eu estou furiosa. Ainda é cedo demais, não queria que descobrissem sobre Matthew assim, isso pode ser prejudicial à adoção. — Ela esfregou o rosto. — Juro que se algo fugir do controle por conta daquela vadia, eu mesma matarei Victoria, não me importo com as consequências, mas ela fez uma jogada baixa e não me importarei em revidar mais baixo ainda. Na verdade, não, eu devia revidar agora mesmo, independente do que vai se suceder disso, devia acabar com aquela vagabunda nesse exato instante.
— Só se perdemos o controle da situação, Isabella — teimei, ganhando um olhar assassino dela.
— Você está a defendendo, Edward? Lindo, isso é demais. O que vem a seguir? Vai aceitar ir beber o drink que ela propôs? Vá de uma vez, ela ainda deve estar lá querendo se esfregar em você, tenham uma boa noite.
— Bella, você está estressada, acalme-se — pedi.
— E você está querendo deixar passar que uma vadia fez fofoca sobre a gente, quando deveríamos estar pensando em retaliação.
— Bella, o que você quer que eu faça? — questionei. — Sério? O quê? Que eu suborne policiais para prenderem Victoria por ela ter ligado para a imprensa? Isso não é um crime, infelizmente. Que eu mande matá-la? E vá para um presídio logo em seguida. Nós estamos no meio de um processo de adoção, Isabella, não podemos nos envolver em problemas de cunho judicial agora, isso iria nos afetar muito mais que uma dúzia de paparazzi fazendo fofoca. Eu os odeio tanto quanto você, não queria que soubessem sobre Matt assim, mas não posso fazer nada sobre Victoria sem nos colocar em mais evidência desnecessária ainda, se ela contou em um par de horas sobre a adoção para nos atingir, não perderia tempo em contar sobre qualquer coisa que fizéssemos contra ela.
Isabella apenas continuou calada, o que não significava que o carro estava silencioso. Era como se aquele falso silêncio fizesse um barulho muito maior, era revoltante ter Bella irritada comigo, mesmo que fosse só por tabela por conta de uma ex garota que estive envolvido por algum tempo meia vida atrás.
Não voltamos a dizer uma palavra, assim que chegamos ao nosso apartamento Bella seguiu para o segundo andar, me deixando para trás. Eu a deixei ir, ela estava irritada, eu também, se continuássemos discutindo entre nós dois não seria nada legal.
— Ei, vocês demoraram. — Nelly chegou a sala. — Renesmee já está dormindo tem algum tempo, tem jantar na cozinha, só precisam esquentar. Cadê a Bella?
— A imprensa descobriu sobre a adoção, acho que ninguém está com fome — murmurei exausto, tinha sido um dia longo entre tudo aquilo e a quimioterapia da minha mãe, ainda precisava ligar para meu pai e checar como ela estava.
— Oh Deus! — Nelly exclamou. — Isso pode afetar o processo, não?
— Sim, eu nem quero pensar nas consequências, mas espero que estejamos apenas nos preocupando em excesso.
— Vai ficar tudo bem, se Deus quiser — Nelly falou, dando um sorriso maternal para mim. — Seu pai ligou, seu celular está desligado ou algo assim, ele pediu para avisar que sua mãe teve mais um pouco de náusea e vomito após o jantar, mas que está melhor.
— Ainda tem isso, ela tomou remédios para não passar mal, isso não deveria acontecer — bufei.
— Edward, ela ficará bem — Nelly insistiu.
— É, espero que todos nós fiquemos bem — falei. — Boa noite, Nelly. — Dei um beijo no topo da sua cabeça.
— Boa noite, menino, tente não se estressar muito.
— Fale isso para minha esposa — pedi enquanto subia para o segundo andar.
Antes de ir para meu quarto, ver se Bella estava mais calma e menos estressada com a pessoa errada, fui até o de Renesmee. A garota estava dormindo, agarrada ao pinguim Carl, toda coberta, o que indicava que a mãe tinha passado por ali antes de mim, depois de me certificar de que Ness estava bem, por fim segui para meu quarto.
Bella não estava ali, mas podia ouvi-la no chuveiro, fui para o banheiro, começando a tirar minhas roupas para tomar banho depois dela. Eu estava só em minhas calças, quando ela saiu do chuveiro, enrolada em uma toalha. Ela mordia o lábio e me olhava com atenção, seu olhar era doce e ela parecia mais tranquila.
— Eu sinto muito, Edward — sussurrou. — De novo, desculpe por isso. — Ela se encolheu. — Já estava no meu limite de estresse, então aquela vadia fez isso e...
— E eu não estou defendendo, Victoria, sabe disso, não? — indaguei, apoiando-me no balcão da pia.
— Claro que sei. — Bella suspirou alto, se aproximando de mim, suas mãos espalmando-se em meu peito, seus olhos fixos nos meus. — Mas, você não tem ideia de como fiquei quando vi aquela mulher pendurada em você — falou entre dentes, seu rosto ficando mais uma vez vermelho de raiva. — Como ela teve audácia de beijar seu rosto daquela forma tão intima. — Suas mãos chegaram aos meus ombros, apertando ali. — Eu não estou apenas irritada com aqueles malditos fofoqueiros e suas câmeras, estou irritada por estar com ciúmes e sei que já falamos sobre isso antes, mas a verdade é que ainda estou chateada com essa merda toda.
— Você é a minha esposa, Isabella — falei, deixando aquilo bem claro. — Victoria veio muito, muito antes de você e eu sequer me lembrava da existência dela até ela resurgir essa noite — confessei, Bella assentiu. — Acredite, não seria idiota ao ponto de trocar a garota incrível que tenho em casa por uma que não chega nem aos pés dela. — Bella abriu um grande sorriso ao ouvir aquilo. — Você não é apenas bonita, querida, é esperta, inteligente, engraçada, boa de cama. — Ela riu. — E a garota por quem eu me apaixono mais a cada dia. Então, sim, eu entendo seus ciúmes sobre o que viu e ouviu essa noite, sentiria o mesmo se um cara tivesse agido daquela forma com você, mas não precisa ficar mais irritada sobre isso, estou aqui, a sua frente, sendo completamente seu, querida.
— Bom discurso — Bella saudou, apoiando sua testa no meu peito. — Eu amo você, querido. Desculpe estar tão à flor da pele nos últimos tempos.
— Nós dois estamos — falei, contornando seu corpo com meus braços, erguendo-a pela cintura para que ela ficasse com as pernas entrelaçadas ao redor do meu corpo. Nos girei, sentando-a sobre o balcão da pia. — E sabe o que fazemos muito bem quando estamos tão emocionais assim? — perguntei, abrindo sua toalha, deixando-a cair sobre o balcão, Bella se remexeu, indo até a ponta para ficar mais perto de mim.
— O quê? — perguntou me lançando um olhar atrevido. — Brigar?
— O que vem depois da briga, especificamente. — Segurei em seu pescoço, puxando-a para mim, deixando meus lábios encontrarem-se com os seus, aquele sendo um beijo muito melhor e mais prazeroso do que o trocado na frente de todos aqueles paparazzis.
— Hum, sexo de reconciliação — Bella disse, como se já não soubesse daquilo desde o começo. — Eu gosto de como isso soa — falou, segurando no cós da minha calça. — Nós faremos aqui, desceremos até o Bugatti ou seremos tradicionais e usaremos a cama?
— Vamos respeitar o Bugatti — brinquei, mordiscando sua orelha. — Quanto à cama, tão ultrapassada, acho que devemos ficar por aqui esta noite.
— Não me oponho a isso. — Suas mãos chegaram aos botões da minha calça, abaixando o jeans, ajudei com aquilo, já tinha chutado meus sapatos antes, então foi fácil me livrar da peça de roupa. — Quando falei que te amava, estava me referindo a você por completo — falou com um sorrisinho malicioso, tocando-me por cima da cueca. — Sabe, fiquei bem contente com a forma que você partiu para cima daquele babaca hoje, não que apoie a violência — disse, sua mão nunca deixando meu pau, enquanto seus olhos focados no meus. — Mas, você fica sexy demais quando está bravo, Cullen. — Se inclinou na minha direção, capturando meus lábios nos seus. — Tão, tão sexy.
— E todo seu — falei, passando a tocar seus seios, ela gemeu baixinho, sua mão infiltrando-se para dentro da minha cueca por fim. — Amo você, sua ciumenta. — Ela riu, parando e gemendo mais alto quando uma de minhas mãos alcançou sua boceta. — Viu? Eu disse, querida, é para você que sempre volto todas as noites, as manhãs e tardes.
— Eu sei disso — falou por trás de um suspiro, ficando ainda mais na ponta do balcão, deixando-me com mais acesso a ela, aproveitando para abaixar minha cueca que logo foi ao chão.
Nós continuamos nos tocando, enquanto eu depositava beijos em sua pele ainda molhada pelo banho. Tê-la ali era maravilhoso, principalmente depois de tanta tensão naquele dia, sem duvidas sexo de reconciliação era o melhor.
— Querido, por favor — implorou, sua mão livre apertando meu braço, suas unhas cravando-se em minha pele. Ela já estava completamente molhada em minha mão, não pelo seu recente banho. — Eu preciso de você. — Tirou sua mão de mim, acomodando-me entre suas pernas. — Agora!
Deslizei para dentro dela em uma só vez, vendo seus olhos fecharem e seus lábios apertarem-se em uma linha, ela estava contendo-se de gritar e aquilo era adorável, ela não conseguiria por muito tempo, de qualquer forma. Suas mãos ficaram em minhas costas, suas unhas fazendo um estrago ali também, eu ficaria completamente marcado, mas seria por uma causa excelente, sem duvidas.
— Querida? — a chamei, ela abriu os olhos, vendo-me umedecer dois dedos, os levando até seu clitóris.
— Porra, Edward — xingou, suas unhas me arranhando, até ali ainda de leve, quando comecei a estimulá-la, foi minha vez de sorrir para ela, sem parar meus movimentos, ou deixá-la parar os seus.
Em algum momento aquilo tudo foi demais para ela, pois Bella gritou, automaticamente tapei sua boca com a mão livre. Então, sua única forma de extravasar foi arranhando minhas costas por completo e para valer, deixando com que eu xingasse daquela vez, aquela merda doía, mas ao mesmo tempo tinha seu lado bom.
— Babe, pegue um pouco mais leve — pedi, sentindo a ardência.
— Você está envelhecendo, nunca pediu para eu ir mais leve antes, senhor Cullen — provocou.
— Eu não estou velho. — Deixei seu corpo, seu olhar ficando desesperado com minha ausência. — Aparentemente alguém quer o velho de volta.
— Termine o que começou — exigiu, umedecendo os próprios dedos e os levando até sua boceta. — Ou tudo bem, fique ai, eu sou capaz de fazer isso sozinha e quem sabe muito melhor.
— Não é uma dificuldade assistir. — Era, era e muito, eu queria estar com ela, não ser um mero telespectador. — Droga. — Fui até ela, Bella sorriu triunfantemente. — Não seja arrogante.
— Olha quem fala, o... — Ela se calou quando voltei a penetrá-la, mordendo seu lábio. Assumi seu lugar ali, beijando e mordendo seu lábio, enquanto nossos corpos trabalhavam juntos em um ritmo frenético.
Eu gozei primeiro, evitando machucar Bella naquele momento, tirei minhas mãos dela, segurando com força no balcão, enquanto deleitava-me dentro da minha esposa. Logo depois deixei meus dedos assumirem o lugar que antes meu pau ocupava, Bella estava tão focada naquilo, novamente com os olhos fechados que não reclamou da mudança, então sabia que ela estava gostando.
Ela estava com o rosto todo vermelho, mas para minha alegria não por raiva, sim prazer. Seu corpo já estava seco do banho e quente, mas ela estava com uma aparência deliciosa com os cabelos ainda úmidos grudando em sua pele. Eu me inclinei para poder beijar seu pescoço e seios, dividindo minha atenção entre eles, enquanto continuava deixando meus dedos trabalharem em sua boceta.
Pude sentir seu orgasmo chegando, ela começou a ficar ofegante, seus gemidos mais altos e suas mãos voltaram as minhas costas, arranhando-me com um pouco mais de cautela. Quando ela gozou, inclinou sua cabeça para trás, acertando o espelho na parede ali, por um instante pensei que o vidro quebraria sobre nós dois, mas ele apenas balançou e Bella xingou entre dor e prazer.
— Ai, porra!
— Ei, querida, você está bem? — perguntei preocupado, ela assentiu, levando uma mão ao local que atingiu o espelho.
— Sim.
— Não quer ir ao médico checar isso? — Massageei o local por ela. — Você pode ter uma concussão.
— Terá valido a pena — disse manhosa, entre o cansaço, seu pós orgasmo e talvez por dor.
— Querida, você não pode dormir agora. — Comecei a beijá-la, querendo a manter desperta. — Vamos ao médico — declarei.
— Não, estou bem — afirmou, retribuindo meus beijos. — Mas, concordo, não vou dormir agora. Isso quer dizer que você ficará acordado também. — Suas mãos percorreram meu corpo provocativamente.
— Sexo a noite toda?
— Não, atuaremos a noite toda. — Ela riu.
— Eu amo atuar, sabe que aprecio muito nossas peças. — Voltei a beijá-la.
***
Eu tive de dispensar a academia na manhã seguinte, Bella e eu tínhamos ficado acordados até muito tarde e ambos estávamos exaustos. Sua cabeça tinha melhorado logo, mas nós realmente levamos a sério nossa atuação e quase dormimos no chão do banheiro, mas reunimos o resto de força em nós para chegar à cama.
— Adivinha! — Bella gritou do quarto, deixei o closet, terminando de vestir meu terno.
— O quê? — Pelo celular já em sua mão podia deduzir que era algo sobre o trabalho, ou que as fotos tinham finalmente chegado até nós depois de rodar a internet toda.
Ela estendeu o aparelho até mim, deixando-me ver que era a segunda alternativa.
— Todas as abas no navegador são sobre isso — falou com tédio, terminando de se arrumar, eu apenas passei pelas manchetes dos sites, sem querer perder tempo lendo nenhuma reportagem que poderia ser cheia de mentiras.
“Edward Cullen e sua esposa tem problemas com paparazzis.”
“Edward Cullen é visto em um hotel concorrente.”
“Família Cullen vai ganhar mais um herdeiro.”
“Edward Cullen e sua esposa irão adotar bebê indiano.”
“Adoção por parte de Edward Cullen seria apenas para agradar a esposa.”
“Edward Cullen é pai pela segunda vez!”
“O beijo quente de Edward Cullen e sua esposa.”
“Assim como Edward Cullen, conheça outros famosos que adotaram.”
“Caridade, ou amor? O que há por trás da adoção que Edward Cullen fará?”
“Crise no casamento levou Edward Cullen e a esposa a adoção.”
“Estaria Isabella Swan perdendo Edward Cullen?”
Eu me detive naquela, lendo a matéria.
“Isabella — antigamente Swan — hoje Cullen, conheceu Edward, o herdeiro de Carlisle Cullen em 2005 na Universidade de Harvard onde os dois estudavam e ela era bolsista. Com apenas alguns meses de namoro, a garota logo tratou de engravidar do bilionário, tendo a primeira filha do casal, Renesmee Cullen.
Eles se casaram alguns meses depois, após muita especulação de que o namoro não duraria ao nascimento da filha. E, para a surpresa de muitos, o casamento tem durado por quase dez anos. Mas, todos sabem que a família Cullen passou por turbulências no começo do ano quando a irmã mais velha de Edward, Rosalie, se divorciou de Royce King II. Será que o outro herdeiro Cullen estaria passando pelos mesmos problemas que a irmã passou em seu casamento mal sucedido?
Lembrando que Royce traiu Rosalie, fotos com a ex-secretária comprovam isso, assim como entrevistas que a mulher concedeu na época, após vazar por conta própria todo o caso a imprensa. Edward Cullen e Isabella estariam enfrentando crises de traições? Seria a adoção de um novo filho, ou filha, uma tentativa de reaproximar o casal? Ou apenas uma forma de pagarem de bons moços e desviarem atenções da crise?
Sabe-se que ontem, no hotel que os dois estavam para uma palestra referente à adoção, junto aos amigos Jasper Whitlock e Alice Brandon, também foi vista uma das ex-namoradas de Edward, Victoria Gilbert. O Cullen estaria tendo um caso com a ex? Bem debaixo dos olhos da esposa? Baixo e pesado!
Agora, resta esperar saber se o conto de fadas de Isabella terminará com um final feliz, ou se ela terá um final de terror tendo o sobrenome Cullen e toda a glória que conseguiu com ele sendo tirado de si. Nos perguntamos também se ela continuará com seu alto cargo no hotel sede do Grupo Cullen, ou se isso também cairá por terra quando ela for trocada.
Aparentemente, todos estavam certos sobre Isabella quando disseram que ela não duraria muito no mundo dos Cullen. Seu vencimento pode ter prorrogado um pouco, mas está chegando ao fim.”
Se Isabella estava furiosa no dia anterior, não havia um adjetivo que pudesse explicar o quão puto estava com aquilo. Passei seu celular de volta a ela, já pegando o meu e ligando para Tanya.
— Edward? — minha esposa perguntou preocupada, seguindo-me para fora do nosso quarto.
— Você está certa, vai ter retaliação. Não temos como provar que tem dedo de Victoria nisso, mas todos os jornalistas que publicaram qualquer coisa tendenciosa sobre nós serão processados.
— Edward, não, eu estava com a cabeça fora do lugar ontem a noite, não faça isso — ela pediu, descendo a escada que levava a cozinha comigo, Nelly e Nessie estavam lá tomando café. Tanya não me atendia, o que só me deixava mais bravo ainda.
— Eles estão falando da nossa família, Bella. Estão falando de você, é como voltar anos atrás quando eles diziam que era a porra de uma alpinista social, eu não vou deixar isso ficar de lado dessa vez.
— Papai, você disse um palavrão — Nessie falou, assustada com meu tom de voz.
Respirei fundo, tentando me controlar, sendo quase impossível.
— Eu já passei por isso antes, posso passar de novo — Bella garantiu, mas seu olhar mentia suas palavras. — Edward, por favor, temos de pensar no Matt, isso pode ser ruim para a adoção.
— O que está acontecendo? — Renesmee perguntou preocupada.
Fui até ela, sentando ao seu lado.
— Edward...
— Ela precisa saber — cortei Bella. — Princesa, é o seguinte — falei para Nessie, mantendo a calma. — Há jornalistas por ai que são mentirosos, que inventam noticias falsas para ganhar mais dinheiro com suas matérias. Há alguns desses agora inventando coisas sobre nós, sobre nossa família. Isso já aconteceu antes, está voltando a acontecer agora. Odeio colocar você e seu irmão nisso, mas eu preciso resolver essa situação, não posso deixar essas pessoas ficarem mentindo por ai.
Ela concordou com um aceno de cabeça.
— Você não vai desistir, não é? — Bella me perguntou, cedendo.
— Não — afirmei, ligando para Carlisle, falando assim que ele atendeu. — Pai, eu preciso dos seus melhores advogados.
***
Não foi uma quarta-feira tranquila, eu me reuni com meus pais e seus advogados pela tarde — Tanya estava fora do jogo por conta da gravidez e ordens de seu médico para repousar até o fim da gestação — para tratar de todos os processos que queria contra qualquer jornalista sensacionalista. Enquanto Bella voltava para casa e mostrava o lugar para a assistente social que inspecionaria o local e, sabíamos que naquela mesma tarde, Agatha — a psicóloga responsável por nosso caso — tinha entrevistas por telefone com seus pais e padrasto. Tudo estava acontecendo ao mesmo tempo.
— Ligue para Jenks, preciso falar com ele agora — ordenei a Jessica quando voltei ao andar financeiro. Eu estava tão mal humorado aquele dia com todas as reportagens e o mundo especulando sobre Matt, meu casamento e minha família, que ninguém ali ousava cruzar meu caminho ou me desobedecer.
Contei o caso a Jenks, que me ouviu pacientemente para falar:
— Não se preocupe, Cullen. Eu cuidarei para que isso não interfira no processo de adoção, pode cuidar com os outros advogados sobre as calunias e difamações nas matérias. Vou manter o Estado ao nosso lado, sendo modesto, conseguirei.
— Ótimo, estou pagando por isso — resmunguei. — Alguma chance da psicóloga nos contar como foram as entrevistas com os pais e padrasto de Isabella, principalmente com a mãe? — indaguei vendo a mensagem que a visita a nossa casa tinha sido ótima, assim como a entrevista com o pai dela, mas que não tinha recebido noticias do Arizona.
— Não, ela tem de manter o sigilo, sua sogra teria de falar nesse caso.
— Okay, qualquer coisa me ligue — exigi e desliguei, colocando minha cabeça entre as mãos, estourando de dor ali.
Alguém bateu na porta e vi Jasper entrar, trazendo alguns documentos.
— Você precisa de uma aspirina? — perguntou.
— Não, preciso que a merda desses jornalistas parem de espalhar boatos, que meu filho vá para casa de uma vez e que minha mãe se cure.
— O quê? Sua mãe está doente? — Jazz perguntou perplexo, acenei positivamente com a cabeça. — O que ela tem? — Sentou do outro lado da mesa.
— Câncer de mama — contei. — Eu quis te contar antes, mas ela não queria que muita gente ficasse sabendo ainda. — Bufei. — O que provavelmente não demorará muito até ser revelado, agora que temos os jornalistas na nossa cola.
— Eu sinto muito — Jasper disse, visivelmente abalado sobre a doença de mamãe. — Mas, Matt estará em casa na sexta, os jornalistas logo serão processados e sua mãe ficará boa, tia Esme é forte.
— Talvez eu precise mesmo daquela aspirina.
— Sinto muito, chefe, preciso que reveja os documentos que surtou hoje de manhã porque ainda não estavam prontos. — Jogou a pasta para mim. — Se quiser depois que sairmos daqui podemos ir encher a cara. — Ele levantou da cadeira. — Não vou abraçá-lo para não acender a chama de amor que tem por mim, Cullen, mas sabe que estou aqui para o que precisar, amigo.
— Eu sei, obrigado — agradeci sinceramente. — Como você e Alice estão?
Ele sorriu.
— Estamos indo bem, ela será minha acompanhante na peça no sábado. Talvez aja um progresso maior ai, vamos ver. — Ele apontou para os documentos. — Trabalhe, Cullen, isso sempre distrai sua mente.
Eu assenti, o deixando ir, parando de ler os documentos quando vi uma mensagem de Rose em meu celular.
Rose: Aguente firme, irmãozinho, estaremos rindo disso tudo em Paris em alguns meses. Amo você.
Eu me prendi aquilo, queria Paris mais do que nunca, sabendo que aquilo significava quando tudo voltaria aos eixos para a família.
***
Quinta-feira passou sem grandes novidades, reportagens sobre a adoção continuavam sendo divulgadas e estavam chegando bem perto de Matthew, qualquer um que passasse dos limites estava entrando na lista do processo. Agatha entrevistou Alice e Bree e ambas deram respostas positivas a Bella e eu quando perguntamos como tinha sido, mas nós ainda não tínhamos recebido nenhuma noticia do Arizona e nem mesmo minha cunhada conseguiu algo de seus pais.
Jenks também estava mantendo tudo sob controle como prometido, até aquele momento nenhum impedimento em nosso processo por conta dos boatos, ou de nenhuma outra coisa que pudesse nos prejudicar. Minha mãe continuava tendo enjoos e vomitando, mas em escala menor e estava radiante com a aproximação do fim de semana que teríamos com Matthew, parecendo muito mais com a Esme Cullen que todos nós conhecíamos antes de ficar bem diferente quando descobriu a doença.
— Eu pensei em um almoço aqui em casa, no domingo, para toda a família, Nelly, Jazz e Alice. Um almoço no quintal, as crianças poderão usar a piscina e aproveitar que o tempo está ficando bem melhor agora — ela falou empolgada no fim daquele dia para mim e Bella por telefone. — Nós também podemos sair para jantar depois da peça de Renesmee no sábado, o que acham? Uma pizzaria, nada de restaurante chique, quero que todos possam se sentir mais à vontade. — Bella sorriu do celular para mim, repousando a cabeça em meu peito. — Deus, eu realmente preciso desse fim de semana, quero todos reunidos e um pouco de paz disso tudo que vem acontecendo.
— Nós também — entoei.
— Vocês tem alguma ideia de como decorarão o quarto de Matt? Podemos aproveitar o fim de semana e perguntar como ele quer o espaço — mamãe continuou a falar. — E é o aniversário dele no próximo domingo, tem de haver uma festa.
— Esme, acho que nenhum de nós está apto para uma grande festa agora — Bella interviu. — Também não sabemos se estaremos com Matt no próximo fim de semana, nosso advogado já fez o pedido, mas eles irão usar esse fim de semana para avaliar a situação e ver se poderemos tê-lo em outros dias.
— Ninguém merece — minha mãe reclamou. — Tudo bem, eu deixarei algumas ideias em mente caso conseguirem estar com ele no domingo. Mas, ano que vem ninguém irá me deter, esse menino terá uma gigantesca festa de aniversário e cuidarei de tudo pessoalmente.
Bella riu.
— Nenhum de nós ousaria detê-la quanto a isso, Esme.
— Certo, me avisem sobre qualquer coisa, eu estou empolgada demais com a vinda dele pelo fim de semana. Será que ele não poderia dormir por aqui um dia? Seria magnífico ter os quatro reunidos em uma festa do pijama, ou acampando no quintal como Rose e Edward faziam, apesar de que Matt estará em desvantagem com tantas meninas. Hey, eu vou desligar, aproveitem e produzam mais um garoto, agora — ordenou.
— Mãe! — protestei, Bella gargalhava alto ao meu lado.
— Me obedeça, produzam mais um! — Ela desligou, Bella parou de rir e pulou para meu colo.
— Você está protegida — lembrei.
— Mas, ainda podemos treinar. — Ela me beijou. — E estou com muito tesão.
— Ei, eu ainda não tinha desligado, só me afastei do telefone por instante! — Mamãe gritou horrorizada.
— E nós estamos te obedecendo.
— Tchau, Esme, amamos você! — Bella exclamou, desligando o celular. — Agora, vamos ao que interessa, Cullen.
— Com certeza. — Comecei a tirar sua roupa.
***
Sexta-feira parecia um dia com mil horas, a todo instante eu checava o relógio querendo ter certeza de que não estava na hora de ir buscar Matt junto com Bella. Nós ficaríamos em casa aquele dia, deixando-o se adaptar mais a nós dois, Nelly e Nessie, já que o resto do fim de semana seria bem intenso com a peça de Renesmee e o almoço na casa dos avós.
Quando, por fim, chegou a hora de ir buscá-lo. Fui me encontrar com Bella, ela parecia tão radiante quanto eu sentia que estava por finalmente estávamos indo levar Matthew para nossa casa, mesmo que só por alguns dias.
Nós o buscaríamos no abrigo, então de lá buscaríamos Renesmee na escola. Era uma surpresa para a ruivinha, ela pensava que só veria o irmão quando estivesse em casa e que Félix a buscaria aquele dia.
Conduzi o Volvo até abrigo com rapidez, Bella não se importou em reclamar do meu excesso de velocidade, querendo chegar logo lá como eu queria. Nós tínhamos temido que a imprensa descobrisse sobre a gente indo buscar Matthew, mas não tinha ninguém lá quando chegamos ao abrigo.
Nós assinamos termos de consentimento, pegamos alguns documentos necessários caso fosse preciso para alguma emergência e finalmente trouxeram Matthew. Ele estava hesitante, com uma mochila em suas costas, uma camisa polo e calça jeans, até um all star tão pequeno que achei uma graça.
— Hey, vamos para casa! — Bella não pode se conter, o pegando no colo, enchendo o rosto dele de beijos, o que fez Matt rir.
— Vamos? — perguntei também animado para ele, pegando sua mochila para que ele não carregasse peso. — Iremos buscar Renesmee na escola, é uma surpresa.
— Tudo bem — concordou.
— Amo você, mas não consigo carregá-lo por muito tempo — Bella confessou, colocando-o no chão, mas segurando sua mão enquanto eu guiava os dois para fora do abrigo. Era ainda melhor do que levá-lo ao aquário por um dia, muito melhor, mesmo.
Renesmee não usava mais cadeirinha devido a sua idade, mas para Matt e seus ainda sete anos, nós precisamos equipar o carro com um acento especial para ele no banco de trás. Bella deixou-me colocá-lo ali, sabendo que assim como ela, eu também já estava especialista em todos aqueles apetrechos depois de anos lidando com as cadeirinhas de Renesmee.
— Hoje iremos ficar em casa — Bella começou a repassar o cronograma para Matthew, enquanto eu começava a dirigir para a escola de Ness. — Teremos uma noite de filmes, você e Nessie podem ficar acordados até mais tarde. — Chequei Matt pelo espelho, ele ouvia atentamente cada palavra dela. — Amanhã ela apresentará sua peça e você será o convidado especial da noite. — Aquilo era algo de Nessie, ela tinha desenhado em seu notebook um convite especial para Matt, estava escrito:
“Para meu irmão, o convidado de honra da noite.”
Tinha muito glitter na arte, mas até eu achei fofo.
— No domingo iremos passar o dia na piscina na casa dos pais do Edward.
— E seus pais, tia Bella? — perguntou curioso, suas pernas curtas balançando já que não chegavam ao chão do Volvo.
— Eles moram em outras cidades, espero que possa os conhecer o quanto antes. — O sorriso dela vacilou. — Você sabe nadar? — mudou de assunto, Matt negou com um aceno de cabeça.
— Não.
— Querido, isso é com você — falou para mim, afagando meu braço. — Edward nada melhor do que eu, ele será seu professor — disse para Matt, ela estava falando tanto e tão rápido, que eu mal podia acompanhar, parecia muito com Renesmee.
Bella dominou o caminho inteiro falando até chegarmos ao colégio, então deixou o carro, indo buscar Renesmee, dizendo que iria dizer que algo tinha dado errado e que Matt não poderia ficar conosco no fim de semana. Aquilo seria um bom primeiro de abril atrasado para Ness, ela surtaria ao ouvir aquilo e depois ao ver Matt.
— E se eu me afogar na piscina, Edward? — Matt perguntou preocupado quando Bella saiu.
— Você não vai — garanti. — Estará no raso, com boias e comigo ao seu lado.
— Você não vai me deixar afundar? — insistiu.
Me remexi no banco, o olhando diretamente.
— Nunca deixaria você se machucar, Matthew, é uma promessa.
Ele assentiu.
— Certo.
A porta do carro se abriu e vimos Nessie, por um milésimo de segundo antes do grito dela ser tão alto que todos os outros sentidos pararam.
— Matthew está aqui! — Se jogou sobre o irmão, o sufocando em um abraço apertado.
— Filha, calma — Bella pediu, fazendo-a largar Matt.
— Mamãe, você mentiu para mim! — Renesmee acusou, mas estava feliz demais para ficar com raiva.
— Queríamos que fosse uma surpresa — falei, ela assentiu, abraçando Matthew com cuidado.
— Eu tenho um cronograma para o fim de semana, Matthew — ela declarou, eu suspirei, ela estava virando a mãe com tantos planos. Logo estava falando sobre tudo que queria fazer com Matthew, sendo vetada por algumas coisas por Bella, até mesmo Matt dava sua opinião sobre o que queria ou não fazer, os três agitados e empolgados.
Eu apenas fiquei calado, minha família estava reunida novamente, não deixaria ninguém desfazer aquilo — aquela felicidade que sentíamos — com mentiras.
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