Nossa Família
38 Capítulo Trinta e Sete — Gerente
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Sete —
— Gerente —
Isabella Cullen
Meu primeiro cargo no hotel foi no setor de recursos humanos, eu tinha relutado muito em aceitar o emprego oferecido por Carlisle, principalmente levando em conta que logo após minha formatura casei com Edward, mas o presidente do Grupo Cullen conseguiu que eu aceitasse a oferta. Então, ao longo dos anos, fui sendo remanejada para diversos setores do hotel, marketing, recepção, eventos, treinamento, até que por fim cheguei ao setor mais alto dentro do hotel sede em Chicago, a gerência geral.
Quando me tornei a gerente geral percebi o que Carlisle queria quando me fez percorrer por todo o hotel durante os últimos anos, ele estava me fazendo aprender na prática sobre cada mínimo detalhe de hotelaria. Eu fiz cursos que me ensinaram a teoria, mas a prática era fundamental quando você se vê no meio de problemas reais. Então, ter crescido dentro do hotel me deu uma base de segurança para encarar de frente o desafio de ser a principal gerente do hotel sede de um dos grupos hoteleiros mais famosos do mundo.
Sabendo disso, quando pisei no hotel na segunda de manhã, eu me enchi de certeza de que aquele era meu lugar, não de Irina. Ela tinha uma formação em Harvard, foi educada nas melhores escolas do país, teve professores particulares e tudo o mais, porém não conhecia aquele hotel como eu, não saberia de um dia para o outro assumir todas as responsabilidades que ele exigia.
— Bom dia, senhora Cullen, teve um bom fim de semana? — Jim, o concierge do hotel, me recepcionou quando entrei ali após deixar o Volvo de Edward, que seguiu para a garagem do prédio de negócios do hotel. Para minha sorte, mesmo que Chicago estivesse sobre uma chuva torrencial, a entrada do hotel contava com uma cobertura que me impediu de acabar encharcada dos pés a cabeça.
— Um excelente fim de semana, Jim — respondi sorridente, sendo acalentada com o calor da recepção do hotel.
Tinha mesmo, sido um bom fim de semana, quero dizer. Ainda com todos os contratempos acontecendo foi quando tivemos Matt em casa pela primeira vez, os bebês de Tanya nascendo, a peça de Ness, Jazz e Alice voltando, Rose e Emm podendo se conhecer melhor. Eu estava feliz, pois as coisas ruins estavam ali — como sempre na vida —, mas nós também estávamos tendo as coisas boas.
— O seu foi bom? — perguntei de volta a Jim, retirando meu casaco.
— Sim, meu filho mais velho recebeu a visita de um olheiro da faculdade no jogo de basquete dele, estamos confiantes que teremos um bom resultado na chamada, ele teve um bom jogo.
— Fico feliz por isso, Jim. — Peguei minha bolsa que ele segurou enquanto parei para tirar o casaco. — Deixe-me saber quando seu garoto for selecionado para a faculdade, farei questão de lhe pagar uma garrafa de champanhe em comemoração.
— Obrigado, senhora Cullen — ele agradeceu animado.
— Preciso ir agora. — Vi Emmett junto ao pessoal no balcão da recepção. — Tenha um bom trabalho, sabemos como as pessoas ficam impacientes com toda essa chuva.
— Pode deixar, senhora Cullen, os receberei da melhor maneira possível.
— Sei que sim. — O deixei seguir até um casal que entrava no hotel aquele momento, indo então até aquele que poderia ser meu futuro cunhado caso Rose e ele desenrolassem. — Olá, Emmett, o que tem de novo para mim? — Nós tínhamos conversado por ligação durante meu tempo presa no trânsito, mas ele tinha dito que tinha algo de importante para falar pessoalmente.
— Preparada? — Ele deu um sorriso tenso.
— Sempre, pode mandar a primeira bomba do dia — pedi, seria realmente só a primeira e eu sabia disso, Carlisle teria uma reunião com Eleazar ainda aquela manhã e já estava esperando por tudo que viria disso.
— O pessoal do presidente ligou, eles estão vindo no começo de junho — Emmett contou.
— Ótimo. — Suspirei, começando a me locomover até minha sala, com Emmett me seguindo. — Visita oficial?
— Isso, mas a primeira dama e os filhos virão juntos também. A assessoria dele também quer um baile oficial já que eles estarão aqui no dia do aniversário da primeira dama, nós já reservamos o salão de festas.
— Perfeito. — Assenti. — Deixe-me saber de cada preparativo para a recepção deles, Emmett.
— Senhora Cullen. — Ângela me encontrou. — O senhor Cullen ligou, pediu que você o encontrasse em uma hora para uma reunião.
— Qual senhor Cullen, Ângela? — perguntei, assim como as mulheres da família, também era difícil saber qual o senhor Cullen sem um contexto.
— Carlisle Cullen — ela disse o nome do chefão, praticamente tremendo. Mesmo com Carlisle trabalhando no prédio ao lado, toda a equipe do hotel ficava nervosa quando ele aparecia por ali, ou quando entrava em contato direto.
— Uma reunião, você disse? — perguntei a Ângela, logo percebendo que Carlisle estava me chamando para a reunião com os Denali.
— Sim, senhora.
— Certo, cancele ou adie tudo que eu teria de fazer essa manhã. Emmett, você pode assumir algumas coisas? — Não sabia o quanto de tempo aquela reunião levaria e, como as coisas ficariam depois dela.
— Claro — ele concordou prontamente. — Podemos conversar mais sobre a vinda do presidente? Há todo um sistema tático sobre isso, a equipe dele mandou uma papelada imensa que devemos trabalhar em cima.
— Sim, vamos começar com isso enquanto eu não tenho de sair. — Abri a porta do meu escritório. — Ângela, restrinja minhas ligações, apenas avisos importantes vindos da família ou do prédio empresarial.
— Certo, há alguns avisos sobre sua mesa.
— Eu os terei agora — falei para ela, entrando com Emmett ali, fechando a porta.
Ele logo começou a falar sobre a vinda do presidente, todas as especificações necessárias que a Casa Branca e o Serviço Secreto queriam que nós seguíssemos para receber Aro Volturi. Eu não o conhecia pessoalmente, quando ele passou com sua campanha por Chicago tinha se hospedado no hotel dos Boyne e não cruzou meu caminho.
Carlisle o conhecia, não era nada fã de Aro, mas obviamente com o Volturi sendo eleito o novo presidente, meu sogro precisou emitir notas de congratulações no ano passado quando a eleição ocorreu. Eu só podia esperar que a hospedagem de Aro, da família Volturi e de sua equipe no hotel fosse o mais tranquila possível, para que nada saísse do controle.
Emmett estava falando, enquanto eu via os recados deixados por Ângela em minha mesa, quando uma batida na porta nos distraiu. Eu liberei a entrada, vendo minha assistente.
— Senhora Cullen, a assistente do seu marido ligou, ele está pedindo que você vá até lá imediatamente.
Engoli em seco ao ouvir aquilo, Edward e eu tínhamos praticamente acabado de nos ver, o que ele já tinha para falar comigo em um período tão curto de tempo? E, a reunião com Eleazar sequer tinha acontecido, o que me fez pensar que não era nada sobre isso, o que por tabela colocou em minha mente que era algo sobre a família, minha mente voando diretamente até Matthew.
Tinha sido uma noite terrível depois de deixá-lo no abrigo, estava apavorada que algo pudesse ter acontecido naquele meio tempo com meu menino.
— Nós terminamos isso mais tarde, Emmett — falei para ele, quase sem conseguir esconder meu nervosismo.
— Tudo bem, eu vou preparar alguns relatórios para você sobre a vinda do presidente — ele falou, levantando-se da cadeira que tinha sentado.
— Faça isso. — Recoloquei meu casaco, já seguindo para fora da minha sala.
Algumas pessoas quiseram me parar no lobby do hotel, mas pedi desculpas e informei que precisava me ausentar por um instante, seguindo apressadamente até o prédio ao lado. Como sempre, minha entrada ali não foi um problema e, logo eu estava no elevador que me levaria até o andar financeiro onde encontraria meu marido.
A tela acoplada no elevador exibia propagandas dos hotéis do Grupo Cullen do país e mundo, Las Vegas, Los Angeles, New York, Londres, Dubai, São Paulo, eram muitos hotéis, por todo o globo. E, de alguma forma aquilo me deixou tensa, pensar que o Grupo Cullen poderia enfrentar sérios riscos se Eleazar Denali resolvesse tirar seus investimentos.
Mas, eu chutei aquilo para fora da minha mente quando as portas do elevador se abriram. Afinal, em minha cabeça eu estava indo até Edward para tratar de algo sobre Matthew. E se Jenks tivesse ligado e dado más noticias? Se Matthew tivesse odiado o fim de semana e dito isso alguém? Nós estávamos fora? Eu não podia lidar com isso, ele já era meu filho.
— Senhora Cullen! — Jessica pareceu profundamente aliviada quando me viu, o que não pude deixar de estranhar, afinal sabia que a mulher me detestava.
— Edward? — perguntei a ela, vendo a sala dele às portas fechadas e com as persianas baixas. Ele só as mantinha baixas quando estava tendo reuniões ali, ou quando nós dois matávamos trabalho para usar sua mesa para fins indevidos.
— Ele está com o senhor Whitlock, está esperando pela senhora — ainda com urgência em sua fala, Jessica saiu do lugar atrás de sua mesa, fazendo questão de ir abrir a porta da sala de Edward para mim. — Água, café?
— Não, tudo bem — respondi, deixando com que ela abrisse a porta e se afastasse.
Como Jessica tinha dito, vi meu marido e Jasper lá dentro. Edward estava de costas para a porta, remexendo em seu porta canetas sem parar, Jasper distraído em seu celular.
— Edward? — Ele se virou para me olhar, seu olhar era furioso. — O que aconteceu? Por que mandou me chamar?
— Eu preciso que me ajude a salvar Boston, senhora Cullen.
Não entendi muito mais daquela confusão com aquilo, mas percebi que ele precisava de mim como uma administradora ali, não como sua esposa. Respirei fundo, um filme de meus anos em Harvard passando em minha cabeça naquele instante, entrei na sala e bati a porta atrás de mim.
— Por onde devo começar?
Tirei meu casaco, jogando sobre o sofá na sala de Edward.
— Garrett? Onde diabos você está? — Jasper falou ao telefone, com ódio crescente em sua voz, suspirou e desligou. — Continua indo direto para caixa postal, Edward — falou para meu marido, que pareceu ainda mais furioso ali.
— Cheque com o banco, Jasper, não posso esperar Garrett dar as caras para resolver essa situação — ordenou.
Eu sempre achei Edward extremamente sexy em seu modo empresário autoritário, tinha ficado bastante empolgada quando o vi trabalhando no Grupo Cullen pela primeira vez, mas ele estava tão irritado ali que sequer consegui pensar nisso. Seus olhos verdes, que em noventa por cento do tempo eram cheios de diversão, estavam tão sérios que assustavam.
— Edward? — Tornei a chamá-lo quando Jasper passou por mim como uma bala.
— Garrett não transferiu o dinheiro de parte do pagamento das obras em Boston — começou a falar, jogando seu paletó para longe, afrouxando sua gravata e arregaçando as mangas de sua camisa.
Okay, eu conseguia achá-lo sexy mesmo o homem estando absurdamente tenso. Era impossível não sentir desejo por Edward, foi o que me levou à cama dele na primeira noite.
Foco, Bella!
— Espera...
— É, isso mesmo que ouviu, nada de dinheiro! — gritou, sabia que não era com raiva de mim que ele estava, mas foi impossível não me encolher diante seu grito. Eu estava bem mais acostumada com a versão tranquila de Edward, aquela que tinha em casa todo dia, por um instante fiquei com pena das pessoas que ousavam tirá-lo do sério.
— Eu preciso que me explique isso tudo melhor e, que me diga o que tenho de fazer, Edward — pedi.
Ele respirou fundo, seus dedos encontrando passagem por seus cabelos.
— A construtora responsável pelas obras de Boston e o escritório de arquitetura que substituiu o de Esme deveriam ter recebido parte de seus pagamentos durante o fim de semana, uma quantia alta, você entende?
Assenti, engolindo em seco. Obras eram caras, muito, mesmo as de reforma. Principalmente uma reforma tão grandiosa quanto à de Boston, era um dos hotéis mais importantes para o Grupo Cullen. Anthony Cullen tinha erguido a torre A de lá logo depois do hotel sede, ele tinha fascínio pela cidade.
— Garrett fugiu com o dinheiro? — Foi a primeira coisa passando em minha mente, depois da chantagem dos Denali e de Carlisle falar que Eleazar queria ter mais poder sobre o Grupo Cullen, não sabia até onde poderíamos confiar em um deles. Certo, Garrett não era oficialmente um Denali, mas era namorado de Kate e genro de Eleazar, ele podia estar a mando do seu sogro.
Aquilo poderia ser mesmo uma artimanha de Eleazar para tentar desestabilizar o Grupo Cullen? Querer que meu cargo fosse repassado a Irina não era o suficiente, ele também estava mexendo diretamente no financeiro dos negócios?
— Eu não sei, Isabella. — Ele deu uma risada que condizia com seu humor. — Mas, não me surpreenderei se isso for o que realmente aconteceu. O que sei agora é que tenho Boston em dividas com uma construtora, um arquiteto temperamental, que o primeiro ministro do Canadá estará lá ainda essa manhã e uma tubulação vazada no prédio A. E, a melhor parte, eu estou dizendo a todos que irei resolver tudo isso, mas não sei nem por onde começar!
— Edward, respire — orientei.
Eu também sabia que quando Edward ficava irritado, ele perdia totalmente a cabeça.
— Isabella...
— Respire, Cullen! — ordenei, pisando firme em meus saltos até ele. — Você vai resolver essa merda, entendeu? — indaguei, olhando diretamente nos seus olhos. — É o diretor financeiro desse Grupo, lida com pressão todos os dias e faz isso muito bem. Respire fundo e depois resolva isso, pois sei muito bem que você é extremamente capaz de limpar essa bagunça.
Edward respirou fundo como orientei, peguei seu paletó jogado sobre sua mesa, estendendo de volta a ele, que prontamente o vestiu.
— Quero que você aconselhe a gerente geral de Boston, a mulher está perdida e desesperada — ordenou para mim, enquanto eu apertava sua gravata. Soando mais confiante, como muito mais exigente. — E, que fale com a assessoria do primeiro ministro se for necessário, jogue todo seu maldito charme para os canadenses não ficarem irritados com o caos que encontrarão em Boston.
Sexy, absurdamente sexy. Foda-se, eu iria tê-lo no momento que o dia se acalmasse, precisava daquele homem dentro de mim.
— Hum, eu devo jogar meu charme? — Não me contive, mordendo meu lábio inferior.
— Isabella! — Edward chamou minha atenção, sem entrar no clima da minha provocação.
— Desculpe, senhor Cullen. — Tirei minhas mãos dele, no instante que ouvimos a porta se abrindo.
— Edward, você não vai...
— Onde está o dinheiro, Jasper? — Edward indagou, interrompendo o loiro.
— Na sua conta — Jasper respondeu diretamente para o amigo.
— Na conta do Grupo? — perguntei confusa, Garrett então não tinha fugido com a grana?
— Não, na conta de vocês dois — Jasper especificou, estendendo uma folha para Edward. — A conta conjunta e pessoal de Isabella e Edward Cullen.
— Edw-Edward — gaguejei, nós dois totalizamos três contas. Nossas duas contas pessoais e a conta conjunta que tínhamos para todo o gasto relacionado ao nosso apartamento, Matt, Renesmee e qualquer outra coisa que tivéssemos em comum. Nossos salários caiam diretamente em nossas contas pessoais, a conta conjunta era algo que praticamente não via depósitos sem ser de Edward e eu.
— Ache o Garrett, Jasper. Coloque a merda da policia dessa cidade atrás desse homem, se for necessário, mas faça com que ele esteja na minha sala em meia hora, no máximo — Edward ordenou, seus olhos focados nos documentos em sua mão, onde se encontrava toda a descrição da transferência do dinheiro que deveria estar em Boston.
— Sim, chefe — Jasper acatou a ordem prontamente, deixando o escritório de Edward.
— Edward...
— Sim, eu estou pensando o mesmo que você — ele falou, pegando o celular de sua mesa. — O dinheiro foi transferido ainda na quinta-feira, depois de Jasper e eu revisarmos toda a documentação. Você moveu a conta?
— Não recebi nenhuma notificação de depósito, apenas fiz compras para Matt no cartão da conta conjunta, mas foi algo mínimo, nenhum rombo. Mas, não peguei um extrato detalhado, não vi o dinheiro a mais lá.
— Muito dinheiro a mais — Edward murmurou, colocando o telefone na orelha. — Edward Cullen, eu preciso lidar com uma transferência urgente — falou para a pessoa que o atendeu. — Sim, posso esperar, mas seja rápido!
Respirei fundo, me contendo de atacá-lo ali mesmo, eu estava louca com Edward tão mandão.
— Você mexeu na conta? — perguntei, vendo-o colocar a ligação no mudo.
— Apenas usei o cartão no sábado para pagar nossa conta no restaurante, também não chequei o saldo total.
— Certo, então não mexemos no dinheiro da obra. Garrett já tinha depositado algo na nossa conta conjunta?
— Sim. — Edward suspirou, soando arrependido. — Eu pedi que ele dividisse o meu pagamento do último mês em minha conta pessoal e nossa conta conjunta, um grande erro, eu sei. Agora ele e o sogro se aproveitaram disso.
— Eu não acredito que Eleazar é tão babaca assim!
— Eu acredito! — Edward me encarou. — Ele quis tirar você da gerência, agora está querendo nos comprometer fazendo o filho da puta do genro dele depositar dinheiro da empresa em nossa conta pessoal.
— Isso foi na quinta, antes da noticia da compra Boyne e do pedido de Carlisle para mais investimento a Eleazar — reforcei.
— Você realmente acha que isso foi apenas um erro de Garrett, Isabella?
— Não sei, eu só acho que não quero acreditar que Garrett também está envolvido nas armações daquele sogro filho da puta dele.
— Eu não duvido de mais nada, nem confio em mais ninguém ligado a Eleazar. — Edward apertou o botão no telefone novamente. — Olá, preciso que faça duas transferências para mim, agora.
Eu o ouvi passar todas as coordenadas para a pessoa que o atendia, transferindo o dinheiro diretamente para as contas da construtora e do escritório de arquitetura em Boston.
— Só mais uma coisa, minha esposa e eu não fomos notificados de nenhum depósito em nossa conta. A partir de agora, nós dois queremos que qualquer transferência, independente do valor, seja imediatamente notificada. Eu fui entendido? — Ele rolou os olhos. — Sim, vocês obviamente cometeram um erro em não terem notificado uma movimentação tão alta em nossa conta. Não deixem de nos informar sobre qualquer outro depósito, não estamos vinte e quatro horas por dia verificando o saldo na conta. Sim, sim, suas desculpas agora não vão reverter que esse dinheiro passou despercebido. Obrigado por seu tempo.
Edward desligou, voltando-se para mim.
— Mandei o dinheiro para Boston, quero que você fale com a gerente de lá, enquanto eu falo com o pessoal da construtora e do escritório de arquitetura e beijo a bunda deles para irem cuidar da tubulação vazada o quanto antes. — Ele olhou a hora em seu relógio. — Nós temos menos de uma hora até a reunião com Eleazar e, Carlisle disse que eu não deveria aparecer caso não tivesse Boston sã e salva.
— Você vai conseguir, Edward — afirmei, pegando o notebook dele, o deixando sentar-se atrás de sua mesa.
Ele continuava bravo, o dinheiro estava seguro, mas aquilo poderia ter se tornado um caos ainda maior.
— Garrett está vindo. — Jasper voltou à sala de Edward. — Mandou uma mensagem avisando que chegou agora de viagem de Los Angeles, por isso não estava atendendo ao telefone.
— Já transferi o dinheiro para Boston — Edward falou, discando um número em seu telefone. — Vou entrar em contato com o pessoal da construtora para que eles voltem ao trabalho. Isabella vai averiguar como o hotel está no meio desse caos, cuide de todo o resto do financeiro, preciso focar nisso. Faça Garrett vir até mim assim que pisar nessa empresa.
Jasper concordou, deixando a sala.
Enquanto eu entrava no sistema do Grupo Cullen pela conta de Edward, fazendo chamadas para o hotel em Boston, podia ouvir meu marido falando com as pessoas da construtora, até ser atendido pelo engenheiro chefe. Sua voz, que até então era rígida, suavizou e ele começou a explicar a situação, informando que um erro tinha sido cometido, mas que o depósito já tinha sido efetuado.
Eu sabia que ele conseguiria resolver tudo aquilo, Edward tinha se dedicado aquele Grupo nos últimos dez anos de corpo e alma, sempre querendo provar a si mesmo e ao pai que um dia poderia chegar à presidência. Não era para menos que Carlisle tinha finalmente tocado no assunto de ser substituído por Edward no futuro, ele também sabia do que o filho era capaz.
— Olá, senhora Hamilton. — Saudei a mulher loira que apareceu na tela do notebook, eu a conheci na minha última viagem para Boston no ano passado. Carlisle quis trocar o gerente geral — era difícil demais agradá-lo, eu bem sabia disso — e, viajei para ajudar na seleção do novo gerente.
— Oh, senhora Cullen! — Ela pareceu muito tensa em me ver.
Ouvi a risada de Edward, a falsa e, sabia que ele estava indo melhor com o pessoal de Boston.
— A tubulação está vazando, eu...
— Nós estamos cuidando disso daqui de Chicago, senhora Hamilton — esclareci, olhando para Edward, que me sinalizou um positivo. — Só um instante. — Coloquei meu microfone no mudo. — O que devo dizer a ela? — Vi Edward colocar seu telefone no mudo também.
— A equipe da construtora está indo para o hotel, agora mesmo, cuidar da tubulação e de todo o resto — ele informou.
— Certo. — Assenti, deixando-o voltar a sua conversa com o engenheiro, enquanto eu voltava a minha com Caroline. — A equipe da construtora está indo para o hotel, eles cuidarão da tubulação vazando e de todo o dano.
Vi a mulher respirar fundo, aliviada.
— Diga-me como está todo o resto — pedi.
— Os quartos dos primeiros andares do prédio A, os únicos que estavam sendo usados por conta da reforma, foram prejudicados pelo vazamento. Dez deles estavam com hospedes, por sorte todos estavam fora na hora que água entrou.
— O prédio B está com lotação máxima?
— Nós primeiros andares sim...
— Não, esses hospedes sofreram contratempos, quero que você e sua equipe os remanejem para os andares superiores, onde os melhores quartos se encontram, entendido? Eles precisam ser mimados.
— Mas, isso não saíra mais caro?
— Coloque a diferença na conta do hotel, Caroline. Você precisa entender que nós temos de agradar ao máximo os hospedes, estes prejudicados pelos vazamentos certamente não estão nada felizes agora, então é hora de mimá-los. Os remanejem para os quartos do prédio B, dê ingressos de cortesia para atrações na cidade de onde o hotel tem filiação, jantares gratuitos no restaurante e mande cestas com mimos para os quartos, doces, champanhes, pantufas e roupões que possam ser levados para casa.
— Certo, certo — ela concordou, anotando tudo aquilo no bloquinho em suas mãos. — E o que eu faço com o primeiro ministro? Ele iria ficar no prédio A, até por conta da privacidade maior, mas não acho que seja cômodo, nem seguro fazê-lo ficar lá.
— A presidencial do prédio B está livre?
— Sim, mas a do A é melhor.
— Ele irá para o prédio B, é o jeito. — Suspirei, olhando para Edward, seu olhar estava cravado em mim, mesmo que ele ainda estivesse falando em seu telefone.
Eu não achava que Carlisle iria querer perder tempo paparicando o primeiro ministro do Canadá, não com a reunião com Eleazar chegando. Não sabia como a agenda de Caius estava e, sabia que eu era só a gerente geral do hotel sede, então sabia que de todos naquele prédio naquela segunda-feira, era Edward quem deveria puxar o saco de Dante Cameron. Ele seria o presidente de tudo aquilo em alguns anos, seria bom começar a dar as caras para os figurões da politica e os empresários.
— Deixe a suíte presidencial do prédio B impecável para receber o primeiro ministro, Caroline. Faça também com que todos os hospedes, desde o do quarto mais simples, ao do quarto mais caro depois da suíte presidencial, sintam-se seguros, bem servidos e confortáveis mesmo com a tubulação vazando e as obras voltando. Eu a contratei no ano passado, sei que é capaz de lidar com tudo isso, caso algum outro contratempo surja, entre em contato imediato conosco aqui em Chicago, estamos a disposição para auxiliá-los ai em qualquer situação.
— Sim, senhora Cullen.
— Sabe me dizer onde o primeiro ministro está agora? — questionei.
— Ele deve chegar aqui ainda essa manhã, então pelo horário deve estar no aeroporto em New York esperando seu voo para Boston.
— Certo, volte ao trabalho agora, Caroline. Lembre-se que qualquer coisa deve entrar em contato imediato com nossa equipe aqui em Chicago — orientei. — Tenha um bom dia.
— Bom dia, senhora Cullen — ela desejou e eu pude finalizar a chamada de vídeo.
— Claro, nós iremos adorar sair para jantar com você quando formos até Boston, até mais! — Edward também finalizava a ligação com o engenheiro.
— O arquiteto pode esperar mais um pouco? — perguntei, levantando do sofá e indo até sua mesa, apoiando o notebook ali. — Você tem de paparicar um pouco o primeiro ministro.
— Pensei que tinha dito para você fazer isso — Edward falou, fazendo uma careta.
— Não, você tem de fazer, é o certo. — Contornei sua mesa. — É o futuro presidente do Grupo Cullen, o herdeiro disso tudo, Edward. — Gesticulei ao nosso redor. — O primeiro ministro irá se sentir muito mais importante se você falar diretamente com ele.
— Você...
— Também sou uma Cullen e uma das herdeiras daqui? Sim, eu sei disso. — Mostrei minha mão esquerda, onde o anel de noivado e a aliança de casamento se encontravam. Eu tinha tentado desviar do acordo pré-nupcial com regime de comunhão total de bens, porém Edward disse que só casaria se eu aceitasse o tal termo. E, logo após o casamento, Carlisle me incluiu como uma das herdeiras do Grupo Cullen. — Mas, você é o sucessor direto de Carlisle, é a pessoa ideal para isso. Precisa começar a fazer essas pequenas coisas, você vê seu pai, ele está por ai bancando candidatos à presidência, paparicando investidores, é sua vez de começar a tê-los debaixo de suas asas, Edward, sabe que nos negócios temos de manter aliados.
Ele me olhava atentamente.
— Descubra o número do primeiro ministro, Edward. Ou melhor, faça uma vídeo chamada com ele. — Tentei dar um jeito em seu cabelo, deixando-o menos bagunçado para a conversa. — Diga o quão sente por toda a bagunça no hotel em Boston, que ele precisará ficar na suíte presidencial do prédio B, mas que toda a equipe estará ao dispor dele para fazer a estadia a melhor de sua vida. O convide para um jogo de golfe, um jantar, diga que adora o jeito como ele governa o nosso vizinho do norte.
Segurei no rosto de Edward, inclinando meu corpo fazendo com que estivéssemos a centímetros de distância.
— Você sabe o quão é capaz, não é, chefe? — Ergui seu queixo. — É ainda mais poderoso agora, do que quando era o garoto de dezenove anos que me fez quebrar as três regras em uma única noite.
— Eu sei que sou, Isabella — disse com convencimento, o sorriso malicioso tomando conta de seus lábios. — Afaste-se — ordenou, mordendo e beijando meus lábios por um segundo, antes de tirar minha mão de seu rosto. — Tenho negócios a cuidar agora, cuidarei de você mais tarde — prometeu, eu mal podia esperar por aquilo.
— Estarei esperando ansiosamente por isso, chefe. — Limpei seus lábios sujos por meu batom, seus olhos caíram para o decote que minha blusa social proporcionava.
— Isabella, afaste-se! — ele disse, irritado por não poder fazer o que claramente nós dois queríamos. O lado bom de um Edward bravo era vê-lo cheio de tesão logo em seguida, até valia a pena tirá-lo do sério.
— Sim, senhor. — Fui até a cadeira diante sua mesa, acomodando-me ali.
— Não está ajudando, Isabella. — Ele mexeu em seu computador, apertando um dos botões em sua base de telefone. — Senhora Stanley — falou quando ela atendeu. — Coloque-me em uma liga... — Edward me olhou. — Em uma vídeo chamada com Dante Cameron, em dez minutos, no máximo — exigiu.
— Sim, senhor Cullen. Algo mais?
— Garrett?
— Ainda não chegou, senhor.
— Certo, contate o senhor Cameron. — Edward desligou a chamada.
— Vai demiti-lo? — perguntei após alguns minutos que duraram segundos, vendo Edward fechar os olhos por um momento.
— Eu vou — declarou sem titubear, reabrindo seus olhos verdes para mim. — Não posso correr o risco de mais uma situação assim ocorrer, mesmo que ele não tenha feito isso a mando de Eleazar, o que suspeito que realmente aconteceu, Garrett colocou não só a empresa em risco, mas nós dois. Já pensou na confusão maior que seria se esse dinheiro tivesse passado mais um dia que fosse em nossa conta conjunta, Isabella? Eu não preciso dar mais munição para Eleazar querer você fora do seu cargo. Alias, pode voltar para o hotel.
— Carlisle também me chamou para a reunião, eu já pedi que Ângela limpasse minha agenda — esclareci, vendo a luz de seu telefone piscando.
— Sim, senhora Stanley? — ele atendeu a chamada.
— Consegui falar com os assessores do primeiro ministro, pode se conectar em sua conta de vídeos, eles entrarão em contato logo.
— Obrigado! — Edward agradeceu, voltando-se para seu computador de mesa. — Mais alguma dica? — perguntou para mim.
— Não, vai se sair bem sem minhas dicas. — Recostei-me na cadeira, tomando um bom lugar para ver Edward em ação, estando fora de cena atrás da tela do computador de mesa.
— Edward Cullen! — Ouvi a voz do primeiro ministro quando a chamada se iniciou. — Há que devo essa conferência em cima da hora?
— Primeiro Ministro, deixe-me dizer antes de mais nada o quão honrado estou em estar falando com o senhor — Edward o cumprimentou, eu não pude deixar de sorrir. Ele fazia aquilo muito bem, conseguia se comunicar com os outros com grande facilidade, de fato era esquentado e odiava ser provocado, mas Edward sabia bem como fazer todos pararem para ouvi-lo.
— É bom falar com você também, jovem Cullen, como anda Carlisle? — o homem falou com simpatia.
— Muito bem! — Edward exclamou. — Em reunião agora, por isso sou eu aqui falando em nome de Carlisle e de todo o Grupo Cullen.
— O que aconteceu? — Não podia ver Dante, mas sua voz assumiu um tom de incerteza ali.
— Nosso hotel em Boston está passando por reformas — Edward começou a explicar, com uma calma invejável em sua voz. — E, tivemos problemas com uma tubulação. Obviamente a equipe responsável pela obra já está trabalhando em colocar tudo em ordem novamente, mas sua suíte presidencial no prédio A não é mais uma opção e você certamente encontrará um pouco de caos que não é convencional.
Ouvi Dante Cameron bufar.
— Eu estou com minha esposa, Edward — reclamou. — Estivemos em New York, Londres, Paris e Roma nos últimos dias para visitas oficiais. Ela e eu precisamos de um lugar confortável para estar, não quero estar no meio de um caos de obras.
— Posso garantir que a suíte presidencial do prédio B é excelente, senhor Cameron — Edward insistiu. — Nossa equipe em Boston também estará às ordens para qualquer necessidade sua, de sua esposa e de todos de sua equipe. Você teve um bom tempo em nosso hotel ai em New York, não?
— Sim, fizemos boa estadia — o homem concordou relutante. — Mas, estou farto dessa viagem por cinco cidades diferentes contando com Boston, eu realmente não ficarei naquele hotel se lá estiver parecendo um inferno na Terra e não mentirei se me perguntarem o motivo do abandono da minha reserva.
— Nossos funcionários estão trabalhando para recebê-los da melhor forma possível, mesmo com os contratempos. Eu e todo o Grupo Cullen lamentamos o ocorrido, senhor Cameron, mas espero que entenda que algumas situações não podem ser evitadas...
— Eu comando um país, acredite, você pode evitá-las se estiver atento — Dane disse com escárnio.
Vi um brilho raivoso cruzar os olhos de Edward naquele instante, temi que ele falasse algo, mas conseguiu se conter sozinho.
— Tenho certeza de que é um excelente governante, Primeiro Ministro — Edward continuou falando com o mesmo tom educado de antes. — E, imagino o quão cansativo está sendo para você e sua esposa essa longa viagem de visitas oficiais. Então, o que acha de depois disso tudo chegar ao fim, você e a senhora Cameron irem para um dos nossos hotéis para poderem ter uma semana de folga e relaxarem?
Um grande sorriso tomou conta do meu rosto, nem eu pensaria naquilo tão rapidamente para livrar o nome do Grupo de uma imagem negativa propagada por um politico de alto escalão. Foda-se, meu marido era um gênio.
— O hotel de nossa escolha?
— Em qualquer país, senhor Cameron — Edward frisou. — Em qualquer cidade. Obviamente, toda hospedagem por conta do Grupo Cullen.
— E tudo que tenho de fazer é enfrentar seu hotel problemático em Boston?
— Pense na recompensa, senhor Cameron. — Edward sorriu, um de seus sorrisos vitoriosos, provavelmente a expressão de Dante Cameron já tinha lhe dado a certeza de que ele não causaria mais problemas sobre Boston. — Já esteve nas Maldivas? Eu posso lhes colocar em nosso melhor bangalô do lugar, irão acordar todas as manhãs com o mar lhes proporcionando uma das vistas mais bonitas do mundo.
— Sharon iria gostar disso. — Dante suspirou. — Dane-se, você venceu, Edward!
Claro que ele tinha vencido.
— Minha equipe, ou eu, não iremos dizer nada sobre Boston...
— Que tal falarem? — Edward não se importou em interrompê-lo. — Sei que tem uma boa assessoria de imprensa consigo, quero que ela faça com que pelo menos dois jornais canadenses e dois jornais norte americanos, todos de longo alcance, discorram sobre sua excelente estadia no nosso hotel em Boston.
— E quanto a sua tubulação vazada?
— E quanto suas férias perfeitas em Maldivas? — Edward rebateu, sem mais se importar em fingir um sorriso. — Lembre-se que é um excelente administrador, Primeiro Ministro, não acredito que perderia uma oferta tão simples quanto essa. Nos dê publicidade, manchetes positivas elogiando nosso hotel em Boston, o de New York também já que esteve lá, fotos suas e de sua esposa tendo um bom tempo nos hotéis incluso no pacote. E, nós lhe daremos um descanso em um dos lugares mais belos do mundo.
— Okay, você terá sua publicidade, jovem Cul...
— Senhor Cullen. — Edward sorriu diabolicamente para o homem enquanto o corrigia. — Não sou uma criança, senhor Cameron, trate-me como o homem de negócios que sou.
— Posso ver que tem mesmo honrado seu cargo, diretor financeiro, não? — Edward assentiu. — Boa jogada, senhor Cullen. Eu lhe darei o que pediu, minha equipe irá entrar em contato para acertarem minhas férias e sua publicidade.
— Tenha uma boa estadia em Boston.
— Eu tenho certeza de que farei, disseram-me que os hotéis de lá são uns dos melhores do Grupo.
— O ditado é verdadeiro. — Edward voltou a sorrir. — Até logo mais, senhor Cameron, se passar por Chicago deveríamos sair para jantar.
— Digo o mesmo se você for para o Canadá, senhor Cullen. Mande lembranças ao seu pai.
— Eu o deixarei saber disso, faça uma boa viagem.
Eles terminaram de se despedir e Edward voltou-se para mim.
— Você foi excelente, querido — proclamei.
— Isso vai custar uma nota. — Ele reclamou, suas mãos bagunçando novamente seus cabelos.
— É o preço a se pagar para manter o Primeiro Ministro calado. Eu também dei carta branca para a gerente em Boston mimar os hospedes.
— Os orçamentos de Boston vão ficar uma zona com isso. Como deixei essa merda acontecer, Bella? Eu deveria ter cobrado de Garrett a quantas andava o depósito para o pessoal das obras.
— Edward, isso não é sua culpa, foi ele quem errou no trabalho.
— Ou fez de propósito, não estou descartando a participação de Eleazar nisso.
Eu ia pedir que ele avaliasse tudo melhor, quando uma batida na porta nos chamou atenção. Jasper entrou ali, seguido por Garrett que parecia desesperado. Garrett era um homem razoavelmente alto, mas mais baixo que Edward e Jazz, cabelos e olhos escuros.
— Seu... — Edward se levantou em um rompante de sua cadeira, eu rapidamente me levantei também, balançando a cabeça em negativa para ele. Garrett ainda era um funcionário de Edward dentro do Grupo Cullen, mesmo se fosse demitido poderia acusar meu marido por assédio moral.
— Edward, Jasper me contou o que houve — Garrett começou a se explicar, nervoso, tropeçando em suas próprias palavras. — Eu juro que foi um erro, minha cabeça estava a mil na quinta-feira, não sei como troquei as contas, mas juro que não fiz isso de propósito.
— Tem ideia de quanto dinheiro seu erro vai nos custar, Garrett? — Edward saiu de trás de sua mesa, seu olhar era frio para o homem, fazendo-o se encolher de pavor. — Muito dinheiro, eu tenho um Primeiro Ministro que poderia falar demais, hospedes que terão de ser tratados como reis, uma construtora que quase deixou o hotel afundar. Isso não é apenas pelo erro nas contas, se é que foi mesmo um erro, é sobre você ter colocado a reputação do Grupo inteiro em risco.
— Edw-Edward, foi um erro — Garrett gaguejou. — Eu nunca iria prejudicar o Grupo dessa maneira.
Não sabia se realmente confiava em Garrett, o conhecia por anos, mas talvez Edward estivesse certo e ninguém próximo a Eleazar naquele momento fosse digno de votos de confiança.
— Um erro Garrett? Sério? Como você confundiu as contas da construtora e do arquiteto justamente com a minha e de Isabella? Bom, se isso for um erro mostra sua incompetência com coisas mínimas.
— Edward...
— Jasper. — Edward calou Garrett, se voltando para o amigo. — Você antes de virar o vice diretor ocupou o cargo que Garrett ocupa hoje, não é mesmo?
— Sim — Jasper respondeu.
— E alguma vez você trocou contas? Ou, algo do tipo.
— Não.
Edward se voltou para Garrett.
— É por isso que Jasper foi promovido para vice diretor e você está demitido, Garrett. Eu não posso ter pessoas cometendo erros de falta de atenção nesse andar, não estamos mexendo com um punhado de cem dólares, estamos mexendo com quantias milionárias aqui e não vou ter na minha equipe alguém que pode colocar tudo a perder.
— Edward, nós somos amigos, cara — Garrett insistiu.
Edward riu, apoiando-se na borda de sua mesa.
— E o que isso tem relacionado ao assunto em questão, Garrett? Eu devo colocá-lo em uma redoma de vidro e te tornar um funcionário blindado por sermos amigos fora dessa empresa? Jasper também é meu amigo, ainda assim ele pode ser demitido a qualquer momento se cometer um erro grave. — Edward discursava com segurança. — Ela. — Apontou para mim. — É minha esposa e eu não pensaria duas vezes em demiti-la se fosse a pessoa que trocou contas, claro que tudo sem querer, colocando um Grupo inteiro em risco.
— Edward, eu realmente cometi um erro, sei disso, mas prometo não deixar nada disso acontecer novamente. — Garrett engoliu em seco, respirando fundo. — Só me escute por um minuto — pediu. — Na quinta, quando recebi toda a papelada do depósito de Jasper, também recebi uma noticia importante e perdi a cabeça, estava tudo uma confusão em minha mente.
— Não acho que nenhuma de suas justificativas me fará voltar atrás, Garrett, mas diga o que tanto bagunçou sua mente — Edward mandou.
—Kate está grávida — Garrett murmurou, fazendo com que eu o encarasse surpresa com a revelação, me voltei para Edward, vendo-o hesitar por um instante. Irina não era a única Denali que tinha proximidade com a família Cullen, Kate era mais nova, mas também sempre esteve lá. — Ela me contou isso na quinta, estava trabalhando em Los Angeles e eu acabei me enrolando por aqui para poder viajar até ela e lidar com tudo isso o mais rápido possível.
— Não posso fazer nada quanto a isso, Garrett. — Edward afastou-se de sua mesa, caminhando em direção à porta. — Meus parabéns pelo bebê, espero que Kate e você sejam muito felizes com ele, ou ela. — Meu marido abriu a porta para Garrett. — Mas, preciso cuidar desse Grupo e tenho de ter funcionários comprometidos com isso, infelizmente você colocou os negócios em risco. Apareça aqui amanhã, Jasper irá cuidar da sua demissão pessoalmente, você receberá tudo que merece e terá dinheiro por um bom tempo para reorganizar sua vida com seu filho chegando nela.
— Edward, por favor — Garrett insistiu.
— Não estamos negociando, Garrett. — Edward gesticulou para fora de sua sala. — Você está demitido. — Apontou para o crachá pendurado no terno de Garrett. — Isso pode ficar conosco, a segurança lhe dará um crachá especial quando vier aqui amanhã resolver o termino de seu contrato.
Relutante Garrett colocou o crachá nas mãos de Edward.
— Você se acha um rei, não é, Cullen? — Garrett indagou irritado.
— Garrett, é melhor você ir agora — Jasper sugeriu.
— Não, deixe-o falar, estou curioso. — Edward deu um sorrisinho petulante para Garrett. — Então, eu sou como um rei?
— Um rei idiota, Edward, eu só cometi um erro! — Garrett resmungou.
— Bom, sinta-se feliz que não estamos na Idade Média, onde os reis eram bem mais cruéis, sua demissão seria um agrado perto do que um rei de verdade mandaria fazer. — Edward tornou a apontar para fora de sua sala. — Você pode ir agora, Garrett, seus serviços não são mais necessários aqui no Grupo Cullen.
— Idiota! — Garrett resmungou mais uma vez antes de sair, Edward bateu a porta atrás dele.
— Você tem certeza disso, Edward? — Jasper perguntou.
— Absoluta, eu quero Garrett fora, você lida com o substituto ou substituta dele.
— Edward?
— Sim? — Ele se voltou para mim.
— Realmente acha que isso tem dedo de Eleazar? E se Garrett realmente só ficou perdido com a coisa toda da gravidez de Kate...
— Você não pode estar querendo que eu o contrate novamente, Isabella.
— Eu não disse nada disso. Só não quero que você seja injusto.
— Tenho certeza de que não estou sendo injusto, Isabella. — Sua voz era rígida. — Você viu o quanto de caos essa troca de contas causou, o quanto de caos esse erro poderia ter causado ainda mais. Não me peça para ter pena de Garrett porque ele será pai, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
— Eu sei, eu sei. — Assenti, Edward estava certo, mesmo que não tivesse Eleazar por conta daquilo, Garrett não tinha se mostrado ser um profissional centrado em seu trabalho.
— Bom! — Edward continuava irritado. — A reunião com o Denali começa em cinco minutos. — Checou em seu relógio. — Boston está controlada — explicou rapidamente a situação para Jasper ali. — Mas, ainda preciso que alguém fale com o arquiteto, Bob, sei lá o sobrenome dele. Cuide disso, Jasper.
— Pode deixar.
— Você vem comigo? — Edward se voltou para mim, estendendo sua mão.
— Claro!
Onde mais eu estaria? Meu lugar era ao lado dele.
Uni minha mão a sua, deixando com que ele me levasse para fora de sua sala.
Algumas cabeças no setor financeiro se voltaram para nós dois quando saímos, olhares curiosos e alguns cochichos. Edward deu ordens especificas para Jessica de que não queria ser atrapalhado, então seguimos para o elevador que estava cheio de funcionários descendo e subindo.
Edward ainda estava tenso, mesmo com tudo se acertando, ele continuava sob pressão. Eu queria acalmá-lo, ele sempre estava me acalmando sobre tudo, só queria poder colocá-lo em um lugar tranquilo e confortá-lo de que tudo ficaria bem, mas nós estávamos seguindo direto para a próxima fase do inferno: Eleazar Denali.
Nós fomos direto para a sala de reuniões do andar da presidência, onde a assistente de Carlisle nos informou que ele e Caius já se encontravam. Os irmãos estavam silenciosos ali, Caius parecia inquieto movendo-se em sua cadeira sem parar, mas Carlisle apenas mantinha seus olhos sobre as janelas de vidro do local, vendo a chuva que continuava caindo sobre Chicago.
Seu olhar era focado e sério, sua expressão, no entanto não me permitia dizer se ele estava nervoso como Caius obviamente estava, ou certo de que tudo ocorreria bem após aquela reunião. Foi impossível ler Carlisle e, aquilo me preocupou, pois ele era o chefe de tudo aquilo e nós sempre o usávamos como referência.
— Carlisle — Edward o chamou, fazendo com que o pai o olhasse. — A situação em Boston...
— Eu te dei uma ordem, não? — Carlisle o interrompeu. — Espero que tenha a seguido, disse que você só deveria aparecer aqui se tudo lá estivesse sob controle, acredito que não iria vir aqui só para dizer que não pode resolver um problema. — Certo, ele não estava aparentemente tenso, mas estava soando tão rude que isso podia ser um indicativo de algo. — Sentem-se — ordenou para nós dois.
Com Carlisle ocupando sua cabeceira, Edward e eu sentamos ao lado de Caius a mesa. Eu continuava com a minha mão entrelaçada a de Edward, afagando sua palma, querendo deixá-lo saber que eu estava ali ao seu lado para tudo, sempre, mesmo que através de um gesto tão simples.
— O que aconteceu com Boston? — Caius perguntou ao sobrinho.
— G...
— Não agora, Edward — Carlisle ordenou, interrompendo o filho novamente.
— Certo, sim senhor. — A sala retornou ao silêncio anterior, mas uma batida na porta quebrou isso logo.
Vi a assistente de Carlisle abrir a porta, revelando Eleazar — sozinho — atrás de si.
— Senhor Cullen, o senhor Denali está aqui — ela anunciou, deixando o Denali entrar.
Ele entrou na sala sem cumprimentar ninguém, tomando uma cadeira na minha direção e a de Edward.
— Eu posso trazer algo para que bebam? — a assistente perguntou educadamente.
Eu iria adorar um pouco de água, minha garganta estava tão seca, mas não consegui verbalizar o pedido.
— Estamos bem, pode se retirar agora — Carlisle a dispensou, ela concordou e deixou a sala, fechando a porta atrás de si. — Eleazar, podemos ir direto ao ponto, não? Não quero que essa seja uma reunião extensa.
— Eu concordo, tenho coisas mais importantes a fazer — Eleazar afirmou. — Então, com Isabella aqui eu só posso pensar que você está mantendo sua palavra, Carlisle? — Eleazar perguntou para meu sogro, mas seu olhar estava focado em mim.
— Sim, nós não iremos retirar Isabella da gerência geral do hotel sede. Sua única condição está totalmente jogada de lado, Denali, nós nunca daríamos uma posição como essa para Irina.
— Certo. — Eleazar sorriu para mim, voltando-se para Carlisle. — Sabe o que isso implica, não é, Cullen?
— Sim, você não irá investir na compra da Marca Boyne.
Eu me remexi na cadeira, odiando aquilo. Carlisle e os outros queriam tanto aquela marca, parecia uma culpa muito grande eles não terem por estarem me preservando. Sabia que Irina nunca seria qualificada para o cargo de gerente geral como eu era, mas ver um dos sonhos de todos se perdendo era horrível.
— Fique quieta, ou deixe a sala — Edward falou em meu ouvido, provavelmente prevendo que eu acabaria pedindo que Caius e Carlisle reconsiderassem.
Eu concordei com um aceno de cabeça, mantendo-me quieta, repetindo em minha mente que merecia o cargo que ocupava.
— Isso, lembrem-se que sem meu dinheiro vocês não conseguirão efetuar a compra. — O Denali mantinha o sorriso maldoso no rosto.
— Nós acharemos outros investidores, Denali. — Caius revirou os olhos.
— Certo, façam como quiserem. — Eleazar se colocou de pé. — Porém, preciso lhes informar de algo. — Seu olhar passeou por todos nós, quatro Cullens reunidos. — Irei reunir o conselho, o cargo será votado.
Carlisle soltou uma risada, enquanto eu estremecia pensando nos conselheiros votando sobre mim. Edward tinha dito, no sábado, que Eleazar não teria votos suficientes para me tirar do cargo, mas eu não podia deixar de me sentir temerosa sobre aquilo.
— Você não vai conseguir tirar Isabella da gerência, Eleazar — Carlisle disse com certeza.
— Gerência, Carlisle? — Eleazar sorriu cinicamente. — Eu estou falando da presidência, caro amigo.
Senti a mão de Edward apertar a minha, no mesmo instante que apertei a dele. Caius voltou a se remexer inquieto em sua cadeira, mas Carlisle manteve-se inexpressivo.
— Meu pai perdeu para você uma vez, mas eu irei ganhar a presidência agora — Eleazar completou. — E, ai eu comprarei a Marca Boyne.
— É? Acha mesmo que o conselho votará para você assumir meu cargo, Eleazar? Boa sorte, avise-me quando você crescer e parar de acreditar em contos da fadas, Denali — Carlisle disse ironicamente, dando um sorrisinho de volta para Eleazar.
— Eu admiro o quão confiante você demonstra ser, Carlisle. Só não se esqueça de que quando esse Grupo quase quebrou, foi meu pai e eu quem o reergueu — Eleazar falou, olhando para todos nós uma última vez. — Foi ótimo encontrá-los nessa manhã, Clã Cullen. — Seu olhar parou sobre mim. — Isabella, meus parabéns por seu cargo, eu tenho planos para você quando assumir a presidência do Grupo.
— Você pode enfiar seus planos no...
— Guarde suas ofensas para si mesmo, Edward — ele interrompeu meu marido, voltando-se para a porta e saindo sem dizer mais nada.
— Não se preocupem, ele não irá ganhar na votação do conselho — Carlisle proclamou, colocando-se de pé.
— O que ele disse sobre o grupo quase quebrando? — Edward perguntou confuso, Carlisle não respondeu e Caius também não. — Eu sei que vocês dois ouviram, respondam!
— Nada demais, Edward, esqueça isso — Caius pediu.
— Pai? — Edward insistiu com Carlisle.
— Escute seu tio, esqueça isso...
— Pai! — Edward praticamente gritou, colocando-se de pé também.
— Você devia ter uns doze anos na época...
— Dez — Carlisle corrigiu Caius que tinha começado a falar, voltando-se para Edward. — Você tinha dez, Rose treze, os negócios não estavam indo muito bem e os Denali emprestaram dinheiro para que nós pudéssemos tapar alguns buracos.
— E você nunca pensou em me contar isso? — Edward perguntou indignado.
— Não tinha necessidade alguma, Edward — Carlisle insistiu. — Você era apenas uma criança na época, fora que seis meses depois Caius e eu já tínhamos pagado de volta o dinheiro para os Denali, uma quantia até maior do que eles nos emprestaram, já que fizemos o Grupo se recuperar com força total. E, foi tudo feito dentro da lei, nada que dê a eles o direito de contestar nada agora.
— Bom, pelo menos não legalmente, mas na mente maluca do Denali ele se sente dono disso aqui. — Caius gesticulou ao redor. — Ele e o pai eram obcecados para colocarem a mãos no grupo, mas papai nunca vendeu o Grupo para o velho Denali, Carlisle ganhou a disputa para presidência e eu sempre me recusei a vender minha parte, o que faria com que Eleazar se tornasse o acionista majoritário.
— E agora ele quer seu cargo — Edward falou para o pai, soando inseguro. — É nosso principal investidor, acha mesmo que o conselho não irá apoiá-lo?
— Edward, nós não vamos perder o Grupo, eu já disse isso — Carlisle afirmou, diferente do filho soando seguro.
— Por que tanta merda está acontecendo junto? Isso é algum maldito carma? Isso é tudo sobre Irina sendo dispensada? — Edward questionou, voltando a se sentar.
— Edward, por mais que saibamos que Irina não é um doce de menina, não disperse, entendido? — Carlisle se voltou para o filho. — Acredite, entre Eleazar e ela, a menina é uma santa. O nosso problema é Eleazar, ele aprendeu tudo com Peter Denali e diferente do que Anthony Cullen ensinou para nós sobre justiça, lealdade e conceitos familiares, Peter não ensinou nenhuma dessas coisas para o filho.
Ouvi Carlisle atentamente, não tinha chegado a conhecer Peter Denali, pai de Eleazar, já que ele tinha falecido meses antes de Edward e eu nos conhecermos. Não sabia muito sobre o velho Denali, só que ele tinha criado um império.
— Papai detestava Peter Denali, inclusive — Carlisle acrescentou. — Mas, ele tinha de suportá-lo, foi um dos primeiros investidores do Grupo, o que sempre investiu mais. Sabemos como os negócios são, sabemos que nós como administradores devemos...
— Sair de nossas zonas de conforto — completei, ganhando um aceno de cabeça positivo de Carlisle. Ele tinha dito algo sobre aquilo na primeira vez que falou sobre eu trabalhar no Grupo Cullen, depois ao longo dos anos sempre proferia que não adiantava fechar nossos olhos para o mundo e focar apenas em nossos trabalhos e nossas ditas zonas confortáveis, que isso nos privaria de expandir.
— Que bom que sempre me escuta, Bella. — Assentiu para mim.
— Sempre. — Assenti de volta.
— Nossa fortuna está bem próxima a dos Denali, Edward. Eles ocupam o quarto lugar da família mais rica do país, nós ocupamos o quinto — Carlisle disse para o filho. — Agora, imagine Eleazar sendo um grande fazendeiro, imagine que ele investe em várias outras pequenas fazendas, mas que uma dessas está crescendo tanto quanto a dele e que mesmo com o investimento que é aplicado ali, o dinheiro que ele ganha não é o suficiente para sua ambição e ele sequer pode tomar decisões sobre o futuro dessa fazenda em ascensão. É isso que está acontecendo, nós estamos crescendo e Eleazar continua como um mero investidor, ele tem muito negócios, sabe disso, mas em todos os outros ele e o pai possuíam mais autonomia, mais liberdade de interferir para beneficio próprio.
— E ele não tem isso aqui — Edward sussurrou.
— Por isso ele quis colocar Irina no lugar de Bella. Por isso ele agora quer a presidência, imagine o quão fácil seria para ele se beneficiar se assumisse meu cargo. Nós continuaríamos como acionistas majoritários por um curto período de tempo, até que Eleazar mandando e desmandando aqui dentro conseguisse manobrar os outros investidores, quem sabe até mesmo nós e por fim teria o que o pai dele queria desde que o Grupo Cullen se tornou um sucesso no mercado hoteleiro.
— Eu sei. — Edward engoliu em seco, voltei a colocar sua mão na minha.
— Eleazar é um homem extremamente ambicioso, Edward, exatamente como o pai dele foi. Você bem sabe que Peter Denali, Eleazar e todos antes deles nunca foram os mais corretos, eles já lucraram em cima de coisas erradas antes. Conseguir nossos negócios é algo bem simplório para o Denali, mas eu prometo a vocês que enquanto estiver vivo o Grupo Cullen nunca irá para as mãos sujas deles.
— E nós confiamos em você, irmão — Caius afirmou. — Agora, o que diabos aconteceu em Boston? — perguntou ao sobrinho.
— É uma longa história — Edward disse.
— Eu tenho tempo. — Carlisle voltou a se sentar. — Ainda é minha sala de reuniões até Eleazar vir e redecorá-la com o péssimo gosto dele — brincou, fazendo com que eu gargalhasse.
— Carlisle, isso não é engraçado — Caius falou.
— Bella riu.
— Porque você e Bella tem a mesma mente maligna, pai. — Edward riu também, beijando minha bochecha. — Então, Boston. — Ele respirou fundo, começando a contar tudo.
***
Após Edward narrar sobre a confusão de Boston, como ele solucionou tudo e eu ajudei, como também sobre a demissão de Garrett — que tanto Caius, quanto Carlisle acabaram concordando — ele teve de voltar ao seu andar para checar como tudo estava indo. Caius logo foi chamado para uma reunião com a diretora de marketing, o que deixou a mim e Carlisle sozinhos na sala de reuniões.
— Eu quero que você e Edward apareçam lá em casa hoje à noite — ele falou, voltando a olhar para a chuva caindo em Chicago. — Está na hora de contarmos para Esme sobre Irina, Eleazar e todo o resto.
— Nós estaremos lá — concordei, apoiando minhas mãos na mesa de vidro diante de mim, vendo a assistente de Carlisle entrar com pedaços de bolo que ele tinha pedido para nós dois. Meu sogro era um fanático por bolos, ele tinha vários em sua sala.
— Obrigada, Lana — agradeci quando ela colocou o prato com minha fatia de bolo diante de mim, junto com um muito desejado copo de água, que logo bebi um pouco. — Você não está com medo? — perguntei a Carlisle, quando Lana deixou a sala.
— De? — ele perguntou, após engolir um pedaço de seu precioso bolo.
— De Eleazar convencer os conselheiros a votarem nele para presidente — esclareci, remexi o bolo em meu prato, estava nauseada, não conseguiria comer. Eu temia colocar o doce em minha boca e no instante seguinte por tudo para fora, meu estômago parecia ter encolhido de tamanho aquela manhã.
— Eu já passei por isso antes, Bella — Carlisle falou, recostando-se em sua cadeira. — Quando era bem mais novo, bem mais inexperiente e aqui estou, não acredito que a maioria dos conselheiros irão me trair agora.
— Você sabe, Edward, eu, Caius, com certeza Jasper também, nós todos cairemos fora se os conselheiros votarem a favor de Eleazar.
Carlisle sorriu para mim, largando seu garfo.
— Sua lealdade é uma de suas melhores qualidades, Isabella. E, não se preocupe, se o conselho votar por me tirar do cargo, irei sair de cabeça erguida daqui, pois sei que fiz o melhor para este lugar. Obrigado por ter feito muito também, mas não quero que saia, Isabella.
— Carlisle...
— Não quero que saia — ele repetiu. — Você foi a melhor gerente geral que o hotel sede já viu, provavelmente a melhor de todo o grupo desde que meu próprio pai foi o gerente quando criou isso tudo. Eu quero que continue, comigo ou com Eleazar, nós precisamos de sua força e de toda sua competência para manter nosso hotel de pé.
— Isso é muita pressão, sogro — reclamei baixinho, ouvindo sua risada. Levei um pedaço de bolo a boca, sentindo o enjoo aumentar.
— Por Deus, Bella, você não pode realmente achar que eles escolherão Eleazar — ele disse, eu sorri um pouco pelo seu tom bem humorado, mesmo que estivesse querendo vomitar o pedacinho de bolo ali mesmo. — Sua falta de confiança em mim me entristece.
— Hum, lamento por isso. — Coloquei-me de pé, enjoada demais para aguentar por muito mais tempo sem vomitar. — Eu vejo você mais tarde, Carlisle, preciso voltar ao trabalho agora.
— Você está bem? — ele perguntou preocupado.
— Sim, apenas um pouco cansada — justifiquei, deixando a sala de reuniões, indo direto para o banheiro do andar. Tive apenas tempo de entrar em um dos reservados e colocar tudo que tinha comido aquele dia para fora, o pedaço de bolo e meu pequeno café da manhã. — Arg, que nojo! — reclamei, deixando o banheiro assim que me recompus, indo de volta para o andar financeiro recuperar meu casaco abandonado na sala de Edward.
— O senhor...
— Só vou pegar meu casaco, Jessica — falei para a assistente dele, aparentemente após toda a crise de Boston ter se acalmado a mulher voltou a não me suportar.
— Eu já pedi quantas vezes que anuncie... — Edward, que tinha os olhos focados em seu computador, calou-se quando me viu ali. — Ah, é você.
— Esqueci meu casaco. — Peguei o mesmo sobre o sofá. — Está tudo bem em Boston?
— Sim, está tudo progredindo bem — ele respondeu, olhando-me com atenção. — Você está pálida.
— Eu sempre estou, Edward — respondi, forçando um sorriso, sem querer que ele se preocupasse comigo passando mal por ai. — Preciso voltar ao trabalho agora, seu pai nos quer mais tarde na casa dele para que Esme possa saber das últimas novidades, eu acho melhor adiarmos a visita para Tanya e os bebês no hospital para amanhã, estamos estressados e cansados demais para fazer isso hoje.
— Certo, também acho que seja melhor assim — ele concordou. — Está bem mesmo?
— Excelente, agora vou para o hotel ver se todas as tubulações estão inteiras. — Abri a porta para sair.
— Sério, você passa tempo demais com o papai, está tão sarcástica quanto ele.
— Que bom que você não é a Irina e entende sarcasmo — provoquei, ganhando uma risada dele.
— Amo você! — ele exclamou antes que eu pudesse fechar a porta, os funcionários mais próximos de sua sala puderam ouvir aquilo, apenas sorri para todos e segui meu caminho de volta para meu posto na gerência geral.
***
Foi um longo dia de trabalho, mesmo após a crise de Boston. Ainda assim, de noite, Edward e eu seguimos em seu Volvo para a casa de Carlisle e Esme.
Eu tinha ligado para Tanya, pedido desculpas por mais um dia sem ir visitar ela e os bebês, prometendo que iriamos no dia seguinte. Também liguei para Nelly e pedi que ela fosse com Félix pegar Ness na escola aquele dia, sabendo que não seria bom tê-la por perto no meio da conversa séria que teríamos com Esme.
Também tinha ligado para Tia, ela me informou que Matthew estava bem, mais calado do que o normal, mas que estava se alimentando e participando das atividades, ainda que aparentasse estar tristinho, o que partiu meu coração. E, por último liguei para Jenks, cobrando dele informações sobre nosso caso e ele me informou que pretendia nos dar noticias novas e positivas ainda aquela semana.
— Ei, por que não estou surpreso que você também está aqui? — Edward perguntou quando deixamos seu carro, vendo o de Rosalie ali e ela saindo dele.
— Acredite, eu não estou tão animada com essa conversa como acharia que deveria estar. — Ela suspirou alto. — Depois de toda aquela minha tensão ontem com mamãe não queria trazer Irina a tona de novo, mas sim, está mais do que na hora de ela descobrir sobre a verdadeira face de sua afilhada.
Afaguei as costas de Rose, lhe lançando um sorriso. Edward tinha me contado, na noite passada, sobre ela e a mãe discutindo por conta de Irina, o que era terrível.
Nós três entramos na mansão, encontrando com Carlisle na sala de estar. Ele bebia vinho, o que recusei, pois não estava afim de acabar de ressaca na manhã seguinte e nos informou que Esme estava terminando de se arrumar.
— Olá! — Ela exclamou, descendo a escadaria, um olhar preocupado em seu rosto ao ver todos nós ali em uma noite de segunda-feira. — Onde estão as meninas?
— Ness está com Nelly — Edward respondeu.
— Eu deixei Anne e Lucy com uma babá — Rose respondeu, remexendo-se ao meu lado, sem conseguir esconder o seu nervosismo.
— O que está acontecendo? — Esme inquiriu, seu olhar tornando-se ainda mais tenso. — Por Deus, falem de uma vez, sei que vocês todos tem escondido algo nos últimos dias.
— Esme, sente-se — Carlisle pediu gentilmente.
— Não quero sentar, Carlisle, quero saber o que está acontecendo! — ela gritou, encarando Edward. — Mais problemas em Boston? Eu pensei que você tivesse resolvido tudo.
— Boston está bem, mãe, acredite — Edward falou. — Eu também acho melhor que você se sente...
— E eu acho melhor vocês contarem logo esse maldito segredo, estão estranhos, preocupados e omitindo coisas de mim por todo fim de semana.
— É sobre Irina — Carlisle disse por fim. — Sobre os Denali, Esme.
Ela prendeu a respiração por um instante, cruzando os braços na frente do corpo.
— Vá em frente — ordenou.
— No sábado, quando tivemos a reunião com Eleazar sobre a compra da Marca Boyne, ele levou Irina — Carlisle começou a narrar. — E, ele tinha uma “condição” para financiar a compra da Marca.
— Qual condição?
— Se déssemos a gerência geral do hotel sede para Irina.
— Espere...Isso, não! — Esme disse confusa, seus olhos verdes encontraram-se com os meus. — Isso quer dizer que ele queria tirar Bella da gerência.
— Irina também, não vamos nos esquecer dela. — Rose ao meu lado não conseguiu ficar calada sobre aquilo.
— Não, não — Esme disse, começando a chorar, sentando-se ao lado do marido.
— Eu sei o quanto isso deve estar sendo difícil, mãe, mas é a verdade. — Edward se moveu até ela, afagando o braço de Esme gentilmente. — Ainda tem mais, você precisa saber.
— Mais? Como pode ter mais além de Irina e o pai chantageando Carlisle? Querendo tirar Bella de sua posição? Como?
— Nós tivemos uma nova reunião com Eleazar hoje, decretamos mais uma vez que Bella continuaria como gerente e ele declarou que vai pedir uma votação com o conselho para o cargo de presidente — Carlisle contou, Esme parou de chorar instantaneamente, encarando o marido.
— Ele que tirar você da presidência? — ela perguntou com ódio. — Quis tirar Bella do hotel, agora quer tirar você?
— Isso mesmo — Carlisle confirmou.
A expressão de ódio apenas cresceu na face da minha sogra, ela parecia que poderia matar alguém ali mesmo.
— Há algo mais que precise saber?
— Não sabemos se foi proposital, mas Garrett foi o responsável pela transferência errada do dinheiro para Boston e, ele mandou o dinheiro para minha conta conjunta com Isabella.
— E isso poderia por vocês em uma posição terrível — ela disse, olhando para o filho, então para mim. — Mais alguma coisa?
— Não que saibamos, Esme — respondi honestamente.
— Esme? — Carlisle a chamou. — Eu sei que ama Irina, mas...
Esme recomeçou a chorar, escondendo o rosto atrás de suas mãos.
— Ela pode estar apenas tendo todas suas ações comandadas pelo pai, mas é uma persona no grata agora — Carlisle continuou a falar. — E nós entendemos que você a ama, que você a tem como uma filha, mas ela tentou atingir Bella e agora temos Eleazar querendo a presidência do Grupo, não sabemos até onde eles podem ir para tentarem ter o que querem.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Oh Deus! — Esme soluçou, colocando-se de pé, indo até o sofá onde Rose e eu estávamos, enfiando-se nos braços da filha. — Bebê, desculpe, me perdoe — ela pediu, em um tom de voz desesperado para Rosalie, que parecia surpresa com tudo aquilo. — Você tentou me avisar, tentou me dizer que Irina não era confiável...Eu sinto muito. — Esme chorou ainda mais, Rosalie respirou fundo, abraçando a mãe de volta.
— Está tudo bem, mãe, você só não queria acreditar na dupla face de Irina.
— Não, eu fui tola, cega, estúpida, burra. Eu me sinto tão, tão idiota! — Apertou Rosalie contra si. — Como eu pude ser tão ignorante? — Ela me olhou. — Oh, Bella! — Ainda aos prantos ela largou Rose e foi me abraçar, mesmo com Esme fragilizada ela ainda possuía aquele abraço maravilhoso de sempre.
— Está tudo bem, Esme. — Afaguei suas costas.
— Não, não está! — ela reclamou. — Eu fiz você ter de tolerar Irina aqui ontem, impus a presença dela a você, a Edward, Carlisle, Rose. — Esme se voltou para a filha. — Sinto que errei tanto com você, meu bebê. — Afagou o rosto de Rosalie que já estava molhado por lágrimas.
— Mãe, eu estou bem — Rose disse entre as lágrimas.
— Não, tudo que você falou ontem...
— Eu estava de cabeça quente, irritada por Irina estar aqui agindo como uma maldita Miss Simpatia — Rosalie falou, enxugado as lágrimas do rosto de Esme. — Acredite, mamãe, você é a melhor mãe do mundo, eu não poderia ter ninguém melhor como minha mãe. Eu sinto muito se disse coisas pesadas ontem, não era minha intenção, está tudo bem entre nós.
— Quem tem que pedir desculpas aqui sou eu, Rosalie! — Esme insistiu. — Eu te amo tanto, minha garotinha. — Ela beijou o rosto de Rose. — Amo você, não se esqueça disso, Rose. — As duas continuavam chorando juntas e por um momento eu quebrei, queria minha mãe, queria que Renée fosse até mim e pedisse desculpas por suas últimas atitudes. — Deus, não acredito que passei tantos anos acreditando que poderia amar Irina como amo você e Edward, quando eu não posso, não quando acabo de descobrir isso tudo e o que mais quero é dar na cara daquela garota insolente.
— Isso seria tão legal de se ver. — Rose riu por trás de suas lágrimas.
— Ei, contenham-se! — Carlisle ordenou, para minha tristeza, também achava que seria muito legal ver Esme dar na cara de Irina. Eu mesma faria aquilo, mas isso iria prejudicar a adoção de Matthew e não precisava de mais coisas dando erradas. — Não podemos criar mais brigas com os Denali, principalmente uma onde eles poderiam alegar agressão.
— Carmen também está no meio disso tudo? — Esme perguntou enojada.
— Eu não posso afirmar, Esme. Não sei até onde a amizade dela era sincera, até onde tinha dedos de Eleazar para que ele e Peter pudessem ter uma proximidade maior conosco e beneficiá-los dentro do Grupo.
— Não aguento mais isso, preciso de uma bebida — Edward anunciou, exausto, jogando as chaves do Volvo para mim. — Todo seu, querida, eu vou atrás de uísque.
— Eu também, preciso de algo mais forte do que vinho. — Carlisle e Edward foram para a cozinha.
— Nós estamos realmente bem, bebê? — Esme perguntou para Rose, que sorriu para ela, beijando a cabeça da mãe, depois se aconchegando nos braços dela.
— Nós estamos bem, mamãe.
— Nós estamos bem, também, filha? — Esme se voltou para mim.
— Oh, Esme, é claro que estamos. — Afastei os cabelos de seu rosto ainda molhado por lágrimas.
Ela assentiu, segurando firmemente em minha mão.
— Irina, eu nem sei o que dizer sobre ela...
— Que tal falarmos sobre algo mais interessante? — Rose sugeriu. — Já que papai decretou a lei que nos proíbe de bater em qualquer um com aquele sobrenome.
— Você sabe, não deve bater em ninguém, com qualquer que seja o sobrenome, Rose — brinquei, mesmo visivelmente triste, Esme riu com aquilo.
— Detalhes. — Rose deu de ombros, apertando ainda mais o abraço com Esme. — Bom, um assunto mais interessante seria algo sobre Emmett me convidando para um encontro.
— Eu sabia, eu sabia! — Esme gritou, quando a filha mal tinha acabado de falar.
— O que aconteceu? — Edward voltou a sala com o pai, ambos carregando copos cheios de uísque.
— Emmett convidou Rosalie para um encontro! — Não pude conter minha animação sobre aquilo.
— Arg, o dia só fica melhor — Edward reclamou, tomando um grande gole de seu uísque.
— Onde vai ser? Você já pensou no que vai usar? Eu posso tomar conta das garotas para que tenha a noite livre — Esme começou a falar em disparada.
— Na verdade, eu não aceitei, ainda — Rose sussurrou. — Disse a ele que iria pensar.
— Rosalie! — Esme e eu exclamamos juntas.
— Ótimo, dê um gelo nele, vai ser ótimo! — Edward proclamou.
— Edward, quieto — ordenei, ele me olhou ultrajado, Carlisle riu.
— Você tem de aceitar! — Esme exclamou para a filha. — Está vendo esses dois? — Gesticulou de mim para Edward. — Essa menina pisou naquele hall de entrada e eu sabia que ela era a garota certa dele, sei que o seu garoto certo é Emmett.
— Mãe, boas novas, você não é vidente — Rose falou rindo.
— Eu sei, mas eu tenho certeza disso, não duvide de mim — Esme afirmou, animada, aparentemente tendo esquecido por hora de Irina e de todos os Denali. — Vocês poderiam ter um jantar no iate, ou quem sabe naquele restaurante italiano que você ama. — Ela começou a divagar.
— Isso vai longe — Edward protestou, eu sorri para ele, mas o sorriso morreu quando vi o olhar preocupado de Carlisle, totalmente fora do clima se instaurando na sala.
Óbvio que ele estava preocupado com a votação, no fundo todos nós estávamos.
— Eu tenho uma ideia — murmurei, chamando a atenção de todos para mim.
— Gente, é só um encontro, nada que precise de dicas — Rose disse alarmada.
— Não, não sobre você e Emmett — falei, olhando para Esme. — Eu sei que você está em uma situação complicada, mas acho que é hora de dar um daqueles seus coquetéis, para os homens do conselho.
O rosto de Esme se iluminou em compreensão.
— Carlisle? — Se voltou para ele.
— Sim, isso é realmente uma ideia fantástica, Bella — Carlisle afirmou.
Eu apenas assenti, os deixando começarem a fazerem planos sobre uma reunião com os homens do conselho. Precisando de um pouco de ar, eu segui caminho até o jardim de inverno, sentando em uma das cadeiras ali, apertando a chave do Volvo em minhas mãos.
— Eu não conseguiria — Ouvi a voz de Edward, ele entrou no jardim, sentando junto de mim. — Salvar Boston, se você não tivesse ao meu lado, querida. — Beijou minha testa.
— Você e eu — Coloquei minha mão sobre seu peito. — Juntos, para sempre — entoei parte dos meus votos em nosso casamento. — Contra tudo e contra todos, querido.
***
Segunda-feira tinha começado com todos atrasados, cheios de problemas e tudo mais. Quando Edward e eu voltamos para casa aquele dia, depois de jantarmos com seus pais e irmã, nós apenas checamos Renesmee, que já estava dormindo e fomos dormir também, cansados demais para qualquer outra coisa, finalmente pondo um ponto final naquele dia.
Na terça-feira, todos acordamos sem atrasos. Pudemos levar Renesmee para a escola e ainda assim chegarmos cedo ao trabalho. Só que, isso não me impediu de já ter uma visita esperando por mim.
— Senhora Cullen — Ângela me alcançou quando entramos no corredor onde as salas dos gerentes ficavam, eu nem tive tempo de perceber o estado estressado de minha assistente, vendo Eleazar Denali parado na porta da minha sala.
Irada, eu fui até ele, querendo tomar satisfações sobre o que aquele homem queria ali.
— Ao que devo sua visita indesejável, senhor Denali?
— Bom dia, Isabella! — Lançou um sorriso falso para mim, seus olhos percorrendo meu corpo. Eu usava um vestido aquela manhã, aproveitando que a chuva tinha ido embora e o calor estava aparecendo. — Devo dizer o quão linda está hoje.
— E eu devo dizer que há uma equipe de segurança nesse hotel, pronta para retirá-lo daqui a forças caso não diga o que quer aqui plantado na porta da minha sala. — O encarei de queixo erguido.
— Eu disse que tinha planos para você, já se esqueceu?
— Não quero saber de seus planos, Eleazar!
— Vai querer saber desse, querida Isabella.
O jeito que ele me chamou causou-me repulsa, deixando-me enjoada rapidamente.
— Apenas quero conversar com você por um minuto, eu irei embora depois que ouvir o que tenho a lhe propor.
Sabia que nada vindo daquele homem era aceitável, mas também sabia que ele não me deixaria em paz se eu não parasse para ouvi-lo. Sendo assim, eu abri a porta da minha sala, indicando que ele entrasse, lançando um rápido olhar para Ângela parada no começo do corredor.
— Então, o que tem para me falar? — questionei, deixando Eleazar sentar na cadeira diante minha mesa, ocupando a minha cadeira usual.
— Sabe, eu estive fora de mim quando propus que Carlisle lhe tirasse de seu cargo — ele começou a falar, com um sorrisinho no rosto.
— Que bom que se deu conta disso, pode ir embora agora. — Apontei para a porta.
— Acalme-se, Isabella, estou aqui em missão de paz. — Ele sorriu ainda mais. — Bom, em missão de paz para nós dois, ao menos.
— Vá direto ao ponto.
— Eu sei que você não é uma alpinista social — falou, confundindo-me, o que ele queria tocando naquele maldito assunto? — Você só teve o destino colaborando, colocando Edward em seu caminho. E, você obviamente não foi tola em perder uma oportunidade como essa, eu lhe entendo, no seu lugar teria feito o mesmo para me dar bem...
— Saia, Eleazar! — explodi, gritando, colocando-me de pé.
— Eu ainda nem fiz minha proposta, Isabella.
— Saia!
— Não se sente desvalorizada? — a pergunta dele me calou, sem entender o que ele queria dizer com aquilo. — Um cargo de gerente geral de um único hotel não é nada perto do que realmente merecia, sabe disso, Isabella. Você deveria estar trabalhando diretamente no setor empresarial do Grupo Cullen. É muito, muito melhor do que Edward, ainda assim ele é um diretor e você uma simples gerente.
— Eu não preciso dos seus...
— Sabe do que precisa, Isabella? De alguém que realmente te valorize, como os Cullen não valorizam enquanto te deixam presa nesse cargo ínfimo de gerência. Seja sincera, comigo, você já deve estar farta de estar aqui, sem mais perspectiva alguma para onde crescer profissionalmente.
Ele se levantou, ainda sorrindo de forma repulsiva para mim.
— Livre-se das amarras, Cullen, Isabella. Eu serei o próximo presidente quando o conselho votar e, nomearei você a próxima vice presidente no mesmo dia. Você pensa que a gerência é seu topo? Bom, eu preciso lhe dizer que sua escalada social não foi tão produtiva assim, já que farei os Cullen caírem e irá cair com eles, a menos que se una a mim a frente da presidência do Grupo.
Não esperei ele dizer mais nada, como também não consegui me conter. Mesmo com a mesa nos separando, eu estiquei meu braço em direção a Eleazar, deferindo um tapa em seu rosto.
— Sua...
— Saia da minha sala agora, Eleazar! — ordenei, interrompendo seu xingamento no meio.
Sai de trás da minha mesa, indo abrir a porta para que ele saísse e fui pega de surpresa quando vi Edward ali fora. Ele sorriu para mim, mas seu sorriso morreu quando viu Eleazar se postando atrás de mim.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou a Eleazar, seu rosto ficando vermelho de fúria, segurei em seu braço, impedindo que ele partisse para cima do Denali como eu tinha acabado de fazer.
— Apenas vim conversar um pouco com sua adorável esposa, Edward, um assunto particular, se é que me entende. — Eleazar ainda massageava o lugar que eu tinha acertado.
— Vá embora daqui agora! — ordenei, Edward tentou se soltar do meu aperto, mas usei toda minha força para mantê-lo junto de mim.
— Reconsidere minha proposta, Isabella — Eleazar falou, saindo de minha sala. — Você sabe que merece muito mais do que eles estão lhe dando e eu posso lhe dar tudo isso, minha querida.
— Não, Edward! — exclamei quando a fala de Eleazar quase o fez socar o Denali.
Puxei meu marido para dentro da minha sala, fechando a porta, nos colocando a distância daquele homem.
— O que ele fez? O que ele falou? — Edward começou a perguntar para mim, seu rosto assumindo uma expressão torturada. — Bella! — gritou quando eu fiquei muda, enjoada demais para falar.
Fui rapidamente até o banheiro que eu tinha em minha sala, sequer tive tempo de alcançar o vaso, despejando todo meu café da manhã na pia. Senti Edward segurando meus cabelos, enquanto eu colocava tudo para fora.
— Bella? — ele me chamou, hesitante, quando parei de vomitar, ergui meu olhar, encontrando com o dele pelo espelho acima da pia. — Querida, não surte agora, mas quais as chances de você estar grávida?
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