Nossa Família
39 Capítulo Trinta e Oito — Orgulhoso
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Oito —
— Orgulhoso —
Edward Cullen
Anthony Cullen era um homem de família rica, o sobrenome dele já tinha certa influência, ainda assim, ele foi desencorajado a criar o Grupo Cullen. Sendo insistente, meu avô não deu ouvidos aos que torciam contra sua ideia de ter uma rede de hotéis, ele foi lá e fez o que tanto queria, criando não só o Grupo Cullen, como consolidando seu nome e seu sobrenome por todo o país, com o tempo por todo o mundo também.
Eu morria de orgulho dele, tinha tido pouco convívio com vovô, mas ele tinha me ensinado muito e deixado para cada Cullen depois dele, um legado de persistência, honra e lealdade. Quando adolescente, na minha fase que não ligava para nada além de curtição, eu não estava me importando com nada daquilo, mas tinha me tornado um homem e esperava ser um tão grande quanto meu avô foi e meu pai era.
Nós estávamos passando por uma crise no Grupo Cullen, mas nós nos manteríamos de pé, sustentando cada segundo de seu tempo, dedicação e amor que Anthony Cullen um dia colocou naquele sonho. O grupo foi um sonho dele, um sonho que todos os outros Cullen abraçaram durante as gerações e nós o manteríamos vivos em honra ao nosso eterno patriarca. Eu o manteria vivo ainda mais, em honra ao nome Anthony, que um dia eu esperava que um dos meus filhos carregasse.
Naquela terça-feira, quando entrei no prédio da empresa para mais um dia de trabalho, recebendo saudações de todos que passavam por mim, eu me convenci de que não só por nossa família, mas que por cada funcionário do Grupo Cullen também, Eleazar Denali nunca se tornaria o presidente daquele lugar. E, que se um dia eu realmente acabasse me tornando o presidente, daria o melhor de mim para que todos pudessem ter orgulho de mim naquele cargo.
Principalmente Carlisle e Isabella. Ele por ter investido em mim, ela por ter feito que valesse a pena ter algo sendo investido. Eu estive tão despreocupado com o futuro antes de Bella aparecer em minha vida, festas, bebidas, garotas, era todo meu mundo até ela chegar arrebatando tudo, deixando-me ver que a vida não se resumia em noites de farras.
Vi que podia ter o melhor dos dois mundos. Entre a responsabilidade e a curtição, se eu tivesse minha garota ao meu lado. E, eu estava indo muito bem com isso.
— Bom dia, senhor Cullen — Jessica falou quando parei junto a sua mesa, sorrindo largamente para mim.
Aparentemente, ao menos na superfície, o andar financeiro aquela manhã estava tranquilo, diferente da tensão do dia anterior. Eu ainda estava irritado com Garrett, o queria bem longe de mim e do Grupo, mas conseguimos resolver toda a situação de Boston e isso era o principal.
— Bom dia — a cumprimentei. — Algo de urgente em meus recados?
— O senhor Jenks ligou, disse que ele era prioridade máxima, não?
— Sim, ele com certeza é. — Parei a caminho da minha sala. — Ligue para ele o quanto antes e repasse a ligação.
— Sim, senhor.
Eu entrei na minha sala, largando minhas coisas sobre a mesa, vendo a proteção de tela do computador com o logo do Grupo. Abri meu notebook, sendo contemplado com fotos da família no dia da piscina no domingo, estampando a proteção de tela, passando lentamente como em um slide.
Eu pausei em uma, querendo a contemplar um pouco mais.
Sorri para a figura de Matthew ali, ele parecia tão feliz em meus braços. Nossos sorrisos eram imensos, ambos fazíamos sinais de positivos com os polegares, mas eu não tinha sequer me dado ao trabalho de olhar para a câmera, toda minha atenção voltada para meu filho em meu colo.
Meu filho, meu garoto.
Se tivessem perguntado ao Edward de seis meses atrás sobre adoção, eu sequer saberia o que responder. Nunca foi parte do meu mundo, nunca foi parte da minha história.
Então, lá estava eu, entregando meu coração a um garotinho que não tinha meu sangue, meu DNA, mas que já tinha todo meu amor. Eu o amava, eu queria que Matt tivesse tudo de melhor e aquilo não era necessariamente sobre bens materiais e financeiros, queria que ele pudesse se sentir confortável, seguro, amado, feliz.
Aquele sorriso em seu rosto na fotografia já era extremamente importante para mim e, assim como eu sentia-me em paz ao ver os sorrisos de Ness e Bella, sentia-me ao ver o dele também. Sabia que estávamos apenas no começo da nossa jornada pai e filho, que ainda teríamos muito o que superar, uma dezena de obstáculos, mas eu estaria ali, ao lado dele, sempre, pronto para segurar em sua mão e continuar nos mantendo no caminho.
Toquei em seu rosto na tela do notebook, pensando em como a vida me surpreendia sempre. Primeiro a paixão por Bella, de uma hora para outra, que mudou tudo. Depois, Ness surgindo em nossas vidas inesperadamente, mas tornando tudo melhor. Então, Matthew, cruzando nosso caminho naquele dia dos namorados, nos mostrando mais do mundo, nos mostrando mais de nós mesmos.
Eu não era religioso, mas se Deus existia como meus pais insistiam em dizer, agradecia a ele pela vida maravilhosa. Não era só alegrias, não era só felicidade, mas eu estava muito bem em ter minha família. Principalmente aquelas três pessoas que tomaram meu coração sem um aviso prévio, eu estava bem com aquilo, com os três roubando meu coração, pois eles eram os motivos que o faziam bater mais forte, mantendo-me vivo.
— Senhor Cullen. — Jessica entrou na sala, após uma rápida batida, depositando alguns relatórios sobre minha mesa. — O senhor Jenks está na linha um.
— Obrigado. — A deixei sair primeiro antes de pegar o telefone. — Espero que tenha boas notícias, Jenks — falei ao atender a ligação.
— Excelentes notícias, Cullen, excelentes — o advogado disse com um tom de entusiasmo. — Você vai querer até me dar um aumento pelo que vai ouvir.
Bufei, aquilo estava fora de cogitação.
— Vá direto ao ponto — pedi.
— Matthew estará com vocês no aniversário dele.
Eu suspirei, sentindo um sorriso crescer em meu rosto ao ouvir aquilo. Era mesmo uma excelente notícia, talvez Jenks merecesse mesmo uma gratificação por isso.
— Mas, tem um porém.
— Tem? O quê? — questionei, temendo o que viria a seguir. — Diga logo! — exigi.
— Você e Bella tem mais umas três etapas até conseguirem a guarda provisória — ele começou a explicar. — Mais uma visita a assistente social, outra a psicóloga. — Fácil, nós conseguiríamos passar por aquilo. — Matthew terá o tempo com elas também — falou.
— Essas são as três etapas?
— Não, haverá uma audiência na sexta-feira, com um juiz.
— Certo, eu entendo, isso soa sério.
Jenks riu.
— Vocês se sairão bem — garantiu. — Como eu sou um excelente advogado, consegui que um juiz muito bom para cuidar disso. Já ouviu falar em Shaw Brewer, não?
Busquei o nome em minha memória, o localizando entre os milhares de nomes que armazenava ali.
— Sim, sim — confirmei rapidamente. — É um velho conhecido do meu pai. — E de Eleazar também, completei em minha mente, torcendo para que aquilo não nos colocasse em um terreno perigoso. — Você conseguiu que ele pegasse o caso por ser conhecido do meu pai?
Jenks riu novamente.
— Edward, já ouviu falar em influência? É com o que estamos lidando aqui, vocês não teriam uma audiência de guarda provisória ainda, é cedo, mas eu conversei com o velho Shaw, mencionei o caso do filho dos Cullen, ele ficou muito disposto a agilizar o processo. Você não pode subornar como quis para ter Matthew consigo logo, mas seu sobrenome abre muitas portas, ele estará em casa com vocês ainda nessa sexta-feira se o Brewer não nos passar a perna e quiser prolongar isso por mais tempo.
— Eu espero que não. — Suspirei, olhando para minha foto com Matt no notebook. — O que fazemos agora?
— Amanhã, pela tarde, você e Bella visitarão Matthew. Imagino que devam estar com saudades dele. — Jenks não fazia ideia, depois do fim de semana com Matt já era estranho não tê-lo em casa conosco. — Na quinta-feira irão falar com a assiste social durante a manhã, de tarde com a psicóloga, depois disso nós podemos nos encontrar para que eu possa preparar vocês para a audiência na sexta.
— O tempo é suficiente?
— Vocês são convincentes, seguros de si, não precisam de muito mais para fazer o velho Shaw darem o que querem. Eu entrarei em contato novamente caso tenha alguma novidade, fique em alerta.
— Sempre, obrigado por agilizar as coisas, Jenks.
— Agradeça-me com um presente na minha conta — ele falou. — Nos falamos depois, até.
— Até. — Desligamos a chamada juntos.
Eu deixe os relatórios, que Jessica tinha levado para mim, de lado por um instante. Precisava ir contar as novas, boas novas, para Bella logo. Nossa segunda-feira tinha sido catastrófica, mas finalmente tínhamos algo de bom acontecendo, eu precisava ver a alegria dela ao ser comunicada daquilo.
— Eu preciso ir falar com minha esposa, senhorita Stanley — comuniquei Jessica quando deixei minha sala. — Espero estar de volta em meia hora, no máximo, cuide de tudo enquanto estou fora.
— Sim, senhor. — Ela me entregou um copo de café, sorrindo para mim exageradamente. — Pensei que gostaria de um pouco de café para começar seu dia.
— Obrigado — agradeci, aceitando o copo, já seguindo até o elevador, mas Jessica me seguiu, correndo em seus saltos para me acompanhar.
— Senhor Cullen, gostaria de parabenizá-lo pela forma como lidou com a crise de Boston ontem, foi inspirador como colocou tudo no lugar em tão pouco tempo — falava, eu fui obrigado a esperar o elevador, o que deu tempo de ela falar mais. — Quando me tornei sua assistente já sabia que o senhor era um homem incrível, mas isso só multiplicou mais ontem. Eu estou muito, muito, muito feliz de ser sua assistente. — Olhei para ela, vendo o olhar e o sorriso de encantamento de Jessica sobre mim, um olhar que eu sabia identificar muito bem.
— Certo — falei para ela, agradecendo quando vi o mostrador do elevador um andar acima do nosso.
— Eu gostaria de aprender muito mais com o senhor — Jessica continuou falando, sua mão parou em meu braço, na altura do meu cotovelo, seu sorriso ainda presente no rosto.
Foda-se, Bella morreria de ciúmes se visse aquilo. Ela sempre dizia que Jessica um dia acabaria se jogando em mim, se isso acontecesse eu estaria morto por não ter dado um basta naquilo antes.
— Senhorita Stanley. — Tirei sua mão de mim rapidamente. — Mantenha-se em uma postura profissional, certo? Se você admira meu trabalho — frisei na última palavra. — Saiba respeitar os limites que devem existir entre nós dois, é parte fundamental desse emprego e você se tornará uma profissional muito mais qualificada se souber lidar com eles. — As portas do elevador se abriram diante nós dois, ela tinha perdido todo o sorriso e alegria de seu rosto, parecendo envergonhada. — Pode voltar ao trabalho agora, senhora Stanley — orientei, entrando no elevador.
Ela assentiu, enquanto as portas se fechavam.
Eu terminei de beber meu café, livrando-me do copo na recepção do hotel quando cheguei ali, andando com agilidade para contar logo para Bella que estávamos com uma data praticamente certa para termos Matthew em casa conosco. Ainda era só a guarda provisória, não o reconhecimento judicial de nós dois como pais dele, mas já era o maior passo do processo de adoção desde que decidimos por adotá-lo.
— Senhor Cullen, a... — Ângela praticamente correu até mim quando me viu indo em direção à sala de Bella.
— Eu prometo ser rápido — falei para ela, deixando-a para trás no começo do corredor. Bella tinha dito que não teria nenhuma reunião marcada para aquela manhã, então sabia que eu podia roubar a atenção dela por uns minutos sem bagunçar toda sua agenda de trabalho.
Antes que eu pudesse bater à sua porta, Bella a abriu, nossa conexão era fantástica. Eu sorri para ela, mas o sorriso durou apenas o tempo de ver Eleazar em sua sala, parando atrás de Bella, ele me lançou um olhar petulante, enquanto massageava seu rosto.
— O que você está fazendo aqui? — indaguei com ódio de vê-lo junto a minha esposa, Bella segurou meu braço com firmeza, impedindo que eu socasse a cara do Denali.
Era tudo que eu queria fazer, desde a chantagem dele no sábado, principalmente depois do dia anterior quando ele começou sua tentativa de tirar meu pai da presidência.
— Apenas vim conversar um pouco com sua adorável esposa, Edward, um assunto particular, se é que me entende — Eleazar respondeu com tom de malicia em sua voz. Raiva cruzou meu corpo, levando a felicidade para longe, eu só queria socar aquele cara até tê-lo sem todos os dentes. Como ele ousava falar de Isabella daquela forma? E, na minha frente!
— Vá embora daqui agora! — Bella ordenou, tentei soltar-me novamente dela, mas a mulher era forte.
— Reconsidere minha proposta, Isabella — Eleazar disse, ainda sorrindo maliciosamente, deixando a sala de Bella. Proposta? Que maldita proposta ele tinha para minha esposa? — Você sabe que merece muito mais do que eles estão lhe dando e eu posso lhe dar tudo isso, minha querida.
Era tudo que eu precisava para explodir, quem aquele filho da puta pensava que era para chamá-la daquele jeito? Eu cheguei bem perto de conseguir socá-lo, mas Bella conseguiu me puxar para dentro de sua sala.
— O que ele fez? O que ele falou? — comecei a questioná-la, odiando todas as hipóteses em minha mente do que ele podia ter feito com ela. — Bella! — gritei em desespero, quando ela continuou calada sem me responder.
Então, ela foi até o banheiro de sua sala, pegando-me de surpresa quando começou a vomitar na pia. Eu prontamente segurei em seus cabelos, impedindo que ela se sujasse.
Aquilo me preocupou, Bella só passava mal daquele jeito quando bebia muito e não tinha tomado uma gota de álcool na casa dos meus na noite anterior. A outra alternativa era...Porra!
Mudanças de humor, todo o choro, vômito...Eu já tinha visto aquilo antes, onze anos antes para ser exato.
— Bella? — a chamei, ela me olhou pelo espelho, seu olhar era cansado pelo que tinha acabado de fazer. — Querida, não surte agora — pedi, sabendo como aquilo tinha sido da primeira vez. — Mas quais as chances de você estar grávida?
Isabella arregalou os olhos, eu quase podia ouvir o choro e o grito dela de onze anos atrás ecoando em minha cabeça. Bom, eu tinha pedido que ela não surtasse daquela vez, só podia esperar por aquilo.
— Baixas — ela murmurou, a voz esganiçada. — Eu não estou grávida! — falou com um pouco mais de clareza, ainda me encarando pelo espelho.
— Querida, nós já passamos por isso antes, lembra? — Suspirei. — Eu estava certo no final, Renesmee está ai pra provar minha...
— Eu não estou grávida — ela repetiu, diferente de onze anos antes, ela não parecia tão certa daquilo, dúvida cruzando seu olhar. — Tomei minha injeção anticoncepcional, Edward, você sabe disso.
— É, mas nós também usamos camisinha quando Ness resolveu vir ao mundo, vamos admitir que meios contraceptivos não são mesmo cem por cento eficazes com a gente. — Ela respirou fundo, limpou sua boca e se virou para mim, ainda em dúvida. — Seu remédio lhe da alguma probabilidade de erro, né? Todos os meios dão — lembrei.
— Oh! — Bella exclamou, parecendo perdida em seus pensamentos. — Isso explicaria muita coisa, né? — Levou uma mão a sua barriga, tocando-a por cima do vestido que usava.
— Sim, você tem estado bem emotiva recentemente — falei aquilo, me afastando dela, sem querer levar um soco pelo que tinha dito. — Não surte — voltei a pedir, ela revirou os olhos, mas estava mais concentrada em sua barriga.
— Minha menstruação tem sido irregular desde o começo da injeção, sabe disso, ela sequer veio no último mês — murmurou.— Você acha que é possível? — perguntou baixinho, dando um mínimo sorriso.
— Só há um jeito de saber, querida.
Ela assentiu, inspirando fundo, continuando a tocar em sua barriga.
— Certo, nós faremos isso. — O sorriso de Bella aumentou, era um alívio saber que ela não estava surtando daquela vez.
— Certo? — Busquei uma confirmação.
— Certo, você pode sair e comprar um teste...Um teste, Edward, sério, só um — exigiu. — Não preciso mandar um monte de testes para o lixo como fiz da primeira vez.
— Eu estava sendo prático lhe dando várias opções — me defendi, revirando os olhos. — Eu vou ir lá comprar...
— Na farmácia do shopping — ela me interrompeu. — Não compre aqui dentro, não precisamos de fofoca sobre isso. — Sua mão continuava protetoramente sobre sua barriga.
Porra, ela podia mesmo estar grávida!
— Tudo bem — concordei, antes de sair o banheiro, falei algo mais, pois minha mente naquele instante era toda sobre Matt e a possível gravidez de Isabella. — Tenho boas noticias, excelentes, sobre Matthew.
O olhar de Bella se iluminou ainda mais ao ouvir aquilo.
— Jenks conseguiu a permissão para ele passar o aniversário conosco?
— Ainda melhor do que isso, nós já teremos a audiência da guarda provisória na sexta-feira. — Bella escancarou a boca ao ouvir aquilo, realmente sendo pega de surpresa. — Se tudo sair bem, nós o levaremos para casa, para o período de adaptação...
— Edward, Edward, Edward! — Ela me interrompeu, atirando-se em meus braços. — Isso é a melhor música para meus ouvidos, Matthew finalmente com a gente, eu preciso disso. — Seus lábios encontraram-se com os meus, foi muito difícil manter o beijo apenas como um beijo.
— Melhor eu ir agora, querida — a afastei gentilmente, vendo as suas mãos irem para sua barriga.
— Acha que se for um positivo atrapalhará a adoção? — O brilho tinha apagado um pouco de seu rosto, estava preocupada.
— Um passo de cada vez, certo? Primeiro o teste.
— Claro, claro — concordou, pisquei para ela, mas me interrompi novamente antes de sair. — O que o Denali queria com você?
— Não, não agora — implorou. — Eu não quero estragar a ideia de já ter Matthew em casa na sexta, ou a ideia de que posso estar grávida, pensando naquele homem.
Eu também não queria, mas estava preocupado.
— Ele te machucou? — insisti.
— Eu estou bem, Edward, garanto — ela insistiu de volta. — Nós conversaremos sobre o Denali depois, primeiro quero me concentrar no que mais importa agora, minha família.
— Sim, você está certa.
Foi minha vez de respirar fundo, então deixei o banheiro. Como Bella tinha me proibido de comprar o teste na farmácia do hotel, eu deixei o prédio, caminhando até o shopping na mesma rua, indo até a farmácia de lá, seguindo até os testes de gravidez.
Automaticamente me lembrei de Jasper e eu, onze anos atrás, tentando decidir quais eram os melhore testes. Dois caras de dezenove anos, completamente perdidos quando um deles estava prestes a se tornar pai.
Eu seria pai de novo?
E se Bella estivesse mesmo grávida? Aquilo não diminuiria nosso amor por Matthew, não? Eu não acreditava que o amor que sentia por ele pudesse diminuir, não quando até ali estava só aumentando e aumentando, mas temia que na prática as coisas fossem diferentes. Tinha partido de mim a ideia de ter outro bebê, eu estava louco para ser pai novamente e se minha atenção, meu amor e cuidado até ali destinados a Matthew fossem transferidos para o bebê?
— Você precisa de ajuda, senhor? — uma vendedora parou junto de mim.
— O melhor, qual o melhor? — Apontei para os testes, ainda me sentindo sufocado, com receio do futuro, com medo de deixar de amar Matthew, com medo de magoá-lo, de magoar Bella. Eu não podia ver aqueles sorrisos que amava se quebrando por minha culpa, mas e se eu deixasse de amar o sorriso dele? Pois, uma criaturinha com meu DNA poderia nascer dali a alguns meses, eu tinha tido todo meu amor paternal duplicado com a chegada de Matthew a minha vida, mas não podia deixar de me sentir aterrorizado em pensar que eu poderia transferir todo o amor para o bebê, só por ter meu sangue.
— Esse é o melhor, ele indica até mesmo as semanas em caso de positivo. — A vendedora entregou-me uma caixa, que coincidentemente era a mais cara da prateleira. — Algo mais, senhor?
Uma leitura de mãos? Uma bola de cristal? Qualquer coisa que me garantisse de que eu não magoaria Matthew no futuro se aquele resultado desse positivo, eu não me perdoaria se fodesse com tudo aquela altura, Bella com certeza não me perdoaria também.
— Não, só isso — murmurei para a vendedora. — Obrigado.
— De nada, senhor, tenha um bom dia — desejou com simpatia. — Espero que dê positivo. — Sorriu gentilmente para mim, apontando para a caixa do teste.
Indiscreta, claro. Porém, eu me vi concordando com ela, mesmo com todos os temores, eu ainda queria ver aquele teste me dando um positivo, tinha sido maravilhoso onze anos antes, queria a sensação novamente.
— Eu também — sussurrei.
Paguei pelo teste, guardando a sacola no bolso para que ninguém visse, voltando para o hotel em seguida. Para meu total desagrado, Bella não estava sozinha quando entrei em sua sala, já sem nem me importar em bater, mas pelo menos quem estava ali com ela era Emmett, não Eleazar.
— Olá, Edward — ele me cumprimentou educadamente, enquanto passava uma pilha de documentos para Isabella assinar.
— Oi — resmunguei, lembrando-me de que ele tinha convidado Rosalie para um encontro, convencido.
Eu não sabia se ela já tinha aceitado, ou se ainda estava considerando aceitar, mas não curtia muito a ideia.
— Isso é tudo? — Bella perguntou para Emmett ao assinar o último papel, ele concordou com um aceno de cabeça. — Ótimo, pode ir. — O dispensou.
— Até mais, Edward.
Eu resmunguei qualquer coisa para o ex jogador de basquete, que pensava que podia levar minha irmã para sair, trancando a porta. Bella já tinha voltado para o banheiro e estava molhando o rosto, fazendo uma técnica de respiração relaxante que aprendeu para o parto de Renesmee.
— Enjoo? — Peguei a sacola do meu bolso.
— Sim. — Respirou fundo uma última vez, voltando-se para mim. — Pode me entregar agora.
Tirei a caixinha de dentro da sacola, estendendo para Bella. Ela suspirou, pegando a embalagem em mãos.
— Vamos, faça logo isso — pedi, nervoso.
— Certo. — Concordou, abrindo a caixinha, mas parou no meio do ato para me olhar. — O que está esperando, Edward?
— Você fazer o teste — falei o óbvio.
— Eu não vou fazer xixi na sua frente!
— Isabella, somos casados.
— Exato, eu quero continuar mantendo esse status, por isso não vou fazer na sua frente. — Apontou para a porta. — Espere por mim lá fora! — ordenou.
— Sério, quase dez anos de casados e ainda não aprendi como você pode ser difícil.
— Legal, agora cai fora! — Também nervosa, tornou a apontar para a porta.
— Certo, certo — resmunguei. — Querida? — chamei por ela antes de sair.
— Sim? — Ela me olhou cheia de ansiedade.
— Independente do resultado, não se esqueça de que sempre estarei ao seu lado.
Eu estava apavorado, mas nunca deixaria Isabella na mão. Não deixei na primeira vez, quando éramos dois jovens de dezenove anos que estavam em um namoro de meses, com certeza não deixaria com quase dez anos de casamento e mais de onze de relacionamento.
— Eu sei. — Bella sorriu para mim, balançando a caixinha. — Você é o melhor, querido.
— Eu sei! — Não pude deixar de exclamar aquilo com convencimento, ganhando uma risada dela.
— Mova-se, Edward.
— Arg, não seja tão careta.
Por fim, deixei o banheiro, esperando em sua sala. Não muito depois ela saiu de lá com o teste, ainda sem o resultado. O colocou sobre sua mesa, sentou-se em sua cadeira e escondeu o rosto atrás das mãos.
Eu continuei apoiado na parede, sem coragem de ir encarar o teste como da última vez. Talvez, mais apavorado do que o garoto de dezenove anos que engravidou a namorada, não deveria ser assim, deveria estar me sentindo cheio de animação por aquele resultado, porém os temores por todo o resto continuavam ali.
— Você não vai ver? — Bella perguntou, quando o teste caro apitou.
— Você não pode fazer isso? — perguntei de volta, Bella tirou suas mãos de trás de seu rosto, me avaliando.
— O que foi, Edward?
— Eu estou com medo — confessei.
— Está com medo? — perguntou incrédula.
— Apavorado, querida. — Engoli em seco, sentindo-me patético.
— Quer conversar sobre isso?
— Deveríamos ver o resultado de uma vez. — Bella sequer olhou em direção ao teste.
— Eu gostaria de ouvi-lo primeiro — ela insistiu.
— Bella, o resultado — lembrei, vendo-a se colocar de pé, caminhando até mim.
— O resultado não fugirá, Edward, ele continuará lá — falou, arrastando-me até o sofá que tinha em sua sala, ajoelhando-se entre minhas pernas. — Cuspa.
Ela era tão doce.
— E se você estiver grávida e eu deixar de amar o Matthew? — desabafei, foi minha vez de esconder meu rosto atrás de minhas mãos, sentindo-me um tolo. — Eu amo Matthew, mas se isso evaporar por conta do bebê? — Tentei imitar a respiração que ela estava praticando antes, mas não funcionou comigo.
— Edward, você deu o relógio do seu avô para Matthew. Deu a ele algo que significa tanto para você, um presente que ganhou diretamente de Anthony — Bella disse, colocando sua mão em meus cabelos, fazendo com que eu a olhasse. — Não tem ideia de quão profundo foi assisti-lo discursando sobre a família Cullen para Matt, amor. — Esticou-se para depositar um beijo em minha testa. — O quão lindo foi vê-lo dizer a Matthew que você o ama.
— E se eu não conseguir amá-lo mais? E se tudo isso mudar?
Bella sorriu carinhosamente para mim.
— Amor, não vai mudar — garantiu. — Nós somos uma adição.
Eu a olhei confuso.
— Do que está falando? Isso é você jogando na minha cara que é melhor em cálculo?
Bella riu, colocando suas mãos nas minhas.
— Edward Anthony Cullen, quando você entrou na minha vida não se tornou um mero complemento para o que sou, você fez com que eu transbordasse, meu amor. Então, você me deu Renesmee e adicionamos mais a nossa conta. E, a vida nos deu Matthew e foi mais uma grande adição. Você consegue entender o que quero dizer, querido? Nós somamos, dividimos, multiplicamos e subtraímos algumas vezes, mas eu sei que nosso amor, o amor que temos para nossa família não é algo que diminua.
Ela se moveu, tocando em meu peito, sentindo meu coração.
— Não acho que digo isso com a frequência que deveria, mas deixe-me dizer o quanto você é um homem admirável. Em todas as áreas da sua vida, eu sou extremamente orgulhosa de tudo que você é e faz.
— É?
— Muito. — Inclinou-se para beijar meus lábios. — E conheço o homem com quem me casei, você nunca iria deixar de amar Matthew por termos um bebê, ou por qualquer outro motivo. Amor não evapora, Edward, principalmente falando de nossas crianças. Você é maravilhoso com Nessie desde o primeiro instante que soube da gravidez, tem sido maravilhoso com Matthew desde o dia que o conhecemos também. Lembra-se? Como aquelas pessoas ficaram em seus lugares, enquanto você e eu passávamos por cima da cegueira deles para ir até Matthew?
Bella me olhou com adoração, beijando-me mais uma vez.
— Aquele homem ali é o cara que foi até mim em uma festa de Halloween, mesmo temendo levar o primeiro fora de sua vida. É o homem que virou noites estudando para merecer o diploma que tanto queria. É o homem que suportou por nós dois a descoberta da gestação. É o homem que escutou cada choro meu quando eu estava tão confusa depois do parto. É o homem que colocou uma aliança em meu dedo e prometeu que estaria sempre comigo. É o homem que se esforçou mais a cada dia para crescer dentro da empresa. É o homem que não ligou para nada, absolutamente nada e se viu amando um garotinho que não tem o seu DNA.
Eu estava quase chorando com tudo aquilo, mas me contive.
— Então, sim, eu não poderia ter mais orgulho do homem com quem casei. E, eu posso não ter pensado em casamento, ou família, até você entrar na minha vida, mas agora que penso sobre isso, nunca poderia me imaginar com outro alguém, nunca poderia me imaginar com alguém que não fosse você, Edward Cullen.
A puxei para meu colo, lhe dando um grande beijo. Ela tinha-me prendido a si desde aquele Halloween, mas não era uma prisão ruim, nem de longe, era uma prisão maravilhosa e nunca iria querer sair dela. Eu sabia que não importava quantas vezes consolasse Isabella, ela sempre estaria disposta a retribuir e me manter de pé também. Era como funcionávamos, o Gangster e a Policial do Halloween de 2005, um sustentando o outro.
— Vai ficar tudo bem — prometeu, aconchegando-se em meu colo, sua testa apoiada na minha. — Se eu estiver grávida, nós seguiremos com a adoção, não desistiremos de Matthew, não desistimos da família, lembra?
Reconheci minha fala de quando falamos com a psicóloga.
— Nunca desistiremos. — Toquei em seu rosto, vendo-a sorrir vitoriosamente.
— Você é o apavorado da vez, Edward. — Bateu o dedo em meu nariz, eu ri, com certeza mais tranquilo depois de suas palavras.
O sorriso de Matthew, aquele estampando a tela do meu notebook continuava em minha mente. Eu não poderia perdê-lo, queria vê-lo em aniversários, natais, viradas de anos, um simples domingo, uma simples manhã de quarta. Ele era meu, meu filho. E eu tinha uma filha e, talvez ganhássemos outra menina ou menino, a questão era que poderia ser uma família de cinco, tinha lugar para todos.
— Vamos ver aquele resultado, senhora Cullen — falei para Bella, ela sorriu ainda mais, colocando-se de pé.
— Deixe-me fazer às honras? Eu gostaria da lembrança de ser a primeira sabendo oficialmente que estou grávida dessa vez. — Tocou em sua barriga, sorrindo carinhosamente para seu ventre.
— Vá em frente. — Sorri de volta para ela.
Ela chutou seus saltos, andando até sua mesa. Seu sorriso morreu a ver o resultado, eu não precisava que ela dissesse nada para saber que tínhamos ganhado um negativo.
— Eu acho que não dei sorte — ela sussurrou, forçando um sorriso para mim. — Tudo bem, né? Pelo menos sabemos que o método contraceptivo dessa vez realmente funcionou. — Deu de ombros, tentando fazer piada.
Fui até ela, vendo o negativo ali também.
— Quais as chances de ser um falso negativo?
— Eu realmente não sei sobre isso, Edward. — Ela deu de ombros novamente. — Eu devo estar com alguma virose, ou qualquer coisa assim que justifique os enjoos, posso ter comido algo que não me fez bem, sei lá.
Bella estava triste, mas não choro, mantendo-se forte.
— Nós vamos visitar Tanya mais tarde no hospital, não? Acha que você consegue uma consulta com sua médica? Só para termos certeza de que está tudo bem.
— É, eu acho que posso conseguir uma consulta de última hora com ela — Bella falou. — Eu providenciarei isso.
— Amo você. — Beijei sua testa.
— Eu estou triste, claro — murmurou. — Mas, isso não é o fim da linha. — Tocou em sua barriga, daquela vez com um sorriso triste no rosto. — Eu engravidarei quando for a hora certa e, dessa vez, você não vai ser o primeiro a desconfiar!
— Há, até parece! — Gargalhei, vendo o sorriso de Bella se tornar verdadeiro, iluminado.
— Eu realmente estou muito bem, Edward. Nosso segundo menino, ou nossa segunda menina irá vir uma hora.
— Ou gêmeos.
— Não brinque com isso — pediu apavorada, eu ri. — É sério, Edward, tirando Tanya ninguém mais na minha família ou na sua tem gêmeos, não vamos brincar com a genética.
— Nós podemos adotar gêmeos, já pensou?
Bella me olhou questionadora.
— Você adotaria de novo?
— Gêmeos? Não, nem pensar! — exclamei, também apavorado, eu concordava com nosso limite de três filhos, mais do que isso e iria sentar no cantinho e chorar, seriam crianças demais para controlar, eu enlouqueceria. Fora o custo das universidades, nós tínhamos dinheiro, mas eu era um tanto quanto mão de vaca desde que me tornei diretor financeiro. — Mas, sim, eu adotaria de novo.
— E mesmo assim você realmente pensou que poderia deixar de amar Matthew?
Suspirei alto.
— Eu sei, mas você estava certa, eu estava apavorado.
— Eu também adotaria de novo — ela disse confiante. — Eu amei gerar Ness, eu amaria gerar outro bebê, mas se isso se tornasse impossível para nós, amaria gerar outra criança no meu coração.
— Você está usando os termos de mães adotivas — parabenizei, ganhando um sorrisinho vitorioso dela.
— Eu tenho lido bastante.
— Então, nós estamos continuando a tentar uma gestação, ou...
— Eu não tomarei essa decisão só — ela pontuou. — Mas, eu realmente não quero adiar mais a ideia de um terceiro filho.
— Isso está na cara, você estava tão feliz a espera de um positivo. — Nós dois murchamos com o negativo sobre a mesa. — Eu também não quero mais adiar, mesmo com medo, vamos em frente. Temos Nessie, Matthew estará conosco, se tudo ocorrer bem, na sexta, vamos começar a pensar em torno do terceiro.
— Podemos continuar tentando um biológico — ela sugeriu. — Mas...
— Se não der certo podemos partir para uma adoção — completei sua fala.
— Isso provavelmente será possível só depois da adoção de Matt estar finalizada, então acho que temos bastante tempo para tentar uma gravidez.
— Não vai ser um problema colocar essa peça em estreia, querida — pontuei.
Bella, sem seus saltos, se colocou nas pontas dos pés para contornar meu pescoço com seus braços.
— Eu disse, tenho muito orgulho de você, marido.
— Obrigado, esposa — agradeci. — Por não ter desistido da gente, nunca, por nada.
— Edward, não importa quem peça para que isso mude, eu morrerei como uma Cullen, morrerei como sua esposa.
— Isso é sobre Eleazar, não? — Já sem a duvida da gravidez, aquilo voltou a minha mente. — Eu preciso que me conte o que ele estava fazendo aqui. — Sentei Bella sobre sua mesa, sentando na cadeira ali diante, puxando seus pés para meu colo.
— Lembra-se, que ontem ele mencionou ter planos para mim quando ele se tornasse o presidente do Grupo? — Assenti, deixando-a continuar falar. — O plano dele era eu deixar vocês, para me tornar a vice presidente ao lado dele. Falou que eu estava sendo reduzida sendo uma simples gerente, que meu lugar era no prédio empresarial, que... — Ela revirou os olhos, interrompendo-se.
— Que?
— Que eu era muito melhor do que você.
Eu parei de massagear os pés dela, que automaticamente tinha começado a fazer.
— Ele está certo, não está?
— Edward, não!
— Você é melhor do que eu, Isabella!
— Edward, não!
— Você mesma diz que é melhor do que eu.
— Não nesse sentido.
— Bella. — Passei a mão pelos cabelos, me colocando de pé. — Fale a verdade — pedi. — Você se sente desvalorizada como uma gerente?
— Você acha que eu sou uma simples gerente? — ela me confrontou, ficando de pé.
— Não, você é maravilhosa no que faz com esse hotel, mas se você estiver se sentindo colocada de lado, pode dizer. Eu detesto o Denali, mas você seria uma diretora muito melhor do que sou, sequer pude evitar o problema em Boston.
— Edward, cala a boca — Bella ordenou, eu a olhei surpreso. — Estou falando sério, ou você para de surtar, ou sai da minha sala e vai surtar na sua.
Respirei fundo outra vez, tentando me acalmar.
— Bom. — Ela assentiu. — Senta! — voltou a ordenar, apontando para a cadeira que estava antes, bufando diante suas ordens, eu sentei. — Primeiro, eu acabei de dizer que tenho orgulho de você e que te admiro, não fique por ai dizendo que é um mau diretor. Segundo, eu fui para Harvard querendo um diploma conceituado e tudo que o nome daquela instituição poderia me oferecer. Ai, seu pai surgiu no meu caminho, me convencendo a trabalhar para o Grupo Cullen e por anos me remanejou de uma área para outra para que aprendesse mais e, escuta essa, aprendi mais entre os corredores desse hotel do que aprendi nos meus anos de Harvard.
Ela suspirou, apoiando-se na mesa.
— Eu infelizmente não tive a oportunidade de conhecer Anthony Cullen, Edward, mas por tudo que falam do seu avô, ele era perdidamente apaixonado por esse hotel. E, agora sou eu quem o comando, você entende isso? Sim, você é um dos diretores, tem outros mais acima de mim, tem Caius e Carlisle, mas esse hotel é minha responsabilidade. — Gesticulou ao redor. — Dia após dia, sou eu quem está organizando tudo para esse lugar e eu amo isso, amo mais do que um dia imaginei que seria possível amar um trabalho.
Bella ficou em silêncio por um instante, olhando para o quadro atrás de sua mesa onde se podia ver uma das primeiras fotos do hotel de Chicago.
— Claro, claro que me imaginei uma diretora, uma presidente de empresas, durante meu tempo em Harvard, com uma grande sala no último andar de um prédio, com uma vista panorâmica, mas esse desejo não me dá o mesmo prazer que hoje em dia sinto de sair por esse hotel checando tudo, desde a limpeza até grandes festas. Eu conheço pessoas de todo mundo, eu sei sobre marketing, RH, treinamento e mais uma porção de coisas, sou uma profissional completa, sou a mulher realizada que a menina que entrou em Harvard queria ser. Não sei como estarei me sentindo daqui a cinco anos, se estarei cansada de ser uma gerente, ou até mesmo de trabalho de forma geral, o que sei é que no momento eu não quero uma sala panorâmica no prédio empresarial, quero minha sala escondidinha no fim do corredor, pois eu ainda passo a maior parte do meu tempo andando por todo esse hotel, tentando fazer Anthony Cullen se sentir orgulhoso por eu estar cuidando do primeiro hotel dele, o hotel que muitos tentaram o persuadir a não levantar e agora eu estou aqui e manterei esse hotel de pé.
Adição, aquilo se tornou claro em minha mente quando ouvi Bella dizer aquilo tudo. Ela estava certa, o amor que nos cercava não era um que podia ser reduzido, era um que era adicionado a mais amor, tornando-se ainda maior.
— Eu te amo — falei, sem encontrar mais palavras em meu vocabulário.
— Amo você também, querido. — Ela passou a mão por meus cabelos. — Deixe-me continuar como gerente geral, okay? Eu entraria em colapso se deixasse isso aqui agora. É meu lugar, eu sou apaixonada pelo que faço, não se preocupe, não estou me sentindo desvalorizada, nem me sinto presa em uma mesmice. Quer dizer, se você olhar sobre tudo que eu mexo vai ver como eu realmente não estou presa em uma zona de conforto, tenho de lidar com mil coisas diferentes por dia e isso é o que me move.
— Você promete que me dirá caso isso mude de figura.
— Eu direi, juro que direi — prometeu. — Tire Eleazar de sua mente, tá bom? Eu mostrei a ele minha posição sobre isso tudo.
— O que você fez? — Bella deu um sorrisinho diabólico.
— Eu dei um tapa nele.
— Bella! — exclamei surpreso.
— O quê? Não se preocupe, foi só um tapa, não acho que ele irá correr para uma delegacia me processar por isso, além do mais ele não tem provas ou testemunhas.
— Você é sexy, muito sexy — declarei, pensando se teríamos tempo para eu fodê-la ali mesmo.
— Eu sei disso, querido. Mas, agora eu realmente preciso que dê o fora. Já lidamos com um teste de gravidez negativo, Eleazar e tudo isso sobre meu cargo, eu preciso trabalhar e ganhar um pouco de distração para minha mente.
— Tudo bem, também tenho muito que fazer — me coloquei de pé. — Não se esqueça de falar com sua médica.
— Não esquecerei, pode ficar tranquilo.
— Fora os enjoos, você sente o que mais? — Toquei em sua testa, checando que ela não estava com febre.
— Fisicamente e mentalmente, apenas cansada de tanta coisa que vem acontecendo nos últimos dias, mas eu vou ficar bem. Não coloque sua cabeça em preocupação sobre isso, tenho certeza de que não é nenhuma doença grave.
— Sim, eu espero que não seja mesmo. — Beijei sua testa mais uma vez aquele dia. — Não demore um segundo para me ligar caso sinta algo estranho, eu venho correndo te ver.
— Fique tranquilo. — Afagou meu braço. — Agora, vá trabalhar, homem. Nós temos uma criança em casa e outras duas a caminho para sustentar, fora o cachorro que você vai cuidar.
Eu gemi ao ouvir aquilo.
— É, eu amo mesmo Matt para levar um cachorro pra casa — falei. — É como suportar Eye of the Tiger porque te amo.
— É uma grande música — Bella teimou. — Você que tem problemas em apreciar esse clássico.
— Tá bom, Rocky, eu estou indo trabalhar.
— Eu devo jogar esse fora, não? — Ela pegou o teste negativo.
— Sim, esse não merece uma moldura. Talvez tenhamos sorte com o próximo.
— Nós teremos — Bella disse confiante. — E na sexta-feira Matt irá para casa conosco.
Eu sorri.
— Eu o amo, Bella.
— Eu sei disso, Edward, posso ver no seu sorriso.
***
Naquela tarde, antes de eu sair com Isabella para pegarmos Renesmee na escola, irmos visitar Tanya e seus bebês e depois ir para a consulta que ela tinha conseguido marcar com sua médica, eu subi até a sala da presidência para que Carlisle pudesse assinar alguns documentos para mim. Depois de sua assistente liberar minha passagem, pude entrar ali, encontrando meu pai e Caius.
— Edward — papai falou de boca cheia, comendo um pedaço de bolo. — Eu estava quase te chamando, tenho algumas coisas para te falar.
— É, tipo você comendo uma montanha de açúcar? — Torci o nariz para o grande pedaço de bolo que ele tinha em mãos.
— É o segundo pedaço em meia hora — meu tio falou, quando sentei ao lado dele. — Tem sido assustador ver o quanto esse cara pode comer em tão pouco tempo.
— Pai, tudo que não precisamos agora é você tendo problemas com açúcar, pode começar a pegar leve nos bolos? — perguntei, Carlisle revirou os olhos, continuando a comer.
Claramente ele estava tenso, descontando toda sua ansiedade na comida.
— Eu estou muito bem — insistiu. — O que tem para mim? — Apontou para a pasta em minhas mãos.
— Só alguns contratos, nada demais. — Passei a pasta para ele, deixando com que ele assinasse os documentos.
— Garrett já apareceu? — Caius perguntou, ele tentou pegar o bolo de papai, mas Carlisle foi mais rápido em bater sua mão para longe.
— Tire suas mãos da minha comida, Caius — papai praticamente rosnou para ele.
— Sim, ele esteve aqui mais cedo — respondi a pergunta do meu tio. — Mas, não tive o desprazer de vê-lo, fiz Jasper cuidar de tudo sobre a demissão dele.
— Eleazar também esteve aqui — Caius disse, papai me devolveu os documentos assinados. — Ele já conseguiu marcar a votação com o conselho, será em duas semanas, no primeiro dia de maio.
— Coitado, ele tem sido tão iludido, eu até sinto pena — papai falou, voltando ao seu bolo. — Sua mãe já está arquitetando tudo sobre o coquetel para os conselheiros, ela nos dará uma data até amanhã, no máximo quinta.
— É, eu quero que me convençam a votar em Carlisle para presidente — Caius brincou, uma vez que ele era o presidente do conselho e o representante de cada um com sobrenome Cullen dentro deste, com exceção de mamãe que também estava no conselho, mas como representante dos pais dela, nos últimos cinco anos, que também tinham investimentos no Grupo.
— Há, muito engraçado, Caius! — papai fingiu uma risada.
— Qual é? Só você pode ter um pouco de humor negro, irmão? — Caius riu. — Eu quero uísques como compra pelo meu voto.
— Se o papai estivesse no grupo ele pediria por bolo — falei, Caius riu assentindo. — Nós vamos conseguir, né? O voto de outros três conselheiros, para que junto de Caius e mamãe eles componham a maioria ao seu favor.
— Na verdade, quatro conselheiros além de Caius, nós não sabemos como sua mãe votará.
— Mas...
— Ela é só a representante dos Masen, Edward, são eles que dirão a ela como deve votar para o presidente.
— Eles estão vindo? — Caius perguntou como uma careta, era um fato universal de que ninguém suportava meus avós maternos.
— Esme irá mantê-los o máximo possível na Irlanda, ela também não os quer aqui, pelo menos não ainda.
— Ela ainda não contou sobre a doença a eles, né? — Caius fez uma careta, papai concordou com um aceno de cabeça. — Nós poderíamos mandar matar o Eleazar, sem ele o mundo seria muito melhor e tudo voltaria ao normal.
— Caius! — papai chamou a atenção dele.
— O quê? Eu estou brincando. — Caius nos lançou um sorriso travesso, colocando-se de pé. — Mas, avisem-me se mudarem de ideia, eu conheço as pessoas certas para um pouco de serviço sujo. — Eu precisava admitir que me senti tentando a saber mais sobre aquelas pessoas. — Preciso voltar ao trabalho agora, você vai visitar sua prima, não é? — perguntou para mim, concordei com um aceno de cabeça. — Leve um presente para ela, não só para os bebês, ela está toda sensível depois do parto.
— Pode deixar — concordei, deixando Caius sair.
— Eu também tenho alguns documentos que preciso que assine — papai falou, remexendo nas gavetas de sua mesa, estendendo-me uma pasta com documentos.
Abri aquilo, deparando-me com o nome Masen ali.
— Os papéis do mês da sua parte na herança de Grace e Harrinson — ele falou, entregando-me uma caneta. — Pode assinar sem medo, eu já conferi tudo, sua mãe e irmã também já assinaram.
— Não sei por qual motivo continuo assinando isso — resmunguei, dando minha assinatura embaixo das assinaturas dos meus pais e irmã. — Eu não quero o dinheiro deles, nem agora, principalmente quando estiverem mortos.
Grace e Harrinson Masen tinham uma fortuna ainda maior do que a dos Cullen, a família Masen foi rica muito antes da família o meu pai. E, Harrinson sendo um filho único, herdou tudo quando seu pai morreu, casou com Grace, tiveram minha mãe e ela, papai, Rosalie e eu éramos os únicos herdeiros de todo o dinheiro que eles deixariam quando morressem.
— Eles são seus avós, Edward — Carlisle pegou os documentos de volta.
— Não fale deles como se fossem os avós dos meus sonhos — pedi resmungando. — Sabe tão bem quanto eu o jeito como os dois são, principalmente preconceituosos, pai. Eu tenho um filho negro agora, isso ainda não foi exposto na mídia, mas se prepare para seus sogros agindo como se o mundo estivesse passando por um apocalipse quando descobrirem sobre Matthew.
— Eu sei, sei disso, mas eles continuam sendo seus avós. E, sua mãe já não está nada bem com a coisa toda sobre os Denali, vamos tentar nos manter tranquilos sobre os pais dela. Eu realmente não quero que sua mãe se desgaste mais do que essa doença já vai a desgastar por si só, eu amo minha esposa, Edward, irei mantê-la o mais confortável que poderei no meio disso tudo.
— Sim, o senhor está certo. — Assenti. — Sobre os Denali, Eleazar esteve com Isabella hoje de manhã.
— Esteve? — Carlisle me perguntou surpreso.
— É, ele teve a cara de pau de falar para ela que a queria como vice presidente do grupo, quando ele fosse eleito o presidente. — A expressão de Carlisle se fechou ao ouvir aquilo. — E, falou que nós estamos a desvalorizando-a mantendo-a no cargo de gerente.
— Ela se sente assim? — perguntou desacreditado.
— Não, eu a fiz prometer dizer caso se sinta desconfortável sobre ser gerente, caso queira mudar de área.
— Bella é uma incrível gerente, Edward — papai proclamou. — A melhor que o hotel sede teve, eu tenho certeza de que ela ama o que faz, por isso não cogitei por um milésimo a ideia de aceitar a proposta descabida de Eleazar em colocar Irina naquele cargo. O hotel precisa de Isabella e, ela precisa dele, é uma correlação.
— Ela disse algo parecido e, ela pode ter batido nele. — Papai riu daquilo, assentindo, levantou-se indo buscar mais bolo na geladeira. — Pai, é sério, pare de comer tanto doce!
— Eu já disse, estou bem. — Ele voltou a se sentar. — Tem algo a mais para me contar, você parece tenso, talvez um pouco triste também. Nem deveria estar triste, sua esposa deu na cara do Eleazar, deveríamos estar celebrando.
Eu pensei em falar sobre o teste dando negativo, o que estava me deixando triste, mas preferi não voltar a falar sobre aquilo. Então, segui por um assunto que mesmo deixando-me tenso, com certeza me deixava muito feliz.
— Nós teremos uma audiência com o juiz na sexta-feira, para a guarda provisória de Matthew.
Carlisle sorriu, largando o bolo sobre a mesa.
— Isso é excelente!
— É, o juiz é Shaw Brewer, você o conhece.
— Por que não disse isso antes? — papai perguntou, pegando seu celular. — Não fique tenso, filho, vocês terão Matthew com vocês na sexta-feira, sem falta. — Levou o celular a orelha depois de discar um número. — Shaw, velho amigo, como é bom falar com você! — falou quando foi atendido. — Sim, nós realmente precisamos marcar uma partida de pôquer.
Eu estiquei minha mão em direção ao bolo, querendo levá-lo para longe de Carlisle, mas ele me bateu, proibindo que pegasse seu monte de açúcar. Ele apontou para fora de sua sala, enquanto continuava falando com Shaw Brewer sobre pôquer, sabia que em sequência estaria mencionando a adoção, eu peguei os documentos que tinham me levado até ali e sai, sabendo que o juiz seria muito prestativo quanto ao caso de Matthew depois de uma conversa com Carlisle Cullen.
***
Isabella e eu chegamos na hora certa na escola de Renesmee, bem a tempo de pegá-la para irmos ao hospital, depois de termos feito uma rápida parada em uma joalheria para que pudéssemos comprar uma joia para minha prima. Bella já tinha providenciado os presentes para os bebês, então apenas precisávamos de um mimo para Tanya.
Saímos juntos do carro, rindo de alguma piada que Félix tinha acabado de nos contar. Bella parecia melhor, depois de toda a tensão da manhã pela visita de Eleazar, como pelos enjoos que estava sentindo. Ela tinha me garantido que estava se sentindo muito bem também, sem mais enjoos, ou qualquer coisa do tipo.
Como chegamos exatamente na hora da saída das turmas, pude ver Nessie entrando no pátio onde as crianças esperavam após as aulas. E, não foi muito surpreendente ver Ashton com ela.
Justin Biber Pokémon: o retorno.
Quer dizer...Olhei melhor para Ashton, percebendo que ele não tinha mais franja, na verdade, quase não tinha mais cabelo algum, alguém tinha o apresentado a uma tesoura.
Não, era o fim de uma lenda!
— Cortaram o cabelo dele, Bella! — eu exclamei incrédulo, ela conteve uma risada, puxando-me até onde os dois estavam parados.
Ashton carregava não só a sua mochila, como a de Renesmee também. Não pude deixar de revirar os olhos para isso, sabia muito bem o significado daquilo, ele queria se mostrar prestativo e conquistar uns pontos com ela, eu usei muito daquilo naquela mesma escola.
— Não faça um show, eles são bonitinhos juntos — Bella falou para mim.
— Ela tem dez — pontuei.
— E não estou falando que estamos a deixando ir para Las Vegas casar, Edward. — Bella beliscou meu braço, eu me contive de soltar um palavrão, com todas aquelas crianças nos cercando.
— Ela não vai casar, vai se tornar freira.
— Há, porque você virou super católico agora. — Bella riu. — Olá, crianças! — exclamou quando paramos junto aos dois, que riam enquanto conversavam.
— Oi, senhora Cullen — O ex Justin Bieber Pokémon a cumprimentou.
Isso não daria certo, eu precisava de um apelido novo para Ashton. Lhe analisando rapidamente, percebi que seu cabelo — cortado — era todo espetado para cima. O apelido surgiu facilmente com isso: Porco Espinho.
— Oi, Ash, é bom te ver — Bella falou gentilmente com ele.
— Oi, senhor Cullen. — Ash acenou para mim, tendo que erguer bem a cabeça para olhar para meu rosto. Bom, ele pelo menos saberia quem estava no comando.
— Olá, Ashton. — Estiquei minha mão para ele, o garoto hesitou, mas colocou a sua na minha. Claro que eu não quebrei a mão do garoto, mas o aperto foi firme.
— Nós precisamos ir agora, pequena. Lembra-se que vamos ver os filhos da tia Tanya? — Bella falou com Renesmee.
— Sim! — Nessie comemorou, se voltando para Ash. — A prima do papai teve bebês gêmeos, legal, né?
— Sério? Eles são idênticos? — Ele retribuiu a fala com animação.
— Sim, eles se chamam Carlisle e Caius. Igual ao meu avô e meu tio-avô.
— Legaaaal! — o Porco Espinho esticou a palavra.
— Quando eu tiver uma filha ela vai se chamar Charlotte — Renesmee proclamou sorridente, aquilo primeiro me pegou de surpresa, depois me deixou irritado. Nova demais para pensar em filhos, mas eu estava feliz que ela ainda mantivesse vovó Char em sua mente.
— Okay, filha, isso ainda vai demorar bastante — Bella interviu. — Você ainda tem pelo menos uns vinte anos até pensar em seus filhos, vamos agora. — Ela me olhou rapidamente, checando se eu não estava surtando ainda.
— Tudo bem. — Nessie pegou sua mochila com o Porco Espinho, que sorriu para ela. — Até amanhã, Ash. — Antes que qualquer um pudesse fazer qualquer coisa, ela estava beijando a bochecha dele, Bella escondeu uma risada atrás de uma tosse, enquanto eu sentia meu rosto ficando vermelho de raiva.
Dane-se, Renesmee era eu de saias.
— Vamos, mamãe! — Ela segurou na mão de Bella, a arrastando para longe.
Ashton, ou melhor, Porco Espinho, estava paralisado em seu lugar, olhando minha filhinha se afastar. Eu tinha de admitir, ele ganhava pontos comigo por não ser a pessoa cruzando os limites, essa era Renesmee e meus genes que foram parar nela.
— Ashton? — O chamei com a voz grave, fazendo ele me olhar, seu rosto corado pelo recente beijo ganhado. — Cuidado, você me entendeu? Um erro com a minha filha e você está encrencado, garoto.
— Sim, senhor — ele concordou, mas ainda parecia confuso com minha ameaça.
— Estou de olho em você. — Com dois dedos apontei para meus olhos, então para ele, reforçando minha fala.
O Porco Espinho apenas assentiu ali, olhando-me com medo.
Então, eu tive de deixar meu momento pai ameaçador, quando Bella gritou por mim do outro lado do pátio. Ela sempre estava cortando meu barato, isso era injusto.
O caminho até o hospital foi feito em meio a planos do que poderíamos fazer para o aniversário de Matt, uma vez que contamos a Renesmee que as chances de termos conosco no dia eram bem altas. Não foi uma surpresa vê-la nas nuvens com aquilo, ela também amava o irmão, estava empolgada com a ideia de tê-lo novamente em casa.
No hospital, rapidamente recebemos permissão de ir para o quarto no andar da maternidade que Tanya estava ocupando. Por sorte, o bebê Caius já estava no quarto com a mãe e o irmão desde o dia anterior.
— Olá, família Martin! — Bella entrou aos sussurros no quarto, com medo de acordar os gêmeos. Ela segurava os presentes dos bebês, Nessie balões que compramos na loja de presentes do hospital e eu a joia de Tanya.
O marido de Tanya, Santiago, era o mais próximo da porta, em seus braços um dos bebês dormia tranquilamente. Eu sorri vendo aquela coisinha pequena, ele não tinha cara de joelho, era mesmo fofo.
— Ei, vocês finalmente vieram — Tanya na cama falou com a gente, em seus braços o segundo bebê, dormindo como o irmão.
Realmente idênticos, eu provavelmente não saberia distinguir filhos gêmeos se os tivesse. Santiago, já era bronzeado depois de anos velejando, mas os bebês eram tão brancos quanto ele e Tanya quando os dois estavam fora do Sol e os cabelinhos ralos de ambos eram escuros como os do espanhol.
— Que bonitinho! — Nessie exclamou o mais baixo que pode, quicando no chão para ver o bebê no colo de Santiago.
— Ah, vocês conseguiram — Bella falou emocionada, aproximando-se de Santiago também.
Nós tínhamos visto os dois por um longo tempo entre tratamentos para terem filhos, era mesmo bom saber que finalmente tinham realizado o sonho de serem pais que tanto queriam.
— Parabéns, cara. — Cumprimentei Santiago.
Ele parecia um zumbi, visivelmente exausto, mas tinha o combo sorriso e olhar de êxtase que eu soube que também tive quando Ness nasceu.
— Valeu — ele agradeceu. — Esse é o Carlisle — apresentou o bebê número um pra gente. — Vocês não vão querer acordá-lo, ele é bem sentimental, chora por tudo.
Bella riu baixinho, olhando atentamente para o bebezinho no colo do marido da minha prima.
— Sim, mamãe falou que o Carlisle era o chorão. — Passei gentilmente a mão pelos cabelos do bebê. — E, esse, o que nos conta? — Afastei-me até a cama junto de Tanya, deixando Ness e Bella babando sobre o bebê Carlisle.
— Oi, primo! — Tanya sorriu para mim, com lágrimas nos olhos.
— Ei! — Beijei o topo de sua cabeça, ouvindo-a fungar baixinho.
— Eu não deveria estar chorando — ela se culpou.
— Tudo bem, é normal. — Sentei na beirada da cama, olhando para o bebê Caius. — Acredite, muito normal. — Voltei a olhá-la.
— Eu estou feliz, mas são tantos hormônios para lidar. — Bufou. — Eles são lindos, não é? — Olhou para Caius. — Eu não consigo acreditar ainda, parece um sonho. Eu estive grávida por meses, mas tê-los em meus braços me dá a sensação de realidade.
— Sei como se sente, é ainda melhor tê-los em nossos braços.
— Só queria que a vovó Charlotte estivesse aqui e, o vovô também. — Tanya suspirou. — Ela sempre dizia que eu teria bebês lindos, queria que tivesse os conhecido.
— Eu também. — Suspirei, sentindo saudade dos meus avôs. — Iria adorar que eles conhecessem Matt.
— Como ele está? — Tanya sorriu largamente. — Eu recebi as fotos do domingo, adoraria ter estado lá com todos vocês. Ele parecia muito feliz.
— Ele é maravilhoso, Tanya, eu o amo.
— Claro, que ama. — Ela se remexeu na cama. — É seu filho, você não poderia deixar de amá-lo. — Olhou carinhosamente para Caius. — Eu deixei o nome livre para você, Santiago estava pensando em usar os nomes do avô paterno dele e o do meu, mas eu achei que papai e tio Carlisle mereciam homenagens e sabia que você e Bella tem pensado em Anthony desde que ela estava grávida de Nessie.
— Obrigado por isso, nós realmente queremos um Anthony. — Beijei a cabeça dela mais uma vez. — Vai ser uma mãe incrível, vovô e vovó devem estar muito orgulhosos de você. Eu tenho um presente. — Sinalizei a caixinha em minhas mãos.
— Uma joia?
— Uma joia. — Confirmei, abrindo a caixinha, mostrando para ela um colar de ouro, delicado, com dois pingentes, duas letras C.
— Ah Deus, isso é perfeito! — Ela exclamou. — Coloque em mim — pediu, eu coloquei, tomando cuidado para não acordar Caius no processo. — Quem diria, o primo que matou meu peixinho sendo tão fofo!
— Rosalie ainda não te contou?
— O quê?
— Foi ela quem matou seu peixe.
Tanya me olhou indignada.
— Aquela cara de pau! — Tanya exclamou, fazendo com que eu risse. — Ela vai se ver comigo, meu peixinho dourado era meu irmão.
— Tanya, me poupe, você tem a mim e Rose, somos seus primos, mas você sabe que pode nos ter como irmãos.
Ela assentiu, sorrindo.
— Eu sei, obrigada por tudo, Edward. Também fiquei sabendo a barra que vocês estão aguentando lá na empresa, me sinto mal por não poder ajudar.
— Concentre-se nos bebês agora, Tanya, esperou muito por eles, nós cuidaremos do Grupo Cullen.
— Posso? — Bella se aproximou da gente, esticando os braços para o bebê Caius, Renesmee continuava com Santiago, o enchendo de perguntas sobre o ‘funcionamento’ dos bebês.
— Claro. — Tanya passou Caius para os braços ágeis da minha esposa, o bebê não deu indicio algum que acordaria.
— Que bonitinho! — Bella exclamou como Renesmee.
— Eu acho que eles se manterão com os olhos azuis — Tanya comentou. — Os olhos da vovó Charlotte — falou para mim, dando um sorriso triste, eu a coloquei em meus braços, a reconfortando como podia.
— Parabéns, prima. — Bella beijou a bochecha de Tanya quando nos afastamos. — Bem-vinda ao clube das mamães, você vai surtar, chorar, uma porção de vezes, mas vai se sentir muito feliz acima de tudo.
Sorri para Bella, não disse nada, mas a agradeci em meu coração por ter me tornado um pai me dando dois filhos. E, entrando na minha de ter um terceiro, o que logo mais aconteceria.
***
Depois que nossa visita chegou ao fim, Bella e eu deixamos Renesmee voltar para casa com Félix e fomos para sua consulta. Sua médica tinha conseguido a encaixar, o que era ótimo, pois eu precisava ter certeza de que minha esposa estava bem.
Mas, mesmo com o encaixe, ainda tínhamos de precisar esperar a vez dela. O que era um saco, eu sugeri subornar a assistente da médica para nos deixar passar na frente, mas Bella me proibiu.
Peguei uma revista da pilha ao lado do sofá, folheando-a sem realmente parar para ler nada ali, questionando-me o motivo das revistas das salas de espera de consultórios médicos serem tão desatualizadas. Além do mais, por qual motivo todas as revistas necessariamente tinham de ser sobre fofocas de famosos e moda?
Não era por ser um consultório de uma ginecologista, com óbvia circulação feminina, que esses eram os únicos assuntos que as revistas ali deveriam falar. Isso era machismo, certo? Minha esposa não lia nada daquilo, na verdade, eu lia mais sobre fofocas de famosos do que ela. Eu ainda não tinha superado a minha recente descoberta da separação do casal Brangelina, eles eram tão legais juntos.
— Você sabia que Brad Pitt e Angelina Jolie se separaram no ano passado? — perguntei para Bella, que estava distraída vendo em seu celular as fotos que tiramos com os gêmeos.
— Todo mundo sabia, Edward. Em que mundo você vive, amor?
— Sério que você sabia e não me contou? — perguntei chateado. — Sabe que adoro os filmes dele.
Ela riu, me olhando.
— Eu gosto que você seja fã do cara, ela é bonita demais, eu ficaria com ciúmes.
— Eu não acho ela tudo isso.
— Qual é, Edward? Ela é linda.
— Eu realmente não acho, você é muito mais bonita.
— Já somos casados, você não precisa me conquistar para entrar em minhas calças, senhor Cullen.
Eu deixei a revista de lado, lançando um sorriso malicioso para ela.
— O que acha de irmos para uma sala vazia depois da sua consulta? Nunca transamos em um hospital, isso seria muito quente.
Bella mordeu o lábio, claramente considerando minha ideia.
— Isabella Cullen, pode entrar agora — a assistente falou.
— Nós faremos isso outro dia — ela murmurou para mim, antes de se levantar. — O quê? — perguntou quando eu fiquei de pé.
— Vou com você.
— Mantenha-se calado — ela exigiu, entrelaçando sua mão na minha, conduzindo-me até a sala da médica.
Eu não conhecia aquela, a única médica de Bella que conheci foi a de Boston que fez o parto de Renesmee. Mas, quando nos mudamos para Chicago e Bella mudou de médica, fui desconvidado a participar das consultas, já que ela não tinha mais meu bebê em sua barriga.
— Olá, Bella! — a médica, uma senhora que devia ter uns cinquenta anos mais ou menos, cumprimentou minha esposa. — Presumo que você seja o senhor Cullen. — Se voltou para mim. — Eu lhe entendo, ele é mesmo difícil de ser ignorado — cochichou para Bella, que piscou para ela.
O quê?
— Sou a doutora Quaid, mas pode me chamar só de Andie. Vamos, sentem-se — indicou as cadeiras vazias diante sua mesa, ocupando seu lugar. — O que te trás aqui hoje com urgência, Bella? Nosso próximo encontro deveria ser só em Maio.
— Bom. — Bella tomou uma lufada de ar, arrumando sua postura na cadeira. — Eu estou me sentindo um pouquinho mal desde ontem — confessou. — Nauseada e apresentei vômitos, como não bebi ou comi nada diferente, isso fez Edward e eu pensarmos em gravidez. Até porque eu tenho estado um tanto quanto emotiva nos últimos dias, então atribuímos isso a possível gravidez.
— Certo, mas você tomou sua dose de anticoncepcional — a médica lembrou. — As chances de estar grávida são muito baixas.
— É, eu sei disso — Bella concordou. — Inclusive nós fizemos um teste de farmácia hoje de manhã, ele deu negativo.
— É o esperado, é muito difícil engravidar em meio a uma injeção dessas, vocês teriam de ser uma exceção à regra. Mas, em todo caso, você disse que está se sentindo mal, precisamos investigar isso a fundo, para ter certeza do que está acontecendo. — Ela começou a digitar em seu computador. — Irei pedir um exame de sangue para gravidez também, só para termos certeza do resultado.
— Tudo bem.
— Isso pode ser uma reação da injeção também. — A médica se voltou para Bella. — Você está na terceira dose dela, não?
— Sim — respondi por Bella, sabendo aquilo tão bem quanto ela.
Depois de Renesmee, ela usou pílula anticoncepcional por um tempo. Mas, não queria muitos hormônios em seu corpo naquela época e voltamos para a camisinha, sempre nos certificando de que nenhuma estava furada. Ela usou pílula por mais um período e, acabou mudando para a injeção no ano passado, a dose que ela tinha tomado em fevereiro foi à terceira.
— Pode ser que esteja apresentando alguma reação tardia ao medicamento. — Andie pegou algumas folhas de sua impressora. — Podemos tentar uma nova injeção em maio, o que acha? — perguntou para Bella.
— Na verdade, Edward e eu estamos pensando em outro filho — Bella contou, um sorriso pequeno cruzando seu rosto.
— Ah, isso é ótimo! — Andie sorriu. — Eu fiz o parto da prima de vocês no sábado, vou amar trazer outro bebê dessa família ao mundo.
— Também gostamos da ideia, você e eu somos os únicos tendo acesso a Bella nua nos últimos anos, vai ser bom ter alguém em quem confiar no parto — falei, Bella beliscou meu braço, visivelmente constrangida, Andie riu.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Pode ficar tranquilo, senhor Cullen, eu cuidarei bem da sua esposa.
— Obrigado!
— Não ligue para ele, Andie — Bella pediu.
— Então, isso muda tudo. — Andie assinou os papéis do exame. — Estamos suspendendo as injeções.
— Alguma ideia de tempo até que ela engravide? — perguntei ansioso. — Levando em conta que vamos levar o trabalho a sério.
— Edward! — Bella bateu no meu braço, Andie riu novamente.
— Ah, qual é, Bella? Andie sabe muito bem que você e eu transamos, ela é sua médica.
— Eu realmente sei, Bella, não se envergonhe com isso. — A médica entregou os papéis para ela. — Quanto a engravidar, a dose de uma injeção anticoncepcional não é como nas pílulas, ela demora mais para sair totalmente do corpo depois que é suspensa. Vocês podem levar seis meses, ou até mais para engravidar. Ou, serem um daqueles casais sorteados que engravidam logo depois de parar com o contraceptivo. Não é uma conta exata, eu diria que vocês terão de relaxar e fazer o que tem de fazer até o bebê chegar.
— Certo, eu não sou velha demais para engravidar, né? — Bella perguntou.
— Não, Bella, claro que não! — Andie exclamou. — Você ainda nem fez trinta, tem mulheres até na minha idade engravidando e saindo-se muito bem, irá tirar isso de letra. Mas, está me parecendo bem tensa.
— É, eu estou — Bella confessou. — Edward e eu estamos no meio de um processo de adoção.
— Oh, sim, eu acho que ouvi falar sobre isso nos jornais, mas não dei credibilidade. — Andie nos olhou surpresa. — Parabéns, pelo bebê!
— É um garoto, já tem oito anos — corrigi rapidamente.
— Okay. — Andie olhou atentamente para Bella. — Você disse que está chorando e tendo enjoos?
— É, bem emotiva, muito. — Bella balançou a cabeça em negação. — Edward até falou em baby blues, sabemos que tem depressão pós adoção, mas não sabemos nada sobre baby blues nesse caso.
— É, pode ser que ocorra, é uma mudança de vida grande. — Andie continuou a olhar Bella atentamente. — Eu te passei um monte de exames de sangue, mas agora tenho certeza de que você só está vomitando e chorando por estar nervosa quanto à adoção, Bella e isso é normal, querida. — Ela falava com tanto carinho com Bella que nem protestei sobre o uso do querida. — Mas, não será mais normal se evoluir para uma gastrite nervosa, ou coisa pior. Já me disse antes que tem uma rotina bem puxada no hotel, seria muito fácil deixar o estresse te consumir com tudo isso. Quero que faça os exames, só para termos certeza de que está tudo bem, eu terei acesso a eles pela internet e você também, amanhã te ligo e digo se tem algo fora do normal. Agora, eu sugiro que você procure algo para extravasar energia.
— Sex...
— Além disso, senhor Cullen — Andie me interrompeu. — Também é recomendado, claro. Mas, talvez Bella possa começar a malhar um pouco, correr, nadar, algum exercício físico. — Bella resmungou ao meu lado ao ouvir aquilo. — Será bom para seu corpo Bella, mas, acredite, será bom para sua mente também. E, vai ser excelente para preparar seu físico para a gravidez, você se sentirá muito melhor quando engravidar.
— Tá, tudo bem, eu posso me exercitar um pouco — Bella continuou resmungando.
— Okay, Andie, eu tenho uma dúvida sobre sexo an...
— Não, Edward, não! — Bella me calou. — Você é um perigo para si mesmo, Cullen.
***
Ela ficava muito linda dormindo, parecia um anjo, deitada em nossos lençóis brancos. Dava até pena acordá-la, mas sabia que era preciso.
— Querida. — Comecei a beijá-la, ela sussurrou qualquer coisa, remexendo seu corpo nu.
Okay, Andie disse que sexo não era o único exercício válido, mas Bella e eu não pudemos dispensá-lo na noite passada. Após voltarmos do hospital, depois de ela passar pelo laboratório do hospital e tirarem tubinhos de sangue dela para exames, o que odiei e por tabela também me deixou enjoado, eu realmente não era o maior fã de médicos e derivados.
— Você precisa acordar, querida — falei para ela, beijando seu pescoço.
— Está cedo.
— Eu sei, mas se você vai malhar comigo, precisamos ir agora, ou iremos nos atrasar para o trabalho.
Aquilo fez Bella abrir seus olhos castanhos para mim.
— Eu não quero malhar, Edward.
— Pelo bem da sua mente e do seu corpo, querida. — A peguei no colo, mesmo sob protestos, a levando para o closet. — E, pense na sua bunda definida.
— Você não ama minha bunda? — reclamou quando a coloquei no chão do closet, procurando pelas roupas de malhação que ela tinha, mas nunca usava.
— Amo, amo sua bunda. — Sorri para ela, jogando as roupas em seus braços. — E vou amar ainda mais que você não esteja por ai vomitando por estresse, então vamos malhar e colocar essa sua tensão toda para fora.
— Ou, podemos transar umas cem vezes por dia. Gasta caloria, me dá prazer e eu fico bem relaxada depois.
— Não me leve para o mau caminho. — Apontei para seus tênis.
— Te odeio, Edward — ainda reclamando ela começou a se vestir.
— Sei que me ama, agora, rápido, não podemos perder tempo do seu treino. — Comecei a apressá-la.
— Se você me apressar mais uma vez eu vou malhar minha mão na sua cara.
— Use sua raiva na malhação, Rocky.
Ela me fuzilou com o olhar e eu me calei, antes que ela resolvesse a começar me bater. A garotinha que queria ser lutadora ainda estava nela, disso eu sabia.
Nós seguimos para a academia do prédio depois que Bella terminou de se arrumar e, Nelly nos entregou copos de vitamina. Minha esposa quase não bebeu, mas eu a convenci que seria melhor assim e prometi coisas perversas em seu ouvido se ela bebesse o líquido verde de cheiro duvidoso.
— Como você consegue? — Bella choramingou, enquanto eu a ajudava a se alongar, erámos os únicos na academia aquele horário. — Ai, eu não sabia que tinha tantos músculos assim. Vamos parar com isso, Edward, apenas me dê um calmante para que eu controle meus nervos.
— Nem pensar. — A ajudei a tocar na ponta dos seus pés. — Vamos lá, Bella, você é flexível, eu sempre vejo isso na cama.
— Pode apostar que não é a mesma coisa. — Bufou, já cansada. — Eu estou morta, leve-me para um hospital.
— Ainda nem começou a pegar pesado.
— Tem mais?
— Claro que tem.
— Vamos nos manter só no aquecimento hoje — implorou.
— Nem pensar, vá pra bicicleta, depois para a esteira. — Eu malhava desde os dezesseis, estava acostumado com tudo aquilo, mas Bella não, ia ter pegar leve com ela.
— Eu queria estar grávida, pelo menos estaria na minha cama comendo, não aqui malhando. — Ela sentou na bicicleta, choramingando.
— Tem milhões de grávidas se exercitando, Bella, qual sua desculpa? Eu venho dizendo a tempos que você devia malhar comigo. E isso está tão devagar, mesmo para principiantes, acelere — ordenei, Bella mordeu o lábio, aumentando a velocidade do seu pedalar.
— Foda-se, você é tão sexy dando ordens. Vamos foder!
— Depois que você malhar.
— Depois que eu sair daqui não irei sentir minhas pernas, Edward.
— Eu prometo fazê-la sentir a única coisa que importa, tesão.
— Hum, bom dia. — Olhei para trás, vendo Holly entrar na academia.
— Bom dia, vizinha! — Bella falou com ela cheia de deboche.
Eu contive uma risada, subindo na bicicleta junto a de Bella. Holly apenas forçou um sorriso para Bella, indo para o outro lado da academia, bem longe da gente.
— Amo Alice — Bella falou, eu assenti, desde a prensa de Alice em Holly, nossa vizinha nunca mais ultrapassou meus limites.
— Menos papo, Bella, mais malhação.
— Eu estou realmente cogitando a ideia de socar sua cara, Edward.
— Sim, você pode socar minha cara, depois que malhar, Rocky.
Ela bufou, aumentando ainda mais seu ritmo.
Quando a malhação acabou para nós dois, Bella estava jogada nos colchonetes da academia, mal conseguindo respirar. Isso porque eu tinha pegado leve com ela, a mulher era mesmo fraca para aquilo.
— Não consigo andar — ela se queixou. — Juro que não consigo, amor.
— Vamos lá, eu te carrego. — A peguei no colo, tirando-a da academia sob o olhar irritado de Holly dirigido a gente.
— Ai, tudo dói — ela se queixou. — Como eu vou trabalhar de salto se nem consigo pisar no chão?
— Vai conseguir, é seu primeiro dia, aos poucos se acostuma.
— Isso é uma tortura, eu não vou voltar a essa academia.
— Bella, sua médica...
— Foda-se, ela estava louca quando pensou que eu conseguiria ser uma atleta. Vou tentar outros meios de aplacar meu estresse, nós podemos fumar maconha.
Tive de rir daquilo, entrando com ela no elevador.
— O que aconteceu com ela? — Nelly, que estava tomando café com Renesmee, perguntou quando chegamos à cozinha.
— Edward é o pior treinador da história, ele quebrou meu corpo — Bella resmungou de dor quando a sentei em uma cadeira.
— Nossa, mamãe, você parece destruída — Renesmee comentou.
— Eu estou! — Bella tentou alcançar uma torrada, mas não conseguiu. — Pequena, me dê uma torrada, por favor. Eu te alimentei na boca por séculos, chegou sua hora.
— Você é bem dramática, mamãe — Renesmee falou, mas colocou uma torrada na boca de Bella. — Papai, estou chateada, você quebrou a mamãe.
— Ela vai se recuperar — prometi.
— Ou nunca mais vai andar — Bella não esperou terminar de comer a torrada para falar.
— Pronta para sexo? — perguntei no ouvido dela, só para provocá-la, era óbvio que ela não aguentaria. Apesar de que eu aguentaria e muito, principalmente com ela toda bagunçada da malhação, ficando sexy como sempre.
— Não toque em mim, Edward — ela ordenou, fazendo uma careta. — Nessie, mais uma torrada.
***
Bella precisaria perder a visita a Matthew aquele dia, não por conta da malhação, mesmo que ela alegasse ainda estar toda quebrada. Mas, por ter precisado adiantar uma reunião importante com sua equipe que iria ter no dia seguinte, o que não poderia acontecer já que estaríamos o dia todo nos dividindo entre assistente social, psicóloga e advogado para a audiência na sexta-feira.
Então, mesmo que ela tenha odiado a ideia de não ver Matthew aquele dia, foi um sacrifício que precisou fazer. Sendo assim, eu tinha uma vaga aberta para o abrigo e convidei Rosalie para ir comigo, que topou na mesma hora.
— Estou tão animada, obrigada por ter me chamado — ela foi falando assim que entrou no carro, quando parei o Volvo na frente do prédio da construtora que ela trabalhava.
Com Bella toda dolorida aquela manhã, deixamos Renesmee ir para a aula com Nelly e Félix na Mercedes e demoramos um pouco mais em casa para que ela pudesse se restabelecer e fomos no meu carro. Gostei de poder dirigir, mas odiei Bella ter me proibido de pegar o Bugatti.
— Só te chamei porque os outros estavam ocupados, foi minha última opção — provoquei, ganhando um soco de Rosalie no braço. — Isso não me abala, irmãzinha, Bella me bate a toda hora. — Rosalie riu.
— Como ela está? Ela me mandou uma mensagem dizendo que você tinha a feito malhar.
— É. — Eu ri também. — Nós almoçamos juntos, ela está um pouco dolorida ainda, mas vai sobreviver.
— Por que ela foi malhar, afinal?
— A médica recomendou, para dar uma acalmada no estresse que ela estava sentindo, não acho que funcionou.
— A adoção tem sido puxada, né?
— Não faz ideia de quanto — respondi, manobrando o carro entre os outros lentos a minha frente. — E, tem algo a mais, nós estamos realmente levando a sério a ideia de ter outro bebê agora. — Olhei para Rose, que sorriu para mim ouvindo aquilo. — Todo esse estresse da Bella até nos confundiu, ela tinha vomitado e estava emotiva, até pensamos que ela pudesse estar grávida, mas ela fez um teste de farmácia que deu negativo e os exames que a médica dela passou também, pelo menos sabemos que ela não está com nenhuma doença grave.
— Vocês fizeram um teste?
— É, foi horrível ver o negativo, mesmo que também estivesse nervoso sobre a coisa toda, temendo não amar mais Matt se tivéssemos outro bebê.
— Pela sua expressão posso deduzir que isso já está fora da sua mente? — Olhei para ela novamente.
— Bom, por enquanto sim, até o próximo surto, quem sabe — brinquei. — Mas, sim, Bella foi de grande ajuda me fazendo perceber que eu poderia amar os dois.
— Você pode, já não ama Matt e Ness? — Assenti. — Eu também estive relutante quando engravidei de Anne, pensando que não seria capaz de amá-la como amava Lucy, mas é normal, o amor nasce junto com a criança. O amor que você e Bella sentem por Matt nasceu naquela noite de dia dos namorados, nasceu quando Renesmee veio ao mundo e quando tiverem outro bebê, ele nascerá novamente. E, o amor vai aumentando conforme vai se conhecendo os filhos, é simples, nós que pensamos muito sobre tudo e complicamos as coisas.
— Você é tão inteligente, mesmo para uma loira — voltei a provocá-la.
— Tão inteligente que tenho dois encontros essa semana — falou com o máximo de sutileza que conseguiu.
— O quê? — gritei em choque, a encarando, Rose me lançou um sorriso amarelo. — Emmett te convidou para um segundo encontro mesmo se irem ao primeiro?
— Não, James foi o outro me convidando para um encontro.
— Rose!
— O quê? Eu sou maior de idade, divorciada e tudo mais, não é um crime aceitar ir a encontros.
— Com James e Emmett deveria ser.
— Eles são caras legais. — Bufei ao ouvir aquilo. — Sairei com James amanhã, com Emmett no sábado.
— Eles sabem? Que você está cozinhando os dois, quero dizer.
— Eles não precisam saber, vamos ver qual merece um segundo encontro. — Ela deu de ombros.
— Nenhum.
Ela riu.
— Acredito que um deles merecerá, sim. — Ela obviamente já sabia qual era, mas não compartilhou a informação comigo.
— Quando James te chamou afinal?
— Surpreendentemente ontem, alguns minutos depois que liguei para Emmett e confirmei nosso encontro para o sábado.
— Já sabe para onde vão? Você e James amanhã, você e Emmett no sábado.
— Eu sei, mas você não precisa saber, irmãozinho.
— Arg, se eles te magoarem eu vou perder a cabeça e bater em ambos, sem brincadeira.
— Ou deveríamos chamar a Bella, fiquei sabendo que ela deu na cara do Eleazar. É meu sonho, mas me contento em bater em Irina.
Apenas ri, sem querer instigar Rosalie aquilo. Não que ela precisasse de muito incentivo, que Irina não chegasse perto dela, ou iria mesmo apanhar.
Nós logo chegamos ao abrigo e depois de passarmos por toda a burocracia de sempre, fomos levados para a sala onde Matthew esperava pela gente. Ele sorriu quando a porta se abriu, mas o sorriso morreu rapidamente, olhou para trás de mim e Rose, claramente procurando por alguém.
— A tia Bella não vem? — perguntou decepcionado, largando o que pareciam desenhos sobre o sofá, deixando o móvel. Tia estava lá com ele, lançando um olhar triste para Matthew. — Cadê a tia, Bella? — ele me perguntou.
— Ei, lamento muito por ela não ter vindo. — Me agachei a sua frente, queria abraçá-lo, mas medi meus movimentos para não assustá-lo. Definitivamente estava com saudades dele, muitas saudades. — Bella precisou trabalhar e não pode vir, mas ela te mandou um milhão de beijos e abraços. — Toquei em seu rosto, Matthew continuava triste com a falta da mãe.
— Sei que não sou a Bella, mas estava morrendo de vontade de te ver. — Rose se uniu a gente no chão, Matt sorriu para ela.
— Oi, tia Rose.
— Oi, lindinho! — Rosalie beijou a bochecha dele, sem se importar em se conter.
— Edward! — Matthew se voltou para mim, ainda sorrindo. — Vem ver o que eu fiz, vem. — Segurou em minha mão, fazendo com que eu ficasse de pé, deixando com que ele me puxasse para o sofá, pegando um dos desenhos na pilha que estava ali. — Olha, eu que fiz.
Peguei a folha de sua mão, vendo uma representação do brasão da família Cullen. Eu pisquei, impressionado vendo aquilo. Não era um desenho perfeito, era o desenho de uma criança, mas só de Matthew ter feito aquilo eu já achava o máximo.
— Uau, Matthew, ficou demais! — exclamei, sem me conter mais o peguei no colo.
— Sério? — ele perguntou surpreso. — O leião — Não pude deixar de acha fofo a forma como ele falou leão, mesmo errando. — Deu muito trabalho de desenhar, uns garotos falaram que está mais parecido com um cavalo.
— Não, está incrível, você é incrível. — Beijei sua bochecha. — Eu posso ficar com o desenho?
— Sim, sim — ele confirmou, parecendo envergonha-se de algo. — Eu fiz pra você, era pra te agradecer pelo relógio.
— Esse é o melhor presente que ganho em séculos, Matthew.
— Séculos? Quantos anos você tem? — perguntou confuso, eu ri.
— É um modo de falar, só tenho trinta anos.
— Ah bom — ele ainda estava confuso. — Gostou mesmo do desenho?
— Amei. — Olhei do desenho para ele, vendo o sorriso que já amava estampar o rosto de Matthew.
Era isso, eu o amava. Todos estavam certos, seria impossível deixar de amá-lo.
— Estou muito orgulhoso do seu desenho, Matthew, eu irei colocá-lo em uma moldura bem bonita — prometi. — Obrigado pelo presente. — O abracei com força, sentindo-me orgulhoso dele e de mim, por estarmos avançando na relação de pai e filho que estávamos construindo.
Fale com o autor