Nossa Família

36 Capítulo Trinta e Cinco — Anel


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Maribella que recomendou, muito obrigada por isso, flor ♥ Boa leitura! :)

— Capítulo Trinta e Cinco —

— Anel —

Isabella Cullen

Edward estava sentado no sofá da sala do nosso apartamento, eu descia as escadas do duplex, mantendo meus olhos sobre ele. Na TV passava Valente, o filme da princesa Mérida, que sabia ser uma das favoritas de Ness. Aquilo me fez sorrir, queria dizer que teríamos umas de nossas sessões de cinema em casa com Renesmee e Matt, assistindo um dos filmes que mais gostávamos.

Eu estava quase chegando ao último degrau da escada quando ouvi passos vindos da cozinha, desviei meu olhar para lá, esperando ver Ness ou Matt aparecerem, porém quem apareceu foi Irina. Ela usava um robe azul escuro de cetim, extremamente semelhante ao meu e, quando ela andou um pouco mais e vi o C bordado na parte de trás, sabia que era sim o meu, eu tinha mandado bordar aquele C.

Paralisei a vê-la ali, sem saber o que estava acontecendo. Irina sustentava um grande sorriso no rosto, um sorriso triunfante digno de uma vencedora.

Edward se levantou quando a viu também, sorrindo de volta para a Denali, um sorriso que chegava aos seus olhos. Ele estendeu uma mão na direção dela, chamando-a para junto de si. Irina cruzou a distância que os separavam, entrelaçando sua mão a de Edward, unindo-se ao meu marido.

— Você demorou muito, querida — Edward disse para ela, levando a mão de Irina aos seus lábios, ali pude ver não apenas um anel qualquer brilhando, mas o meu anel de noivado, o anel de noivado que por gerações estava na família Cullen.

— Eu estou aqui agora, amor. — Irina afagou o rosto de Edward com a mão livre, aproximando-se dele.

O próximo passo foi vê-los se beijando, aquela altura eu já não conseguia mais pensar direito, sequer falar qualquer coisa. Era estranho e desesperador ver Edward com outra mulher, parecia que um buraco tinha sido aberto em meu peito e que meu coração foi arrancado logo depois.

Além do mais, o modo como eles se beijavam era cheio de paixão, desejo e amor. Como? Como aquilo podia estar acontecendo?

— Mamãe! — Ouvi o grito de Ness no topo da escada, eu virei-me para olhá-la, vendo minha garotinha correndo os degraus a baixo.

Eu quis impedi-la de chegar à sala, de ver Edward com outra mulher, mas Renesmee passou direto por mim. Eu consegui voltar a me mexer ali, seguindo minha filha, querendo puxá-la para meus braços, tirá-la daquela casa e ir para um lugar onde tudo fizesse sentido de novo, mas voltei a parar quando Ness se jogou nos braços de Irina.

— Mamãe, você está aqui — Renesmee disse cheia de alegria, abraçando Irina com força.

— Claro que estou, minha pequena. — Irina apertou Ness contra si, depositando um beijo na cabeça dela.

— Não, não — eu gemi em desespero, querendo chorar a ver aquilo.

Não minha filha, ela não podia ter minha filha. Renesmee era minha, minha pequena.

— Renesmee, venha comigo — implorei, tocando em suas costas, fazendo com que ela me olhasse assustada.

— Quem é você? — perguntou, agarrando-se ainda mais a Irina.

— É a mamãe, Ness. — Sorri para ela. — Sou sua mãe, você sabe disso.

— Não, ela é minha mãe — falou, olhando para Irina, que continuava sorrindo triunfantemente. — Eu não conheço você — completou olhando para mim.

— Edward, o que está acontecendo? — perguntei a ele, que tinha um braço envolvendo a cintura de Irina, ele também ainda sorria, mas quando foi falar comigo o sorriso morreu e sua expressão foi de nojo.

— O que acha que está acontecendo, Swan? Eu estou aqui com minha família.

— O quê? Não! — gritei. — E Swan? Que diabos, eu não sou Swan tem quase dez anos, sou uma Cullen.

Edward e Irina riram em sincronia, trocando um olhar cúmplice.

— Você nunca foi uma Cullen, Isabella — Edward disse com escárnio.

— Edward, não, não — repeti confusa, abaixando o olhar para minhas mãos, procurando a aliança de casamento que um dia pertenceu a Charlotte Cullen. Mas, a aliança não estava ali, minhas mãos estavam vazias.

— Procurando algo, Swan? — Irina mostrou sua mão esquerda, onde além do anel Claddagh estava também minha aliança de casamento.

— Não, essa aliança é minha — afirmei. — Edward, trinta de junho de 2007, foi quando nos casamos — lembrei, tentando tocá-lo, mas ele me afastou bruscamente.

— Nunca nos casamos, Isabella. — Ele me olhou com pena. — Você foi apenas uma garota idiota que passou pela minha cama durante a faculdade, eu sempre amei Irina. — Olhou para a loira, beijando o rosto dela.

— Onde está o Matt? Cadê meu filho?

— Matt? Quem é Matt? — Irina perguntou, colocando Nessie no chão, eu tentei puxá-la para perto de mim, mas a Denali gritou. — Não toque na minha filha, Swan!

— Mamãe, eu estou com medo dela — Renesmee falou apavorada, escondendo-se atrás de Irina.

— Nessie, eu sou a sua mãe — falei mais em desespero ainda. — Diga-me onde está o seu irmão e vamos embora daqui todos juntos, okay? Onde está o Matthew?

— Não há Matthew algum, Isabella Swan — Edward falou com rigidez, agarrando meu braço de forma que me machucou.

— Edward, isso está doendo — protestei, ele nunca tinha me machucado, o meu Edward surtaria só com a hipótese de me ver ferida. — Você não é o Edward! — acusei.

— Ele é! — Irina exclamou. — Edward Cullen, meu marido há quase dez anos, pais dos meus filhos. — Tocou em sua barriga.

— Você está grávida? — perguntei baixinho.

— Em alguns meses teremos Anthony conosco — Irina contou em um tom de voz apaixonado. — Edward, querido, deixe Isabella ir agora. Nós não devemos nos misturar com esse tipo de pessoa, o tipo que nasceu para estar bem longe de nós e do nosso mundo.

Edward gargalhou, soltando meu braço que doía e tinha a marca de seus dedos. Ele se voltou para Irina, beijando-a mais uma vez, foi quando eu gritei com todas minhas forças, sem saber mais o que fazer.

***

Abri meus olhos em um rompante, com falta de ar, sentindo minha cabeça doer e meu corpo suado como se eu tivesse corrido uma maratona. Eu também tremia, dos pés a cabeça, como se uma corrente elétrica tivesse passado por meu corpo.

Tentei normalizar minha respiração, ao mesmo tempo em que focalizava meu olhar. Estava encarando a mesinha do meu lado da cama, da nossa cama, pensei rapidamente. Aquela era a mesa de cabeceira que estava no meu quarto e de Edward, no nosso apartamento.

Nosso.

Onde nossa família morava.

Nossa.

Nada de Irina.

Tinha sido apenas um pesadelo, certo? Quando eu virasse para o lado veria meu marido dormindo bem ali, como era de costume, como sempre deveria ser e como eu tão bem sabia que sempre seria.

Devagar e com cuidado, me movi na cama, deparando-me com Edward dormindo de bruços, com o rosto virado na minha direção. Respirei com alivio, grata por ter sido só um pesadelo, aquilo nunca seria real. Edward nunca se casaria com outra, principalmente com Irina, Renesmee era minha filha e Matthew também e, um dia seria eu gestando Anthony, ou outra menina, não importava, a questão era que seria Isabella, nunca Irina a esposa e mãe dos filhos de Edward.

Toquei no rosto dele, minha mão ainda trêmula pelo susto que aquele maldito pesadelo tinha me causado. Edward não se moveu com meu toque, completamente apagado, continuando a dormir tranquilamente, eu esperava que sem pesadelos.

Por que eu estava deixando Irina me afetar tanto? Não parecia mais apenas ciúmes, eu parecia estar perdendo controle de tudo com aquela mulher nos atormentando.

Eu não podia deixar aquilo ir além, Irina Denali era apenas uma cobra peçonhenta e só.

Olhei para minha mão esquerda, certificando-me de que a aliança de casamento estava ali. E, estava, claro que estava. Ela só deixaria meu dedo quando eu morresse, ninguém ia tirá-la de mim.

Entretanto, eu senti falta do meu anel de noivado. Eu não costumava usá-lo, depois que Edward e eu casamos decidi o manter guardado em segurança em casa, evitando qualquer tipo de risco. Era uma joia de família, percorreu gerações, não seria em mim que ela se perderia por roubos, por exemplo, por isso mantê-la guardada parecia uma boa ideia, até aquela manhã.

Fui rapidamente até o closet, chegando ao compartimento que guardava minhas joias em pouquíssimos segundos, eu precisava do meu anel de noivado, urgentemente.

Encontrei sua caixinha, uma de madeira, com o nome Cullen talhado na tampa. Contornei o nome com a ponta do dedo, sussurrando o sobrenome.

Você será Isabella Cullen em breve — a frase de Edward voltou a minha mente, uma das primeiras coisas que ele me disse após eu aceitar casar com ele.

Eu gosto como isso soa e você? — perguntei.

Eu amo como isso soa, querida, parece a melhor música para meus ouvidos — falou. — Isabella e Edward Cullen.

Abri a caixinha do anel, sorrindo quando o vi ali dentro, seguro e meu. Até a próxima geração, até o próximo casamento na família. Tanya foi a pessoa casando depois de Edward e eu, mas seu marido também tinha um anel de noivado em sua família e eles decidiram usar aquele, eu tinha herdado o meu diretamente de Esme — já que os tios de Edward tinham se casado antes do que meus sogros —, e que Rose ganhou uma extravagante joia de Royce.

Não sabia quem viria depois de mim, talvez as meninas ganhassem joias próprias de seus noivos, talvez Matt quisesse fugir da tradição junto a sua noiva, eu só sabia que aquele anel estaria sempre com uma mulher Cullen. E, eu cuidaria bem dele até a próxima receber a responsabilidade.

O tomei em minhas mãos, apreciando a peça. Era uma joia de prata, por ser antiga, vinda diretamente da Irlanda dos antepassados de Edward, se tratava de um design mais pesado e menos sofisticado, ainda assim lindo.

O anel Claddagh, parte da cultura irlandesa, era cheio de significados. Em seu desenho tinham duas mãos, uma de cada lado, sustentando um coração e em cima deste uma coroa. As mãos representavam amizade, o coração amor e a coroa lealdade.

Dependendo de como a pessoa o usasse, ele também possuía um significado diferente. Usando o anel na mão direita, com a coroa voltada para dentro queria dizer que a pessoa tinha seu coração disponível. Anel na mão direita, mas coroa para fora, pessoa comprometida.

E, o terceiro modo, aquele que eu coloquei o anel junto à aliança de casamento. Mão esquerda, coroa para fora, pessoa com um amor sem fim por alguém e que é correspondida.

Fechei a caixinha do anel Claddagh, eu o devolveria em breve. Precisava de apenas um dia, ou dois, com a peça de prata em minha mão.

Voltei para o quarto, onde Edward ainda dormia na mesma posição. Me uni a ele na cama outra vez, tocando em seu rosto novamente, daquela vez o chamando baixinho.

— Querido?

Beijei sua bochecha, enquanto deslizava a mão de seu rosto para seu braço, o esfregando para que o contato fizesse Edward despertar. Ele devia estar mesmo cansado, ou eu muito tensa com o pesadelo para acordar antes do esperado, pois depois de Renesmee, nós invertemos totalmente a ordem de acordar.

Edward sempre tinha sido a pessoa no nosso relacionamento acordando mais tarde e precisando que alguém o chamasse, mas depois que Renesmee nasceu e a levamos para casa, ele acordava cada vez mais cedo, até que passou a acordar antes de mim. Eu estava sempre cansada por precisar acordar periodicamente durante a noite para alimentar Ness, então até ela ter um sono mais regrado, dormir nas primeiras horas da manhã era regra para mim e Edward se adequou aquilo, assumindo a posição matinal que antes tanto odiava.

— Amor, acorde — pedi, beijando mais de seu rosto.

— Não — ele disse, ainda sonolento, sem sequer abrir os olhos.

— Nós prometemos que iriamos tomar café da manhã com seus pais — lembrei. — Para que eles pudessem ter um tempinho a mais com Matt antes dos outros chegarem.

— Eu estou cansado — Edward falou, apenas movendo seu rosto para mais perto do travesseiro, os olhos continuando fechados. — Acordei de madrugada, devo ter dormido por uma hora depois que voltei para a cama — contou.

— O que te acordou? — perguntei preocupada, temendo que ele tivesse tido um pesadelo também.

— Nada especifico, apenas despertei, ai fui ver se estava tudo certo pelo apartamento e não encontrei as crianças nos quartos...

— O quê? — praticamente gritei.

— Não se preocupe, eles só estavam devorando cookies na cozinha.

— Oh, okay. — Aquilo me acalmou. — Isso foi uma invenção de Renesmee, eu suponho.

— Você supôs certo — Edward sussurrou, aconchegando-se mais a cama. — Lamento dizer isso, mas você perdeu um grande momento, Ness disse que amava Matt.

— Isso é sério? — perguntei emocionada, Edward parecia ter cochilado novamente, pois não respondeu. — Ei, fale comigo, Edward — pedi, cutucando suas costelas, fazendo com que ele risse por conta das cocegas.

— O quê? — Abriu os olhos por fim, olhando para mim de forma doce.

Eu o amava, como eu o amava. Irina poderia tentar nos separar, mas ela não conseguiria isso, nunca.

— Você disse que Ness falou que amava Matt.

— Ah sim. — Ele sorriu, voltando a fechar os olhos. — Ela realmente disse, foi lindo e eles prometeram cuidar um do outro para sempre. — Suas pálpebras fecharam e ele pareceu voltar a dormir de novo, eu apenas ri daquela vez, unindo meu corpo ao dele, o abraçando.

Queria ter visto aquele momento em plena madrugada entre nossos filhos, mas estava feliz que Edward tinha estado lá, era importante para ele. Eu amava como Edward de fato era um pai, não apenas um cara que “ajudava”, ele participava, sabia que nós dois precisávamos cuidar das crianças juntos, que aquilo não era apenas minha responsabilidade por ser mulher.

— Você está bem? — Edward perguntou após um tempo.

Não sabia se ele estava perguntando aquilo levando em conta que eu estive fuçando na internet atrás de Irina na noite anterior, ou se ele era capaz de sentir que tinha algo me incomodando aquela manhã.

— Sim — menti, tentando soar o mais sincera possível. Não queria encher a cabeça de Edward com perturbações, tinha sido apenas um sonho idiota, ele não precisava saber daquilo.

— Hey, por que você está mentindo, Isabella?

Mas, ele me conhecia muito bem, eram anos juntos.

Ele se moveu na cama, afastando-me um pouco para que pudesse olhar em meu rosto. Parecia definitivamente acordado ali e, como eu não queria, preocupado comigo.

— Estou realmente bem.

— Bella, apenas fale a verdade de uma vez — ele pediu, tocando em minha bochecha. — Você não voltou a mexer no Instagram, não é? Esqueça aquela merda de rede social.

— Não, nada sobre isso — murmurei.

— Então, o quê? — Tocou em meu braço, com delicadeza, sendo completamente diferente do Edward agressivo em meu pesadelo.

— Foi apenas um pesadelo bobo que tive — contei por fim.

— Algum monstro debaixo de sua cama, senhora Cullen? — ele perguntou, dando um sorriso divertido.

— Sim, com certeza havia um monstro. — Eu ri, rindo ainda mais quando Edward começou a fazer cocegas em mim. — Ai não, pare, por favor — pedi gargalhando, ele não parou até ficar por cima de mim na cama, sustentando-se sobre seus joelhos, então inclinando-se para beijar meus lábios.

— Não se preocupe, querida, eu afastarei todos seus monstros.

— Alguns não são tão simples de serem vencidos, Edward — falei, passeando minhas mãos por suas costas, ainda o tendo sobre mim.

— Com o que você sonhou afinal?

— Uma realidade alternativa. — Bufei. — Irina era a sua esposa e mãe de Renesmee, Matthew sequer existia.

Edward ergueu o rosto, encarando-me transtornado.

— Bella...

— Eu sei, foi estúpido. — Suspirei. — Mas, foi muito real, mesmo que não devesse ter parecido, pois você era um completo babaca nessa realidade e Ness morria de medo de mim.

Ele saiu de cima de mim, sentando do seu lado da cama, voltando a me olhar com preocupação.

— Você está sob muito estresse, Bella — declarou.

— Todos nós estamos. — Sentei também.

Edward suspirou, afagando meu joelho.

— O que eu posso fazer para te ajudar? Te ajudar a ficar menos estressada, menos preocupada e cansada.

— Você já faz muito, Edward — lembrei. — E, além do mais, também não está menos sobrecarregado do que eu.

— Não, eu posso aguentar mais. — Negou com um aceno de cabeça. — Apenas me mande fazer mais coisas se precisar, se quiser tirar uns dias de folga do trabalho também posso cuidar disso para você e...

— Edward, eu estou bem — teimei.

— Bella, você não pode controlar tudo e se cobrar muito — ele disse sério. — Nós temos Matthew entrando em nossas vidas agora, lembra-se como você ficou exatamente assim, no limite, quando Renesmee nasceu?

— Não estou passando por baby blues de novo, Edward — garanti. — Eu não tenho hormônios envolvidos na chegada de Matthew, meu corpo está sob controle.

— Em relação aos hormônios? Sim, mas não de resto, Bella. Você sabe que se cobra demais, que quer que tudo sempre dê certo. Agora temos Matthew chegando de forma muito diferente, todo esse caso dos Denali, sua mãe...

— Eu não estou preocupada com minha mãe.

Edward se moveu para mais perto de mim.

— Por favor, Bella, eu sou seu marido, lembra? Você teve um pesadelo onde eu não era, mas estamos aqui, na vida real onde eu e você temos até documentos atestando que somos um casal. Não se force a aguentar tudo só, não precisa, eu posso te ajudar.

Assenti, limpando a lágrima que escorreu por meu rosto.

— Não acho que há baby blues em adoção, Edward — falei angustiada, encarando minhas próprias mãos. — E, eu amo Matthew, não estou triste com ele aqui.

— E, você também ama Ness, Bella, não estava triste por ter ela em casa, mas seu corpo estava exausto na época, sua mente estava exausta. — Solucei ao me lembrar de como tinha sido difícil nos primeiros dias de vida de Renesmee, sendo rapidamente abraçada por Edward. — Nós vamos passar por isso, ou por qualquer outra coisa, querida — ele prometeu. — Talvez deva falar com Agatha em breve, tentar entender isso melhor. Mas, lembre-se o que sua obstetra em Boston disse, é normal, você está entrando em uma fase nova que tudo é diferente e mais intenso.

— Obrigada — agradeci, apertando meu rosto em seu peito.

— Não agradeça por isso, eu prometi cuidar de você quando descobrimos sobre Renesmee, Bella. É uma promessa para a vida toda, você pode se apoiar em mim o quanto precisar.

— Sabe que também pode se apoiar em mim.

Edward ergueu meu queixo, fazendo com que eu o olhasse.

— Bella, você não faz ideia de quanto já usei do seu apoio? — perguntou com seriedade. — Muito, desde o começo do nosso relacionamento. — Enxugou novas lágrimas em meu rosto. — Eu sei que você vem de uma criação onde era muito independente, que desde muito nova resolvia tudo só, mas você não está sozinha, certo?

Beijou minha testa, demorando-se no ato.

— Eu estou com você, sempre estarei ao seu lado.

— Eu te amo, eu te amo, eu te amo — repeti, voltando a me agarrar a ele.

Edward riu baixinho, nos deitando na cama, fazendo com que eu ficasse por cima dele. Suas mãos afagavam minhas costas como antes eu tinha feito, deixando com que colocasse meu rosto junto ao seu pescoço, sentindo seu cheiro.

— Por que está com seu anel? — ele perguntou, tocando em minha mão esquerda, provavelmente sentindo ali a diferença com o anel de prata dos Cullen. — Isso tem algo relacionado ao seu pesadelo?

— Sim.

— Irina usava seu anel — deduziu.

— E minha aliança — completei. — Até mesmo meu robe. — Edward riu embaixo de mim.

— Não é engraçado — protestei.

— Okay, talvez só um pouquinho.

Ergui meu corpo para encará-lo.

— Como diabos isso pode ser engraçado, Edward? — questionei.

— Porque quando Irina e eu estávamos juntos. — Revirei meus olhos ao ouvir aquilo. — Ela vivia falando sobre um dia ser a dona do anel Claddagh, sempre pedia a mamãe para vê-lo. Uma vez, Rose, sempre sendo um doce de pessoa falou que o anel não caberia no dedo gordo de Irina, que seria melhor ela desistir da ideia.

— Algum dia você pensou nela como a próxima dona do anel Claddagh?

— Eu sequer ligava para a tradição do anel, Bella — ele afirmou, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. — Estou muito contente que tenha sido você a pessoa a me fazer pensar nesse anel e, espero que um dia um dos nossos filhos o use, ou o entregue a sua noiva.

— Uou, você está pensando em Ness como uma noiva? — provoquei, ele fez uma careta.

— Não até ela ter trinta anos, no mínimo.

— Nunca se sabe, ela pode se apaixonar perdidamente por alguém na faculdade como aconteceu conosco. — Beijei seus lábios, nós dois nos aprofundando no beijo.

— Está melhor? — ele perguntou.

— Noventa por cento — garanti, pressionando meus lábios em seu pescoço. — Vamos ter um dia bom na casa dos seus pais, estou certa de que isso garantirá os outros dez por cento.

— Você é tão sexy falando com números para mim. — Edward nos rolou na cama, ficando por cima. — E, eu adoraria que tivéssemos tempo para sexo, mas temos de começar a nos mexer antes que nos atrasemos para o café.

— Eu sei, você foi bem prestativo ontem na banheira, posso aguentar ficar sem sexo por algum tempo, mas só até de noite.

Edward riu, apoiando sua testa na minha.

— Você é ninfomaníaca, Bella.

— É, que se foda, talvez eu seja mesmo — cedi, rindo também.

— Vamos tomar banho. — Ele pulou para fora da cama, fazendo com que eu saísse também.

— Eu gostaria muito de checar as crianças antes — confessei.

— Bella...

— Estou bem, prometo, muito mais relaxada — falei, pegando meu robe, o colocando por cima da camiseta e calcinha que usava. — Só preciso apertá-los em meus braços por um minuto inteiro — confidenciei, Edward segurou em minha mão, a apertando de forma segura.

— Você sabe que seu pesadelo foi muito mais que uma realidade alternativa, não? Ele foi algo que nem em universos paralelos poderia existir, Renesmee é sua e Matthew existe — lembrou.

— Eu sei. — Assenti, apertando a mão dele de volta.

— Vá lá. — Ele desfez o aperto de nossas mãos. — Eles estão no quarto de Matt, Renesmee obviamente decidiu que como seria a última noite dele aqui ela queria dormir com ele.

— Isso é a cara dela. — Fechei o robe ao redor do meu corpo. — É o último dia dele com a gente — sussurrei, encolhendo-me ao pensar nisso.

— Até ele voltar para sempre, Bella — Edward garantiu. — Nós logo teremos a guarda provisória, depois teremos em sequência a definitiva. Então, Matt só vai sair de casa quando for para a faculdade, daqui a uns bons anos.

— Certo, certo. — Respirei fundo. — Vá tomar seu banho, pense em mim.

— Eu com certeza irei pensar — ele disse, seguindo para o banheiro enquanto eu ia para fora do nosso quarto.

Como dito por Edward as crianças estavam no quarto de Matthew, ambos ainda dormindo. Matthew estava em um lado da cama, dormindo de bruços, usando seu pijama de pinguim. Renesmee estava deitada de lado, no centro da cama, próxima ao irmão, mas não o suficiente para sufocá-lo.

Evitando barulhos, caminhei até a cama, deitando no lugar vago ao lado da minha primogênita. Eu a amava, podia não ter caído de amores por ela no primeiro instante que soube da gravidez, mas eu com toda certeza do mundo amava Renesmee.

Ela era minha pequena, minha garotinha falante. Eu faria tudo de novo por ela, eu faria muito mais, sem pensar duas vezes. Se fosse necessário deixar Harvard por Renesmee, se fosse preciso ficar em casa vinte e quatro horas por dia para cuidar dela, eu ficaria, eu deixaria.

Toquei em seu rostinho adormecido, ela era parecida comigo, olhos e cabelos do pai, personalidade muito próxima a de Edward, mas eu conseguia ver muito de mim quando criança nas feições de Ness. Edward estava mais do que certo, aquele pesadelo nunca poderia ser real, pois Ness era minha.

Beijei a testa dela, engolindo a vontade de chorar. Ela não lembrava, não teria como, mas os dias de baby blues que sucederam o seu nascimento foram difíceis ao extremo para nós duas. Nós tínhamos Edward e Esme conosco em Boston, mas eu me sentia tão cansada e triste, sequer gostava de lembrar daquilo ou até mesmo pensar, porém foi algo que existiu.

A melancolia existiu, o choro aparentemente sem motivo, a preocupação extrema, a ansiedade. Durou alguns dias, cerca de uma semana e meia, mas foi o suficiente para que eu me assustasse, por medo de que aquela melancolia e medo do futuro não passassem nunca mais.

Até que um dia, Esme precisou voltar para Chicago por conta do trabalho e Edward teve de me deixar só para ir para a aula. Alice e Jasper também estavam ocupados com provas e trabalhos e, nós ainda não tínhamos Nelly em nossas vidas naquele comecinho, eu estava só com Renesmee, sem ter ninguém para pedir ajuda e acabou que tudo ocorreu bem, superando todos os meus receios.

Nós duas éramos uma equipe, nós duas podíamos ser amigas. Eu estaria ali para ajudá-la, ela estaria ali para me colocar para cima. Foi quando nosso laço, que começou a ser tecido no dia que descobri sobre ela, foi de fato amarrado, ninguém iria desfazer aquilo que nos uniu.

— Mamãe? — Ness acordou, piscando algumas vezes até conseguir manter os olhos abertos. Os olhos verdes que em um dia de novembro, há mais de dez anos, me garantiram que tudo ficaria bem para nós duas.

— Oi, meu amorzinho. — Sorri para ela, ganhando um sorriso de volta de Ness, que se mexeu na cama até estar em meus braços.

— Eu sonhei com você, mãe — ela disse baixinho.

— Você sonhou? — perguntei.

— Sim, estávamos na minha escola, para a peça — começou a contar. — E eu ficava com muito medo de ir me apresentar, ai você entrava no palco comigo, foi tão divertido.

— Fico feliz que tenha tido um bom sonho, pequena — falei, minha voz embargada pelo choro que estava contendo.

Renesmee se moveu em meus braços, olhando com a mesma preocupação que o pai dela tinha me olhado antes.

— O que foi, mamãe?

— Nada, eu apenas tive um sonho ruim essa noite. — Beijei sua bochecha.

— Você sonhou com o Voldemort? — Foi impossível não rir de sua pergunta.

— Não, filha, não foi com o Voldemort. Eu sonhei que não era sua mãe, ou de Matthew — sussurrei, Renesmee me olhou com espanto, voltando a se agarrar em mim rapidamente.

— Não, você é a minha mãe — ela declarou séria. — Eu não quero que ninguém mais seja minha mãe, só você.

Fechei os olhos, a pressionando contra meu colo. Feliz e aliviada de escutar aquilo, o laço continuava intacto. O pesadelo tinha sido apenas isso, um pesadelo.

— Sempre serei sua mãe, pequena — prometi, beijando seu rosto, fazendo com que nos olhássemos em seguida. — E você sempre será minha filha, garotinha encrenqueira. — Apertei a ponta do seu nariz, fazendo com que ela risse.

Ouvi Matt inspirar fundo, parecendo estar acordando. Olhei por cima de Renesmee, vendo que de fato ele estava despertando.

— Bom dia, Matthew! — Renesmee exclamou com total energia quando também o viu acordando, eu apenas ri, sabendo que era impossível prever o próximo ato dela.

Matthew abriu os olhos, olhando ao redor assustado, até que sorriu quando se acostumou ao lugar e ao grito de Nessie.

— Bom dia, lindo. — Me inclinei sobre Renesmee, para poder beijá-lo no rosto.

Estava tudo bem, eu ia conseguir lidar com as mudanças em casa e ia me manter firme quanto a qualquer problema que pudesse surgir no trabalho. Não estava sozinha e, sabia que no final a recompensa seria muito maior.

Como Rosalie dizia mesmo? Sobre quando tudo se tranquilizasse em nossas vidas? Ah sim, nós teríamos Paris.

— Bom dia, tia — Matt disse, se espreguiçando e bocejando, fazendo com que automaticamente Renesmee e eu também bocejássemos. — Bom dia, Nessie.

— Hey. — Ouvi a voz de Edward na porta do quarto, virei-me para olhá-lo, ele ainda tinha os cabelos molhados do banho, usava uma camiseta branca e shorts pretos, nos pés sandálias abertas, estava pronto para o dia na piscina. — Ótimo, que bom que já acordaram. — Ele entrou no quarto. — Bom dia, crianças. — Bagunçou ainda mais os cabelos de Renesmee, que lhe olhou irritada por isso e, fez um High Five com Matt. — Vocês precisam se arrumar para sairmos, agora! — ordenou, mas seu tom de voz ainda era brando.

— Está muito cedo — Ness protestou, voltando a se deitar, ela só não esperava por Edward a puxando da cama pelos pés, fazendo com que ela fosse para o chão. — Papai! — exclamou indignada, Matt riu.

— Banho, mocinha — Edward ordenou novamente. — Ou nada de piscina para você e sua sujeira.

— Eu não estou suja — ela reclamou, cheirando-se. — Não estou mesmo, eu sou muito cheirosa.

— Nessie, banho — Edward repetiu, mal escondendo um sorriso.

— Tá, tá bom — ela concordou, saindo do chão. — Mamãe, posso usar aquele biquíni novo?

— Claro, se precisar de ajuda é só chamar — falei, deixando-a sair do quarto de Matt.

— Você também precisa que eu te tire da cama pelos pés? — Edward perguntou divertido para Matt, que negou e rapidamente saiu da cama em um pulo.

— Deixa que eu te ajudo com isso. — Fui até ele, o ajudando a se livrar do pijama de pinguim, enquanto via Edward rodando pelo quarto recolhendo algumas coisas de Matt para guardar.

Como passaríamos o dia na casa de Esme e Carlisle, não voltaríamos para o apartamento a tempo de arrumar tudo de Matthew para poder o levar de volta para o abrigo. Tudo que mais queria era que ele não precisasse voltar para aquele lugar, mas a lei e a justiça nos obrigavam a isso.

— Vai querer levar o pijama e as pantufas com você, Matt? — Edward perguntou, segurando a mochila de Matthew. — Podemos lavar na casa da vovó Esme.

— Não — Matt negou. — Quer dizer, eu posso deixar aqui? — perguntou para mim. — Não quero perder.

— Nós guardaremos para você — garanti, conseguindo tirar o pijama dele. — Junto com seu relógio. — Apontei para o relógio de Anthony Cullen sobre sua mesinha de cabeceira. — Liberado, mocinho, pode ir tomar seu banho agora.

Ele assentiu, indo para o banheiro.

— Eu estou o achando um pouco magro — comentei com Edward.

— Talvez devêssemos levá-lo a um médico da próxima vez que vier para casa, mesmo que na papelada do abrigo tenham garantido que ele estava melhor da anemia.

— É, não sei. — Suspirei, Edward tirou o pijama das minhas mãos, olhando significativamente para a saída do quarto. — O quê?

— Eu tenho que te empurrar para o banho como fiz com Renesmee?

— Eu gosto quando você dá ordens. — Mordi o lábio, tocando em seu peito. — Fica perigosamente sexy.

— Para o banheiro, Isabella, agora! — ordenou.

— Sim, senhor Cullen, seu desejo é uma ordem — o provoquei um pouco mais, virando-me para sair do quarto e conseguindo um tapa de leve na bunda. — Edward!

Ele apenas riu, indo até a porta do banheiro de Matt perguntar se o pequeno precisava de ajuda.

Tomei um banho rápido, sem estar realmente com vontade de me estender ali. Estava louca para levar Matthew para conhecer os avós, esperava que ele se desse bem com eles como tinha se dado com Alice, Jasper, Rosalie e Lucy, nós ainda precisaríamos aproximá-los de Anne, mas era compreensível que a caçula da família estivesse sentindo que estava perdendo espaço com a chegada de um novo membro.

Me vesti em tempo recorde, colocando biquíni mesmo achando que seria muito difícil entrar na água aquele dia. Edward e as crianças com certeza iriam, ele e Renesmee eram perfeitos peixes e Matt com certeza estaria animado com a piscina, mas eu ainda estava com medo de congelar, mesmo com a água aquecida, a piscina era ao ar livre e ainda não estávamos no verão para se dizer estar calor de fato.

Nessie precisava de ajuda para terminar de se arrumar, mas assim que ela ficou pronta nos juntamos a Nelly, Edward e Matthew no primeiro andar, todos já prontos para deixarmos o apartamento. Matt vestia, novamente roupas parecidas com as de Edward, daquela vez com as mesmas cores e ambos usavam os bonés que tínhamos ganhado durante nossa visita do aquário.

— Nem pensar, tire isso de perto de mim — recusei quando Edward estendeu o meu, eu devia ter mandado aquilo para bem longe, foi um erro deixar no closet.

— Ness? — ele tentou com ela.

— Isso é um atentado a moda — Renesmee afirmou.

— Você esquece que ela é afilhada da Alice, Edward — o lembrei, checando se tinha tudo em minha bolsa.

Edward segurava a mochila de Matt e Renesmee tinha uma sua, eu esperava que se algo faltasse Esme teria para tapar o buraco deixado, mas sabendo como ela pensava em tudo, com certeza teria.

— Filtro solar, roupas extras, cartão de crédito, celular, chaves — Nelly repassava a lista para mim.

— Okay, tudo certo. — Terminei a verificação, sorrindo para ela em agradecimento.

Eu era muito sortuda de ter Nelly também, estava com uma grande vontade de reunir todos em um abraço coletivo só para agradecer todo o apoio que estava tendo naquele período com a chegada de Matt. E, ela por também ter sido a única pessoa que eu arriscaria chamar de segunda mãe de Renesmee, já que Esme adorava ser uma avó, pois isso lhe garantia o livre direito de mimar os netos.

Nelly vinha de Porto Rico, filha mais nova de dez irmãos, ela migrou para os Estados Unidos ainda muito jovem para ter empregos com um valor remunerado melhor, onde podia enviar parte do dinheiro para sua mãe em seu país de origem. Quando foi trabalhar para Edward e eu, já tinha trinta e cinco anos e falava inglês perfeitamente, uma vez que morava ali por quase quinze anos.

Ela tinha vivido em alguns estados do Sul dos EUA, na Califórnia e na Carolina do Norte, antes de se estabelecer em Boston, onde começou a trabalhar para uma agência de babás e foi recomendada para Esme. Nelly logo se adequou a Edward, Renesmee e eu, ela era só a babá — nada de lavar roupa, passar, limpar ou qualquer outra coisa, contratávamos outras pessoas para isso, ou nós mesmos fazíamos — de Ness, mas às vezes desviava sua função, pois amava cozinhar e gostava de aventurar na cozinha.

Quando Edward e eu nos formamos em Harvard e, decidimos ir para Chicago, nós dois convencemos Nelly a ir com a gente. Ela aceitou, o que foi maravilhoso, rompeu seu contrato com a agência de babás e começou a ganhar mais, mesmo que tivesse insistido que não precisava de aumentos, que já amava Ness o suficiente para precisar de uma quantia exorbitante para tomar conta da garota.

Então, sim, eu amava Nelly e se um dia Ness quisesse chamar outra mulher de mãe, eu só aceitaria se fosse ela. Com Renesmee ganhando mais independência nos últimos anos, a carga de trabalho de Nelly também vinha diminuindo, ela conseguia viajar mais regularmente para Porto Rico visitar a família e tinha Green Card, que Edward e eu a ajudamos a tirar, o que lhe garantia o direito de ir e vir dos Estados Unidos quando quisesse.

Eu provavelmente surtaria quando Nelly decidisse se aposentar e, ir morar longe de nós. Mas, já tínhamos dito a ela que poderia pedir por isso quando quisesse, só que teria de saber que sempre seria tia Nelly e que não poderia se livrar da gente facilmente, já era parte da família.

— Eu posso ser a motorista hoje — falei para Edward quando chegamos à garagem, Matt contava a Ness e Nelly quão divertido tinha sido andar no Bugatti na noite passada.

— Oh, você quer dirigir o Volvo? — Edward perguntou tenso, apertando as chaves em sua mão.

— Sim, mas só se você não desmaiar com essa ideia — falei, rindo da cara dele. — Mas, se eu for a motorista você pode beber, ainda estou me recuperando da dose de tequila de ontem.

— Você pode dirigir na volta — ele falou convicto, afagando a lataria do Volvo.

— Você tem problemas com carros, Edward.

— Eu sei. — Ele riu, inclinando-se para falar em meu ouvido. — E você com sexo, ninfo.

— Okay, você tem um ponto, pode ir dirigindo, eu assumo o volante na volta.

Ele concordou com aquilo, mesmo que parecesse ser doloroso demais aceitar que eu dirigisse seu amado Volvo. Ajudei Nelly a colocar as crianças no banco de trás, então assumi meu lugar no banco do carona.

Claro que com Edward dirigindo foi um rápido caminho até a casa dos meus sogros, ele tinha em seu molho de chaves — assim como Rose e eu também — a chave que abria os portões da mansão e logo estávamos com o carro lá dentro. Mas, nós sequer precisamos tocar a campainha, ou abrir a porta principal com as chaves que também tínhamos, foi só pisarmos na varanda da frente e ela se escancarou.

Esme surgiu dali de dentro, junto com Carlisle. Minha sogra sustentava um grande sorriso no rosto, um que eu não via desde que tínhamos descoberto sobre o câncer de mama, ela estava radiante.

— Mãe, calma, por favor — Edward pediu, Matt estava entre nós dois, Ness atrás com Nelly.

— Mas...

— Esme, calma — Carlisle pediu também, segurando nos ombros dela, contendo-a de assustar Matt. Por mais que eu achasse isso difícil depois de Rose e Renesmee já terem o conhecido com grandes abraços, era coisa das mulheres daquela família, darem grandes abraços de urso.

Edward pegou Matt no colo, falando diretamente com ele.

— Matthew, quero que conheça duas pessoas muito especiais para a gente. Esses são meus pais, Carlisle e Esme. — Aproximou-se dos dois, Esme sorriu ainda mais, juntando as mãos diante o peito, olhando com encanto para Matt.

— Você pode me chamar de vovó Esme, homenzinho — falou para ele, com lágrimas invadindo seus olhos verdes.

— Mãe, não — Edward a repreendeu preocupado, mas Esme não ligou para o que ele disse.

— Esse é o vovô Carlisle. — Esme puxou Carlisle para frente.

— Olá, Matthew! — Carlisle o cumprimentou, também sorrindo, mas muito mais calmo que a esposa.

— Oi — Matt acenou para eles, visivelmente constrangido.

— Ah Deus, parece que eu estive a vida toda esperando para conhecê-lo. — Ninguém mais pode conter Esme, ela rapidamente tirou Matt dos braços de Edward, o apertando contra si.

— Você tem cheiro de chocolate — Matt proclamou, fazendo com que a gente risse.

— Eu tenho sim, lindo. — Esme riu também, devolvendo Matt para Edward, claramente sem conseguir o sustentar por muito tempo. — Estava preparando chocolate quente para nosso café da manhã.

— E o que estamos fazendo parados aqui fora? Vamos logo comer, eu estou faminto! — Edward exclamou, entrando com Matt.

Renesmee, Nelly e eu cumprimentamos meus sogros, os seguindo para o interior da casa direto para a sala de jantar. Edward à frente com Matt ia dando nome aos cômodos pelos quais passávamos, mas não parou em nenhum.

A grande mesa da sala de jantar da mansão estava cheia de comida, Esme com certeza não brincava em serviço, mesmo sendo apenas um café.

— Como foi sua peça, Ness? — Carlisle perguntou a ela, enquanto todos nos sentávamos.

Edward estava ladeado pelas crianças, eu sentei entre Nelly e Esme, diante os três, do outro lado da mesa, Carlisle ocupava a cabeceira.

— A Dorothy era péssima — Edward respondeu, servindo chocolate quente para Matt e Renesmee, depois pegando café para si.

— Edward! — Esme chamou a atenção dele, mas o olhar dela era focado em Matthew.

— O quê? É verdade, ela errava muito.

— Ela errava mesmo — Renesmee concordou com o pai. — Mas, ser a casa foi super divertido — contou. — Obrigada pelas flores, vovô, ela são lindas. Mamãe e eu as colocamos em um vaso junto da minha cama, eu as amei.

— Fico feliz que tenha gostado, princesa. — Carlisle piscou para ela. — Foi uma pena não ter ido.

— É, Carlisle esteve ocupado na empresa — Esme reclamou, sem sequer saber o que tinha mantido o marido o sábado inteiro no trabalho. — E eu achei que seria mais seguro ficar de repouso, mas hoje estou cheia de energia para o dia inteiro.

— Nós já podemos ir para a piscina? — Ness perguntou, tomando seu chocolate quente em praticamente um gole.

— Ainda não, linda, aguente mais um pouquinho. — Esme piscou para ela, voltando-se para Matthew. — Matt, você sabe nadar?

— Não, senhora — respondeu mecanicamente, quase não tocando em sua comida.

— Você pode me chamar de vovó, é sério — Esme praticamente clamou por aquilo.

— Ótimo, vai ser maravilhoso que possa aprender a nadar com a gente, Matt — Carlisle falou, apertando a mão de Esme, no que eu sabia ser uma tentativa de acalmá-la um pouco. — Ensinei Edward e Rosalie, eles se saíram como bons nadadores. Lucy e Ness também são ótimas, Anne está começando a pegar o jeito da coisa.

— Nós iremos para a praia assim que esquentar mais um pouco — Edward falou para Matt, o ajudando a cortar as panquecas que tinha lhe servido antes.

— Eu fui uma vez com meu pai, foi muito legal — Matt falou com nostalgia em sua voz.

Silêncio recaiu sobre a mesa, Edward se manteve aparentemente inabalado por aquilo, mas eu sabia a verdade.

— Oh Deus, quase esqueci! — Esme exclamou quebrando o silêncio. — Nelly me enviou as fotos que vocês estavam usando os pijamas de pinguins, ficaram incríveis neles — falou para as crianças.

— Eu amei o meu, vovó — Ness falou empolgada, soando exatamente como a avó.

— Você gostou do seu, Matt? — perguntei a ele, o incentivando a participar da conversa.

— Gostei — respondeu. — Queria poder usar pra sempre — completou, dando um sorriso pequeno.

— Ei, acho que vocês deviam agradecer a vovó Esme pelo presente, não? — Edward os lembrou.

— Obrigada, vovó, eu realmente amei! — Nessie exclamou.

— Obrigado — Matt agradeceu a Esme.

— Não há de que, seus lindos, estou feliz que tenham gostado dos presentes. Lucy e Anne ganharam de gatinhos, eu achei que pinguins combinavam mais com vocês, acertei?

— Eu amo pinguins — Renesmee suspirou, seus olhos se arregalaram e ela me olhou em expectativa. — Mamãe!

— O quê? — perguntei temendo o modo como ela parecia ter encontrado um pote de ouro diante de si.

— Eu já sei o que vou ser quando crescer.

Nelly ao meu lado riu baixinho, provavelmente pensando que entraríamos em mais uma rodada das milhares de opções de Ness.

— O quê, Princesa? — Edward perguntou a ela.

— Eu vou cuidar de pinguins, quero trabalhar no aquário.

— Você quer ser uma bióloga — Esme esclareceu.

Renesmee fez uma careta, ajeitando os óculos de grau em seu rosto.

— É, talvez, não sei bem se é isso.

Edward riu, afagando a cabeça dela.

— Relaxe, Ness, você ainda tem bastante tempo para decidir o que vai querer ser.

— Eu pensei que ia ser empresária — Carlisle disse.

— A decisão muda a cada hora, Carlisle, você precisa se manter atualizado — Nelly afirmou, Esme riu.

— E você, Matt? — ele perguntou.

— Piloto de Fórmula 1 — Matt disse, fazendo com que um grande sorriso orgulhoso nascesse no rosto de Edward.

— Alguém gostou do Bugatti — Carlisle deduziu. — Além da Bella, claro — provocou.

— Muito engraçado, sogro. — Forcei uma risada.

— Papai tem alguns carros bem legais aqui, Matt, nós podemos dar uma olhada neles mais tarde — Edward falou para o filho, que pareceu super animado com a ideia.

— Fique longe dos meus carros, Edward — Carlisle ameaçou de brincadeira, ou não, ele ainda podia estar mesmo magoado com a história do Bugatti.

Seu celular tocou, fazendo com que ele rapidamente o pegasse do seu lado a mesa.

— Eu preciso atender, é do trabalho, continuem o café — falou, ficando sério, deixando a sala de jantar rapidamente após trocar um olhar cheio de significados com Edward.

— Carlisle não tem jeito — Esme reclamou. — Já passou o sábado inteiro na empresa, agora mais essas ligações em pleno domingo. — Ela bufou, voltando-se para Edward. — Há algum problema na empresa que não sei?

— Não, está tudo bem — disse de forma mais convincente possível. — O que nós vamos almoçar?

— Você está tomando café já pensando no almoço, Edward? — Nelly indagou.

— Eu estou em fase de crescimento — brincou, fazendo com que ela e as crianças rissem, mas Esme ao meu lado continuava tensa, olhando para a cadeira vaga de Carlisle.

— Está tudo bem — falei baixinho para ela, que me olhou, ao fundo podia ouvir os outros conversando, mas me foquei apenas em minha sogra naquele momento.

— Carlisle está escondendo algo, eu o conheço muito bem, sei que tem algo de errado. E se não é na empresa, deve ser em algo envolvendo a vida pessoal...

— Está tudo bem, Esme — tentei convencê-la daquilo. — E, se tiver algo acontecendo, Carlisle lhe deixará saber quando for o momento certo. — Eu odiava mentir para Esme, mas sabia que o baque que ela levaria quando descobrisse sobre os Denali seria grande, era melhor que todos a poupássemos daquilo por mais um tempo.

— É loucura pensar que ele está me traindo?

— É. — Servi mais chá em sua xícara. — Você e Carlisle são um par perfeito, Esme, ele nunca te trairia, acredite em mim. Algo deve estar exigindo mais atenção dele na empresa, mas nada que ele ache que deva te contar para não te fazer ficar preocupada.

— Odeio me sentir insegura, eu bem sei que isso não é algo costumeiro de ninguém dessa família, mas com essa doença tudo tem sido tão esquisito e assustador — sussurrou.

— Eu imagino como deve estar sendo, mas não coloque sua mente em pensamentos sombrios, Esme. Carlisle te ama, muito, ele não está com outra mulher e nunca estará.

— Você é tão preciosa, filha. — Esme afagou meu rosto, me dando um grande sorriso. — Eu realmente não sei o que seria dessa família se Edward e você nunca tivessem se encontrado, não acredito que ele teria conhecido alguém melhor do que você, ou que minimamente chegasse aos seus pés.

— Ele namorou Irina e, se um dia tivessem levado o relacionamento a um nível maior? — Olhando rapidamente para os outros me certifiquei que não tinham me ouvido, estavam conversando sobre a peça de Ness, ou algo assim.

— Irina é uma boa garota — Esme falou, mal ela sabia. Minha sogra podia ter um grande sexto sentido, mas ele definitivamente estava quebrado quando o assunto era sua afilhada. — Mas, Edward e ela não estavam na mesma página, duvido que um dia fossem estar. Agora, você e meu filho com toda certeza estão em todas as mesmas páginas. — Afagou meu rosto novamente. — E, tenho total certeza que essas páginas nunca rasgarão.

— Ótima metáfora.

— Eu sei, né? — Ela gargalhou, passando a mão pelos cabelos. — Ah, vocês chegaram!

Segui seu olhar, vendo Rose entrando na sala de jantar com as meninas. Anne estava alojada em seu colo, parecendo que não largaria a mãe por nada no mundo, mas Lucy praticamente saltitava enquanto andava, parecendo muito leve.

— Nós já podemos ir para a piscina? — Lucy repetiu a pergunta de Renesmee.

— Ei, você não acha que está se esquecendo de nada, garota? — Rose falou com ela.

— Filtro solar? — Lucy indagou confusa, Edward não pode conter uma risada.

— De dar bom dia, Lucy — Rose orientou, escondendo um sorriso.

— Ah, isso! — Lucy concordou, se voltando para a gente na mesa. — Bom dia, pessoal!

— Boa dia, venha me dar um abraço, loirinha! — Esme exigiu, Lucy contornou a comprida mesa, parando nos braços da avó, enquanto Rose beijava os rostos de Matt e Ness, dando um tapa na cabeça de Edward.

— Ei, não bata no meu marido, Rosalie! — Joguei um lencinho de papel em sua direção.

— Ele foi meu irmão antes de ser seu marido, eu tenho prioridades. — Ela se sentou na cadeira vaga de Carlisle, Anne ainda agarrada nela. — Cadê o papai?

— No telefone — Esme reclamou. — Assuntos de trabalho.

— E você. — Rose se virou para Matt, sem se estender no assunto de Carlisle. — Como foi sua noite, meu fofo?

— Foi boa, Ness e eu comemos cookies — Matt contou.

— E o papai leu um pouco de Harry Potter pra gente — Ness completou. — Matthew já é um fã.

— Harry Potter é muito bacana — Matt ecoou. — Edward, eu posso tomar mais chocolate?

— Claro. — Edward pegou o bule, servindo mais de chocolate para Matthew.

— Eles estão indo bem? — Esme perguntou aos cochichos para mim.

— Estão sim — afirmei, admirando Edward cercado por nossos filhos, eu amava aquilo, minha família reunida.

Nós demoramos mais algum tempo à mesa, comendo, colocando Esme a par da peça de Renesmee e da nossa ida à pizzaria que ela tinha recomendado. E, ela nos mostrou fotos e mais fotos dos gêmeos de Tanya, contando tudo que já sabia sobre cada um deles, como Rose tinha ido os visitar no dia anterior com as meninas, elas também puderam dar mais detalhes e Edward e eu combinamos de levar Ness para conhecê-los na tarde do dia seguinte.

— Jasper chegou! — Edward praticamente gritou, cheio de animação quando uma das empregadas nos avisou de que um rapaz estava esperando para entrar, meu marido praticamente correu para fora da sala de jantar indo abrir a porta da mansão para o amigo.

O fato de apenas um rapaz ter sido anunciado me preocupou, eu esperava que aquilo não quisesse dizer que Jazz e Alice tinham tido problemas, já que ela também foi convidada para aquele dia na casa dos Cullen e eu supunha que os dois chegariam ali juntos. Torcia para que eles estivessem bem, talvez ela só tivesse precisado fazer algo antes de ir para a mansão.

— Mamãe, por que tanta comida? Eu estou engordando uns dois quilos só agora! — Rosalie protestou, enquanto continuava seu café da manhã.

— Olha só quem está aqui! — Edward exclamou de volta a sala de jantar, mas sua voz não era mais animada, ele estava irritadiço, olhei para trás dele, vendo Emmett.

Rose que comia, se engasgou ao vê-lo ali também.

— Emmett, que bom que você veio! — Esme exclamou, levantando de sua cadeira e indo até os dois na entrada da sala, dando um abraço em Emmett, que rapidamente retribuiu, mesmo parecendo envergonhado.

— É, eu vim — falou, ainda perdido, parecia ter caído de paraquedas ali.

— Eu liguei ontem à noite para Emmett, o intimando a vir passar o dia conosco — Esme contou, sorrindo de orelha a orelha. — E pedi que o motorista de Carlisle fosse buscá-lo, para que ele não ousasse recusar meu convite.

— Por que você o convidou? — Edward perguntou, sem se importar em parecer simpático e, sem querer esconder que parecia estar sendo traído pela própria mãe.

— Porque Emmett foi uma ótima companhia naquele nosso almoço lá no hotel e, quando veio até aqui e jogou sinuca com sua irmã.

— Oh Deus. — Rose se encolheu na cadeira de Carlisle.

— Senhora Cullen, talvez fosse melhor eu ir embora — Emmett falou, colocando as mãos nos bolsos das calças jeans, ele carregava uma pequena mochila em um dos ombros e usava camiseta de mangas longas.

— Nem pensar, você fica! — Esme ordenou. — E, não precisa me chamar de Senhora Cullen. — Ela segurou no braço dele, o conduzindo para mais perto da mesa. — Você, vá se sentar e terminar seu café da manhã — ordenou daquela vez para Edward, ele resmungou algo, indo de volta para seu lugar. — Emmett, aquela é Nelly, ela é a babá de Renesmee desde que a pequena tinha um mês. — Apresentou Nelly. — Aquela é Lucy, filha mais velha de Rose. — Apontou para Lucy que estava sentada no braço da minha cadeira. — No colo de Rose é Anne, a caçula. — Rose seque ousou levantar seus olhos do prato a sua frente na mesa. — E, esse é nosso mais novo membro, Matt.

— Ei, carinha. — Emmett acenou para meu filho. — Sua mãe me falou sobre você, é bom te conhecer.

— Qual seu nome? — Matt perguntou.

— Emmett, Emmett McCarty.

— Belo sobrenome — Esme disse empolgada, praticamente pulando de animação. — E, um sobrenome que combina muito bem com outros nomes, tipo R...

— Café, você já tomou café, Emmett? — perguntei, antes que Esme pudesse citar o nome de Rosalie e deixá-la mais constrangida ainda.

— Já, eu tomei antes de malhar e...

— Você pode comer mais um pouco. — Esme o fez sentar na cadeira vaga ao lado de Renesmee.

— Oi, mini Bella — ele a cumprimentou.

— Oi, Emmett! — ela o cumprimentou de volta. — Você sabe nadar? Nós vamos para a piscina assim que a vovó Esme liberar.

— Agora, vamos logo para a piscina — Rose clamou, corada, levantando-se da mesa com Anne, saindo da sala de jantar.

— Oh, excelente, vamos para a piscina. — Esme ergueu Emmett da cadeira.

Ele parecia um bonequinho nas mãos da minha sogra, chegava a ser engraçado.

Esme deixou Emmett em um banheiro do primeiro andar da casa para que ele pudesse se trocar, enquanto todos nós seguíamos para a área da piscina. Por sorte, o Sol tinha cooperado com a gente, dando as caras e deixando o dia um pouquinho mais quente.

— Sério, mãe? Sério? — Rose foi até Esme assim que chegamos lá.

Anne estava sentadinha em uma das espreguiçadeiras, ao redor da piscina. Lucy, Ness e Matt, com a ajuda de Nelly já começavam a se livrarem de suas roupas, ficando apenas em suas roupas de banho.

— Sério, Rosalie. — Esme arrumou os óculos de Sol em seu rosto, colocando um grande chapéu também. — E, acredite, você vai me agradecer por ter trazido Emmett.

— Não gosto disso — Edward reclamou, cruzando os braços na frente do corpo. — Era para ser um dia em família, agora temos um intruso.

— Se sua irmã deixar de tanta frescura Emm será da família em algum tempo — Esme declarou.

— Mãe, você o chama pelo apelido? — Rose perguntou chocada.

— Rosalie, eu amo você, filha — Esme afirmou. — Royce só te deu duas coisas boas nesse mundo, Anne e Lucy. Agora, você pode conhecer um homem muito melhor, Emmett.

— Eu não preciso que fique bancando o cupido para mim, mãe — Rosalie cruzou os braços na frente do corpo também, ficando muito parecida com Edward ao fazer aquilo.

— Eu acho que preciso — Esme teimou.

— Não, não precisa — Rose resmungou. — Se quer saber, ontem encontrei com James Smith e ele quer me levar para um encontro em breve.

Esme sorriu ao ouvir aquilo.

— Certo, Emmett ou James, isso é ainda melhor, você tem opções. — Esme afagou o braço da filha. — Mas, eu sei que vai acabar com Emm.

— Você está perdendo os limites, mãe. — Rose revirou os olhos.

— Eu repito, você ainda vai me agradecer — minha sogra disse, indo até Emmett e Carlisle que vinham juntos do interior da mansão, o mais novo estava usando regata e shorts.

— Edward. — Rose choramingou para o irmão.

— Eu sei, mas não sei como te ajudar nisso, irmã — ele confessou. — Só posso dizer o quão feliz estou por já ser casado, ou iria ser tenso ter de lidar com mamãe me caçando uma namorada.

— Vamos lá, Esme pode estar certa — incentivei, ganhando olhares revoltados dos irmãos. — Qual é? Ela acertou sobre mim, vai que Emmett é mesmo o cara certo de Rosalie. Ele tem até uma tatuagem, já te ouvi falar que gosta de tatuagens, cunhada.

— Como você sabe que ele tem uma tatuagem? — Edward perguntou enciumado.

Eu ri, virando o rosto dele na direção de onde Emmett estava com Esme e Carlisle, o McCarty de costas para nós, permitindo que víssemos uma tatuagem de âncora desenhada na parte de trás do seu braço.

— Porra — Rose xingou baixinho a ver também.

— Nada demais, é apenas uma tatuagem imbecil — Edward falou, ainda cheio de ciúmes.

— Não, é sexy — Rose sussurrou. — Será que ele tem outras?

— Você gosta de tatuagens? — Edward me questionou, visivelmente incomodado com tudo aquilo.

— Eu gosto de sua pele sem marcas, querido. — Afaguei suas costas.

— Rosalie, limpe a baba que está escorrendo — ele mandou para a irmã, ela apenas o ignorou, seguindo até os pais e Emmett. — Mas, o quê? Eu pensei que ela estivesse irritada com ele aqui.

— Querido, você é tão inocente — proclamei, o puxando até as crianças, que estavam passando filtro solar.

Certifiquei-me de que todos estivessem protegidos do Sol, inclusive Edward que “Bella, eu tenho a pele muito sensível”, deixando por fim que eles fossem para a piscina. Claro que só depois de enfiar boias nos braços de Matt, mesmo que ele estivesse indo para a água com o pai.

Anne continuou na espreguiçadeira de antes, eu me sentei junto dela, colocando-a em meu colo, enquanto a garotinha brincava com uma Barbie. Nelly sentou em uma espreguiçadeira ao meu lado, nós três de frente para a piscina, mas protegidas por um grande guarda sol.

Renesmee e Lucy, que já sabiam nadar muito bem, pularam juntas na piscina, sem se intimidarem em irem para a parte funda. Elas gritaram de animação e logo estavam brincando com uma bola que Carlisle jogou para elas, enquanto isso Edward entrava com Matt na parte mais rasa da enorme piscina.

Edward conversava calmamente com Matt, que parecia bem tenso dentro da água, o segurando junto de si para demonstrar confiança. Tinha sido muito fácil ensinar Renesmee a nadar, desde muito nova ela simplesmente adorava estar na água, mas era claro que para Matt seria mais difícil já que ele era mais velho.

Vi Carlisle se unir as meninas, Matt e Edward na piscina, indo para junto dos meninos ajudar o filho, enquanto ao mesmo tempo se revezava em jogar bola com as garotas. Esme voltou para o interior da mansão, indo fazer qualquer coisa, enquanto Rose e Emmett sentaram juntos em uma mesa do deque, conversando animadamente, eu queria ter uma super audição para poder ouvir o que eles falavam.

— Bella — Carlisle me chamou, acenando para mim. — Matt precisa de você aqui.

Olhei para Matthew, vendo-o ainda assustado por estar na água. Passei Anne para o colo de Nelly, seguindo até a piscina, sentando na borda, deixando meus pés balançando na água.

— Pronto, Bella está aqui — Edward falou para Matt, afagando suas costas.

— Tia Bella, eu estou com medo — ele confidenciou para mim. — Quando fui para a praia não entrei na água.

— Edward e Carlisle estão com você, Matt. — Sorri carinhosamente para ele. — Pode ficar tranquilo, os dois nunca deixariam nada te acontecer. E, eu estou bem aqui também.

— Tá bom — ele concordou.

— Pronto? — Edward perguntou a ele, que assentiu. — Okay, vamos mergulhar um pouco.

Os três submergiram, passando apenas cinco segundos lá antes de voltarem à superfície.

— Yay, você foi muito bem, garoto! — Carlisle parabenizou, batendo palmas, ganhando um sorriso de Matt. — Muito melhor do que Edward quando estava aprendendo a nadar, ele engolia água porque não se lembrava de manter a boca fechada.

— Alguém se esqueceu de me avisar que eu devia ficar de boca fechada, pai — Edward acusou divertido.

— Você deveria saber que era para mantê-la fechada, filho — Carlisle rebateu, pegando Matt do colo de Edward.

Eu amei como Carlisle estava indo bem com Matt, considerando que quando demos a noticia para ele da adoção não tinha sido cem por cento receptivo. Esperava que minha mãe um dia também pudesse se dar bem com Matthew, eu torcia muito por aquilo.

— Ótimo, eu sabia que não iam me esperar para ir para a piscina. — Ouvi Jasper, ele ainda estava longe da piscina, mas já tirando suas roupas, jogando tudo para Alice junto com ele, ficando apenas em seu calção de banho, correndo para a piscina e pulando ali.

— Jasper, você finalmente chegou! — Os olhos de Edward de fato brilharam com a chegada do amigo.

— Ei, Bella, oi Carlisle. — Alice se sentou ao meu lado, usando um grande chapéu como o de Esme. — Oi, seu lindinho — falou com Matt.

— Oi, tia Alice! — Ele sorriu para ela. — Você vai nadar também?

— Alguém se lembrou de trazer as boias de Alice? — Edward provocou.

— Muito engraçado, Cullen, muito engraçado. — Alice chutou água na direção do rosto Edward, ele não perdeu tempo em retribuir o ato, agarrando o pé dela e a puxando para dentro da água, de roupa e tudo. — Cullen! — Alice gritou indignada. — Isso é um Chanel apontou para seu vestido encharcado.

Edward e eu rimos do gritinho histérico dela.

— Isso é um Chanel — a imitei.

— Bella. — Alice fez um biquinho.

— Hey, você acha isso divertido? — Jasper perguntou para mim, agarrando meu pé e me puxando para a água como Edward tinha feito com Alice.

Eu sequer tive tempo de gritar, já que logo estava dentro da água. Por sorte a piscina era aquecida, ou eu ia acabar congelando ao cair ali de surpresa.

— Isso não foi legal, Jasper — protestei, odiando estar com as roupas tão molhadas, mas por sorte já estava com o biquíni por baixo.

— Agora estamos quites. — Ele deu de ombros.

— Obrigada por me vingar, Jazz — Alice agradeceu, indo para os braços dele, lhe dando um beijo.

— Ei, não na piscina! — Carlisle ordenou, tapando os olhos de Matt.

— Vocês voltaram? — questionei, os dois apenas assentiram, trocando mais um rápido beijo.

— Sexo — Edward falou por trás de uma falsa tosse, conseguindo um tapa meu em seu ombro.

— Idiota — Alice disse para ele, indo para a escada da piscina para sair da água.

— Alice é tão pequena que não consegue sair pela borda. — Edward gargalhou, eu tive de conter uma gargalhada também, ou sobraria para mim.

Deixei a piscina também, precisando me livrar das roupas encharcadas. Fui com Alice até as espreguiçadeiras onde Nelly e Esme estavam, Anne tinha ido se unir a mãe, que continuava conversando com Emmett.

Alice e eu nos livramos das roupas, ficando apenas em nossos biquínis, mas não voltamos imediatamente para a piscina. Esme pediu que a empregada servisse bebidas, com e sem álcool, então ficamos por um tempo ali bebendo.

— Emmett, junte-se a gente! — Carlisle chamou.

Jasper era a pessoa com Matt no colo daquela vez, enquanto Edward nadava de uma ponta a outra da piscina, passando pelas garotas que continuavam jogando bola. Emmett e Rose deixaram a mesa que estavam, ela com Anne novamente agarrada a si.

Emmett se livrou da regata que tinha, ficando com seu shorts e indo para a piscina, Lucy e Ness rapidamente o requisitaram para jogar bola com elas e ele atendeu os pedidos delas. Carlisle chamou Anne para a piscina também e, ela aceitou ir com ele, deixando Rose livre.

— Você quer me agradecer agora, ou mais tarde, Rose? — Esme, sentada na espreguiçadeira ao meu lado, perguntou a filha quando Rosalie se uniu a gente, carregando um grande sorriso no rosto.

Rose não disse nada, apenas continuou sorrindo, unindo-se a mim na espreguiçadeira que eu estava.

— Emmett é bem malhado — Alice falou, indo para seu segundo drink.

— Hey, ele é de Rose — alertei.

— Ele não é! — minha cunhada exclamou, corando.

— Ele vai ser! — Esme afirmou.

— Qual é a da tatuagem de âncora? Você descobriu? — questionei Rose.

— Não tive coragem de perguntar — confessou.

— Rosalie! — Esme chamou a atenção dela, parecendo indignada.

— Isso não é símbolo de gangue, não? — Nelly questionou.

— Oh, isso pode ser verdade! — Alice praticamente gritou. — Ele pode ser de gangue, bem perigoso e sexy.

— Ei, você tem um namorado, Brandon. — Rose a olhou ameaçadoramente.

— Eu sei, Jasper tem uma tatuagem também, não estou querendo roubar seu cara...

— Espera, Jasper tem uma tatuagem? — perguntei sem ter ideia daquilo, Alice apenas assentiu. — E você não vai falar mais nada? Eu nunca soube que ele tinha feito uma tatuagem, ele removeu?

— Não está em um lugar que você possa ver — foi tudo que Alice falou.

— Oh, que horror. — Eu ri. — Quando ele a fez?

— Não vou falar mais nada, Bella — Alice decretou.

— Ele parece um marinheiro sexy com essa tatuagem de âncora — Rose sussurrou ao meu lado, mordendo seu lábio, sem tirar os olhos de Emmett.

— Ah, já posso imaginar como será o casamento de vocês dois — Esme disse sonhadoramente.

— Mamãe!

— Qual é, Rosalie? Você está louca para ficar com Emmett — Esme disse. — E está certa, ele é muito bonito.

— Arg, não fale assim dele, você é a minha mãe — Rose pediu, afundando-se na espreguiçadeira junto de mim. — Porra, ele mora na academia? — perguntou para mim, quando Emmett saiu da piscina para buscar a bola que tinha caído um pouco longe.

— Senhora Cullen?

Esme e eu voltamos nossas cabeças em direção ao chamado da empregada, era sempre assim. Quando tínhamos a esposa de Caius por perto, ou quando Charlotte estava viva sempre era uma confusão maior saber quem era a senhora Cullen sendo chamada.

— Sim, Natalie? — Esme falou com a empregada.

— Senhora, uma visita acabou de chegar...

— Tia Esme, sou eu, falei que não precisava ser anunciada.

Paralisei a ouvir a voz, vendo Irina entrar na área da piscina. Rosalie ao meu lado pareceu imediatamente tensa, mas também revoltada.

— Oh meu Deus, Irina, querida! — Esme pulou de sua espreguiçadeira, indo até a afilhada para lhe dar um abraço.

— O que essa vagabunda veio fazer aqui? — Rose indagou, quase se levantando da cadeira. — Papai! — Rosalie rosnou quando Carlisle chegou até a gente, deixando a piscina rapidamente e Anne com Jasper, Edward lá dentro, com Matt em seu colo, parecia tão raivoso quanto à irmã.

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— Eu sei, eu sei. — Carlisle revirou os olhos. — É muita cara de pau dela aparecer aqui, principalmente sem avisar, mas, por favor, vamos fingir que está tudo bem, por Esme.

— Carlisle, não sei se posso fazer isso — falei, enojada de ver Esme e Irina confraternizando, como se aquela Denali desprezível não tivesse chantageado Carlisle no dia anterior junto com seu pai.

— Bella, por favor. — Ele suspirou. — Esme não pode saber disso assim, ela vai surtar, Irina é como uma filha para ela.

— Ela precisa saber que a afilhada dela é uma cobra — Rosalie sussurrou.

— Eu vou conversar com ela, amanhã, depois da reunião com Eleazar. Só me deem mais um dia, não posso deixar Esme receber um baque assim, ela está doente e, por mais que saibamos como Irina é de verdade, minha esposa a ama, isso irá destruí-la.

— Se ela pisar fora da linha eu irei afogá-la na piscina — Rose falou séria, mas eu não consegui conter uma risada sobre isso. — Você vai ficar bem? — perguntou para mim, apenas dei de ombros, sem poder prever aquilo.

— Bella? — Olhei para Carlisle. — Não se preocupe. — Ele segurou em minha mão, onde o anel Claddagh e a aliança de casamento que um dia foi da mãe dele estavam. — Você é a Cullen aqui, Irina nunca será uma de nós.

Notas finais
Quem quer Rose afogando Irina comenta aqui hahaha Beijos! Lola Royal. 21.04.17