Nossa Família
37 Capítulo Trinta e Seis — Boston
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Seis —
— Boston —
Edward Cullen
Minha mãe tinha ficado muito feliz quando contei a ela que Irina e eu estávamos namorando, ela adorava sua afilhada e achava que eu precisava de um relacionamento sério para amadurecer, ter assumido o namoro lhe encheu de alegria por ter duas das pessoas que mais amava no mundo juntas. Isso fazia com que eu me questionasse o quão destruída ela ficaria quando soubesse que sua preciosa afilhada, quase uma filha para ela, estava tramando algo junto com Eleazar para conseguir controlar o grupo Cullen e por tabela atingir Isabella.
Sabia o quanto Esme amava minha esposa, tinha se encantado por Bella assim que colocou os olhos sobre ela. Mas, gostar de Bella nunca foi algo que fez minha mãe deixar de gostar de Irina, as duas se detestavam e viviam claramente em uma Guerra Fria, mas Esme Cullen nunca se colocou entre as duas e continuava amando ambas da mesma forma.
Irina era sua afilhada, aquela que tinha visto nascer e crescer, que por um período de tempo foi até mesmo sua nora. Isabella era sua nora por anos, mãe de seus netos e tinha se tornado parte essencial da família da minha mãe.
— Vai ser um domingo interessante — Jasper, ao meu lado na piscina, falou. Ele sabia sobre toda a chantagem dos Denali, como também sabia que ninguém podia dizer nada daquilo para minha mãe até segunda ordem do meu pai.
Eu bufei, seria um domingo irritante, quando deveria ser perfeito. Tínhamos Matt e toda a família reunida, mas Irina tinha de aparecer e estragar tudo.
— Vou entrar um pouquinho com Irina, crianças — mamãe anunciou para todos nós, ainda animada por sua afilhada ter aparecido.
Irina acenou para a gente, sorrindo para mim, antes de entrar na casa. Ela devia ser a pessoa mais falsa do mundo, provavelmente perdia apenas para seu próprio pai.
— O que está acontecendo? — Alice apareceu na piscina, meu pai continuava conversando com Rose e Bella lá fora.
— Depois Jasper te explica — falei, sentando Matt na beira da piscina ao lado da Brandon. — Eu preciso conversar com sua mãe um pouco, certo? Pode ficar aqui com Anne, tia Alice e tio Jasper? — Ele assentiu, alheio ao clima tenso que tinha se instaurado ali com a chegada totalmente indesejada de Irina.
Deixei a piscina, checando Lucy e Renesmee com Emmett antes de me afastar até os outros. Elas pareciam seguras com ele ali, também estavam alheios a Irina, concentrados mais em jogar.
— Ei, você está bem? — fui logo perguntando para Bella, sentando na espreguiçadeira vaga ao lado da que ela ocupava com Rosalie, meu pai estava em pé e Nelly distraída com o jornal e sua bebida.
— Sim, eu não vou pular no pescoço dela, nem nada assim — Bella assegurou.
— É, mas eu não posso prometer isso — Rosalie falou, emburrada. — Ainda acho que deveríamos contar de uma vez para mamãe.
— Rose...
— Tá, pai, eu sei, você quer preservá-la — Rosalie reclamou. — Mas devíamos arrancar o bad-aid de uma só vez, doeria na hora, só que depois ia ser mais fácil.
— Não vamos criar um caos justo hoje. — Papai suspirou, parecendo exausto. A cabeça dele devia estar uma merda com todo o peso dos investimentos Denali ameaçando se romper, se realmente acontecesse tudo estaria comprometido. — Eu vou voltar para a piscina, tente não matar Irina, Rose.
— Já disse que não posso prometer isso, pai. — Rose bufou, revirando os olhos.
— Eu vou com você, Carlisle. — Bella se levantou, percorrendo a mão por meus cabelos uma vez. — Preciso relaxar um pouco.
— Eu te encontro lá daqui a pouco, querida — prometi, deixando-a ir para piscina com meu pai.
— Então, vamos contar para a mamãe quando papai não estiver olhando? — Rosalie me questionou aos sussurros.
— Bem que eu queria, mas também estou receoso de como mamãe irá reagir a isso.
— Ela bem que podia dar uns tapas naquela vagabunda, eu ia amar.
— Rosalie! — chamei a atenção dela, rindo.
— O quê? Se isso acontecesse eu faria uma festa para comemorar, sabe que nunca suportei Irina.
— É, eu sei, você tinha uma porção de xingamentos para ela quando eu a namorei.
— Ainda não sei o que viu naquela vagabunda, graças a Deus você se regenerou e conheceu Isabella.
Eu assenti, precisando concordar com ela sobre aquilo. Olhei para a piscina, Bella estava sentada a borda com Alice e Anne, na água, na parte mais rasa onde eu estava antes, meu pai e Jasper retomavam as aulas de natação com Matt.
— Meninos, olha quem veio para completar a diversão! — Ouvi a voz de mamãe, vendo-a se aproximar com Irina que tinha trocado de roupas para um biquíni, mas manteve-se em saltos altos.
— Diversão acontecerá quando eu enfiar minha mão na cara dela — Rose murmurou, levantando-se, eu continuei sentado, calculando como ir para a piscina sem Irina falar uma palavra que fosse comigo.
— Olá, Rosalie! — Irina cumprimentou minha irmã, Rosalie a encarou com odiou e proferiu:
— Vá para o inferno!
— Rosalie! — mamãe chamou a atenção dela, chocada com a fala da filha.
— Ah desculpe, é que por um momento pensei que o próprio diabo tinha aparecido aqui para atrapalhar nosso domingo — Rosalie disse debochadamente.
— Meu Deus, Rosalie, o que deu em você? — mamãe continuou a perguntar em estado de choque.
— Em mim? Nada, mamãe, eu estou melhor do que nunca!
Eu tentei não rir de Rosalie, ou da expressão vacilante de Irina, mas era impossível.
— Hey, olá, Edward! — Irina se voltou para mim, voltando a sorrir. — Como você está, querido?
— Já estive muito melhor — resmunguei em resposta.
O namoro e depois todo o sexo casual que tive com Irina não valia a pena o estresse que ela estava causando, eu me arrependia amargamente. Queria ter uma máquina do tempo, voltaria para o dia que tive a idiota ideia de pedi-la em namoro e daria um soco na minha cara para impedir isso de acontecer.
— Sim, o ar está um pouco poluído aqui! — Rose afirmou, retirando sua camiseta e shorts para ficar de maiô. — Eu vou dar um mergulho, se quiser nadar me avise, Irina, faço questão de ir com você.
— Claro — Irina concordou, um sorriso debochado crescendo em seu rosto. — Você fica linda de maiô, Rosie.
— Vá... — Rose se calou sob o olhar sério de mamãe, ela se afastou até a piscina sem falar mais nada, pulando diretamente na parte onde Emmett estava com Renesmee e Lucy.
— Nelly, vamos lá dentro, eu fiquei de te mostrar aquele livro que o arcebispo de Madri enviou para mim — mamãe chamou por Nelly. — Irina, querida, divirta-se. Sabe que é de casa, meu bem. — Ela beijou a bochecha da afilhada.
— Obrigada, tia Esme, sabe que me sinto mesmo como parte da família. — Beijou a bochecha de mamãe de volta, sua voz soando doce e gentil. Eu era mesmo um idiota, como no passado não percebi como Irina podia ser extremamente falsa quando queria? Ela daria uma ótima atriz, sabia interpretar muito bem. — Olá, Nilce — cumprimentou Nelly que passou por ela.
— É Nelly — ela a corrigiu educadamente, mas sem sorrisos que eram muito comuns de Nelly.
— Claro, isso — Irina sorriu para ela também. — Mostre-me o livro depois também, tia Esme, eu adoro o arcebispo Francis.
— Pode deixar, pelo menos alguém aqui ainda liga para religião — mamãe disse aquilo diretamente para mim, lançando-me um olhar feio. — Venha, Nelly.
— Sentiu minha falta, Edward? — Irina mudou seu tom de voz assim que mamãe se afastou, dando um passo em minha direção.
— Vá se fo...
— Afaste-se dele! — escutei a exclamação de Bella, então a vi andando até onde eu estava sentado, seus olhos fuzilando Irina.
— Isabella, não crie um...
— Eu mandei você se afastar do meu marido, sua vadia — Bella a interrompeu, chegando até a frente de Irina.
A Denali era alta, mesmo sem os saltos e, Bella descalça ficava bem baixa, mas seu queixo erguido e seu olhar ameaçador fazia com que para mim ela parecesse ser a mais perigosa das duas. Além do mais, Isabella assistia muitas lutas, desde que era criança, ela com certeza saberia como quebrar Irina.
— Insegura, Swan? — Irina provocou, mas sua pose falhou por um instante quando Bella sentou-se ao meu lado, deixando com que eu colocasse meu braço ao redor de seus ombros.
— Por que eu estaria insegura, Irina? — Bella abriu um grande sorriso. — Afinal, sou eu quem está nos braços de Edward agora. — Ela apoiou sua mão esquerda em meu joelho, olhando para lá, Irina seguiu se olhar, sua expressão ficando raivosa a ver o anel de noivado junto à aliança de Bella.
— Espero que não perca o anel, Isabella, você precisará vendê-lo quando os Cullen forem à falência — Irina disse, seu rosto preso em fúria. — Ou, espero que você e seu pai sejam sensatos, Edward. E, mudem de ideia sobre o investimento — completou falando para mim.
— É. — Suspirei. — Acho que tem razão quanto a isso, Irina. — Assenti, senti Bella me encarar, mas sua mão em mim me dava certeza de que ela sabia que eu não estava de fato concordando com a Denali. — O que acha de eu tirar o anel de Isabella agora mesmo e colocar na sua mão? Ai nós dois pegamos o jatinho do seu pai, voamos até Las Vegas e casamos sob o testemunho de Elvis? Ah, caso não tenha percebido, eu estou sendo sarcástico, sabe, depois que você pensou que papai te daria a presidência do Grupo Cullen, quando ele também usou sarcasmo, é melhor com que eu explique isso.
— Ela pensou? — Bella explodiu em uma gargalhada.
— Vocês podem rir, agora — Irina falou, engolindo em seco. — Mas, eu rirei por último...
— Você me dá sono, Irina — Bella a interrompeu. — Venha, querido, vamos nadar. — Ela se colocou de pé, fazendo com que eu levantasse. — Fique fora do meu caminho, Denali, ou eu cuidarei de te tirar da minha frente — ameaçou Irina uma última vez, que ficou calada, apenas encarando Bella como se pudesse matá-la ali mesmo.
— Você é muito sexy agressiva, querida. — Beijei sua mão que estava entrelaçada a minha.
— Ai, cala a boca, Edward. Eu estou tentando não pensar em você e aquela babaca fugindo para Vegas juntos, principalmente após aquele pesadelo.
— Bella, por favor, só tem uma mulher que me levou a usar uma aliança. — Parei de andar, a pegando em meu colo como uma noiva. — E, foi você, querida.
Ela sorriu triunfantemente, entrelaçando os braços ao redor do meu pescoço.
— Isso, segure-se bem, vamos pular.
— O quê? Não, Edward! — gritou, mas já era de tarde demais, eu corri até a piscina com ela em meu colo, pulando lá dentro.
Eu voltei à superfície primeiro, ajudando Bella a voltar também. Ela tinha boa parte de seus cabelos castanhos presos ao seu rosto devido à forma com que pulamos, eu ri vendo-a escondida atrás dos cabelos, a auxiliando a conseguir ver novamente.
— Muito engraçado, Edward Cullen, isso terá volta — ela disse, mas não estava brava, sim sorrindo. — Amo você, querido.
— Sei que me ama, a surpresa seria caso não me amasse, querida — falei convencido, fazendo com que ela risse.
Bella se moveu na água até mim, desfazendo qualquer distância que ainda nos separava. Fiz com que ela entrelaçasse suas pernas ao redor do meu corpo, sustentando o seu com minhas mãos em suas costas.
— Amo você — ela repetiu, daquela vez sem sorrisos ou risadas, apenas apaixonada.
Era como se ainda fossemos os dois jovens da faculdade, nada tinha mudado entre nós. Quer dizer, tinha, eu me sentia mais ligado a ela. Ter enfrentado tanta coisa junto de Bella e, ainda estar enfrentando nos fortalecia como um casal.
— Amo você também — devolvi, beijando seu rosto, deslizando minhas mãos por suas costas.
Bella suspirou, puxando meu rosto para poder me beijar. Um beijo calmo, mas ainda assim perfeito. Bom, perfeito até sentir algo atingir minha cabeça com força, como os sons das risadas de Lucy e Nessie em sequência.
— Tem crianças aqui, seus pervertidos! — Rosalie gritou, a bola boiando ao meu lado era um grande indicativo do que minha irmã mais velha tinha acabado de fazer.
— Suma, Rosalie! — protestei, soltando Bella, pegando a bola e atirando em Rose, mas ela aparentemente tinha um maldito protetor: Emmett, que pegou a bola antes de atingir minha irmã.
— Você é péssimo, irmãozinho — Rose provocou, lançando um grande sorriso para Emmett em seguida. — Obrigada, Emm.
Não bastava mamãe, ela também já o chamava pelo apelido.
— De nada, Rose. — Sorriu de volta para minha irmã.
— Rose — resmunguei irritado, ouvindo Bella rir ao meu lado, mas ela parou abruptamente, encarando a ponta da piscina onde Matt estava com os outros, do lado de fora podíamos ver Irina se aproximar.
— Eu a mandei ficar longe! — Bella disse entre dentes, nadando até lá, fazendo com que eu fosse atrás imediatamente.
Jasper tinha Matt pendurado em suas costas, enquanto Anne estava nadando com meu pai. Alice permanecia na beira da piscina — provavelmente com medo de se afogar — e, Irina tomou um lugar ao lado dela, seu olhar fixo em Matthew.
— Então, você é o novo filho de Edward e Bella? — perguntou diretamente a ele, sua voz era fria e seu olhar igualmente raivoso.
— Vem, lindo. — Bella capturou Matt das costas de Jasper, deixando o garoto visivelmente confuso.
— Como é seu nome, garoto? — Irina insistiu.
Papai respirou fundo, respondendo.
— Matthew, Irina, ele se chama Matthew.
— Belo nome. — Ela assentiu, mal conseguindo esconder sua raiva.
— Ah, Irina e Matt já se conheceram? — Mamãe gritou, deixando a casa com Nelly, ela praticamente correu até a piscina, ainda envolvida em sua bolha de animação.
— Ele é tão lindo, tia Esme! — Irina exclamou, voltando a sua farsa diante sua madrinha.
— Ele é mesmo, não é? — Mamãe sorriu carinhosamente para Matthew. — Estou muito feliz que finalmente estamos o tendo em casa.
— Sim, eu tenho certeza de que Bella e Edward serão muito felizes com o pequeno Matthew. — Irina se levantou, ainda sustentando sua atuação muito bem para Esme. — Você tem uma esposa tão maravilhosa, Edward — ela disse diretamente para mim. — Eu fico muito feliz que meu melhor amigo de infância está indo tão bem. Bella, prometa sempre cuidar muito bem de Edward, linda. — Piscou para ela.
Bella estava visivelmente enojada, talvez se ela não estivesse com Matt em seu colo — como um claro lembrete de que não podia se meter em problemas que poderiam por a guarda dele em risco — ela teria voado no pescoço de Irina naquele mesmo instante.
— Irina, eu preciso conversar com você — mamãe falou para ela, um tom sério assumindo sua expressão. Irina hesitou por um instante, mas assentiu, voltando a sorrir rapidamente.
— Claro, tia Esme, podemos conversar.
— Excelente, acompanhe-me, meu bem. — Ela segurou na mão de Irina, já a puxando em direção à mansão.
— Carlisle, eu não posso — Bella falou, entregando Matt para mim rapidamente. — Essa mulher...
— Só mais um dia, Bella.
Ela suspirou, assentindo.
— Ei, vamos voltar a suas aulas de natação, garoto? — perguntei para Matthew, que abriu um grande sorriso para mim, concordando com um aceno de cabeça. — Bella, vai nadar com a gente, querida?
— Vou. — O sorriso feliz voltou ao seu rosto vendo o sorriso de Matthew.
Eu quis dizer a ela que ficaria tudo bem, mas não estava mais tão confiante assim.
***
Nós passamos um bom tempo ensinando Matthew a nadar, em algum momento todos se reuniram para isso, o que significava o fim do jogo de bola entre as meninas e Emmett. Nelly no assistia de sua espreguiçadeira, mandando gritos de incentivo para Matthew, mas mamãe continuava lá dentro com Irina.
Eu não sabia exatamente o que ela queria com aquela conversa privativa com a afilhada, mas suspeitava. Mamãe provavelmente estava contando para Irina sobre o câncer, ela devia ter decidido que era uma boa hora para começar a contar para os outros.
E, aquilo só piorava ainda mais a situação. Seria terrível se ela descobrisse sobre os planos de Eleazar e Irina logo depois de contar algo que a abalava tanto, eu queria que ela descobrisse logo tudo, mas ainda queria poder a preservar o máximo possível.
— Okay, vamos lá, Matthew, você está indo muito bem! — papai gritou do outro lado da lateral da piscina que estava, eu me mantinha em uma, mantendo Matthew comigo temendo que ele se afogasse naquela parte mais funda, mesmo que usasse boias. — Agora, preciso que solte-se de Edward e nade até mim, vai ser sua grande missão do dia.
Todos os outros estavam espalhados pela piscina, esperando Matthew conseguir atravessar a distância entre eu e seu avô. Anne seria a próxima e, Rose estava lhe enchendo de palavras de incentivo.
— Vamos lá, está pronto? — perguntei a Matt.
Não tinha sido fácil largar Renesmee sozinha na piscina na primeira vez, não estava sendo mais fácil com Matthew. Eu tinha algo dentro de mim que implorava para mantê-los protegidos, ainda que estivesse ali com ele, que todos estivessem prontos para socorrê-lo caso algo desse errado, continuava com medo de que algo acontecesse ao meu filho.
— Estou — ele respondeu, se enchendo de confiança.
Foi impossível não sorrir para ele, Matt já era um Cullen. Nós sempre enfrentávamos qualquer coisa, por mais aterrorizante que fosse.
— Certo, qualquer coisa estarei aqui para ajudá-lo — assegurei, querendo que ele confiasse em mim.
— Você consegue, Matthew! — Bella, parada ao meu lado com Renesmee junto de si, incentivou.
— É fácil — Renesmee fez coro.
— No três — falei para Matthew, o soltando aos poucos, deixando as boias e ele por conta própria o manterem em segurança na superfície da água. — Um, dois e três. — O larguei por fim, vendo Matthew começar a nadar.
Ele ainda parecia um pouco desesperado, mas conseguia se mover. Como eu dava pé naquela parte da piscina, consegui o seguir andando, Jasper estava de um lado e Emmett de outro, todos na piscina batendo palmas de encorajamento para Matthew.
— Você está perto, continue, Matthew! — papai exclamou. — Vamos, siga minha voz.
— Você está arrasando, Matthew! — Bella gritou.
— Ah, que bom que não perdi isso! — Em algum lugar captei a voz de mamãe também.
— Mais um pouco, vamos Matt! — papai e eu gritamos juntos, quando por fim meu filho chegou ao meu pai. — Isso, você é um nadador nato! — Carlisle comemorou, pegando Matthew em seus braços, fazendo um high five com ele.
Meu peito se encheu de orgulho ali, por Matthew ter conseguido e por saber que meu pai estava ali para ver aquilo. Vovô esteve lá quando eu nadei pela primeira vez, pra valer, era bom saber que meu filho ia ter a memória de seu próprio avô participando daquele momento.
— Você é incrível, eu te amo tanto, meu menino! — Bella já tinha cruzado a piscina até a gente, roubando Matt de Carlisle, enchendo o rosto do nosso filho de beijos.
— Anne, é sua vez agora! — Papai se voltou para ela, que estava com Rose ao seu lado. — Edward?
— Certo.
Entendi o que ele queria, cruzando a piscina de volta para o lugar inicial.
— Ele foi muito bem — mamãe, que estava parada perto daquela parte da piscina falou para mim, enquanto Rose e Carlisle conversavam com Anne. Matt continuava com Bella, ela e ele assistindo a gravação que Alice tinha feito dele cruzando a piscina.
— Foi mesmo, né? — Observei o rosto de mamãe, vendo-a com os olhos marejados. — Tudo bem?
— Eu contei para Irina sobre o câncer — sussurrou. — Ela ficou bem abalada.
Tinha mesmo? Ou era apenas mais um joguinho da Denali para parecer ser a boa moça para mamãe?
— Onde ela está? — perguntei.
— Lá dentro, precisou de um minuto para se recompor.
— Papai, por que a Anne não está nadando? — Renesmee que continuava por ali, indagou impaciente, chamando minha atenção.
— O que aconteceu? — indaguei Rosalie.
— Anne não quer nadar — respondeu, com a garotinha agarrada a si.
— Nós podemos tentar mais tarde — papai afagou as costas de Anne.
— Tudo bem, eu já pedi que servissem o almoço, todos devem estar morrendo de fome. Se sequem e rumem para a sala de jantar, por favor — mamãe pediu.
Todos concordaram com ela, deixando a piscina.
— Anne não está reagindo bem ao Matt, ela disse para Rose e eu que não queria nadar, pois ninguém liga mais para ela — papai contou quando nos encontramos do lado de fora. — Renesmee está tendo alguma crise de ciúmes sobre ele?
— Pelo menos não até agora — respondi, pegando uma toalha para me secar. — Ela tem sido muito participativa, na verdade. Esteve uma pilha de nervos ontem, mas estava ansiosa sobre sua peça, mas tirando isso ela não tem se mostrado irritada por Matthew estar por perto e, precisarmos dar um pouco a mais de atenção a ele. Acha que Anne ficará bem? Eu não queria que os dois começassem em uma rixa.
— Ela ficará — papai afirmou. — Eu também não estive muito contente quando Caius nasceu, mas superei. — Ele riu. — Mesmo Matt sendo mais velho, ele é o caçula por ordem de entrada na família, ela está sentindo seu lugar, exclusivo por quatro anos, sendo ameaçado.
— E ainda há os bebês de Tanya, que logo estarão por perto — lembrei.
— Há lugar para todos — papai garantiu. — Ai vem nosso grande nadador! — Sorriu largamente com a aproximação de Matthew, o pegando no colo, Matt não podia estar se importando menos com isso. Também era ótimo saber que ele estava se dando bem, pelo menos com noventa e nove por cento da família.
— Nadar é muito legal — ele comemorou, tentando tirar suas boias só, logo conseguindo a ajuda do avô para isso. — Vamos nadar mais depois?
— Vamos sim — respondi junto com papai. — Nós temos de ir à praia quando o clima esquentar para valer — papai acrescentou. — Talvez uma viagem para o Havaí, quem sabe?
— Desde que não tenha de pescar, ou entrar em um lago tudo bem — reclamei, papai riu. — Mas, podemos nadar com os golfinhos.
— Golfinhos? — Matt perguntou impressionado.
— Sim, há um lugar muito legal para nadar com os golfinhos no Havaí — papai explicou. — Seu pai com certeza irá te levar, não é, Edward?
— Sério mesmo? Eu posso? Por favor! — Matt implorou.
Foi impossível não sorrir a perceber que Matt tinha aceitado a fala de Carlisle sobre eu ser o pai dele, aos poucos aquilo ia sendo mais fácil para ele.
— Claro, você nadará com os golfinhos — papai prometeu. — Iremos para o Havaí assim que possível, você vai adorar. — Colocou Matt no chão, segurando em sua mão, o levando para dentro de casa, para onde os outros já seguiam também.
— O que é Havaí? — Ouvi Matt questionar.
— É um estado do nosso país, ele fica no... — Consegui pegar o começo da explicação, mas logo eles estavam longe demais.
— Papai está nas nuvens com Matthew — Rosalie disse, aparecendo ao meu lado. — Ele finalmente tem um menino entre os netos.
— Ei, tudo bem sobre Anne, né?
Rose sorriu, afagando meu braço.
— Tudo bem, irmão. Ela entrou com Bella, queria a tia mais do que tudo. É normal que ela esteja com ciúmes do primo, é tudo confuso na cabecinha dela, mas acredito que logo tudo voltará ao normal e eles dois irão ser bons amigos.
— Espero que sim...Ai, porra! — gritei quando senti alguém segurar minha orelha com força, Rosalie ao meu lado também gritou.
— Sentem-se! — a voz série de mamãe ordenou, nos soltando.
— Mãe, que merda é essa? — Rosalie reclamou, massageando sua orelha.
— Sentem-se! — mamãe repetiu, apontando para a espreguiçadeira mais próxima.
Contrariados, Rosalie e eu nos sentamos lado a lado. Tive uma porção de flashbacks naquele momento, da época da minha infância — e também adolescência — quando mamãe parava para dar alguma bronca em mim e em Rose.
— Qual o problema de vocês dois com Irina?
— Você precisa perguntar? Ela é uma vadia!
— Rosalie, controle sua língua! — mamãe disse exasperada.
— Mãe, vamos ir almoçar logo. — Tentei me levantar, querendo acabar com aquele assunto, mas ela não permitiu, me empurrando de volta para meu lugar.
— Vocês dois foram bem grosseiros com Irina, não pensem que sou cega e não percebi.
— Não sabe o quão cega é — Rose murmurou, mas mamãe ouviu.
— Do que está falando Rosalie Cullen?
Minha irmã respirou fundo, olhando-me rapidamente, neguei com um aceno de cabeça. Mamãe a nossa frente já parecia abatida, talvez por ter compartilhado a história do câncer com Irina pouco antes, por estar agitada com todos em casa, ou por uma combinação de fatos. Eu tinha a visto passando mal no dia da quimioterapia, não queria ela tão fraca daquele jeito novamente.
— Irina é uma idiota, mamãe, sempre foi — foi tudo que ela disse.
— Rose, meu Deus, você está tão incontrolável hoje. — Mamãe suspirou. — Deixe essa sua competição que tem com Irina desde que eram meninas de lado, vocês são duas mulheres agora, não podem continuar nessa.
Rosalie soltou uma gargalhada irritadiça.
— Competição, mamãe? Não há e nunca teve nenhuma competição entre Irina e eu, posso garantir isso. Ela não está à minha altura para participar de uma competição.
— Vamos ir almoçar logo — implorei, com fome, mas também querendo encerrar aquele assunto.
Mamãe se voltou para mim, nada contente.
— Você também não tem sido nada simpático com Irina, Edward, ela é sua amiga.
— Ela foi minha amiga — a corrigi rapidamente.
— Vocês cresceram juntos, Edward, não pode romper uma amizade de uma vida toda.
— Ele deveria, Irina é uma praga danosa para todos — Rose resmungou.
— Mãe, eu sei que você ama Irina — falei. — Mas, ela e eu não podemos mais ser amigos.
— Por que ela e Isabella se detestam? Eu amo Bella, todos sabem disso, mas você e Irina namoraram tem anos, vocês podem ser maduros o suficiente e passarem por isso e conviverem em paz. Bella precisa entender, que mesmo que Irina tenha sido sua namorada, vocês foram amigos antes.
— Irina ainda se joga para Edward, mãe, como você não enxerga isso? — Rosalie explodiu, segurei em seu braço, tentando a controlar. — Eu estou totalmente com Bella nessa, também ficaria puta da vida se uma vadia estivesse rondando meu marido a cada instante. — Ela fez uma careta no final, provavelmente lembrando-se de Royce.
— Olha, isso não é da minha conta...
— Tudo é da sua conta, mãe, você sempre mete o dedo em tudo — Rosalie reclamou, furiosa.
— Ei, calma ai, Rose — pedi, vendo mamãe murchar ao ouvir aquilo.
— Eu só quero o melhor para essa família, Rosalie. Desculpe-me se estou sempre pensando e fazendo o melhor para todos.
— Colocando Irina debaixo de suas asas? Ela quer Edward mais do que tudo, sempre quis fazer parte dessa família e você sabe disso. Você não pensa na Bella? Como ela se sente mal com Irina rondando Edward a todo instante? — Rosalie se levantou, fazendo com que eu levantasse rapidamente também. — Irina é uma grande falsa, mamãe, você precisa abrir seus olhos para aquela garota.
— Ela é como uma filha para mim! — mamãe gritou. — Eu vi aquela menina nascer, eu a tive tanto em minha casa que quase a criei, ela pode ter seus defeitos, mas eu ainda a amo. Como te amo e amo Edward, mesmo vocês dois sendo cheios de erros também.
— Claro, estava demorando muito isso se voltar para mim. A filha babaca que se casou com o primeiro que disse que a amava, que não ouviu a mãe e foi cega pelo amor. Há quanto tempo está esperando para jogar isso na minha cara, mãe? Desde que voltei para Chicago, ou desde que a traição foi revelada?
— Você está totalmente fora de si, Rosalie — mamãe acusou.
— Sim, que se dane, talvez eu esteja mesmo — Rosalie fungou. — Mas estou apenas pensando em como minha mãe não consegue confiar em mim, quando ela confia cegamente em Irina Denali que é um perfeito Judas traidor. Você ainda reclama que eu tenho mais afinidade com meu pai, talvez seja porque você passou muito tempo brincando de mamãe e filhinha com a cobra.
Dito isso, Rosalie rumou para a casa, sem dizer mais nada, nem parar para ouvir.
— Mãe? — a chamei com cautela, ela encarava seus pés, parecendo muito fraca e vulnerável.
— Odeio isso — ela se queixou. — Odeio como Rose e eu sempre acabamos discutindo por qualquer coisa, faz com que eu me lembre da sua avó e eu discutindo. — Enxugou uma lágrima que rolou por seu rosto. — Ela está certa, sempre foi muito mais próxima de Carlisle do que de mim. E, por mais que fique feliz dos dois se darem tão bem, eu fico muito mal por ela e eu não sermos tão ligadas.
Ela começou a chorar, rapidamente a coloquei em meus braços, querendo a confortar um pouco. Rosalie não tinha contado sobre a chantagem Denali, mas toda a exaltação dela deixou mamãe mal e, mesmo que eu entendesse minha irmã por tanta raiva de Irina, ainda estava chateado com Rose por ter ido tão fora dos limites com mamãe.
— Mãe, Rose te ama, vocês apenas perderam um pouco a cabeça — sussurrei, a acalentando.
— Eu amo Irina, Edward — ela sussurrou em meus braços. — Eu estive com Carmen na sala de parto, fui uma das primeiras pessoas pegando aquela garota no colo. Conheço Irina desde o primeiro momento, me apaixonei por ela. Tão quietinha, olhos claros tão curiosos e os cabelinhos escuros. — Mamãe soluçou em meu peito. — Eu sei, sei que ela não é perfeita, mas não posso deixar de amá-la. Sempre a tive por perto, uma filha com outro sangue. — Ela suspirou, afastando-se para me olhar. — Eu a amo, sei que isso deve machucar Rose, mas eu posso amar vocês três igualmente, juro que posso. Você não se sente assim com Ness e Matt?
Suspirei, assentindo.
— Sim, eu amo os dois na mesma proporção. Mas, mãe... — Engoli em seco. — Irina, ela não é tão doce e boa como você acredita.
Mamãe negou com um aceno de cabeça.
— Ela é sim — teimou.
— Não, mãe não é.
— O que está escondendo? — indagou. — Eu te conheço, sei que está guardando algo para si.
— Nada, mãe, está tudo bem. — Suspirei, limpando as lágrimas de seu rosto.
— Edward, diga! — exigiu.
— Só confia em mim, mãe, por favor — implorei. — Esse era para ser um dos melhores dias das nossas vidas, com Matthew aqui e todos reunidos, vamos tentar manter tudo o mais positivo possível. É realmente importante para mim, mais ainda para Matt, que seja um dia calmo. E, em algumas horas eu terei de levá-lo de volta para o abrigo e isso já está destruindo Bella e eu. E, se você está feliz com Irina aqui, se ela é importante para você, que seja, que ela fique.
— Eu realmente amo Bella, sabe disso, né? Não estou preterindo Irina a ela, mas não posso excluir uma só por conta da outra.
— É, eu sei — concordei. — Bella também sabe e, com toda certeza do mundo também te ama, não duvide disso.
— Vamos almoçar de uma vez, todos devem estar esperando pela gente. — Ela respirou fundo, andando para fora da área da piscina.
Eu a segui em silêncio, minha cabeça fervilhando com o que tinha acabado de acontecer. Mamãe amava tanto Irina que não conseguia enxergar a verdade, ela estava mesmo cega por todo o elo que tinha com a Denali. Ainda que, eu suspeitasse ser um laço de apenas um lado, não conseguia mais acreditar que Irina também o tinha por mamãe.
— Você pode ir chamar por Irina, bebê? — mamãe pediu para mim, quando chegamos ao interior da mansão.
— Mãe...
— Apenas chamar, Edward, nem quero que converse com ela — mamãe disse, rumando para um dos banheiros do primeiro andar. — Só preciso me recompor antes de ir para o almoço, ela está na sala de música.
— Tá, que seja — cedi, indo até lá.
Assim que entrei no corredor da sala de música ouvi o piano sendo tocado, uma melodia pesada. Irina tinha aprendido a tocar piano quase na mesma época que eu, até mesmo quando namoramos eu a ensinei uma música ou outra.
— Hey, você tem de ir para a sala de jantar agora, estão todos lá para almoçar — avisei ao entrar ali, ela parou de tocar, virando-se para me olhar, seu rosto estava amedrontado.
— Tia Esme vai morrer? — perguntou baixinho.
— Ela está se tratando, vai ficar bem.
Irina concordou com um aceno de cabeça, colocando-se de pé.
— Eu não suspeitava de que ela estava doente — murmurou, andando até mim, parecendo menos predadora do que antes.
— É, isso muda algo?
— Sobre?
— Sobre você e seu pai estarem chantageando o meu para conseguirem o que querem? Agora que sabe que mamãe está doente, que ela ficará arrasada quando descobrir a chantagem, você irá voltar atrás?
— Que se dane aquela gerência, Edward. — Irina revirou os olhos. — Isso é algo que papai quer, não dou a mínima para o hotel, eu quero apenas você. — Ela tentou me tocar, mas impedi. — Edward, por favor, não me afaste — implorou, seus olhos se enchendo de lágrimas. — Você me ama, sei que me ama — falou em desespero.
— Eu amo Isabella, Irina, você precisa entender isso de uma vez por todas — falei sério, desejando que ela tivesse um momento de iluminação divina, ou qualquer coisa assim e, finalmente parasse com toda aquela merda.
— Não, ela não te merece — Irina negou. — Nós fomos feitos um para o outro, Edward. Tia Esme adorava nós dois juntos, até mesmo seus avós...
— Eu não dou a mínima para a opinião do casal Masen, Irina. E, minha mãe sabe que eu amo Bella, que ela e eu somos perfeitos um para o outro. Pare, pare de tentar voltar comigo, não vai acontecer nem hoje, nem amanhã, nem nunca mais.
— Edward — Irina choramingou.
— E qualquer vestígio de amizade que ainda podia existir entre nós dois também acabou, Irina, você e eu não podemos mais nem ser amigos.
— Não, Edward, por favor.
Eu não fiquei mais ali, deixando a sala de música. Um dia tinha sido mesmo amigo de Irina e, senti algo por ela o suficiente para tê-la como minha namorada, mas tinha chegado ao fim muito tempo antes e, ela precisava se dar conta disso, seguir sua vida e deixar com que eu seguisse a minha sem ela sendo, como Rosalie tinha dito, uma praga.
Todos, inclusive mamãe, já estavam na mesa quando cheguei à sala de jantar. Meus pais ocupavam as cabeceiras, Rosalie estava sentada ao lado direito dele, com Anne e Lucy em sequência, Emmett junto da minha sobrinha mais velha e Alice, com Jasper fechando aquele lado da mesa.
Do lado esquerdo de papai, uma cadeira vaga, então Bella, Matt, Ness, Nelly e outra cadeira vazia. Eu rumei para o lado da minha esposa, ela ajudava Matthew a se servir, mas me olhou rapidamente, parecendo preocupada.
— Não se preocupe, está tudo bem — garanti em um tom de voz baixo para ela, que não chamou a atenção dos outros entretidos em suas conversas, Bella assentiu, continuando a servir Matt.
Irina logo apareceu ali, calada, tomando seu lugar ao lado vago de mamãe. Rose, que ria com papai e Emmett de qualquer coisa que não ouvi, vacilou por um instante, mexendo-se desconfortavelmente na cadeira.
— Tio Emmett — a chamada de Lucy me surpreendeu e pareceu surpreender ao próprio e Rosalie também. — Você não tem filhos?
— Hum, não — ele respondeu, depois de tomar um gole de água para engolir a garfada que tinha acabado de levar a boca. — Sem filhos.
— Ah, que pena, seria legal ter mais crianças — Lucy reclamou. — Você poderia os trazer aqui para brincarem com Ness, Matt, Anne e eu. Os bebês da tia Tanya ainda são muito pequenos, não podem brincar com a gente.
— Lucy é mesmo neta de Esme, ela ama casa cheia — papai falou sorrindo.
— Tio Jasper? — Lucy se voltou para ele. — Você e Alice vão ter filhos?
Alice se engasgou, ficando rapidamente vermelha. Jasper prontamente deu algumas batidinhas nas costas dela, ajudando sua namorada a se recuperar. Eles tinham voltado, mas os assuntos chaves de sua separação pareciam continuar em suspensão.
— Lucy, pare de questionar os outros, filha — Rosalie pediu.
— Ah, tá, tudo bem. Desculpa — a loirinha se desculpou, ela era tão simples, Renesmee não pararia tão fácil.
O almoço transcorreu calmamente, com todos se jogando em conversas fáceis. Papai, Rosalie, Bella e eu desviávamos de qualquer assunto que fosse ligado ao Grupo Cullen, sem querer trazer os problemas para mesa. E, Irina estava quieta, falando apenas quando mamãe requisitava uma resposta dela.
Quando todos acabaram, rumamos de volta para a área da piscina. Mas, mamãe proibiu todos de nadarem querendo que não tivéssemos congestão. Meu pai se reuniu com as crianças a beira da piscina, menos com Anne — que Rosalie tinha ido colocar para dormir, já que ela sempre dormia aquele horário — e, foi obrigado por Ness a ler Harry Potter, ela tinha enfiado seu Kindle em sua mochila e não perderia a oportunidade de ter uma roda de leitura.
Minha mãe e Nelly estavam conversando, embaixo de um dos grandes guarda Sol ali. E, Irina, deitada em uma espreguiçadeira, diretamente debaixo do Sol, tostando.
Eu estava com Bella, Jazz, Alice e Emmett em uma mesa, nós todos esticando a conversa do almoço. Rosalie logo se reuniu a gente quando voltou do interior da casa, depois de ter colocar a filha na cama.
— Ela ainda tem dormido toda tarde? — Bella perguntou, roubando o sorvete que eu tomava.
— Sim, ela dorme na escola, então fica impossível quebrar a rotina dela, mesmo no fim de semana — Rose respondeu, sentando ao lado de Emmett, a babá eletrônica em suas mãos.
— Ela tem quatro, né? — perguntou a ela.
— Sim — minha irmã confirmou. — Faz cinco no segundo semestre, falando em aniversário, vocês já sabem se estarão com Matthew semana que vem?
— Nosso advogado vai entrar com pedido. — Bella suspirou, olhando para onde Matthew estava. — É horrível pensar que ainda hoje não estaremos mais com ele lá em casa.
Afaguei o rosto dela, ganhando um sorriso triste de Bella.
— E se ele estiver, o que faremos? Uma grande festa? — Alice, sentada no colo de Jasper ao meu lado, perguntou entusiasmada.
— Não! — Bella e eu respondemos juntos, vendo a Brandon nos olhar ultrajada. — Tire sua mente disso, não iremos dar uma grande festa, principalmente tão em cima da hora.
— Credo, vocês são tão estraga prazeres — ela reclamou. — Ei, que tal se...
— Sem festas, Alice — Bella lembrou, devolvendo meu pote de sorvete.
— Credo, Bella, você nem me deixou terminar de falar — Alice protestou. — Eu ia dizer, que tal se nós seis nos reunirmos qualquer dia desses lá no meu apartamento? Tem algum tempo que não cozinho, seria divertido oferecer um jantar.
— É seguro? — Ouvi Emmett perguntar para Rosalie, que riu da pergunta dele.
— Ei, é sim! — Alice exclamou ultrajada, ouvindo a pergunta também. — Eu fiz cursos de culinária. Não cozinho bem, Jasper?
— Cozinha sim — ele respondeu, beijando o ombro dela.
— Jasper! — Bella gritou do meu outro lado, assustando a mim e a todos na mesa.
— Que diabos, Bella? O que foi? — ele perguntou empalidecendo por conta do susto.
— Alice deixou escapar que você tem uma tatuagem — ela acusou, um brilho maldoso surgindo em seus olhos. — Onde e o que? — indagou.
— Espera — pedi confuso. — Jazz tem uma tatuagem? Você tem uma tatuagem? — O encarei, ele gemeu, enterrando o rosto entre as mãos, Alice em cima dele parecia verdadeiramente culpada.
— Que merda, Alice, você tinha de abrir sua boca justamente para Bella? Era um segredo, ele estava muito bem guardado nos últimos anos.
— Desculpe, eu falei sem querer — ela pediu a ele.
— Eu quero explicações sobre essa tatuagem!
— Sim, explique onde está e qual tatuagem você tem para seu namoradinho, Jasper — Bella provocou, ganhando um revirar de olhos meus, ela riu, beijando meu rosto uma vez.
— Até eu estou curiosa — Rosalie falou, olhando para Jasper por cima da mesa que separava nós quatro de Emmett e ela.
— Sim, Rose tem fetiche com tatuagens — Bella disse maliciosamente e ela sequer tinha bebido, nós dois não tínhamos, eu preferia voltar dirigindo para casa e se começasse a beber junto com Alice e Jasper acabaria com toda a bebida da casa. Eu não negava de quem era filho, era um típico descendente de irlandeses.
— Bella, cala a boca! — Rosalie exigiu, corando completamente, Emmett ao lado dela entendeu que aquilo era sobre a tatuagem dele e não pode esconder um sorrisinho presunçoso.
— Você tem? — perguntou a ela, que corou ainda mais.
— Acho que Anne está chorando — ela desconversou, pegando a babá eletrônica.
— Não está não. — Bella tirou o aparelho das mãos de Rose.
— Ei, vocês estão fugindo do que realmente importa! — exclamei. — Jasper, qual a sua tatuagem? — indaguei, ele continuava escondido atrás de suas mãos, com Alice afagando os cabelos dele.
— Não é da sua conta, Edward — resmungou.
— É sim, sou seu melhor amigo, praticamente seu irmão, cara — falei. — Eu preciso saber sobre isso, estou me sentindo muito jogado de lado por nunca ter suspeitado que você tem uma tatuagem.
— É, por que ele provavelmente tatuou a bunda! — Bella cantou do meu lado, fazendo Emmett e Rosalie gargalharem. — Quer dizer, estou supondo que você e Jasper nunca viram a bunda um do outro. Nunca viram, não é mesmo? — perguntou para mim com uma careta.
— Não, Bella, claro que não!
— Ufa! — disse aliviada, trocando um olhar cúmplice com Rosalie. — Agora, Jasper, conte sobre sua tatuagem na bunda.
— Desapareça, Bella. — Ele escondeu ainda mais o rosto.
— E caso não seja na bunda? — Emmett disse, Bella arregalou a boca.
— Não! — ela gritou. — Você fez uma tatuagem lá, Jasper Whitlock?
— Não, é na bunda mesmo — Alice interviu rapidamente.
— Alice! — Jasper chamou a atenção dela, tirando o rosto de trás de suas mãos, ele estava mais corado do que Rosalie esteve antes.
— Conte de uma vez, Jasper! — Bella exigiu. — Ou, eu vou fazer sua vida um inferno, todo dia irei te ligar e mandar mensagens, exigindo que me conte sobre sua tatuagem misteriosa.
— Eu sabia que você ia ser problema, Bella — ele resmungou. — Obrigado pela sua esposa, irritante, amigo — agradeceu a mim.
— Não sou muito seu amigo agora, você me escondeu uma tatuagem sabe-se lá por quanto tempo.
— Onze anos — Alice contou.
— Alice!
— Onze anos? — Bella e eu perguntamos juntos. — Espera, isso foi quase quando Ness nasceu? — ela indagou.
— Bem antes.
— Alice, pare! — Jasper ordenou.
— Jazz, conte de uma vez, ou é capaz deles arrancarem seus shorts para descobrir por conta própria.
— Não, eu não consigo contar — ele choramingou. — Conte você.
— Certo. — Alice respirou fundo. — Aconteceu no meu aniversário em dois mil e seis.
— O mesmo que Isabella e Edward fabricaram Renesmee? — Rose se meteu, Alice assentiu positivamente. — Nossa, que festa animada. — Assobiou.
— Então, depois que vocês dois foram para o apartamento de Edward e Jasper — Alice disse para Bella e eu. — Ele continuou na festa comigo, nós já estávamos bêbados e nos provocando, mas eu não queria ficar com ele, pois ainda o queria como amigo e não queria estragar tudo com sexo. Ai, Jasper inventou uma aposta.
— A segunda pior ideia da minha vida — ele choramingou, Alice sorriu gentilmente para ele.
— Nós apostamos quem bebia uma garrafa em menos tempo. Se eu perdesse, iria dar uma chance para ele, se Jasper perdesse, ele faria uma tatuagem que eu escolhesse. Jazz nem conseguiu terminar a dele, então eu ganhei. Nós deixamos a festa e, fomos para um estúdio de tatuagem que estava quase fechando, eu paguei uns dois mil só para o tatuador nos deixar entrar.
— Qual tatuagem você escolheu? — Bella perguntou, com o olhar maquiavélico persistente ali. Jazz sofreria pelo resto de sua vida nas mãos dela.
— É importante dizer que eu só escolhi tatuar a minha...Bunda, porque eu estava com medo de papai descobrir que eu tinha feito uma tatuagem se a fizesse em um lugar visível — Jasper murmurou. — Essa foi a pior ideia da minha vida.
— Qual a tatuagem? — Bella insistiu.
— Eu escolhi algo significativo. — Alice sufocou uma risada. — Bom, como ele estava querendo me beijar naquela noite, repetindo sem parar beije-me...
Eu não precisei ouvir mais nada, explodindo em uma gargalhada.
— Você tem beije-me escrito na sua bunda!?
— Onze anos que eu perdi essa história? Eu precisava ter ouvido isso antes! — Bella ria também, assim como Emmett e Rosalie.
— Deus, eles nunca mais vão ter qualquer tipo de respeito por mim — Jasper reclamou.
— Do que estão rindo? — Renesmee apareceu ali, visivelmente curiosa, mascando um chiclete.
— Uma história muito engraçada, pequena, eu te contarei quando você tiver idade para ouvi-la — Bella prometeu, eu não duvidava que ela fosse mesmo contar.
— Tá bom — Renesmee concordou. — Pai, o vovô mandou você ir buscar uma cerveja para ele.
— Ah não, você sabe onde fica a geladeira, faça isso por mim, Princesa — pedi, sem querer sair da rodinha naquele momento, ainda rindo de Jasper.
— Eu não, sou menor de idade, só posso tocar em cerveja quando tiver vinte e um — ela disse sabiamente, afastando-se até a espreguiçadeira que Lucy estava, papai e Matthew já tinham retornado para a piscina.
— Isso é ela sendo sua filha! — falei para Bella, ela apenas concordou, também ainda rindo de Jasper. — Vou lá buscar a cerveja.
— Eu também quero.
— Quero uma.
— Eu preciso de vodca para esquecer a tatuagem.
Alice, Rosalie e Jasper pediram juntos.
— Não tenho mão para tudo isso — me queixei, deixando a cadeira que estava sentado.
— Eu te ajudo — Emmett se prontificou.
Bufei, mas aceitei a ajuda, ou teria de colocar tudo em uma bandeja e era péssimo com a divisão de louças naquela cozinha imensa, não sabia onde acharia a peça.
Já que Jasper tinha pedido por vodca, decidi ser simpático com meu amigo que tatuou sua bunda e, fui preparar uma bebida para ele.
— Eu sei que você não me queria por aqui — Emmett começou a falar, enquanto eu preparava a bebida, fazendo com que olhasse para ele. — Mas, obrigado por não ter me colocado para fora, de verdade.
Revirei os olhos, largando a garrafa de vodca sobre a mesa a minha frente.
— Eu não te conheço, Emmett, tudo que sei sobre você é que é um bom sub gerente. Então, se fizer algo que machuque minha irmã, vai estar muito fodido.
— E-Eu — ele gaguejou, encolhendo-se um pouco. Foi muito reconfortante ver que eu podia ameaçá-lo, mesmo o cara sendo maior do que eu.
— Você aparentemente está querendo algo com Rose. — Voltei à bebida de Jasper, espremendo limão no interior do copo. — Mas, lembre-se que ela tem um irmão e que eu irei defendê-la. Além do mais, eu conheço gente da Máfia.
Tá, eu não conhecia, mas ele não precisava saber disso.
— Você conhece? — Emmett perguntou, tossindo para abafar uma risada.
— Tá, não — resmunguei. — Mas, o meu sogro é policial e tem um arsenal, uma ligação e você já era, McCarty.
Okay, era possível que Charlie atirasse primeiro em mim por importuná-lo, mas Emmett também não precisava saber disso.
— Claro, claro — ele concordou, ainda abafando um risinho. — Pode deixar, eu não vou machucar, Rosalie — disse aquilo com seriedade.
— É bom mesmo! — Lhe lancei um olhar mortal, terminando de preparar a bebida de Jazz.
Mandei Emmett pegar as cervejas na geladeira, uma para ele, outras três para Rose, Alice e meu pai. Eu levei a bebida de Jasper e uma das garrafas, deixando as outras com ele.
Emmett logo entregou a garrafa para papai na piscina, seguindo para a mesa onde Bella, Jasper e Alice ainda estavam. Rosalie não estava ali e a encontrei sentada na espreguiçadeira que nossas filhas estavam antes, olhando para um ponto fixo, com um sorrisinho diabólico. Então, segui o olhar dela, localizando as garotas junto de Irina.
Lucy conversa com a Denali, eu não podia escutar, mas minha sobrinha apontava e tocava nas mãos de Irina, que parecia muito empolgada conversando com a garotinha. Renesmee estava atrás da espreguiçadeira de Irina e, eu suspeitava que não tinha sido vista ali.
Enquanto Irina e Lucy continuavam em um papo animado, vi Renesmee tirar algo de sua boca, provavelmente o chiclete que mascava antes e colocar na espreguiçadeira de Irina. Ela saiu correndo dali, dando a volta para não ser vista e pulando na piscina rapidamente.
Lucy logo se afastou de Irina também, acenando e passando por mim, querendo entrar na casa.
— O que vocês fizeram? — indaguei, enquanto via Irina voltar a se recostar na espreguiçadeira, mexendo demais sua cabeça onde o chiclete estava.
— Mamãe disse que se chama retaliação. — Deu de ombros, entrando na casa.
— Edward, minha bebida! — Jasper gritou para mim, o que chamou a atenção de Irina.
Ela se moveu na cadeira e, vi o chiclete ligando seu cabelo à espreguiçadeira.
— O quê? Ah, meu Deus! — ela gritou, provavelmente sentindo aquilo, tocando no chiclete.
Foi muito difícil conter uma risada, Rosalie onde estava não se importou em se conter e vi Renesmee sorrir na piscina. Ela era mesmo uma encrenqueira e, estava me superando.
— Irina, o que foi, meu bem? — mamãe perguntou a ela, tirando os olhos de papai e Matt na piscina.
— Meu cabelo, meu cabelo! — Ela deu um pulo da espreguiçadeira, o chiclete não ficou grudado ali, saindo com ela e continuando em seu cabelo. — Tem chiclete no meu cabelo! — Irina gritou, aquela altura todos ali já olhavam para ela.
Vi Bella lançar um olhar para Renesmee na piscina, então sorrir sorrateiramente.
Mamãe e Nelly foram até Irina para verem o estrago, o chiclete parecia bem grudado ali e, quase na altura de suas orelhas.
— Vai precisar cortar, não tem outro jeito — mamãe disse.
— O quê? Não, tia, não! — Irina negou. — Meu cabelo não, eu não posso cortar, ele é lindo assim.
— Qual é, Irina? — Rose falou, levando algo a sua boca, um chiclete. — Olhe o cabelo de Alice, é lindo mesmo curto. Você ficará linda com um corte Chanel.
— Foi você, sua idiota! — Irina explodiu, apontando para Rosalie. — Você grudou o chiclete em meu cabelo.
— Eu? Claro que não, nem sai daqui — Rose disse ultrajada. — Se quiser eu corto seu cabelo, prometo ser cuidadosa e não arrancar sua orelha.
— Rosalie, pare! — mamãe gritou com ela, levando Irina, que chorava como um bebê, para dentro de casa.
Eu larguei a garrafa de cerveja e a bebida de Jasper na mesa junto com eles, indo até minha irmã rapidamente.
— Você é mais perversa do que eu, Rosalie — murmurei, vendo a caixinha de chicletes junto com o Kindle de Renesmee sobre a mochila dela.
— Eu só queria um pouco de diversão, apenas isso. — Rosalie colocou os óculos de Sol de Renesmee, dando um sorriso triunfante e voltando para a mesa com os outros.
— Princesa? — chamei pela encrenqueira na piscina, ela parou de brincar com Matt e papai, saindo de lá e indo até mim, parecendo apavorada. — Eu sei que foi você — fui direto ao ponto. — E, isso foi bem errado, certo?
— Certo.
— E, você nunca mais fará isso, certo?
— Certo.
— Principalmente na escola, certo?
— Certo — continuou concordando. — Estou de castigo, papai?
Foi minha vez de sorrir.
— Não, você está livre.
Ela abriu um grande sorriso.
— Tia Rosalie disse que Irina merecia, pois ela é cruel — Renesmee explicou. — E, eu não gosto dela.
— Não?
— Não — negou.
Eu ri, a pegando no colo.
— Você é muito encrenqueira, sabia disso?
— É, já ouvi isso antes. Por mim tudo bem.
***
Irina foi embora depois do caso do chiclete, sem se despedir de ninguém mais além de mamãe, pelo que Esme me contou ela iria direto para seu cabeleireiro para que ele desse um jeito na bagunça que tinha ficado seu cabelo. Minha mãe, não estava nada contente, nem com Rosalie, nem com nenhum de nós que não fingimos estarmos realmente preocupados sobre aquilo.
Além do mais, o resto da tarde foi muito mais prazeroso sem Irina por perto irritando todos. Voltamos para a piscina, Bella pode provocar Jasper o quanto pode sobre a tatuagem e aproveitamos o máximo de Matthew.
Até que todos começaram a se dispersar, Rose ofereceu uma carona para Emmett e os dois saíram com Lucy e Anne, pareciam bem mais próximos e eu esperava que ele se lembrasse de cada ameaça minha antes de tentar qualquer coisa. Então, pouco antes de ser a nossa vez de ir embora, Alice e Jasper levaram Ness e Nelly para nosso apartamento, para que a garotinha falante não precisasse passar pelo abrigo.
— Vou sentir sua falta, Matt — Renesmee se queixou enquanto eles se despediam, ela parecia realmente revoltada. — Mamãe, por que o Matt não pode ir com a gente? Ele é meu irmão, irmãos moram juntos quando são crianças!
— Já conversamos sobre isso, pequena — Bella se agachou junto deles. — As pessoas que tomam conta de Matt nos deram permissão de tê-lo em casa só pelo fim de semana, mas o quanto antes ele voltará para o apartamento com a gente.
— Tá, tá bom — Renesmee resmungou. — Não se esquece de mim, Matthew! — exigiu para o irmão mais novo, dando um abraço em Matt tão forte quanto o primeiro de quando se conheceram no dia da visita ao aquário.
— Não vou esquecer — o ouvi dizer, sufocado no abraço da irmã.
— Vamos, ruivinha, hora de ir para casa — Alice chamou por Renesmee suavemente. — Vemos você em breve, Matt. — Acenou para ele.
— Tchau, tia Alice.
Bella, que tinha se colocado de pé, já estava fungando, nós deixamos Jasper sair com as garotas, então nos voltamos para meus pais para nos despedirmos. Papai estava com uma expressão chateada, mamãe chorava baixinho.
Ela pegou Matthew no colo, o abraçando com força e sussurrando algo para ele que não pudemos ouvir. Beijou o rosto dele demoradamente, então o passou para papai, deixando a entrada da casa sem dizer mais nada.
— Vejo você logo mais, Matt. — Sorriu para ele, mas também estava triste. — Foi bom demais te conhecer, garoto. Você é incrível, sabia disso?
— Sou?
— Muito mesmo! — papai exclamou, sorrindo ainda mais para Matthew. — Você precisa ir agora, mas faço as palavras de Ness as minhas, não me esqueça. Garanto que ninguém aqui vai te esquecer também e, logo estará de volta e nós nadaremos mais ainda.
— Você é demais, tio Carlisle! — Matthew o abraçou apertado.
— Eu vou esperar no carro — murmurei para Bella, cedendo aquilo.
Praticamente corri até o Volvo, controlando o máximo possível a vontade de chorar.
Matt e papai falaram um pouco mais, então se despediram. Bella o colocou no seu lugar no banco de trás, juntando-se a mim na frente. O caminho inteiro até o abrigo foi feito no mais profundo e angustiante silêncio, nenhuma palavra seria capaz de abrandar o que estávamos sentindo.
Falando por mim, era a experiência mais difícil da minha vida desde que perdi e enterrei meus avós. Levar Matt para casa na sexta-feira tinha sido assustador, a responsabilidade de um segundo filho e tudo mais, porém, o levar para longe era doloroso, cruel.
A sensação ruim aumentou ainda mais quando chegamos ao abrigo, mantendo o silêncio perturbador, Bella e eu tiramos Matthew do carro. Ela o tinha em seu colo no instante seguinte, o apertando contra si, eu os segui de perto, carregando a mochila de Matt e mantendo uma mão na base das costas de Bella.
Matthew estava sério durante todo o tempo que levamos resolvendo a burocracia necessária para sua...eu nem sabia como definir aquilo. Estávamos o devolvendo? Devolução era para mercadorias, objetos inanimados, meu filho não podia ser devolvido. Ainda assim, nós estávamos tendo de deixá-lo naquele abrigo e iriamos embora.
— Vamos Matthew, você precisa ir jantar agora — Tia, que estava trabalhando no abrigo aquele dia, tentou pegar Matt dos braços de Bella, que o apertou ainda mais contra si.
— Nós podemos falar com ele por um instante, não? — Bella perguntou, sua voz era baixa e rouca, ela devia estar fazendo um esforço sobre humano para não chorar na frente do pessoal do abrigo.
— Claro — Tia concordou. — Claro que sim, senhora Cullen. — Ela se afastou, nos dando privacidade para falarmos com Matthew.
Bella suspirou, o colocando no chão, nós dois nos ajoelhando na frente dele. Logo vi os olhos escuros dele se inundando por lágrimas, ao mesmo tempo em que ele ficava com uma expressão raivosa.
— Vocês não vão voltar, não é?
— O quê? Não, Matt, claro que vamos voltar! — Bella exclamou, horrorizada com a suposição. — Nós prometemos que voltaremos, não se preocupe com isso.
— Papai também prometeu que ia voltar — ele murmurou, as lágrimas começando a rolar por seu rosto.
— Matthew? — o chamei, fazendo com que ele me olhasse. Limpei seu rosto, tentando não acabar chorando ali também. — Nós vamos voltar para vê-lo, filho, pode confiar na gente.
— Não, vocês não vão voltar — ele teimou.
— Oh, Matthew! — Bella voltou a colocá-lo em seus braços, mas Matthew queria se soltar dela.
— Matthew, claro que voltaremos — falei, afagando seus cabelos. — Como nós poderíamos não voltar para ver uma das pessoas que mais amamos no mundo? — Ele me olhou, parecendo ainda desacreditado de nossas promessas.
— Acredite na gente, meu menino — Bella falou, seus olhos também já repletos de lágrimas. — Nós estaremos aqui para te ver assim que permitirem. E, vamos levá-lo para casa o mais rápido possível.
— Vocês estão mentindo — Matthew acusou, soluçando.
— Não, Matthew, não. — Bella encheu o rosto dele de beijos. — Nunca mentiríamos para você.
— Matthew, nós voltaremos — falei em desespero, por mim, mas também por ver os dois daquela forma.
— Senhor Cullen, senhora Cullen. — Tia se aproximou. — Eu realmente preciso levar Matthew agora, é hora da refeição e...
— Tia! — Bella a interrompeu, furiosa.
— Querida, calma — pedi a ela, sabendo que Tia só estava fazendo o trabalho dela. Bella me olhou, parecendo ceder. — Precisamos ir agora, Matthew — voltei a falar com ele. — Mas, não esqueça de que voltaremos, afinal, você ainda tem seu relógio e seu pijama lá em casa, não? — Mesmo confuso com tudo aquilo, entre sua tristeza e raiva, ele assentiu. — Amo você, garoto. — Beijei sua testa, lhe dando um abraço.
— Eu vou voltar — Bella falou, segurando no rosto dele enquanto falava. — Você é meu menino, príncipe, eu sempre voltarei para você. — Ela não pode mais segurar o choro. — Amo você, meu amorzinho. — Tocou no peito de Matthew, sobre o coração dele. — Amo muito você.
Ela o abraçou e beijou também, então permitiu que Tia o levasse para longe da recepção do abrigo. Doeu, ainda mais do que tinha imaginado que doeria quando de fato acontecesse. Era como se estivesse o perdendo de verdade, como se o medo dele se realizasse e nunca mais fossemos nos ver.
— Tire-me daqui, Edward — Bella implorou, ainda ajoelhada ao meu lado no chão.
Rapidamente recobrei o controle do meu corpo, a ajudando a levantar, levando-a imediatamente para fora do abrigo, sem parar para nos despedirmos de ninguém. Abri a porta do carona do Volvo, deixando Bella entrar ali, contornando o carro e assumindo a direção, mas não consegui ligar o carro, não consegui dirigir para longe de Matthew.
O choro de Bella aumentou, ela escondeu o rosto entre suas mãos, enquanto seu corpo tremia. Eu queria consolá-la, mas estava mal como ela.
Não sei quanto tempo ficamos ali, o silêncio de antes embalado pelo choro alto de Isabella, enquanto eu me sentia paralisado, lágrimas rolando por meu rosto. Até que meu celular tocou, o toque especial de casa, que queria dizer que Renesmee, ou Nelly estavam ligando.
Bella também percebeu aquilo, tirando seu rosto de trás das mãos, olhando para o painel do carro. Com o celular conectado ao Volvo, eu atendi a ligação.
— Edward? — Nelly disse com a voz embalada por tristeza.
— Sim, oi Nelly? — falei, tentando soar calmo.
— Ness não está muito bem.
— O que ela tem? — Bella perguntou em desespero.
— Ela não para de chorar, desde que Jasper e Alice foram embora, está chamando por vocês e dizendo que quer Matthew aqui.
— Nós estamos indo — eu disse, ligando o carro por fim, lançando um último olhar para o abrigo onde Matthew estava aquele dia.
— Leve o telefone para ela, Nelly, por favor — Bella pediu, parando de chorar aos poucos.
— Só um instante — Nelly pediu, ouvimos passos, então ela chamar Nessie. — Renesmee, menina, seus pais querem falar com você.
— Mamãe? — Renesmee chamou assim que atendeu ao telefone, como Nelly tinha dito, ela chorava.
— Oi, pequena — Bella falou com ela. — O que está acontecendo?
— Você e o papai estão demorando — Renesmee disse por trás de seu choro baixinho. — E, eu queria muito o Matthew aqui, mamãe.
— Nós também queríamos que ele voltasse para casa com a gente, mas ainda não podemos, Ness — Bella disse, respirando fundo.
— Faremos vocês se verem logo, Princesa — prometi.
— Papai, vocês já estão voltando? — perguntou para mim.
— A caminho, certo?
— Certo.
— Nessie? — Bella a chamou, vi um sorriso tomar conta dela.
— Sim, mamãe?
— Você sabe algo sobre o chiclete no cabelo de Irina?
Ouvi o choro de Renesmee parar.
— Mamãe, eu juro que nunca faço mais isso! — ela se entregou.
Bella sorriu ainda mais.
— Amo você, pequena — foi tudo que ela disse.
— Sem castigos? — Renesmee perguntou surpresa.
— Amo você — Bella repetiu, sem responder a pergunta de Renesmee. — Agora, vá tomar um banho quente, coloque roupas confortáveis e nos espere para jantar, filha.
— Tudo bem — Renesmee concordou rapidamente, sem insistir sobre seu castigo. — Tchau!
— Tchau! — Bella e eu nos despedimos juntos e a ligação foi encerrada. — Então, você está se sentindo vingada? — perguntei rindo, ela ainda mantinha um sorriso cruel no rosto.
— Um pouquinho — ela respondeu, olhando para os anéis em sua mão esquerda. — Eu ficarei ainda mais quando ver o novo corte de cabelo de Irina.
— Talvez ela apareça amanhã — murmurei, olhando para a rua diante de mim antes de me voltar para Bella. — É a reunião com Eleazar.
O sorriso de Bella morreu ao ouvir aquilo, ela estendeu uma mão para mim, tocando em meu rosto.
— Nós ficaremos bem, querido, eu prometo.
Eu sabia que ela estava falando de nós como família, mas também o nós do Grupo Cullen e, me apoiei em sua confiança naquele momento.
***
A segunda-feira começou estressante, Bella e eu acordamos atrasados e precisamos nos separar de Renesmee para chegarmos a tempo ao hotel e ao prédio empresarial. Deixamos Nelly e Félix levarem a garotinha falante para o colégio, seguindo para o trabalho em meu Volvo.
Mas, Chicago tinha amanhecido com um tempo péssimo, nublado e chovendo o que resultou em um trânsito lento que nos atrasou mais. Bella aproveitou que já estava presa ali e, sacou seu notebook e celular da bolsa.
Estava em uma ligação com Emmett, enquanto conferia mais uma porção de coisas no seu computador. Eu a invejava, já que estava preso atrás do volante, precisava e queria trabalhar, aquilo me distrairia da tensão da reunião com Eleazar Denali que aconteceria naquela manhã.
Suspirei de alivio quando coloquei meus pés no andar financeiro aquela manhã, mas a paz logo acabou. Jessica sequer esperou que eu passasse por ela a caminho da minha sala, ela cruzou o andar em disparada, com um telefone em mãos.
— Senhor Cullen, a...
— Só um instante — pedi quando o celular em minha mão tocou e vi o número de Esme ali. — Oi, mãe.
— O que diabos você fez?
— O quê? Do que está falando? — perguntei confuso, ela tinha um tom de voz sério. — Você está bem? Só um instante, senhorita Stanley — pedi novamente a Jessica, que parecia estar tendo um ataque de nervos com o telefone em suas mãos.
— A obra em Boston não foi paga, Edward.
— O quê? — eu gritei, chamando a atenção de várias pessoas para mim. — Como assim? Claro que foi?!
— Não, não foi. Eu acabei de receber uma ligação do Bob, o arquiteto de Boston que pedi que assumisse a obra quando eu me descobri doente e comecei a diminuir o ritmo do meu trabalho. O escritório de arquitetura dele e a construtora responsável deveriam ter recebido uma parcela do pagamento esse fim de semana, eles não receberam absolutamente nada e agora estão cobrando.
— Não, isso está errado, o dinheiro foi transferido — eu falei, indo rapidamente para minha sala, Jessica continuava me seguindo.
— Edward, eu conheço Bob há anos, já trabalhei ao lado dele. Ele é o melhor de Boston e região, foi por isso que repassei a parte que eu estava lidando das reformas para ele, eu sei que Bob não está maluco. Além do mais, a construtora também não recebeu nada.
— Merda! — exclamei, irritado, sem saber o que tinha dado de errado na transferência do pagamento. — Eu vou resolver isso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Sim, rápido! — ela exigiu. — Bob é um conhecido, mas não um amigo, ele está irritado em não ter recebido e meu nome, o seu nome e de todo o Grupo vai ficar manchado se ele se irritar mais. E, nem quero falar sobre a construtora, você não faz ideia de como essa gente poder ser filha da puta.
Ela desligou, sem me dar tempo de falar mais nada.
— Senhor Cullen...
— Senhorita Stanley...
— É a gerente do hotel de Boston, senhor Cullen, é realmente importante — ela me interrompeu depois de se interrompida. — Caroline Hamilton, ela tem algo importante a dizer.
— Tudo bem. — Peguei o telefone da mão dela. — Chame Jasper aqui, agora! — Jessica concordou, deixando minha sala rapidamente. — Senhora Hamilton, Edward Cullen falando — atendi a ligação.
— Senhor Cullen, eu preciso que me ajude, não sei o que fazer aqui — ela disse em desespero. — O pessoal da obra não veio trabalhar e, a tubulação que eles estavam mexendo na semana passada, a do prédio A, está vazando agora.
Respirei fundo, querendo matar alguém naquele momento.
— Vou resolver isso, algo a mais?
— Sim, Dante Cameron, o primeiro ministro do Canadá, irá chegar ao hotel em três horas e eu não posso recebê-lo com a tubulação vazando.
— Eu irei resolver isso, entrarei em contato logo mais. — Desliguei.
Peguei meu celular, querendo fazer uma ligação, mas mamãe estava ligando novamente.
— Eu recebi mias informações, tubulação vazando agora, Edward, o que está acontecendo com Boston?
Eu respirei fundo novamente, querendo que alguém me matasse daquela vez, pelo menos ia ter um pouco de paz.
— Eu acabei de descobrir isso também, não sei lhe responder com precisão — reclamei, ligando meu computador.
— É um hotel, não a porra do Titanic!
— Eu vou resolver isso, Esme! — falei firme, a calando.
— Rápido — ela pediu, soando um pouco mais calma, então desligou.
Jasper entrou na minha sala, com uma expressão nada boa.
— Onde foi parar o dinheiro da obra de Boston, Jasper? — indaguei.
— Em Boston? Eu sei menos do que você como o dinheiro não está lá. — Ele mexia em seu celular. — Revisei os documentos na quinta-feira, logo depois de apresenta-los para você.
— Sim, eu aprovei tudo e o devolvi para você e ai?
— E ai que eu revisei, repassando tudo certo para Garrett que era o responsável pela transferência.
— E onde está esse babaca? — Soquei minha mesa.
— Estou tentando achá-lo, ele ainda não está na empresa. — Levou o celular até a orelha.
— Ligue para Isabella, peça que ela venha aqui agora — ordenei para Jessica, que concordou, pegando o telefone de sua mesa que eu tinha largado na minha, ela deixou a sala discando os números.
— Garrett? — Jasper foi atendido. — Edward e eu precisamos de você na empresa, agora! — Ele desligou. — Caixa postal — falou para mim, retomando a ligação.
Suspirei, olhando para a janela atrás de mim. A chuva em Chicago tinha aumentado consideravelmente, era tudo cinza e sufocante.
— Jasper, Garrett não fugiu com essa merda de dinheiro, não é? — indaguei, voltando-me para ele.
Jasper não confirmou, mas também não negou.
— Edward? — Olhei para a entrada da minha sala, vendo Carlisle ali. — O que está acontecendo em Boston?
Meus ombros caíram, sentia-me estúpido por não ter uma resposta concreta.
— Eu vou resolver — prometi, pelo que pareceu ser a milionésima vez aquela manhã.
— Sim, resolva, é o seu trabalho, não? — Carlisle não estava se dando ao trabalho de soar simpático. — Eleazar estará aqui em uma hora, eu quero você e Isabella lá. — Ele fez menção de sair da sala, porém se interrompeu. — Mas, não apareça se Boston continuar uma bagunça, não preciso de mais problemas à mesa.
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