Nossa Família

47 Capítulo Quarenta e Seis — Fases


Notas iniciais
Voltamos ♥ A explicação de toda essa demora, assim como mais uns avisos está no grupo do Facebook, o link para quem quiser entrar está no meu perfil aqui no Nyah. Queria dizer rapinho que leio todos os comentários, tá? Assim como amo cada um, mas infelizmente não estou conseguindo respondê-los, prometo que aos poucos vou respondendo, não pensem que estou sendo ingrata ou qualquer coisa assim. Sem mais demoras, boa leitura :D

— Capítulo Quarenta e Seis —

— Fases —

Isabella Cullen

Aquilo não poderia estar acontecendo, Laurent descobrindo nosso endereço, nos mandando uma carta de ameaça, falando em tirar Matthew da gente. Não, era um pesadelo enquanto eu estava acordada.

— Vou ligar para o Jenks — Edward falou, ainda com a carta em mãos, após eu declarar meu medo.

Assenti, sabendo muito bem que naquele momento nós precisaríamos mesmo entrar em contato com nosso advogado e nos munir de toda proteção possível para garantir que nada escrito naquela carta se concretizasse. Respirei fundo, tentando me manter calma, não poderia surtar.

— Jenks, oi — Edward falou quando foi atendido. — Isabella e eu precisamos conversar com você, o mais rápido possível. Onde podemos nos encontrar? — Ele esperou a resposta do advogado, seus olhos verdes focados em meu rosto. — Certo, estamos indo para ai agora mesmo. — Desligou o celular, o recolocando no bolso da calça. — Ele está em um bar perto do escritório dele terminando um encontro com outro cliente — falou para mim. — É o tempo que chegamos lá para falarmos com ele.

— Certo, temos que avisar as crianças que vamos sair. — Edward me entregou a carta de volta, minhas mãos ainda tremiam.

— Você acha melhor que eu guarde? — ele me perguntou.

— Sim — confirmei, ele concordou com um aceno de cabeça, colocando a carta dentro do bolso do seu paletó.

Nós seguimos para a sala, onde as crianças estavam com Nelly e os filhotes, sendo que George estava com um dos sapatos de Edward completamente destruído junto de si. Quis rir daquilo, mas estava nervosa demais para bom humor.

— Crianças? — chamei por Renesmee e Matthew, quando ele me olhou eu fiquei ainda mais nervosa.

Laurent queria o tirar de mim, levar meu filho para longe, isso não poderia acontecer de forma nenhuma.

— Nós vamos precisar sair...

— Eba, vamos ao cinema? — Renesmee perguntou entusiasmada.

— Não, pequena — neguei, ela fez uma careta.

— Sua mãe quer dizer que ela e eu teremos de sair — Edward interviu. — Precisamos resolver algo do trabalho — mentiu, Renesmee cruzou os braços na frente do corpo, em seu rosto uma expressão nada contente. Matthew, por outro lado parecia triste com nosso anúncio.

— Vocês prometeram uma noite de filmes — Renesmee reclamou.

— Renesmee, por favor, seja compreensível — Edward exigiu. — Sua mãe e eu temos de sair agora. — Ela se manteve de cara feia. — Nelly? — Edward se voltou para ela. — Você pode ficar com eles e assistir um filme, não?

— Claro, podem sair sossegados — concordou.

— Podemos pelo menos pedir pizza ou isso também está cancelado? — Renesmee indagou com certo tom de deboche em sua voz.

— Ei, garota — chamei sua atenção. — Cuidado como fala conosco. — Ela encolheu seus ombros.

— Foi mal, mãe.

— Vocês podem pedir pizza — liberei. — Só não exagerem.

— Certo, melhor a gente ir agora, Bella. — Edward segurou minha mão, já me fazendo andar em direção à saída do nosso apartamento. — Lancei um último olhar para Matthew antes de seguir meu marido.

Laurent não teria Matthew de volta, ele era meu filho. Continuaria comigo, não importava o quanto eu tivesse de fazer para manter essa condição.

***

O cliente que Jenks atendia estava deixando sua mesa quando Edward e eu chegamos ao bar, nosso percurso até ali tinha sido completamente silencioso e rápido. Eu não sabia o que falar sobre tudo aquilo, enquanto Edward parecia como eu a respeito daquele assunto.

Assim que o cliente se afastou por completo da mesa de Jenks, Edward e eu caminhamos até lá. Eu não perdi as mulheres em uma mesa próxima virarem as cabeças para encararem meu marido, lancei um olhar raivoso para elas, que rapidamente desviaram o olhar.

— Olá, no que posso ajudá-los nessa maravilhosa noite de sexta? — Jenks perguntou após o cumprimentarmos e sentarmos diante dele, ele bebia uma cerveja.

Edward olhou ao redor uma vez, antes de tirar a carta do seu paletó e passar para o advogado. Jenks a leu em silêncio, aquilo não o abalou em nada. Provavelmente por ser um advogado e estar acostumado com diversas ameaças, ou por não ser a família dele sendo ameaçada.

— Quando receberam isso? — Jenks nos perguntou depois de ler.

— Hoje mesmo — respondi. — Estava junto com nossas outras correspondências quando chegamos a nossa casa.

— Certo.

— Não, nada certo, Jenks — Edward afirmou, com irritação. — Como esse cara descobriu nosso endereço?

— Não seria muito difícil, vocês são conhecidos — Jenks falou.

— Ele está preso, não teria como saber sem alguém de fora passar o endereço para ele e como ele saberia que somos nós quem está com Matt? — Edward disse. — Quero que descubra quem repassou o endereço para ele, não importa quanto isso custe, precisamos saber quem está fornecendo informações nossas para esse filho da puta! — Apertei o braço dele, querendo que ele se controlasse.

— Tudo bem, vou entrar com um processo sobre isso e repassar o caso as autoridades, para que estejam cientes das ameaças de Laurent.

— Não há como ele reaver a guarda de Matthew, não? — perguntei. — Ele diz ai que foi forçado a assinar a documentação abrindo a mão da guarda dele.

— Não podemos dizer que foi forçado — Jenks falou, tomando um gole da sua cerveja. — Laurent foi preso, não pela primeira vez, estava morando com Matthew na rua por meses, a justiça não via mais forma alguma de ele deter a guarda do filho. — Edward rosnou baixo ao meu lado ao ouvir Jenks retratar Matt como filho de Laurent. — Quem sabe isso até pudesse mudar se ele passasse pelo tempo da cadeia como o mais exemplar preso da história, enquanto Matthew estivesse sob a tutela da tia, mas ela também abriu a mão da guarda dele. Agora Matthew está sob responsabilidade de vocês, ainda de forma provisória, entretanto não há com o que se preocupar, no período estabelecido pelo juiz ele receberá o sobrenome Cullen e será em definitivo filho de vocês perante a justiça, Laurent nem ninguém poderá o tomá-lo de vocês.

Funguei baixinho, colocando minhas mãos sobre meu rosto. Senti Edward afagar minhas costas delicadamente, em seguida beijou minha cabeça.

— Não se preocupem com Laurent, ele está preso e logo mais terá seu julgamento final, vai ficar preso por mais bons anos e quando sair não poderá fazer nada contra vocês — Jenks continuou a falar. — Apenas foquem em Matthew agora, vocês não podem dar margem nenhuma para que o juiz não finalize o processo de adoção com uma decisão favorável para vocês.

— Ainda assim quero que descubra como Laurent ficou sabendo quem somos e nosso endereço — Edward falou firme, tirei as mãos de meu rosto, podendo ver Jenks novamente.

— Eu irei fazer isso — garantiu. — Irei descobrir quem repassou informações o mais rápido possível.

— Há alguma forma de colocar Laurent em um lugar mais distante? — Edward perguntou em um tom de voz baixo, me deixando confusa. O que ele queria dizer com aquilo?

— Edward? — o chamei, deixando com que ele percebesse minha confusão.

— Eu pago para Laurent ser mandado para bem longe — ele falou para mim e Jenks. — Não importa quanto, ou quem eu terei de subornar, só quero esse homem em uma cadeia bem longe de Chicago, quanto mais longe melhor.

Engoli em seco, pensando sobre aquilo. Ao mesmo tempo em que achava uma boa ideia ter Laurent longe, o pensamento sobre interferir na vida de alguém daquela forma me deixava hesitante.

Foi quando me questionei do que eu realmente era capaz de fazer por minha família... Quer dizer, era fácil estufar o peito e fazer mil promessas e ameaças, só que até onde era capaz de ir para cumpri-las?

— Ou sei lá. — Edward diminui seu tom de voz, apoiando-se na mesa do bar. — Podemos subornar diretamente Laurent para ficar quieto na dele e fazê-lo se esquecer Matthew de uma vez por todas.

— Edward, não — sussurrei, fazendo com que ele voltasse a me olhar. — Não acho que devemos ir por esse caminho.

— Qual caminho? O que estou tentando manter um bandido longe de você e dos nossos filhos? Pois é isso que estou tentando fazer aqui, Isabella — esclareceu, seus olhos verdes fixos em mim. — Laurent está preso, mas conhece gente aqui fora que claramente ainda presta favores a ele pelo o que vimos através dessa carta e aquele maldito conseguindo nosso endereço, pode ter alguém nesse exato momento atrás da gente a mando dele e eu não vou deixar nada acontecer a minha família.

A fala dele me deixou paranoica, olhei ao redor, vendo se alguém no bar estava de olho na gente, só que tudo parecia tranquilo.

— Edward, peço que não tome nenhuma decisão precipitada — Jenks se pronunciou. — Deixe a polícia cuidar de tudo, certo?

Meu marido riu, sem realmente achar aquilo engraçado.

— A polícia nunca é competente, Jenks, enquanto isso alguém pode fazer algo contra minha família.

— Vamos para casa, por favor — implorei.

— Isabella...

— Vamos para casa! — repeti exigindo, fazendo com que Edward se calasse, ele fechou a boca e manteve em seu rosto uma expressão de desagrado.

Levantei rapidamente, já me despedindo de Jenks.

— Por favor, agilize essa investigação — pedi a ele. — Nos ligue a qualquer novidade. — Comecei a andar para longe, ouvi Edward se despedir, mas não parei e o esperei, precisava deixar o interior do bar e respirar um pouco ao ar livre.

Assim que deixei o estabelecimento respirei fundo, logo senti as mãos de Edward em minha cintura, me segurando por trás.

— Me deixe cuidar disso — ele falou em meu ouvido. — Eu posso dar um jeito de fazer Laurent se calar, de impedir ele ou qualquer comparsa desse bandido de fazer qualquer coisa conosco.

— O enchendo de dinheiro? Isso viraria uma bola de neve de chantagem.

— Eu disse, pago quanto for necessário.

— Não, não quero que faça isso. — Tirei suas mãos de mim, voltando a andar, passando pela calçada lotada na frente do bar, cheia de pessoas comemorando o simples fato de ser uma sexta-feira.

Edward logo me alcançou, segurando em minha mão. Nós caminhamos lado a lado em silêncio até o Volvo, chegando ao carro meu marido abriu a porta para mim, deixando com que eu entrasse.

— Eu vou contratar seguranças — Edward proclamou quando entrou no carro. — Um para cada um de vocês. — Ligou o Volvo. — Dois para ficarem junto ao prédio.

Respirei fundo, me sentindo enjoada.

— Você sabe que isso é necessário, Isabella.

— As crianças vão surtar, elas não vão entender.

— Elas vão ter de lidar com isso.

— E como acha que o pessoal da adoção verá isso? — o confrontei. — Matthew precisando andar por ai com um segurança na cola, eu não acho que isso vai parecer uma boa impressão de que ele está seguro com a gente.

— É exatamente pela proteção dele que contratarei o segurança.

— Você entendeu bem o que quis dizer, Edward. Estou falando que eles verão o segurança, assim como verão que nós dois não podemos garantir a segurança do nosso filho por nós mesmos, que ele precisa andar com escolta por ai.

— Não é nossa culpa, é culpa daquele bandido filho da puta. — Edward apertou o volante com força entre seus dedos.

Eu fiquei calada por um tempo, deixando Edward dirigir. Enquanto isso minha cabeça faltava explodir, pensando sobre quem poderia estar repassando informações para Laurent.

— Eu tenho suspeitos — falei depois de refletir.

— O quê? — Edward já estava entrando na garagem do nosso prédio, seguindo para nossa vaga.

Tirei o cinto, me voltando para ele.

— A primeira pessoa em minha mente é a irmã de Laurent — contei, Edward assentiu. — Ela sabe de nós, já que nós fomos até ela, seria fácil ligar os pontos.

— Faz sentido. — Edward tirou seu cinto também. — Quem mais você acha que pode ser um suspeito?

Arqueei uma sobrancelha.

— Quem você acha, Edward?

Ele parou para pensar por menos de trinta segundos.

— Os Denali?

— Exatamente.

— Ok, não estou defendendo eles, mas por que?

— Você acha que eles precisariam de mais motivos? — indaguei. — As duas famílias estão travando uma batalha, Edward. Eles vão tentar nos atacar de todos os lados, Irina então... Ela com certeza vai querer nos atacar, ela e o pai poderiam muito bem ter repassado informações para Laurent.

— Você quer ir até lá? — Ele já estava ligando o carro novamente.

— O quê?

— Ir até a casa dos Denali, para os confrontar.

— Você enlouqueceu? — perguntei, arregalando os olhos, Edward suspirou. — Nem pense em ir até eles. — Virei a chave do carro, o deixando desligar outra vez. — Está me ouvindo? Não seja impulsivo com isso, não cogite ir até os Denali. Também corte a ideia de sair por ai subornando meio mundo, isso poderia afetar nosso processo de adoção.

— Eu só quero que todos fiquem bem — Edward murmurou, foi quando vi as lágrimas em seus olhos. — Não posso permitir que nenhum de vocês se machuquem, querida. — As lágrimas escorreram por seu rosto.

— Edward. — Eu me movi até ele, o abraçando, deixando com que ele me apertasse em seus braços enquanto fazia o mesmo. — Nós vamos ficar bem, querido. — Fiz com que ele me olhasse. — Laurent, Irina, Eleazar, nenhum deles irá nos atingir, ninguém irá nos machucar.

***

Nós ficamos mais alguns minutos no carro, chegamos à conclusão de que não iriamos contratar seguranças, mesmo que Edward estivesse surtando com aquilo. Porém, ele entendeu que toda aquela confusão poderia afetar a adoção.

Entramos em nosso apartamento pela porta da cozinha, Nelly estava lá terminando de arrumar tudo, o resto da casa parecia bem silencioso.

— Onde estão as crianças? — questionei.

— Dormindo, nós pedimos pizza e eles jantaram, mas Renesmee quis ir para cama no meio do filme e Matthew foi atrás. — Nelly olhou para a gente com atenção e preocupação. — O que aconteceu?

— Eu preciso de um banho e de um remédio para dor de cabeça — Edward afirmou, pegando uma garrafinha de água na geladeira. — Bella te conta tudo. — Nelly sorriu gentilmente para ele, nós o deixamos subir.

— Laurent nos mandou uma carta. — Ela arfou. — Nos ameaçando — acrescentei. — Estávamos com o advogado.

— I-Isso... Bella!

— Eu sei, é terrível — falei. — Só espero que fique tudo bem logo, eu convenci Edward a não contratar seguranças, mas me sinto péssima por isso, por mim só deixava as crianças saírem de casa com uma escolta militar.

— Mas, isso não seria bom para a adoção? — Nelly adivinhou.

— Exatamente.

— Vou orar para que tudo fique bem, menina. Nada vai acontecer! — Uniu suas mãos diante seu corpo. — Quer comer algo

— Quero, quero sim — confirmei, faminta.

Nelly me fez companhia enquanto eu comia pizza, então eu brinquei um pouco com os filhotes e por fim subi para o segundo andar. Fui direto para o quarto de Matthew, meu garoto estava dormindo agarrado ao seu pinguim de pelúcia.

Me aproximei de sua cama, passando uma mão delicadamente por seu rosto. Questionei a mim mesma se Laurent o amava de verdade, se ele realmente se importava com o filho, ou só era um idiota.

— Amo você, filho. Eu sempre vou te amar, prometo te proteger de tudo e de todos.

Beijei o topo de sua cabeça, engolindo a vontade de chorar.

Mais questionamentos vieram a minha cabeça, eu pensei na mãe de Matthew. Ela estava morta, sabia disso, mas me perguntei se ela tinha o amado também.

— Não importa, nós somos a família dele agora — sussurrei para mim mesma, com cuidado me colocando de pé.

Laurent e todos os outros do passado de Matthew não importavam mais.

Afaguei o rosto do meu filho mais uma vez, para deixar seu quarto em seguida. Fui até o meu, Edward já estava apagado na cama, o remédio para dor de cabeça o dopando rapidamente.

Eu tomei um banho, me coloquei em roupas confortáveis e fui para a cama. Não consegui dormir, não conseguia parar de pensar em Matthew. Por isso eu sai mais uma vez da cama e do quarto, querendo ir até o dele, mas me impedi quando vi que a luz do quarto de Ness estava ligada.

Paralisei no meio do corredor, me dando conta de que eu não tinha ido até ela quando voltei para casa. Não tinha pensado em checá-la como fazia toda a noite, como eu pude esquecer isso?

Passei direto pela porta do quarto de Matt, indo até o dela. Abri a porta devagar, vendo Renesmee sentada a sua escrivaninha, rabiscando algo em um papel.

— Pequena?

Ela se virou para me olhar, estava séria.

— Por que você está acordada? — questionei, entrando no quarto e fechando a porta atrás de mim.

— Perdi o sono — ela respondeu simplesmente, voltando a atenção ao papel a sua frente.

— O que está fazendo? — Me aproximei dela, vendo que ela desenhava um pinguim.

— Nada demais. — Deu de ombros.

— Quer me contar alguma coisa?

— Não — resmungou.

— Você está com raiva de mim por eu não ter ficado para assistir filmes?

— Não — respondeu, olhando para mim. — Estou com raiva do papai também.

Eu tive de sorrir, Renesmee deu um mínimo sorriso.

— Não me faça rir, estou brava — ela se queixou.

— Tem algo a mais que queira me contar?

Ela respirou fundo, negando com um aceno de cabeça.

— Renesmee, sabe que pode falar tudo para mim, meu amor. — Passei a mão por seus cabelos, vi seus lábios tremerem e ela choramingou. — Ei, pode chorar, meu bem. Estou aqui para tudo.

— É que... — Ela fungou. — Está tudo diferente — falou com a voz trêmula.

— Desde que Matthew chegou? — Renesmee confirmou com um aceno de cabeça.

— Antes eu tinha você e o papai para mim sempre, agora não mais. Fora que vocês parecem muito estressados com o trabalho, isso me irrita!

— Vem cá. — A puxei até sua cama, sentando junto dela ali. — Se lembra quando falamos para você da adoção do Matthew? Nós dissemos que seria normal você se sentir com ciúmes. — Ela suspirou, parecendo se lembrar daquilo. — Não se sinta culpada por isso, pequena, é normal — assegurei. — Seu pai e eu estamos mesmo perdidos no meio disso tudo, há Matthew e o trabalho está uma bagunça, nos desculpe se estamos em falta com você.

— Eu amo o Matthew — ela falou.

— Eu sei, meu amor. — Toquei no rosto dela.

— Mas, eu também não quero ser jogada de lado.

Sorri, segurando seu rosto entre minhas mãos.

— Garota, eu nunca seria capaz de te deixar de lado, você é a menina que mais amo no mundo todinho. — Beijei sua testa, começando a encher seu rostinho de beijos, a fazendo rir. — Tive uma ideia, que tal irmos assistir aqueles filmes agora?

— Sério?

— Sério! — confirmei, a fazendo levantar.

— Vamos chamar o papai e o Matthew?

— Não, será somente nós duas. — Belisquei sua bochecha, fazendo com que ela sorrisse. — Que tal isso, pipoca, chocolates e filmes do Harry Potter?

Ela torceu o nariz.

— Podemos não assistir Harry Potter, estou enjoada.

Graças a Deus!

— O que quer ver?

— Algo mais adulto.

Eu ri.

— Você está crescendo, não?

— Estou.

— Bom, me prometa algo.

— O quê, mãe?

— Promete que você sempre irá se lembrar que eu te amo, mesmo quando for uma adolescente rabugenta.

Ness assentiu, dando um sorriso doce.

— Pode deixar, mamãe. Você nunca vai se esquecer que me ama também, não?

— Nunca, minha princesa. — A abracei e lhe beijei. — Agora vamos ir ver algo mais adulto.

— Game of Thrones?

— Nem pensar.

— Poxa, mãe, assim fica difícil!

***

Renesmee e eu acabamos dormindo no sofá, no meio de La La Land, entre uma canção e outra. Não que o filme fosse chato, mas acabamos chegando à conclusão de que Harry Potter era muito melhor.

Os filhotes foram quem nós acordaram na manhã seguinte, eles queriam sair para passear. Como Edward ainda estava dormindo, Ness e eu trocamos de roupas e saímos para um volta com Fred e George pelo bairro.

Quando voltamos todos estavam acordando e um Edward que mal conseguia se manter de olhos abertos enfiou seu celular em minha mão, aparentemente eu tinha de atender uma ligação. E bom, era Lauren.

— Não ouse furar comigo, Bella! — ela exigiu quando atendi.

— O quê? — me fiz de desentendida, sabia do que ela estava falando, as aulas de boxe que eu tinha cedido participar no dia passado quando nos encontramos no hotel depois de ela virar uma investidora

— O boxe, Bella!

— Não me sinto muito bem — menti, fingindo uma tosse.

— Isabella!

— É sério. — Fingi tossir mais uma vez, Edward me lançou um olhar divertido, enquanto ele estava sentado na beira da nossa cama quase caindo para trás de sono. — Acho que é contagioso e muito mortal, não vou te expor a esse vírus.

— Ai, para de me enrolar — Lauren reclamou. — Vista-se em roupas de malhação e mova sua bunda branca até o Jensen Club, tem uma hora para chegar lá, ou vou até sua casa te raptar. — Desligou na minha cara.

— Mulher irritante — me queixei. — Você sempre escolhe as complicadas, né? — indaguei Edward, que deu um sorriso malicioso.

— Sim, principalmente você.

— Eu? Querido, nós transamos no mesmo dia que nos conhecemos, não fui nada complicada. — Devolvi seu celular.

— Então, você vai lutar boxe?

— Aparentemente — resmunguei.

— Eu adoraria ver isso — Edward falou, me seguindo até o closet. — Vou pedir para Lauren gravar esse momento épico para mim.

— Por que não vai ver ao vivo?

— Amanhã é dia das mães, lembra?

— Claro que lembro, mas é só amanhã, não estou entendendo seu ponto.

— Pois é, mas eu estava enrolado essa semana toda e se você já conseguiu comprar todos os presentes não jogue isso na minha cara. Além do mais, eu tenho de levar Renesmee e Matthew para ir comprar seus presentes.

— Gosto de como isso soa, me compre uma ilha — brinquei.

— Não me dê ideias. — Ele se apoiou na parede do closet. — Vai ser o primeiro dia das mães do Matt com você, quero que seja perfeito, uma ilha soa bem.

— Se você me der uma ilha vai ficar sem sexo.

— Ou podemos voar até a ilha e transar lá.

— Edward, nada de ilha.

— Você me restringe, mulher — se queixou.

— Alguma noticia de Jenks? — perguntei enquanto remexia meu armário, procurando por roupas de ginástica.

— Apenas uma mensagem dizendo que ainda está tratando do processo para descobrir quem repassou informações para... Bom, sabe do que estou falando.

Olhei para Edward, que tinha voltado a ficar sério.

— Saia com as crianças e se divirta, querido.

Ele sorriu.

— Nós vamos, eu te darei um carro novo — falou, se movendo para fora do quarto.

— O quê? Não, Edward, eu prefiro a ilha!

***

O Jensen Club era o ponto de encontro para os milionários de Chicago, o que acabava por me incluir, afinal eu era uma Cullen. Não que eu costumasse frequentar o lugar, não curtia perder meu tempo ali com pessoas tão esnobes, já tinha de lidar com gente daquele tipo no trabalho.

Encontrei com Lauren perto da academia de boxe, ela usava roupas de ginástica como eu, ao redor de seu pescoço tinha luvas de boxe rosas, carregava uma bolsa e uma sacola da loja da academia do clube. Eu inspirei fundo, percebendo que estava mesmo indo lutar boxe, devia ter enlouquecido.

— Chegou bem na hora — Lauren elogiou, erguendo seus óculos de Sol. — Seria terrível ter de ir te sequestrar.

— Muito engraçado — debochei. — Não tenho certeza de que lutar boxe é algo que deva fazer, não quero acabar com meu nariz quebrado, seria desastroso no trabalho.

— Relaxa, ninguém vai quebrar seu nariz — Lauren assegurou, estendendo para a mim a sacola da loja do clube.

— O que é isso?

— Abre! — exclamou animada.

Peguei a sacola, a abrindo e vendo lá dentro luvas de boxe novas, na cor vermelha.

— Pronta para alguns socos? — Lauren ergueu seus punhos, socando o ar.

— Sério, nada de narizes quebrados?

— Prometo — jurou.

— Ai, tá bom, que seja — concordei, deixando com que Lauren me levasse para dentro da academia.

Também seria o primeiro dia dela lutando boxe ali, então nós duas fizemos nosso cadastro e conhecemos nossa treinadora Keira. A mulher tinha quase dois metros de altura, vários músculos e uma expressão de dar medo.

— Como vão as coisas? — perguntei a Lauren, enquanto ela me ajudava a colocar as luvas de boxe.

— Trabalho?

— Não, não isso.

— Ah, você quer dizer a adoção — Lauren disse, concordei com um aceno de cabeça.

— Exatamente.

— Nada decretado ainda, mas continuamos pensando sobre o assunto. Como tem ido com Matthew?

— Bem, de forma geral — respondi, enquanto ela checava se minhas luvas estavam bem posicionadas. — Renesmee apresentou um pouquinho de ciúmes sobre ele ontem, só que não acho que será algo que ela irá nutrir, ela o ama muito.

— Tem algo te preocupando — Lauren falou sabiamente.

— Apenas algumas coisas bobas — menti, mas sem querer contar sobre a carta de Laurent para ela.

— Provavelmente é o trabalho, né? — Lauren começou a colocar suas próprias luvas. — Você e Edward deviam estar uma pilha de nevos com toda essa história de investidores.

— Estávamos — admiti.

— Vou te confessar algo, eu teria aceitado a proposta de Edward logo de cara, só que meu pai nunca suportou os Denali e mesmo que ele não comande mais os negócios achei que devia reportar a situação a ele. Não queria entrar nesse campo de guerra entre Denalis e Cullens sem papai achar que eu devesse fazer isso, para ser franca ainda temo que Eleazar queira uma retaliação por associação.

— Eles não farão nada — garanti.

— É, espero que sim. — Lauren suspirou. — Odiaria que acontecesse qualquer coisa. Papai só concordou que eu aceitasse os investimentos por o Denali no poder ser Eleazar, ele disse se Peter Denali ainda estivesse vivo não me deixaria entrar nesses negócios.

— Seu pai detestava o Peter? Carlisle não o suportava também — falei sobre o pai de Eleazar.

— Não, acho que ninguém gostava daquele homem. — Lauren deu um sorrisinho travesso. — Era um lobo dos negócios, uma raposa velha que só pensava nisso e era bem escroto com os demais.

— Chegou a conhecê-lo?

— Sim, sim. — Ela deu de ombros. — Ele estava por ai andando como se fosse o dono do mundo, era um pouco impossível alguém em Chicago não o conhecer. Você o conheceu?

— Ah não — neguei. — Quando conheci Edward o Peter já tinha morrido.

— Uma morte bem trágica. — Lauren fez uma careta.

— Ei, as mocinhas vão ficar de papo furado o dia inteiro? — Keira gritou conosco. — Está na hora de começarmos o treino!

Eu estava ferrada.

***

Se um dia pensei que Edward era um treinador malvado era porque não conhecia Keira, a mulher era pior do que um soldado, eu estava com medo real dela. Toda vez que era ela dando socos em minhas mãos, no meu treinamento básico, eu tinha pavor de ser acertada por seu punho. E quando era eu socando suas mãos tinha medo de acertar seu rosto e levar um de volta por isso, o soco dela seria capaz de me deixar em coma.

Quando o treino acabou eu me senti aliviada, mas precisava confessar que empolgada. Apesar do medo de acabar com o nariz quebrado, ou pior, em coma, o treino tinha sido legal e eu podia entender aquelas pessoas que falavam que exercícios físicos eram legais. O treino de boxe não era tão destrutivo para mim quando tinha sido malhar, com certeza continuaria com as aulas.

— Ela é um monstro! — guinchei para Lauren, enquanto via Keira lutando com a outra treinadora. — Uau, que soco!

— Imagina se ela é praticante de BDSM — Lauren brincou.

Eu ri, pensando no pobre namorado, ou namorada de Keira.

— Ai, vamos comer algo? Tô faminta — a loira falou.

— Eu também, vamos sim. Ainda vou ter que dar uma passada no hotel hoje, mas dá tempo de ir comer algo.

— Perfeito.

Nós fizemos uma rápida passagem pelo banheiro da academia, depois seguimos até uma das lanchonetes do clube. A natural, pois Lauren insistiu com isso, mesmo que eu quisesse comer algo bem gorduroso.

— Nem todo mundo tem seu bom metabolismo, Bella — ela falou depois de fazermos nossos pedidos a garçonete.

— Desculpa se meu corpo me ama — provoquei.

— Sim, eu não consigo imaginar que depois de ter um filho alguém ainda tem um corpo como o seu — ela falou. — Edward tá passando bem, né?

— Lauren! — Ela riu alto, piscando para mim.

— Isso só pode ser brincadeira! — exclamou, parando de rir abruptamente, segui seu olhar, vendo Irina entrando na lanchonete, na companhia de Kate. As duas conversavam e riam, se eu não soubesse o quão cretina Irina era até poderia fingir que ela era uma boa pessoa naquele momento.

O olhar de Kate se encontrou com o meu, ela parou de rir e de falar, parecendo culpada. Não nos víamos tinha bastante tempo, não éramos exatamente amigas, só que nunca brigamos ou qualquer coisa assim, sempre tivemos um relacionamento tranquilo.

Irina logo me notou ali, também viu Lauren junto de mim. A mulher sorriu e acenou para nós duas, assim como a vi levar uma mão ao colar em seu pescoço, um presente que eu sabia que tinha sido dado por Edward mil anos atrás.

— Podemos ir embora? — indaguei Lauren, me sentindo enjoada ao pensar que poderia ser Irina por trás da história da carta de Laurent, quem tinha fornecido nosso endereço ao homem.

— Claro, você está pálida — Lauren disse, tirando algum dinheiro da sua bolsa e colocando sobre a mesa. — Tem certeza de que está bem?

— Estou sim — respondi, sabendo que estava apenas nervosa. — Só não quero ficar por aqui. — Levantei, sendo seguida por Lauren.

Nós passamos pela mesa onde Kate e sua irmã estavam, a mais velha das Denali falava algo sobre o lugar estar sendo mal frequentado. Eu quis parar e discutir, mas Lauren agarrou meu braço, me forçando a continuar andando.

— Não vale a pena brigar com esse pedaço de merda, Bella — me alertou. — Guarde seus socos para a próxima aula de boxe.

***

Calcei meus sapatos, olhando para Edward diante de mim enquanto ele terminava de calçar seus próprios sapatos. Estávamos nos arrumando para o jantar na casa de Alice, aquele que ela iria usar para contar para Jasper que estava grávida, assim como pedir seu namorado em casamento.

Como eu sabia que seria um jantar importante para Alice, que ela estava sob pressão com tudo aquilo, por ter passado mal no outro dia e ainda ter seu pai hospedado na casa dela, eu preferi manter as crianças fora da comemoração. Eles ficariam em casa com Nelly, como já tinham sido alertados disso antes não reclamaram, na verdade, Matt e Ness estavam empolgados para jogar um novo jogo de vídeo game que tinham comprado com Edward aquela tarde.

Eles tinham realmente feito compras, o escritório de Edward estava abarrotado de presentes para o dia das mães no dia seguinte. Eu também tinha comprado vários para todas as mães da família, assim como já enviado os da minha mãe, então nossa casa parecia a do Papai Noel, cheia de caixas de presentes.

Assim que terminamos de nos arrumar nos despedimos de todos e fomos para o táxi que já nos esperava, Edward e eu queríamos beber aquele dia, o que nos mantinha longe do volante. Chegamos logo ao prédio de Alice, que abriu a porta para a gente com uma cara nada boa.

— O que foi? — fui logo perguntando, afagando sua barriga.

Quem ainda não sabia da gravidez não seria possível dizer que ela estava grávida, mas como eu já sabia não perderia a oportunidade de demonstrar meu carinho por aquele bebezinho que já amava. Eu mal via a hora de ter meu afilhado nos braços — afinal seria a madrinha —, para enchê-lo de beijos e mimos.

— Peter não me deixou cozinhar — Alice se queixou, deixando com que entrássemos no apartamento. — Ele disse que não posso fazer esforço, que tenho que me cuidar e blábláblá.

— Acho que ele está certo — Edward se pronunciou. — Pelo menos por mais alguns dias, não esquece que você passou mal, Alice. — Ela revirou os olhos.

— Eu já estou bem, o bebê e eu estamos — assegurou. — Só queria ter feito o jantar, é uma noite especial e iria fazer o prato favorito de Jasper.

— Pizza? — Edward arqueou uma sobrancelha.

— Esse não é o prato favorito dele — Alice afirmou.

— Olha, eu acho que é sim — meu marido falou. — Que fique claro que eu conheço Jasper há mais tempo, posso afirmar do que ele mais gosta, que é pizza.

— Não, não é! — Alice teimou. — O prato favorito dele é Bouillabaisse.

— Sopa de peixe não ganha de pizza, Alice. — Edward piscou para ela.

— Vocês vão mesmo discutir isso? — indaguei.

— Vamos! — responderam juntos.

— Eu mereço vocês, viu? — protestei, continuando a entrar no apartamento de Alice, seguindo até a sala de estar, Peter estava sentado ao sofá, falando ao celular e tomando uma taça de vinho.

Acenei para ele, indo pegar vinho para Edward e para mim também. Quando voltei para sala Peter tinha desligado o celular, assim como meu marido e minha melhor amiga estavam lá. Peter e Edward já falavam sobre negócios, o que eu sabia que seria normal, afinal agora eles estavam ligados pelos investimentos do Brandon sobre o Grupo Cullen.

— Preciso começar a entender essas coisas — Alice falou para mim quando sentei ao seu lado, após entregar a bebida de Edward. — A trocar fraldas também. — Tocou em sua barriga.

— Você vai se sair bem. Está muito nervosa?

— Uma pilha de nervos! — afirmou. — Também puta por ter que servir comida de restaurante que Peter pediu. — Ela encarou o pai do outro lado da sala, mas não perdi o pequeno sorriso que lançou a ele, Alice esteve a semana toda reclamando de Peter em sua cola, só que acreditava que aqueles dias estavam sendo bons para estreitar laços entre os dois. — E se Jasper não aceitar o pedido?

— Ele vai, fica tranquila. — Afaguei seu braço. — Ele quer casar, agora você está superando... Tudo e quer também, estão na mesma página — assegurei, ela assentiu, mas ainda parecia tensa.

— E você? Tudo bem?

— Tudo maravilhoso — respondi, sendo obrigada a mentir, não queria preocupar Alice com a história de Laurent, ela não precisava de mais estresse durante sua gestação, queria que aquele momento fosse o mais perfeito de todos para minha melhor amiga. Eu também não tinha contado para Edward que topei com Irina mais cedo aquele dia, não precisava que ele se estressasse por tabela.

Ouvimos a porta da frente ser aberta, o que queria dizer que Jasper estava chegando. O loiro estava todo sorridente, só que seu sorriso morreu ao chegar à sala e ver todos nós ali, Alice não tinha contado nada para ele, que chegou de viagem naquela tarde.

— Olá — Jasper falou hesitante, seus olhos se prendendo em Peter. — E-Eu...

— Senti tanto sua falta! — Alice soltou um gritinho entusiasmado, indo até Jasper e o beijando.

— Eu também, eu também. — Ele voltou a sorrir para ela. — Hum, Peter, realmente não esperava te ver por aqui — disse quando se soltou de Alice, mas os dois ficaram de mãos dadas.

— Olá, Jasper. — Peter se levantou do sofá, indo até seu genro o cumprimentar com um aperto de mão.

— Fiquei sabendo sobre os investimentos que fez no Grupo Cullen, mas pensei que já estaria longe de Chicago — Jasper falou, pelo seu tom de voz sabia que ele estava com medo de como Alice estava reagindo com o pai por perto, ao mesmo tempo em que assumia uma pose protetora sobre ela.

— Irei amanhã de manhã — Peter disse.

— Peter me fez companhia durante esses dias — Alice falou, olhando e sorrindo novamente para Peter, que retribuiu o sorriso.

— Uau, eu queria ter ficado por dentro dessa novidade — Jasper se pronunciou, ainda confuso e um soando um pouco traído.

— Conversamos melhor sobre isso depois, Jazz, certo? — Alice pediu.

— Certo — ele concordou. — Bella, Edward, também não sabia que estariam aqui.

— É, vai ter de esperar mais um pouco para ter sexo de reencontro com Alice — Edward brincou, arregalando os olhos quando percebeu que tinha dito aquilo na frente de Peter. — Quero dizer, foi mal ai, Peter.

Eu ri, indo me sentar junto do meu marido.

— Jasper, resolva esse grande enigma do universo, qual sua comida favorita? — indaguei, sem hesitar o texano respondeu:

— É pizza, claro.

— Eu falei! — Edward comemorou.

— Jasper! — Alice chamou a atenção dele. — Você disse que era Bouillabaisse!

— Eu disse? — ele se fez de desentendido.

— Disse. — Alice rolou os olhos. — Que seja, vou buscar algo. — Ela saiu até o corredor que levava ao seu quarto, Peter sentou do meu outro lado.

— Então, o que estou perdendo? — Jasper nos perguntou desconfiado.

— Nada demais. — Dei de ombros, mentindo descaradamente.

Alice voltou para a sala segurando uma caixa de presentes em mãos, ela estava novamente uma pilha de nervos, Jasper a olhou com mais desconfiança. Minha amiga parou diante dele, colocando a caixa em suas mãos.

— Abra — ela sussurrou.

— É uma poção de Bouillabaisse? — Jasper brincou, desamarrando o laço da caixa de presente.

Alice não disse nada, nem qualquer outra pessoa naquela sala. Eu sabia o que ela tinha guardado na caixa, Alice tinha me pedido opinião sobre tudo, por isso não precisei olhar para saber o que Jasper estava vendo. Os cinco testes de farmácia que comprovavam que ela estava grávida, assim como um conjuntinho de roupas, com sapatos, de bebês na cor branca.

— Ali-Alice — Jasper gaguejou, por sua expressão ainda não conseguia acreditar na surpresa, erguendo seu olhar, mas Alice já estava ajoelhada diante dele, segurando duas alianças em mãos.

— Nós vamos ter um bebê, Jasper — ela anunciou. — Mas, não é somente por isso que quero me casar com você, eu quero ser sua esposa por te amar. Acho que parte de mim te ama desde que nos conhecemos naquele Halloween, eu passei anos fugindo de você, temendo me entregar e sofrer, mas agora sei que posso ser feliz ao seu lado, que podemos ser incríveis juntos, sem medo de nada, pois você me ama muito também e cuida tão bem de mim e é o melhor cara do mundo, mesmo quando não mereço. Por isso, Jasper Whitlock, você aceita se casar comigo? Caso diga não, tudo bem, nós podemos não ser uma família tradicional e criar o bebê muito bem mesmo assim.

Jasper continuou calado, olhando para Alice, ainda perdido em seus pensamentos.

— Cara, não se diz não a uma garota ajoelhada a sua frente — Edward provocou, eu dei uma cotovelada em suas costelas, notando o olhar irritado de Peter.

Jasper riu.

— Se eu aceitar isso quer dizer que nosso caso estará acabado para sempre? — ele perguntou para Edward.

— O quê? — Peter não entendeu aquilo.

— É só uma brincadeira — esclareci.

— Podemos continuar como amantes — Edward respondeu para Jasper, deixando seu amigo voltar sua atenção para Alice.

— Você não está mesmo pensando em dizer não, né? — ela questionou. — Ou eu vou jogar a comida que Peter comprou na sua cara.

Jasper riu novamente, ele parecia deslumbrado, ajoelhando-se no chão junto de Alice, colocando a caixa ao lado deles. O loiro segurou no rosto dela, olhando diretamente para os olhos de Alice.

— Eu não seria louco de dizer não, Alice — falou. — Espero por esse momento há anos. — Tirou as alianças das mãos dela, colocando a sua e a dela no dedo de uma emocionada Alice. — Eu aceito me casar com você, nós teremos um bebê e seremos uma família.

— Porra, nós vamos ter uma família! — Alice agarrou Jasper, o beijando.

***

A casa dos meus sogros estava cheia naquela manhã de domingo, no dia das mães. Além deles, obviamente, estavam os tios de Edward, meu marido, meus filhos, minha sobrinha, minha cunhada, Nelly, Alice, Jasper, como Tanya com Santiago e os gêmeos.

Depois do almoço nós abrimos os presentes, todas as mulheres na casa ganharam presentes, inclusive Nelly que era como uma mãe para meus filhos. Por sorte, Edward não tinha me comprado nada exagerado, nem permitido as crianças comprarem, ganhei roupas, algumas joias e livros, estava perfeito para mim.

— Aqui, segure esse. — Esme passou o bebê Caius para mim quando retornei a sala de estar, onde Tanya estava amamentando o bebê Carlisle. Os outros estavam espalhados pela mansão, alguns na sala de jogos, outros na piscina, meu sogro, o irmão e sua cunhada estavam jogando cartas com Nelly na cozinha.

— Oi, seu lindo! — falei com Caius com a voz afetada que todos usavam com os bebês, o embalando em meus braços. Ele era tão pequeno, quentinho e cheiroso, eu queria o apertar contra mim e nunca mais soltar.

Me lembrei de Ness quando bebê, como ela era a coisinha mais fofa do universo.

— Você é uma guerreira, Tanya — Esme falou para a sobrinha. — Eu não acho que daria conta de dois de uma só vez.

Tanya deu um sorriso preguiçoso para a tia.

— Eu não dou conta, tia. Pra falar a verdade, choro em quase todo banho pensando que não estou fazendo o suficiente.

— Ah, hormônios, não sinto falta deles. — Sentei ao lado de Esme, sem querer cansar por ficar em pé com o bebê fofo em meu colo.

— Acredite, você está fazendo o suficiente — Esme falou, passando uma mão por seus cabelos... Ou eu deveria dizer peruca? Eu a conhecia há tanto tempo que a primeira vez que vi depois de raspar seus cabelos podia afirmar que aqueles não eram seus cabelos reais, ou era apenas o fato da minha mente já saber aquilo. Enfim, era uma boa e cara peruca, seria difícil para os outros perceberem.

Ainda não tinha a visto sem a peruca pessoalmente, ela não quis mostrar sua careca, eu entendi, não era algo simples. Como eu sabia que o dia das mães não estava sendo algo fácil para ela, uma vez que ela sequer tinha falado com sua própria mãe aquele dia. Eu tinha entrado em contato com Renée mais cedo, pedindo desculpas por não estar com ela em mais um dia das mães, mas ao menos Bree tinha viajado até lá para estar com ela.

— Eu os amo tanto — Tanya falou, olhando de Carlisle para Caius. — Nunca pensei que seria capaz de amar tanto assim alguém.

Sorri, entendendo exatamente o que ela queria dizer com aquilo. Eu amava meus filhos mais do que tudo nesse mundo, eles eram minha vida.

— Ah, te amo mesmo com esse cheirinho, Carlisle — Tanya se queixou ao sentir o pum que ele soltou.

Esme riu, checando a fralda do bebê.

— Está premiada, Tanya. Vamos subir e trocá-lo.

— Claro — Tanya concordou, se levantando com a ajuda da tia. — Bella, você pode ficar com o Caius?

— Com certeza, não pretendo o devolver tão cedo — brinquei, a fazendo rir.

— Se você trocar todas as fraldas eu te levo para casa comigo — falou, seguindo para o segundo andar com Esme.

Eu ainda estava sozinha com Caius, o observando dormir tranquilamente nos meus braços, quando Matthew entrou na sala. Sabia que antes ele estava na sala de jogos com o pai e Lucy, assim como Jasper.

— Oi, pequeno — falei com ele, que olhava com curiosidade para Caius.

— Ele só dorme — Matthew proclamou, sentando-se do meu lado.

— Ele é um bebê, está muito novinho ainda, os bebês precisam mesmo dormir muito — expliquei.

— Eu também dormia muito quando era bebê? — Matthew me indagou, olhando para mim atentamente.

Minha garganta fechou ao ouvir a pergunta, certamente não estava esperando por ela. Eu não estive com Matthew quando ele era um bebê, não sabia como meu filho tinha sido em seus primeiros anos de vida.

— Sim — respondi, preferindo seguir a lógica, tentando me manter tranquila ao lhe responder. — Todos os bebês precisam dormir muito, como falei. — Afaguei seu rostinho, ele sorriu para mim.

— Tia Bella. — Eu segurei um som de tristeza ao ouvi-lo me chamar daquele jeito.

Matthew ainda me chamava de tia vez ou outra, como mais cedo aquele dia quando me desejou feliz dia das mães me chamando de tia. Tinha quebrado um pouco meu clima, só que eu ignorei aquilo quando ele começou a explicar meu presente, que era um colar com um pingente de um menino e uma menina, ele tinha escolhido pensando nele e na irmã, eu não tinha como ficar mais encantada com a escolha. O colar estava em meu pescoço desde então, pretendia nunca mais tirá-lo, só quando fosse para acrescentar o pingente do meu terceiro filho, ou filha.

— Sim?

— Você vai ser minha mãe para sempre, né? — Matthew perguntou hesitante. — Tipo, mesmo quando eu for mais velho?

— Matthew, sim! — exclamei na hora, contendo meu tom de voz para não acordar o bebê. — Eu sempre serei sua mãe, meu amor. Mesmo quando for mais velho, entendido? Mães são mães para sempre, saiba disso.

Matthew franziu o cenho.

— E a mãe que me teve?

Ah, merda!

— Matthew...

— Matt, Matt, Matt! — Lucy entrou correndo na sala, gritando, o que fez Caius acordar, passando a chorar alto em meu colo. — Vem jogar, tá na nossa vez.

— Eba! — Matthew comemorou, correndo para longe de mim e seguindo com a prima.

— Bela hora para chorar, Caius — falei para o bebê, tentando acalmá-lo. — Acho que estou agradecida por isso, não sabia como responder aquela pergunta.

***

Eu já estava dormindo aquela noite quando acordei com Edward se levantando, então escutei as batidas da porta. Meu marido me entregou minhas roupas, uma vez que eu tinha dormido nua após nosso sexo, e vestiu as suas.

— Ness ou Matt? — perguntei, saindo da cama.

— Não faço ideia — Edward murmurou, ainda meio dormindo, voltando a deitar.

Fui até a porta, a abrindo e encontrando Matthew. Ele estava com seu pinguim em mãos, parecia sonolento como o pai.

— Mamãe, eu posso dormir aqui?

— Pode — respondi, mas ainda sem entender ele pedindo por aquilo. — Claro que pode, vem, príncipe. — Segurei sua mão livre, o levando até a cama.

— Ei, Matt. — Edward também não entendeu o fato dele estar ali. — Tudo bem?

— Sim, só quero dormir com a mamãe — respondeu, me abraçando quando deitei na cama, depois de o colocar entre Edward e eu.

— Certo. — Edward arqueou uma sobrancelha para mim.

Mesmo exausta e com muito sono, minha mente me ajudou a entender o que estava acontecendo. Era um dos sinais da regressão, uma das fases da adoção tardia, nós estávamos deixando a fase do encantamento onde tudo era lindo e perfeito.

— Amo você, filho — falei para Matthew, que se agarrou mais a mim. — Está tudo bem, mamãe está aqui, meu amor.

Eu o deixei dormir primeiro, o que não demorou muito, para falar com Edward.

— Regressão.

— Ah! — Edward exclamou, ele também tinha lido sobre e nós ouvimos sobre aquilo na palestra que fomos, meu marido sabia a respeito do assunto.

Nós estávamos entrando na zona onde Matthew poderia apresentar atitudes de bebês, ou mais abaixo de sua real idade, o que me apavorava um pouco.

— Mais uma fase, querido.

Edward assentiu, abraçando a mim e a Matthew.

***

Eu estava cheia de trabalho na segunda-feira, principalmente por Emmett estar de folga, já que ele tinha trabalhado por todo o domingo de dia das mães. E, com a proximidade da vinda do presidente, tudo estava a mil por hora, em semanas ele estaria em Chicago junto com sua família.

— E eu quero que... — falava com uma das gerentes, estávamos no lobby do hotel, quando senti alguém cutucar minhas costas, fazendo com que eu calasse a boca. — Pois não? — me virei para a pessoa, praticamente dando um grito ao ser pega de surpresa, bem ali na minha frente estava Zafrina, a tia de Matthew.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 06.05.18