Nossa Família

45 Capítulo Quarenta e Quatro — Reunião


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Bruna Diniz que recomendou a fic, muito obrigada, linda ♥ Boa leitura! :D

— Capítulo Quarenta e Quatro —

— Reunião —

Edward Cullen

Mãe.

Matthew tinha chamado Isabella de mãe.

Mãe.

Olhei para minha esposa, que estava com o olhar emocionado focado no lugar que Matt esteve antes no momento que a chamou de mãe. Eu não sabia o que dizer, provavelmente Isabella também não, pois a primeira pessoa a se pronunciar foi Renesmee.

— Ele te chamou de mãe! — Renesmee exclamou, também surpresa, se voltando para Bella.

— É — Bella disse, sua voz cheia de emoção, seu olhar se encontrou rapidamente com o meu e ela pigarreou. — Ele chamou sim — falou, com a voz mais contida. — Vamos terminar de arrumar seu cabelo, pequena. — Voltou a trançar os cabelos de Ness.

Fiquei a olhando por um tempo, sentindo como ela estava hesitante. Até que por fim acabou de arrumar os cabelos de Renesmee, que saiu do nosso closet, e consecutivamente do nosso quarto, falando que iria descer para tomar café.

— Por que você não está comemorando? — indaguei Bella, que voltou o olhar para mim, ela parecia apreensiva. — Comemorando Matt estar te chamando de mãe.

Bella respirou fundo.

— Não quero ser insensível — sussurrou.

— Insensível?

— É. — Engoliu em seco. — Não quero comemorar ele ter me chamado de mãe, uma vez que ele não te chamou de pai ainda. — Cruzou os braços na frente do corpo.

— Querida. — Me aproximei dela, tomando seu rosto em minhas mãos. — Não quero que você se prive de comemorar por mim, muito pelo contrário, quero comemorar ao seu lado. Matthew chamou você de mãe e isso é um passo a mais na nossa relação com ele, realmente não sei quanto tempo levará até ele me chamar de pai, eu nem mesmo sei se um dia ele me chamará assim, mas o importante é que Matt sabe que você é a mãe dele e eu acho que no fundo também sabe que sou o pai.

Bella tirou minhas mãos de seu rosto, apenas para poder me abraçar apertado. Eu a envolvi em meus braços, beijando o topo da sua cabeça.

— Ele me chamou de mãe — ela comemorou, esticando-se para me beijar.

Sorri em seus lábios, enquanto afagava o rosto dela durante o beijo.

— Ok, certo! — Ela se afastou bruscamente de mim, limpando o canto dos olhos. — Adoraria passar o resto da manhã comemorando esse momento maravilhoso, mas precisamos agilizar ou iremos nos atrasar para o trabalho.

— Não quer mesmo comemorar? Me dê alguns minutos. — Pisquei para ela, que riu, dando um tapa em meu braço.

— Nada de sexo matinal hoje, senhor Cullen. Você já teve o suficiente ontem.

— Droga — reclamei. — Vou descer para comer, não demore muito.

— Não vou! — ela exclamou, continuando a se arrumar.

Peguei minhas coisas no quarto e desci pela escada da cozinha, as crianças já estavam lá comendo com Nelly. Fred e George também estavam por ali, o primeiro pedindo comida para Renesmee e o segundo obviamente dormindo perto da sua vasilha de ração.

— Eu acho que esse cachorro tem narcolepsia — Nelly falou para mim, me passando uma xícara de café. — Ele simplesmente dorme do nada, é meio assustador.

— Por que você não pergunta para seu namorado? O Dr. Stuart — provoquei.

Nelly revirou os olhos, Matt riu.

— Tia Nelly tem um namorado! — Renesmee cantarolou.

— Eu não tenho.

— Tia Nelly tem um namorado! — Foi a vez de Matt cantar.

— Viu o que você fez? — Nelly me lançou um olhar severo, mas estava sorrindo.

— Não fiz nada. — Dei de ombros. — Só acho que, tia Nelly tem um namorado! — cantei junto com as crianças.

— O que está acontecendo aqui? — Bella chegou à cozinha.

— Tia Nelly está namorando! — Matthew, Renesmee e eu falamos juntos, fazendo Bella rir.

— Não entre nessa, menina! — Nelly ordenou para Bella.

— Não falei nada — minha esposa se defendeu, sentando junto a todos à mesa.

Continuei em pé, tomando meu café e observando a família toda junta. Aquilo era muito bom, ter todos reunidos. Minha semana tinha começado de forma estressante com a votação do conselho, meu surto seguido do meu pedido de demissão e o modo que agi depois disso, fugindo por um dia inteiro, bebendo e até mesmo gritando com Renesmee.

Por sorte eu tinha uma esposa maravilhosa, sempre pronta a me colocar no lugar e me fazer quão estúpido eu podia ser quando queria. Porra, ela era mesmo incrível.

Parei perto de Bella, lhe dando um beijo na bochecha, o que pareceu a pegar de surpresa. Não falei nada, apenas beijei seu rosto novamente e afaguei seu braço.

— Edward, quando a gente pode jogar basquete? — Matthew me questionou, fazendo com que eu o olhasse, ele estava com uma torrada em cada mão, cheias de pasta de amendoim.

— Não sou muito bom em basquete — confidenciei. — Acho que você terá de me ensinar a jogar — declarei, ele assentiu.

— Ensino sim, sou muito bom no basquete — se gabou.

— Vamos jogar no domingo então — acertei. — Que tal irmos passar o dia na casa dos avós de vocês?

— Podemos nadar? — Matt indagou.

— Podemos.

— Podemos levar o Fred e o George? — Renesmee quis saber.

— Melhor não, princesa — neguei. — Não queremos que sua vó fique puta porque eles vão fazer bagunça.

— Um dólar para o pote, papai! — Renesmee disse entusiasmada.

— Pequena mercenária — resmunguei, tirando a carteira do meu bolso e indo colocar o dinheiro no bendito pote. Voltei para perto da mesa e me sentei para comer, precisando repor energias depois do sexo no carro noite passada e de ter malhado aquele dia.

— Mãe, posso comer mais torrada? — Matt falou quando acabou as duas em sua mão.

Bella, que estava distraída comendo, imediatamente o olhou, dando um sorriso. Ela não disse nada, passando mais pasta de amendoim em uma, a entregando para Matthew.

— Aqui, filho.

— Obrigado! — ele agradeceu, voltando a comer rapidamente.

Meu olhar se encontrou com Nelly, que estava surpresa com a forma que Matthew chamou Bella. Sorri para ela, assentindo, confirmando que era aquilo mesmo que ela tinha ouvido.

Senti um beijo em meu rosto, virei para o lado e vi Bella sorridente para mim. A vida podia estar uma confusão, mas eu sabia que com minha família por perto tudo ficaria bem.

***

Foi um dia relativamente tranquilo no trabalho, eu estava me preparando para a reunião com Lauren na manhã seguinte e cuidando de outros assuntos. Caius me informou que o contrato com os Denali seria encerrado na sexta-feira, então eu estava lidando com algumas coisas sobre isso também e com as contas de Boston.

No almoço Bella e eu nos reunimos com minha mãe, no restaurante do hotel, para que Esme nos mostrasse algumas ideias que tinha tido para o quarto de Matt, ela as apresentaria para ele no fim de semana para que o garoto também pudesse opinar. Minha esposa voltou a tocar no assunto de nos mudarmos, recebendo o apoio da minha mãe e eu estava quase cedendo, mas ainda precisava amadurecer a ideia.

— Você me chamou? — Jasper entrou na minha sala no fim da tarde, quando eu já me preparava para ir buscar as crianças na escola. Bella ficaria até um pouco mais tarde no hotel, organizando algumas coisas.

— Sim. — Levantei meu olhar para ele. — O que tem diferente em você? — perguntei confuso, tentando perceber o que era, mas sem sucesso.

Jasper revirou os olhos.

— Alice me convenceu a deixá-la passar chapinha no meu cabelo — resmungou. — Na verdade foi uma troca, no lugar disso nós faríamos...

— Não, melhor eu não saber — o interrompi rapidamente, Jasper e seus cabelos loiros alisados se sentaram diante minha mesa. — Isso vai voltar ao normal, né?

— Vai sim, graças a Deus. Afinal, o que quer comigo?

— O quanto você me ama?

Jasper franziu a testa.

— Cara, você sabe que todas aquelas brincadeiras sobre nós gostarmos um do outro são realmente brincadeiras, né?

Eu ri.

— Você não me ama?

— Talvez eu te desse um pedaço do meu fígado se fosse preciso, isso conta?

— Conta, vou deixar claro que se um dia eu precisar do pedaço do seu fígado não hesitarei em cobrar. Mas, agora preciso que você seja um bom amigo e um vice diretor financeiro ainda melhor e concorde em ir para Boston no meu lugar, que tal?

Jasper fez uma careta.

— Sério?

— Sim, eu realmente não quero deixar Bella e as crianças por uma semana — falei. — Fora que amanhã tenho a reunião com a Lauren, na sexta uma na escola das crianças, e terça tenho de estar aqui para lidar com a compra da marca Boyne.

Jasper assentiu.

— Beleza, vou para Boston lidar com as contas de lá de perto, é isso que quer, né?

— Exatamente, você pode pegar a melhor passagem do voo, é por conta da empresa.

— Eu com certeza farei isso. — Jasper se levantou. — Alice, no entanto, vai odiar saber que eu passarei alguns dias fora.

— Ela supera. — Entreguei para ele uma pasta com documentos que seriam necessários. — Pode ir amanhã de manhã, vou sentir sua falta, amor.

— Eu também sentirei a sua, querido.

— Você pode tirar uma foto da sua bunda tatuada para eu não ficar tão saudoso? — brinquei.

— Vai se foder, Cullen!

***

No fim da noite, depois de toda a rotina pós trabalho e escola, Isabella e eu finalmente fomos para a cama. Ela estava lendo um livro sobre adoção, enquanto eu revia o contrato que apresentaria para Lauren.

— Não aguento mais — resmunguei, fechando o arquivo no celular e jogando o aparelho de lado.

— Durma um pouco, querido — Bella disse, afagando meu pescoço.

— Não acho que vou conseguir, talvez...

— Não sugira sexo, estou cansada — ela falou, olhando para mim deixando ver o quão cansada realmente parecia.

— Não, eu não ia falar isso, mesmo que seja uma boa ideia sempre. Ia dizer que só vou apagar se tiver um calmante, não consigo parar de pensar sobre a reunião com a Lauren, ela pode recusar todas as propostas que eu fizer para ela.

Bella suspirou, fechando seu livro.

— Amor, se a Lauren recusar você encontrará um novo investidor. — Abri a boca para contestar, mas ela negou com um aceno de cabeça. — Você vai, acredita em mim. — Colocou o livro sobre a mesinha ao seu lado da cama. — Vem, deita um pouco aqui.

Eu me movi na cama, deitando com a cabeça sobre suas coxas, logo sentindo suas mãos em meus cabelos. Isabella usava um dos meus antigos moletons de Harvard, ela adorava os roubar de mim e eu amava a ver com eles.

Toquei em sua barriga por cima da peça de roupa, Bella que se recusava a fazer exercício físico era magra. Depois da gravidez perdeu peso facilmente, voltando ao seu corpo anterior, apenas contando com um acréscimo de um pouco mais de peito e bunda.

— Mal vejo a hora — ela murmurou, ergui meu olhar para ela, sabendo exatamente sobre o que minha esposa estava se referindo.

— Espero que em breve, querida. — Continuei tocado em sua barriga. — Qual nome a gente vai dar se for uma garota?

— Não faço ideia, usamos toda nossa criatividade para nomear Renesmee e quando ela for mais velha provavelmente vai achar o nome idiota e nos odiar por isso. — Nós rimos juntos.

— É único, vai fazer ela se destacar e se odiar isso sempre tem o segundo nome dela que é mais convencional.

— Que você inventou porque queria puxar o saco do meu pai — Bella falou, continuando a passar suas mãos por meus cabelos. — Carlie. — Respirou fundo. — Ela está crescendo tão rápido, você acha que devemos nos preocupar sobre toda semana ela querer uma profissão nova?

— Acho que isso é normal, querida. Ela vai se decidir quando for a hora.

— Samantha?

— O quê?

— Um possível nome se for garota — Bella falou. — Eu sugeriria Charlotte, mas lembra que a Ness falou sobre isso daquela vez? Se ela um dia tiver uma filha não quero que fique sem a sua primeira opção porque nós roubamos dela.

— Não sei se gosto de Samantha.

— Poderíamos chamar de Sam, é fofo.

— Não, eu realmente não gosto.

— Você já esteve com uma Samantha, né?

— Mais de uma.

Bella bufou.

— Vai ficar um pouco difícil se a gente tiver que escolher um nome sem te lembrar uma das suas exs.

— Ei! — resmunguei, fechando meus olhos por um segundo, apreciando o cafuné de Bella.

— Apenas falando a verdade... Puta que pariu! — ela exclamou alto, me fazendo abrir os olhos rapidamente e sentar.

— O que foi? — indaguei nervoso pelo susto que ela me deu.

Bella tinha as mãos na frente da boca, se segurando para não rir.

— Isabella? Você vai me contar o que aconteceu?

Ela não pode mais segurar uma risada, tirando suas mãos do rosto.

— Você está me assustando, mulher.

— Promete que não vai surtar — ela pediu.

— Por que eu surtaria?

Bella segurou em minhas mãos, ainda rindo.

— Sinto muito ser a portadora de uma noticia tão ruim assim, querido, mas alguém tem que ser. — Ela respirou fundo, tentando parar de rir. — Você tem um cabelo branco.

— O quê? — gritei, pulando para fora da cama e correndo até o banheiro.

Liguei a luz, rapidamente me enfiando na frente do espelho, tentando achar a porra daquele cabelo branco, mas eu não o encontrava de jeito nenhum.

— Onde está? — inquiri Isabella que entrou no banheiro, tentando se manter séria, tinha seu celular em mãos.

— Está um pouco mais para trás, você não vai ver pelo espelho. Abaixa um pouco — mandou, eu abaixei e escutei ela tirar uma foto. — Aqui — mostrou a imagem para mim, me deixando ver aquele desgraçado.

— Bella, diz que isso é mentira — implorei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.

— Sinto muito, amor, é verdade. Mas, ei, pelo menos é só um, vamos arrancar e fingir que nunca existiu.

— Do que adianta? — funguei. — Se tem um quer dizer que logo terá mais. — Passei a mão por meus cabelos. — Uma cabeça cheia deles, eu não posso lidar com isso.

— Você supera, Edward.

— Sabia que ruivos teoricamente demoram mais a ficar com cabelos brancos? Isso definitivamente não deveria estar acontecendo comigo agora, eu nem fiz trinta e um ainda, é humilhante... — Me calei quando Bella enfiou a mão na minha cabeça. — Não, espera!

— Vamos cortar o mal pela raiz. — Ela localizou o fio branco e o puxou. — Pronto. — Enfiou aquela coisa na minha mão, a prova de que eu estava ficando velho.

— Não consigo nem olhar para isso sem me sentir com oitenta anos. — Joguei o cabelo no lixo, Bella rolou os olhos.

— Bom, eu ainda te acho muito gostoso e aposto que você vai ficar um coroa sexy, então sem problemas, querido. — Deu uma batidinha em meu peito, deixando o banheiro.

— E se eu pintar meus cabelos? — gritei a pergunta para ela.

— Edward, cala a boca e vem dormir.

— Não posso dormir sabendo que estou envelhecendo.

— Se você não vier para cama agora eu vou enviar a foto do seu cabelo branco para todos que conhecemos. Principalmente para seu pai e irmã, sabe que eles não vão poupar esforços para te infernizar sobre isso.

— Ok, você me convenceu.

***

No dia seguinte deixei Bella levar as crianças para a escola com Felix sem mim, pois eu precisava dirigir direto para a Companhia Mallory e não perder a hora para a reunião com Lauren. Eu tinha acabado de entrar no andar que a sala da presidência ficava, quando a porta da mesma se abriu e vi Logan saindo lá de dentro, Lauren se despediu dele com um beijo.

— Edward! — Logan exclamou a me ver. — Você está me devendo uma ida a concessionária — falou ao passar por mim, apertando minha mão.

— Em breve, garanto — prometi. — Bella está com a ideia absurda de comprar uma minivan, então eu provavelmente terei de ir a uma logo mais.

— Minivan? Eca! — Logan estremeceu. — Vou deixar você trabalhar, boa sorte.

— Valeu — agradeci, o deixando seguir até o elevador.

— O senhor Cullen vai entrar comigo, só interrompa a reunião se for algo de extrema importância — Lauren falou para sua assistente, que concordou com um aceno de cabeça. — Venha — chamou por mim, indicando o interior da sua sala.

Tentei não demonstrar quão nervoso eu estava, a seguindo.

— Você quer beber algo? — Ela apontou para o frigobar.

— Não, obrigado — agradeci, sentando na cadeira diante a mesa dela.

Lauren contornou o móvel, sentando em seu lugar.

— Lauren Mallory, presidente — falei, mexendo na plaquinha sobre sua mesa que indicava seu cargo.

— O que exatamente veio fazer aqui, Edward? — Lauren perguntou, me analisando atentamente. — Na sua ligação você apenas falou sobre conversar comigo sobre um possível investimento da Companhia Mallory no Grupo Cullen, mas não me deu detalhes mais consistentes. Agora você está ai, claramente ansioso, como se isso não fosse somente uma reunião simples, mas algo de extrema importância.

— Você é boa — elogiei, ela abriu um grande sorriso para mim.

— Eu sei que sim, Edward — a loira se gabou. — O que quer de mim?

— O Grupo Cullen perdeu seu maior investidor — confidenciei, Lauren se surpreendeu com a informação.

— Eleazar Denali?

— O próprio.

— Como assim? Os Denali e os Cullen são sócios e amigos há anos!

— Pois é, as coisas mudaram de figura. — Apoiei minhas mãos sobre a mesa. — Agora o Grupo Cullen precisa de um novo investidor para substituir o Denali.

— E você quer que eu seja essa pessoa?

— Exatamente. — Lauren suspirou.

— Edward, não me diga que você e Bella foram simpáticos com Logan e eu porque estavam visando esse investimento — pediu com seriedade.

— O quê? Não, Lauren, claro que não!

— Meu pai foi passado para trás nos negócios por alguém que ele confiava, eu prometi que não deixaria o mesmo acontecer comigo e não vou. A Companhia é importante para mim, eu não vou deixá-la chegar perto de quebrar novamente.

— Lauren, nós também confiávamos em Eleazar, até que ele decidiu mostrar sua verdadeira face e até o cargo do meu pai quis. Segunda-feira aconteceu uma votação do conselho sobre a presidência, por muito pouco meu pai não perdeu e no instante seguinte Eleazar proclamou que retiraria seus investimentos. Pode ter certeza de que sabemos como é fazer negócios com pessoas não tão confiáveis assim, e também pode ficar tranquila, Isabella e eu não estávamos sendo falsos com você e Logan naquele almoço. Se isso te tranquiliza, eu prometo que mesmo que você não aceite investir para o Grupo Cullen minha esposa e eu continuaremos apoiando você e seu marido sobre o processo de adoção, se realmente o quiserem.

Lauren ficou me encarando por um tempo, até que se remexeu na cadeira e falou:

— Quais são suas propostas?

***

Nós passamos mais de uma hora debatendo os possíveis investimentos, expliquei cada mínimo detalhe para ela, querendo que tudo ficasse claro para que Lauren pudesse confiar em mim. Por fim, eu não tinha certeza sobre nada, a escolha estava inteiramente nas mãos dela.

— Não posso cobrir todo o investimento, Edward — falou, apertei a caneta em minha mão. — Eu só posso entrar com o investimento de cinquenta por cento.

Ok, aquilo era um começo, diminuía o número.

— Temos um acordo? — Sorri para ela.

— Não — respondeu. — Pelo menos não ainda, você pode me dar mais uns dias para pensar?

Eu não deveria, estávamos correndo contra o tempo para não deixar o Grupo se afetado pela saída de Eleazar. Além do mais, ainda precisávamos do investimento para a compra da marca Boyne.

— Que tal amanhã? — sugeri.

— Que tal você aguentar até quarta? Quem sabe quinta? Eu tenho muito que analisar junto com diretores e conselheiros.

— Lauren...

— É minha palavra final por hoje, Edward — decretou. — Se você não quiser esperar eu vou entender, mas não vou apressar as coisas, como falei estou tomando o maior cuidado com essa empresa.

— Ok, eu entendo — cedi. — Espero sua resposta na quarta.

— Quinta...

— Quarta-feira, Lauren — firmei, estendendo uma mão para ela, que riu e a apertou.

— Certo, quarta. — Nossas mãos se separaram. — Prometo que vou analisar a proposta com cuidado.

— Eu estarei a aguardando. — Lauren me levou até a porta da sua sala. — Obrigado por me receber.

— Sem problemas, mande um oi para Bella por mim.

— Farei isso. — Lauren abriu a porta.

— Tchau, rei do baile.

Segurei uma risada.

— Tchau.

Assim que eu cheguei ao meu carro, estacionado na garagem do prédio da Companhia Mallory, peguei meu celular e liguei para Rosalie.

— Estou bem ocupada, irmãozinho — falou, eu podia ouvir ao fundo o barulho de uma obra.

— Prometo ser rápido.

— Diga.

— Você sabe se James está na cidade?

— James Smith?

— O próprio.

— O que quer com ele? — questionou desconfiada.

— Te explico depois, só responde minha pergunta.

— Eu não sei, Edward. James e eu não nos falamos desde o nosso encontro fracassado, quer dizer, deixei uma mensagem no dia seguinte falando que gostaria que continuássemos sendo amigos, ele respondeu educadamente, mas foi tudo.

— Droga.

— Você queria que eu ficasse com o James?

— O quê? Não, nunca fui com a cara do Smith mesmo. — Abri a porta do Volvo. — Você sabe o endereço da casa dele?

— Sim.

— Me manda por mensagem.

— Edward...

— Depois eu te explico, prometo. Preciso desligar agora, vou dirigir.

Joguei meu celular sobre o banco do carona, já dirigindo para onde sabia ficar a empresa dos Smith. Se eu não encontrasse James lá iria atrás dele em sua casa, se não estivesse ali ia pedir seu número para Rosalie, mas o faria me ouvir.

James não estava na empresa, como acabei prevendo, sendo assim chequei o endereço fornecido para Rosalie e dirigi até lá. Era uma mansão, parecida com a dos meus pais, mas talvez um pouco maior, já que era a do governador do estado, mesmo que o velho Smith não estivesse morando ali.

No momento que entrei na rua, vi um carro deixando a casa e reconheci James no banco do carona. Buzinei, chamando a atenção deles, sem querer perder a oportunidade de falar com ele naquele momento.

O carro parou, eu estacionei o Volvo logo atrás, saltando dele. James deixou o carro no mesmo instante que sai do meu, o olhar dele era confuso.

— Edward! — exclamou com surpresa na sua voz. — O que está fazendo aqui?

— Será que podemos conversar? — indaguei, disposto a deixar meu orgulho de lado, pelo bem do Grupo Cullen.

— Isso é sobre Rosalie?

— Não, não é sobre minha irmã. — James assentiu, olhando para seu assessor que tinha deixado o carro.

— Vou entrar um pouco com ele e conversar, me espere aqui.

James me indicou o caminho, em silêncio o percorremos até estarmos dentro da mansão, na sala de estar.

— Você...

— Não, não quero beber nada — o interrompi. — Vou direto ao ponto. — Ele assentiu. — O que acha de investir no Grupo Cullen? — James arqueou uma sobrancelha. — É você quem está comandando os negócios da sua família agora, não?

— Sim.

— Então?

— Sinto muito, Edward, mas eu estou atrasado para uma reunião — falou, olhando para seu relógio de pulso.

— Se puder ouvir as propostas...

— Não, eu realmente tenho de ir para minha reunião agora. — Fechou um botão do seu paletó. — Eu entro em contato com você semana que vem, que tal?

Contive a vontade de xingá-lo.

— Certo.

— Perfeito. — Ele indicou a saída. — Mande um beijo para Rosalie.

— Aham, claro.

Deixei James voltar para seu carro, voltando para o meu. Temporariamente me dando por vencido voltei para a sede empresarial do Grupo Cullen, indo direto para a sala do meu pai.

— Posso falar com Carlisle? — perguntei a assistente dele.

— Só um instante — Lana pediu, levando o telefone a orelha e perguntando ao meu pai se ele podia me atender. — Pode entrar, senhor Cullen.

— Obrigado.

— Então? — Carlisle indagou no momento que pisei em sua sala, fechei a porta atrás de mim e permaneci em pé na frente da sua mesa.

— Lauren Mallory não me deu nenhuma certeza — respondi prontamente, falando com respeito, sem deixar a linha chefe e funcionário entre Carlisle e eu quebrar, eu sabia que ele estava de olho em mim desde meu pedido de demissão no começo da semana. — Ela também descartou o investimento total, se aceitar poderá arcar com apenas cinquenta por cento.

— E o que você espera fazer com o restante? — Me avaliou.

— Entrei em contato com James Smith, ele não pode conversar direito comigo hoje, mas irei até ele novamente e o farei investir, junto a Lauren, ou cem por cento, dependendo da resposta que ela me der.

— Esse é o seu plano?

— Sim — confirmei.

— Você tem até sexta-feira da semana que vem para me atualizar sobre isso, Edward. Se você não conseguir os investidores irá ser retirado dessa tarefa, eu mesmo irei assumir e você sabe o que isso significa?

— Que eu estou perdendo pontos como diretor financeiro.

— Exatamente. — Carlisle assentiu. — Não se esqueça da compra da marca Boyne.

— Sim, senhor.

— Pode lidar com tudo isso?

— Posso — respondi confiante, o tanto que consegui naquele instante.

***

Na sexta-feira eu estava de volta a sala de reuniões da presidência, junto com meu pai, Caius e dois advogados do Grupo Cullen, para tratar da quebra de contrato com Eleazar. O Denali chegou alguns minutos atrasado, eu nem me surpreendi a ver que além dos seus advogados, ele também estava com Irina a tiracolo.

— Vamos acabar de uma vez com isso! — Eleazar exigiu, sentando em uma das cadeiras, Irina sentou ao lado dele e me lançou um olhar triste.

Todo o processo durou quase duas horas, até que por fim os documentos estavam devidamente assinados e Denalis e Cullens não tinham mais contrato algum os ligando, ou qualquer outra coisa. Eleazar não se importou em se despedir, saindo da sala com um olhar furioso.

— Tchau, Edward! — Irina sussurrou para mim, acenando rapidamente, antes de seguir o pai.

— Finalmente eles estão fora — Caius comemorou quando os advogados de Eleazar e os do Grupo Cullen também saíram, deixando nós dois sozinhos com meu pai. — Devemos abrir uma garrafa de champanhe para comemorar — sugeriu.

— Não vamos comemorar nada até Edward conseguir o investimento necessário para cobrir o golpe que acabamos de sofrer — Carlisle falou, levantando-se para sair. — O Grupo Cullen está em suas mãos, senhor diretor financeiro.

Esperei ele sair para enfiar a cabeça na mesa, querendo talvez que a pancada me desse uma ideia de gênio para resolver tudo aquilo.

— Edward? — Voltei o olhar para meu tio. — Você vai conseguir, certo? É um Cullen, está no seu sangue, mas principalmente foi ensinado a você suportar qualquer peso e vai conseguir uma maneira de tirá-lo dos seus ombros.

— Se eu não arranjar os investidores meu pai nunca vai me apoiar para a presidência, sonho uma vida inteira com isso e agora estou com meu futuro em mãos.

— Garoto, você vai ser o próximo presidente do Grupo Cullen. — Meu tio pressionou meu ombro.

— Você não quer ser?

— Não, eu gosto de ser o vice, nem todos foram feitos para estarem na linha de ataque. Gosto de pensar que sou assim como minha mãe, enquanto seu pai é como o velho Anthony. E, apesar de você ser um perfeito filhinho da mamãe — falou sorrindo, me fazendo rir. — Você é muito parecido com seu avô e pai, é o sucessor natural para o cargo da presidência, então não desista enquanto ainda há tempo para lutar.

— Valeu, tio.

— Se precisar de algo é só chamar. — Se colocou de pé, andando para a saída da sala. — Por favor, consiga novos investidores para que a cara de cu de Carlisle se desfaça e eu possa abrir um bom champanhe para comemorar.

— Pode deixar — concordei rindo novamente.

Passei mais alguns minutos sozinho na sala de reunião, até que vi a hora e fui até Bella, nós tínhamos combinado de almoçarmos juntos aquele dia. A encontrei no restaurante do hotel, ela estava distraída lendo o cardápio.

— Oi, querida! — Beijei o topo da sua cabeça, antes de ir sentar diante dela.

— Oi, amor. — Sorriu para mim. — Como foi?

— Um saco. — Larguei meu celular sobre a mesa.

— Irina apareceu? — Bella questionou.

— O que você acha?

Meu celular tocou informando que tinha recebido uma mensagem, eu o peguei, tirando os olhos de Bella para ver quem era.

Irina Denali: Tudo teria sido diferente se você tivesse ficado comigo, Edward.

— Falando nela — reclamei, de uma vez por todas bloqueando o número daquela mulher.

— Ela te mandou uma mensagem? — Bella perguntou irritada.

— Sim.

— Falando?

— Que as coisas teriam sido diferentes se ela e eu não tivéssemos nos separado. — Revirei os olhos. — Não se preocupe, bloquei o número dela, não vou deixá-la encher minha paciência, muito menos a sua.

Bella assentiu, largando o cardápio sobre a mesa.

— Vamos esquecer de uma vez por todas os Denali, Edward — pediu. — Vamos apenas seguir em frente e nunca mais pensar neles.

***

Mais tarde naquele dia Isabella e eu pegamos um táxi para irmos à reunião na escola das crianças, Nelly já tinha ido as buscar mais cedo e as levado para o cinema como pedimos.

— Ei, tudo bem? — perguntei para Bella enquanto caminhávamos para o auditório onde aconteceria a reunião de associação de pais. A mão dela na minha suava e eu podia sentir sua tensão, eu sabia que Bella se manifestaria naquela reunião, ela tinha se preparado para aquilo nos últimos dias.

— Apenas insegura, eu tenho medo de falar alguma besteira, ou de isso não ter as consequências que queremos.

— Você vai arrasar, querida. — Beijei sua mão.

Entramos no auditório, que se encontrava com poucas cadeiras ocupadas, não eram muitos os que participavam daquelas reuniões não obrigatórias e pelo que vi a maioria que ia eram de mulheres. Contando comigo só tinha outro cara lá e ele parecia bem puto de estar presente, provavelmente só estava substituindo a esposa.

Isabella e eu caminhamos de mãos dadas, até uma das fileiras da frente. Minha esposa sentou de pernas cruzadas e costas eretas, seu olhar era atento sobre todos ali.

Em cima do palco do auditório podíamos ver as mulheres que falamos no outro dia, as que coordenavam a associação, quando nos viram pareceram novamente surpresas com nossa presença. Ela estavam certas nesse ponto, Bella e eu não dávamos as caras antes quando não era muito necessário, isso me fez sentir mal, nós não tínhamos estado ali para pensar no melhor para Ness anteriormente.

Mas, ainda tínhamos tempo de lutar por ela e com certeza por Matt também.

A reunião não tardou a começar, com eles falando sobre os grupos de esportes, que desde a época que estudei na escola eram o topo das rodas de conversas, fossem entre alunos ou pais. Todos queriam seus filhos em um esporte, principalmente em um papel de destaque nos times e equipes.

— Agora vamos abrir um espaço para opiniões, quem quer... — Mal a presidente da associação tinha acabado de falar e Bella já estava com a mão erguida. — Ser a primeira a falar — a mulher completou sua fala, já sem a animação de antes.

Bella balançou ainda mais sua mão no ar, me fazendo pensar na universitária irritante que ela era e sempre tinha resposta para tudo, a garota por quem me apaixonei.

— Senhora Cullen, pode subir — a mulher disse por fim.

— Ok, eu consigo — ouvi Bella murmurar para si antes de ela ficar de pé e seguir até o palco do auditório, pegando o microfone. — Olá, boa noite! — saudou todos, sua voz era impecável, ninguém poderia dizer que ela estava nervosa antes. — Sou Isabella Cullen, mãe de Renesmee e Matthew que estudam aqui. — Se movimentou pelo palco. — Minha filha estuda aqui desde o começo da sua vida escolar, meu filho começou alguns dias atrás.

— Que tédio — alguém resmungou atrás de mim, olhei para a mulher, lhe lançando um olhar furioso. — Desculpe — pediu rapidamente.

Voltei minha atenção para Bella.

— Meu filho, Matthew, está sendo adotado por meu marido e eu. Matthew é um menino negro, de oito anos de idade, que está em uma turma para crianças menores por conta do seu grau de escolaridade estar abaixo do esperado para crianças da sua idade. Estou aqui hoje para falar em nome dele, para fazer sugestões e pedidos que possam tornar a passagem de Matthew nessa escola um período tranquilo e seguro. Também para que outros alunos, como minha própria filha, possam aprender algumas coisas novas sobre sociedade.

Bella sorriu.

— Como disse, Matthew é negro. Eu não sei se vocês já repararam, eu mesma não tinha reparado até ter Matt, mas não há nenhum outro aluno negro nessa escola. Eu sei, chocante. Os números ficam mais surpreendentes quando a gente vê que Matthew é apenas o segundo aluno negro a estudar aqui. O primeiro se formou há dez anos, pelo que pesquisei hoje ele é um cientista e estudou em Stanford e acho que todos devemos nos orgulhar disso, eu gosto da ideia de que meus filhos estudem em uma escola que forma futuros cientistas, me da a ideia de que eles podem ser o que quiserem e isso é excelente.

Ela suspirou, deixando o sorriso morrer em seu rosto.

— Entretanto, eu não acho que seja normal em uma escola que abrange desde a educação infantil até a o ensino médio, ter apenas um aluno negro. Sei que muitos de vocês devem estar pensando agora que meu marido e eu deveríamos resolver isso simplesmente mudando Matthew de escola, o colocando em uma com uma pluralidade cultural bem mais visível, a questão é que eu não acho que seja o caso de deixar Matt se fechar a uma base pré montada, eu gosto que ele possa explorar o mundo e estar em lugares que não foram destinados a ele por puras implicações sociais. Pois, vamos ser francos, se ele nunca tivesse sido adotado sequer passaria na frente dessa escola.

O olhar de Bella pairou sobre mim, sorri para ela, querendo a incentivar a continuar.

— Por isso estou propondo que a escola pense mais sobre diversidade, étnica, cultural, religiosa, sexual e de gênero. Vamos deixar nossos filhos, nossos sobrinhos, netos, o que forem de nós, conhecerem mais do mundo. Podemos fazer isso com simples rodas de conversas em salas de aulas, todas devidamente ministradas por professores, também podemos abrir espaço para palestrantes com direito de fala a cada representatividade estar aqui falando para nossas crianças e adolescentes. Eu sei que muitas pessoas poderiam subir nesse palco e nos falar sobre assuntos atuais, que nos importam, ou deveriam importar, não apenas como pais e responsáveis, mas como seres humanos.

Ela suspirou.

— O meu filho é negro, adotado e veio das ruas. — Ouvi os cochichos, mas me mantive firme, assim como Isabella. — Um dia espero que ele possa lidar com tudo isso da forma mais natural possível, hoje eu espero que ele tenha um suporte escolar que o faça ver que ele não é um ser diferente das outras crianças ao redor dele, que ele possa ver que todos aqui são iguais, mas que no fundo temos nossas particularidades, seja pela cor da pele, o modo como nosso cabelo curva ou não. Essas pequenas peças que formam uma pessoa, ou as grandes peças, apenas espero que meu filho encontre nessa escola um lugar que realmente possa se sentir acolhido, não um estranho no ninho. Eu também espero que todos os outros alunos possam ter um leque de informações mais abrangentes, que nós não deixemos eles presos em um confinamento antes de os deixá-los conhecer o mundo quando deixarem a escola.

Isabella olhou mais uma vez para mim.

— Meu marido e eu estamos dispostos a ajudar, financeiramente e de qualquer outra forma necessária todas essas atividades de inclusão. Eu espero que vocês também estejam dispostos a aceitá-las, ou que ao menos permitam-se sinceramente discuti-las. Muito obrigada por me permitirem falar, boa noite. — Bella deixou o palco após entregar o microfone para a presidente da associação.

Em segundos minha esposa estava de volta ao meu lado, apertando minha mão na sua.

— Haverá uma votação no dia 17 sobre essas sugestões, senhora Cullen, na reunião geral — a presidente informou ao microfone. — Agora se alguém quiser acrescentar algo sobre isso.

Várias pessoas levantaram as mãos, para minha surpresa o primeiro a subir foi o outro pai presente.

— Não me levem a mal — ele pediu. — Não sou homofóbico, até tenho amigos gays, mas não acho que as crianças ou os adolescentes precisam aprender sobre sexualidade e gênero na escola, isso não tem nada a ver.

— O que você acha que eles aprenderiam? — o contestei, me surpreendendo por estar falando.

— Desculpe?

— O que você acha que eles aprenderiam?

— Olha, ia rolar uma doutrinação e eles falariam que ser gay é normal...

— Ser gay é normal! — exclamei. — Pergunte isso aos seus amigos.

— Eles são adultos, podem fazer o que quiserem das vidas deles, mas não quero meus filhos induzidos a virarem gays.

— Ninguém vira gay! — Bella ao meu lado exclamou indignada. — Não é uma questão opcional, é uma orientação. Você em algum momento decidiu ser hetero? Não, você nasceu seguindo essa orientação sexual.

— Só sei que meu voto e da minha esposa no dia 17 será contra essa tal de educação sobre gênero e sexualidade, hoje em dia as coisas estão fora de controle com essas coisas de crianças transgêneros e tudo mais, não é nada normal.

— Eu gostaria de salientar que seria muito importante que todos os pais também participassem de todas essas palestras caso forem aprovadas — falei em alto e bom som para todo o auditório. — Claramente não são só os alunos que precisam aprender sobre diversidade.

— Vamos falar sobre a festa de dia das mães! — a presidente gritou no microfone, com uma animação irritante, depois de o arrancar do outro pai. — As meninas e eu estávamos pensando na decoração com tons de rosa e branco, alguém tem mais palpites? Também temos várias ideias de brindes!

— Deu para mim — Bella murmurou.

Não precisei ouvir mais nada, saindo com ela daquele auditório no mesmo instante. As pessoas nos olhavam com expressões nada boas, ao menos a maioria delas.

— Senhora Cullen? — Ouvimos um grito quando chegamos ao estacionamento, olhamos para trás, vendo uma mulher correndo até a gente. Ela era alta e loira, devia ter uns quarenta anos, muito parecida com a maioria das outras mulheres presentes naquela reunião.

— Sim? — Bella perguntou na defensiva quando a mulher chegou até a gente.

— Olá, sou Meryl Shepard — se apresentou. — Só queria falar que eu apoio vocês no que falaram lá dentro — disse, olhando para os lados. — Meu filho mais velho tem quinze anos e há cinco meses descobrimos que ele é gay. Meu marido e eu estávamos cogitando mudá-lo de escola no próximo semestre, meu filho se sente um tanto quanto sufocado aqui por conta de tanto tradicionalismo, mas se as sugestões que você deu forem aprovadas — disse olhando para Bella, dando um sorriso esperançoso. — Eu acho que meu garoto pode continuar aqui e quem sabe passar a realmente poder se ele mesmo, sem nenhuma amarra.

— Lamento pelo que você ouviu aquele cara falar lá dentro — falei.

Meryl deu de ombros.

— Não é a primeira vez que escutamos algo do tipo, na verdade foi bem complicado para minha família no começo aceitar a sexualidade do meu filho, mas estamos batalhando para não deixarmos isso o afastar de nós, desde que nos contou ele mudou bastante, é quase outro menino. — Ela respirou fundo. — Não vou os encher sobre isso, só queria mesmo dizer que meu marido e eu iremos votar a favor do que vocês sugeriram. Eu não conheço os filhos de vocês, mas tenho certeza de que eles tem bons pais, obrigada por estarem pensando nas outras crianças também.

Meryl sorriu, nos desejou boa noite e seguiu de volta para o prédio do auditório. Bella se apoiou no carro mais próximo, só naquele momento percebi que teríamos de chamar um táxi.

— O que nós vamos fazer? — ela me perguntou.

— Esperar a votação e...

— Não, sobre criar dois filhos, daqui um tempo três, e não deixar eles se tornarem pessoas desprezíveis como aquele cara lá dentro?

Me apoiei no carro junto dela.

— Nós estamos trabalhando nisso, querida, eu tenho certeza de que nossos filhos não serão como aquele cara. — Segurei em sua mão, olhando ao redor. — Eu nunca me dei conta de como essa era uma escola tão fechada quando estudei aqui.

Bella assentiu.

— Nós não nos dávamos conta de muita coisa antes de Matt, não?

— É.

— Vamos para casa, querido. Não há mais nada que possamos fazer aqui hoje, não podemos lutar contra o preconceito em uma única noite.

***

Precisei ir até a empresa no sábado assinar alguns documentos, uma coisa levou a outra e eu acabei demorando mais por lá do que o esperado. Para completar, minutos antes de eu sair do trabalho meu celular simplesmente morreu, uma porcaria que custava alguns milhares de dólares parou do nada.

Aquilo me fez ir até o shopping perto do hotel, eu precisava comprar um novo celular rapidamente, não tinha como ficar sem um. Como eu já estava no shopping decidi fazer algumas compras aleatórias, fui a uma livraria e comprei para Nelly o livro que ela tinha mencionado alguns dias que queria ler, fui a uma loja de esportes e comprei cesta de basquete e uma bola para que Matthew e eu pudéssemos jogar no dia seguinte na casa dos meus pais e para comemorar o fato de que Matt agora chamava Bella de mãe — ainda que as vezes ele continuasse soltando um tia —, comprei para minha esposa uma xícara que dizia Super Mãe na loja de presentes, como o dia das mães estava próximo o lugar estava repleto de coisas assim.

Eu estava rodando o shopping, pensando no que compraria para Renesmee quando vi Alice. Não foi uma surpresa vê-la no shopping, mas foi encontrá-la parada diante de uma loja de roupas de bebês, com uma expressão aterrorizada no rosto.

— Está pensando se eles tem roupas para seu tamanho aqui? — perguntei a ela quando parei ao seu lado, Alice olhou para mim, seu olhar estava repleto de lágrimas. — Ei, o que foi, Brandon?

Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu falar nenhuma palavra.

— Você quer sentar? — Alice concordou.

Segurei em seu braço, levando-a até uma cafeteria próxima. Deixei Alice sentada a uma mesa, ela continuava daquele modo estranho. Peguei um café para mim, outro para ela, sentando ao seu lado no sofá.

— Não — recusou o café que estendi para ela.

— É só café...

— Grávidas não podem beber café — sussurrou.

— É, mas... Puta que pariu! — exclamei quando me dei conta do que ela queria dizer.

— Não sei o que fazer, Edward — ela murmurou, começando a chorar. — Isso não deveria estar acontecendo!

Suspirei, sem saber o que fazer. Então, pegando a mim mesmo de surpresa a abracei. Eu não odiava Alice, não, mas mesmo ela sendo namorada do meu melhor amigo e melhor amiga da minha esposa, nós dois nunca fomos de fato grandes amigos.

— Você tem certeza? — indaguei, afagando suas costas.

— Sim, eu fiz uns cinco testes mais cedo, todos deram positivo. Eu não podia engravidar, não mesmo. — Soluçou.

— Que tal eu te levar para casa? — sugeri, Alice assentiu. — Você está com seu carro?

— Não.

— Ótimo, vamos direto para o Volvo.

Recolhi minhas compras, Alice somente sua bolsa já que ela não tinha comprado nada e fomos para meu carro. Abri a porta do carona para a Brandon e fui para o lugar do motorista, ela tinha atirado sua bolsa aos seus pés, enquanto chorava copiosamente ao meu lado, com as mãos enterradas no rosto.

— Alice, preciso que você coloque o cinto — falei, ela negou. — Vamos lá, quanto antes você fizer isso estaremos no seu apartamento.

Ainda chorando ela colocou o cinto, passou o caminho inteiro até sua casa aos prantos. Eu precisava confessar estar acostumado aquilo, depois da reação de Bella quando descobrimos sobre Renesmee até que Alice estava bem contida.

— Você já contou para o Jasper? — perguntei quando entramos em seu apartamento, Alice tirou seus sapatos e se deitou em seu sofá, em posição fetal.

Sentei ao seu lado no chão, afastando seus cabelos do rosto.

— Não.

— Quanto tempo?

— Sei lá, como se faz essa conta? Sei que aconteceu no dia da peça de Renesmee, quando Jasper e eu nos reconciliamos. Eu tomava anticoncepcional, mas parei quando ele e eu terminamos, ai voltei para Chicago e ainda não estava tomando de novo, a gente sempre usou camisinha e o remédio, mas dessa vez não usamos camisinha, porque estávamos desligados demais do mundo e só queríamos foder e agora estou grávida por conta de uma única foda.

— Informação demais.

Alice riu no meio do seu choro.

— Eu devia ter tomado algo no dia seguinte, mas estava de novo com Jasper e nem me liguei pro resto — ela disse, voltando a chorar intensamente. — Minha menstruação atrasou, ai eu liguei os pontos e percebi que podia ser isso, tentei aguentar mais uns dias, mas ai no shopping mesmo não aguentei e fiz os testes.

— Você está pensando em abortar? — Alice me encarou, novamente aterrorizada.

— Não!

Inspirei fundo.

— Você tem que contar pro Jasper.

— Não vou fazer isso com ele em Boston... Além do mais, eu nem acredito nisso ainda, não estou pronta para dividir, nem devia ter te contado.

— Eu sou quase um guru da gravidez, acho que devo virar consultor — brinquei, Alice riu novamente.

— Para de me fazer rir, Cullen.

Eu levantei do chão, fazendo ela sentar no sofá e fiquei ao seu lado.

— Sei que você está assustada, que não foi uma gestação planejada e que as coisas entre você e Jasper estão frágeis depois do rompimento, também sei tudo que passou com seus pais. — Alice encarou suas mãos que tremiam. — Mas, eu sei que você pode ser uma boa mãe, Alice. — Ela voltou a olhar para mim. — Se eu me tornei um pai de família você pode ser uma mãe, e eu acho que você será uma mãe maravilhosa.

— Não sei como fazer isso.

— Vai aprender. — A abracei novamente. — E vai ter Jasper ao seu lado para aprender junto, um vai ensinar ao outro.

— E se o bebê nos afastar? Se acabarmos como aqueles casais que separam logo depois de terem filhos?

— Jasper te ama Alice, eu sei que você o ama também, acredite, vocês não vão se separar por conta do bebê. Vai ser algo complicado, todas as mudanças que vem junto do bebê vão deixar vocês à flor da pele, mas vão superá-las.

— Não quero ser uma péssima mãe, Cullen. Como a minha adotiva e a biológica, eu nem sei como é amor de mãe de verdade, esse bebê não saberá.

— Ele vai saber — garanti, a afastando para olhar em seu rosto. — E você vai perceber que mesmo que seus pais tenham errado contigo, vai poder ter uma família feliz independente disso.

Alice colocou uma mão sobre seu ventre, fechando os olhos.

— Quer ligar para o Jasper agora?

— Não, eu realmente só quero contar isso pessoalmente, você pode guardar segredo?

— Posso, claro — concordei. — Mas e a Bella?

— Ela vai festejar, não vai?

— Provavelmente — respondi.

— Não posso deixá-la no escuro por um tempo? — indagou receosa.

— Não, ela ia ficar bem puta quando descobrisse que eu já sabia antes dela. — Alice sorriu. — Ai ela seria capaz de cometer um atentado contra mim e não queremos que o padrinho do seu filho esteja morto antes dele nascer.

— Quem disse que você será o padrinho?

Rolei os olhos.

— Devido ao meu caso de amor com o Jasper eu sou quase o padrasto dessa criança. — Alice gargalhou.

— Ok, você e sua adorável esposa serão os padrinhos.

— Que tal eu aproveitar que meu apartamento é aqui perto, ir buscar Bella e a trazer até aqui para que você possa contar pessoalmente a ela?

— Obrigada, Cullen. — Alice sorriu para mim. — Por tudo.

— Ao seu dispor. — Baguncei os cabelos dela. — Vou buscar a Bella.

— Ai caramba!

— O que foi?

— Eu bebi desde que engravidei, sempre tomo uma taça de vinho no jantar, é rotineiro, isso vai fazer mal ao bebê?

— Relaxa, ele vai estar bem — assegurei. — Só não beba mais.

— Que droga!

— Fica comportada ai, Brandon — ordenei.

Eu podia simplesmente ligar para Isabella e dizer que ela fosse até o apartamento de Alice, mas minha esposa me encheria de perguntas e era mais fácil desviar delas pessoalmente. Assim que cheguei a nossa casa ouvi os latidos dos cachorros, que correram até mim.

Passei rapidamente por eles e fui até meu quarto, procurando por Bella. Pelo silêncio que fazia no apartamento era claro que as crianças não estavam ali, o que me deixou confuso.

— Edward! — Bella exclamou quando entrei no nosso quarto. — Finalmente — resmungou. — Onde você esteve o dia inteiro? — questionou preocupada. — Está tudo bem? — Levantou da cama, caminhando até mim.

— Sim, tudo bem.

— Por que eu não acredito? O que aconteceu?

— Nada, mulher. — Ri, mas ela claramente viu que eu estava escondendo algo, me conhecia muito bem. — Cadê nossos filhos?

— Ah, seus pais apareceram aqui com Anne e Lucy, levaram os quatro para um dia com eles — contou. — Mas, me proibiram de ir junto, porque decretaram o dia dos netos e avós, ai a Nelly saiu para a igreja e fiquei aqui sozinha e entediada, porque meu marido desapareceu e nem atende o celular.

— O meu celular morreu, tive que trocar... Enfim, vem comigo. — Segurei na mão dela.

— Não, eu não quero sair numa aventura, Edward — reclamou enquanto a rebocava para fora do nosso apartamento.

— Só vem comigo — insisti.

— Você estava na empresa?

— Mais ou menos.

— Edward... Arg, odeio quando você me responde com meias palavras.

Ela não voltou a dizer nada enquanto íamos para a garagem, também não disse nada, antes que eu desse com a língua nos dentes e estragasse a surpresa da gravidez de Alice.

— Vamos — falei, ligando o carro para sairmos.

— O que é isso? — Bella ao meu lado perguntou fazendo com que eu a olhasse, ela se abaixou, mexendo em algo no chão do Volvo. — Edward — sussurrou, voltando a erguer seu corpo.

Em sua mão esquerda segurava um batom, o olhar dela para aquele objeto não era nada bom.

— De quem é isso, Edward Cullen? Porque meu não é!

— Estou usando batom agora — debochei, aquela merda devia ser bem da Alice.

— Não é engraçado.

— Você confia em mim?

— Sim, confio, só quero saber porque diabos tem um batom no seu carro. — Ela mexeu nele. — Quem foi a última mulher a andar aqui?

Além dela? Alice, mas ela teria de aguentar mais um pouco para saber.

— Edward?

— Aguenta um pouco, Bella — pedi.

Ela resmungou, jogando o batom em cima do painel do Volvo, eu o peguei e coloquei no bolso. A mulher passou o resto do caminho resmungando, até que viu que parei na frente do apartamento de Alice e me olhou intrigada.

— O que estamos fazendo aqui?

Não respondi, apenas consegui a liberação com o porteiro para subirmos e fomos para o apartamento de Alice. Toquei a campainha e Alice abriu, seu rosto ainda estava inchado e vermelho pelo choro.

— O que aconteceu com você? — Bella indagou a amiga.

— Espera! — interrompi previamente Alice de falar qualquer coisa, mostrando o batom para ela. — É seu?

— É. — Ela o pegou.

Bella respirou aliviada.

— Eu estava quase acreditando que você estava começando a usar batom — Bella murmurou para mim, tocando carinhosamente no meu braço. — E o que está acontecendo com você? — indagou novamente a amiga.

— Ela está grávida — falei de uma vez por todas.

— Edward! — Alice me repreendeu.

— Alice! — Bella gritou em choque, para no instante seguinte abraçar a amiga. — Um bebê, você vai ter um bebê.

O choro de Alice voltou, o que fez Bella rir.

— Por que você está rindo? — Alice questionou indignada.

— Porque dessa vez não sou eu surtando! — Bella riu mais, voltando a abraçar Alice. — Eu vou ser madrinha.

— Vocês nem sabem esperar um convite — Alice protestou. — Pensei em algo — falou quando ela e Bella acabaram de se abraçar. — Podem guardar um segredo?

— Sim — Bella respondeu.

— Não — falei sinceramente.

— Edward! — minha esposa beliscou meu braço, eu apenas ri. — Prometo que Edward não vai contar nada, o que você pensou, Alice?

— Em fazer um jantar aqui sábado que vem, eu contaria para Jazz sobre o bebê, mas antes disso o pediria em casamento.

Bella tornou a gritar em comemoração.

— Você vai deixar Jasper louco, num bom sentido — falei, sorrindo para Alice.

— Eu vou ser mãe — ela falou, sua ficha parecia ter caído.

Bella a soltou, vendo a amiga tocar em seu ventre.

— Tem um bebê aqui, porra, isso é legal! — Olhou para a gente, visivelmente emocionada. — Oi, bebê — falou amavelmente com sua barriga. — Sou sua mamãe.

***

Eu realmente não sabia muito de basquete, não era um esporte que tinha me importado no tempo da escola. Então, no domingo, depois da manhã na piscina da casa dos meus pais com as crianças e de Matt ter decidido como queria seu quarto com Esme, ele e eu montamos a cesta que eu tinha comprado no dia anterior no quintal e fomos jogar um pouco para que ele me ensinasse algo.

Bella, Renesmee, Nelly, Rose, minhas sobrinhas e Alice — que tinha ido passar o dia conosco —, estavam na sala de jogos curtindo com o just dance. Minha mãe tinha ido descansar um pouco, pois estava se sentindo um tanto quanto enjoada, e papai estava em algum lugar da casa fazendo ligações.

— Você é muito bom nisso! — elogiei Matt quando ele conseguiu mais uma vez acertar a bola na cesta.

— Meu pai me ensinou, ele é o melhor — Matt falou com orgulho na voz.

Apertei a bola em minhas mãos, odiando ele falando em Laurent.

— Minha vez. — Me distanciei da cesta, joguei a bola, mas errei.

— Perdeu! — Matt gritou rindo.

— Ei, não seja debochado com seu adversário. — Ri também, dando espaço para ele jogar a bola que tinha recolhido do chão.

Matthew sorriu largamente para mim antes de tornar a jogar a bola, mais uma vez a acertando.

— Garoto, nesse ritmo você vai acabar na NBA — saudei.

— O meu pai falava a mesma coisa — Matt disse, seu sorriso vacilou.

Ele correu para pegar a bola, mas antes que a pudesse jogar novamente a tirei de sua mão. Seu olhar para mim era confuso, sentei ao chão, fazendo com que ele sentasse também.

— Você sente muita falta dele, né? Do Laurent.

Matthew desviou seu olhar para seus pés, Bella tinha nos comprado tênis iguais na semana de aniversário dele e estávamos os usando aquele dia.

— Sinto.

Segurei no queixo dele, fazendo com que Matt me olhasse.

— Eu sinto muito por você ter sido separado do Laurent, Matthew. — Ele encolheu seus ombros. — Mas, quero que saiba que te amo, filho e que você pode contar comigo para tudo. Sei que Laurent faz falta, então se quiser conversar sobre isso estou aqui para te ouvir. — Meu filho precisava de mim, eu não podia deixá-lo falando sozinho sobre Laurent e evitar o assunto sempre.

Matthew assentiu, chorando silenciosamente. Ele se levantou, mas me pegou de surpresa quando me abraçou apertado. Envolvi seu corpo em meus braços, beijando o topo da sua cabeça.

— Você tá fedendo a suor, Edward — ele falou, me fazendo rir.

— Você não deveria ter dito isso — anunciei, ainda com ele nos braços corri até a piscina e me joguei na água com ele, sem me importar com nossos tênis.

— Parecem estar se divertindo. — Mamãe estava na beira da piscina quando voltamos à superfície.

— Matthew está ganhando de mim no basquete, eu acho que isso não é tão divertido assim — falei, colocando meu filho em minhas costas, não confiava ainda em deixá-lo totalmente livre na piscina. — Como se sente, mãe?

— Ainda enjoada, mas melhor do que antes — respondeu, sentando na espreguiçadeira mais próxima.

— Você tá doente, vovó Esme? — Matthew perguntou, fazendo mamãe e eu nos entreolharmos, ninguém tinha contado para ele sobre o câncer ainda.

— Edward. — Pelo tom de voz dela sabia que era a hora de dizer.

Sai da piscina com Matt, sentando ele junto de mim na espreguiçadeira ao lado da de mamãe. Esme segurou nas mãos de Matt, falando suavemente.

— Eu estou doente sim, querido. — Afagou o rosto dele, que olhava atentamente para ela. — Infelizmente é uma doença séria.

— Você vai morrer? — Matt perguntou baixinho, assustado. Esme engoliu em seco, parecendo tão aflita quando Matthew.

— Ei, filho. — Fiz Matt me olhar. — A doença da sua avó é séria, mas ela está se tratando, entendeu? Por isso a vovó Esme precisa que a gente a apoie, com muito apoio ela vai ficar bem.

Matt concordou com um aceno de cabeça.

— Eu ainda vou estar aqui por bons anos, homenzinho — Esme falou suavemente, mas seu olhar estava brilhante por culpa das lágrimas. — Quero e vou te ver crescer — disse para Matt, voltando o olhar para mim. — Assim como vi seu pai se tornar um homem, meus garotos.

— Matthew, acho que a vovó precisa de um abraço coletivo — sussurrei no ouvido dele, que sorriu e pulou para os braços dela, eu me uni a eles, os abraçando apertado.

— Te amo, mãe — falei, passando minha mão por seus cabelos. Quando nos afastamos vi alguns fios de cabelos dela em minhas mãos.

A olhei, Esme viu os cabelos entre meus dedos, mas não disse nada sobre aquilo.

— Vamos comer um pouco de bolo, Matthew.

— Mãe...

— Venha comer bolo também, Edward — falou firme para mim, me vetando de dizer qualquer coisa sobre seus cabelos caindo.

***

Como já tínhamos combinado antes, fui a pessoa acompanhando mamãe na sua sessão de quimioterapia na segunda-feira. Nem mesmo lá ela quis tocar no assunto dos seus cabelos caindo, mas eu pude ver alguns fios no lençol da cama hospitalar e outros no banco do Volvo.

Depois de horas de quimioterapia levei mamãe de volta para a mansão, ela estava cansada e enjoada, pediu que eu a deixasse sozinha no quarto para dormir um pouco. Acatei seu pedido, mas não fui embora, já que meu pai ainda não tinha voltado para casa.

Fiquei na sala checando os números para a compra da marca Boyne no dia seguinte, nós teríamos de usar um dinheiro reserva, já que ainda não tínhamos conseguido novos investidores, mas eu arriscaria e adquiriria a marca que meu pai e avô sempre quiseram. Que eu também sempre quis, teríamos os hotéis Boyne.

Vi mais umas três vezes o valor que eu tinha disponível para arrematar a marca no leilão, respondi mensagens de Bella e Jasper e fui ver como minha mãe estava. Entrei em seu quarto, mas não a vi na cama.

— Mãe? — Ouvi sons de choro do banheiro e fui correndo para lá. — Mãe! — gritei quando entrei lá, me deparando com Esme segurando uma tesoura em mãos, enquanto ela cortava seus cabelos.

— Sai daqui, Edward! — gritou comigo. — Não quero que veja isso.

— Po-Por que você está fazendo isso? — questionei petrificado no meu lugar.

Ela largou a tesoura na pia, um lado de sua cabeça já tinha os cabelos cortados na altura da orelha. Suas mãos se agarraram ao balcão da pia, enquanto ela chorava de forma desesperadora.

Fui até ela, minhas mãos tremiam, eu toquei em suas costas e a puxei para um abraço. Chorei junto com ela, foi impossível não chorar.

— É ridículo, mas sempre amei meus cabelos e agora eles estão indo — ela falou. — Não quero passar por isso aos poucos, não posso ver fio a fio cair, isso só me destruiria mais.

— Mãe, você... — Me calei, sem saber em como ajudá-la naquele instante. — Sabia que eu já tive meu primeiro cabelo branco? — falei por fim, Esme me soltou, olhando-me abismada, mesmo com seu choro.

— Sério?

— É, Bella o encontrou semana passada, o arrancou e estou fingindo que ele nunca existiu, mas para falar a verdade ainda o sinto aqui. — Limpei as lágrimas do seu rosto, então toquei no lado cortado dos seus cabelos. — Você quer que eu acerte o outro lado?

— Quero cortar tudo, raspar, não quero que sobre nada — falou decidida, mas seu choro era sofrido.

— Mãe, isso pode fazer você se arrepender depois.

— Preciso disso, filho. — Tocou no meu rosto. — Me ajude, por favor.

— Como você vai sair na rua assim de uma hora para a outra, mãe? Está pronta para deixar todos descobrirem?

— Eu mandei fazer uma peruca — murmurou. — No dia seguinte que descobri o câncer. Cabelo natural, ruivo, uma cor próxima a minha. Eu dei cinco mil dólares nisso, acredita? Mas, era preciso, eu preciso dela — falou desesperada. — Só não quero ver meus cabelos caindo dia após dia, não quero sentir que estou partindo.

Assenti, entendendo o que ela queria dizer. Peguei a tesoura na pia e cortei o outro lado de seus cabelos, os deixando caírem no chão, ela respirou fundo, tentando parar de chorar.

Mamãe passou a mão por eles, beijei sua cabeça, ela me pediu para continuar. Cortei mais um pouco com a tesoura, então peguei a máquina de cortes de papai e passei pela cabeça de Esme, vendo o cabelo desaparecer cada vez mais, dando lugar ao seu couro cabeludo aparente.

— Deus! — ela exclamou, fraquejando em suas pernas quando se viu no espelho após o corte.

Se eu estava a estranhando, não podia imaginar como ela estava se sentindo.

— Estou horrorosa, isso é terrível.

— Você parece o Tio Fester da Família Adams — brinquei, mamãe olhou para mim incrédula, então caiu numa gargalhada.

— Eu pareço mesmo, não? — Passou a mão por sua cabeça.

— Só vou te chamar assim agora, mãe. — Me apoiei no balcão da pia, a olhando pelo espelho.

— Garoto encrenqueiro! — ralhou comigo, passando sua mão em meus cabelos. — Ei, acho que encontrei outro cabelo branco aqui — provocou.

— Não brinca com isso, mãe. — Ela riu mais, se apoiando ao meu lado. — Você continua bonita, fica sabendo disso, Tio Fester.

Ela assentiu.

— Não importa se você tem cabelos ou não, mãe, apenas quero que você se cure e se a quimioterapia vai te deixar careca, que seja, nós te ajudaremos a passar por isso. Só preciso que você fique bem, todos nós precisamos.

Mamãe me abraçou, eu fui a pessoa chorando naquele instante, sozinho nos braços dela.

— Esme? — Nos soltamos, papai estava na porta do banheiro.

— Carlisle. — Mamãe estremeceu, colocando as mãos sobre sua cabeça. — Me deixa...

— Você os cortou. — Ele entrou no banheiro, os olhos focados nela.

— Estou ridícula, me deixa ir colocar uma peruca ou lenço, por favor.

— Calma ai, Tio Fester. — Papai me olhou confuso. — Da Família Adams. — Ele lembrou e riu.

— Não ria de mim, Carlisle! — mamãe exclamou aborrecida.

— Não estou rindo de você, querida. — Papai se aproximou dela. — Estou rindo da associação que Edward fez. — Ele tocou no rosto dela, lentamente subindo sua mão para a cabeça de Esme, que ficou mais apreensiva.

— Diga algo, Carlisle.

— Eu amo você, sempre irei amar — ele falou. — E com cabelos ou sem, sempre continuará sendo a garota ruiva que roubou meu coração no primeiro momento, a que me deu uma família e a que ainda me faz ficar deslumbrado com a beleza dela, sua compaixão e inteligência.

Mamãe voltou a chorar, mas logo estava beijando papai.

Sai discretamente do banheiro, deixando os dois terem um tempo entre eles. Cerca de meia hora depois Carlisle me encontrou na sala de estar, sentou ao meu lado no sofá e respirou fundo.

— Ela dormiu.

— Ela estava bem cansada.

Ficamos em silêncio por um longo tempo, até que Carlisle se pronunciou.

— A marca Boyne foi comprada hoje, Edward.

— O quê? — gritei. — Como assim? O leilão aconteceria amanhã!

Carlisle deu de ombros.

— Fiquei sabendo disso pouco antes de chegar aqui, aparentemente James Smith conseguiu fazer uma compra fechada, o leilão foi cancelado.

— James?

— James.

— Isso só pode ser brincadeira!

— Ele também estava no jantar onde descobri sobre a venda, devia estar planejando desde então a compra. — Carlisle olhou para mim. — Ao menos foi James, não Eleazar. Você ainda pode conseguir que ele se torne um investidor do Grupo Cullen, pode arranjar um meio da marca Boyne passar a ser controlada pela gente.

***

Minha cabeça estava a mil na manhã seguinte, eu sairia de casa direto para a empresa dos Smith, precisava encontrar James e reforçar o pedido de investimento, principalmente depois dele se tornar o dono da marca Boyne. Aquilo tornava tudo mais complicado, mas eu tinha de tentar.

— Não acredito que James comprou a marca Boyne — Bella repetiu pela milésima vez aquela manhã, eu estava tomando meu banho depois de malhar, ela estava se maquiando no banheiro.

— Nem me fala.

— Alguma noticia de Lauren?

— Nada. — Sai do chuveiro, enrolado em uma toalha, bem na hora que o celular de Bella tocou sobre a bancada.

— Oi, Rose! — ela falou com minha irmã ao atender a chamada. — Sim, ele está aqui. — Bella me entregou o celular.

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— Oi.

— Edward — Rosalie falou agitada. — Eu estava mexendo no Instagram e acabei de ver algo.

— Você me ligou para conversar sobre uma rede social? — reclamei.

— Liguei para te contar o que vi nessa rede social. — Suspirou. — Irina acabou de anunciar que está namorando.

— Isso realmente não é da minha conta, Rose.

— Ela está namorando James Smith, Edward.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 17.02.18