Nossa Família

46 Capítulo Quarenta e Cinco — Diretor


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Marcela Goulart que recomendou a fic, muito obrigada, flor ♥ Boa leitura! :D

— Capítulo Quarenta e Cinco —

— Diretor —

Edward Cullen

Parecia que alguém tinha me acertado com um soco, bem no meu estômago. Não conseguia processar aquela informação absurda direito, simplesmente soava como um grande pesadelo.

— O que você disse, Rose? — indaguei minha irmã, querendo ter certeza do que ela tinha acabado de me dizer.

— James e Irina estão namorando — Rosalie falou em bom tom para que eu escutasse. — Você acredita nisso?

— Não, eu não acredito nisso.

— No que você não acredita, querido? — uma curiosa e apreensiva Bella, parada a minha frente, perguntou.

— James está namorando Irina — contei para ela, que arregalou os olhos.

— Ela o que?

— Isso mesmo que ouviu. Rosalie?

— Eu sei sobre James ter comprado a Marca Boyne — minha irmã voltou a falar. — Edward, eu acho que isso, ele ter comprado a marca, foi culpa minha — disse nervosa.

— Como assim?

— No encontro que tive com ele, eu falei sobre a venda da Marca, o leilão ainda não tinha sido anunciado para todos e James não fazia ideia da venda. — Rosalie suspirou. — É culpa minha, eu entreguei a um empresário a compra que vocês fariam e o deixei tomar a dianteira da situação.

— Rose, nada disso é sua culpa — afirmei. — James tinha o direito de tentar comprar antes do leilão e fez isso, eu que fui burro em não ter feito o mesmo antes — me queixei, mas não, tinha sido tão honesto e esperado o momento que todos teriam aquele direito igualmente. Algumas vezes ser honesto era uma droga!

— Não é uma coincidência ele estar namorando justamente Irina Denali, é?

— Não, com certeza isso não é uma coincidência.

— Aquela babaca! — Rosalie xingou. — Só te liguei para falar isso, estou tão irritada com esse assunto todo, vou ligar para o papai agora. — Ela mal tinha acabado de falar e a ligação foi finalizada.

Devolvi o celular para Isabella, que continuava com uma expressão nada boa.

— Irina e James?

— É — confirmei, vendo-a apertar o celular em suas mãos. — Com certeza Eleazar deve ter um dedo, ou todos os dez, na compra antecipada da Marca Boyne.

Bella assentiu.

— Mas, ele poderia ter feito isso por si só.

— Poderia, mas ele também pode unir forças com os Smith e tornar os negócios para si muito mais lucrativos. — Engoli em seco, pensando em como a situação do Grupo Cullen estava debilitada, enquanto Eleazar movia-se sorrateiramente pelas beiradas tomando mais poder para si. — Principalmente pelo fato do pai do James ser o governador do estado, você pode imaginar como seria bom para Eleazar que o sogro da sua filha fosse justamente um governador?

— Os Smith entram com os benefícios políticos, os Denali com a grana — Bella murmurou. — Soa como uma combinação perfeita.

Respirei fundo, passando uma mão por meu rosto.

— Bella, eu não posso mais contar com James como um possível investidor — murmurei, sentindo todo o estresse voltar a me atacar. — Lauren, se investir, será só metade do dinheiro necessário, não faço ideia do que fazer.

Minha esposa tocou carinhosamente em meu braço.

— Você vai conseguir um novo investidor, amor — Bella afirmou. — Irá resolver qualquer problema que possa ter surgido no Grupo Cullen nos últimos tempos e seu pai continuará te apoiando como diretor financeiro, futuramente como um candidato a presidência dos negócios.

Como eu conseguiria um novo investidor em tão pouco tempo? Carlisle tinha me dado até sexta-feira para resolver tudo aquilo, se não conseguisse ele iria assumir a resolução daquele problema e isso não seria nada bom para mim.

— Edward? — Bella me chamou. — Vá se arrumar para trabalhar, querido — ela orientou. — Siga para a empresa e pense em quem pode ser um possível investidor nos negócios.

— Me ajude — implorei.

Minha esposa segurou meu rosto com ambas as mãos, seu olhar era sério, mas ela sorriu.

— Sabe que seu pai quer que você faça isso sozinho, sem minha ajuda. Entretanto, sei que você é capaz de resolver tudo isso só, não precisa de mim te pegando pela mão e indicando o que deve ou não fazer.

— Você acha?

— Eu tenho certeza.

***

Fiquei praticamente mudo durante todo o café da manhã, pensando em como iria lidar com tudo que tinha de resolver, mesmo com as crianças estando animadas, eu não fui capaz de seguir a animação delas. Deixei Isabella levar Renesmee e Matthew para a aula com Felix, eu queria ir direto para a empresa e dirigir me ajudaria a acalmar.

Estava parado em um sinal vermelho, obviamente pensando em James, Irina e Eleazar, quando decidi mudar meu percurso. No fundo sabia que seria patético ir até a empresa dos Smith falar qualquer coisa que fosse para James, mas ainda assim me vi dirigindo até lá.

Os assistentes da portaria liberaram minha entrada facilmente, assim que eu falei meu sobrenome. Entretanto, a assistente pessoal de James não queria me deixar falar com ele, alegando que eu não tinha uma hora marcada.

— Vamos, Sally — insisti, lendo seu nome no crachá, sorrindo para a mulher e me apoiando em sua mesa. — Apenas anuncie ao seu chefe que estou aqui, não há problema algum nisso.

— Lamento, senhor Cullen, não posso fazer isso — a mulher negou outra vez. — Meu chefe pediu para não ser interrompido, ele está com a namorada.

O sorriso morreu do meu rosto instantaneamente, olhei para a porta que levava a sala de James. Irina estava lá dentro? Se bobeasse até Eleazar estava lá, sendo o controlador que era, provavelmente os três estavam armando o próximo passo em seu joguinho de poder.

— Muito obrigado pela informação, Sally — agradeci a assistente, ergui meu corpo e caminhei até a porta da sala de James.

— Senhor Cullen, você não pode... — Não a deixei ter tempo para me impedir, abri a porta de uma vez, me deparando com James e Irina lá dentro.

O empresário estava sentado na beira de sua mesa, enquanto a Denali em pé diante dele. James falava algo sobre o pai dele ir até Chicago em breve, para que pudessem jantar juntos, entretanto ele se calou quando me viu.

— Edward!?

Irina olhou para trás, deparando-se comigo. Ela parou de respirar, parecendo que tinha sido pega fazendo algo muito errado.

— Senhor Smith, eu juro que disse ao senhor Cullen que ele não poderia entrar aqui — Sally apareceu ao meu lado, falando com muito nervosismo em sua voz. Me senti mal por ela, pelo fato de que eu podia estar a colocando em possíveis problemas com seu chefe.

— Ela não tem culpa pela minha invasão — falei diretamente para James.

Ele rolou os olhos.

— Pode sair — ele ordenou para sua assistente, que saiu rapidamente, fechando a porta. — O que veio fazer aqui, Edward?

— Isso é realmente sério? — Gesticulei dele para Irina, que continuava olhando para mim com culpa.

— Edward — ela sussurrou.

— Sim, isso é realmente sério. — James deixou sua mesa, parando ao lado da nova namorada e segurando na mão dela. — Era isso o que queria saber, Edward?

— Você sabe com quem está se metendo, não sabe? — indaguei o loiro, talvez ele tivesse alguma ingenuidade e não soubesse os traidores que os Denali eram.

— Cuidado com o que insinua, Edward! — Irina falou entre dentes, largando da mão de James.

— Ah claro, por que estou insinuando inverdades? Você e seu pai não passam de dois... — Me calei, eu não queria acabar com um processo nas costas por xingar Irina e Eleazar, por mais que soubesse que minhas palavras seriam totalmente verdadeiras. — Bom, qualquer tipo de negociação entre nós dois está cancelada — falei para James, que assentiu.

— Suspeitei disso — ele falou. — Espero que consiga o tal investidor para seu negócio. — James caminhou até mim. — Tenho de te desejar sorte, agora que sou o mais novo dono da Marca Boyne você e eu estaremos competindo no ramo da hotelaria. — Estendeu uma mão para mim. — Espero que seja uma luta justa.

Me recusei a apertar sua mão, James não se abalou por isso.

— Conte a ele, James — Irina disse em um tom imperativo. — Ele precisa saber da novidade!

— Irina será a presidente da Marca Boyne — James contou, eu gargalhei.

— Ah, então nossa luta será muito injusta, James. Irina não serve para ser uma presidente, irá arruinar seus negócios.

— Seu idiota! — Irina me xingou, mas a ignorei.

— Eu sinto muito por isso, mas pelo menos isso me diz que logo a Marca Boyne precisará ser vendida novamente, então eu a irei comprar quando isso acontecer. — Olhei para Irina. — Diga ao seu pai que ele pode ter deixado o Grupo Cullen, mas que isso foi uma coisa boa para nós, estamos muito melhores sem vocês por lá.

— Estão, Edward? Pelo o que James me falou você estava praticamente implorando dias atrás para que ele investisse no grupinho de vocês, sem a grana da minha família, sem o apoio dos Denali, irão fracassar. — Irina sorriu. — Eu amarei ver você e todos os outros Cullen caírem, principalmente sua esposinha.

— Você sabe que está namorando com uma mulher obcecada por mim? — questionei James, que fechou a cara.

— Agora chega! — exclamou impaciente. — Vá embora, Edward, ou irei chamar os seguranças.

— Não precisa gastar seu tempo — declarei, estava prestes a me virar e ir embora, quando vi o colar que tinha dado para Irina quando namoramos em seu pescoço. — Você está com outro cara agora, Irina, se livre desse maldito colar e pare de me cercar.

Ela tocou no colar em seu pescoço, mas não disse nada, James também ficou quieto. Eu sai da sala logo em seguida, precisava ir embora do covil Denali-Smith e começar a cuidar do Grupo Cullen.

***

Assim que cheguei ao meu trabalho fiz uma lista com os possíveis investidores — empresários, famosos, políticos — que restavam, então eu escrevi o nome de cada um em folhas separadas e as coloquei no chão. As organizei em categorias, podendo ter uma noção melhor de quem seria o mais ideal para investir.

Eu estava andando entre as folhas, enquanto comia batata frita de um pote imenso que pedi do restaurante do hotel, quando minha porta se abriu. Alice surgiu ali, o que com certeza me pegou de surpresa, ela era a última pessoa que eu estava esperando ver naquele momento.

— O que você quer? — quis saber, vendo Alice bater a porta atrás de si, ela não era muito discreta. — E por que Jessica não te anunciou? Eu deveria a demitir de uma vez!

Ela fez uma careta.

— Você sabe que comendo tudo isso vai ficar gordo, né? — Ela apontou para minhas batatas. — Quer dizer, mais gordo do que já está.

— Ei! — gritei, largando o pote de batatas fritas sobre minha mesa. — Não estou gordo. — Toquei na minha barriga, querendo me certificar daquilo. Só o que me faltava era acabar gordo, principalmente depois de eu ter achado a droga daquele fio de cabelo branco na minha cabeça.

— Só estou falando! — Ela ergueu as mãos para cima, olhando para as folhas no chão. — Que tipo de brincadeira é essa?

— O que você veio fazer aqui? — perguntei, ainda indignado com o que ouvi.

— Eu sei como te ajudar, com a história do investimento. É um bom motivo para eu estar aqui, não acha? — Gesticulou para os nomes no chão. — Aparentemente você estava pensando sobre possíveis investidores, reconheço alguns nomes.

— Espera... Vamos do começo — pedi.

— Falei com Jasper ontem a noite, ele me contou que você disse a ele que James, que estava sendo cogitado como um possível investidor, tinha comprado a Marca Boyne e hoje acordei com os jornais noticiando que Irina Denali tinha acabado de publicar no Instagram que estava namorando justamente com James. Bom, eu deduzi que vocês não iriam mais poder fazer negócios com James.

— Sim, você está certa. — Balancei a cabeça em um aceno positivo. — E como você pode me ajudar nessa? Sem ofensas, mas seu negócio é ser uma jornalista de moda, não uma administradora. Também não sei muito sobre sua conta bancária, mas suponho que não tenha lá o dinheiro necessário para esse investimento.

— É, está certo quanto a isso — afirmou. — Mas, você está se esquecendo de algo, Edward.

— Estou?

— Sim, eu tenho um pai adotivo com uma conta bancária bem gorda. Peter Brandon pode ser o investidor que você procura, o que acha?

— Seu pai...

— O presidente norte americano da Lex, a marca coreana de celulares e eletrônicos em geral. — Ela balançou o seu que estava em sua mão. — Ele tem alguns investimentos pelo que bem sei, investir aqui no Grupo Cullen pode ser um bom negócio para Peter.

Caminhei até o sofá, sentando lá, Alice se uniu a mim para que pudéssemos conversar melhor.

— Eu vi no jornal que Peter está em Chicago, amanhã ocorrerá um lançamento da Lex aqui e ele veio participar.

— Ele não te avisou que estava vindo para cidade que você mora?

Alice riu, mas não uma risada realmente bem humorada.

— Sabe que não somos esse tipo de pai e filha, Cullen. Enfim, eu posso falar com Peter e conseguir um tempinho na agenda dele para vocês se encontrarem, o que acha?

— Pode ser uma boa ideia — falei, ainda receoso com aquilo.

O celular de Alice tocou.

— É do meu trabalho — ela disse, silenciando a ligação. — Preciso ir fazer uma entrevista com uma modelo, mas ligarei para Peter e irei conseguir um horário com ele, fique em alerta, pode ser a qualquer momento. — Alice se colocou de pé, eu a imitei.

— Tudo bem — concordei. — Ficarei esperando seu contato, obrigado por isso.

— Sem problemas.

— Como você está? Sobre a gravidez, quero dizer.

Ela deu um sorriso mínimo.

— Ainda processando a informação, mas bem mais tranquila do que o imaginado. Mal vejo a hora de sábado chegar e contar para Jasper, eu ainda tenho que comprar um anel e pedi-lo em casamento. — Eu ri ao imaginar a cena. — Ah, quero você e Bella presentes, ouviu? Não seria o mesmo sem os dois por lá.

— Nós iremos — garanti.

O celular dela voltou a tocar.

— Preciso mesmo ir agora, Edward, essa modelo é uma daquelas afetadas e irritantes! — exclamou revirando os olhos, já se movendo para fora da minha sala.

Respirei fundo, olhando para os nomes no chão, eu deveria acrescentar Peter Brandon à lista.

***

Alice me ligou algumas horas depois, anunciando que Peter Brandon poderia jantar comigo aquela noite. Ela também participaria, o que não parecia a agradar muito. Quando contei tudo aquilo para Bella, minha esposa ficou visivelmente surpresa, mas não poderia ir jantar comigo, achou melhor ficar longe da negociação e passar um tempo em casa com as crianças.

Eu voltei para nosso apartamento para trocar de roupas, de lá iria buscar Alice na casa dela e iriamos para o restaurante que Peter tinha escolhido. Bella estava sentada em nossa cama, mexendo em seu celular, as crianças estavam no andar de baixo brincando com Nelly e os filhotes, antes que fosse a hora deles de jantar.

— Você acha que estou gordo? — perguntei para Bella, terminando de abotoar minha camisa social.

— Não, querido, você não está gordo — ela garantiu, levantando um olhar para mim. — Sua mãe me mandou uma foto dela sem a peruca. — Suspirou.

— É, isso vai ser difícil de se acostumar. Quer dizer, se ela ficar sem a peruca realmente. — Balancei a cabeça, tentando esquecer aquela complicação naquele momento. — Melhor eu ir de uma vez.

Bella assentiu, sorrindo para mim.

— Bom jantar, espero que o Brandon seja ao menos um bom negociador e reconheça o investimento como algo bom.

— É, ele é um possível bom investidor, melhor do que o James com certeza. — Bella fechou a cara, ela não tinha ficado nada feliz quando lhe contei que tinha me encontrado com James e Irina aquela manhã.

— Mamãe? — Nós olhamos para a entrada do quarto, Matt estava lá, com um sorriso no rosto.

— Sim, filho? — O sorriso de Bella voltou ao seu rosto.

— Eu posso comer cookies antes do jantar? A tia Nelly fez — Matt contou.

— Não, Matthew — Bella negou. — Nós iremos jantar em breve, não quero que perca seu apetite por estar comendo o que não deve na hora errada.

— Tudo bem — Matt concordou, com um bico nos lábios. — Você vai sair, Edward?

— Vou sim, tenho um jantar de negócios para ir.

— Como assim um jantar de negócios? — ele perguntou interessado, sentando na cama com Bella.

— É quando duas ou mais pessoas se reúnem durante um jantar para conversar sobre trabalho — expliquei.

— É legal? Posso ir junto?

— É legal algumas vezes. — Dei de ombros. — E você não pode ir, pelo menos não nesse, Matt — acrescentei. — Quem sabe em um outro, preciso ir agora, se comporte. — Estendi uma mão para ele, que retribuiu o toque.

Me despedi dele e de Isabella, então de Nelly e Renesmee no primeiro andar. Peguei meu Volvo e dirigi até o apartamento de Alice, mandei uma mensagem para ela avisando que já estava lá fora, a madrinha da minha filha não demorou a aparecer.

— Eu te odeio! — ela exclamou quando entrou no carro, batendo a porta com força.

— Cuidado com meu carro! — falei exasperado.

— Eu devia bater a porta na sua cara, Cullen.

— Qual o motivo do seu ódio?

— Jasper acabou de me ligar e avisou que ficará em Boston além do previsto, ele só voltará no sábado, porque tem muito trabalho a fazer lá.

— Ah, isso? Não posso fazer nada. — Voltei a dirigir. — É o trabalho dele.

— E eu tenho que ficar sem meu namorado — ela resmungou, colocando o cinto de segurança.

— Pare de reclamar, sábado está logo ai e isso facilitará você guardar o segredo. — Apontei para sua barriga, ela riu baixinho.

— É mais fácil você contar antes de mim, seu fofoqueiro — acusou. — É cedo demais para pensar em nomes para o bebê? — indagou agitada.

— Você já pensou em nomes?

— Em vários! — Eu nem precisei perguntar mais nada, logo Alice estava falando a relação de nomes que tinha pensado para seu filho.

Ela estava cada vez mais animada com a gestação, eu só podia imaginar como Jasper ficaria tão empolgado. Aquilo por tabela me deixava animado também, eles mereciam estar na mesma página e felizes.

***

Alice e eu chegamos ao restaurante antes do pai dela, nós sentamos lado a lado em uma mesa. A jornalista inquieta, mexendo no guardanapo sobre a mesa sem parar, o dobrando e desdobrando mil vezes.

— Boa noite, sou o Jeff, serei o garçom de vocês essa noite, já desejam fazer seus pedidos?

— Ainda não — neguei. — Estamos esperando outra pessoa, mas você pode ver algo para bebermos enquanto isso. Alice, o que vai querer?

— Vodca…

— Vodca não — a lembrei daquele detalhe, afinal estando grávida Alice não poderia beber álcool, ela suspirou.

— Água — falou para o garçom.

— Para mim também — pedi a ele, que concordou e se afastou.

Alice e eu ficamos em silêncio, logo o garçom retornou com nossas águas. Ela ficou mexendo na taça sem parar, enquanto balançava sua perna, batucando o salto alto no chão.

— Há quanto tempo você não o vê? — perguntei para Alice, que estava claramente ansiosa ao meu lado.

— Muito tempo — murmurou, pegando sua taça com água e bebendo mais um gole do líquido.

— Quer mesmo fazer isso? — Fiquei preocupado com todo o nervosismo dela.

— Quero sim — ela confirmou, mesmo soando hesitante. — Vou ajudar o Grupo Cullen.

— Sabe que não precisa fazer isso, Alice — falei.

Ela balançou a cabeça em uma negativa.

— Preciso sim. Bella é minha melhor amiga e uma Cullen, minha afilhada é uma, seus pais sempre trataram Jasper e eu absurdamente bem como se fossemos da família e você é praticamente o namorado do meu namorado. — Ela deu um meio sorriso. — Me sinto bem em ajudar, só nervosa em ver Peter.

— Pode ir embora no meio do jantar, alegar qualquer coisa e não precisar passar muito tempo com ele.

— É talvez eu faça isso. — Respirou fundo, mesmo com a maquiagem eu podia ver que ela estava pálida. — Lá está ele. — Segui seu olhar, vendo Peter Brandon andando até onde estávamos.

O homem tinha uma estatura média, usava um terno, sua camisa social estava com uma saliência pelo fato dele ostentar uma barriga. Seus cabelos eram pretos, mas Peter tinha a parte frontal da sua cabeça calva.

— Aqui, senhor Brandon. — A recepcionista do restaurante que o acompanhava indicou nossa mesa, Alice e eu nos colocamos de pé ao mesmo tempo. Ela que estava mais próxima do pai falou com ele primeiro, o cumprimentando com um rápido abraço.

— Oi, Peter.

— Olá — ele falou, sem demonstrar grande sentimentalismo em estar vendo sua única filha. Eu já estava morrendo de saudades dos meus filhos no fim do dia, como não era assim para ele?

— Este é o Edward Cullen — Alice me apresentou.

— Claro, o reconheço. — Ele apertou minha mão rapidamente quando a estendi para ele. — Conheci seu avô alguns anos atrás.

— Anthony…

— Não, Harrison Masen — Peter me corrigiu, foi impossível para mim não fechar a cara.

— Ah, claro. Harrison Masen — resmunguei.

— Algum problema com seu avô, Edward?

— Não, problema algum — menti descaradamente. — Por que não nos sentamos?

— Claro. — Peter se sentou, deixando com que Alice e eu pudéssemos nos sentar também. — Cadê seu namorado? — ele indagou a filha. — Como ele se chama mesmo? Jackson, não?

— Não, ele se chama Jasper — Alice corrigiu o pai, torcendo o nariz. — E ele está em Boston a trabalho, aliás, Jasper trabalha no Grupo Cullen.

— É o vice diretor financeiro — falei.

— E você o diretor? — Peter se voltou para mim.

— Isso mesmo — confirmei.

O garçom foi nos atender, todos fizeram o pedido e quando o homem se afastou Peter perguntou:

— Ok, qual sua proposta de investimento para mim, Cullen?

Alice voltou a se remexer na cadeira.

— Eleazar Denali era um dos maiores investidores do Grupo Cullen — comecei a explicar. — Mas, recentemente ele retirou seus investimentos, deixando o espaço dele vago.

— O espaço e um rombo nas contas — Peter disse. — De quanto estamos falando?

Peguei um cartão no meu bolso onde já tinha escrito o valor, repassando para Peter.

— Uau, Cullen. — Arqueou suas sobrancelhas. — Isso é um belo valor!

— Poderá cair para metade, se Lauren Mallory decidir investir 50% também, estou aguardando a resposta dela para amanhã.

— Isso seria muito útil para minha carteira. — Ele bebeu do seu uísque que o garçom levou naquele momento para nossa mesa. — Por que vocês não estão me acompanhando na bebida mesmo?

— Estou dirigindo — respondi.

— Alice?

— Não estou bebendo — ela murmurou.

— Ah sim, bom que não beba e acabe indo para a reabilitação como Martha.

— Espera, o que? — Alice praticamente gritou, seus olhos se arregalando. — Martha foi para reabilitação?

— Sim — Peter respondeu como se estivesse falando sobre sua ex-esposa ter ficado somente gripada. — Acho que foi no verão do ano passado, só sei que eu tive de custear o tratamento, já que ainda sou obrigado a pagar pensão para aquela mulher. — Ele revirou os olhos. — Ela ficou numa clínica bem privada na Espanha, parecia mais um spa.

— E-Eu n-não sa-sabia dis-disso — Alice gaguejou.

— Não dê importância, ela já está por aí bebendo novamente. Cullen, tente me convencer a investir nesse negócio. Sinceramente, isso parece uma furada para mim, já que vocês acabaram de perder seu maior investidor e pelo que todos sabem Denalis e Cullens são muito próximos.

Suspirei, cansado dos problemas que os Denali continuavam causando para o Grupo Cullen.

— As coisas mudaram…

— Com licença, eu preciso ligar para a Martha! — Alice me interrompeu, colocando-se de pé num rompante, ela tinha dado somente dois passos para longe da mesa quando caiu de joelhos no chão.

— Alice! — gritei, indo até ela com rapidez.

Ela continuava caída no chão, apoiada em seus joelhos e suas mãos. Estava mais pálida do que antes, quando toquei em seu braço senti como sua pele estava fria e sua cabeça tombada para frente.

— Alice, fale comigo! — Toquei no rosto dela, a mulher continuava molhe.

— Estou muito tonta — ela conseguiu dizer, com uma careta no rosto, seus braços fraquejaram um pouco e se eu não estivesse a segurando ela poderia ter caído por completo no chão.

— O que aconteceu com ela? — Peter perguntou em pé ao nosso lado, eu já podia ouvir o burburinho das pessoas no restaurante e algumas nos cercando.

Consegui erguer o corpo de Alice, em seus saltos ela mal conseguia se sustentar.

— Pegue água para ela! — exigi para Peter, que se moveu até a mesa e pegou a taça com água para Alice. — Aqui, beba isso. — Forcei ela a beber, ainda a mantendo de pé apoiada em mim.

— Não me sinto bem — ela sussurrou. — Minha vista está escurecida.

— Vamos para o hospital! — anunciei, preocupado com ela e com o bebê.

— Sim. — Alice choramingou, tocando em sua barriga.

— Preciso levá-la ao hospital — anunciei para Peter, que continuava confuso com tudo aquilo.

Não dei tempo para Peter dizer nada, já levando Alice para fora do restaurante, estava esperando o manobrista com meu carro, quando o Brandon apareceu.

— Vou com vocês — ele declarou, me ajudando a colocar Alice no banco de trás do Volvo, entrando lá atrás com ela.

Corri com o carro até o hospital mais próximo, quando chegamos ao local eu coloquei Alice em uma cadeira de rodas, sem querer que ela fizesse esforço andando. Empurrei a cadeira até o balcão da recepção, o hospital estava lotado, mas não a deixaria esperando.

— Ela teve uma tontura e caiu no chão, está com a vista escurecida...

— Senhor, ela tem de tirar uma senha para ser atendida — a recepcionista com quem eu falava me cortou.

— Ela está grávida, não pode ficar esperando! — exclamei irritado.

— Você está grávida? — Peter indagou incrédulo.

— Estou — Alice sussurrou.

— Certo, certo. Vamos levá-la direto ao médico — a recepcionista disse, chamando por uma enfermeira que foi até Alice.

— Quero ser consultada sozinha. E não fala nada para o Jasper, Edward — Alice exigiu para mim antes de deixar a enfermeira a levar.

— Vocês precisam assinar a ficha médica dela — a recepcionista me entregou alguns papéis.

— Não faço ideia do que colocar nos dados dela. — Estendi os papéis para Peter, que engoliu em seco.

— E-Eu... — ele gaguejou.

— Certo, entendi! — Bufei, tirei meu celular do bolso e disquei o número de Bella. — Querida?

— Oi, amor! — ela exclamou. — Você não deveria estar jantando agora? Já fecharam o acordo?

— Não, mal conversamos sobre isso. Por favor, não se desespere, mas Alice passou mal e nós estamos no hospital.

— Espera, o quê?

— Ela caiu no chão, não sei dizer o que aconteceu direito — falei. — Ela está na sala do médico agora — expliquei para Bella.

— Vai ficar tudo bem? — minha esposa perguntou com tensão na voz.

— Eu não sei, acho que sim. — Suspirei. — Vamos esperar que sim.

— Estou indo ai!

— Não, Bella, não — recusei. — Fica em casa com as crianças, certo? Estou aqui e Peter também. — Olhei para o homem parado alguns passos de mim, que parecia perdido em seus pensamentos.

— Peter Brandon está no hospital?

— É, está — confirmei. — Juro que vou te manter informada de tudo, tá bom? Só me passa os dados de Alice, eu não faço ideia de por onde começar.

— Tá, tá bom. — Bella suspirou alto. — O nome dela é Mary Alice Brandon...

— Mary, sério? — Comecei a anotar.

— É, mas ela odeia o Mary, por isso nunca é chamada assim, ou se apresenta com o nome completo.

— Eu devia ter ficado sabendo disso antes, agora sei como provocá-la.

— Edward, foco!

— Tá, tá, foi mal.

Deixei Bella terminar de me passar todos os dados de Alice, acabei de preencher a ficha dela e devolvi para a enfermeira, depois de finalizar a ligação com minha esposa, prometendo que a manteria informada sobre tudo.

— Eu não fazia ideia de que Alice estava grávida — Peter falou quando me aproximei dele.

— Você não a conhece tão bem, não?

Ele assentiu.

— É, não sou um grande pai.

— Nem um pai médio, muito menos um pequeno — resmunguei. — Alice contou sobre a verdade, a adoção, o fato de você e Martha debaterem com quem ela ficaria após o divórcio, pois vocês não a queriam e bom, em todos esses anos que conheço Alice, ela quase nunca falava sobre os pais e eu acho que está bem óbvio o motivo disso.

— Quem você pensa que é para me julgar? — ele questionou entre dentes.

— Está certo, Peter, não sou ninguém para te julgar. Mas, olhe para si mesmo e julgue a si próprio, tenho certeza de que verá o mesmo que eu estou vendo.

Fui me sentar em uma das cadeiras da recepção, o homem se juntou a mim, mas não falamos nada. Um bom tempo depois uma enfermeira apareceu, anunciando que Alice estava em um quarto esperando por nossa visita.

Alice estava deitada numa cama hospitalar no quarto, usando uma bata médica e com marcadores de pressão e batimentos cardíacos ligados a si, ela também estava tomando soro.

— E ai? — perguntei.

— Pressão baixa — ela falou. — Eu não me alimentei direito durante o dia — continuou a contar. — E tudo isso levou minha pressão a cair drasticamente, mas o médico disse que é normal que a pressão das mulheres gestantes caiam no começo da gestação, pelo fato do corpo estar se acostumando as mudanças pelas quais está passando.

— Mas, você está bem?

— Estou. — Ela olhou rapidamente para Peter parado a porta do quarto. — Apenas cansada, mas fizeram uma ultrassom e pude ouvir o som do coração do bebê. — Seus olhos brilharam. — Isso foi incrível, queria ter gravado para mostrar ao Jasper no sábado, mas ele escutará logo mais.

— Então, tudo certo com o bebê?

— Sim, sim! — Alice tocou na sua barriga de forma protetora. — A queda não foi feia ao ponto de afetá-lo de alguma forma. Bom, eu tomei uma medicação, agora estou com essa droga de soro, devo ser liberada em uma hora ou duas, no máximo, vocês podem ir embora, daqui pego um táxi para casa.

Ouvimos a porta abrir e Peter saiu, sem dizer mais nada.

— O médico falou que eu também estou muito estressada, tenho que pegar leve. — Apontou para a porta por onde seu pai tinha acabado de sair. — Acho que não foi uma boa ideia encontrá-lo, nem ficar sabendo sobre aquilo a respeito da Martha, mas ainda quero que você consiga o investimento, então vá atrás dele, Edward.

— Nem pensar — neguei, mandando uma mensagem de atualização para Bella. — Vou te deixar no seu apartamento, se for preciso ficarei lá essa noite para ter certeza de que você e o bebê estão seguros.

— Edward, não é necessário. O médico garantiu que estamos bem, ele só me pediu para ficar em repouso amanhã e me alimentar direito.

— Não me convenceu. — Dei de ombros. — Jasper não está em Chicago para cuidar de você e do bebê, eu farei isso.

Ela revirou os olhos.

— Você precisa pensar no Grupo Cullen.

— Vou pensar nisso amanhã, hoje vou me certificar de que você e o bebê estejam realmente bem. — Apertei o botão para chamar por uma enfermeira. — Já que você não jantou irá comer algo daqui mesmo, Mary.

Ela me olhou horrorizada.

— Pois é, Bella me deu seu primeiro nome para que eu pudesse preencher sua ficha médica, agora você vai ter de lidar comigo te chamando assim.

— Odeio você, Edward!

— Odeia nada, eu sou um máximo!

***

Cerca de duas horas depois o médico apareceu e liberou Alice, após checar todos os sinais vitais dela e da jornalista ter se alimentado com uma sopa de aspecto estranho e gelatina sem açúcar. Eu a deixei se arrumando com uma enfermeira, enquanto ia até a recepção finalizar a saída dela.

Quando voltei Alice já estava pronta para sair, com uma expressão clara de sono no rosto.

— Falei com Bella, ela acha melhor você ir para nosso apartamento, assim podemos ficar de olho em você — disse para Alice, me referindo a mensagem que minha esposa tinha acabado de me enviar. — Você fica no nosso quarto com ela, eu me instalo no escritório.

— Edward, isso não é necessário! — Alice insistiu.

Abri a boca para rebater, mas me interrompi com o som da porta sendo aberta. Alice e eu olhamos para lá, nos deparando com Peter aparecendo ali, carregando uma grande mala de rodinhas junto de si.

— Eu pensei que você tinha ido embora — Alice disse em choque pela presença de Peter ali.

— Não, eu estava fazendo algumas ligações — ele falou. — Estava cancelado minha participação no evento amanhã.

— Está indo embora de Chicago, presumo — Alice falou.

— Na verdade, não. — Peter balançou a cabeça em negação. — Larguei minha reserva no Hilton, estou indo para seu apartamento, Alice. Se você aceitar, claro.

— Para meu apartamento, por quê? — questionou, arregalando seus olhos.

— Você está grávida e passou mal — Peter falou, olhando ao redor. — Precisa de alguém por perto caso passe mal novamente, não consegui entrar em contato com nenhuma enfermeira particular, mas amanhã de manhã irei ligar e…

— Peter, foi só um mal estar, eu não preciso de uma enfermeira particular por isso — Alice falou rapidamente. — Também não preciso que você tome conta de mim, eu posso me virar muito bem sozinha.

— Alice? — Ela me olhou. — Por que você não aceita a ajuda do seu pai? — Me manifestei, ela ficou visivelmente indignada com minha sugestão, mas percebi o que Peter queria com aquilo, tentar ser um pouco do pai que não tinha sido até aquele momento.

— Alice, escute — Peter pediu. — Eu cancelei minha participação no evento que acontecerá amanhã, ainda terei algumas reuniões aqui ao longo da semana que precisarei participar, mas poderei ficar por perto e ter certeza de que você está bem. Me deixe ajudar, certo?

Alice respirou fundo, colocando as mãos sobre o rosto.

— Tudo bem, certo! — ela exclamou por fim, tirando suas mãos de frente do seu rosto. — Você pode ficar lá no meu apartamento.

— Excelente! — ele exclamou, dando um sorriso pequeno. — Vou pedir um motorista para vir nos buscar. — Saiu do quarto.

— Não o quero na minha casa — Alice disparou no instante que a porta se fechou.

— Ele está tentando se aproximar de você, Alice.

— Eu já tenho trinta e um anos, um pouco tarde demais para ele querer bancar o paizão.

— Ok, eu entendo que você tem todos seus motivos para ter raiva dele, mas Peter ao menos está tentando mudar algo agora. Isso pode não adiantar em nada? Sim, mas também pode realmente mudar as coisas entre vocês, se permita arriscar.

Ela cruzou os braços na frente do corpo.

— Não aja como um psicólogo para cima de mim.

— Foi mal. — Ergui as mãos para cima. — Vamos fazer assim, você vai para casa com Peter, caso as coisas com ele por perto te façam mal, irá ligar para mim ou Isabella, ai iremos te resgatar, o que acha?

— Acho que estou louca de aceitar Peter no meu apartamento — declarou. — Mas, vou tentar me manter calma, não quero prejudicar minha saúde ou a do bebê. — Levou suas mãos a sua barriga.

— Alice, vamos? — Peter retornou ao quarto. — O carro já chegou.

— É, vamos.

Eu saí com os dois do hospital, nenhum de nós dizia qualquer coisa.

— Edward — ele falou comigo antes de entrarem no carro. — Eu quero investir no Grupo Cullen.

Eu prendi a respiração ao ouvir aquilo. Alice deixou um sorriso tomar conta do seu rosto.

— 100 ou 50%, tanto faz. Me avise em breve o valor e quando poderemos assinar toda a papelada, também quero que os investimentos sejam controlados por Alice, ela será minha representante no conselho.

Alice ao nosso lado arfou.

— E todo o dinheiro de lucro deverá ir para o bebê.

— Peter, não… — Alice tentou recusar.

— Eu quero! — ele teimou. — Você é minha filha e o bebê meu neto, são minha família. Sei que você tem seu emprego e o pai do bebê o dele, mas quero ajudar.

— Não precisamos mesmo do dinheiro — Alice afirmou. — Eu não te peço dinheiro algum tem anos. Se você quiser conhecer o bebê e participar da vida dele pode fazer isso, mas não quero que ele te veja como um banco.

Os ombros de Peter caíram.

— É assim que você me vê, não?

— Era como eu te via a maior parte da minha vida, Peter. O cara que me dava dinheiro para estar fora do caminho dele, não pode fingir que as coisas não eram assim, pois eram. Só estou falando que se você quiser ser realmente um avô para o bebê que não ache que isso vai se resumir a criar uma conta no nome dele, se for esse seu significado para avô está bem errado e prefiro que nem chegue perto do meu filho. — Alice suspirou.

— Certo, os lucros podem ir para mim, mas eu continuo querendo que você seja minha representante no conselho.

Alice olhou para mim.

— Eu não entendo nada de negócios — falou temerosa. — Não quero prejudicar ninguém.

— Jasper entende muito bem. — Dei de ombros. — Ele pode te auxiliar, mas sabe que eu não deixaria você entrar numa roubada, pode contar comigo para te explicar cada detalhe dos negócios para quando você for necessária no conselho saber o que deve fazer.

Ela concordou com um aceno de cabeça.

— Que seja, eu aceito isso — falou por fim. — Só quero ir para casa dormir agora. — Ela me deu um abraço rápido. — Obrigada por tudo, Edward.

— Eu que agradeço pela ajuda ao Grupo Cullen. Avise se precisar de algo, por favor. — Afaguei suas costas, deixando-a em seguida entrar no carro.

— Obrigado por ter sido franco comigo, Cullen — Peter falou comigo, estendendo uma mão para que eu apertasse. — Sua honestidade me fez decidir por investir nos seus negócios.

— Cuide da Alice, certo?

— Vou dar o meu melhor.

— Faça ainda melhor do que isso, Brandon — exigi.

Ele assentiu.

— Não se esqueça de me manter informado sobre os negócios.

— Eu manterei — garanti, vendo-o entrar no carro junto de Alice.

Fui até o meu no estacionamento e dirigi para meu apartamento, chegando lá subi direto pela escada da cozinha para meu quarto. Nem estava com fome, sim elétrico com tudo aquilo.

Encontrei Bella na nossa cama, ela estava sentada, folheando seu livro de cabeceira sem realmente o parar para ler.

— Querido! — ela pulou da cama no momento que me viu. — Cadê a Alice? Como ela está?

— Ela foi para o apartamento dela, Peter irá ficar com ela. — Bella arfou. — Eu sei, surpreendente, mas de alguma forma Alice passando mal e ele descobrindo que ela está grávida mexeu com o Brandon.

— Ela está bem mesmo? E o bebê?

— Foi só um susto. — Afaguei o rosto de Isabella. — Peter vai investir no Grupo Cullen, o quanto for necessário.

— Isso quer dizer que Lauren investindo ou não...

— Que ela investindo ou não já temos o dinheiro para cobrir o espaço deixado por Eleazar.

Bella soltou um gritinho de felicidade, se pendurando em mim e me dando um longo beijo.

— Eu sabia que você ia conseguir isso, amor!

— Podemos comemorar? — Comecei a tirar o moletom que ela usava.

— Nós devemos comemorar, senhor Cullen.

***

Na quarta-feira de manhã eu fui até a Companhia Mallory receber a resposta de Lauren sobre sua participação, ou não, nos investimentos do Grupo Cullen. Eu estava mais tranquilo quanto a tudo aquilo, mas até ter todos os documentos de investidores assinados ainda não estaria totalmente relaxado, principalmente até garantir a Carlisle que eu podia fazer meu trabalho muito bem.

— Olá, Edward! — Lauren sorriu para mim de trás de sua mesa quando recebi autorização para entrar na sua sala, ela se levantou e apertou minha mão. — Como Bella e as crianças estão? — Ela se sentou, indicando a cadeira vaga para eu me sentar.

— Estão bem — respondi assentindo. — E Logan?

— Bem também. — Ela continuou sorrindo. — Nós estamos cada vez mais certos de que tentaremos uma adoção, mas isso não é o que te trouxe aqui hoje.

— É, não é — confessei.

— Bom, sua resposta para os investimentos é sim — ela foi direto ao ponto. — Mas, apenas 50%, isso ainda funciona para você?

— Funciona, funciona muito bem! — exclamei contente. — Peter Brandon, o presidente norte americano da Lex, irá investir o restante. — Lauren assentiu.

— Fico feliz que as coisas se ajeitaram — ela declarou. — Eu tenho uma reunião em meia hora com os diretores da Companhia e preciso me preparar, mas nós podemos conversar melhor sobre os investimentos depois, certo? Prepare toda a papelada e eu irei assinar.

— Certo, enviarei tudo para você até amanhã para que possa ler e na sexta-feira podemos fazer a assinatura do contrato.

— Perfeito! — ela concordou, colocando-se de pé e me conduzindo até a porta. — Diga para Bella que estou planejando que nós duas comecemos as aulas de boxe no sábado.

Eu ri.

— Bella vai amar isso.

— Acredito que será bom fazer negócios com vocês, Edward, espero não me decepcionar.

— Garanto que não vai acontecer, você pode confiar na minha palavra.

***

Passei o resto do meu dia de trabalho na quarta-feira preparando os contratos para Peter e Lauren, tomando detalhe redobrado para tudo ficar perfeito. No dia seguinte já enviaria tudo para os dois e na sexta-feira eu poderia colocá-los diante Carlisle para assinar tudo, eu estava mantendo meu pai e chefe informado por mensagens, sem querer o encontrar pessoalmente até ter tudo o mais perfeito possível, ainda que eu soubesse que as coisas não estariam tão certas assim uma vez que tínhamos perdido a Marca Boyne.

— Ela disse que é estranho ter Peter por perto, mas que de forma geral está tudo bem — Bella me contava sobre Alice naquela noite, enquanto nós dois junto das crianças preparávamos cartazes que eu colocaria com Rosalie na escola no dia seguinte, já que Bella estaria ocupada com uma reunião e Nelly estava engajada em um evento da igreja que ocorreria no sábado, inclusive estava lá aquela noite arrumando algumas coisas.

Os cartazes eram uma forma de campanha — pensada por Bella —, para promover a votação que ocorreria na semana seguinte. Os cartazes falavam sobre as propostas sugeridas por Isabella na última reunião, minha esposa tinha insistido com a diretora aquele dia para conseguir uma liberação para isso, não foi algo simples, mas conseguiu.

— É, eu imagino que não deve ser muito fácil. — Coloquei mais glitter no cartaz que estava ajudando Isabella terminar, pois segundo nossa filha os cartazes precisavam de muito brilho.

— Mãe, para que é isso mesmo? — Matt perguntou do outro lado da sala, pintando um cartaz com Renesmee.

Fred e George estavam rasgando um cartaz que eu tinha borrado, pareciam felizes com a destruição.

— É para que as pessoas fiquem sabendo sobre a votação que ocorrerá semana que vem na escola que vocês estudam — Bella explicou. — Estamos sugerindo que algumas coisas lá mudem — acrescentou.

— Tipo o que? — Matt quis saber.

— Tipo os professores falarem sobre assuntos como racismo, homofobia, intolerância religiosa.

— Que bando de palavras complicadas — Matt resmungou, me fazendo rir baixinho.

— Ei, Matthew! — Bella chamou a atenção dela. — Sei que são palavras bem difíceis, mas elas precisam ser estudadas, certo? Se a escola não aprovar o que sugeri, que os professores debatam sobre essas coisas em sala de aula, você e Renesmee irão estudar sobre tudo isso nem que seja em casa.

— Por que, mamãe? — Foi a vez de Renesmee perguntar.

— Porque vocês precisam pensar fora da caixinha — Bella falou, Matt e Renesmee a olharam sem entender. — Quero dizer que nós não podemos simplesmente pensar naquilo que a norma padrão quer que pensemos, sim devemos estudar sobre mais coisas.

— Você está me confundido — Matt alegou.

— Eu também não estou entendo muita coisa — Renesmee completou. — E já estou com sono.

— Certo. — Limpei minha mão suja de glitter na calça. — Vou colocá-los para dormir e volto para te ajudar, querida. — Beijei a bochecha de Bella, que concordou com minha proposta.

Eu coloquei as crianças para dormir, logo elas estavam apagadas em suas respectivas camas e eu voltei até o primeiro andar para terminar de ajudar Isabella.

— E se isso tudo for em vão? — ela me perguntou.

— Pelo menos nós teremos tentado, querida.

Ela olhou para suas mãos cheias de glitter.

— E sairemos dessa parecendo fadas brilhantes.

Sujei minha mão no pote de glitter, passando no rosto dela.

— Edward! — ela tentou soar brava, mas não conseguiu.

— Eu te amo, querida, você é a mulher mais foda que conheço.

— Isso é você tentando me levar para a cama? — brincou.

— Funcionou?

— Nós ficaremos com todo o resto do corpo brilhoso.

— Não me importo nem um pouco, contanto que eu fique nu junto de você já estarei bem contente.

***

Rosalie me passou mais um cartaz, deixando com que eu o fixasse na parede.

— Está torto! — ela exclamou.

— Não está não — teimei, me afastando um pouco para o observar. — Ok, talvez um pouco.

— Eu avisei. — Ela sorriu convencida para mim.

Estávamos colando os cartazes nas paredes após as aulas, Matthew, Renesmee, Lucy e até mesmo Anne, estavam ajudando na tarefa. Algumas mães já tinham torcido a cara para o que estávamos fazendo, mas tínhamos a liberação da diretora e o conteúdo dos cartazes era inocente, apenas avisando sobre a reunião e em letras menores falando sobre as mudanças que Bella queria que fossem implantadas.

— Papai, me dá mais um cartaz! — Renesmee chegou entusiasmada perto de mim, passei um imediatamente para ela, contente que a pequena estava ajudando. — Valeu, o Ash falou que quer ajudar. — Tão rápido chegou até mim saiu correndo, indo se encontrar com o Porco Espinho.

— Esse é o garoto que ela beijou, não? — Rose espiou os dois fixando o cartaz juntos na parede.

— É — reclamei.

— Ela está crescendo, elas estão — ela falou com nostalgia na voz. — Anne ontem pediu para ir morar com o Royce, acredita?

— Ei, por que não disse antes?

— Sei lá, não sei nem o que pensar direito sobre isso — confessou. — Fui pega de surpresa, sabe? Perguntei o motivo dela querer isso e ela disse que prefere Dubai, que não gosta daqui e de eu não ficar tanto tempo em casa quanto ficava com ela lá. Talvez ela tenha razão, agora que comecei a trabalhar não fico com elas tanto quanto antes.

— Rose, é seu trabalho. — Andei até outra parede, com ela me seguindo. — Você não pode se privar de trabalhar, especialmente na profissão que ama, por conta das suas filhas. Sei que é uma merda ficar longe deles, não ter muito tempo junto com as crianças quanto gostaríamos, mas você não é só uma mãe, é uma mulher que tem uma carreira profissional.

— Sei disso.

— Sabe mesmo?

— Sei, Edward, claro que sei. — Ela passou a mão por seus cabelos. — Mas, não é só o trabalho, ultimamente também tenho falado com Emmett direto pelo celular, o encontrado sempre que possível e estou pensando nele por boa parte do meu dia.

Voltei minha atenção total para minha irmã.

— Não sou o maior fã do Emmett, mas como acho que você não pode se privar de ter uma vida profissional por conta das meninas, também não acho que deva se proibir de ter uma vida amorosa.

— É, você está certo.

— Estou sempre certo.

— Aham, até parece! — Ela colou um cartaz na parede.

— Quando vai contar para elas sobre Emmett?

— Não sei. — Rose estava tensa. — Ainda não estou pronta para isso, vou deixar as coisas entre Emmett e eu ficarem mais sólidas... Filha da puta!

— Emmett? O que ele fez?

— Não, não Emmett — Rose negou, apontando para algo atrás de mim, me virei para ver o que era, vendo James e Irina entrando na escola.

— O que diabos esses dois estão fazendo aqui? — indaguei entre dentes.

— Ele é um investidor aqui na escola, esqueceu? — Rose lembrou, bem no momento que o casal passou bem perto de nós dois, naquele instante Irina agarrou uma mão de James e forçou um sorriso no seu rosto. — Nem fodendo que esse namoro é real — Rosalie falou quando eles desapareceram pelo corredor que os levaria até a direção. — Eles só estão juntos por negócios.

— Pouco me importa se o namoro é real ou não — falei. — Só não acho que vem algo bom dessa união.

— Você devia ter me ouvido quando eu disse que não devia ter ficado com Irina.

— Eu sei, você avisou. — Bufei. — O seu cartaz também ficou torto, irmãzinha.

***

Na sexta-feira de tarde fui o primeiro a entrar na sala de reuniões da presidência, onde aconteceria a assinatura dos documentos junto aos investidores. Além de Lauren e Peter, Carlisle e Caius também estariam presentes, assim como os advogados do Grupo Cullen e os dos investidores.

Aproveitando que estava sozinho e que ainda demoraria um tempo para todos chegarem, eu sentei na cadeira do presidente, olhando para a longa mesa diante de mim. Se eu fizesse tudo certo em algum tempo ocuparia aquele cargo, mas antes disso precisava ser um bom diretor, para no futuro ser um presidente melhor.

— Você consegue — falei para mim mesmo.

Aos poucos todos foram chegando, eu apresentei quem não se conhecia e as pessoas se cumprimentaram com educação e cordialidade, como Alice representaria Peter no conselho, ela também estava ali e parecia bem. Meu pai não falou mais do que o necessário comigo, sentando-se em seu lugar.

Foi um processo rápido, não demorou muito para tudo estar devidamente assinado, tirando um peso enorme das minhas costas. Lauren Mallory e Peter Brandon eram os mais novos investidores do Grupo Cullen.

— Por que não vamos até o bar do hotel e abrimos uma garrafa de champanhe para comemorar? — Caius propôs, o falatório de consentimento foi geral, mas antes que eu pudesse seguir todos para fora Carlisle exclamou:

— Edward, gostaria de conversar com você por um minuto.

— Claro — murmurei.

Deixamos todos saírem e ele se colocou de pé, indo até mim que já tinha me levantado para sair antes.

— Você acha que fez um bom trabalho? — me perguntou.

— Não — respondi sinceramente. — Eu perdi a Marca Boyne, pedi demissão por um ataque e deveria ter sido mais eficiente e rápido em conseguir os novos investidores.

Ele assentiu.

— Que bom que reconhece isso.

— Sinto muito — falei.

— Não sinta. — Ele segurou em meu ombro. — Preciso dizer que como seu chefe não estou contente como as coisas por aqui ficaram confusas, mas como seu pai estou muito orgulhoso de você ter conseguido, filho.

Eu sorri, assentindo para ele.

— Obrigado, pai.

— Você ainda pode melhorar muito, Edward. — Ele me abraçou com força. — Mas, já estou bastante orgulhoso e sei que seu avô também estaria se estivesse aqui.

***

Bella se juntou a gente no bar do hotel para a comemoração, mas não ficamos muito por lá, já que tínhamos de ir buscar as crianças na escola e prometemos a elas uma noite de filmes. Quando chegamos ao nosso apartamento eu fui direto para a sala com Matt e Ness, enquanto Bella se distraia com a correspondência depositada na mesinha do hall de entrada.

— Ele roeu meu sapato de corrida favorito? — indaguei perplexo a Nelly quando vi George com meu sapato destruído junto de si na sala.

— Sim — ela lamentou. — Ele o encontrou na lavanderia e fez a festa, esse cachorrinho é muito atentado!

— Ele é fofinho — Renesmee o defendeu.

— O Fred é muito mais legal — Matt falou, já sentando no chão junto dos filhotes.

— Edward! — Bella gritou meu nome do hall de entrada do apartamento, fazendo com que eu fosse imediatamente até lá.

Minha esposa estava pálida e com uma expressão de pânico no rosto. Em suas mãos ela tinha uma das correspondências abertas, a segurava com força.

— O que foi, querida? — perguntei receoso.

— Leia isso. — Com a mão tremendo ela me passou a carta.

— De onde é isso? — Peguei a carta em mãos, vendo o remetente, o que imediatamente me fez entender o motivo de Bella estar daquele jeito. — É uma carta do Laurent.

Ela concordou.

— Sim, é uma carta dele, leia! — exigiu.

Virei o papel em minhas mãos, começando a ler o que estava escrito ali, em uma caligrafia feia e quase impossível de se compreender, mas consegui ainda assim.

“O Matthew é meu filho, vocês estão ligados? Descobri o nome de vocês e o endereço, por isso tô mandando essa parada!

Fiquem ligados que eu fui obrigado a abrir mão da guarda do moleque, não queria fazer isso, ele é meu e não de mais ninguém. Eu vou cair fora dessa merda de lugar e recuperar meu filho, vocês dois não vão me impedir, sacou?

Ninguém vai tirar o Matthew de mim quando eu sair daqui, ninguém vai me impedir de ficar com meu filho. Tô nem ai se vocês tem dinheiro, tô cagando para essa grande merda, podem ficar sabendo disso, saindo daqui eu vou ter o Matthew comigo, nem que eu tenha que fazer uma loucura para isso rolar.

O moleque só tem a mim, foi assim desde sempre e vai continuar sendo. A filha da puta da Karen não foi uma boa mãe, a cretina da Zafrina não ficou com ele, mas eu vou!!!

Eu vou sair daqui, então vou pegar meu moleque, vocês estão avisados.”

— Edward. — Ergui o olhar para Bella. — Eu estou com medo.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 25.03.18