Nossa Família
12 Capítulo Onze — Ferir
Notas iniciais
— Capítulo Onze —
— Ferir —
Isabella Cullen
Não sabia o motivo de ainda aceitar beber com Edward, Jasper e Alice. Os três não tinham fundo algum para bebidas, enquanto eu sempre terminava com a pior das ressacas.
Tudo que eu lembrava quando acordei no domingo de manhã, sem Edward na cama, era de Havaí, Irina sendo uma piranha, Jasper irritado e algo sobre foder com Edward de quatro. Mas, eu estava vestida demais para ter tido sexo na noite passada.
Sentei na cama, olhando a hora em meu celular e constatando que era pouco mais de dez da manhã. Excelente.
Eu ainda estava amargando minha dor de cabeça, criando coragem para chegar ao banheiro e me sentir menos morta depois de um banho, quando Edward entrou no quarto. Ele estava sem camisa, a peça de roupa pendura em seu ombro, usava shorts e tênis. Seu corpo suado indicando que tinha acabado de voltar da academia, eu me senti molhada só de vê-lo todo suado e bagunçado da malhação.
— Olá! — chamei sua atenção, que distraidamente mexia em seu Ipod.
— Olá, bêbada! — Ele olhou para mim, sorrindo gloriosamente, tirando os fones de ouvido. — Como se sente?
— Eu me sinto morta, não me lembro de nada tão claramente. Teve algo sobre o Havaí? Nós não planejamos nenhuma viagem, né?
—Não. — Edward riu. — Eu pedi pra ser cremado e ter minhas cinzas jogadas no mar do Havaí, vou me lembrar de colocar isso no testamento para que você não se esqueça depois do próximo porre.
— Sim, faça isso. — Me joguei contra os travesseiros. — Quais os planos para hoje?
— Clube! — Os olhos dele brilharam, enquanto se aproximava da cama e depositava um rápido beijo na minha testa.
— Oh, eu preciso ir? — reclamei. — Não estou disposta para isso.
— Não. — Ele riu novamente, colocando seu Ipod sobre o criado mudo do meu lado da cama. — Papai, Jazz e eu vamos passar o resto do dia jogando golfe, você odiaria.
— Sim, bem que você sabe. Mas, não está um pouco frio demais para isso?
— Nunca está frio demais para golfe.
— Tudo bem, vá lá e congele sua bunda. — Peguei meu celular, mandando mensagens para Esme e Rose avisando que Ness e eu estávamos indo para lá. — Eu terei um dia entre as garotas Cullen.
— Boa sorte com as meninas gritando com a sua cabeça dolorida pela ressaca. Vou tomar banho, você vem comigo?
— Nós fizemos sexo ontem? — perguntei ainda sem memória quando o segui até o nosso banheiro.
Edward gargalhou.
— Você tentou tirar minhas calças no elevador, iria se ajoelhar ali mesmo e me pagar um boquete. Eu teria adorado, mas não queria que o pessoal da segurança tivesse acesso a imagens do meu pau na sua boca. Então, chegamos aqui e você desmaiou de roupa e tudo na cama, foi um sacrifício tirar seu vestido.
— Desculpe. — Fiz uma careta. — Eu lhe recompenso mais tarde.
— Mais tarde, querida? — falou debochadamente, trancando a porta do banheiro atrás de si. — Vamos resolver suas dividas agora mesmo.
***
Com a cozinheira da casa de Carlisle e Esme de folga naquele domingo, eu me escondi na cozinha para meter a mão na massa, enquanto minha sogra, cunhada, filha e sobrinhas matavam o tempo na sala de jogos. Em algum momento do preparo do almoço, enquanto eu literalmente batia na massa da torta que estava fazendo, com mais exigência do que era necessário, Rose entrou na cozinha.
— Por que você está socando a massa como uma louca? — perguntou confusa, pegando uma garrafinha de água na geladeira, tomando um gole.
— Irina esteve na casa de Jasper ontem, ela é uma puta.
— Oh, nós já sabíamos disso, Bella, conte-me algo novo! — Rose pediu, roubando um pouco do recheio da minha torta, ganhando um olhar irritado meu. — O que ela fez dessa vez?
— O de sempre, ficou me menosprezando, enquanto faltava se jogar no pau de Edward na minha frente. Puta! — Soquei a massa. — Se ela não fosse afilhada de Esme eu provavelmente já teria metido a mão na cara daquela vadia de quinta. — Mais um soco, Rose riu, varrendo um pouco de farinha do meu rosto.
— Calminha ai, Muhammad Ali — Rose disse, ainda rindo. — Não queremos que você estrague o almoço por quebrar sua mão.
— Como você deixou Edward namorar Irina, Rosalie? — indaguei. — Você é irmã mais velha dele, deveria ter tomado conta para que ele não se metesse em enrascadas.
— Você sabe, Edward não é muito esperto. — Rose deu de ombros. — Ele é muito burro e cego quando quer, nunca percebeu que Irina não passava de uma patricinha oca e fútil. — Ela olhou em direção a porta da cozinha. — Sendo sincera, mamãe é bem burra quanto a Irina também. Tudo bem que é afilhada dela, filha da tia Carmen e toda essa baboseira, mas ela deveria enxergar que aquela mulher não passa de uma cobra peçonhenta. Eu podia estar bêbada, mas tenho certeza de que uma vez a ouvi falando para uma amiga que papai estava muito gostoso durante uma de nossas festas de ano novo e ela só tinha quinze na época.
— Nojenta! — Fiz uma careta.
— Eu sei. — Rose assentiu. — Não se deixe abalar por Irina, Bella. — Rosalie deu um largo sorriso. — Você está em um nível muito mais alto do que aquela imprestável, tudo que ela faz é viajar e ser sustentada pela grana dos pais, nem eu era tão inútil assim quando casada com Royce. — Rolou os olhos.
— Quanto a isso, você tem falado com ele?
— Nos falamos na sexta rapidamente, só o suficiente para que eu o colocasse na linha com Anne e Lucy. Ele tentou conversar comigo depois, mas não cedi. Eu tenho de ser forte, certo?
— Sim — confirmei, começando a colocar a massa na forma. — Eu estive pensando em algo. — Sorri para ela, que arqueou uma sobrancelha.
— Conheço esse tom, você o usa quando quer arrastar Edward para o quarto, eu não estou a fim de dividi-la com meu irmão.
— Não, este é meu tom de quando estou tramando algo. — Comecei a rechear a massa.
— E o que está tramando?
— Lembra-se de Emmett?
— Sim, o cara das lentes, ele me passou o número do médico dele. Vou tentar uma consulta em breve para ver se me livro dos malditos óculos.
Eu suspirei, sério que tudo que ela se lembrava de Emmett era o papo oftalmológico? Muito bem!
— Isso é tudo?
— O que quer dizer? — Ela bebeu mais um pouco de sua água.
— Você não o achou bonito? — Sorri maliciosamente. — Ele é bem bonito, você deve ter notado isso.
— Deixe meu irmão ouvi-la falando assim — Rose murmurou, corando um pouco. — Mas sim, ele é um homem bonito. E tem de ser mesmo, ele não me parece ter mais de trinta, claro que ainda é jovem e bonito.
— Tem vinte e oito — falei rapidamente, não sabendo como ela reagiria com os cinco anos de diferença. — Mas...
Rose gargalhou.
— Bella, pare com isso, okay? Não seja absurda, o homem tem vinte e oito, provavelmente deve dormir com uma garota diferente por noite. E o que eu tenho? Trinta e três anos, duas filhas, um ex-marido que me traiu com a secretária e estou refugiada na casa dos meus pais fugindo do mundo lá fora.
— Talvez seja hora de parar de fugir. — Coloquei a torta no forno quase industrial da cozinha de Esme. — Escute, eu não sei muito sobre a vida pessoal de Emmett, ele tem trabalhado comigo apenas pelos seis últimos meses. Mas, sei que ele é um cara correto e honesto no trabalho.
— E eu não estou atrás de um subgerente. — Rose bufou. — Eu não duvido de que ele seja um profissional competente, você é maluca sobre qualquer um que trabalhe com você. — Gesticulou para mim. — Mas, eu não vou me relacionar com um cara mais novo, eu realmente nem sei se estou pronta para qualquer tipo de relacionamento depois de toda a covardia que Royce fez comigo. Quero apenas me concentrar cem por cento em minhas filhas.
— Rose, acredite, eu amo como você é uma mãe leoa sobre Lucy e Anne, mas você não pode negar-se totalmente e centrar-se só sobre as duas. Você ainda é uma mulher, que não precisa ser apenas uma mãe. Não merece se fechar ao mundo por conta de Royce, ele é o filho da puta, ele que sofra, não você.
— Eu não estou sofrendo. — Os olhos dela traíram sua fala ríspida, estavam cheios de lágrimas.
— Você também não precisa ser cem por cento forte, nós todos estamos aqui para ajudá-la a passar por isso. Tudo bem, que não seja com Emmett, mas você não pode odiar cada homem por conta de seu ex-marido. Porém, se isso serve para algo, Emmett pareceu muito interessado em você naquele almoço.
— Ele pareceu? — ela perguntou a voz afinando um pouco, tossiu para esconder a súbita mudança de interesse.
— Pareceu — afirmei, limpando a minha bagunça na cozinha. — Jasper e seu irmão perceberam isso, pergunte aos dois se quiser.
— Que seja. — Abanou a mão em um gesto displicente. — Emmett e eu não formaríamos um casal, isso não daria certo. Somos completamente diferentes, ele se cansaria, Bella, eu ainda tenho duas filhas e sou uma mãe. Homem nenhum tem paciência com crianças que não são suas.
— Edward teve paciência com Matthew. — Coloquei a louça suja na máquina, lutando com todos aqueles botões. — Ele foi um poço de cuidados com ele, provavelmente mais do que eu, nos dois encontros estava muito abalada com a situação para pensar direito.
Quando voltei a olhar Rose, ela me olhava como se eu fosse estúpida.
— O que foi?
— Aparentemente Edward não é o único do casal que é cego. — Revirou os olhos.
— O que quer dizer?
— Bella, pelo amor de Deus, você não percebe o quão balançada ficou sobre Matthew?
— Quem é Matthew? — Esme escolheu aquele momento para entrar na cozinha, nos lançando um olhar analítico, centrando-se em mim. — Bella quem é Matthew? — perguntou séria, mas eu podia ver o pânico em seus olhos, sabia como aquilo podia ter soado errado aos seus ouvidos por conta da fala de Rose.
— Relaxe, mãe — Rose falou rapidamente. — Bella não tem um amante. — Esme respirou fundo, seus ombros caindo livrando-se da tensão.
— Bom Deus, eu quase tive uma parada cardíaca. — Limpou seus olhos, terminando de entrar na cozinha. — Não conseguiria lidar com Bella deixando essa família.
— Acredite em mim, a única sortuda aqui sobre levar chifres sou eu. Bella e Edward serão enterrados juntos com uns cem anos — Rose disse.
— Ele quer ser cremado, na verdade — contei. — Quer as cinzas jogadas no mar do Havaí, coisas de Edward.
— Okay, quem é Matthew? — Esme indagou do outro lado do balcão. — Eu preciso saber por qual homem minha nora está balançada que não meu filho, sei que não tem um amante, mas isso ainda é assustador.
— Ele é só um garoto de sete anos, Esme. — Sorri, ela pareceu mais confusa ainda. — Edward e eu saímos para jantar no dia dos namorados, então um garotinho perdido entrou no restaurante, uma mulher que estava lá causou um escândalo sobre isso, Edward e eu o ajudamos.
— Calma, como eu não soube disso antes? — Esme me fuzilou com os olhos verdes que o filho dela tinham herdado e minha própria filha também. — Isso é a cara do seu irmão! — exclamou para Rosalie. — Desde pequeno Edward simplesmente não me conta as coisas importantes, mas veja só, quando é pra falar que ele é muito bom em golfe aquele garoto sabe falar durante uma tarde inteira...Fale mais sobre Matthew! — Esme exigiu, indo até a adega pegar uma garrafa de vinho. — Quem quer?
— Estou dispensando álcool, ainda em recuperação da noite passada.
— Eu bebo por ela. — Rosalie pegou a garrafa da mão da mãe. — Vai Bella, fale sobre Matthew — incentivou.
Eu contei tudo a Esme, omitindo o suborno a Tia, pois não achava que minha sogra ficaria muito contente em saber que Carlisle tinha ensinando esse tipo de coisa ao filho, que me ensinou por tabela.
— Oh Deus, este mundo está perdido! — Esme declarou. — Ele tem só sete anos e está passando por tudo isso? É apenas alguns anos mais velho do que a pequena Anne. — Fungou.
— Nós estamos tentando descobrir algo sobre a tia com quem ele foi morar. — Chequei a torta no forno. — Edward e eu não confiamos muito nela. — Rose bufou.
— Não, você e Edward não querem confiar porque se sentem responsáveis pelo garoto. — Prendeu o cabelo em um coque. — Mamãe, você vê o que eu vejo?
— Não sei, querida. Nós duas nunca tivemos mentes muito parecidas — Esme confessou. — Você é muito mais como seu pai...
— Bella — Rosalie cortou a mãe. — Você e Edward estão encantados sobre Matthew, acredite, não estão sendo apenas generosos sobre ele. Se fosse isso teriam parado com tudo agora que o garoto está com uma tia, a família sanguínea dele. Não é como se vocês nunca tivessem ajudado crianças carentes antes, são grandes doadores em todos eventos beneficentes que vão. Matthew é diferente, é especial para os dois. Eu posso notar isso pela forma como você e Edward falam dele. Sinceramente, acho que se ele não tivesse ido morar com a tia, você e meu irmão iriam levar o garoto para casa antes do próximo fim de semana.
Eu fiquei lá, parada, apenas encarando Rosalie sentada diante mim em um dos bancos próximos ao balcão. Ela estava certa? Claro, claro que Edward e eu estávamos balançados com Matt, nós vimos toda aquela cena no restaurante, isso nos fez ficar mais sensibilizados do que apenas pagar caro em itens de leilão em eventos beneficentes, mas isso queria dizer que levaríamos Matthew para casa?
Aquilo era adoção!
Sequer sabia como me sentia sobre adoção, eu nunca tinha nem pensado em ter filhos até o teste de farmácia dar positivo para Renesmee. Mas, ela era minha, minha garotinha e de Edward. Matthew era...incrível, mas adoção?
— Nós realmente não estávamos pensando igual, Rose — Esme murmurou, parecendo tão chocada quanto eu estava. Estiquei-me sobre o balcão para pegar a taça de vinho da minha sogra, tomando um gole, querendo despertar de alguma forma.
— Rosalie, isto é adoção — consegui falar.
— Sim, gênio. É disso que estava falando.
— Adoção não é algo simples...
— Sim, burocracia. — Revirou os olhos azuis. — Foda-se, é fácil de vencer quando somos uma das dez famílias mais ricas do país.
— Estamos entre as cinco — Esme sussurrou.
Estávamos? Foda-se, aquilo era loucura!
— Não, não sobre burocracia — voltei a me manifestar. — Estava falando sobre o significado sentimental por trás disso. Edward e eu não nos sentimos pais de Matthew a ponto de adotá-lo, nós temos carinho por ele, mas...
— Bella, escute-me, você e Edward tiveram meses para lidar com a ideia de que seriam pais de Renesmee, claro que em duas semanas não se sentiriam como pais de Matthew, mas vocês dois desenvolveram um carinho muito grande pelo garoto para ser apenas amor ao próximo. Deus, você não nota como seus olhos ficam cheios de lágrimas ao falar dele? Ou como Edward age protetoramente? Edward não é o tipo de cara que liga muito para aqueles que não são realmente queridos por ele, você sabe disso, ele pode ser um filho da puta...
— Ei! — Esme exclamou.
— Desculpe-me, mãe — pediu rapidamente. — Edward pode ser um cretino e desprezar as pessoas que ele não dá a mínima muito facilmente, você não chora por nada que não seja realmente de seu interesse. Matthew te faz chorar e faz Edward se importar.
Rosalie deixou o banco, entornando o resto do vinho em sua taça.
— Eu vou checar as garotas, tempo demais sozinhas, admiro de não terem colocado fogo em nada. Apenas reflita sobre o que falamos, cunhada.
Ela deixou a cozinha, enquanto continuava encarando a porta por onde ela passou. As palavras dela fixas em minha mente.
— Bella, a torta, é melhor tirá-la do forno antes que cada detector de fumaça da casa apite — Esme disse suavemente, eu pisquei, recobrando a consciência.
Tirei a torta do forno, colocando-a sobre a mesa da cozinha.
— O que acha disso? — perguntei a Esme.
— Sinceramente?
Assenti.
— Eu realmente não sei — ela falou séria. — Eu não gosto de ver você e Edward envolvidos com um cara que está preso por tráfico de drogas, mesmo que seja apenas pelo filho dele, mas como mãe entendo como você deve ter se sentido vendo-o naquele restaurante e no abrigo. Acredite, se é confuso para você que está na situação como agente, para mim que estou de fora é ainda mais. — Suspirou. — Mas, não é como se você e Edward fossem o adotar, certo? O garoto tem a guarda destinada a tia agora, não acho que mesmo sendo uma das cinco famílias mais ricas do país vocês dois iriam conseguir que a justiça o tirasse dessa mulher.
— Sim, claro. Isso tudo está acabado. — Tirei as luvas de proteção das mãos. — Provavelmente Edward e eu apenas nos certificaremos que ele está bem com a tia e deixaremos isso correr.
Forcei um sorriso a Esme, que sorriu de volta assentindo.
— Vou chamar as garotas para comer, você pode colocar os pratos?
— Claro que posso — concordou, indo arrumar a mesa, enquanto eu deixava a cozinha.
— O almoço está pronto! — anunciei entrando na sala de jogos, Renesmee e Lucy estavam em uma disputa no Just Dance, Ness ganhando.
— Você roubou! — Lucy acusou.
— Você não pode provar! — Renesmee foi até o canto da sala calçar seus tênis.
Sim, ela era minha filha e eu provavelmente a defenderia de qualquer acusação, mas sendo justa sabia que a garota não estava roubando em Just Dance, ela só era mesmo uma boa dançarina. Edward dançava com ela desde que Ness era um bebezinho, por vezes eu acordava de noite e via os dois valsando pelo quarto de madrugada quando ela não conseguia dormir nos primeiros meses de vida.
— Vamos Lucy, você pode tentar uma revanche mais tarde. — Rindo Rose puxou Anne para seu colo.
— Ela estava roubando, tia! — Lucy disse para mim ao sair da sala com a mãe e irmã.
— Mamãe, eu não estava roubando, eu juro! — Ness se defendeu, tendo dificuldade em colocar seus all stars de cano longo.
Eu ri, indo até ela.
— Sei disso, querida. — A ajudei com os tênis.
— Mamãe, o que você tem? — ela perguntou analisando meu rosto atentamente.
— Apenas pensando, filha. — Afaguei seu rosto.
— Okay — concordou rapidamente. — Eu estive pensando também.
— Sobre?
— Sobre o beijo que dei em Ashton.
Lá vamos nós!
Escondi um sorriso, deixando-a continuar a falar.
— Você nunca falou sobre seu beijo em papai! — exclamou empolgada. — O primeiro.
Claro, eu o conhecia a menos de uma hora, não era algo que achava certo expor a Ness e sua mente em formação.
— Eu falarei um dia, filha.
Quando você tiver trinta anos!
— Tudo bem — ela cedeu, parecendo desapontada.
— Vem, vamos almoçar.
A coloquei sobre seus pés quando terminamos de calçá-la.
— Eu posso perguntar a tio Jazzy sobre o primeiro beijo dele e tia Alice?
— Não mesmo! — exclamei, Jazz e Alice estavam em uma situação muito pior do que a minha e Edward naquela noite.
— Isso é difícil — Renesmee disse frustrada. — Eu queria nunca ter beijado Ashton, é tudo confuso.
— Espere até ter trinta e uma ex insuportável do seu marido ficar sendo uma vaca — murmurei.
— O quê?
— Nada, filha, vamos comer.
— Mamãe, vaca é uma palavra feia, não é?
Mordi o lábio, garotinha ardilosa.
— Eu colocarei um dólar no pote — prometi.
— Sim, você colocará!
***
Edward já estava em casa quando voltamos no fim da tarde, especificamente no seu escritório. Renesmee foi contar sobre todas suas vitórias no Just Dance para Nelly, então segui até meu marido.
Ele falava ao telefone, o assunto logo foi identificado e não fiquei surpresa em ser trabalho, mas abriu um sorriso a me ver, chamando por mim com uma mão estendida. Fui até ele, sentando em seu colo, aconchegando-me em seu corpo, enquanto ouvia a conversa com o que percebi ser o gerente geral do hotel em Londres.
— Oi, senti sua falta — falei quando ele desligou, beijando sua bochecha.
— Senti a sua também, querida.
Ele me deu um rápido beijo.
— Ganhei de Jasper e Carlisle, consegui uma caixa de charutos cubanos! — contou empolgado.
— Você não fuma, Edward!
Alice fumava quando estava na faculdade, uma vez ofereceu a mim e Edward cigarro e nós sufocamos e prometemos nunca mais tentar.
— Eu sei, mas a caixa ficará linda na minha estante — declarou, apontando para a estante atrás da sua mesa no escritório.
— Você e Renesmee são iguais quanto a suas vitórias — falei, repousando meu rosto na curva do seu pescoço, brincando com meus dedos nos botões da camisa polo azul que ele usava.
— Tudo bem? — perguntou. — Sua cabeça ainda está lhe matando? Pode subir e tomar um remédio, eu lhe acordo para o jantar.
— Não, minha ressaca está controlada — afirmei.
— O que há em sua mente, então? — indagou preocupado, tocando em meus cabelos gentilmente. — Você está abatida.
— Apenas pensando sobre algo que Rosalie falou mais cedo. É besteira, estou apenas sendo...
— O que ela falou? — Eu não podia ver seu rosto, mas podia notar sua voz séria.
— Sobre nós dois adotarmos Matthew — sussurrei, com receio de como aquilo poderia soar para Edward.
Eu tive minha resposta o que pareceu ser no mesmo segundo, Edward me afastou de seu peito, fazendo com que nós dois ficássemos rosto a rosto. Ele parecia muito com Esme quando perguntei a ela sobre a adoção, perdido em seus próprios pensamentos.
— Jasper disse algo parecido noite passada — ele murmurou.
— Ele disse? — Arquei uma sobrancelha.
— Sim. — Edward passou uma mão pelos cabelos, o claro sinal de nervosismo, enquanto mantinha a outra em minhas costas, me mantendo sobre ele. — Falou que não sabia que estávamos pensando em adoção, depois que contei sobre Matt indo morar com a tia e pareci mal sobre isso.
Respirei fundo, notando Edward fazer o mesmo.
— Edward, isso...
— Como se sentiria sobre isso? — ele perguntou. — Sobre adotarmos Matthew.
— Ele está com a tia agora, Edward, a guarda é dela. — Edward levou a mão em meu rosto, limpando lágrimas que sequer senti rolarem por minha face.
— Sei disso, Bella, mas como essa ideia soa aos seus ouvidos? Quis conversar sobre isso ontem depois do que Jazz disse, mas você estava mais preocupada com sexo oral no elevador, eu passei boa parte da madrugada pensando no assunto.
— E como você se sente? — questionei, deixando seu colo para sentar sobre sua mesa.
— É estranho, eu me sinto mais ligado a Matthew do que acho que seria normal neste caso. — Cruzou os braços sobre o peito, estabilizando a cadeira. — Não me sinto sobre ele como me sinto sobre Ness, mas...Eu me importo com ele.
— E você não é o tipo de cara que liga para qualquer um — murmurei.
— Desculpe?
— Rosalie disse que eu choro por Matthew e você se importa verdadeiramente, que não é algo do nosso praxe usual.
— Bom, eu acho que me importaria sobre Matthew de qualquer forma — Edward disse irritado. — Não é como se isso fosse possível de não acontecer, nós o vimos sendo humilhado naquele restaurante, então a situação no abrigo...Porra! — Passou a mão nos cabelos mais uma vez, seu rosto ficando vermelho. — Você não faz ideia de quão puto fiquei naquele abrigo, de vê-lo tão assustado e a forma como até mesmo simples livros pareciam ser um mundo totalmente diferente para ele. — Edward engoliu em seco.
— Eu sei exatamente como se sente, querido — falei de volta.
Edward empurrou sua cadeira até mim, repousando seu rosto sobre meus joelhos, afagando a parte de trás das minhas pernas cobertas por jeans aquele dia. Afaguei seus cabelos, sentindo a maciez.
— Espero que ele fique bem com a tia — falei por fim. — Você acha que é melhor nós pararmos de buscar informações sobre ele? Não é algo que me pareça bom, eu ainda me preocupo sobre ele, mas se isso for nos confundir ainda mais talvez seja a melhor saída.
O corpo de Edward se ergueu, voltando a olhar para mim.
— Acha isso?
— Sim. — Assenti. — Quer dizer, até onde levaríamos isso, Edward? Sequer sabemos se um dia voltaremos a vê-lo, ficar colocando nossas assistentes como detetives particulares sobre qualquer Stevens deve ser um desvio de função grave, provavelmente até crime por estarmos mandando-as investigar sobre essas pessoas. — Expirei. — Eu gostaria de saber que Matthew irá superar tudo isso, mas nós não podemos criar laços com ele que podem ser rompidos por um milhão de motivos.
Edward apenas continuou me olhando, debatendo sozinho em sua mente sobre o assunto. Nós fomos despertados quando meu celular tocou, eu o peguei do bolso da calça jeans, vendo um e-mail de Ângela na minha conta pessoal.
O assunto era um só: Zafrina Stevens.
— Bella?
Apenas mostrei o celular a Edward, o deixando ver o e-mail ainda fechado.
— Eu abro? — perguntei. — Ou devo movê-lo para a lixeira?
Edward passou as mãos pelo rosto, ficando de pé em um movimento rápido que mal acompanhei. Ele segurou em meu rosto, beijando minha testa.
— Amo você.
— Edward, o que devo fazer? — perguntei assustada.
— Amo você — ele repetiu. — E sei que isso tudo pode te ferir, nos ferir, ferir até mesmo Matthew por não sabermos o que estamos fazendo, mas acho que devemos abrir o e-mail, Isabella. Nós nos arrependeríamos se simplesmente deixássemos isso de lado agora, já fomos longe demais, não há como simplesmente voltar deste ponto.
Ele colocou sua mão sobre a minha que segurava o celular, empurrando meu polegar em direção ao e-mail de Ângela. Eu cliquei no ícone, o abrindo.
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