Nossa Família

13 Capítulo Doze — Segregação


Notas iniciais
Estamos de volta o/ Capítulo super dedicado a Marianaml e Leidi que recomendaram, muito obrigada, meninas :D Boa leitura! ♥

— Capítulo Doze —

— Segregação —

Edward Cullen

De: Ângela Weber

Para: Isabella Cullen

Assunto: Zafrina Stevens

Olá, senhora Cullen!

Eu fiz a pesquisa que me pediu sobre Zafrina Stevens, estou mandando em anexo uma foto da mulher e a baixo todas as informações que obtive sobre ela.

Nome: Zafrina K. Stevens.

Idade: 30 anos.

Estado Civil: Divorciada.

Filhos: Quatro, entre dez e dois anos.

Ocupação: Desempregada.

Reside em: Sul de Chicago.

Zafrina mora com os filhos em um apartamento alugado, ela tem recebido ajuda do governo para se manter desde que perdeu o último emprego em outubro do ano passado. Eu encontrei um homem chamado Laurent Stevens, que aparentemente é irmão mais novo de Zafrina, ele foi preso por tráfico de drogas no dia dos namorados.

Isso é tudo que encontrei, senhora Cullen. Se precisar de outras informações deixe-me saber que tentarei buscar por mais.

Ângela Weber.

Bella e eu terminamos de ler o e-mail praticamente ao mesmo tempo, então ela abriu a imagem anexada, nos permitindo ver a foto enviada por Ângela. A mulher não se parecia muito com Matthew, mas ainda assim era a tia dele, sua família, a pessoa responsável por ele a partir dali.

— O que nós fazemos agora? — Bella perguntou, seus olhos castanhos encontrando-se com os meus. — Ela nem tem um emprego, talvez eu possa conseguir algo no hotel, além de Matt outras quatro crianças dependem dela. — Vi as lágrimas infiltrando-se em seus olhos.

— Talvez nós consigamos visitá-lo lá — falei esperançoso. — Eu cuido de descobrir o endereço certo de Zafrina — murmurei vendo a localidade geral apresentada por Ângela.

Eu morava em Chicago desde sempre, estudei a história da cidade na escola, sabia sobre toda a segregação racial que se permeou durante anos. Zafrina estava na área que alguns anos atrás foi o Black Belt da cidade, a denominação para uma divisão entre negros e brancos em um passado não tão distante assim.

— O que foi? — Bella perguntou, tocando em minha testa franzida.

— Nós não temos um vizinho, negro, não é?

Bella franziu a testa, enquanto pensava sobre aquilo também.

— Não, acho que não — sussurrou. — Eu não me recordo de nenhum. Talvez seus pais tenham...

Eu ri, mesmo sem achar aquilo engraçado.

— Não, querida, meus pais com certeza não tem um vizinho negro que seja. A casa. — Estalei a língua. — A mansão — me corrigi. — Dos meus pais está na área mais nobre da cidade, todas residências são heranças de famílias europeias colonizadoras de Chicago, um negro não moraria ali por conta do preconceito, principalmente devido a segregação racial que aconteceu intensamente com o Black Belt.

O rosto de Bella foi invadido por compreensão.

— Eu entendo aonde quer chegar agora.

— Isso é errado de tantas formas. — Suspirei, esfregando minhas mãos nas coxas de Bella sentada sobre minha mesa no escritório. — As pessoas não deviam estar separadas por conta das cores de pele, isso não faz sentido algum.

— Faz sentido para uma quantia absurda de pessoas, amor. — Ela afagou meu rosto. — Nós vimos isso no restaurante.

— Eu vejo isso em minha própria família — falei.

— Seus pais? Eles não...

— Não, não meus pais, meus avós maternos, eles são absurdamente intolerantes e preconceituosos — contei pensando nos pais de Esme, Bella torceu o nariz ao ouvir a menção a eles, não era a maior fã do casal Masen. — Sendo franco, eu não sei como minha mãe sempre lidou com eles sem surtar, você sabe como Esme é engajada nas causas certas.

Bella deu um sorriso doce ao ouvir isso.

— Sim, você tem razão, sua mãe é maravilhosa.

Uma batida na porta nos distraiu, então Ness entrou após eu liberar sua entrada.

— O jantar está pronto, eu fiz salada — contou empolgada.

— Salada parece delicioso, Princesa — falei fazendo uma careta, Bella deu um tapa em meu braço, contendo uma risada.

— Nós já estamos indo, filha — disse para Ness, que assentiu empolgada, deixando o escritório. — O que nós faremos? — Bella voltou a me perguntar, a ameaça de uma risada sumindo de seu rosto.

— O que acha de descobrirmos onde Zafrina mora, irmos visitá-los, então ver se ela aceita um emprego no hotel? Você com certeza pode conseguir algo lá, assim ela aumenta a renda e nós poderemos dar qualquer tipo de assistência ao Matthew.

— Perfeito, vamos seguir isso. — Bella pulou da mesa, depositando um beijo em meu rosto. — Amo você, querido. Obrigada por não ser como Grace e Harrison — falou mencionando meus avós.

— Nunca — prometi. — Agora vamos, Ness preparou salada.

Bella fez uma careta e nós dois rimos.

***

Bella estava em nossa cama, mexendo em seu notebook quando entrei em nosso quarto depois de sair do banho aquela noite. Ela parecia muito concentrada no que lia, mas tinha um pouco de pavor em seu rosto também.

— Querida? — a chamei, ela levantou os olhos para mim, então fez sinal para que eu me aproximasse da cama.

— Escute isso — pediu, realmente horrorizada. — Em 1919, durante toda a época mais intensa da segregação racial aqui em Chicago , um rapaz afro-americano que estava nadando na praia em um “bairro negro” — falou aquilo com agonia. — Tomou um rumo por engano para uma praia de “bairro branco”. — Outra careta cruzou seu rosto. — As pessoas brancas o expulsaram de lá a pedradas, Edward, a pedradas! — Encarou-me. — Isso é apavorante e nem faz tanto tempo assim, foi a menos de cem anos, o garoto morreu afogado enquanto voltava a nado para seu bairro.

— Bella, acalme-se — pedi vendo toda a agitação em seu rosto e gestos, fechei a tela de seu notebook, o tirando da cama, então voltando para lá, sentando diante dela. — Não se aprofunde nisso de noite, você perderá seu sono e apenas se estressará mais.

— Você percebia esse tipo de coisa antes de conhecermos Matt? — indagou, ignorando meu pedido. — Digo, você notava essa segregação toda? Eu sinto como se as noticias de racismo passassem por mim e eu estivesse por todo esse tempo de olhos fechados. Porra, você falou de Grace e Harrison, mas eu tenho certeza de que minha família também tem sua cota de preconceito com negros, que até mesmo eu deva ter.

Ela respirou fundo.

— Isabella, acalme-se — pedi novamente, tomando seu rosto entre minhas mãos. — E sim, eu não percebia tudo isso antes de Matt, eram fatos que passavam por mim, me chocavam momentaneamente, mas eram apagados rapidamente da minha mente. Nós estamos abrindo nossos olhos para um milhão de coisas agora.

— Eu não quero que nossa filha seja assim, ou o bebê que pretendemos ter — ela falou baixinho, abraçando-se. — Não quero que eles cresçam em um mundo que pessoas são apedrejadas, isso é assustador, Edward.

— Eles não vão ser esse tipo de pessoa — disse certo daquilo, beijando a testa de Bella, então a abraçando. — Você ensina os valores mais certos a Renesmee, tenho certeza de que ela está entendendo cada um deles e você os ensinará a quantos outros filhos tivermos.

— Nós adotaríamos Matthew se ele não estivesse com a tia, não é? Independente do fato de ele ser negro, ou não.

— Sim — afirmei, a afastando um pouco para olhar em seu rosto. — Eu o adotaria se ele não estivesse com a tia.

Bella começou a chorar baixinho, então tudo que pude fazer foi voltar a abraçá-la.

***

Eu detestava médicos, isso era tudo culpa de Rosalie, claro. Minha primeira lembrança de uma visita médica era da minha irmã contando no dia anterior que médicos eram monstros por debaixo do jaleco, com três olhos e tentáculos, que ele iria revelar sua real identidade e me aprisionar lá se eu estivesse doente, então comeria meu cérebro.

Rosalie era um ser muito cruel quando queria, ela obviamente ganhou seu castigo merecido quando entrei no consultório e comecei a gritar para que minha mãe não deixasse o doutor Forman chegar perto de mim, pois eu acreditava que ele iria se transformar em um monstro graças a tosse que eu tinha naquele dia. Rose, sendo realmente muito má, não se abalou com o castigo e quando fomos para o dentista falou:

— Cuidado pequeno, Edward, a doutora Emma vai arrancar todos seus dentes e fazer um colar com eles.

Então, idas a dentistas também não eram meu esporte preferido. E, com o passar dos anos médicos e dentistas não eram minhas pessoas favoritas no mundo, até porque eu odiava quando ficava doente, parecia sempre que estava a beira da morte e detestava a forma como remédios tinham o dom de me deixar lerdo.

Mas, eu talvez fosse um pouco lerdo naturalmente, já que fui a pessoa que ferrei a cabeça da minha filha sobre médicos, como minha própria irmã fez comigo. Na primeira consulta de Ness com o pediatra que Bella, ou Nelly não puderam estar presentes, fomos apenas nós dois. Era pra ser um momento pai e filha, Ness tinha quatro anos e tudo que eu tinha que fazer era levá-la ao médico e certificar-me que minha criança estava saudável.

Não foi o que eu fiz, posso ter contado a ela a história que Rosalie me contou e mesmo em um tom de humor, querendo que ela risse daquilo, Ness em toda sua inocência de quatro anos recém completos, não entendeu que era apenas uma brincadeira. Desde então ela detestava médicos, desde então eu era obrigado a ser o cara a acompanhando em todas as consultas, pois Bella e Nelly não podiam saber que eu tinha contado a história de médicos serem monstros e que o medo imposto na cabeça da minha filha foi implantado por mim.

Isso me levava aquele momento, sentado em uma sala de espera às nove da manhã de uma segunda-feira, folheando uma revista sobre celebridades do ano anterior. Ness precisava se consultar com o oftalmologista para ganhar sua receita para óculos que sabíamos ser necessários e, eu precisava estar lá para acompanhá-la.

— Pai — Ness me chamou aos sussurros, puxando a manga da minha camisa social.

— Sim, filha? — perguntei, enquanto lia que Brad Pitt e Angelina Jolie tinham se separado no segundo semestre de 2016, eu realmente não sabia disso. Será que Bella sabia?

— O médico não vai mesmo virar um monstro?

— Não, linda, nada de monstros — prometi, folheando a revista e vendo mais um caso de separação. Onde eu estive em 2016 que não vi nada daquilo?

— Nem mesmo um terceiro olho?

— Bom, isso depende... — Eu me calei quando percebi que estava quase a aterrorizando mais. — Não, sem um terceiro olho. — Voltei minha atenção para Ness, que estava agarrando os braços de sua cadeira, mordendo o lábio inferior da mesma forma que a mãe fazia.

— Renesmee Cullen — ela foi chamada.

Eu vi uma dezena de pares de olhos curiosos olhando em volta na sala com a menção do nosso sobrenome. Bella, Ness e eu não éramos tão conhecidos na mídia como minha irmã, Royce adorava exibições em grandes eventos cobertos pela imprensa, então Rosalie era sempre a que mais aparecia, meus pais também por serem os patriarcas, mas nós preferíamos preservar nosso anonimato o quanto podíamos, evitando ao máximo super exposição.

— Sabe, vamos embora — Ness falou, dando um pulo da cadeira. — Eu nem sinto mais dor de cabeça, posso enxergar tudinho!

— Não vou cair nessa, Princesa — disse, colocando-me de pé, as pessoas finalmente descobrindo quem era o Cullen ali.

A senhora ao nosso lado arfou a ver que era eu. O que ela pensava? Que eu era uma espécie diferente de ser humano só por ser um Cullen?

— Papai, eu não quero. — Ness choramingou.

— Vai ficar tudo certo, filha, vamos. — Segurei em sua mão, a conduzindo até o consultório do doutor Rissi.

— E se ele virar um monstro?

— Ele não vai — garanti, batendo na porta, então entrando no consultório com ela. O homem de meia idade, já de cabelos grisalhos, sorriu ao nos ver.

— Edward, Renesmee, é sempre maravilhoso encontrá-los.

Ele era o médico de Carlisle e foi o de Rosalie antes dela se mudar para Dubai, o homem então claramente era do nosso ciclo social. Bella e eu éramos relapsos e deveríamos nos consultar periodicamente, mas não tínhamos tempo para médicos, eu ainda tinha o agravante de detestá-los.

— Olá, doutor Risse. — Apertei a mão dele.

— Como anda seu pai? — perguntou-me.

— Muito bem.

— Diga a ele que mandei lembranças — falou, voltando-se para Ness. — E essa garotinha, como está?

— Muito bem, eu posso ir agora! — Renesmee exclamou, sua mão na minha suando.

— Filha, você ainda tem de se consultar.

— Seja uma boa menina e ganhará um doce no final da consulta, pequena — o médico disse, Ness não pareceu convencida com isso.

— Mamãe não me deixa exagerar no açúcar, melhor ir agora.

Eu tentei não rir, então me agachei ficando na altura dela.

— Filha, está tudo certo, você confia em mim? — Ela respirou fundo, concordando com um aceno de cabeça. — Ótimo, então confie em mim quando digo que vai ficar tudo bem, o doutor Rissi não se transformará em um monstro — murmurei a última parte para que o médico não escutasse.

Logo Renesmee se acalmou, um pouco e podemos dar inicio a consulta. Depois de todas as perguntas rotineiras, Doutor Rissi examinou os olhos dela e eu tive de segurar a cabeça de Renesmee para que ela não fugisse daquele maquinário estranho. Eu tinha de ser justo com minha filha, aquilo parecia uma máquina de tortura, dava medo mesmo, fora toda a pressão de responder qual a lente era melhor, ou pior.

Então, o pior momento chegou.

— Agora, vamos colocar o colírio.

— O que? Não, não! — Ness implorou, tentando sair da cadeira, de coração partido eu a firmei no lugar, auxiliando o Doutor Risse a colocar o colírio nos olhos dela.

— Ela é como sua irmã — ele disse depois de conseguir pingar a solução nos olhos dela. — Morre de pânico de algo em seus olhos.

É, mais ou menos isso, ela morria de medo sobre tudo a respeito de médicos.

— Vocês podem ficar na sala de espera, logo ela será chamada para mais exames.

Concordei, ajudando Ness a descer da cadeira.

— Pai, eu estou cega! — ela exclamou apavorada.

Eu sabia que ela não estava, apenas suas pupilas dilatadas estavam lhe dificultando a visão.

— Feche os olhos, diminuirá seu desconforto, serei seu guia — orientei.

— Pai, isso é culpa do doutor Rissi — murmurou, enquanto a guiava pela sala de espera para sentarmos, evitando que ela esbarrasse nas pessoas e nos moveis no caminho. — Ele não é um monstro, é um bruxo, jogou um feitiço em mim, agora eu não posso mais enxergar.

— Talvez você deva parar de assistir tanto Harry Potter. — A sentei em uma cadeira, ocupando o lugar ao lado esquerdo dela.

— Pai, não repita isso! — Renesmee exclamou incrédula, encarando a mulher ao seu lado direito, eu sorri para sua confusão. — Harry Potter é muito bom.

— O que? — a mulher perguntou confusa a ela.

— Pai?

— Não, não sou seu pai, menina.

— Aqui, filha — me pronunciei, ela virou o rosto rapidamente na minha direção, seus cachos balançando de um lado para o outro.

— Papai, eu estou tão confusa, quero enxergar direito novamente.

— Em breve. — Acariciei seu rosto.

— Sabe — a mulher começou a falar, olhei para ela, vendo-a sorrir para mim. — Isso é muito bonito.

— Desculpe? — perguntei sem entender ao que ela se referia.

— Você é um pai muito atencioso — disse, enrolando uma mecha do seu cabelo loiro escuro no dedo. — É raro ver um pai solteiro, ainda mais um tão dedicado, muito bom que cuide de sua filha já que ela não tem uma mãe. Sou Vivian, aliás. — Estendeu a mão para mim e antes que eu dissesse qualquer coisa, Renesmee se pronunciou, voltando a fechar os olhos, virando a cabeça para a mulher.

— Eu tenho uma mãe! — A voz dela parecia muito com a de Bella quando esta estava irritada com algo.

Vivian me olhou apreensiva, então seus olhos caíram sobre minha mão esquerda. Levantei, facilitando que ela visse a aliança de casamento ali.

— Oh meu Deus, me desculpe.

— Minha mãe não ia gostar nada de você — Renesmee disse sabiamente para Vivian, cruzando os braços e erguendo o queixo.

— E-Eu — a mulher gaguejou, sendo salva pelo gongo quando foi chamada para ser atendida. — Eu tenho que ir — falou rapidamente, levantando-se e indo em direção ao consultório.

— Mamãe a chamaria de vaca — Renesmee falou.

— Você está devendo um dólar para o pote, Renesmee. Chamar alguém assim é uma ofensa — anunciei sério, agradecendo por sua falta de visão para sorrir para sua fala.

— Eu colocarei um lá quando for para casa.

Oh sim, ela podia ser encrenqueira como eu, mas era muito como Bella também.

***

Na terça-feira eu consegui descobrir o endereço de Zafrina, foi preciso algum dinheiro envolvido para que a pessoa certa ligada ao ramo do governo que cuidava da assistência a família com carência financeira, me cedesse tudo que eu precisava, mas consegui. Porém, Bella e eu estávamos com nossas agendas cheias na terça e na quarta, sendo assim só conseguiríamos ir até o local na quinta-feira, já no segundo dia de março.

— Você está muito ocupado? — Jasper perguntou ao entrar na minha sala naquele dia de manhã, sem se preocupar em bater.

— Sim — continuei lendo o relatório a minha frente.

— Faça uma pausa — ele exigiu, sentando na cadeira do outro lado da mesa.

Bufei, o encarando.

— O que você quer? — questionei irritado por ser atrapalhado. — Se você não trabalha, saiba que eu trabalho.

— Você trabalha muito, uma pausa não irá matá-lo — Jasper afirmou, mexendo no tablet em suas mãos, então estendendo para mim, eu peguei a contragosto o aparelho, vendo uma imagem de anel de noivado. — Eu preciso de sua ajuda para escolher o anel de Alice, farei o pedido na semana que vem e não consigo me decidir entre as opções.

— Jasper, sério? — Bufei novamente. — Eu estou trabalhando e você vem me atrapalhar querendo falar sobre anéis de noivado?

— Sim, você é meu melhor amigo e será o padrinho deste casamento, deve me ajudar com isso.

— Eu não pedi sua ajuda sobre o anel de noivado de Isabella — rebati, passando as imagens, os anéis pareciam todos iguais para mim, com pequenas variações.

— Claro, por que sua família absurdamente tradicional tem um anel de noivado que é repassado por sei lá, seis gerações?

— Sete — corrigi. — O anel está na família desde os Cullen da Irlanda.

— Viu? O que eu posso fazer se meu pai teve três esposas depois que minha mãe morreu e cada uma delas tinha um anel diferente? Que o anel que minha mãe usou, era só um anel caro qualquer sem sentimento ou valor familiar. Quero formar uma família com Alice, nosso próprio clã, quero que meu primogênito dê o anel que eu darei a Alice no sábado para a esposa dele, que a tradição se repasse pela família.

Tudo bem, Jasper era dramático, mas eu conseguia compreendê-lo. Os Cullen sempre tiveram algumas tradições, como a do anel de noivado que estava na família desde o terceiro Edward Cullen — eu era o quinto — como os próprios nomes dos garotos Cullen que sempre variavam entre Anthony, Carlisle e Edward. O quarto Edward tinha sido avô do meu pai e o Anthony do meu segundo nome veio do meu próprio avô, não éramos nada originais nas escolhas de nomes masculinos e algumas vezes sobre femininos também, tinha existido pelo menos duas Rosalie Cullen antes da minha irmã.

Por isso Bella e eu talvez tenhamos feito a grande coisa sobre o nome de Ness, buscando alguma originalidade. Ela não podia apenas receber um nome repetido, não sendo nossa primogênita não planejada, mas muito querida.

— Que tal chamarmos Bella e pedir a opinião dela? — sugeri, fazendo uma careta para um anel com pedra amarela berrante. Que Jasper não escolhesse aquilo, eu já imaginava chamar aquele anel de gema de ovo se o visse no dedo da Brandon.

— Não, enlouqueceu? Ela contaria para Alice.

— Bella não é fofoqueira.

— Não estou dizendo que é, estou dizendo que esse é o tipo de segredo muito grande que não pode ser simplesmente mantido em sigilo quando muitas pessoas estão envolvidas.

— Então, peça ajuda a uma vendedora, pois eu realmente não entendo nada de joias. — Devolvi o tablet a ele. — Por sorte Bella não é o tipo de mulher que as idolatra, então eu não estou preso a esse mundo.

— Uma vendedora não saberá me ajudar, apenas me empurrara o mais caro alegando ser o mais bonito — Jasper choramingou, muito parecido com Renesmee no médico no começo da semana, o que me lembrou que tinha de pegar os óculos dela na manhã seguinte.

Meus olhos foram para a entrada da sala quando ouvi o barulho da porta, então vi a salvação de Jasper entrar.

— Pronto, peça ajuda a ela. — Apontei para Rosalie, que retirou seus óculos escuros, olhando-me com curiosidade devido minha fala. — Aliás, como todos estão entrando na minha sala sem ser anunciado hoje? Jessica não está lá fora?

— Sou seu vice diretor e melhor amigo.

— Sou sua irmã.

Rosalie e Jasper justificaram-se ao mesmo tempo.

— Claro, excelente — debochei. — Rosalie, é o seguinte, Jasper pedirá Alice em casamento semana que vem e ainda não tem um anel. O ajude a escolher essa joia e não conte nada a ninguém, nem mesmo a Isabella.

— Por que diabos você quer se casar? Sabe o quão burocrático é um divórcio? — Rosalie perguntou amarga, sentando-se ao lado dele, mas pegando o tablet e repassando as opções ali.

— Alice e eu não vamos nos divorciar — Jasper se defendeu.

— Falei a mesma coisa sobre Royce e eu. — Ela rolou os olhos. — O de ônix, é caro, tem uma pedra grande e preta, combinará com o luto quando vocês se divorciarem.

— Rosalie! — exclamei rindo. — Nem todos os casamentos acabam em divórcio.

— É, talvez apenas o meu. — Bufou.

— Por que está tão mau humorada?

— Porque é quinta-feira e estou visitando meu irmão e meu pai no trabalho com minha mãe, por não ter o que fazer, Edward. Com as meninas na escola, eu sou só uma desempregada inútil cem por cento do tempo, eu sou como Irina!

— Ei, eu ouvi isso, mocinha, mais respeito com Irina! — A voz de mamãe soou pela sala.

Sério, onde estava Jessica que não estava anunciando a entrada de ninguém naquela sala? Eu realmente tinha de trabalhar, a qualquer momento Bella apareceria para irmos até Zafrina, precisava deixar tudo adiantado.

— Oi, bebê! — Mamãe foi até mim, me dando um beijo estalado na bochecha. — Tem tempo para vir almoçar com seu pai, Rose e eu? Jasper está convidado também, seu lindinho. — Sorriu para ele, Jazz obviamente ficou todo besta e sorridente com aquilo.

— Não, Bella e eu sairemos em alguns minutos — falei.

— Tia Esme. — Eu revirei os olhos para o modo que Jasper chamava minha mãe, ele tinha trinta anos, aquilo o fazia parecer uma criança. — Pedirei Alice em casamento em breve, preciso de ajuda para escolher o anel de noivado. — Levantou-se, indo até mamãe e mostrando as opções a ela.

— Jasper, mais duas pessoas já sabem sobre isso, apenas vá até Bella e peça a ajuda dela — ordenei. — É a melhor amiga de Alice, saberá qual anel você deve escolher.

— E no instante seguinte ela contaria a Alice sobre o pedido, sabe disso — falou para mim.

— O rubi, Jasper, Alice irá amá-lo! — mamãe exclamou confiante.

— Rubi era a cor do meu, eu me divorciei, é má agouro — Rosalie resmungou.

— Filha, nem todo casamento acaba em divórcio — mamãe repetiu minha frase. — Meninos, certeza de que não podem vir conosco?

— Eu posso, vou comprar... — Jasper se interrompeu quando Bella entrou na sala. — Não vai reclamar dela entrando na sua sala sem ser anunciada? — indagou divertido para mim, desligando o tablet para que ela não visse a imagem do anel ali.

— Nunca — afirmei, piscando para Bella que sorriu para mim. Recolhi meu celular, indo até ela, pronto para sairmos. — Adoro todos vocês, mas saiam da minha sala depois que eu sair, ou isso aqui se tornará uma feira.

— Tchau, Edward! — exclamaram em conjunto.

***

Bella e eu almoçamos sozinhos em um restaurante no caminho, então terminamos de seguir até o endereço de Zafrina. Assim que entramos no bairro nos deparamos com o grande contraste do que morávamos, os prédios velhos, de fachadas sujas e desbotadas, os carros mais antigos que passavam por lá e como esperávamos, uma grande quantidade de pessoas negras que não costumávamos ver nos bairros nobres que rondavam nosso cotidiano entre a casa da minha família, o do hotel e até mesmo o que morávamos.

— Senhor Cullen? — Félix me chamou quando estava prestes a abrir a porta do carro para que Bella e eu saíssemos. — Desculpe-me a intromissão — pediu. — Mas este é um bairro dos mais perigosos da cidade, vi isso nos últimos dados divulgados pela policia, talvez seja melhorem deixar todos os objetos de valor no carro.

Eu troquei um olhar com Bella, que parecia passar por uma luta interna por aquilo. Ela acabou tirando sua bolsa do ombro, colocando apenas seu talão de cheque no bolso da minha calça. Tirei meu celular e relógio, os pondo na bolsa dela, ficando com a carteira, então saímos do carro sem dizer uma palavra.

O prédio onde Zafrina morava com os filhos e desde o último sábado com Matt, era de três andares, sem elevador e com uma escada que tinha um dos lados do corrimão quebrados. Bella olhava tudo em volta atentamente, enquanto subíamos até o ultimo andar, um homem passou por a gente nos avaliando dos pés a cabeça, olhando demais para os seios de Bella contra sua blusa de seda, então a puxei para mais perto, segurando em sua mão.

— Aqui — ela anunciou ansiosa, parando na frente do número do apartamento de Zafrina.

Bati na madeira, então uma voz feminina gritou lá de dentro.

— Vá à merda, John, eu já dei tudo que tinha!

Insisti em bater na porta, para ser interrompido pela mesma sendo aberta pela mulher que reconheci ser Zafrina.

— Quem são vocês? — perguntou para Bella e eu, tinha uma garotinha que não devia ter mais que três anos em seu colo, que comia bolachas.

— Edward e Isabella Cullen — Bella se pronunciou. — Nós viemos até aqui por Matthew.

— São do serviço social? — A mulher bufou. — Vocês deviam marcar hora pra essas coisas irritantes, isso é um saco!

— Não, não somos do serviço social — falei. — Nós fomos as pessoas que estivemos com Matthew na noite que ele foi levado ao abrigo.

— Ah. — Zafrina gargalhou. — As pessoas que encheram aquela peste de livros? Como se eu não tivesse tralha suficiente nesta casa. — Ela colocou a garotinha no chão, que seguiu caminho para o interior do apartamento sozinha. — Querem aquela merda toda de volta? Tarde demais, já vendi tudo pra pagar as despesas extras que o peste está me dando.

— Ele não é uma peste, é seu sobrinho! — Bella exclamou raivosa.

— Escuta aqui, branquela, não sei quem você pensa que é, mas não vai ficar gritando na minha porta, não! — Zafrina exclamou de volta. — Caiam fora, agora.

— Nós queremos ajudar, nós nos sensibilizamos com a história de Matthew — falei tentando contornar as coisas. — Minha esposa é gerente de um hotel, podemos arranjar um trabalho para você lá.

— Olha, cara. — Ela me olhou com nojo. — Vaza, entendeu? Não sei por que diabos estão preocupados com aquele peste, sendo filho daquele cretino do Laurent e da puta de esquina que foi a mãe dele, tudo que resta pro moleque é virar bandido como o pai, não percam tempo.

— Matthew pode ter um futuro, ele não precisa virar um bandido, meu marido e eu queremos garantir que ele tenha toda a assistência possível — Bella começou a falar, tentando se manter calma. — Queremos te ajudar também, você pode ir trabalhar comigo, ter um bom dinheiro para sua casa, seus filhos e o próprio Matthew.

— Vocês pensam que são o que? Santos para virem aqui me oferecer esmola? Não preciso disso, eu sempre sustentei meus filhos e sempre vou sustentar, vou manter aquele moleque aqui até ele começar a dar problemas como Laurent dava, então vocês poderão visitá-lo em um reformatório, ou na porra de um presídio.

Eu ia rebater a fala dela, até que vi a figura assustada de Matthew surgir atrás da tia. Soube que Bella também estava olhando para ele, pois ela ficou em silêncio, mas tentou se soltar de mim para entrar no apartamento.

— Vai lá pra dentro, moleque! — Zafrina ordenou para Matthew, que a olhou irritado. — Fica de olho na Zoe pra ela não ferrar com nada.

— Matt, como você está, lindo? — Bella perguntou, quando ele não se moveu, ainda olhando com raiva para a tia.

Ele olhou para Bella e para mim por um segundo, sem falar nada voltou a sumir de nossas vistas.

— Por favor, por favor nos deixe ajudá-la — Bella implorou a Zafrina, a voz embargada pelo choro contido.

Zafrina bufou, movendo a porta para fechá-la, falando algo antes de batê-la.

— Se voltarem aqui eu chamo a policia. Vão embora, Matthew não é da família de vocês!

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 21.11.16