Nossa Família

18 Capítulo Dezessete — Monstros


Notas iniciais
Olá pessoas, já conhecem a história nova? Mais tarde terá capítulo novo lá, não deixem de ler https://fanfiction.com.br/historia/715768/Sob_minha_Pele/ Boa leitura ♥

— Capítulo Dezessete —

— Monstros —

Isabella Cullen

O frio do laboratório fez com que eu me encolhesse dentro do meu casaco, enquanto observava Esme rezando baixinho com um terço em mãos. Era segunda-feira, um dia depois de Edward e eu anunciarmos para a família Cullen sobre Matthew.

Depois de Carlisle e Edward terem uma conversa privativa, meu sogro pareceu estar aceitando a ideia da adoção melhor. Ele pelo menos manteve-se quieto e não comentou mais nada que deixasse eu, ou Rosalie irritadas com seu preconceito, ainda que este não fosse proposital. Então, o resto da família pode comemorar melhor nossa ideia de adoção.

Eu não fiquei nem um pouco surpresa com Esme reagindo bem a isso, mas seu choro esteve confundindo Edward por todo o domingo e sabia que seria questão de tempo até ele nos associar. Tinha dito a Esme que seria melhor ela contar de uma vez para o marido e filhos sobre a suspeita de câncer, mas ela sequer tinha concordado em fazer os exames na quinta-feira quando visitamos sua médica, adiando isto para aquela segunda-feira.

— Eu acho que fui uma pessoa ruim, isto deve ser Deus me punindo de alguma forma — Esme sussurrou, fazendo com que eu olhasse para seu rosto preso em uma expressão de seriedade. — Talvez eu não tenha sido uma esposa, uma mãe perfeita. Não devia ter gastado tanto tempo no trabalho, não devia ter bebido tanto, ou dado tantas festas. Isto certamente é Deus me punindo, eu fui uma pessoa ruim e agora estou pagando por meus pecados em vida.

— Esme, você é uma mulher incrível — afirmei. — A melhor esposa, mãe e arquiteta que conheço. — Segurei em sua mão, ouvindo-a fungar baixinho. — Com certeza a melhor sogra também. Não está sendo punida, não há motivos para punir alguém tão bom quanto você é.

— E se eu estiver doente? — indagou. — E se eu não conseguir me curar? Essa doença me matará tão rápido. — Esme apertou minha mão. — Eu não verei as meninas se formando, entrando na faculdade, casando, tendo filhos. Deus, eu não verei nada disso com o pequeno Matthew também.

— Você ficará bem, irá ver tudo isso. — A abracei, deixando-a chorar em meu ombro enquanto esperávamos que ela fosse chamada.

— Senhora Esme, pode me acompanhar agora — uma técnica do laboratório foi até a gente chamar por minha sogra, tínhamos sido exigentes em pedir que ninguém usasse o nome Cullen em tom alto de forma que todos naquele laboratório pudessem reconhecer Esme.

— Claro, vamos — Esme concordou com um suspiro, eu a ajudei a ficar de pé, então seguimos a técnica até a sala de exames.

Esme já tinha feito a mamografia na consulta de quinta-feira, mas ainda precisaria de uma biopsia para que fosse definido se o nódulo era benigno ou maligno. Eu a acompanhei até a sala de exames, como prometido estando ao seu lado em todos os momentos daquele longo processo até termos certeza do que estava acontecendo em seu corpo.

— Você está com uma pequena secreção — a médica que fazia o exame avisou Esme, enquanto começava a prepará-la para o exame.

— Isso é ruim, isso com certeza é ruim! — Esme exclamou, voltando a chorar.

— Está tudo bem, apenas se concentre em fazer o exame agora. — Fui para seu lado, segurando em sua mão, enquanto a médica limpava a mama dela, eu pude ver a secreção e tentei me convencer que aquilo era normal.

A médica logo pediu que eu me afastasse para iniciar o procedimento, uma Punção Aspirativa por Agulha Fina que não demorou muito, mas que mesmo com anestesia local fez Esme lagrimar por todo o tempo dela. Depois do exame finalizado, eu a levei para comer algo na cafeteria mais próxima, sabendo que ela não tinha tomado nada no café da manhã.

— Eu não sei o que vou fazer se confirmar que tenho câncer — Esme murmurou, segurando uma xícara de chá em suas mãos, encarando os bolinhos que pedi para ela.

— Tudo que os médicos recomendarem — afirmei. — Você passará por isso se tiver um tratamento adequado.

— Eu ficarei careca, debilitada, minha vida mudará de mil formas diferentes — continuou murmurando, tomando um pequeno gole de sua bebida. — E se Carlisle me deixar? — indagou, seus olhos verdes deixando os bolinhos para me olharem, ela parecia desesperada.

— Esme...

— Obviamente eu não sou mais uma garotinha de vinte anos nova desejável — ela me interrompeu. — Mas ainda sou uma mulher, cabelos, seios, tudo certo. Se eu tiver a droga daquela doença, tudo isso me reduzirá apenas a uma velha doente.

— Esme, você tem apenas cinquenta e cinco anos, não é uma velha — lembrei. — Além do mais, Carlisle não é o tipo de homem que larga a esposa só por ela estar doente. Isto não faz parte do que seu marido é, você sabe disso.

— Eu não quero estar doente. — Esme respirou fundo. — Mas, obviamente estou. Tudo indica que estou, não? O nódulo, a secreção. Minha avó materna teve isso, uma das irmãs da minha mãe, é uma doença familiar, com certeza sou a próxima.

— Todos nós estaremos aqui para apoiá-la caso os resultados sejam os que não queríamos ver — falei. — Talvez seja a hora de contar para Carlisle, pelo menos para ele — insisti ao ver a expressão negativa dela. — É seu marido, Esme. Ele merece saber o que está se passando em seu mundo. Carlisle irá gostar de estar ao seu lado quando os resultados do exame saírem na quarta, principalmente se eles não forem bons como esperamos que seja.

— Você contaria a Edward se estivesse suspeitando estar doente?

— Contaria, eu não sei se saberia lidar com algo deste porte sem ele ao meu lado, na verdade — confessei. — Desde o começo do nosso relacionamento Edward é uma base para mim, eu não sei lidar com tudo sozinha como aparento, ele tem sido o que me mantém lúcida no meio de qualquer problema. Eu certamente contaria sobre minhas suspeitas, por isso acho que você deveria contar a Carlisle, afinal você e ele foram as pessoas que criaram Edward, se meu marido é tão bom quanto eu sei que é, isso se deve a vocês dois.

Esme deu um sorriso pequeno, repousando sua xícara sobre a mesa, colocando minha mão na sua.

— Eu contarei a ele esta noite — prometeu. — Obrigada por estar sendo tão paciente, filha, você é maravilhosa.

— Família é para isso, não? — Afaguei sua mão. — Nós estaremos com você, Esme, não se preocupe, você construiu uma família que a ama e que nunca a abandonará.

***

Edward teve de trabalhar até tarde aquele dia, então sequer tinha chegado em casa quando eu já estava me preparando para dormir. Tinha sido uma segunda-feira longa entre ir com Esme ao laboratório, trabalhar e ajudar Ness com os deveres de casa, ainda assim eu estava parada diante ao banheiro da suíte, preocupada.

Eu usava apenas um roupão depois do banho, me lembrando das palavras da médica de Esme na quinta-feira e da própria mais cedo aquele dia. A probabilidade de se ter um câncer de mama quando alguém em sua família teve era enorme, eu tinha casos em minha família, minha avó materna teve, a irmã dela teve.

Abri o roupão, checando meus seios atentamente. Eu só tinha trinta, mas ainda assim a doença não se restringia apenas a pessoas de determinada faixa etária, eu já tinha visto mulheres com vinte anos sofrendo com aquilo.

— Você não está pensando em colocar silicone de novo, né? — Eu fechei o roupão rapidamente ao ouvir a voz de Edward, o olhando pelo espelho.

Ele parecia exausto, já sem a gravata e o paletó, tirando a camisa social.

— Não. — Forcei um sorriso. — Dia longo no trabalho?

— Você nem imagina. — Ele se livrou da camisa a jogando no cesto de roupas sujas, tirando o relógio e o colocando sobre a bancada do banheiro. — Eu estou morrendo de dor de cabeça com tanta coisa que deu errado. Por sorte tenho Jasper para salvar minha pele. — Se livrou da calça, cueca e sapatos, entrando na área do chuveiro.

— Por quê? — perguntei, sentando na bancada, o olhando pelo vidro do box.

— Ele aceitou ir a Londres em meu lugar, tem algumas contas dando erradas do hotel de lá, ele vai resolver toda a merda que o gerente fez e ajudar na contratação de um novo. — Eu tive de exercer muito do meu auto controle para olhar apenas para seu rosto, se eu passasse de seu pescoço seria difícil demais me concentrar em suas palavras. — Eu teria de ir, mas Jazz se voluntariou a ir já que nós estamos tão envolvidos com Matt. Por falar nisso, Jessica a avisou que o Jenks conseguiu nossa visita para amanhã?

— Avisou sim — confirmei. — Eu comprei algumas coisas para levarmos, mesmo que saibamos que ele pode não ver nada. Mas sim, é bom que Jasper passe um tempo fora, mesmo que a trabalho.

— Foi o que o fez querer ir no meu lugar — Edward disse. — Ele pode tirar sua cabeça um pouco de Alice. — Terminou seu banho, saindo enrolado de lá em uma simples toalha que seria muito fácil de ser removida. — Você falou com ela recentemente? — perguntou, começando a escovar os dentes.

— Não tão recentemente — confirmei, saindo da bancada pegando um remédio para sua dor de cabeça. — E quando falei, ela não disse nada sobre voltar, eu realmente não sei o que pensar. Você quer comer algo? Nelly com certeza deve ter deixado algo para você.

— Não, só estou mesmo querendo dormir e apagar por algumas horas.

— Vou buscar água para você. — Coloquei o remédio em suas mãos, indo até a cozinha rapidamente buscar uma garrafa para ele. — Aqui, amor. — Passei a ele, que já estava no quarto terminando de se vestir.

— Ei, escuta, tudo bem? — ele perguntou depois de tomar o remédio. — Você parecia bem preocupada quando cheguei.

— Apenas cansada também. — Me encolhi dentro do roupão. — Vou trocar de roupa e ir dormir, amanhã será outro dia longo. — Afaguei seu rosto, sumindo dentro do nosso closet.

Quando voltei ao quarto, Edward já estava apagado na nossa cama. Eu deitei ao seu lado, tomando cuidado para não acordá-lo, afagando seus cabelos por um longo tempo até que dormisse também.

Tive um pesadelo aquela noite, mas não um com monstros fantasiosos como Renesmee frequentemente tinha quando mais nova. Sonhei que Esme buscava os resultados do seu exame, que ela tinha a doença e que os médicos diziam que nada poderiam fazer para curá-la.

— Querida. — Abri os olhos, ainda tremendo, assustada com tudo aquilo em meu pesadelo. — Está tudo bem. — Edward afagou meu rosto, puxando-me para seu peito. — Foi apenas um pesadelo, não se preocupe.

Eu assenti, inspirando seu cheiro, enquanto ele continuava a me consolar. Cobriu meu corpo, em algum momento da noite eu devia ter me livrado da coberta, por isso estava tremendo de frio.

— Foi apenas um pesadelo — Edward repetiu. — Ele não irá se concretizar.

***

Na manhã seguinte, depois de deixarmos Renesmee na escola, seguimos até o escritório de Jenks, para depois irmos até Matthew. Renesmee, estava bastante irritada por não poder ir visitar o irmão, mas Edward e eu não achávamos que seria uma boa apresentá-los daquela forma, principalmente no abrigo.

Jenks até mesmo tinha dito que seria melhor não falarmos sobre a adoção com ele, foi um dos temas de nossa reunião aquela manhã.

— Preciso que assinem alguns papeis. — Ele entregou a papelada para a gente, Edward e eu lemos tudo rapidamente, já acostumados com contratos, então começamos a assinar tudo. — Semana que vem vocês vão começar a ser avaliados para conseguirem a guarda provisória do menino. Estou tentando agendar mais algumas visitas, isso agora será mais fácil já que pretendem adotá-lo e vão querer que vocês tenham mesmo uma proximidade maior antes de ele ir morar com vocês.

— Quando acha que conseguiremos levá-lo para casa? — Edward indagou, terminando de assinar sua parte da papelada.

— Um pouco mais de calma, Cullen — Jenks pediu. — Não é uma matemática exata. Mas, quem sabe consigam estar com o garoto já sobre sua tutela no aniversário dele em abril.

— Que é dia? — perguntei, sem ter ideia daquilo.

— Dia 23. — Jenks me entregou uma ficha de Matthew.

— A mãe dele morreu por overdose? — perguntei ao ler aquilo ali, Edward encarou a ficha, seu rosto preso em surpresa. — Como descobriu isso? Pensei que as famílias adotivas não tivessem tanto acesso assim a história dos pais biológicos, você disse isso — indaguei Jenks.

— Geralmente não tem. — Ele deu de ombros. — Mas, eu não brinco em serviço e pelo que estão me pagando, o que já me fez quitar a faculdade das minhas duas filhas, eu poderia lhe dar mais algumas informações — brincou. — Matthew ainda nem tinha dois anos quando ela morreu, se chamava Karen.

— Isso é muito para uma criança. — Passei a ficha para Edward. — Quanto a Laurent?

— Ele deve ser julgado em breve, assinou os documentos de perda do pátrio poder na semana passada, então Matthew está oficialmente disponível para adoção.

— Você descobriu o que fez a tia de Matthew perder a guarda? — Edward perguntou.

— Ela não perdeu, na verdade — Jenks disse. — Ela abriu mão da guarda, aparentemente o ex-namorado dela, pai de seus dois filhos mais novos, voltou de Denver e a mulher devolveu Matthew para o abrigo porque o tal cara não o queria na casa dela.

— Eu deveria ficar revoltada com isso, mas realmente me sinto feliz que ela tenha aberto mão da guarda dele, assim podemos ter Matthew — falei, Edward assentiu, afagando meu braço.

— Podemos ir agora? Estamos ansiosos para encontrar Matt — Edward disse.

— Claro — Jenks concordou. — Não se esqueçam, nada de falarem que irão o adotar, os psicólogos cuidam disso, vocês apenas bagunçariam a cabeça do menino neste momento. Apenas digam que voltarão a vê-lo em breve, provavelmente já na próxima semana terão outro encontro com ele.

— Certo, nós diremos. Não hesite em ligar se precisar de algo, Jenks — Edward pediu, nós dois nos levantando.

— Eu não hesitarei — Jenks prometeu, nos acompanhando até a porta. — Ah senhora Cullen. — Ele me parou. — Chequei os antecedentes criminais da sua família, sua irmã, Bree, certo? — Assenti, sabendo onde aquilo ia terminar. — Ela foi presa, isso não vai ser visto com bons olhos pelo pessoal responsável sobre a adoção, então se puder conversar com Bree e mantê-la na linha para que episódios como esse não se repitam, principalmente durante o tempo que estamos tentando a guarda provisória, isso seria muito bom.

— Eu falarei com ela — prometi, sabendo que em breve tinha de contar a minha família sobre Matthew.

— Excelente. — Jenks abriu a porta. — Os vejo logo mais, se tiverem qualquer duvida me contatem.

Algum tempo depois Félix estacionava o carro na frente do cinza abrigo municipal, Edward e eu deixamos o veículo carregando sacolas. Daquela vez, já treinados, entregamos tudo a recepcionista, que era um pouco mais simpática do que a do outro dia, seguindo para a sala onde encontramos com Matthew daquela vez.

Edward carregava alguns livros novos que comprei para Matt no dia anterior, uma vez que Zafrina tinha se livrado dos antigos de Ness. Eu queria matar aquela mulher por isso, mas eram apenas livros, eles eram substituíveis.

Logo uma funcionária do abrigo, não Tia, entrou na sala trazendo Matthew consigo. Meu coração se aqueceu ao vê-lo, depois de tanto tempo, de tanta preocupação, ele finalmente estava sob minhas vistas outra vez.

— Oi Matt! — Edward foi o primeiro a falar, acenando para o garoto parcialmente escondido atrás da funcionaria do abrigo.

— Vamos Matthew, nem todo mundo pode ir ao seu tempo — a mulher reclamou.

— Desculpe, qual seu nome? — indaguei a mulher baixinha, de longos cabelos cor de milho e olhos entediados. Eu definitivamente preferia Tia, mesmo com todo o suborno.

— Sarah — respondeu, segurando na mão de Matthew, o fazendo sair de trás dela. — Fica ai garoto, venho buscá-lo em meia hora. — Ela deixou a sala, sem se importar com mais nada.

— Então, oi Matt! — Edward repetiu, mantendo o tom animado em sua voz. — Como você vai?

— Por que estão aqui? — Matt perguntou, ainda parado no mesmo lugar, nos encarando de forma nada animadora, enquanto isso eu apenas queria pegá-lo no colo e lhe dar um abraço apertado.

Ele usava roupas cinzas como no outro dia, seu cabelo parecia ter sido aparado e ele parecia ter ganhado um pouco mais de peso.

— Nós viemos visitá-lo — respondi, estendendo minha mão para ele, Matthew a encarou, mas não tocou nela como pretendia que ele fizesse. — Escute Matthew. — Me agachei diante dele, lembrando com aquilo do dia que nos conhecemos no restaurante, como seus olhos estavam nublados por lágrimas aquela noite. — Edward e eu estávamos muito tristes por não podermos ver você, mas agora podemos e viremos até aqui visitá-lo sempre — falei, ele me olhou intrigado.

— Por quê?

— Porque nós gostamos muito de você, Matt — Edward respondeu, agachando-se ao meu lado. — E soubemos que você não tem mais aqueles livros, então Bella e eu pensamos que deveríamos vir aqui trazer outros. — Mostrou a sacola em suas mãos.

— Você quer que a gente leia para você? — perguntei, dando um grande sorriso para ele, que continuava sério.

— Não! — Matthew se afastou até o sofá ali, sentando-se no canto deste, de braços cruzados, encarando seus próprios pés.

— Mantenha a calma — Edward pediu a mim antes de me ajudar a ficar de pé. — Tudo bem, já que não quer que a gente leia para você, se importa se eu ler para Bella? — Edward sentou do lado de Matthew no sofá, eu fiquei com a cadeira mais próxima ao meu marido, querendo dar algum espaço ao garoto.

— Tanto faz — Matthew disse.

Edward pegou um dos livros ali, começando-o a ler para mim, mas sempre olhando para Matthew, que durante a leitura claramente estava prestando atenção. Em determinado momento ele apenas esqueceu sua recusa inicial, olhando para as figuras do livro nas mãos de Edward.

— É um bom livro, não Bella? — Edward me perguntou quando acabou de ler.

— Um excelente — concordei, eu realmente nem tinha me dado ao trabalho de ouvir a história, passei o tempo todo da leitura imaginando Matthew conosco em casa.

Ele e Renesmee tocando piano juntos, todos nós reunidos a mesa do café da manhã. Colocá-lo para dormir, acordá-lo toda a manhã. Como seria a decoração de seu quarto, se ele ia querer um mural de fotos como Ness quis.

— Você gostou Matthew? — Edward perguntou a ele.

— Sim — Matthew sussurrou, claramente envergonhado de estar admitindo voltar atrás quanto a sua ideia sobre a leitura. — Eu posso ficar com ele? — perguntou a mim.

— Pode sim, pequeno — respondi, piscando para ele.

— Eu não sou pequeno — ele reclamou, voltando a ficar irritado.

Ele era tecnicamente menor do que a media das crianças de praticamente oito anos, eu daria menos de oito a ele muito facilmente. Mas, o pequeno era algo incrustado em mim, era como sempre chamava Ness, mesmo ela tendo mais de dez e ficando alta como o pai a cada dia que se passava.

— Eu sei, é apenas um apelido carinhoso — expliquei. — Eu chamo minha filha de pequena — completei, ganhando um olhar de aviso de Edward e soube o que tinha de fazer em seguida. — Por falar nisso. — Peguei meu celular em minha bolsa. — Você gostaria de ver uma foto de Renesmee? — perguntei a Matthew. — É nossa filha. — Gesticulei de mim para Edward.

Matthew apenas deu de ombros, aliviada por não ter ganhado outra recusa, eu selecionei uma foto de Renesmee na galeria, mostrando-a para o pequeno. Ele olhou a foto por alguns segundos, antes de perder o interesse.

— Renesmee está louca para conhecê-lo, Matthew — Edward disse, entregando o livro lido a Matthew, que o folheou com atenção. — Em breve, Bella e eu esperamos que você e ela possam se encontrar. Você gostaria de conhecer Renesmee?

— Não.

Oh Deus!

— Isso é uma pena, vai ferir os sentimentos de Renesmee — Edward falou em um suspiro, chamando a atenção de Matthew. — Ela realmente queria conhecê-lo.

— Por quê?

— Porque ela sabe sobre você, está muito animada para que possam passar algum tempo juntos. Ela tem grandes planos, idas ao parque, jogos de vídeo-game, ela quer muito te ensinar a tocar piano. — Edward sorriu para ele. — Você gosta de música? — Matthew deu de ombros novamente. — Eu o ensinarei a tocar piano junto de Renesmee, fui eu quem a ensinou, também estou animado em ensinar um pouco a você, filho.

Eu congelei, sabia que Edward não tinha o chamado daquele jeito por mal, que provavelmente foi uma reação involuntária, mas aquilo podia por nossa visita em ruínas. Vi o momento que a feição de Matthew, que tinha se suavizado com a conversa sobre os planos de Renesmee, voltou a ficar séria, mas logo ganhando um tom de fúria.

— Eu não sou seu filho! — Matthew exclamou, saindo do sofá, jogando o livro ali e se afastando de Edward.

— Matthew, Edward não quis te chamar assim — falei, mas o garoto sequer me olhou, ainda encarando Edward com raiva.

— Desculpe, eu não devia ter o chamado dessa forma — Edward pediu, mas já era tarde demais, já tínhamos perdido Matthew naquele momento. — Matthew, foi apenas...

— Hora de ir! — Sarah retornou naquele momento, eu tive de respirar fundo para não xingá-la.

— Matt, nós voltaremos — falei para o pequeno. — Muito em breve, é uma promessa.

Ele apenas me encarou furioso também, permanecendo calado.

— Até logo, certo? — Edward estendeu a mão para Matt, que recusou a apertá-la. — Não se esqueça de guardar os livros, são seus. — Abaixou sua mão, gesticulando para os livros sobre o sofá. — Bella e eu voltaremos para ler mais no próximo encontro.

Eu não pude me impedir de abraçar Matthew, mesmo ele me afastando, fiz aquilo pelos exatos três segundos que ele permitiu. Então, deixei o abrigo rapidamente com Edward.

— Eu estraguei tudo — ele disse quando entramos no carro, colocando seu rosto entre suas mãos. — Isso foi...

— Está tudo bem, amor. — Afaguei suas costas. — Matthew precisará de tempo para se acostumar a gente, não podemos esperar que ele nos ame tão rápido.

— Se ele nos amar. — Edward bufou. — A drogada e o traficante sempre serão os pais dele, em sua mente os únicos que ele aceitará nestas posições — resmungou.

— Edward?! — chamei sua atenção, tirando minha mão dele. — Não fale assim.

Ele respirou fundo, então me olhou.

— Desculpe — pediu. — Só estou ansioso e nervoso com a coisa toda.

— Apenas vá trabalhar e não fique remoendo isto o resto do dia — pedi, distraindo-me olhando pela janela do carro.

Edward segurou em minha mão, colocando seu rosto em meu pescoço.

— Sobre o que era seu pesadelo?

— Monstros reais — me permiti dizer. — Aqueles que realmente podem nos assustar.

***

Esme tinha contado sobre toda a suspeita de câncer de mama a Carlisle na segunda-feira, então na quarta-feira, quando a médica dela receberia os resultados do exame, eu convenci minha sogra que o marido seria a companhia ideal para a consulta. Isso só me deixou mais tensa, enquanto esperava uma noticia dela durante toda a manhã.

Eu sabia que as coisas não podiam ser boas, quando vi o número de Carlisle na tela do meu celular pouco antes da hora do almoço.

— Bella?

— Apenas diga — pedi, segurando o choro.

— Maligno — ele respondeu sério, suspirando. — Traga Edward até aqui, certo? Rosalie estava fazendo compras com Tanya, mas já pedi que ela venha almoçar em casa hoje. Esme e eu achamos que é melhor contar aos dois de uma vez, precisamos de você aqui.

— Eu estarei, obrigada por avisar, Carlisle.

— Obrigado você por estar nos ajudando. Eu realmente preciso desligar, tentar fazer Esme comer algo antes que cheguem aqui.

— Claro, estaremos ai logo mais.

Nós desligamos, eu repassei as ordens para Ângela e Emmett, então fui até a torre ao lado.

— Edward está na sala dele? — perguntei a Jessica quando cheguei ao andar dele.

— Sim, senhora — respondeu amarga.

Entrei na sala dele, que parecia muito concentrado no que via em seu computador.

— Querido?

— Ei! — Ele se virou para mim, sorrindo.

— Nós podemos sair para almoçar? — perguntei, tentando manter a calma o quanto pude.

— Estou realmente ocupado. — Fez uma careta. — Jasper me mandou algumas coisas de Londres, queria analisar tudo ainda hoje, aquele lugar está um caos...

— Realmente temos de sair para almoçar, Edward — falei firme.

— Isto é sobre Matthew? Sobre a visita ao abrigo ontem?

— Não.

— Bella, o que está acontecendo? — Ele se levantou, guardando o celular e a carteira no bolso, ignorando o paletó sobre o encosto da sua cadeira.

— Venha, eu estou com você. — Estendi minha mão para ele, Edward engoliu em seco, entrelaçando nossas mãos.

Ele não disse uma palavra inteira até o caminho da casa dos seus pais, encarando Chicago passar por nós pela janela.

— O que estão fazendo aqui em uma quarta-feira de tarde? — Rosalie deixava um táxi quando chegamos lá.

— Vamos entrar. — Apontei para a porta já aberta por uma das empregadas.

Rosalie entrou na frente, já chamando por seus pais.

— Edward?

— O que está acontecendo, Isabella? — perguntou com a voz rouca.

— Eu estou com você — repeti, segurando em sua mão esquerda, levando meus lábios até sua aliança de casamento.

— Bella — ele murmurou confuso, deixando com que eu o guiasse para dentro da casa.

Esme, Carlisle e Rosalie estavam na sala de estar. O rosto de Esme vermelho e tomado por lágrimas, Carlisle mantinha-se sério e Rosalie estava bem agitada com tudo aquilo.

— Pronto, aqui está o Edward, digam de uma vez o que está acontecendo para essa reunião familiar fora de hora — Rosalie exigiu. — Royce fez alguma merda e estão escondendo de mim?

— Não, não é sobre Royce — Carlisle falou. — Esme. — Afagou o rosto da esposa. — Talvez eu deva falar...

— Eu estou doente — Esme o interrompeu, a mão de Edward se soltou da minha, o ouvi dar dois passos para trás, mas não consegui o olhar.

— O quê? — Rosalie gritou.

— Eu fiz exames, que comprovaram um nódulo maligno em uma das minhas mamas, eu estou com câncer.

Algo caiu no chão e vi Edward apoiado em uma mesinha de canto, aos seus pés um vaso quebrado.

— Você sabia! — ele disse para mim, irado.

— Edward, por favor. — Tentei chegar até ele, mas ele se afastou ainda mais.

— Você não podia ter me escondido isso, Isabella! — gritou, antes de deixar a sala praticamente correndo, deixando com que escutássemos a porta da frente batendo.

Eu me virei para os outros ali, Esme tinha voltado a chorar e Carlisle a consolava. Rosalie ainda não parecia ter assimilado tudo direito, ela veio até mim, envolvendo-me em seus braços por um instante, antes de se afastar.

— Edward está apenas nervoso, você sabe como ele e mamãe são unidos.

— Eu sei — confirmei. — Você pode ir atrás dele?

— Sim. — Rosalie afagou meus cabelos. — Eu sei para onde ele foi.

Ela se afastou até Esme, abraçando e beijando a mãe.

— Mamãe, vai ficar tudo bem, okay? — Esme assentiu, ainda aos prantos. — Eu prometo — Rosalie afirmou.

— Rose, o seu irmão — Esme sussurrou.

— Eu o trarei para casa. — Rose beijou a testa da mãe. — Você irá ficar aqui e descansar, papai e Bella ficarão ao seu lado. Nós todos estamos juntos nessa, mamãe, ninguém irá derrubar nossa família.

Notas finais
Esme :( Beijos! Lola Royal. 03.12.16