Nos Dê Uma Chance - Concluída
17 Seus sonhos, nossos tormentos...
Notas iniciais
P.O.V Da Melanie
Me afastei com medo de ser atingida, o Ed estava muito agitado, não parava de se mexer, movendo as pernas e os braços, golpeando o ar. Gemia e murmurava coisas que eu não conseguia entender, seu rosto se contraía numa nítida expressão de dor. O chamei tentando acordá-lo, ele estava tendo mais um de seus pesadelos que me deixavam tensa e muito assustada.
— Por favor, pare, isso dói, machuca muito... — Choramingou, consegui entender cada palavra carregada de medo, e dor. — Você é mal, eu vou dizer para eles... Eles vão saber o que você faz comigo quando eles não estão por perto. — Disse com a voz embargada.
— Edward... — O toquei cautelosa, ele não acordava, e aquilo me deixava tão aflita. — Edward! — Agarrei seus braços, tentando imobilizá-lo, seu corpo se contorcia. — Acorda, por favor, acorda. — O sacudi freneticamente. — EDWARD, VOCÊ PRECISA ACORDAR! — Gritei sentando sobre seu tronco, era algo arriscado, mas eu não me importei. Continuei o sacudindo sem pausas.
Seus olhos abriram arregalados, e ele me empurrou com força, me jogando para o lado esquerdo da cama, caí sentada com as pernas abertas.
Ele sentou na cama, muito ofegante. A camiseta branca grudava em suas costas, ensopadas de suor. Me aproximei e passei os braços ao seu redor, acariciando seu peito, e repousei minha mão direita sobre seu coração que palpitava forte, disparado. Ele respirava irregular, com a cabeça abaixada, as mãos apertando a colcha cinza-chumbo. Ficamos em silêncio, apenas a luz azulada do abajur iluminava o quarto.
— Te machuquei? — Sua voz saiu muito rouca e baixa, rompendo o silêncio.
— Não. Apenas me assustou como sempre. — Respondi no mesmo tom.
— Sinto muito... — Murmurou.
— Você deveria procurar um psicólogo, já que não quer conversar comigo sobre esses pesadelos. Isso não é normal, estão cada vez mais frequentes. — Passei os dedos entre seus fios molhados.
— São apenas pesadelos. Malditos pesadelos. — Disse com voz vacilante, afastando minhas mãos.
Se levantou rápido e tirou a camiseta.
— Estou preocupada. Isso me assusta tanto. — Falei vendo ele ir para o banheiro. Saí da cama indo atrás dele.
— Eu sei, minha linda. E eu sinto muito por deixá-la assim. — Abriu a torneira, e começou a jogar água no rosto.
— Você vai marcar uma consulta? — Perguntei, esperançosa.
— Não! Eu não preciso de um psicólogo! — Negou.
— Então, se abra para mim. Diga-me o que tanto te atormenta, o que são esses pesadelos? — Indaguei, angustiada.
— São apenas sonhos ruins... — Apertou as bordas da pia, ele estava tremendo.
— Que tipo de sonhos ruins? — Afaguei suas costas, ele ficou tenso.
— Por favor, Melanie, não insista. Eu não quero falar. Volte para a cama e tente dormir, amor. — Sua voz suavizou.
— Perdi o sono. Vou fazer chá, você quer? — Ofereci.
— Você sabe que eu odeio chá. Só preciso de um banho. — Começou a tirar a calça de moletom junto com a cueca, e adentrou o box.
No dia seguinte...
— Que cheiro é esse? Torradas e ovos queimados? — Ele chegou na cozinha.
— Ah, eu sou uma decepção na cozinha. Não sei fazer nada. — Lamentei, envergonhada.
— Estamos quites! — Riu.
— Eu tento, mas não levo jeito... — Raspei os ovos queimados da frigideira, jogando tudo na lixeira.
— Não esquenta com isso, minha linda. — Tirou a colher e a frigideira das minhas mãos, e as largou na pia.
— Se arrume. Vamos tomar café fora como sempre. — Acariciou meu rosto.
— Sinto muito, você não deveria ficar gastando todos os dias, nenhum de nós trabalha! — Falei.
— Preocupada com nossos custos? Eu nunca precisei trabalhar, meu bem. Todos os meses a minha mãe deposita dinheiro na minha conta. — Disse com orgulho.
— Quando vai dizer para seus pais que decidiu trancar a faculdade? — Perguntei.
— Hum... Não sei. — Coçou o queixo. — Não se preocupe com isso. Eu me entendo com meus coroas. — Garantiu.
— E você, pretende visitar sua mãe ou a sua irmã? — Indagou.
— Minha mãe nem imagina que estou em Seattle. Eu deveria estar estudando moda em Milão. E ela vai querer me matar quando souber que gastei minhas enconomias, e o dinheiro que ela depositou na minha conta para as minhas despesas. — Falei lhe arrancando uma estrondosa risada.
— Não é pra rir, isso não tem graça, Ed. — Fiz bico.
— Tentou entrar em contato com sua irmã? — Lavou as mãos.
— Já perdi a conta de quantas vezes liguei, mas só cai na caixa postal. — Suspirei, frustrada.
— Você me disse que ela está grávida, certo? — Começou a enxugar as mãos.
— Sim, vou ser titia. A notícia me pegou de surpresa, eu realmente não esperava. Nossa! Estou tão feliz! — Falei e ele sorriu.
— Por quê não compra algo para sua irmã ou para seu sobrinho? — Sugeriu.
— Já pensei nisso, amor. Ela não gosta de vestidos, mas vou comprar um para gestantes. Não sei se ela vai querer jogar fora, mas eu vou comprar. E vou comprar alguns pijaminhas e meias para o bebê. Pijaminhas brancos, verdes e amarelos, sabe? — Continuei falando empolgada.
— Organize o Baby Chá, convide as amigas dela, isso seria legal. Acho que ela iria gostar! — Me deu uma ideia realmente boa.
— Amor, você é demais. — Apertei suas bochechas.
— Ainda nem conheci minha cunhada, mas já gosto dela. — Abriu um sorriso mais lindo e sincero.
— Ela também vai gostar de você, pode apostar. — Afirmei.
— Tomara, amor. A gente aproveita e convida ela, e o meu irmão para almoçar ou jantar com a gente. Você não quer conhecer ele também? — Indagou.
— Encontro duplo de gêmeos? — Sorri adorando a ideia.
— Sim. Vai ser bem legal. — Assentiu.
— Claro. Assim que eu conseguir entrar em contato, vou convidar ela. — Falei.
[...]
Saímos da loja para gestantes e enxoval para recém-nascidos. Ed carregava as sacolas, fiquei tão empolgada com tudo que tinha ali que acabei comprando algumas coisinhas a mais. Ele fez questão de pagar tudo, em seguida fomos ao mercado, o estoque da despensa já estava esgotando.
Fizemos as compras, enchendo um carrinho. Compramos somente coisas rápidas que são aquecidas no microondas, ou já vem prontas e enlatadas.
— Estou louco para chegarmos em casa. — Apertou minha coxa.
— Deve estar faminto, não é? — Chequei as horas, já havia passado da hora do almoço.
— Sim, você nem imagina o quanto... — Disse com a voz rouca, ele ficava tão sexy dirigindo.
Não demorou muito para chegarmos em seu apartamento, ele pegou algumas sacolas, e eu fiz o mesmo. E Ed pagou um rapaz para subir com o restante, era um garoto em torno de 16 anos, nosso vizinho.
Gail recebeu 25,00 dólares e ficou muito alegre, dizendo que ia comprar HQ's.
Troquei de roupa, pondo uma mais confortável. E fui para a cozinha, coloquei o avental com estampa de legumes, e separei os ingredientes para lavar e preparar uma salada.
— Você fica muito sexy com esse avental, sabia? — Meu namorado me agarrou por trás.
— Sério? — Ri lavando os tomates.
— Acha que estou brincando? — Apertou minha bunda antes de roçar seu membro semi-ereto em mim.
— Larga esses tomates... — Mordeu meu lóbulo direito, ofeguei fazendo o que ele pediu.
Suas mãos fortes me agarraram ainda mais, e ele me virou, fazendo-me passar as pernas ao redor de sua cintura, e me carregou para a bancada.
E com rapidez me colocou no chão, girando meu corpo, prensando-me ali, agarrei as bordas da bancada, buscando apoio.
— Gostosa! — Sussurrou desmanchando o coque que já estava frouxo.
Suspendeu meu vestido e abaixou minha calcinha.
— Ah, Ed, agora não. É inapropriado fazer aqui. — Falei sentindo meu corpo esquentar.
— Vai me dizer que não te excita? — Começou a me acariciar, esfregando meu clitóres. — Você está melando os meus dedos... — Sussurrou enfiando um dedo. — Toda apertadinha. — Lambeu meu lóbulo.
Minutos depois...
Suas estocadas eram firmes, ele me prensava contra aquela bancada. Apertava meus seios, coxas e a minha cintura, aquilo me deixaria com marcas.
— Devagar... — Choramiguei.
Ele passou a meter com força, frenético. Estava ardendo, ele tinha enrolando meu cabelo em seu pulso, puxando-o e me fazendo gemer de dor e prazer.
— Vem comigo, amor, estou quase lá... — Avisou aumentando o rítmo das estocadas.
Ele gozou dentro de mim, e só se retirou quando atingi meu orgasmo. Não me preocupei, sempre tomei anticoncepcional para regular minha menstruação.
Minutos depois...
— Você aguenta mais uma rodada? — Perguntou quando estávamos no banho.
— Não... — Choraminguei. — Você me deixou dolorida. — Fiz bico.
— Vira, deixa eu ensaboar suas costas. — Pediu desligando o chuveiro elétrico.
Me virei e deixei ele me ensaboar, e enxaguar meu corpo.
— Fica quietinha aí, eu já volto. — Avisou antes de sair do box.
Fiz o que ele mandou, ele retornou escondendo algo atrás das costas. E antes que eu o questionasse, fui prensada de frente contra a parede...
[...]
— Ai... — Gemi quando ele parou de tentar, eu estava chorando.
— Shh, shh, não precisa chorar... — Continuou me segurando.
Minhas pernas estavam trêmulas, o que ele fez comigo era errado, eu não queria, mas ele tentou me forçar a fazer...
— Vou te limpar... — Ligou o chuveiro.
Solucei, e ainda assustada, e muito dolorida na região da cintura por causa de seus apertos, deixei que ele me lavasse.
— Por quê fez isso comigo? — Perguntei com a voz completamente embargada.
— Não chore, fica quietinha. — Deslizou a pequena esponja macia entre minhas nádegas.
Minutos depois...
— O que aconteceu no banheiro foi horrível... — Comecei a arrumar minhas coisas.
— Você vai me deixar? — Seus olhos encheram de lágrimas.
— Preciso de um tempo. — Escolhi as palavras com cuidado. — Eu não queria e você tentou me forçar! — Fechei minhas malas.
Ele começou a chorar, eu não queria deixá-lo, mas eu precisava...
— Não me deixe, Mel. Por favor! — Implorou.
— Eu tenho que ir. — Caminhei até a porta.
— Se você for, eu vou ficar louco. E eu não terei motivos para viver. Você é tudo para mim. Não me deixe. Eu reconheço o que eu fiz... Toda a dor que eu te causei, juro que não foi minha intenção. Por favor, me perdoa. Te amo tanto. Prometo que nunca mais vou te machucar. — Ele estava de joelhos no chão, chorando, desesperado e estava arrependido.
— Levanta, Ed. Eu te perdoo. — Larguei minhas malas e fui abraçá-lo.
Choramos juntos, abraçados e ajoelhados ali no chão. Ele havia me machucado tentando fazer algo que ia doer, e eu não ia aguentar fazer aquele tipo de sexo, mas eu acabei o perdoando. Eu o amava com toda a minha alma, e ficar longe dele seria um enorme sofrimento que eu não ia suportar por tanto tempo. Ed e eu éramos almas gêmeas, fomos feitos um para o outro.
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