Nos Dê Uma Chance - Concluída
18 Clima tenso...
Notas iniciais
Na fazenda dos Benson, às 09:18 da manhã...
P.O.V Do Freddie
Sentei no banco/balanço da varanda para observar a Sam trançando o cabelo da Lorenna, a pequena tagarelava alegre enquanto a loira ria e conversava com ela com a mesma animação. As duas davam risadinhas, e eu estava feliz vendo a Sam esbanjando alegria e sorrisos espontâneos à cada minuto. Seu sorriso era tão lindo e iluminado, ela parecia muito radiante naquela manhã tranquila e ensolarada. Sam terminou de fazer a trança no cabelo da minha priminha e com toda delicadeza amarrou um laço vermelho na ponta, ela pelo visto levava jeito com aquilo. Continuaram conversando, dando risadinhas e ambas pareciam amigas de longa data. Sem dúvidas, a Lorenna já gostava muito da loira, logo imaginei que a despedida não seria nada fácil para elas...
— Agora vou colher morangos com o Louis, você quer morangos, Sam? — Lorenna perguntou fazendo carinho no rosto da loira.
— Quero. Quero um montão de morangos, Lolôh! — Assentiu sorrindo.
— Vou lá na cozinha buscar a cestinha e chamar o Louis. — A pequena saiu saltitante e Sam riu, começou a se balançar na rede.
Me levantei e fui até ela.
— É o nosso último dia aqui, vou sentir falta do ar puro e da natureza... — Comentei parando perto da rede.
— Eu também. — Parou de se balançar. — Mais tarde você me leva para cavalgar? — Pediu.
— Ah, não quero que você corra riscos em cima de um cavalo, sabe? Você nunca montou antes e...
— Sempre tem uma primeira vez, não precisa se preocupar, eu não vou cair e me machucar, e também o cavalo não vai ganhar mata e sumir comigo. A gente escolhe um bem mansinho... Me leva, eu nunca de pedi nada, vai? — Pediu suplicante.
Como resistir aquele olhar tão fofo? Não tinha como resistir, fitei aqueles olhos azuis brilhantes e respondi:
— Está bem, mas com uma condição!
— Qual? — Me olhou um pouco desconfiada.
— Você vai comigo no meu cavalo! — Decretei.
— Como assim? Você tem um cavalo? Isso é sério? E vou ter que ir com você, nós dois juntos em cima do mesmo cavalo? — Indagou ficando corada.
— Sim, Sam. Quando fiz 15 anos o meu avô me deu um potro. É um belo cavalo dócil, muito mansinho mesmo. E sim, você terá que ir comigo, nós dois em cima do Tornado Jay-J! — Respondi falando sério.
— Tornado Jay-J? — Ela começou a rir do nome do meu cavalo. — Se eu pedir à vovô Margareth, ela me daria uma galinha para eu poder colocar o nome Freddalupe Fifi? — Perguntou risonha.
— Ei, você está me zoando, né? Por quê Freddalupe? — Cruzei os braços, fingindo estar ofendido.
Sam deu de ombros e não respondeu, apenas continuou rindo da minha cara.
— Sabe, Freddonho, estou louca para conhecer o Tornado Jay-J! — Prendeu o riso e se endireitou, sentando na rede.
"Freddonho? Desde quando ela inventa apelidos para mim?"
Foi a minha vez de rir, ela logo ficou séria e me olhou sem entender o motivo da minha risada.
— Qual é a graça? — Arqueou a sobrancelha esquerda.
— Nada, Sammy, nada... — Balancei a cabeça.
— Sam! — Marie apareceu na varanda com o Hector no colo. — Você poderia ficar com ele? Vou lavar roupa agora e a Beth não quis ficar com ele, aquela megera, sirigaita duma figa não serve nem para tomar conta do sobrinho... — A mulher do meu primo Aaron disse com raiva da Beth.
— Ah, claro, pode ir lá fazer suas coisas, eu cuido dele para você... — A loira estendeu as mãos para pegar o bebê.
Marie colocou o filho nos braços da loira e sorriu para mim antes de sair apressada, dizendo que tinha uma tonelada de roupa para lavar e que meu primo era muito porco...
Sam ajeitou o Hector no colo, aninhando o bebê nos braços e passou a mão pelos ralos cabelos castanhos claros dele. Hector começou a choramingar estranhando aquele novo colo, prestes a abrir um berreiro sentindo falta da mãe.
— Oh, não, neném, não precisa chorar. Shiii, não chora neném... — Começou a balançá-lo, fazendo carinho nele.
Hector foi ficando mais calminho e parou de ficar agitado, aceitando os carinhos e o colo da loira. Sorri apreciando a cena, me aproximei ainda mais deles.
— Posso? — Perguntei apontando para a rede espaçosa, eu queria sentar ao lado dela.
— Pode. — Assentiu sem tirar os olhos do rostinho do bebê. — Own, como ele é lindinho! — Sorriu e o bebê também a encarava com aqueles olhinhos brilhantes e curiosos.
— Acho que ele gostou de você... — Sentei ao seu lado, ajeitei a fralda dele que estava escorregando do ombro dela.
O pequeno Hector agarrou algumas mechas dos longos cabelos dela com aquelas mãozinhas gordinhas e eu comecei a rir.
— Solta, bebê! — Sam tentou fazê-lo soltar o cabelo dela, mas o bebê não queria largar de jeito nenhum.
— Para de rir e me ajuda aqui, Benson! — Bateu na minha cabeça.
— Tá bom, tá bom... — Abri as mãozinhas do Hector com cuidado e afastei as mechas do alcance dele.
— Sua tia Sam não gosta de puxões de cabelo, Hector! — Toquei nos pés dele que estavam descalços.
— E seu tio Freddie deve gostar... — Falando isso, ela o ergueu e aproximou ele da minha cabeça.
— Ah, não, meu topete não... — Choraminguei quando o bebê bagunçou meu cabelo.
Sam começou a rir arrancando risadinhas do Hector que batia na minha cabeça e puxava meu cabelo se divertindo. Comecei a rir também junto com eles, e de repente senti aquele líquido quente, branco e com aquele fedor azedume me sujar.
Era o bebê colocando para fora o que havia mamando.
— Aaagh! Deus! — A loira gemeu ficando enjoada. — Rápido, segura ele! — Me entregou o pequeno apressada, saiu da rede e correu para vomitar.
— Poxa, Hector! — Fiz careta e ele começou a chorar.
[...]
— Ele deu muito trabalho? — Marie perguntou olhando para o bebê que estava banhado, alimentado e que naquele momento estava profundamente adormecido no berço.
— Não, ele não deu trabalho algum. É um anjinho... — Sam respondeu. — Dona Franny deu banho nele e preparou a mamadeira! — Falou para a esposa de Aaron.
— Mas foi a Sam quem deu a mamadeira para ele. — Me intrometi na conversa.
— Ah, foi? — Marie sorriu e a loira assentiu. — Obrigada, Sam. — A morena sorriu muito agradecida.
— Não precisa agradecer. Seu bebê é uma gracinha e gostei de tomar conta dele. — Sam afirmou. — E o Freddie me ajudou... — Apontou para mim e eu assenti.
— Own, que fofo. O Freddie sempre foi assim, ele é louco por crianças. Louis e Lorenna o adoram. E pelo visto adoram você também, vocês serão ótimos pais para essa criança linda que vai nascer e trazer muita alegria para todos nós! — Marie afirmou.
Sorri para a morena e a Sam repousou a mão sobre o ventre, olhando para baixo e não falou nada.
— Vou para a cozinha, a Beth é uma preguiçosa e odeia ajudar a preparar o almoço! — Ela foi embora nos deixando ali no quarto do Hector.
— Está tudo bem? — Perguntei para a loira que havia ficado muito quieta.
— Uhum... — Respondeu parada ao lado do berço, olhando para o bebê que dormia tranquilamente. — Também vou ajudar lá na cozinha, odeio ficar parada sem ter nada para fazer... — Disse e passou por mim apressada.
Suspirei, eu só queria saber porque ela havia ficado daquele jeito. A Marie só disse coisas boas, nada ofensivo.
[...]
P.O.V Da Sam
— Querem ajuda? — Perguntei assim que cheguei na cozinha.
Dona Franny estava lavando os legumes, Marie estava descascando alho e a nojenta da Bethanny estava cortando cebolas, fazendo uma tremenda carranca. Ela estava ali de má vontade.
— Sim, querida. Você poderia fazer a salada? — Franny perguntou com sua voz meiga, assenti, prendi o cabelo indo lavar as mãos.
— Os tomates, pepinos e o alface estão perto da tábua de cortar em cima da mesa, já estão lavados. — Marie informou.
A faca já estava separada em cima da tábua, a Bethanny se afastou quando me aproximei da mesa e fez cara feia para mim.
— Cuidado para não decepar os dedinhos, querida. A faca está bem afiada. — Bethanny disse irônica.
— Não se preocupe, eu tenho muita habilidade com facas! — Avisei lhe dando um sorriso maligno.
Ela abriu a boca chocada e a Marie não disfarçou uma risadinha.
— Ah, é? — Se recompôs e deu um sorriso forçado.
— Eu trabalhava num restaurante, fui durante 3 meses auxiliar de Chef de cozinha. Tenho bastante prática, querida! — Usei o mesmo tom irônico ao chamá-la de "querida".
— Não dá para imaginar você trabalhando num restaurante, eu realmente achei que você era ex-dançarina de bordel ou aquelas moças que ganham dinheiro saindo com velhinhos ricaços... — Me alfinetou.
— Bethanny! — Franny a repreendeu lhe lançando aquele olhar "Que absurdo está dizendo, garota?"
— Hoje em dia não se usa mais a palavra "bordel" e sim casa noturna ou boate! — Falei mantendo a calma, cortei um tomate ao meio e comecei a tirar toda a semente. — E eu jamais sairia com alguém em troca de dinheiro. — Falei com firmeza.
— Sei... — Aquela cínica riu debochada.
— Você pensa que a Sam é igual a você? Eu nunca contei para o Aaron ou para a vovó ou para o vovô, eles teriam muito desgosto se soubessem que você saía com aquele fazendeiro casado e ainda se encontrava no celeiro com o Edward para fazer a única coisa que você sabe fazer... — Acusou Marie apontando para a cunhada.
— Quê? — Bethanny se levantou com um pulo, fingindo-se de ofendida. — Escuta aqui, quem você pensa que é para dizer tudo isso sobre mim? Você fisgou o meu irmão, engravidou dele, se é que o filho é mesmo dele e ainda tem a ousadia de falar calúnias sobre mim? — Pôs a mão no peito.
— Parem com isso, meninas! — Dona Franny advertiu.
— Retira o que disse, sua piranha. O Aaron é PAI do meu filho SIM! — Marie esbravejou.
— Se é o que diz e ele acredita. Fazer o quê, né? — Sorriu sarcástica.
— VOU FAZER VOCÊ ENGULIR ESSA LÍNGUA, ÔH COBRA VENENOSA! — A morena avançou em cima da cunhada, furiosa.
Dona Franny começou a se desesperar, tentava em vão apartar a briga. Tirei a faca do alcance delas e saí de perto. Marie derrubou a Bethanny e ficou por cima, batendo no rosto da cunhada que disparava ofensas.
— ME SOLTA, SUA DESGRAMADA! — A prima nojenta do Benson gritava apanhando da morena que não tinha dó dela.
— SOLTA ELA! JÁ CHEGA! PAREM COM ISSO! SOLTA, MARIE! — A coitada da dona Franny não tinha forças para tirar a morena mais velha de cima da mais nova. Ela era baixinha e gorduchinha.
Eu que não ia me intrometer, a briga era entre cunhadas. E confesso, estava amando ver aquela garota insuporável apanhar.
— QUE DIACHO É ISSO? — Gritou Philiph com seu sotaque caipira. Ele foi o primeiro a aparecer para ver o que acontecia na cozinha.
— Separa elas, filho! — A mulher do tio Finn implorou.
— Oxi, mãe, vou é nada. Vou preparar é pipoca, assistir essa briga rolando ao vivo é bom demais da conta! — O rapaz tirou o chapéu de palha e sorriu.
— Philiph Edmundo Benson, vou sentar a mão em "ocê" se não apartar as duas brigonas. — Franny ameaçou.
— Oxi, mãezinha, faz isso não... Sempre quis ver a Beth levando uma fuça. — Ele estava vasculhando o armário, procurando o milho para fazer pipoca, acho...
— QUANDO EU TE PEGAR, SEU FILHO DE UMA ÉGUA, VOU TE ARREBENTAR! — Bethanny gritou irada com o primo.
Não aguentei e comecei a rir, ele achou o milho e começou a preparar a pipoca para assistir a pancadaria.
Brandon surgiu na cozinha com as crianças que começaram a cantar "Beth feia tá apanhando", em seguida o Benson apareceu com o pequeno Hector que abria o berreiro. Ele me olhou interrogativo e eu dei de ombros, e ri ainda mais quando a prima dele começou a gritar por socorro.
— QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI??? — Aaron, marido da Marie gritou furioso quando chegou e viu o barraco.
Franny batia com o guardanapo no filho que estava estourando o milho, Brandon tentava fechar os olhos dos gêmeos que ainda cantavam caçoando a prima, o Freddie tentava fazer o bebê parar de chorar em vão e eu acabei fazendo xixi de tanto rir.
Aaron soltando fogo pelas fuças conseguiu arrancar a esposa de cima da irmã... Parei de rir, prevendo que a confusão não ia parar por ali.
[...]
— Eu não podia fazer nada... — Falei enchendo a boca de pipoca, estava uma delícia.
— Você devia ter me chamado! — O Freddie estava irritado.
Abaixei a cabeça me sentindo mal, ele tinha razão. Eu deveria ter feito aquilo, mas não fiz... Seu primo estava discutindo com a esposa. Bethanny acabou apanhando do pai dela assim que o tio Finn, vovô Connor e vovó Margareth chegaram da pequena cidade vizinha...
Dona Franny estava com o bebê que estava tendo ataque de soluços, e a prima dele estava trancada no quarto chorando. Vovó Margareth acabou passando mal tendo uma queda de pressão. O Brandon estava com raiva do Philiph por não ter apartado a briga e naquele momento eu podia perceber que o Benson também estava chateado comigo.
Os gritos cessaram no quarto ao lado, ouvimos o baque da porta sendo batida e eu sobressaltei, assustada.
Minutos depois...
— Ela saiu só com a roupa do corpo, o Aaron devia ter ido atrás dela! — Dona Franny falou para nós sobre a Marie ter saído desembestada com a caminhonete.
Me senti culpada, eu deveria ter impedido aquela briga. Philiph suspirou e abaixou a cabeça, ele estava péssimo assim como eu.
— Estamos com fome. — Lorenna e Louis reclamaram juntos
Ninguém fez o almoço. Apesar de ter comido bastante pipoca, eu ainda estava sentindo minha barriga roncar.
Franny me entregou o bebê e foi cozinhar alguma coisa prática e rápida de se preparar. Olhei para o moreno e ele desviou o olhar, se levantou e me deixou na sala na companhia do Philiph e das crianças.
Fiz carinho na cabecinha do Hector, me sentindo triste. Ele estava mesmo chateado comigo.
— A tia Marie foi embora... — Lorenna começou a chorar.
O clima ali não estava nada bom, era o nosso último dia com eles e não queria ir embora no dia seguinte com o Benson estando chateado comigo, e nem sabendo que a família dele estava toda abalada por conta daquela confusão.
[...]
Marie voltou por volta das 20:00 horas da noite. Bethanny ainda nem havia saído do quarto, Brandon ainda estava de mal com o Philiph. O bebê estava com febre. Aaron estava arrasado. Os avôs do Benson estavam tristes. Franny e tio Finn estavam estranhos um com o outro. As crianças também estava cabisbaixas e quase não comeram durante o jantar. E eu estava com vontade de chorar toda vez que me aproximava e o Benson não falava direito comigo.
Arrumei minhas coisas, partiríamos cedo no dia seguinte.
— Eu sinto muito... — Parei ao seu lado, o moreno estava vendo a chuva que caía através da ampla janela de vidro. — Eu meio que tenho culpa nisso tudo... — Falei baixinho. — Sua prima e eu começamos a trocar farpas, e Marie só queria me defender... Daí elas acabaram se desentendendo e eu não fiz nada para apartar a briga. — Falei lamentando.
— Agora não importa mais... É melhor a gente ir dormir, iremos embora bem cedo amanhã! — Se afastou indo para a cama.
Continuei perto da janela, lágrimas grossas e quentes rolavam pelo meu rosto. Acabei deixando escapar um soluço...
— Você está chorando? — Perguntou e um raio cortou o céu iluminando o quarto, sobressaltei quando trovejou. Corri para a cama indo para cima dele, me jogando em seus braços.
Meu coração batia muito disparado, senti suas mãos afagarem minhas costas.
— Eu não queria que você ficasse com raiva de mim... — Eu ainda chorava. Culpa dos hormônios de grávida que estavam me deixando muito sensível.
— Não estou com raiva, pequena! — Me abraçou e começou a fazer carinho, afagando meu cabelo.
— Você está sim, passou o resto do dia me evitando... — Funguei repousando a cabeça em seu peito.
— Sei que a culpa não foi sua. Por favor, não chore, anjo. Eu só estou triste, um pouco abalado com tudo que aconteceu hoje. Não estou chateado com você. — Disse com calma.
— Isso é mesmo verdade? — Levantei a cabeça e olhei para seu rosto.
— Sim, minha linda! Agora durma, princesa. — Beijou minha testa.
Me aninhei em seus braços, me sentindo com a consciência mais leve, protegida e aquecida com seus braços ao meu redor. Fechei os olhos, a sonolência já estava tomando conta de mim.
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