Nos Dê Uma Chance - Concluída
9 Parquinho: Passeio... Ou quase encontro.
Notas iniciais
P.O.V Sam
No fundo eu sabia que seria péssima ideia vir com o Benson a esse jantar, que eu não seria bem-vinda. As palavras duras e ofensivas daquela mulher me atingiram, foi horrível ouvir aquilo. Não sou golpista, muito menos vagabunda, eu jamais seria capaz de dar golpe da barriga em alguém, nunca fui interesseira, nem oportunista.
O Benson passou o braço ao meu redor, abraçando a minha cintura com firmeza.
— Vocês queriam conhecer a minha namorada, a minha futura esposa e mãe do meu filho ou filha, certo? Não queriam isso? Pois bem, eu a trouxe aqui para um jantar que a senhora mesmo fez questão de preparar para essa noite especial. Mas pelo visto não gostaram da Sam, está julgando sem ao menos conhecê-la e eu não admito isso, mãe. A Sam é uma mulher maravilhosa, merece respeito, se não é bem-vinda. Também não sou, não vou permitir que vocês a maltratem assim como fizeram com a Alexandra, eu não soube defendê-la e isso não vai se repetir com a Sam. Vamos embora, amor? — Ele olhou para mim, soltando minha cintura e estendendo a mão, a voz firme e olhar decidido.
— Freddward, o que você pensa que está fazendo? Esse filho que ela carrega não é seu, não se iluda, meu filho! — A mãe dele quase gritou indignada.
— Sua mãe está certa, Freddie. Essa garota não serve para você, filho. Não cometa mais uma burrada, pare de ser ingênuo, largue essa garota, estou ordenando. Largue essa garota! — O pai dele ordenou com raiva.
— Não, pai! Estou indo embora. Bem, nós estamos indo embora! E eu amo a Sam, não deixarei ela por nada nesse mundo. — Falou com firmeza, me puxando para longe daquela casa.
— Freddie...
— Não, Sam. Não se preocupe, eram eles que faziam questão daquele jantar, não nós. Conheço muito bem a minha mãe, ela iria passar o jantar inteiro te atormentando só porque não gostou de você, e o meu pai também iria querer nos atinger, ele ainda está chateado comigo porque eu sai de casa! — Falou me interrompendo, abriu a porta do carro para mim.
— Mas eles são seus pais, só querem te proteger,nsó querem o seu bem. — Rebati me sentindo mal com tudo aquilo, não queria me sentir culpada.
Ele havia me defendido, e ele também nem me conhece direito. Freddie mentiu, ele não me ama, como poderia me amar? Faz pouco tempo que nos conhecemos, mas eu entendo. Ele teve que mentir...
Entrei no carro contra a vontade, decidi ficar calada. Aquilo era difícil, saber que não seria bem vinda na família dele. Afinal, o meu filho é neto deles,.eles querendo ou não, foi o Edward quem me engravidou e o Freddie vai assumir o sobrinho.
— Peço desculpas por tudo que você ouviu, eu não imaginava que eles iriam ser tão duros falando todas aquelas coisas, que iriam nos receber assim... — Disse triste enquanto dirigia.
— Não foi culpa sua. — Falei olhando para a janela, fitando a paisagem urbana.
— Não vou deixar que isso estrague a nossa noite. Então,nvou te levar a um lugar especial, vou tentar fazer você se divertir! — Prometeu.
Olhei para ele abismada, ele não tem essa obrigação de tentar me animar. Eu só quero ir para a casa, manter uma certa distância dele, ele não é meu amigo. Só é o homem que tem pena de mim....
[...]
— Eu sempre quis vir aqui quando era criança, mas nunca tive oportunidade. Eu não podia, minha mãe dizia que eu poderia ficar doente se colocasse os pés aqui, que esse parquinho não me faria bem... Tudo bobagem, minha mãe só estava me privando de frequentar lugares simples, não queria que eu me misturassem com crianças que não eram do nosso nível social. — Contou quando saimos do carro e apontou para o pequeno e simples parque, o mais atingo de Seattle, talvez.
"Que tipo de mãe é aquela mulher? Como pôde privar o próprio filho de se divertir na infância? De ser como uma criança qualquer que frequenta parquinhos..." Pensei horrorizada.
Crianças corriam pelos arredores daquela área cercada, com chão forrado por areia branca. Havia balanços ,escorregadores e bancos sendo ocupados por pais ou casais apaixonados. Andamos até lá, separados por pouca distância, caminhando lado à lado...
Ali também havia um trailer, na placa informava que vendia lanches. Era um pequeno estabelecimento/Fast Food, senti o cheiro de fritas ,algo que me animou e fez o meu estômago acordar, quase roncando. O lugar estava movimentado, e perto dali havia carrinhos de Algodão doce e Maçã do amor.
— Espero que não tenha medo de palhaços. — O comentário do Benson fez com que eu parasse de olhar para o trailer, estava hipnotizada com o cheiro de frituras vindo dali.
Ele apontou para um palhaço, havia crianças ao redor dele vidradas nos bichinhos feitos com balões. Devo admitir, o cara era habilidoso, e estava encantando as crianças que riam, se divertindo.
— Por quê eu teria medo de palhaços? — Olhei para o moreno ao meu lado, ofendida.
— Não sei... — Deu de ombros rindo. — E aí? Já veio a esse lugar? — Perguntou quando voltamos a caminhar, indo em direção ao palhaço.
— Nunca. E não estou a fim de ver um cara pintado e todo colorido fazendo bichinhos com balões. Isso até eu sei fazer, é moleza! — Falei convicta.
Paramos de andar, olhei para o céu estrelado. A noite estava muito bonita, o parque parecia um lugar divertido para as crianças ali, apesar de ser pequeno. Mas eu estava entediada e com fome...
— Vamos lanchar naquele trailer, deve ser um tipo de Fast Food, né? — Me convidou.
— Não. Prefiro ir comer naquela nave espacial ali atrás dos balanços. — Ironizei.
— Que nave espacial? — Olhou ao nosso redor, confuso.
— Lerdo. Não leu o placa? É claro que é um trailer/Fast Food! — Avisei.
— Okay. Vamos lá. — Concordou pegando a minha mão direita.
— Não toque em mim. Não estamos num encontro, não temos intimidade e você não é nada para mim! — Falei nervosa, não conseguindo controlar as palavras.
— Desculpa... Você tem razão, mas será que podemos ser pelo menos amigos? — Perguntou hesitante, me encarando com cara de coitado.
— Não sei. Só quero comer e ir embora daqui. — Avisei antes de lhe dá as costas, indo em direção ao trailer.
[...]
— Não coloque tanto Ketchup, pode fazer mal a você, o Hambúrguer já é algo gorduroso, e essas batatas fritas estão oleosas e salgadas demais. Você devia tomar suco e não Coca-Cola, sabia? — Me olhou preocupado.
— Faz um favor pra mim? — Perguntei me controlando ao máximo.
— Claro! O que você quer? — Me encarou atensioso.
— Cale a boca e me deixe comer em paz! — Quase gritei, perdendo a paciência.
— Mas eu só...
— Nem mais um pio, quer que eu vá embora? — Fiz menção de me levantar.
— Não! — Negou rapidamente.
Forcei um sorriso e voltei a pegar meu Hambúrguer, dei uma grande mordida enquanto ele me observava atônico. Ele desviou o olhar, focou na fatia de Pizza dele, em seguida pegou um copo de suco.
Minutos depois...
— Quero dois Algodões doces, um rosa e um azul. — Pedi ao senhor sorridente, dono do carrinho.
Ele me entregou os doces, peguei aquelas delícias e fui na frente, deixando o Benson para trás pagando pelos Algodões, foi ele quem fez questão de pagar.
— Nossa! Você é ligeira, hein? Agora passa o meu para cá, estou com a água na boca, eu nunca...
— Os dois são para mim. — Avisei me virando para ele.
— Mas eu pensei que...
— Que eu havia pedido um para mim e outro para você? — O olhei séria.
— Foi, mas deixa pra lá. — Disse enfiando as mãos no bolso, voltando a caminhar ao meu lado, desanimado.
— Toma! — Arranquei um pedacinho do Algodão azul. — Você não queria provar? — Indaguei estendendo o doce quando paramos de andar.
— Valeu. — Deu um sorriso de lado, aceitando de bom grado.
Observei ele colocar na boca, fechou os olhos saboreando o doce.
— Uau! Derrete na boca, isso é uma delícia! — Sorriu para mim.
— Claro que é. — Ri antes de começar a devorar o Algodão rosa.
— Eu nunca tinha experimentado... — Admitiu roubando mais um pedaço.
— Sério? — Exclamei ainda surpresa.
— Uhum. — Respondeu sem me olhar.
— Quer ir no balanço? — Perguntou se aproximando devagar.
— Sim. — Respondi. — Quer voltar a ser criança e fazer coisas que não podia? — Indaguei, risonha.
— Com certeza! — Concordou.
[...]
— Só vou se você for primeiro!
Apontei para o escorregador de ferro, devia ter uns dois metros de altura.
— Primeiro as damas, eu faço questão. — Disse parecendo estar com medo.
— Negativo. Vá você primeiro, preciso ter certeza que esse treco é seguro.
Falei olhando para o escorregador, insegura se poderia brincar naquilo.
— Tá bom, eu vou. — Concordou.
Ele foi para a escada, começou a subir devagar. Sentou no topo e sorriu para mim...
— DESCE LOGO IDIOTA! — Um garotinho loirinho gritou empurrando o Benson.
O Freddie escorregou com tudo, comecei a rir quando ele caiu de bunda no chão e três crianças escorregaram caindo em cima dele.
Ele se levantou rindo, batendo na calça para tirar a areia.
— Sua vez! — Apontou para mim.
— Nem pensar. Prefiro o balanço!
Dizendo isso eu me abaixei tirando meus sapatos, corri para os balanços com ele vindo atrás de mim, me alertando que eu não deveria correr e blá,blá,blá...
— Que garota teimosa! — Disse sentando no balanço ao lado do meu.
Revirei os olhos e tomei impulso, movimentando meu corpo para frente e para trás. Comecei a me balançar, cada vez mais rápido. O Freddie gritava para eu ir com calma, o vento bagunçava o meu cabelo, fazendo meus cachos esvoaçarem.
Devo admitir, eu estava me divertindo como uma criancinha livre e solta naquele parquinho, o Benson também não estava diferente.
Minutos depois...
— O brilho dos seus olhos está disputando com o brilho das estrelas! — Comentou quando estávamos sentados num banco, observando algumas crianças brincando.
Olhei para ele, fitando os seus olhos castanhos. Abri a boca, mas não consegui falar nada, estávamos tão perto, algo dizia que eu deveria me afastar.
Freddie foi inclinando o corpo, aproximando nossos rostos sem parar de olhar para a minha boca. Paralisei, queria sair correndo, mas não conseguia me mover...
— Não! — Sussurrei, sentia minhas pernas tremerem.
— Calma. Tem um pedacinho de cobertura de Maçã de amor aí no cantinho... — Avisou passando a ponta do polegar esquerdo pelo canto da minha boca. — Tirei. — Sorriu se afastando.
— Vamos embora! — Me levantei atordoada, om o coração acelerado.
— Como quiser, vamos. — Concordou. — Foi divertido. — Comentou quando caminhávamos indo embora dali.
— O quê? — Olhei para ele, ainda nervosa.
— Esse nosso... Passeio. — Disse parecendo incerto.
— Ah, sim. Eu...
— Boa noite, gostaria de presentear sua namorada com flores? — Uma moça morena nos parou, ela segurava uma cesta decorada com um laço vermelho, com várias flores dentro.
— Sim. Eu vou comprar uma flor para essa bela moça ao meu lado, deixa-me escolher! — Ele começou a revirar a cestinha.
— Excelente escolha, senhor. — A garota sorriu.
Depois de pagar a garota, ele se virou para mim segurando uma flor vermelha, tão vermelha quanto uma Maçã de amor. Havia uma fita roxa enrolada no caule, cobrindo-o por inteiro.
— Espero que goste e que não seje alérgica a flores. — Me entregou a flor me dando seu típico sorriso de lado.
— É linda, mas não posso aceitar. — Recusei.
— Por quê? É só uma simples flor, uma Begônia vermelha. Por favor, aceite! — Continuou estendendo a flor para mim.
— Por quê eu deveria aceitar essa flor? O que tivemos não foi um encontro, não tente vir pra cima de mim com segundas intenções. — Avisei irritada.
— Eu sei que não foi um encontro, mas nós nos divertimos essa noite. E eu quero te presentear com essa Begônia, apenas aceite, por favor. — Implorou.
— Tá. Só vou aceitar porque você gastou comigo, mesmo eu dizendo que não precisava gastar nenhum centavo. — Falei pegando a flor. — Obrigada, Freddie... — Agradeci encarando a bela flor vermelha.
— Disponha. Por quê você está chorando? — Perguntou preocupado.
Passei a mão pelo meu rosto, senti as lágrimas molhando as minhas bochechas. Eu não sabia o motivo, mas estava chorando... Aquilo era estranho.
— Ah, hormônios de grávidas. — Disse se aproximando, levantando o meu rosto. — Obrigado você, eu nunca havia me divertido tanto...
"Que exagero! Nosso passeio nem foi tão divertido assim, ele só deve estar falando isso para tentar me agradar." Pensei.
— Agora podemos ir embora? — O interrompi afastando sua mão que segurava meu rosto.
— Sim, vamos. Sei que está cansada. — Disse quando começamos a andar, o carro dele estava estacionado à poucos metros dali.
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