Nos Dê Uma Chance - Concluída
16 Desabafos...
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Estaquei diante da sua declaração, realmente fiquei ali parada o encarando. Abri a boca, mas nada saiu. Aquilo me surpreendeu, me deixando chocada e sem palavras. Não, aquilo não poderia ser verdade, eu me recusava a acreditar...
Desviei o olhar, desnorteada.
— Sam...
— Calado! — O interrompi com a voz baixa, um bolo estava se formando em minha garganta.
Muitas coisas se passavam em minha cabeça, fechei os olhos e respirei fundo. Eu estava prendendo o choro, não sei porque, mas estava com vontade de chorar, de sumir dali...
— Por favor, ouça o que tenho a dizer. — Se aproximou devagar. — Acredite, eu estou apaixonado por você. Faz pouco tempo que estamos morando juntos, eu sei... E eu não precisei ficar perto de você durante muito tempo para começar a sentir o que estou sentindo. Tenho certeza sobre esses sentimentos, são puros e verdadeiros. Você é tudo que eu preciso, é a mulher mais forte que eu já conheci. Te admiro muito, pois você é maravilhosa. Incrível mesmo, e estou aqui agora me declarando porque não consigo mais esconder o amor que eu sinto por você, você precisa saber... Precisa saber que quero estar ao seu lado o tempo todo, te apoiando, te dando carinho e cuidando de você. Eu nunca vou te abandonar, você é muito importante para mim e está carregando uma criança que eu realmente quero assumir e pode ter certeza que eu já a amo também. Por favor, acredite em mim. Pense bem, te darei o tempo que for preciso, e eu...
— Você está se ouvindo? — Perguntei, incrédula. — Como pode dizer essas coisas? Achando que vou acreditar... — Ri com amargura. — Como ousa tentar me enganar, dizendo coisas bonitas e achando que cairei na sua lábia? Olha bem para mim! — Avancei nele socando o seu peito com força. — E mesmo se fosse verdade tudo o que você está dizendo, eu não seria dígna do seu amor. E sabe por quê? Porque o seu maldito irmão arruinou a minha vida. Tenho nojo de mim mesma, me sinto vazia, despedaçada... — Comecei a chorar. — Fui usada e descartada como um lixo. Ele abriu uma ferida enorme em mim que nunca vai se cicatrizar. Me deixou com traumas... Tenho pesadelos quase todas as noites e parecem tão reais... Tenho medo de andar nas ruas sozinha, e quando ouço a sua voz, eu lembro dele. E toda noite antes de dormir, as lembranças daquela maldita noite vem me atormentar. E dói muito, você não imagina o quanto dói... Não imagina o quanto gritei dentro daquele carro, o quanto implorei para ele não fazer nada e ele não me ouviu. Foi horrível, ser tocada por um estranho contra a minha vontade. Eu desejei tanto morrer aquele dia... Foi a pior dor do mundo. E eu nunca mais vou ser a mesma... Eu ainda era virgem. E agora estou grávida daquele monstro... Pensei em abortar, mas a Carly me impediu. E ela tem toda a razão, a criança não tem culpa, eu sei... Mas eu fico pensando. E se nascer parecida com ele? — Solucei. — Vou sentir dor ou nojo toda vez que pegar meu bebê no colo? Tenho medo de... Medo de rejeitá-lo. — Despejei tudo que estava preso na minha garganta.
Lhe dei as costas e saí correndo, para bem longe dele.
Minutos depois...
Me tranquei no banheiro, ninguém me viu entrando na casa. Lavei o rosto, meu choro estava cessando. Fiquei ali agum tempo até me recompor, e depois fui para o quarto.
— Você me assustou, te procurei pelos arredores da fazenda, e eu já estava ficando desesperado. — Disse pálido assim que chegou no quarto.
— Desculpa, eu não deveria ter saído daquele jeito. — Abaixei a cabeça e fitei meus pés.
— Não faça mais isso, por favor. — Implorou.
— Você realmente se importa comigo? — Duvidei.
— Quê? Você ainda duvida? Por quê é tão difícil de acreditar? — Se aproximou e eu recuei.
— Porque eu sou um fardo. Sempre fui a filha problemática, se nem minha mãe nunca me amou, por quê você me amaria? Você sequer me conhece. E se me conhecesse de verdade, iria querer distância. Pam, a mulher que me botou no mundo sempre jogou na minha cara que eu sou um verdadeiro fardo. Ela sempre amou e apoiou minha irmã, Melanie em tudo. Sempre deu tudo para ela e eu cresci sendo agredida, ignorada e rejeitada. E eu nunca entendi o porquê! Ela dizia que deveria ter me vendido ou deveria ter me largado num orfanato. Sabe o quanto dói ouvir isso de sua própria mãe? Não, você não sabe! Eu ia com fome para o colégio de merda, enquanto minha irmã estava estudando em San Diego, num internato. E Pam sempre trazia homens para dentro de casa... Eles a bancavam. Quando fiz 13 anos, um cara nojento tentou me beijar a força, escapei por pouco. Contei para a Pam e ela me chamou de mentirosa, e me deu uma surra me acusando de dar em cima dele. E naquela época eu queria tanto uma bicicleta e adivinha o que eu fiz? Eu roubei uma que estava sem cadeado, largada em frente a um Pet Shop. Sim, eu furtei e falei pra Pam que um amigo havia me dado. Também comecei a roubar dinheiro da carteira dela e dos homens que ela levava pra casa. Eu entrava em lojinhas, mercados e furtava coisas pequenas, sabe? Chocolate, doces e salgadinhos... E minhas notas eram horríveis. Foi um milagre eu ter terminado o colegial. Eu brigava no colégio, só vivia me metendo em encrencas, e sempre levava detenção. Aos 14 anos comecei a aceitar bebidas e cigarros dos alunos mais velhos, e comecei a frequentar festinhas... E conheci um cara de 18 anos, ele estava no último ano, sabe? E uma vez topei subir para um quarto com ele... E ele chamou um amigo. E eu deixei eles me tocarem e chupei os dois em troca de dinheiro. Eles queriam ir adiante, eu era virgem e pulei fora, levando 100 pratas no bolso. Gastei tudo em besteiras... Nunca fui santinha, e hoje em dia tenho nojo e muita vergonha de ter feito aquelas coisas... — Desabafei.
— Ninguém é perfeito. Todo muito comete erros. Você se arrependeu e mudou, e é isso que importa. Não fique se martirizando! — Tentou me reconfortar.
— Está falando sério? Escutou tudo que eu disse? Eu...
— Sim, eu escutei. — Me interrompeu. — E te admiro ainda mais, falar sobre seu passado e reconhecer seus erros não deve ter sido nada fácil. — Disse sustentando o meu olhar.
— Não sou dígna e você deveria ficar longe... — Me afastei.
— No momento, você está sendo sincera. E eu não duvido da sua honestidade. — Se aproximou.
— Sou um problema, Freddie! — Falei dando mais um passo para trás. — Só vou te trazer problemas. — Alertei.
— E eu sou sua solução, e pretendo te ajudar a resolver todos os seus problemas. Apenas diga "sim", e não fuja de mim. — Me encurralou contra parede.
— Serei um fardo pra você. — Sussurrei começando a suar.
— Está enganada, você é um presente de Deus. Deus cruzou nossos caminhos porque deveríamos ficar juntos. — Acariciou meu rosto e eu fechei os olhos.
— Mas a Pam...
— Sua mãe só pode ser doente. Acredite, você é maravilhosa do jeitinho que é... — Sussurrou a última frase.
Abri os olhos, nossos rostos estavam tão perto, ele olhou pra minha boca e eu enguli um seco, minhas mãos suavam, tremiam...
— Posso? — Tocou no meu lábio inferior com a ponta do dedão.
— Freddie? — Ouvimos a voz irritante da Bethanny seguida de batidas na porta, ela parecia desesperada.
O empurrei e ele fechou os olhos, jogando a cabeça pra trás, soltando um resmungo.
"Caramba! Ele queria me beijar."
E de má vontade ele foi abrir a porta. Ela entrou apressada e quando me viu, me lançou um olhar de raiva e desprezo.
— Olhe bem pra ela e olhe pra mim, e trate de escolher. Eu ou ela? — Pôs a mão na cintura, exigindo que ele escolhesse entre nós duas.
— Por Deus, Bethanny! Foi o Edward e não eu quem te iludiu. Eu nunca toquei em você com segundas intenções! — Freddie quase gritou, se irritando.
— Pare de inventar mentiras. Era você, eu sei... O Edward nunca foi com a minha cara. — Começou a chorar.
Abafei uma risada, ela era insuportável mesmo. Nem sei como o Freddie conseguia aturar ela. Eu não deveria rir, mas né. Foi inevitável...
— Do que está rindo, sua cretina? Aposto que ele trai você com outras vadias por aí. E você com certeza trai ele. Tem cara de anjo, mas deve ser uma puta. Garotas da cidade costumam ser vadias. Aonde se conheceram? Numa boate? Quem deu em cima de quem? Aposto que foi você! Abriu as pernas no mesmo dia, hein? Ele gosta com força, não é? E só fica satisfeito depois de te pegar por "trás", sim eu conheço ele. Ele realmente faz isso, não é mesmo? Fui uma ingênua, eu era tão inocente. — Ela riu com sarcasmo, ainda chorando. — Mas você deve gostar...
— Cala a porra da boca, Bethanny! — Ele a fuzilou. Estava mesmo furioso.
— Veja só, agora está mostrando as garrinhas na frente dela? Quer me bater? Vai em frente, seu covarde! Não vai ser a primeira vez, não é mesmo? Você também já apanhou dele? — Soluçou e eu fiquei horrorizada.
— O Edward bateu em você? — Ele perguntou, chocado.
— Você só pode ser louco. — Avançou nele e lhe desferiu um tapa. — Doente! — Cuspiu no peito dele.
Quando dei por mim, eu já estava em cima dela, metendo a porrada. Aquela louca havia passado dos limites.
O Benson me tirou de cima dela, preocupado com o meu estado delicado. Com medo dela bater na minha barriga.
— Vadia! — Bethanny gruniu.
Ele levantou do chão toda descabelada, me xingando.
— Vadia é você que tem um caso com o próprio primo. Além de vadia, ainda é burra. Não consegue nem diferenciar os primos! — Ri provocando-a.
— Vou quebrar a sua cara! — Avançou, mas o Freddie se meteu entre nós duas.
— O filho é mesmo dele ou você está o enganando? Nós duas sabemos que ele tem dinheiro, a tia Marissa casou com um homem rico. E o tio Leonard vai passar a empresa para esse cretino! — Falou tentando se soltar, ele estava a segurando.
— Por quê você quer saber se o bebê é dele ou não? Quer ter certeza para tentar me fazer perder o meu bebê de novo? Você falhou na primeira tentativa, não é? Quando me empurrou lá de cima... — Falei com ódio.
— Ela fez o quê? — Freddie perguntou horrorizado.
— Sua querida prima me empurrou. Eu não escorreguei coisa nenhuma, foi ela quem me jogou lá de cima. — Confessei.
— Mentira, eu não...
— Suma da minha frente, Bethanny! — Ordenou, soltando-a.
— Mas, eu...
— Vai embora. Anda, estou falando sério. — Freddie foi até a porta e abriu a mesma.
— É mentira dela, ela tá tentando nos...
— Já chega! Eu acredito na mulher que eu amo. Ouviu bem? Eu a amo e sei que ela está dizendo a verdade. Suma da minha frente, e nunca mais se aproxime da gente. — Disse magoado, e irritado, ele veio para perto de mim e passou os braços ao meu redor, me apertando contra si.
Bethanny nos fuzilou e foi embora, batendo a porta.
— A culpa é minha... — Ele estava chorando. — Eu não deveria ter te trazido pra cá, me perdoa? — Acariciou minhas costas, enquanto beijava a minha cabeça.
— A culpa não é sua. — Saí dos seus braços e fui pra cama.
Tirei os sapatos e me deitei. O chamei, ele deitou ao meu lado, e depois repousou a cabeça na minha barriga. Ficamos em silêncio, comecei a fazer cafuné nele.
— Me sinto culpado... — Sussurrou.
— Não sinta. Estou bem. — Garanti.
— Por quê você bateu nela? — Levantou a cabeça e tocou na minha barriga com cautela.
— Eu não deveria? — Toquei seu queixo. — Ela te deu um tapa e cuspiu em você. E somos amigos, e amigos defendem os amigos. — Sorri, afastando a mão.
— Agora você me considera como amigo? — Perguntou abrindo um sorrisinho bobo.
— Não só como amigo... Você é um anjo que entrou na minha vida. É o pai da criança que está aqui... — Peguei sua mão direita e a pousei sobre meu ventre. O sangue não importa... Mas ele ou é ela é seu sobrinho ou sobrinha, de certa forma tem o sangue dos Benson correndo nas veias. E eu... — Me calei, hesitando. — Preciso do seu carinho, da sua amizade... Porque agora eu não me imagino sem você em minha vida! — Confessei.
— Nem eu... — Levantou minha blusa devagar. — Eu amo vocês. — Beijou meu ventre com carinho.
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