Norfolk

10 Capítulo 9


Notas iniciais
E eis que chegamos aos finalmentes! Muito obrigadas a todos que acompanharam o desenrolar desse fic. Espero que o final agrade! Beijos!

Capítulo 9

Máscara da Morte sabia perfeitamente onde estava, Yomotsu Hirasaka! Nem ele mesmo saberia dizer quantas vezes esteve ali brincando de Deus, decidindo sobre a vida e a morte das pessoas sem se preocupar se de fato estava sendo justo ao realizar tal julgamento. Mas aquela vez era diferente, ele não estava se utilizando do controle do Sekishiki que possuía como Cavaleiro de Câncer. Dessa vez ele era apenas mais um na longa fila que o levaria para o buraco da morte!

O que mais o atordoava era a consciência do que estava acontecendo. De uma maneira geral, quando alma chega aquele ponto do mundo dos mortos a consciência se perde até que ela desperte dentro do Yomutsu, ai então começa a jornada da vida espiritual. Mas ele estava cônscio de tudo e não entendia o porquê.

— Porque não usa sua técnica para voltar ao mundo dos vivos, cavaleiro?! Sabe que pode fazê-lo...

Ele podia ver a figura angelical de uma garotinha que o questionava como faria uma criança; com uma curiosidade atrevida.

— Não posso usar meu poder! – Disse nervoso com a provocação.

— Não pode ou não quer?!

— Acredito que tenha mais o que fazer, não é mesmo?! Diabinha em forma de anjo!

— Você não quer fazer, pois se fizer agora tira a energia que deu para ela... Mas se esperar até que o seu cosmo se refaça será muito tarde, já terá caído...

— Se sabe da minha escolha, qual o motivo de me importunar, é algum tipo de prévia de como será meu tempo padecendo do submundo até a próxima vida?!

— Você sabe que tem outra forma, mas não quer fazer, não quer porque não sabe perdoar...

Ele não respondeu e a garotinha pareceu ficar triste. Mesmo sensibilizado com a reação da pequena criança ele continuou a ignorá-la.

— Gosta de crianças?!

— Das más educadas e enxeridas como você, não!

— Ela gosta! Queria muito ser mãe!

— E poderá sê-lo, por isso estou aqui!

— Ela não vai ser se continuarem separados pela vida e pela morte...

— Acredite, ela vai superar! Quem ligaria de perder algo como eu! Logo irá perceber que é jovem, bonita, inteligente, meiga, bondosa e que não lhe faltarão pretendentes! E eu não quero mais conversar! Me deixe pular no buraco em paz!

Os olhos azuis da garotinha se encheram de lágrimas e logo ela estava aos prantos num choro infantil agonizante aos ouvidos do canceriano.

—Mas que desgraça! Por que está chorando? – Mesmo contrariado o cavaleiro pegou a menina no colo que ainda em lágrimas encostou a cabeça em seu ombro.

— Você não gosta de mim! – Disse chorosa.

— Mas o que é isso?! Não é que eu não goste... Mas nem ao menos nos conhecemos... – Ele tentava encontrar palavras para confortar a criança.

— E nem quer me conhecer! – Ela disse brava, fazendo-o rir com reação birrenta.

— Olha! Pelo que estou vendo pela quantidade de pessoas na minha frente teremos um bom tempo para nos conhecer melhor.

A pequena criança sorriu e voltou a se apoiar no ombro do cavaleiro.

Passaram algum tempo com ela ali cantarolando músicas infantis. Depois a pequena voltou a tagarelar como faz qualquer criança na idade dela que aparentava ter uns cinco anos. A menina tinha cabelos azuis como os dele e olhos também azuis que brilhavam quando ela sorria sapeca o que o fazia se lembrar do par de safiras enormes e expressivos que Juliet possuía.

As horas passaram e a garotinha voltou a se angustiar, olhava ora para o homem ora para o buraco que estava assustadoramente perto. Quando finalmente chegou a vez do canceriano a garota segurou-lhe a mão implorando com os olhos que não se entregasse assim.

— Olha, diabinha, minha hora chegou, obrigado pela companhia, mas tenho que ir...

— Por que você não me quer?!

Mascará da morte estancou com a pergunta. Que diabos de pergunta era aquela? Estava prestes a pular, a dar adeus em definitivo para aquela existência, retirou com brusquidão a mão das pequenas mãozinhas infantis e viu pela última vez o olhar encantador da criança.

— Você não me quer, sem você não posso nascer!

Desde a morte do pai ele nunca mais, até Helena, tinha se importando verdadeiramente com alguém, mas mesmo assim não pode salvá-la. Então surgiu Juliet e ele jurou para si mesmo que não falharia novamente. Segurou firme na mão da criança e se afastou da fila bem no momento em que as outras almas já o empurravam.

— Sabe onde ele está, não sabe?

Com o sorriso alegre a menina acenou a cabeça afirmativamente.

— Está na prisão de Mandrágora, quem fica preso não pode reencarnar!

— Sei disso! Vamos resgatá-lo e, você, minha pequena valente, vai nascer sim!

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Os olhos violáceos arderam perante a luz dourada que invadia o local, o assombro era indisfarçável, jamais imaginou estar diante dele novamente.

— Não posso negar que está num lugar bem a sua altura, seu verme!

— Rômulo?!

— Nos encontramos novamente, senhor Boneatti, Carlo Boneatti!

— O que faz aqui?! Veio se certificar do meu sofrimento, se estou pagando por todo o mal que fiz a sua mãe e sua irmã?!

— Não, pai! Vim para acabar com isso tudo de uma vez, vim por que descobrir que há razões para viver melhores que a vingança e o ressentimento, mas vim principalmente por que uma garotinha linda precisa de um pai e, sabe se lá porque, ela me quer para o cargo.

— Não tem medo de ser como eu?! Tem meu sangue, Rômulo!

— Pensei nisso, mas já perdi tempo demais tentando me igualar a você. Está perdoado pai, assim como me perdoou. Vamos embora daqui, está na hora de dizer oi ao Yomotsu e buscar uma nova oportunidade.

Assustado o homem seguiu o cavaleiro até a saída da prisão e depois até a abertura do mundo dos mortos. Ainda sem acreditar no que estava acontecendo, Carlo se jogou aos pés do filho, pedindo que o perdoasse com sinceridade, que acreditasse quando dizia que não tinha controle sobre si, que agia sem pensar e que sempre amou a família, mas que a alma luxuriosa era como um veneno que o corrompia trazendo sofrimento para tudo que o cercava e que lhe era imensamente grato por ter acabado com sua vida maldita e que, mesmo naquela prisão, rezou por ele todos esses anos.

Máscara da Morte ficou surpreso ao perceber que acreditava em cada palavra dita pelo pai. Ali não havia mais lugar para mentiras, quando se está à beira do buraco da morte a verdade simplesmente vem e com ela a liberdade. Lágrimas corriam do rosto do cavaleiro enquanto à sua mente vinham imagens da sua mais tenra infância, quando o pai ainda era seu herói, o colocava para dormir todas as noites e lhe contava estórias. Lembrava também dos cuidados quando ficava doente. Se ajoelhou junto ao homem e se deitou no colo o pai que, com as mãos trêmulas, acariciou os cabelos do filho que chorava como uma criança.

— Procure sua mãe e sua irmã, reconstrua nossa família, faça por mim o que não consegui fazer! É um homem forte, é um homem de caráter, sei que irá conseguir!

Os dois homens se levantaram e com as almas limpas pelo perdão verdadeiro se despediram antes que Carlo saltasse pela abertura do submundo.

— Foi incrível não foi?! – A voz infantil voltou a surgir junto à figura da garotinha azulada.

— Sem dúvida! Acabei de vencer minha maior luta, graças a você, minha Valentina!

— Agora tenho mãe, pai e acabado de ganhar um irmão – Disse a pequena olhando para o buraco em que o “avô” acabara de pular. – Ele também lutou e venceu!

No instante em que a menina terminava de falar, o cavaleiro sentiu uma forte pressão sobre seu corpo, como se ele estivesse sendo sugado por algo. Sua consciência foi se perdendo, estava entorpecido e não enxergava mais nada, até que ficou apenas o silêncio e a escuridão.

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— E ai está você?! Que susto nos deu, Mask!

— Rômulo! Meu nome é Rômulo, aracnídeo peçonhento!

— Voltou com crise de identidade, é?

O homem até então conhecido como Máscara da Morte tentava se acostumar com a claridade repentina. Estava deitado na cama do quarto em que esteva hospedado na mansão ducal.

— Como elas estão?

— Deu tudo certo, tirando o fato de que esteve desacordado por três dias o que deixou todos apreensivos, Katrina, Camus e... uma certa ruiva muito linda estão muito bem!

— Tire seus olhos libidinosos dela! Pode se achar o grande sedutor, escorpião, mas, acredite, um dia uma sereia ainda te prende em seus encantos.

— Sou imune a esse tipo de encantamento, Ronron!

Milo ignorou o olhar demoníaco com que o canceriano o olhou ao ouvir o novo apelido. Rindo foi até a porta e antes de sair disse maroto:

— Você que disse que não é mais Mask, Ronron! – Piscou para o cavaleiro e mandou um beijinho provocante fechando a porta antes de ser atingido pelo travesseiro que o canceriano lhe jogou.

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A notícia de que o canceriano havia finalmente acordado trouxe imensa alegria para as duas jovens e para Camus. Milo havia chegado na noite anterior, pois queria muito ver o aquariano e se certificar que seu grande amigo estava bem e feliz, principalmente agora que seria pai.

Nos dias em que Rômulo esteve desacordado, Juliet e Shaka se revezaram da vigília ao corpo inanimado, mas justo naquela tarde a jovem finalmente concordou em dar uma volta com Katrina pela cidade mais próxima para tomar sorvete. A jovem morena já começava a sentir os desejos típicos da gravidez e Camus se prontificou imediatamente em levá-las, deixando Milo por conta do cavaleiro já que Shaka e Mu haviam retornado ao Santuário.

Quando Milo desceu a uma das salas de estar para dar a notícia os três já haviam retornado do passeio. Juliet mal conseguia se conter, não queria deixar em evidência sua ânsia em ver o azulado, mas estava fracassando totalmente.

— Juliet! Pare de tentar agir como se não estivesse louca para subir essas escadas para vê-lo! Vá logo e não volte aqui até que tenha providenciado primos para o conde.

— Katrina!

— O que foi?! – A duquesa riu se fazendo de desentendida.

— Isso não é coisa que se fale na frente... – Ela apontava para Camus e Milo. O duque também se fazia de desentendido em cumplicidade com a esposa, já Milo não perdeu a oportunidade em brincar:

— Não se preocupe com a minha sensibilidade masculina para com esses assuntos tão inadequados, Juliet, querida, posso suportar!

— Vocês são horríveis! Quero apenas ter certeza que ele está bem! Me deem licença!

Com uma falsa raiva a jovem deixou a sala e, para o terror de Milo, com a saída da ruiva Camus e Katrina passaram a trocar carícias e beijos apaixonados deixando o escorpiano incomodado com tanto mel.

— Arrumem um quarto vocês também! Credo! Depois eu que sou o luxurioso... – Esbravejando deixou a sala ouvindo os risos do casal.

— Não deveríamos fazer isso com ele! – Katrina brincou enquanto deixava o lábio roçar na boca do marido.

— Como ele mesmo disse, sua sensibilidade masculina pode suportar nossa incontestável felicidade.

— Me fez lembrar da Jane Bennet em Orgulho e Preconceito quando ela se pergunta se é possível morrer de felicidade!

— Pois eu digo, Senhora Camus Stonehavem – Disse ele pegando a jovem no colo e se dirigindo a suíte principal – Que não se morre, mas sim, se vive de felicidade!

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Rômulo ouviu as batidas na porta e sentiu o coração se acelerar. Sabia que era ela! Como queria vê-la, tocá-la... amá-la! Ficou surpreso ao sentir a voz falhar ao autorizar a entrada dela.

— Como está se sentindo?

— Ansioso como um adolescente!

Ela abriu um largo sorriso que o fez desejá-la ainda mais.

A jovem vestia um delicado vestido de alcinhas apropriado para os dias ensolarados que estavam fazendo aquela semana, ao se aproximar da cama em que ele estava sentando ela deslizou as alças finas pelos ombros se revelando quase que completamente para ele.

Rômulo lhe estendeu a mão e ela aceitou. Ele não a puxou, mesmo fervilhando de desejo ele não queria tomar qualquer atitude que a fizesse se lembrar dos momentos horríveis que passou com Merlows. Se sentindo confiante, a própria ruiva se aproximou, sendo recebida com um beijo apaixonado e cheio de promessas.

Os dois se amaram com ternura, carinho, cada toque com as mãos e lábios refletiam a mais completa devoção que sentiam um pelo outro. Juntos chegaram ao prazer máximo com os corpos suados, exaustos... E com as almas finalmente em paz!

FIM

Notas finais
Logo posto um epílogo cheio de bebês e, óbvio, com o casamento do dileto casal Ronron e Juliet!