Norfolk

9 Capítulo 8


Capítulo 8

Hyoga olhou estupefato para mulher a sua frente, não acreditando na estupidez que ela havia dito.

— Qual o problema, cisne?! Não se acha capaz de promover o pagamento que estou sugerindo...

— Que espécie de jogo acha que está jogando, Clarisse? O que pretende com essa proposta absurda?!

— Minha proposta é muito simples, não sei qual o motivo de tamanho espanto. Você é um homem bonito, sensual, tem uma voz que me causa arrepios e eu sou uma mulher que gosta de sexo e que não vê nada além de neve nos últimos meses. O que me diz, vamos lutar agora que entreguei a verdade sobre minha participação nos planos de Ian contra o Santuário, ou vai concordar com a minha barganha?

— Deveria te matar agora mesmo!

— Seria mais sensato me fazer gozar... A cada minuto que passa as chances de Camus sair vivo dessa situação vão diminuindo...

Ao ver o desdém maldoso com que a loira tratava a situação Hyoga sentiu o sangue ferver nas veias, Clarisse era demoníaca, mas, ao mesmo tempo, a sensualidade era quase insuportável. Voltou a pegá-la pelo pescoço.

— Não vou permitir que me manipule, vai me dizer onde Camus está, por bem ou por mal!

Mesmo sufocada Clarisse resistiu ao ataque do cavaleiro e, aproveitando a aproximação dos corpos levou a mão sensualmente até o membro do loiro, sorrindo maliciosa ao senti-lo completamente excitado.

— Pode fingir com o olhar, mas não pode fingir com seu corpo, acho que temos um acordo...- Disse com certa dificuldade pela pressão que ele ainda fazia.

Não suportando a tensão que havia entre eles, Hyoga aproximou ainda mais da jovem, descendo a mão do pescoço até o seio firme o apertando com força, enquanto unia os lábios aos dela num beijo furioso.

— Temos um acordo, sua gostosa, mas... – ele morde o lábio da loira sem nenhum cuidado – Se me enganar, não duvide que vou acabar com você! – Roçou o corpo sinuoso, causando uma aproximação torturante entre as intimidades de ambos.

— Quando isso tudo terminar, loirinho, quem vai acabar com você, sou eu. – Clarisse provocou voltando a beijá-lo com luxúria, trazendo o corpo dele para ainda mais perto, puxando-o pelas nádegas. Assim que o ouviu gemer de desejo se afastou.

— Vamos aos negócios, Cisne, temos que resgatar meu ex-amante!

Clarisse gostou de ver o brilho raivoso nos olhos azuis. Estava certa que o belo pupilo estaria mais que disposto em tentar superar seu mestre e ela só teria a ganhar com isso.

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A noite já havia se instalado sobre o Castelo de Arundel e, não tendo forças para mais nada além de se recolher na própria tristeza, Katrina já se encontrava em seu quarto embora não fosse mais que sete e meia. Algo dentro de si lhe dizia que Camus estava vivo, mas essa mesma sensação lhe dizia que ele estava em perigo. Estava angustiada e sentia muito medo, medo por ele, por ela e também pelo bebê que esperavam.

Tomou um chá e tentou se acalmar, estava segura, Rômulo estava no quarto ao lado, tudo o que tinha que fazer era esperar por notícias mais concretas quanto ao paradeiro do marido. Caminhou pela longa suíte enquanto respirava fundo e passava as mãos pelos braços, se abraçando. Foi quando ouviu o barulho atrás de si, como se uma porta se abrisse.

A jovem não teve tempo de reagir à presença do seu agressor. Logo estava desmaiada no chão após Armand lhe aplicar uma técnica que não deixaria qualquer marca física. Mesmo com todo o esquema de proteção da mansão ducal e apesar da presença do cavaleiro de ouro, Merlows não teve qualquer dificuldade em adentrar no castelo. Tendo morando ali por mais de um ano, o jovem descobriu todas as passagens secretas que ali havia, muitas delas completamente desconhecias pelos empregados. Uma delas era a que levava diretamente ao quarto principal. Era uma rota de fuga, mas hoje seria a grande responsável pela morte da duquesa.

Fechou todas as portas e janelas do ambiente e ligou a saída de gás, tendo o cuidado de deixar o corpo desacordado da morena bem próximo ao local para que a intoxicação fosse mais rápida. Ninguém seria capaz de desconfiar de nada além do suicídio desesperado; a nobre não teria suportado mais uma perda trágica em sua vida. Sorriu maligno, dessa vez ela não teria como escapar!

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Máscara da Morte cochilava em sua cama no quarto que lhe foi designado, estava esperando que lhe trouxessem o jantar, já que Katrina havia dito que preferia não comer nada naquela noite e apenas ficar quieta. Em meio ao descanso, o homem começou a se sentir perturbado, revia as imagens do dia em que havia matado o próprio pai, só que dessa vez o homem gritava por clemência, não a clemência de quem quer sobreviver, mas algo como um pedido real de perdão, como se o espírito do pai, e não homem que perdia a vida, pedisse pelo perdão do filho.

No sonho ele se afastava do homem, atormentado pelo pedido de perdão que não conseguiria dar, foi quando viu Juliet ao seu lado, lhe tomando pela mão desesperada e aos gritos. Ele acordou sobressaltado.

Sem pensar duas vezes se levantou para seguir até o quarto de Katrina. Bateu na porta e chamou por ela, mas não tinha resposta, e quando estava prestes a arrombar a porta foi impedido por um forte empurrão que foi capaz de jogá-lo para fora do castelo através do vitral que decorava o final do corredor.

Merlows pulou no gramado logo atrás do cavaleiro.

— Incrível! Agora sei o porquê do Duque se julgar tão superior, essa coisa de cosmo energia é mesmo surpreendente.

Estranhado a dificuldade que estava tendo em se levantar, Máscara da Morte se pós de pé diante de Merlows que vestia uma armadura que ele não conseguia identificar.

— Deve ser Armand Merlows! – Disse cuspindo no chão.

— E você é aquele que chamam de Máscara da Morte! Gostei do nome, cavaleiro, mas hoje, quem vai conhecer a face da morte será você!

O canceriano riu com o comentário, aquele idiota achava que pelo simples fato de estar usando uma armadura e de alguma forma conseguir fazer uso de algum tipo de cosmo energia conseguiria vencer um cavaleiro de ouro.

— Logo esse seu riso irá se converter em horror, não percebeu nada, cavaleiro? Não sente uma fraqueza anormal?

Ele sentia sim, e já havia percebido que quanto mais tentava elevar seu cosmo, mais as forças lhe faltavam, ele também percebia que a armadura que Merlows usava ia adquirindo um brilho diferente, como se ela estivesse se alimentando do cosmo que lhe estava sendo sugado. Mesmo enfraquecido o cavaleiro invocou a armadura de Câncer que logo o envolveu, com ela os efeitos da drenagem foram atenuados, mas não por completo.

— Não se iluda, Merlows, usar o cosmo que não é seu sem ter a devida técnica para controlá-lo não vai lhe tornar apto a vencer um cavaleiro, muito menos um cavaleiro de ouro, logo irá para o lugar que merece, o inferno!

Os dois homens se olharam e elevaram seus cosmos, Rômulo sentia a letargia que o dominava, mas se fosse mais rápido que a capacidade de drenagem da roupa que o inglês usava talvez o vencesse a tempo de evitar o que quer que estivesse acontecendo com Katrina.

— Sei que vocês gostam de dar nomes aos seus golpes, mas, sabe, acho isso muito ridículo, então, vamos ao que interessa!

Reunindo uma grande quantidade de energia em uma das mãos, Armand lança uma bola de luz sobre o canceriano que com muita dificuldade conseguiu se esquivar. Para ele estava claro que não poderia usar nenhum de seus golpes fatais, teria que lutar quase que corpo a corpo para evitar que toda sua energia fosse roubada.

Se movimentando rapidamente consegui se aproximar do seu adversário lhe aplicando uma série de golpes.

Armand sentia a intensidade dos socos e chutes que levava, estava com dificuldade de revidar, mas sabia que logo aquele homem não seria nada além de um corpo sem forças nem mesmo para se manter em pé.

— Não pode aplicar nenhum e seus golpes mais fortes, não é mesmo?! Mas terá que se arriscar cavaleiro, quanto mais tempo durar nossa luta, menos chances Katrina terá de sobreviver à intoxicação por monóxido de carbono.

Armand consegue desviar de um soco e, novamente concentrando energia uma das mãos, joga o cavaleiro de ouro longe, fazendo com que o cavaleiro caísse já quase inconsciente. Foi quando ele a viu, Juliet estava ao longe vendo a luta com lágrimas nos olhos e completamente desesperada por não poder fazer nada. Foi quando ele soube o que fazer, não teria como parar a drenagem, mas poderia abrir mão de seu cosmo para outra fonte de captação que não a armadura que Merlows usava.

Fechando os olhos ele se concentrou na ruiva, e com um sorriso doce conseguiu lhe dizer em pensamento:

“Ele não sabe que está aqui, corra e salve Katrina! Minha vida pela de vocês, seja feliz, Juliet...”

No mesmo instante a jovem sentiu uma enorme energia se apoderar do seu corpo, sentia os ossos, nervos e pele crescerem e tomarem forma. Podia sentir o ar entrando plenamente em seus pulmões e o frio da noite tocar sua pele. Estava nua, e estava, definitivamente, viva!

Sem pensar duas vezes a jovem correu em direção ao quarto de Katrina.

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Momentos antes... — Deserto do Saara

Hyoga e Clarisse chegavam ao local em que ela afirmava ser o lugar onde Camus estaria sendo mantido preso pelo ex-cavaleiro de Taça. Tratava-se de uma construção metálica no meio do nada. Enquanto se dirigiam para lá, a amazona explicou tudo o que sabia sobre a tecnologia desenvolvida por Ian, a escolha do deserto foi proposital. Por conseguir controlar um elemento da natureza, Camus era um cavaleiro perigoso, pois mesmo com a drenagem de sua cosmo energia, ele ainda poderia provocar danos no inimigo pela capacidade manipular a água presente no ar. Por isso a escolha de um local com baixíssima umidade relativa.

— Aqui teremos muita dificuldade em lutar, como vamos manipular uma água que não existe?

— Teremos que lutar juntos, um projeta a cosmo energia e o outro se responsabiliza por tentar concentrar o máximo de água que estiver no ar.

Hyoga acenou concordando coma ideia da loira, ela, sem dúvida, não era burra e tinha muita experiência em batalhas.

Dentro do galpão Ian podia sentir a aproximação de dois cosmos, um deles ele conhecia bem. Por que motivo Clarisse estaria ali? Será que havia sido descoberta? O outro cosmo ele não sabia a quem pertencia, mas podia sentir o poder que dele emanava.

Olhou novamente para o cavaleiro de Aquário, ele parecia estar desacordado, mas o que lhe incomodava era constatar que a drenagem estava ocorrendo de maneira muito lenta, não havia conseguido captar quase nada desde o momento em havia prendido Camus há pouco mais de duas horas. Deveria ter previsto que o cavaleiro dificultaria ao máximo a realização de seus planos.

Respirou fundo, tinha que ser paciente, afinal o cavaleiro não teria como fugir. Decidiu então por ver o que Clarisse pretendia com aquela visita inesperada.

Mal o ex-cavaleiro colocou os pés fora do galpão recebeu um forte golpe, pode ainda ouvir uma voz masculina que emanava o golpe de Camus conhecido como pó de diamante. Por questão de segundos o homem conseguiu evitar o ataque, que, devido ao calor e falta de umidade do ar não havia mesmo sido suficientemente forte.

— Mas o que é isso?!

— Sou Hyoga, cavaleiro de bronze de Cisne, e vim para impedir que prossiga com seus planos!

Em resposta a fala do cavaleiro, Ian deu uma sonora gargalhada.

— O que pretende, cavaleiro? Lutar numa condição tão adversa para seu tipo de poder?!

— Não o subestime, Ian, Hyoga é discípulo de Camus e domina todas as técnicas dele!

— O que foi Clarisse, resolveu me trair?! Bem que se diz que não se pode confiar em mulheres, muito menos as vadias como você!

Hyoga viu algo que nunca imaginou ver, pode perceber lágrimas nos olhos verdes e naquele momento, sentiu ainda mais raiva do ex-cavaleiro.

— Cale-se, Ian, já lutei em condições piores e não vou parar até não restar nem mais um único sopro de vida em você!

— Então, venha, cavaleiro, vamos ver do que é capaz.

Hyoga não consegui conter o assombro ao ver o homem elevar sua cosmo energia, bem que se dizia que o Cavaleiro de Taça possui um cosmo semelhante aos dos cavaleiros de ouro.

Ele e a amazona também elevaram os próprios cosmos, ela o concentrando a favor do cavaleiro de forma que ele tivesse meios de usar a umidade por ela provocava.

— TRANSBORDAMENTO DE CATRER! — Semelhante ao jarro da constelação de Aquário, uma taça transbordante surge atrás do ex-cavaleiro e, mantendo as mãos abertas, fazendo do próprio corpo uma taça ele joga todo o poder sobre os dois guerreiros que são lançados longe.

— Precisamos conseguir lançar nossos golpes de forma independente! — Hyoga conseguiu falar ao se levantar.

Clarisse acenou concordando.

— Vamos uni-los depois de lança-los!

— PÓ DE DIAMANTE!

— AURORA DE LEPORIS!

Mesmo com as dificuldades da ausência de umidade os dois golpes dados de forma conjunta conseguem atingir fortemente o adversário que sente o poder congelante dos dois, mas consegue logo se recuperar e lançar um novo golpe, dessa vez apenas em Clarisse.

— Clarisse!

Hyoga ficou lívido ao ver a jovem começar expelir sangue pela boca em jatos, como se estivesse vomitando.

— Ela foi atingida pelo meu Cálice da Morte! Irá vomitar sangue até morrer! E você rapaz, terá que lutar sozinho comigo!

Mal Ian proferiu essas palavras o galpão onde Camus estava explodiu e dos escombros surgiu o cavaleiro já trajado com a armadura de Aquário e envolto por uma cosmo energia que se igualava a de um deus.

— Não, Ian, que irá lutar sozinho com você serei eu!

— Ma... maass

Ian olhava espantado para o cavaleiro, naquele instante a armadura de Aquário assumia sua forma conhecida como armadura divina, e Ian sabia que não tinha qualquer escapatória.

— Pode gaguejar o quanto quiser! Um ser como você só pode ter um final patético... EXECUÇÃO AURORA!

O homem pode sentir cada célula do corpo ser dilacerada até cair no chão completamente sem vida.

Camus olhou para o lado e viu Hyoga carregando Clarisse que não mais estava sobre o efeito do terrível golpe de Ian.

— Cuide dela! Todos temos direito a uma segunda chance e ela mostrou ter valor ao trazê-lo aqui.

Hyoga sorriu concordando.

— E, Hyoga, obrigado por ter vindo!

Sem dar chance para o discípulo responder, Camus sumiu, tinha agora que garantir que sua esposa estava bem.

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Sussex

Armand acreditava que o homem vestido na indumentária dourada estava morto, mas queria ter certeza que ninguém impediria Katrina de morrer intoxicada. Caminhou até o cavaleiro desacordado e de dentro da armadura que usava tirou uma arma.

— Sabe, essa coisa de cosmo de fato é muito interessante, mas, há coisas que devem ser feitas para não deixar dúvidas! Será que cavaleiros são a prova de balas?!

No instante em que o loiro apontou a arma para cabeça do canceriano um frio descomunal tomou conta do lugar. Armand olhou para trás e nem teve tempo de formular uma única fala, em segundos seu corpo inteiro virou um bloco de gelo para em seguida se explodir em milhares de pedaços.

Naquele mesmo instante Juliet e Katrina vinham correndo. As duas jovens podiam ver a alma de Armand ainda em choque com a morte repentina, elas também viam as centenas de almas que buscavam pelo loiro com sede de vingança.

Armand olhou para Juliet com cheio de horror.

— Você veio me buscar, veio cuidar de mim, você é boa, Juliet!

— Não, Armand, eu sinto muito, mas você buscou esse caminho e não posso fazer nada por você, além de te dar o meu perdão! Adeus!

As almas trevosas se apoderam do espírito atormentado de Merlows que é por eles levado em meio a gritos de desespero.

— Louis!

Katrina se jogou nos braços do marido ao mesmo tempo em que o cobria de beijos, deixando o cavaleiro rubro.

— Estou bem, meu amor, fique calma! — Ele afaga os cabelos da jovem antes de se ajoelhar a frente dela. — E nosso bebê... — Disse beijando a barriga — Como está?

— Vivo, estamos vivos!

Camus sorri antes de lhe dar um beijo amoroso nos lábios, mas param ao ouvir o choro compulsivo de Juliet que estava sobre o cavaleiro de Câncer.

— Ele não acorda! Rômulo! Por favor, não faz isso comigo, não pode trocar sua vida pela minha, o que vou fazer sem você?!

Naquele instante Shaka e Mu surgiram, Hyoga já havia chegado ao Santuário e explicado a situação e como não conseguiam sentir o cosmo do Cavaleiro de Câncer seguiram para Sussex.

— Por que ele não acorda?!

Shaka se aproximou de Máscara da Morte. Ainda havia vida ali, a alma dele estava sim ligada, ainda que por fraco fio prateado, ao corpo do canceriano.

— Vamos levá-lo para um quarto onde seu corpo possa repousar. Nesse momento, Máscara da Morte está enfrentando sua maior batalha, se conseguir vencê-la ele logo estará conosco novamente.

CONTINUA