Noivo Em Fuga
9 Capítulo 9 - P.O.V
Notas iniciais
Richard.
Eu tenho 25 anos. Duas décadas e mais cinco anos de existência. E mesmo sendo consideravelmente "jovem", eu vivi tempo o suficiente para aprender que mulher e carro não combinam. De forma alguma. De nenhuma maneira possível.
Minha mãe ás vezes dirigia o carro do meu pai para levar eu e minha irmã para a escola, seu trabalho era longe, e meu pai estava de folga no dia em que comprovei minha teoria das mulheres. Eu gostava de ir com ela, pois ela colocava o meu álbum dos Beatles predileto para tocar, e aí eu cantava "Yellow Submarine" enquanto prestava atenção na paisagem que passava como vultos pela janela do carro. Esse dia foi especial, fui com meu casaco preto que estava na moda para impressionar uma garotinha que eu gostava. Já até estava treinando minha fala quando ela perguntasse se eu podia namorar com ela. (Sim, sim. Exatamente isso) E eu sei que eu era um garoto muito legal, porquê eu quebrava os lápis dizendo que eu era o Incrível Hulk e nem fazia careta de dor. Então eu sabia que ela ia está caidinha por mim com o casaco que não parava de passar na televisão, e com aquele modelo elegante. Devo admitir; Estava um calor horrível naquele dia, meu corpo parecia fritar lentamente. Mas cara, era o casaco preto da moda! Não era as gotas de suor que escorriam na minha testa que me impediria de maravilhar ela, a garota.
–Mamãe, não é errado pintar as unhas enquanto dirige? — A voz manhosa da minha irmã interrompe o silêncio. Para 6 anos de idade, Tessie falava e agia como um adulto. Encaro minha mãe com expectativa da resposta no banco do motorista. Mantinha seus olhos atentos nas unhas, que estavam sendo pinceladas de rosa. Ela franziu o cenho quando minha irmã disse isso, e fitou-a nos olhos em uma expressão de : "Minha filha disse isso mesmo?".
–Sim, minha filha. É bastante errado. — Murmurou cautelosamente.
Eu observo ela enquanto dava uma curva na estrada e segurava o esmalte com uma mão, metade de seus dedos já estavam pintados. De repente, enquanto ela mantinha os olhos focados na rua, eu vi o esmalte entornar por cima do volante do papai. Meu queixo caiu e tornei a colocar minha mão para tampar minha boca. Meu pai iria matar minha mãe.
–Oh. Meu. Deus — Ela sibila lentamente, com os olhos arregalados.
A tintura rosa escura se espalhou rapidamente por todo o volante, como um monstro devorando tudo que se encontra pela frente. Minha irmã tampou os olhos, já vendo a confusão que aquilo iria dar. Eu fiquei sem reação. O volante estava rosa. E acho que não era para acontecer isso.
–Cristo. — Minha mãe lamentou em um chiado. — Rick, rápido. Me dê seu casaco.
Eu estava encharcado de suor e meu coração batia forte, aquilo era demais para uma criancinha como eu. Minha mãe repete para eu dar o casaco para ela em um grito arrepiante e eu, sem escolhas, entrego a chave do meu futuro romance. O falecido casaco preto passou a ter um pigmento rosa, e acredite se quiser, fui com ele mesmo assim para escola. E a garotinha que eu gostava me chamou de gay, e eu nem sabia o significado daquilo naquele tempo, então agradeci achando que era um tipo novo de elogio.
Hoje, exatamente ás 5h45, Enquanto eu dirigia com Melissa sendo minha única distração para não dormir, a mesma dizia que eu estava muito cansado e se eu bebesse mais energético eu me mataria com algum tipo de overdose. Nem os energéticos impediam meus olhos de pesarem de tanto sono. Então ela quis dirigir por algumas horas, até chegarmos em um hotel em Jersey City. Aquilo foi o auge para eu me despertar por total.
–Claro que não. Se você batesse com a minha Allysson, o que seria de mim? — Pergunto. Tomando outro gole de energético que desce queimando pela minha garganta.
Um sorriso sádico cruzou a face de Melissa. Observo pelos cantos dos olhos ela colocar suas pernas sobre meu colo, e o sorriso insistia em permanecer ali, me irritando.
–Okay, querido. Fique aí sofrendo de sono. — Cruzou as pernas, folgada como sempre. — Você podia estar dormindo neste instante, não é mesmo? tendo um belo sonho... Percebeu o quanto o carro está frio? Que clima adorável, não?
–Melissa... — Chamo sua atenção, ou tento pelo menos. Minha voz saiu rouca como se ela estivesse fazendo um feitiço sobre mim.
–Vamos lá, parceiro. Me deixe pilotar na sua querida Allysson. — Enfatiza.
–Ok Melissa, você ganhou. — Desisto. O sono vence e está dando piruetas dentro de mim, comemorando sua vitória com um belo sorriso. Estaciono o carro em uma rodovia e saio do carro, Melissa faz a mesma coisa com um sorriso exibido. Entramos em nossas novas posições.
A lua estava desaparecendo entre as montanhas, mas ainda estava ali, iluminando a estrada. Poucos carros passavam por nós, alguns apressados e outros não. O GPS anunciava que Jersey City estava à 4 horas de nós, e eu e Melissa concordamos que ela dirigia por 2 horas, enquanto eu iria dirigir pelas duas ultimas horas. Eu estava com medo se Melissa fizesse ,literalmente, uma merda, e sobrasse para mim. Por isso fiquei acordado por meia-hora, e tive que admitir que ela dirigia bem. Estava feliz por conseguir o que tanto queria, mas prestava atenção na estrada com olhos de águia. Então minha visão foi ficando turva, e a última coisa que eu ouço é um "Boa Noite" de Melissa.
❄️
Melissa.
O sol estava no horizonte e seus raios iluminavam delicadamente, como se estivesse tímido naquela nova manhã. Vejo as horas e fico surpresa quando descubro que já são 8h02. Devo acordar Richard. Já se passaram 3 horas.
–Richard. — Pronuncio suavemente, acariciando seu rosto. — Sinta-se a vontade para acordar.
Ele abre os olhos e me encara como uma certa surpresa pelo ato. Seus olhos estavam sonolentos e oscilavam como um vaga-lume. Dou um sorriso vasto.
–Que maneira agradável de acordar as pessoas, Melissa. Aprendeu com quem?
–Vá logo, Hunter. Preciso me levantar. — Pronuncio seu sobrenome, rígida.
–Mantenha a calma, Johnson. Mal-humor cria rugas, e você certamente não quer rugas.
–Quem lhe disse isso?
–Mulheres não gostam de rugas, Johnson. Pensei que soubesse dessa informação. — Ele dá de ombros.
–E o que senhor sabe sobre as mulheres? — Dou um sorriso perverso, agora eu fiquei bastante curiosa sobre isso.
Saímos do carro e trocamos novamente de lugares como tínhamos feito. Não demorou nem um minuto para Rick despertar por completo.
–Bem, sei que elas se preocupam demais com beleza, que gostam de coisas fofas e clichês, ah! e também gostam de atores de olhos azuis.
–Se preocupa demais com a beleza? — Repito, bastante curiosa. Coloco minhas pernas novamente em seu colo no intuito de me sentir mais a vontade.
Richard foca os olhos na estrada quando começa a dirigir. O sol raiava, fazendo seus olhos semicerrarem por acabar de acordar.
–É, ué. Sempre estão colocando maquiagem e essas coisas aí.
–Não acha bonito?
–Vocês não precisam de maquiagem para ficarem bonitas, são bonitas quando estão mais naturais. — Ele enfatiza com as mãos. — Mas vocês gostam, então também gostamos.
Rimos.
–Minha melhor amiga usa maquiagem para chamar mais atenção para seus olhos verdes. Isso não é bom? — Pergunto-o.
–Não sei. Ter olhos verdes e azuis já chamam atenção por si próprio.
–Então gosta dos meus olhos? — Deixo escapar. Ah meu Deus, porquê eu disse isso?
Richard aproveita o sinal vermelho para me encarar, seus olhos cravaram em mim como se tentasse descobrir onde eu queria chegar, fazendo-me corar.
–Gosto, Melissa. Gosto de seus olhos.
Onde posso enfiar minha cabeça neste instante?
– E em mim, o que gosta? — Fico surpresa com essa pergunta, mas respondo espontaneamente como se a resposta estivesse sempre na ponta da minha língua:
–Seu sorriso. Gosto dele.
Então ele sorri e eu abaixo meu rosto, ruborizada.
–Mel, me desculpa por agir daquela forma no hotel. — Diz de repente. — Eu te devo explicações.
–Vá em frente.
–Eu... Eu e Susan estávamos pensando em ir para lá, e aí eu estava nele, sabe? Foi uma surpresa. — Declara.
–Uma surpresa estar no mesmo hotel com outra mulher? — Percebo a duplo sentido depois, e começo a rir.
–Se for no sentido que estou pensando, não. — Ele me lança um olhar malicioso, rindo. — Surpresa por estar nele sem ela. — Aquela notícia me deixa com gosto amargo na boca.
–Já imaginou que se dissesse sim naquele altar, você não me conheceria e, conseqüentemente, não estaríamos aqui? — Pergunto, brincando com uma garrada d'água.
–Não. Provavelmente você teria que agendar seu voo e lá se vai suas chances de ganhar aquele negócio.
–Obrigada Rick, por tudo. Talvez o recomeço de um noivo triste não foi tão mal assim...
–Noivo triste? — Ele riu da piada. — Não tem algo melhor não?
–Tem razão. — Sorrio. — Que tal "Noivo em fuga"?
–É, é. — Ele pensa por alguns segundos. — Melhorou.
Fale com o autor