Noivo Em Fuga

10 Capítulo 10 - Melissa


Notas iniciais
EI MEUS ANJOS! Sim, eu demorei ( e muuuito) mas espero que me perdoem! não foi minha culpa se havia trabalhos demais para fazer e que eu estava viciada nos quadrinhos da Marvel. Mesmo assim, espero que me perdoem com esse capítulo, que fala de um "personagem" que diva mais que todos aqui, e não, não é a Emma. HAUSAHHAHAUSHAUSHA' Obs: Eu ri muito escrevendo esse capítulo. Me desculpem qualquer erro!

Melissa.

A imensidão da empresa me surpreendeu ao exato momento que as portas do elevador se abriram. Haviam várias pessoas vestidas de uniformes azuis. Alguns olhos cansados e outros animados, um grupo de mulheres bebericando café em um canto. E, principalmente, imagens incríveis espalhadas em todo o local.

Algumas pessoas me saudaram com um aceno com a cabeça, outros com sorrisos que tirou meu nervosismo por um tempo, outros quiseram apenas ignorar a loira que acabara de chegar (que por coincidência era eu) e voltaram a editar fotos. Mas quando eu estava dando meus primeiros passos para aquele local, sinto uma pessoa esbarrar em mim e um líquido quente e escuro ensopar minha blusa.

–Me desculpa! Ai meu senhor do céu. — Descobri que era uma mulher pela voz feminina. Minhas bochechas ficaram coradas instantaneamente, senti todos os olhos serem voltados a mim, como se de repente a Terra não girasse mais ao redor do sol, e sim, de mim. A moça ainda teve a ideia bastante incrível de apalpar com um lenço na região em que estava ensopado, fazendo com o que não estava queimando, acabasse de ir a uma fornalha. Percebendo o erro que cometeu, inciou outra série de pedidos de desculpas.

–Esquece, esquece. Tá tudo numa boa... — Tento amenizar a situação.

Tive tempo para a observar melhor — O batom vermelho que se encaixava em seus lábios combinavam com seu cabelo ruivo que parecia unir-se com fogo. Suas órbitas eram duas íris verdes intensos, que tenho certeza que faziam os rapazes delirarem. Nariz levemente arrebitado, sardas trilhavam seu rosto. Minha primeira impressão era de uma garota metida, que iria me encher o saco durante o tempo que eu trabalhasse lá. Mas posso afirmar que isso não aconteceu, Emma e eu viramos amigas numa rapidez incontável, e então começamos a fixar a amizade que mantemos até os dias de hoje.

Dividimos o apartamento pois eu me sentia muito sozinha quando minha mãe estava em uma constante viajem para seu trabalho. Foram algumas semanas de loucura total — íamos à festas, virávamos a noite bebendo, dançávamos, rimos, fazíamos "Emissa" (Coisas que só Emma e Melissa fariam). Até que um dia ela me apresentou um novo namorado, Nick. E eu sabia que ele não a amava, mesmo quando jantávamos juntos e ele declarava todo seu amor, eu tinha certeza que tudo aquilo era falso. Houve um dia em que Emma foi na rua comprar pizzas para assistirmos um filme de terror, e bastou alguns minutos para ele começar a me intimidar com comentários maliciosos e toques indiscretos. Eu começara a ficar nervosa com seus toques, e ele ainda prendia minhas mãos com a sua, fazendo uma espécie de algemas. Então eu comecei a gritar por socorro, foi quando eu senti uma dor lastimável no canto direito do meu rosto e eu não queria acreditar que ele realmente me dera um tapa, um tapa que fez lágrimas rolarem pelo meu rosto. Ele era um monstro. Um monstro panaca que não merecia Emma. No dia seguinte conversei com ela, mas não contei daquele episódio que terminou com o tapa, pois tive vergonha. Mas disse que ele não era o cara certo. E, até hoje, ela não acredita em mim e vejo os dois juntos. Ele nunca mais tocou em mim, e prometi que eu chamaria a polícia se assim ele fizesse. Mas sabe? Eu tenho medo. Muito medo.

E o que me dar mais medo ainda é saber que eles estão indo muito rápido.

Emma me ligou há alguns minutos atrás dizendo que sentia minha falta e que eles estavam planejando uma viajem. Entrei em pânico, Ele seria capaz de criar algum mal para ela nesse lugar que eles vão? Eu respondi que logo estaria chegando em casa e que não era para sentir saudade, e quase, quase, contei sobre o que ele fez comigo, mas apenas me despedi seca. Meu coração faltava sair pela boca de tanta inquietação.

–Quem era, Mel? — Indagou Richard, preocupado. Tinha esquecido que ele estava ao meu lado. Por um momento pude acreditar que tudo ao meu redor não existia mais, que meu mundo desabou com aquela notícia ao celular. Desvio meus olhos da janela e solto um suspiro profundo, olhando para baixo.

–Emma, aquela minha amiga.

–Por que está triste com sua ligação? — Ele me encara. Não respondo, milhares de pensamentos com o quê Nick poderia fazer com aquela viagem-surpresa turbilhoaram minha mente. Me distraio novamente e deixo escapar uma lágrima dos meus olhos.

Oh, Emma. Por favor, tome cuidado.

–Ei?... — Richard parou o carro e o silencio se fez. Não obtendo resposta, ele levanta meu queixo lentamente, fixando seus olhos nos meus. — O que foi, Melissa? Irá me contar?

–Por favor, esqueça isso. — Limpo meu rosto. — Onde estamos?

Ele me encarou sério, mas depois sua expressão mudou.

– Hum.. Estamos bem perto de Jersey City, mas a Allysson precisa se alimentar, não é mesmo princesa do papai? — Ele acariciou volante como uma mãe afaga seu filhinho. Sua voz angelical e doce me fez rir pelo nariz, fazendo um som estranho. Como é incrível que ele exerce esse poder sobre mim.

– Tenho 50 dólares, vamos fazer gordices? — Digo animada batendo as palmas com um sorriso dançando nos lábios. Me permiti esquecer Nick por um momento e aproveitar o tempo que me resta com Richard.

–Como consegue ser magra comendo como um cavalo? — Ele franziu as sobrancelhas com uma cara emburrada.

–Vou te contar um segredo, venha cá. — O chamo entre sussurros com os dedos. Ele coloca o ouvido bem perto dos meus lábios, como se fossemos crianças brincando de telefone-sem-fio. — Você é tão idiota. — Sussurro, e completo. -Se não sair agora desse carro não tem biscoito.

Saímos do carro.

Esperei que ele acabasse de pôr a gasolina no carro-bizarramente-chamado-de-Allysson e me protegi do frio em seus braços, que envolveram meus ombros como um cobertor. Entramos na loja de conveniência deste jeito mesmo. Eu e Rick pegamos biscoitos, balas (não pegunte o motivo), bebidas e refrigerantes e colocamos tudo em uma cesta. Fomos ao caixa, e a mulher nos encarou calorosamente, com um sorrisinho saudoso. Até que seus olhos foram atraídos para Richard, ela o olhou e depois mordeu os lábios, abaixando o rosto para ver os preços.

Não devo dizer que aquilo me deixou com raiva, mulheres observam homens normalmente e isso é até normal. Mas o que me fez ficar com raiva foi o que Rick perguntou com um sorriso perverso:

–Qual é seu nome?

A mulher colocou uma mecha de seu cabelo para trás, sorrindo, corada. Provavelmente Rick salvaria seu nome em seus contatos do celular como "Belo Sorriso".

–Allysson.

Bastou um segundo para que a cena que aconteceu se tornasse constrangedora: Eu e Rick explodíamos em gargalhadas, risos tão altos que ecoaram por toda loja, meus olhos encheram de lágrimas rapidamente de tanto rir. Ele se apoiou em meu ombro ainda rindo, e então ficamos que nem dois idiotas ali. A mulher arregalou os olhos e nos encarou assustada, qualquer chance que o Rick tinha com ela acabou de esvair pelo ar por causa de seu nome. Então eu comentei um pouco alto demais sobre como seria estranho se os dois tivessem em uma cama e ela se tornasse em um carro, ou que ela fizesse "Bi-bi" . Aí ele riu mais ainda, e aí nós percebemos que a moça não merecia isso, sem nem ao menos saber o que estava acontecendo. Então tentamos parar, mas eu juro, eu tentei.

Pegamos as sacolas entregadas pela Allysson escondendo as risadas, Tomara que ela não odeie seu nome a partir de hoje.

Entramos na verdadeira e única Allysson, deixando o posto e a "Allysson" para trás. Então se um dia você acordou com o som de duas risadas eufóricas em um carro, não se assuste... E lembre-se desse nome que irá te perseguir: Allysson.