Noite Das Trevas
10 Uma louca começa a gritar em italiano
Notas iniciais
Seguimos cada um para seu quarto, pra trocar de roupa e claro, arrumar as coisas, primeiro dia de missão fora do navio, eu nem sabia o que colocar na mala e nem que mala escolher.
Acabei colocando um shorts jeans, camiseta qualquer, All star e fiz um coque (N/A: http://www.polyvore.com/mission_italy_part/set?id=62008601#stream_box ), decidi pedir a ajuda das meninas mais tarde. Depois subi e fui tomar café da manhã.
Quando cheguei lá em cima, todos já estavam presentes, sentei-me ao lado de Nathy e comecei a atacar minhas panquecas, todos olhavam para mim com uma certa expectativa.
Depois de acabar a comida e colocar tudo no lava louças, chamei as meninas e fomos todas ao meu quarto escolher as roupas e a mala, logo que entramos tranquei a porta e me sentei no chão perto da TV.
—Sala de jogos.—respondi, todos olhavam pra minha cara como se fosse louca.
—O que?—perguntou Jenny, enquanto pegava uma calça jeans.
—A Nathy ia perguntar onde eu estava ontem á noite.—respondi, dobrando uma camiseta e colocando na mala.
—Ok senhora vidente... Mas o que você fazia lá?—perguntou Sam, pegando um hidratante.
—Bem eu estava indo pra lá... hum com Alex, mas aí a gente abriu a porta e adivinha quem estava lá?—falei e corei, Nathy também corou e ficou fitando o chão.
—Não sou vidente que nem você, diga logo!— disse Jenny.
—Afrodite.—respondi, e Nathy suspirou aliviada.
—E o que ela queria?— disse Sam.
—O mesmo de sempre, falar sobre amor e todas aquelas baboseiras.—respondi.
—Ok, todas aqui com namorados e eu forever alone.—disse Jenny e todas caímos na risada.
Depois de uma hora e meia terminando de arrumar a mala, fomos arrumar as malas das outras meninas, posso dizer que mais bagunçamos, brincamos e conversamos do que arrumamos de fato aquelas mochilas. As garotas falaram que voltaríamos a ver aquele navio em breve, mas eu não estava com tanta certeza.
Quando subimos para o almoço, estávamos todas conversando e bagunçando em grupo, deixando os meninos confusos. Gus estava com uma certa cara de sono, já Alex estava na dele, mexendo em seu notebook. Alex estava no Facebook, conversando com um grupo de meninas, todas colegas de classe minha nos EUA, apoiei a cabeça em seu ombro e perguntei:
—O que faz aí amor?—então ele fechou o notebook com tanta força que escapou da tomada, logo me soltei dele e fiquei em pé, fitando-o.
—N-nada querida, eu só e-estava navegando um p-p-pouquinho...—respondeu Alex.
—O que você não quer que eu veja?—perguntei, um tanto irritada.
—Nada, amor. Vamos comer?— respondeu Alex.
—Como nada? Eu chego e de repente você fecha essa porcaria na minha cara!— falei, alterando meu tom de voz.
—Não era nada! Quer parar de encher? Que saco!—ele gritou.
—Quer saber? Fica aí conversando com suas vadiazinhas que eu vou fazer algo que preste pra essa missão!—gritei de volta.
—Elas não são vadias, só estão me ajudando!—respondeu Alex, ainda gritando.
—Ajudando a que? Que tipo de ajuda você pede a essas vacas que não pede a mim, sua namorada?—gritei.
—Não posso falar! E não é da sua conta!—gritou Alex.
—A partir do momento em que você me pediu em namoro naquela sala, passa a ser do meu interesse se eu pego você conversando com putas, além do mais, você é meu namorado e acho que deveria ter um pouco mais de respeito por mim, ao invés de ficar batendo papo com essas putinhas você deveria estar aqui pra me ajudar nessa missão, que você sabe que está sendo difícil pra mim, pois além de liderar eu ainda...—nesse momento fui cortada por Alex.
—Cala a boca! Será que você não percebe que eu não estou fazendo nada demais? Eu só estou tentando resolver alguns problemas! E você é muito chata, sempre querendo ser a melhor, mas acaba parecendo uma chata e irritante! Sempre quer fazer tudo, participar de tudo, liderar tudo, sempre acha que é a melhor, a mais bonita a mais inteligente, pois fique sabendo que você não é!—gritou Alex, interrompendo-me.
E de repente percebi que todos estavam parados, perplexos, assistindo nossa briga e olhavam-nos atentamente, ninguém nunca tinha ouvido Alex gritar e muito menos me tratar daquele jeito, então fiz a primeira coisa que me veio em mente no momento: saí correndo.
Entrei no meu quarto e bati a porta, tranquei-a e me joguei na cama. Me agarrei a um travesseiro e chorei, chorei até não suportar mais, chorei até ter q virar de lado da cama porque aquele já estava encharcado, chorei até minhas lágrimas secarem e eu ficar olhando pro nada, pensando em tudo.
Ele nunca tinha me tratado daquele jeito, primeiro ele estava conversando com as vadias da minha sala, depois ele defendeu-as e disse que precisava delas, depois ele começou a gritar comigo e depois ele me humilhou e me magoou na frente de todos.
E eu estava magoada, estressada, decepcionada, envergonhada, brava e deprimida.
E ele estava me escondendo algo e eu gostaria muito de saber.
E como sou orgulhosa, não iria perdoá-lo tão cedo.
Liguei meu notebook e resolvi checar minhas redes sociais, coisa que não fazia desde que tinha saído do acampamento. Fiquei pendurada no computador até as meninas baterem na minha porta avisando-me que havíamos chegado e que em 10 minutos estaríamos pisando em terras italianas.
Não tinha muito tempo, então lavei meu rosto e retoquei o delineador, peguei minha mala, respirei fundo e subi para o deck, onde estavam todos reunidos para desembarcar.
Alex nem tentou vir falar comigo, mas mesmo que tentasse, ele seria ignorado, não gostaria de falar com ele tão cedo. Acho que estava ocupado demais no Facebook com suas amigas vadias.
—Você pretende ignorá-lo até quando?—perguntou Sam.
—Até eu achar que devo voltar a falar com ele.—respondi.
Continuamos conversando sobre diversas coisas, e rindo muito, enquanto Alex estava sentado num canto mexendo no maldito Notebook e Gus estava sentado no chão do navio.
—Então Giuh, não deu pra desembarcar em Ligúria porque não encontrei nenhum porto lá, mas vamos descer no Porto Venere, na província de La Spezia.—respondeu Gus.
—Ok, acho que dão umas 2 horas de viagem de lá até Ligúria...—respondi.
—Pronto! Agora que estacionei podemos descer —disse Gus.
—Estacionar? Que eu saiba, não se usa “estacionar” para navios e barcos...—respondi.
—Que seja! Vai descer ou não?—retrucou Gus.
Revirei os olhos e desci do Cruise, no momento que respirei o ar italiano me senti mais forte e feliz, talvez porque havia voltado a minha terra natal.
Andamos até a rodoviária mais próxima e pegamos um ônibus que ia até Arenzano, depois descemos e fomos comer alguma coisa.
Paramos no MC Donalds mais próximo e sentamos para comer. Estávamos conversando quando Nathy notou algo.
—Ele seguiu a gente desde a estação.—disse Nathy, apontando pra um idoso.
—Ele? É só um velhinho! O que achou que ele fosse? Um monstro?—falou Jenny e começou a rir.
—Não gente é sério! Ele realmente seguiu a gente até aqui...—disse Gus.
—Você só está dizendo isso porque ela é sua namoradinha!—falou Sam.
—Não é não!—disse Gus.
—NATHY E GUS JUNTINHOS CAMINHANDO, LO...—começamos a cantar, mas fomos interrompidos por Alex, que apontou pra trás de nós e vimos que o idoso vinha lentamente em nossa direção.
—Gente... Acho melhor a gente dar o fora antes que...—falei, sendo interrompida por portas batendo, janelas sendo trancadas e saídas de emergências sendo travadas.—...seja tarde demais.
—Achou que iria escapar criança?—disse o senhor, com uma voz muito rouca e um sotaque francês ridículo.
—Quem é você? O que quer comigo?—perguntei, fazendo sinal com a mão pros meus amigos prepararem as armas.
—Eu quero adiantar a morte de vocês, garanto que não doerá nada.—respondeu e começou a se transformar.
Em questão de segundos, estávamos diante de uma cabeça humana, corpo de leão e cauda de escorpião, em posição de ataque, pronto para acabar conosco. Ele começou a atirar vários espinhos com a cauda, ao mesmo tempo em que rugia e mostrava as garras como um gatinho. Armei meu arco e comecei a atirar, mas ele desviava de todas. Então nos separamos e Gus, Alex e Nathy o atacavam pela frente enquanto eu e Jenny atirávamos por trás. O monstro continuava imune ao nosso ataque, e cada vez mais ele ativara espinhos contra todos nós. Até que, por uma fração de segundo, Alex chegou mais perto do monstro e ele o feriu com um de seus espinhos, Alex caiu imediatamente no chão, e começou a se debater.
—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO! NON SI PUÒ FARE CHE A LUI! NINGUÉM MAIS VAI MORRER PER CAUSA MIA!—comecei a gritar em italiano. Armei uma flecha, despejei toda minha raiva nela e atirei. Houve uma explosão, o monstro tinha morrido.
—Giuh, como você fez isso?—perguntou Nathy.
—Isso o que?—estranhei.
—Sua flecha, ela começou a brilhar em tons de cor-de-rosa e ela explodiu o Manticore.—respondeu Sam.
—Não sei do que vocês estão falando, mas deve ter sido alguma ajuda lá de cima.—respondi.
Corri para ver Alex, o espinho o tinha atingido no braço. Por sorte, Jenny tinha uma pasta em sua bolsa e a passou no braço de Alex, depois começou a cantar uma canção em grego antigo, logo ele estava melhor e ela cansada.
—Não acredito que vou falar isso, mas peguem o que quiser pessoal. E vamos dar o fora daqui. —disse, no minuto seguinte, estávamos andando na rua, com as mochilas abastecidas de comida e um pouco de (ok, bastante) dinheiro, Jenny tomava um Milk Shake de chocolate, que a ajudava a repor as energias.
—Giuh, espere! Eu... me desculpa pelo incidente com o computador, eu só...—começou a dizer Alex.
—Shhhhh! Não diga nada, fui muito idiota por brigar com você daquele jeito, quando você foi atingido por aquele espinho, percebi que nenhuma briga poderia nos separar e então eu...—interrompi-o e em seguida fui interrompida.
—Ei, não precisa se desculpar. Eu te amo muito.—disse Alex, em seguida me beijou e passou o braço em volta dos meus ombros.
Passamos em frente a uma locadora de carros, e então Sam teve uma ideia que me surpreendeu.
—Por que não alugamos um carro? —sugeriu Sam.
—Talvez porque somos menores de idade?—respondi.
—Não esquenta Giuh, deixe que o mestre aqui te ensine.—disse Gus, mostrei a língua pra ele e depois ele entrou na locadora.
Depois de algum tempo, ele saiu com um Doblô velho e um sorrisão no rosto.
—Vamos?—ele perguntou, nos convidando a entrar no carro.
—Como?—perguntei, espantada.
—Vocês, italianos, são naturalmente fáceis de manipular.—disse Gus.
—O QUE VOCÊ DISSE?—exclamei.
—Deixe-o terminar!—disse Nathy.
—Isso mesmo, deixe-me terminar... Eu entrei, disse que estava esperando minha carta chegar da América, ele perguntou quantos anos eu tinha, eu respondi 17, aí ele disse que eu poderia pegar o carro, aí eu perguntei se eu poderia comprar o carro, ele falou que não, ofereci bastante dinheiro, ele aceitou. Temos um novo carro.—respondeu Gus.
Olhei pra ele, incrédula, mas acabei entrando no carro. Jenny era a única que já sabia dirigir, então ela pulou pro banco da frente e ligou o motor. O tanque estava cheio, sentei no fundo com Alex e partimos, rumo à Ligúria.
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