Noite Das Trevas
11 Pool guys
Notas iniciais
Eu estava começando a achar que tinha sido uma péssima ideia ter comprado aquele carro.
Nathy e Sam cantavam junto ao rádio, We Are Never Ever Getting Back Together, eu acho, ligado quase que no último volume, já Gus estava com a cabeça pra fora do vidro do carro, como um cachorro, Alex estava ora batucando no banco, ora tirando fotos da paisagem, já eu tentava pular pro banco da frente pra poder ler as placas para Jenny, que cantava junto com as meninas e gritava coisas feias para os outros motoristas.
—Giuh, como se diz “vai se fuder” em italiano?—perguntou Jenny.
—Sério, se você realmente acha que eu vou responder isso, você está maluca.—respondi.
Mais ou menos uns 45 minutos depois de termos pegado a estrada, as pessoas começaram a se acalmar, conversavam em tom normal e o rádio começara a pegar umas estações esportivas, por isso os meninos começaram a prestar atenção no rádio.
—Ai caramba, de que adianta ouvir esse jogo se não entendemos quem está com a bola?—reclamou Alex, que encostou no banco e ficou olhando para fora.
—Acho que devemos parar para descansar, Jenny, vire ali. Isso, agora pare ao lado daquela moça, vou perguntar se ela sabe onde tem algum lugar pra gente dormir.—falei, quando o carro se aproximou da moça, comecei a falar—Per favore, vorrei chiedere per informazioni. Forse la signorina sa dove siamo arrivati qualche albergo per passare la notte?
—Certo, andare avanti e girare la terza a sinistra è un ottimo albergo, dove saranno tutti i turisti a venire qui. Basta girare c'è un grande edificio.—respondeu a moça.
—Grazie, buona notte.—respondi.
—E aí, o que ela disse?—perguntou Nathy.
—Ela disse que tem um hotel logo ali, e que é fácil ser reconhecido, pois é um pouco grande.—falei.
Indiquei a rua para Jenny e, assim que viramos, logo vimos o edifício. Era relativamente grande, devia ter uns 16 andares, mas quartos bem espaçosos. O hotel em si não parecia daqueles chiques, mas também não era tão simples. Paramos o carro na frente da portaria e vimos que na porta indicava que era um hotel 3 estrelas. Logo já apareceu um funcionário para estacionar o carro e outro para pegar as malas. A gente meio que tinha colocado as coisas do MC Donalds numa das malas, e o cara quase não conseguia carregá-la, estávamos torcendo pra não revistarem nossa bagagem. Nós entramos, todos os seis com as roupas sujas e um pouco rasgadas. Eu e Alex fomos fazer o check-in enquanto Sam e Jenny procuravam o banheiro e Nathy e Gus estavam sentados num sofá, conversando.
Enquanto eu aguardava a moça do balcão ir pegar nossas chaves, percebi quão fofa estava aquela cena, eu estava com os braços apoiados no balcão e Alex me abraçava por trás, instantaneamente corei e fiquei olhando fixamente para o balcão.
—Eu amo você Giullia Mayflower.—disse Alex.
—Eu também amo você Alexander Sprising—respondi. Resisti ao impulso de beijá-lo pois a atendente poderia voltar a qualquer instante.
Depois de pegar as chaves-cartões, distribui a todos e subimos, iríamos ficar todos no mesmo quarto, pois conseguia acomodar a todos. Assim que abrimos a porta, vimos nossas malas ao lado de um sofá, perto da TV. Havia três camas de casal e 2 de solteiro, nos dividimos da seguinte maneira: os meninos iam dormir nas camas de solteiro, Sam e Jenny numa cama, eu e Nathy em outra e sobraria uma.
Descemos para jantar, conversamos, rimos e nos divertimos muito, sem falar que a comida estava incrível, fazia muito tempo que eu não comia uma massa tipicamente italiana. As meninas me desafiaram a refazer a cena daquele filme “A Dama e o Vagabundo”, na qual eles sugavam o macarrão e sem querer acabavam se beijando. Não tive outra escolha, refiz a cena e Nathy fotografou tudo, depois dissemos para ela fazer o mesmo com Gus, só que o restaurante do hotel já estava fechando e ela se safou.
Subimos para nosso quarto e tivemos a brilhantíssima ideia de descer e nadar um poço, já que era uma noite quente, trocamos de roupa e descemos. Entramos no elevador e lá estavam dois meninos (Alex que me perdoe) bem gatos, os quais nós descobrimos que iam para a piscina também.
—Ei, como vocês se chamam?— perguntou Jenny.
—Sou Mike, Mike Walls, de NY, tenho 16 anos.
—Jack Garret, 17, NY também.
—Somos de NY também.— disse, e depois nos apresentamos.
Rimos bastante, trocamos telefone e só subimos quando já era tarde o suficiente para as pessoas estranharem ver a gente lá. Reparei que Mike ficou particularmente interessado em Jenny, esses meninos não sabem controlar os pensamentos, coitada da Jenny se ela souber o que ele estava pensando.
Nos revezamos para tomar banho, Sam assistia alguma coisa em italiano na TV, Jenny tomava banho, Alex jogava cartas com Gus e eu conversava com Nathy.
—Ei, como você consegue gostar dele?—perguntei, rindo e apontando pro Gus.
—Ah, não sei, eu simplesmente gosto.—ela respondeu e deu risada.
—Ando me sentindo estranha esses dias sabe, sei lá, como se alguma coisa ruim estivesse pra acontecer a qualquer instante.—falei.
—Deve ser coisa de missão, ás vezes também me sinto assim sabe, é por causa da missão. Muito estresse.—disse Nathy.
—Sabe, obrigada por estar aqui comigo, não conseguiria sem você, sem nenhum de vocês—apontando para os outros.—Obrigada.
—A gente tá aqui pra isso, e sempre vamos estar. Não importa o que aconteça—falou Nathy, me abraçando.
Fomos assistir TV com Sam enquanto esperávamos Jenny sair do banho. Eu era a única que realmente entendia sobre o que o programa falava e as meninas me obrigavam a ficar traduzindo tudo. O problema é que toda vez que eu falava eu perdia a outra parte do programa.
—Giuh, sua vez de tomar banho!—disse Jenny, saindo do banheiro.
—Já estou indo!—respondi.
Quando eu estava levantando para entrar no banheiro, apareceu o MC Donalds onde a gente estava e ouvi os repórteres dizendo:
—Hoje, um MC Donalds em Chiavari, Gênova, foi completamente destruído por um grupo de aproximadamente 6 crianças. Testemunhas dizem que eles espancaram um idoso e logo fugiram do local. Funcionários dizem que eles ainda levaram uma quantia de aproximadamente 3.315 euros, além de mercadorias e parte da decoração. Policiais estão tentando analisar as imagens e descobrir quem são essas crianças, enquanto isso, ficamos aguardando maiores informações.
—Puta que pariu.—falei.
—O que eles falaram da gente, Giuh?—perguntou Nathy.
Contei a eles o que tinha sido dito na reportagem, todos me olhavam assustados e, a medida que eu ia falando, mais eles arregalavam os olhos.
—Espera um pouco, parte da decoração?—estranhou Sam.
—Desculpa galera, achei que ficaria bem no meu chalé.—disse Gus, mostrando uma luminária de parede toda desmontada.
—Gustavo, seu filho da mãe, como você... Ah deixa quieto, vou tomar banho.—falei.
Depois que todos tomamos banho, assistimos mais um pouco de TV, comemos um pouco de batatas fritas roubadas e ficamos conversando.
—Legais aqueles meninos do 379 não é?—perguntei.
—São mesmo, jogam basquete, espero que quando voltarmos a NY possamos encontrá-los novamente.—disse Alex.
—Mike estava interessado em Jenny.—eu disse.
—AI MEU DEUS sério? Será que ele vai estar por aqui amanhã?—perguntou Jenny.
—Pelo jeito o sentimento é recíproco.—disse Sam, todos demos risada e resolvemos dormir.
No meu sonho, eu estava de volta àquela casa escura, cheia de névoa, dessa vez eu andava no escuro, com o arco preparado, quando de repente ouvi um grito. Era um grito agonizante daquele em que as pessoas do filme de terror dão quando estão sendo torturadas, quando estão sendo queimadas vivas, e era um grito de mulher, tão forte que me arrepiou no sonho.
E eu conhecia muito bem aquela voz.
E então uma voz sombria e profunda, como 10 milhões de soldados entoando gritos de batalha, disse: “Conte-os a verdade antes que seja tarde demais e eles morram sem nem saber o porquê”. E então a mulher gritou novamente, e eu acordei.
—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!—gritei e sentei na cama, logo todos estavam acordados. Bem, menos Gus.
—Eeei, calma, foi só um pesadelo, nada demais, sonhos são apenas sonhos.—disse Alex, vindo me abraçar, mas me afastei e continuei aninhada ao travesseiro.
—Fica calma e nos diga o que você sonhou.—disse Sam.
—Vou pegar um pouco de água pra você.—disse Jenny.
—GUSTAVO, ACORDA CARA.—gritou Alex.
—O que houve? Tá todo mundo bem? Por que você tá abraçada no travesseiro?— ele levantou num pulo, confuso.
Enxuguei as lágrimas, tomei água, respirei fundo e resolvi fazer o que tinha que ser feito, contar tudo.
—Acho melhor vocês se acomodarem, o que tenho que contar pode demorar um pouco. Foi assim, tudo começou...
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