Noite Das Trevas
9 Deuses atrapalham, dão conselhos e broncas
Notas iniciais
Depois de abaixar meu arco, conduzi os deuses até a sala de estar, onde nos acomodamos para conversar.
Receber visita de deuses não deve ser um bom sinal, pois Nathy e Sam ficaram pálidas quando eles apareceram. Os únicos contentes eram Jenny, Alex e Gus, claro eram os pais deles.
—Bom, viemos aqui parte por vontade de ver nossos filhos e parte por insistência de Ártemis, não deixaria minha maninha vir sozinha, ela está fraca sem sua fonte de poder.—disse Apolo.
—Queríamos avisar que uma guerra está para começar, como viu em seus sonhos, alguma coisa está se agitando e querendo se rebelar contra os deuses.—disse Poseidon.
—Pra variar.—comentou Gus.
—Também vim fazer um convite pra vocês garotas.—disse Ártemis.
—Pode falar senhora.—respondi.
—Queria saber se vocês querem virar caçadoras.—disse Ártemis.
Gus e Alex empalideceram, pareciam prestes a desmaiar, Nathy e Sam estavam pensativas, Jenny estava com um ar sonhador e eu não entendia nada.
—Como assim?—perguntei.
—Tornar-se caçadora, viver ao meu lado para sempre, lutar intermináveis batalhas, ser imortal. Para isso você deve renunciar aos homens, deve manter seu julgamento, caso contrário você perde sua imortalidade.—disse Ártemis.
—Não sei...—disse Nathy.
—Nathália, seu futuro será difícil, acontecerá aquilo que ninguém menos espera. Tem certeza?—perguntou Ártemis.
—Acho que não.—disse Sam.
—Samantha, você terá uma grande decepção. Tem certeza que não quer adiar isso?— perguntou novamente Ártemis.
—Não.—disse Jenny.
—Minha querida filha de Apolo, sinto muito não tê-la comigo.
—Desculpa Lady Ártemis, mas terei que recusar, estou namorando no momento, seria ótimo viver com a senhora para sempre, mas para isso deveria deixar meu amor para trás.—respondi.
—Giulia, você ainda sofrerá muito com esse amor. Não quer juntar-se a mim?—ao dizer meu nome verdadeiro estremeci, os únicos que o conheciam eram meu pai e alguns parentes da Itália.
—Obrigada tia, mas não. Sofrer como?—perguntei.
—Bem, você...—Ártemis foi cortada por um trovão e imediatamente parou de falar.
—Por que parou?—perguntei.
—Afrodite e Zeus não me permitem falar querida, mas saiba que eu sinto muito.—respondeu titia Ártemis, é, gostei desse apelido.
—E quanto a nossa mãe?—perguntou Sam.
—Nem eu sei onde ela está, bem Apolo sabe mas não quer falar de modo algum, esse teimoso!—respondeu Ártemis.
—Não posso interferir no futuro.—disse Apolo.
—Seu chato!—disse Ártemis.
—É você!— e de repente passaram a brigar como criancinhas disputando a atenção da mãe.
—Giuh, tenho que falar com você.—chamou Poseidon.
—Tá bom.—respondi, ok, pensei, agora ferrou.
Fomos perto da cozinha, e nos sentamos para conversar. Talvez ele quisesse falar sobre um assunto chamado “Gustavo”.
—É isso mesmo, queria saber o motivo de sua implicância com meu filho.— disse Poseidon.
—Ele é um completo mané, senhor. Muito retardado e irritante, sem ofensas ao senhor.—respondi.
—Entendo seus motivos, mas tem certeza que não é algo mais?—disse Poseidon.
—O senhor está insinuando que, que eu gosto daquele mané?—cuspi as palavras.
—Não! Não foi essa a minha intenção! Achei que talvez você fosse admitir a verdadeira razão da implicância.—respondeu.
—Qual? Não há nada além do que eu disse que pode ocasionar isso, senhor.—perguntei, com medo da resposta.
—Ah é? Então não vai me dizer que não é por causa dos ciúmes que você sente da Nathália por passar mais tempo com ele e falando dele do que com você.—respondeu tio Popo.
—Não... sim... não... talvez.—respondi, um pouco envergonhada.
—Ok, conversa terminada, mas não vou te fuzilar ou algo do tipo, seus problemas são com meu filho e não comigo certo?—disse Popo, dando uma piscadela para mim.
—Sim, senhor! Certo senhor!—respondi.
Depois que voltamos, Ártemis e Apolo já tinham parado de discutir e conversavam com o resto do grupo. Popo chamou Nathy e Gus para conversar, ok não seria uma conversa lá das melhores, mas Poseidon era legal, diferente de seu filho, como um deus tão legal pode gerar uma coisa tão monstruosa?
Ártemis me chamou para ir lá fora e eu a segui. Fomos parar na beira da piscina, sob uma linda lua que surgia no céu recém-chegado.
—Linda mesmo, não é?—disse Ártemis, me encarando com aquele rostinho de adolescente.
—Sim senhora, está muito linda!—respondi.
—Ei não precisa me chamar de senhora, eu por acaso tenho cara de senhora?—perguntou Ártemis.
—Não senh... quero dizer não.—respondi, sorrindo.—Então como devo chamá-la?
—Me chame de Artie, é meu... apelido pessoal.—respondeu.
—Tá bom Artie.—falei.
—Esta noite está igual a noite que eu te conheci, te olhei pela primeira vez, você era um toquinho, uma bebê linda.—disse Ártemis.
Sorri pra ela um pouco corada, me sentia á vontade com ela, pronta para falar sobre qualquer coisa, ou quase isso.
—Giuh, você sabe que pode contar comigo não é?—disse Artie.
—Sim eu sei, mas acho que devo fazer isso sozinha.—respondi.
—Você é assim, sempre acha que não precisa de ninguém para ajudá-la, acha que é capaz de manter os amigos a salvo e lutar sozinha. Mas você está enganada.—disse Artie, fazendo uma pequena pausa e fitando-me com o olhar.—Querida você precisa entender que todos precisam de ajuda, porque até a Lua precisa da ajuda do Sol para brilhar. Sem ele, a Lua não seria nada entende? Ele a completa e ela não funciona sem ele. E as estrelas? A Lua sem as estrelas também não seria nada, pense como a noite seria mais desagradável sem a presença daquelas pequenas bolas de fogo alegres e brilhantes.
—Mas, eu simplesmente não posso perder mais alguém, seria muito difícil para mim, você sabe. Perdi pessoas importantes no passado, agora perdi Cherry, minha mãe, mesmo não ligando pra ela, corre risco de morrer também. Eu não consigo, entende?—perguntei e comecei a chorar. Artie me abraçou e disse que ia ficar tudo bem.
—Calma Giuh, por ora você deve aproveitar o momento com seus amigos e seu namorado, você sabe que ainda falta um não é?—perguntou Artie, tentando me acalmar.
—Sim eu sei, mas obrigada por tudo.—respondi, enxugando as lágrimas e sorrindo.
—Venha, vamos entrar.—disse Artie.
Entramos na sala e já estavam todos comendo, ou melhor, os deuses estavam meio que fingindo que comiam e os semideuses atacavam tudo. Sentei ao lado de Alex e troquei um rápido beijo enquanto jurava que ninguém estava olhando. Comi tudo e fomos todas as garotas para a cozinha, colocar os pratos no lava-pratos e tirar a mesa.
Depois de arrumar a cozinha, fomos para fora e sentamos ao redor da piscina. Apolo deu início às canções, pedimos músicas mais recentes e ele cantou. O violão foi passando de mão em mão, cada um cantava a música que queria, primeiro foi a Sam, e ela cantou Safe and Sound junto com Jenny. Depois passou para Nathy que fez um dueto com Gus cantando Two is Better Than One, vi que ficaram com vontade de um beijo, mas talvez por causa de Popo eles não seguiram em frente.
Quando chegou a minha vez, cantei com Alex Lucky, a nossa música, tive que me segurar para não dar um beijo naquele meu namorado lindo. Alex tinha aquela voz de anjo e Apolo elogiou a todos pelas belas vozes e para encerrar cantou We Are Young — Fun.
Nos despedimos dos deuses, que sumiram num clarão ofuscante e entramos no barco. Depois de limpar todo o salão de jogos, fomos dormir em nosso último dia á bordo do Cruise Gods.
Alex entrou comigo no meu quarto, não é o que você está pensando! Somos pessoas decentes tá? E, aliás, você nem ouviu o que ele vai dizer!
—Oi, está me devendo um beijo, um não! Todos os que você queria me dar, mas não deu por causa dos deuses.—disse Alex, chegando mais perto.
—O senhor está ficando muito atrevido Sr. Sunbeam, mas só vou dar porque você merece. Mas não aqui no meu quarto, vamos lá no local onde tudo começou.—disse pra ele.
Fomos até a sala de jogos sem fazer muito barulho para não acordar os outros e abrimos lentamente a porta pra ver se tinha alguém.
E para nossa surpresa, tinha.
Era ninguém menos que Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Ela era loira, tinha os olhos azuis, tinha um corpo o que os italianos iriam dizer? “gustosissima”, sim era essa a palavra certa.
Quando virei para Alex, comecei a ficar vermelha de raiva, ele estava quase babando por ela. Ela não parecia perceber que tínhamos entrado na sala, estava ocupada retocando o make.
—Ah, entrem queridos! Desculpe se estou atrapalhando algo, mas eu preciso falar com vocês!—disse a deusa.
—Magina, não está atrapalhando nada, não é amor?—perguntei para Alex.
—Ahn...gah...dã!— respondeu Alex, ainda olhando para a deusa. Dei uma cotovelada em seu estômago, mas não surtiu efeito.
—Que gracinha, a garota está com ciúmes!—disse Afrodite.
—Eu? Ciúmes? Não to não.—respondi.
—Ok, vou fingir que acredito. Mas vamos direto ao assunto, gostou das roupas querida?
—Ah claro! Obrigada senhora!—respondi.
—Não me chame de senhora, me chame de você.—respondeu a deusa.
—Ok, pode deixar. Mas o que a traz aqui?—perguntei.
—Vim falar de vocês. O casal mais fofo desde Percabeth.
—Desde quem?—perguntei.
—Esquece, depois eu te explico, mas agora queria dizer que apoio o relacionamento de vocês! É a mais pura forma de amor: o amor de adolescente!— disse Dite.
—Ahn, obrigada... Alex?—perguntei, olhando para ele.
—Hã? Da... ga?—disse ele, já estava começando a me irritar.
—Como faço ele parar com isso?—perguntei.
—Você sabe, como em todos os contos de fadas, o beijo do amor verdadeiro.—disse Dite, suspirando.
—E eu, posso fazer isso? Assim, na sua frente?—perguntei.
—Claro, vá em frente.—respondeu a deusa.
Olhei para Alex e me aproximei dele, mas ele ainda estava olhando para a deusa, então tive que me virar e dei um beijo nele, depois de um certo tempo, ele me olhou e retribuiu, segurando meu pescoço. Quando nos separamos, Dite sorriu e falou:
—Espero que aproveitem a estadia nesse navio, pois já está no meio da noite a amanhã vocês chegam ao seu destino. Só uma última coisa, cuidado com o amor, do mesmo jeito que ele é doce, pode trazer muita dor também.—disse ela, sumindo numa brisa com cheiro de perfume importado.
—Ei, espera! Como assim dor?— perguntei, mas ela já tinha partido.
—Esquece amor, como ela disse, vamos aproveitar nossa última noite á bordo desse navio.—disse Alex, sorrindo.
—Chega de deuses hoje, vamos curtir.—respondi.
Sentamos no sofá e nos beijamos, cada vez mais intensamente, como se eu tivesse medo de perdê-lo, depois ele deitou e eu deitei em seu peito, ele ficou acariciando meus cabelos até eu pegar no sono, e dormir ao seu lado.
Depois de uma noite ótima sem pesadelos, acordei perguntando-me se fora um sonho, mas quando vi que ainda estava deitada em cima dele, sorri e continuei deitada, até ouvir uma batida na porta.
—Ei, Giuh!—disse Gus abrindo a porta, mas quando viu com quem eu estava ele disse—Ah, desculpe mas nó estamos chegando, já dá pra avistar a costa Italiana.
—Obrigada mané, agora deixe-me dormir!—disse.
Depois que ele saiu, beijei Alex, acordando-o.
—Hey Sunbeam, acorde! Estamos entrando na minha terra natal! Bem vindo á Itália amor!—disse.
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